Ray Dalio vê mudança acelerada na ordem global após viagem à China
Fundador da Bridgewater diz que líderes asiáticos já não veem os Estados Unidos como potência disposta a sustentar sua posição hegemônica pela força
O investidor bilionário Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, afirmou que a relação de poder entre Estados Unidos e China entrou em uma nova fase após uma recente viagem de dez dias a Pequim, parte de uma passagem de um mês pela Ásia. Segundo Dalio, líderes globais, especialmente na região asiática, passaram a interpretar que Washington já não teria disposição política, recursos ou apoio interno suficientes para “lutar para manter seu império”.
A avaliação foi publicada em um longo ensaio de Dalio sobre a emergência de uma nova ordem mundial marcada pelo fortalecimento chinês e pela perda relativa de credibilidade estratégica dos Estados Unidos. Para o investidor, o ponto central não é apenas a ascensão econômica e militar da China, mas a percepção internacional de que a capacidade norte-americana de garantir a segurança de aliados e parceiros está sendo questionada.
Dalio, que visita a China há mais de quatro décadas e mantém interlocução com autoridades e empresários do país, afirma ter percebido uma mudança rápida no comportamento de governos asiáticos. Em sua leitura, países que tradicionalmente contavam com o poder militar dos Estados Unidos como contrapeso à China passaram a recalibrar suas posições diante de Pequim.
O investidor compara o momento atual à crise de Suez, em 1956, quando o recuo britânico diante da pressão internacional após a intervenção militar no Egito passou a ser visto como símbolo do declínio definitivo do Império Britânico. Para Dalio, a atual postura dos Estados Unidos diante de crises internacionais teria efeito semelhante sobre a percepção global do poder americano.
Um dos conceitos centrais de sua análise é o retorno de uma espécie de “sistema tributário” chinês, inspirado na lógica histórica das relações externas da China imperial. Nesse modelo, países menores não seriam necessariamente ocupados ou controlados militarmente, mas reconheceriam a superioridade do poder central em troca de estabilidade, acesso econômico e relações favoráveis.
Dalio argumenta que a China não busca reproduzir um império de ocupação territorial nos moldes ocidentais. Em vez disso, Pequim tenderia a usar instrumentos de pressão econômica, diplomática, tecnológica e financeira para moldar o comportamento de outros países. A influência seria exercida menos por guerras abertas e mais pela demonstração de poder e pela criação de dependências estratégicas.
A questão de Taiwan aparece como o ponto mais sensível dessa transformação. Dalio avalia que a China deverá intensificar pressões para avançar em direção à reunificação, mas sem necessariamente iniciar uma guerra direta. A estratégia, segundo ele, estaria mais próxima da lógica de Sun Tzu: vencer sem combater, por meio de pressão indireta, ameaças veladas e imposição gradual de custos.
A importância de Taiwan para a indústria global de semicondutores amplia o risco sistêmico. Dalio afirma que qualquer ameaça chinesa ao fluxo de chips taiwaneses teria potencial para abalar mercados globais, especialmente setores ligados à inteligência artificial. Para ele, a dependência mundial dos semicondutores produzidos na ilha transforma Taiwan em um dos principais pontos de vulnerabilidade da economia internacional.
No campo econômico, Dalio também aponta para o crescimento do poder financeiro chinês. Ele destaca o avanço dos superávits comerciais, o acúmulo de ativos por empresas e bancos chineses e a ampliação do uso do renminbi em transações internacionais. Em paralelo, empresas chinesas estariam cada vez mais cautelosas em acumular ativos norte-americanos sujeitos a sanções.
A análise reforça uma tese recorrente de Dalio: a ordem global liderada pelos Estados Unidos desde 1945 estaria cedendo lugar a um sistema mais bipolar, hierárquico e baseado em poder relativo. Nesse cenário, alianças formais, regras multilaterais e garantias de segurança perderiam força diante de relações pragmáticas definidas por dependência econômica, capacidade militar, tecnologia e acesso a mercados.■

A ordem global mudou, mais a mídia ocidental distorce os fatos e continua pregando como se nada tivesse mudado.
Você está certo.
Eu acompanho bastante a BBC britânica e a CNN americana. De cada dez palavras que eles falam, nove delas são Trump ou EUA. É como se o resto do mundo simplesmente não existisse.
O Ray Dalio é um cara altamente respeitado no meio económico e geopolítico. Fico feliz que um possível desfecho seja os EUA abrindo mão da sua hegemonia em troca de um mundo multipolar. Qualquer desfecho que evite um conflito mundial é um bom resultado.
A diferença é que as chances de haver conflitos regionais são muito maiores onde não há uma ordem global com um poder hegemônico atuando para conter conflitos nas periferias.
Na realidade, no mundo multipolar, as chances são bem maiores de haver inúmeros conflitos.
Muitos serão os embates. É a dor do aprendizado. O ruim é torcer para que o dirigente do país hegemônico seja um bom líder. A história está repleta de “malucos”, egocêntricos e psicopatas. Aturar uma combinação de egocêntrico, pedófilo e corrupto é que não dá. O desenvolvimento humano precisa ter suas vacinas. O mundo multipolar poderá ser um desses remédios.
Concordo, quem não gosta de reis não torce por déspotas esclarecidos.
Não é o perfil chinês entrar em confrito.
Comportamento normal do ser humano, Rico que não teve educação ampla; aqui no rio de janeiro, só existe centro, zona sul e Barra da Tijuca, o resto da cidade os ricos acham que nem é parte da cidade e essa lógica só sobe, de cidade para estado , de estado para país e de países em relação ao mundo!
Certa vez, eu estava em Lisboa quando ouvi a expressão: “Ela é bem-criada da Zona Sul do Rio de Janeiro”. O preconceito estava explícito no recorte de classe social.
Existem estudos sociológicos que identificam, por estados, as elites locais de pedigree. Trata-se da constatação da acumulação de capital por herança, sobrenome e compadrio dessas famílias com as três esferas do poder. Elas têm representantes no Judiciário, no Legislativo e no Executivo. São verdadeiras castas.
Esse mesmo exemplo acontece no mundo. No trabalho do pesquisador francês Thomas Piketty, ele reconhece que, nos últimos 300 anos, a riqueza muda pouco de família. A tragédia é que os pobres acreditam que, se, se, se… será diferente com eles.
O pensamento de algumas pessoas sequer passou da revolução francesa.
Não ocorre com a bloomberg.
Ainda sim os EUA são o sistema nervoso central financeiro do mundo.
Mas com cada vez menor percentual desse “sistema nervoso central” .
Se ele tivesse visitado antes, já estaria sabendo disto.
Na matéria já cita que não é a primeira viagem dele a China. Na verdade, ele já visita o país há décadas.
Multipolar? Me parece que seria Bipolar.
Normal, desde a época do império romano era assim, Roma foi enfraquecendo e encolhendo, mas nunca admitiu, Inglaterra também!
A redução do papel americano é fato e há tempos comunicado por palavras e ações aos parceiros da OTAN, Russia, China e Japão que a isso são reativos e buscam se encontrar nesse quadro.
A estratégia chinesa por protagonismo e controle de estados vassalos também é clara; como prova de sua eficiência não faltam entreguistas que lhes ofereçam tapete para subjugação nacional: “é melhor do que os estadunidenses malvados” diz leitor.
é fácil saber porque do entreguismo, em países pobres a china tende a investir, diversificar e reestruturar. Até pode estar subjugando como vassalos, como você diz, mas com certeza entrega mais do que para quem se vende aos eua. É fácil entender a polarização para os chineses.
o primeiro passo você já deu: reconhecer o entreguismo
continue nessa jornada… “só por hoje”
O atual presidente dos EUA é a síntese desse movimento de perda de importância relativa. É um tranloucado ao estilo Nero.
Porém, tratar qualquer aproximação com a China como submissão automática ou como “entreguismo” é um erro. Muitos países não estão simplesmente trocando um senhor por outro. Estão, antes, abraçando oportunidades econômicas, tecnológicas, comerciais e de infraestrutura que o antigo hegemon nunca ofereceu, ou ofereceu apenas sob condições políticas, militares e financeiras muito mais duras.
O mundo multipolar não deve ser entendido como amor à China ou ódio aos EUA, mas como a possibilidade de os países negociarem com mais autonomia, sem depender exclusivamente da vontade de uma única potência.
Porém, confesso que encontrar uma defesa insistente do americanismo tupiniquim, feita por brasileiros em favor de um país que, ao longo do século passado, interferiu, patrocinou e sabotou o Brasil, com ou sem ajuda interna da quinta-coluna que habita entre nós, faz-me pensar o quanto Deus é sábio em não prover certas pessoas como eu, de poder.
apesar de palavras negarem “amor à China ou ódio aos EUA”, é só ler os comentários e ver que é exatamente isso que move os comentaristas deste espaço…
Errado ele não está. Os EUA não podem (nem querem) mais exercer o papel de polícia do mundo. Estão deixando que a UE aprenda a se defender sozinha e preferem exercer seu poder no quintal sulamericano.
E ele toca num ponto importante: custos. Hoje está tudo literalmente pela hora da morte e guerras estão saindo muito, muito caro.
mas para os eua sempre foi uma questão de investimento. O medo atual, que eu imagino, é os eua sair do protagonismo da otan e perder as vendas de equipamentos. A industria bélica dos eua precisa de conflitos para continuar existindo mas a postura atual faz vários desses países buscarem autonomia. Não vai ser da noite para o dia mas dá para ver que vendas de material bélico com pouca ou nenhuma origem dos eua parece ter subido. O Rafale, que todos diziam estar morto sem a venda para o Brasil, vai muito bem, soluções de transporte também tem aparecido de diversos países europeus.
A indústria de defesa dos EUA representa somente 1,5% da sua economia.
Isso é o hoje, amanhã ninguém sabe… Do que adiantou Rafales, F-15, Eurofighters para as monarquias do Golfo ?? Todas elas foram atacadas pelo Irã que não possui força aérea.
Pode dizer qual guerra foi barata?
Os EUA são um falido que ainda não teve o seu chá de revelação; ou, se teve, resiste em manter as aparências. Alguém que deve 39 trilhões de dólares não tem mais como pagar, nem rodando a maquininha, pois, nesse caso, a hiperinflação chega.
O que dizer do Japão que além de perder no futebol para o Brasil tem uma dívida proporcional maior, não tem a máquina para imprimir dólares e mesmo a sim a muito tempo não quebrou.
Você está certo! Esta história de austeridade fiscal e superávit nas contas públicas é um engodo neoliberal. Todos os países que se desenvolveram, sem exceção, foi com elevados gastos estatais e déficits fiscais. Mas aqui convencem o povo que o orçamento do Estado é semelhante a de uma família. Enquanto isso, a China está há 40 anos promovendo desenvolvimento e usando o Consenso de Washington como papel higiênico.
O Doutor google diz que o Japão tem “O Japão é atualmente o maior credor estrangeiro dos Estados Unidos, detendo cerca de US$ 1,209 trilhão em títulos do Tesouro norte-americano”. Tá aí, uma possível justificativa. Pode converter para abater essa dívida . ( dívida interna). O secretário Scott Bessent correu para Tóquio para convence-los a não vender muito esses títulos
A questão não é pagar a dívida, mas como o mundo percebe a capacidade dos EUA a financiarem, no fundo é uma questão de percepção e comportamento. Quem inventou esse jogo foi o império inglês.
Vamos ver se depois do fracasso no Irã, Trump se torna um pouquinho (não espero mais que isso) sensato nas guerras que entra.
Precisou o Iran mostrar a dura realidade para esses bilionários, algo já previsto anos atrás, que venha essa nova ordem multipolar, capitaneada pela China sim, e que o velho mundo caia em ruínas e escombros.
É a visão deturpada de pseudos analistas.
Irã deu um empurrão esse ano para mostrar que os EUA não conseguem proteger nem os aliados que mandam muita grana pra eles, como do oriente médio.
A dívida pública americana aumentou significativamente em decorrência do conflito com os iranianos…
Apenas nos meses seguintes ao início da guerra contra o Irã, o endividamento nacional ultrapassou a marca de US $ 39 trilhões. ,o forte aumento dos gastos foi motivado pela necessidade de financiar operações militares e déficits anuais crescentes
O crescimento do endividamento trouxe as seguintes consequências para a economia americana:
Novos gastos emergenciais:
O Pentágono precisou solicitar bilhões em fundos adicionais ao Congresso para cobrir os custos do conflito.
Aumento das taxas de juros:
O conflito contribuiu para pressionar os juros dos títulos do Tesouro para cima, encarecendo o custo dos empréstivos para o governo e o crédito para famílias e empresas.
Pressão sobre o PIB: Com o aumento da dívida, o endividamento em mãos do público chegou a patamares superiores a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Impacto na inflação e nos combustíveis: O bloqueio efetivo de rotas no Oriente Médio encareceu o petróleo, gerando picos na inflação americana e pressionando os gastos familiares.
O valor do título subiu, como reflexo de segurança, e os juros não subiram (uma coisa é valor do título, a outra é o rendimento). O Japão tem uma relação divina PIB de 240 % e não esta quebrado. O que está pegando é a infração.
Off-Topic: Oque seria do Mundo sem Donald Dumb?! O Gênio da negociação está querendo dar um tiro de Barret no pé…
Oque eles está a fazer é um favor para o mundo!
Trump ameaça impor uma tarifa de 100% a qualquer país que institua imposto sobre serviços digitais
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou na sexta-feira impor uma tarifa de 100% sobre todos os produtos provenientes de qualquer país que aplique um imposto sobre serviços digitais às empresas americanas.
Fonte:
https://br.fashionnetwork.com/news/Trump-ameaca-impor-uma-tarifa-de-100-a-qualquer-pais-que-institua-imposto-sobre-servicos-digitais,1848071.html
Cada ação gera uma reação! Ele tomará essa medida e os europeus não ficarão quietos…
Isso é só o começo, esse velhote está afastando seus aliados de longa data…
Isso só aumentará o desejo de se cortar o cordão umbilical que os liga a Washington, e tal decisão não irá cessar, independente de quem será o próximo presidente americano, seja este Democrata ou Republicano…
A União Europeia está implementando regulamentações de soberania digital e privacidade para reduzir a dependência de gigantes da tecnologia como a Microsoft.
Governos de países como França e Alemanha estão substituindo computadores públicos do Windows por sistemas de código aberto baseados em Linux.
A União Europeia está tomando medidas contra Washington concentram-se no conceito de “autonomia estratégica”, visando reduzir a dependência norte-americana em áreas como defesa militar, tecnologia, regulação digital e infraestrutura financeira.
O objetivo central é permitir que o bloco aja de forma independente na cena internacional.
A Comissão Europeia lançou um plano de desenvolvimento de infraestrutura de dados e inteligência artificial.
A medida visa triplicar a capacidade tecnológica europeia em sete anos e criar alternativas às gigantes tecnológicas americanas.
Lei de Chips e Semicondutores:
Iniciativas buscam assegurar o abastecimento local de chips, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros de tecnologia.
Defesa e SegurançaIndústria de Defesa:
O bloco tem criado fundos para financiar pesquisas e projetos conjuntos entre países, diminuindo a dependência da OTAN e das garantias de segurança de Washington.
Bússola Estratégica:
Estabelece diretrizes de longo prazo para tornar a Europa um provedor de segurança autônomo, com capacidade rápida de resposta militar.
Autonomia Econômica e Financeira/Regulação das Big Techs:
A implementação de legislações restritivas, como o Digital Services Act, desafia o modelo de negócios das empresas dos EUA, gerando tensões comerciais.Infraestrutura de Pagamentos: Há esforços para promover a aplicação internacional do euro e desenvolver sistemas de pagamentos próprios, protegendo a UE da extraterritorialidade das sanções dos Estados Unidos e da dependência do dólar.Para acompanhar os desdobramentos diplomáticos e a ratificação dessas leis, consulte o portal oficial do Serviço Europeu para a Ação Externa ou a página de Relações da UE com os Estados Unidos do Conselho Europeu.
E com tudo isso o que é a Europa em IA perto de EUA e China? Qual IA europeia você já usou? Qual o valor de mercado das empresas de IA europeia?
Enquanto a turma do DCE ficam eufórico qdo falam que os EUA vão mal, ou os fã clube da Disney ficam defendendo o TIo Sam com unha e dentes…nosso pobre Brasil esta cada dia mais fora do rumo e sem projeto de nação. O Brasil e o pais do futuro que nunca chegou, que ta ficando velho e mais pobre…