A capacidade ucraniana de ataques profundos com drones e suas implicações para a estratégia militar
FIGURA 1 - Imagem de bombardeio estratégico russo destruído por ataque de enxame de drones, capturada por satélite da empresa MAXAR Intelligence. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2025/06/05/russia-diz-que-consertara-avioes-de-guerra-danificados-em-ataques-ucranianos-com-drones.htm. Acesso em: 8 jun. 2025.
Por André Luiz Nobre Cunha [1]
O que está acontecendo aqui é algo que não está ocorrendo em nenhum lugar do mundo
General DAVID PETRAEUS em visita à sede em Kiev do sistema aéreo não tripulado ucraniano
1.INTRODUÇÃO
O Arsenal de Toropets, localizado a cerca de 380km a noroeste de Moscou e a 500 km da fronteira ucraniana era um dos maiores arsenais de munição da Rússia. Ele abastecia frentes como Donetsk, Kharkiv e Bakhmut. Com uma área de 5 km2, abrigava mísseis balísticos Iskander, mísseis Tochka-U, bombas aéreas guiadas e munições de artilharia, e estava em uma região longe dos combates e considerada segura.
Na madrugada de 18 de setembro de 2024, a Ucrânia executou um ousado ataque em larga escala contra essas instalações empregando diversos meios, principalmente drones de ataque. A operação, conduzida pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (Sluzhba Bezpeky Ukrayiny – SBU) em colaboração com as forças de inteligência e operações especiais causou explosões massivas e destruição de significativa quantidade de armamentos e munição.
Cerca de cinco meses depois, engenhosos sistemas ucranianos de lançamento de pequenos drones, disfarçados de cargas em contêineres transportadas por caminhões, foram utilizados em um ataque simultâneo a bases aéreas estratégicas dentro da Rússia (Belaya, Ivanovo, Dyagilevo) e uma base de submarinos nucleares (Olenya Guba). Sinais de comando criptografados foram enviados para esses contêineres que, de forma automática, acionaram e liberaram os drones, os quais, usando modernas técnicas de operação remota navegaram até alvos selecionados, atacando bombardeiros estratégicos, de comando/controle e alerta antecipado, estações de radar e depósitos de combustível.
Esses exemplos, que se somam a diversas outras ações ofensivas com as mesmas características, mostram que os drones têm transformado a guerra moderna, e em particular, têm revolucionado as capacidades de ataque profundo. Equipamentos de longo alcance, combinados com outros meios de baixo custo, podem agora atingir alvos a milhares de quilômetros de suas bases clandestinas, no coração do território inimigo.
A capacidade de realizar ataques de precisão com enxames de drones em conjunto com as demais forças militares foi alcançada pela Ucrânia. O país também conseguiu estruturar a formação de pessoal e estabelecer uma produção interna desses meios relevantes. Como esse país conquistou tais capacidades e como operacionaliza essas atividades? Isso tem gerado repercussões no mundo inteiro. O presente trabalho tem a finalidade de analisar a capacidade ucraniana de ataque profundo com meios não tripulados, e suas implicações para a estratégia militar.
2. DESENVOLVIMENTO
2.2 Como a Ucrânia conseguiu obter essa capacidade
A Ucrânia desenvolveu capacidades avançadas para ataques profundos com drones, com base em inovações tecnológicas e organizacionais, sem deixar de de mencionar a ajuda internacional. Esse desenvolvimento incluiu a produção e aprimoramento interno de drones, além da adaptação de modelos comerciais adquiridos. Faz parte também a formação e aprimoramento de especialistas (operadores, engenheiros e programadores). Da mesma forma foi crucial o desenvolvimento interno de um sistema de comando e controle capaz de se integrar a esses drones e a sistemas de outras nações e organizações (como os da OTAN), e apoiados por tecnologias como a Starlink.
Em 2014, durante a Guerra do Donbass, um grupo de engenheiros, técnicos e programadores fundou a Aerorozvidka, uma iniciativa voluntária para suprir a escassez de capacidades de drones nas forças ucranianas. Inicialmente focada no uso de drones comerciais adaptados para reconhecimento e inteligência, a Aerorozvidka criou uma cultura de inovação e desenvolvimento tecnológico, contribuindo para o desenvolvimento do sistema de gestão de batalha Delta, que integra dados de drones, satélites e outras fontes de inteligência em tempo real.
Ao longo do tempo, a organização desenvolveu e adaptou drones, para missões de ataque e vigilância. Formalmente integrada às Forças Armadas Ucranianas em 2016, a Aerorozvidka se tornou uma unidade de elite da inteligência militar, destacando-se como uma das mais inovadoras e eficazes no uso de drones, especialmente em operações de reconhecimento e ataques profundos.
Com a invasão russa em 2022, a Aerorozvidka desempenhou um papel importante na defesa de Kiev, contribuindo para operações de reconhecimento e apoio às forças terrestres. Durante os combates em Hostomel, seus drones foram usados para monitorar movimentos inimigos e coletar inteligência. Passou também a usar sistemas avançados para melhorar a análise de dados.
Ao longo do ano de 2022 a Diretoria Principal de Inteligência (GUR) da Ucrânia, principal órgão de inteligência militar, criou uma unidade especializada no uso de drones de longo alcance para operações em território russo. Ainda nesse ano, o Ministério da Defesa da Ucrânia, em parceria com o Ministério da Transformação Digital, e a UNITED24, plataforma oficial do governo ucraniano criada em 2022 para captação de fundos internacionais, lançaram o programa “Army of Drones” (Armya Bezpilotnykiv) com o objetivo de acelerar a aquisição, manutenção e treinamento em drones militares. A iniciativa visava inicialmente a compra de centenas de drones profissionais e dezenas de milhares de drones FPV (First Person View)[2], além da formação de operadores, com financiamento internacional.
Embora inicialmente utilizasse principalmente drones adaptados, modelos construídos em território ucraniano começaram a surgir no final de 2023 e início de 2024. Em fevereiro desse ano o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy assinou um decreto criando oficialmente as Forças de Sistemas Não Tripulados (SNT). A nova força começou a ser estruturada com integração gradual de capacidades em drones aéreos, terrestres e marítimos.
Embora não seja o primeiro ramo autônomo responsável pelo desenvolvimento e emprego de drones militares no mundo, essa nova força representa uma abordagem única e centralizada, sem precedentes na organização de forças armadas. A transferência de unidades existentes, como o 14º Regimento de Sistemas Aéreos Não Tripulados, foi incluída como parte do processo de consolidação operacional.

2.3 Drones utilizados
A Ucrânia tem desenvolvido e aprimorado uma série de drones de longo alcance para atingir alvos estratégicos no território russo. Dentre os diversos modelos disponíveis merecem destaque:
O Lyuty, com alcance estimado entre 1.000 e 2.000 km e capacidade de carregar ogivas explosivas de médio porte (até 50 kg), é ideal para missões profundas contra depósitos de munições e centros logísticos. Ele desempenhou papel central no ataque ao Arsenal em Toropets.
O Palianytsia, drone-foguete com características similares ao Lyuty, também alcança até 2.000 km, pode carregar em torno de 130 kg de carga explosiva, sendo projetado especificamente para contornar restrições ocidentais sobre o uso de mísseis em território russo. Sua velocidade e precisão são vantagens para missões contra alvos altamente protegidos, como bases de bombardeiros e fábricas de munição.
Já o Aeroprakt A-22 modificado, era originalmente uma aeronave civil, e tem alcance de até 1.300 km, podendo carregar bombas FAB-250 (100 kg) ou minas de 120 mm, sendo adequado para ataques de alta precisão contra infraestruturas críticas, como instalações de petróleo.
A Ucrânia vem desenvolvendo e testando em combate novos conceitos relacionados ao emprego de drones. Um dos modelos mais promissores recebeu o nome de GOGOL-M. Supostamente desenvolvido por empresas ucranianas com apoio do Ministério da Transformação Digital e do cluster de inovação BRAVE1, é descrito como um drone transportador de nova geração.
O drone seria capaz de transportar e liberar outros múltiplos drones FPV (First Person View – Visão em Primeira Pessoa) a centenas de quilômetros de distância, aumentando significativamente a capacidade de ataque em profundidade sem expor operadores humanos. Sua principal inovação seria o uso de inteligência artificial (IA) para navegação autônoma, seleção de alvos e coordenação de ataques.
Ainda que parte das informações seja especulativa ou baseada em narrativas ucranianas, o conceito do GOGOL-M trabalha com conceitos e técnicas muito avançadas, e reflete a direção tecnológica da guerra de drones: maior autonomia, integração entre drones, incorporação de Inteligência Artificial e redução da intervenção humana em missões complexas.
2.4 Como os drones são empregados
A operacionalização de ataques profundos com drones pela Ucrânia em território russo é um processo que exige extrema coordenação. A seleção de alvos é um processo complexo, focando em instalações de alto valor, como, por exemplo, depósitos de munições (ex.: Toropets) e refinarias (ex.: Ryazan, 2025), e nos efeitos esperados, como interromper a logística russa e gerar impactos psicológicos.
O sistema Delta, desenvolvido pela Aerorozvidka e gerido pelo Centro de Inovação e Desenvolvimento de Tecnologias de Defesa ucraniano, integra inteligência humana, sinais e imagens de satélite de aliados como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e serviços comerciais como a Maxar, permitindo mapear alvos e avaliar vulnerabilidades. Unidades como o Long-Range UAV Unit do GUR e o 14º Regimento de Sistemas Aéreos Não Tripulados analisam defesas russas, como sistemas S-400, para planejar rotas furtivas.
O planejamento da missão envolve a escolha de drones de longo alcance, como o Lyuty dentre outros, equipados para resistir a contramedidas russas, como interferências (jamming), e lançados em enxames para saturar defesas antiaéreas. No ataque a Toropets, há evidências de que dezenas de drones, incluindo iscas, foram usados, com rotas planejadas para evitar radares e lançamentos noturnos para maior discrição.
A preparação ocorre em locais secretos, com drones configurados para carregar ogivas explosivas e lançados de diversas pistas improvisadas, campos ou estradas abandonadas no território ucraniano. A conectividade via Starlink e o sistema Delta permite ajustes em tempo real, garantindo monitoramento contínuo durante a missão.
A execução do ataque combina táticas de saturação e precisão, com drones voando baixo para evitar detecção e atingir alvos com ogivas explosivas. Em Toropets, a explosão gerou um tremor sísmico, registrado pela NORSAR, e imagens de satélite da Maxar, confirmando a destruição do depósito.
O monitoramento em tempo real via Sistema Delta integra feeds de drones e mensagens de Telegram russos, permitindo aos operadores do GUR confirmar a chegada dos drones. A avaliação pós-missão utiliza inteligência humana, vídeos de redes sociais e imagens de satélite para verificar danos.
2.5 Implicações para a estratégia militar
Os ataques profundos com drones têm reflexos profundos no nível estratégico, com potencial para mudar a dinâmica de conflitos e influenciar estratégias militares globais. Merecem destaque as seguintes implicações do seu uso drones em ataques profundos:
2.5.1 Disseminação da estratégia de guerra assimétrica: Os mais fracos agora também podem degradar os mais fortes
Cada vez mais fica demonstrado que drones de baixo custo substituem ou complementam caros mísseis de ataque, oferecendo uma atraente alternativa assimétrica de ataque profundo. Esses equipamentos, operados em enxames e dotados de meios para burlar a interceptação, saturam defesas aéreas, oferecem reconhecimento e acompanhamento de ataques em tempo real, reduzem o ciclo de detecção e ataque para minutos e ampliam o poder de outros sistemas convencionais de ataque.
Drones baratos, produzidos em massa, e operados sem exposição a riscos chamam a atenção de nações pobres. Países com orçamentos limitados podem desenvolver capacidades ofensivas respeitáveis. Capacidades antes exclusivas de nações com grandes investimentos e poderio militar agora estão disponíveis para outros países, inclusive “estados falidos” no Oriente Médio e África, que abrigam grupos terroristas.
Tradicionais potências militares também estão atentas às lições ucranianas. Os Estados Unidos, a própria Rússia e a OTAN adaptam suas doutrinas e meios, incorporando conceitos de enxames de drones de baixo custo, sua integração à guerra centrada em redes e uso da Inteligência Artificial para a autonomia de navegação e engajamento desses dispositivos. Começam também a visualizar esse tipo de ferramenta como um significativo ativo para a guerra híbrida, onde meios convencionais podem ser combinados com meios não-convencionais, como sabotagens e armas informacionais (cibernéticas e psicológicas).
2.5.2 Ativos estratégicos e econômicos estão sob alcance imediato de ataque: Os alvos estratégicos agora podem ser degradados
O uso de drones para ataque a infraestruturas críticas, como centrais elétricas, refinarias de petróleo, fábricas, portos, aeroportos e até mesmo ativos nucleares tem se mostrado uma estratégia plausível para enfraquecer as capacidades econômicas e militares inimigas. Fica claro que nenhum ativo estratégico, mesmo aqueles localizados no interior do território inimigo, está seguro, fora de alcance. Esses podem sofrer ataques e serem totalmente destruídos ou, em constantes ataques serem aos poucos obliterados.
A capacidade de atingir alvos a até 2.000 km, ou mais, expõe a vulnerabilidade de instalações antes consideradas seguras devido à distância da linha de frente. Esses ataques não apenas interrompem cadeias de suprimento militares, mas também desestabilizam a economia ao atingir infraestruturas vitais, forçando a realocação de recursos para reparos e proteção, o que reduz a capacidade de sustentar esforços de guerra prolongados.
A precisão dos drones, potencializada por sistemas de comando e controle alimentados em tempo real, como o Delta, podem integrar produtos de inteligência em tempo real de satélites e fontes comerciais, otimizando a seleção e o engajamento de alvos. Essa tática de desgaste, com ataques contínuos ou únicos e devastadores, cria para o inimigo vulnerabilidades em outros setores e eleva os custos de manutenção de sua infraestrutura crítica.
2.5.3 Operações logísticas se tornam mais complexas: A degradação dos meios logísticos
A capacidade de realizar ataques profundos com drones introduziu uma nova camada de complexidade às operações logísticas. As cadeias logísticas, desde aquelas de âmbito nacional e as militares, diretamente dependentes dessa, estão vulneráveis a drones de longo alcance. A destruição de infraestruturas de produção, como por exemplo a petroquímica, pode diminuir ou interromper a produção e suprimentos militares.
Em termos de logística militar isso poderá demandar uma descentralização de meios. Exige a construção de novos depósitos menores, mais dispersos e fortificados, aumentando os custos e a complexidade do transporte e da proteção de suprimentos. Além disso, a necessidade de proteger rotas logísticas contra ataques de drones poderá tornar mais complexo o planejamento, exigindo escoltas armadas e monitoramento constante, o que reduz a eficiência operacional.
Enfim, a necessidade de contrapor a ameaça de drones de ataque profundo, imporá a forças armadas investimentos em sistemas de proteção ativa para comboios e instalações, como contramedidas eletrônicas e defesas antidrones em várias camadas, o que poderá elevar os custos operacionais. A imprevisibilidade dos ataques de drones poderá forçar uma reavaliação das cadeias de suprimento, com maior ênfase em agilidade, resiliência, redundância e rotas alternativas, aumentando a complexidade logística e o tempo necessário para reabastecimento em zonas de combate.
2.5.4 Ataque profundos têm impactos psicológicos: A degradação do psicológico individual e coletivo
Os ataques profundos realizados com drones de longo alcance geram impactos psicológicos significativos na população e nas forças armadas, abalando a percepção de segurança em territórios distantes da linha de frente. A destruição de alvos estratégicos é amplificada por relatos em tempo real em plataformas de redes sociais, podendo provocar pânico e incerteza entre civis, que podem temer a vulnerabilidade de suas cidades.
Esses ataques podem criar uma sensação de insegurança generalizada, minando a confiança na capacidade do governo de proteger seu território. Esse impacto psicológico força as autoridades a desviar recursos para reforçar a segurança interna, o que pode desestabilizar a coesão social e política em áreas antes consideradas intocáveis.
Para as forças militares, os ataques profundos geram um efeito psicológico de desgaste, ao forçá-las a operar sob pressão psicológica contínua, e expor a incapacidade de modernos e caros sistemas. A saturação das defesas, com enxames de drones, incluindo iscas, pode criar uma percepção de impotência entre os operadores militares. Esse sentimento é agravado pela cobertura de mídia e redes sociais, que amplificam o impacto dos ataques.
3. CONCLUSÃO
A Ucrânia atualmente é um dos maiores laboratórios de teste do emprego de drones de longo alcance. Esses equipamentos em seu desenvolvimento evoluíram de plataformas de vigilância e reconhecimento a sofisticadas ferramentas de ataque profundo, podendo se inseridos em ataques de guerra híbrida, orquestrados com meios informacionais e de sabotagem.
Os drones deixaram de ter papel secundário e agora ganharam alta relevância na guerra. Com eles um país pode desenvolver a valiosa capacidade de projetar poder de forma abrangente no território inimigo, saturando as defesas e maximizando o impacto no adversário. Isso o força a dispersar meios e descentralizar sua logística, trazendo forte choque psicológico.
No cenário global, esse conjunto de experiências veem sendo atentamente analisadas pela elite militar e tecnológica das grandes potências, e até mesmo por países com baixo orçamento militar. Uma aceleração na corrida de tecnologia de drones e anti drones, projeta o surgimento de uma nova realidade onde a inovação tecnológica e a integração de sistemas pavimentarão a supremacia militar.
A guerra a partir de agora terá novos contornos, e certamente se tornará mais implacável, mais ampla, mais contínua, mais disseminada e mais mortal. Tudo isso graças aos enxames de drones integrados às redes de operações.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- BONDAR, Kateryna. Inside russia, pirates plan to build autonomous swarms of drones. https://breakingdefense.com/2025/01/inside-russias-plan-to-build-autonomous-drone-swarms/
- HALEM, Harry. Ukraine’s lessons for future combat: unmanned aerial systems and Deep Strike.
- PERDUE, Mitzi. Inside ukraine’s drone high command. Disponível na internet em https://cepa.org/article/inside-ukraines-drone-high-command/. Acesso em 10 de maio de 2025.
- RENIC, Neil; CHRISTENSEN, Johan. Drones, the russo‒ukrainian war, and the future of armed conflict: acquisition and procurement. Brabrand: Djøf Publishing and the Centre for Military Studies, 2024.
[1]Doutor em Ciências Militares e Pós-graduado em Ciência de Dados
nobrecunha@yahoo.com.br
[2]FPV (First Person View) , ou “Visão em Primeira Pessoa”, refere-se a um tipo de drone operado remotamente no qual o piloto “enxerga” em tempo real o que a câmera do drone captura, como se estivesse dentro da aeronave. Isso é feito por meio de um sistema de transmissão de vídeo em baixa latência que envia as imagens do drone para óculos de FPV ou uma tela usada pelo operador.

“Drones” unidirecionais (suicidas) deveriam ser denominados de mísseis, ainda que tenham propulsão por hélice.
O termo “drone” ou UAV (VANT) deveria ser empregado apenas para veículos aéreos retornáveis ou opcionalmente retornáveis, independente do tipo de propulsão.
Considero que míssil refere-se a uma arma com um ponto de lançamento (fixo ou móvel) tendo um ponto de “chegada” ou alvo previamente estabelecido.
Já o drone tem a caracterísca da variância do alvo, podendo-se considerar a propulsão por hélice até como uma vantagem para seu objetivo específico.
Há muitos “mísseis” que podem mudar seus alvos originais no meio do caminho ou escolher dentre alguns.
dentre = entre
A nomenclatura que o exercito utiliza é SMRP (Sistema de Munições Remotamente Pilotadas)
Rafa,
mas um drone como o Shahed 136 não se enquadra nessa denominação por ser autônomo .
Sequer tem um sistema de comunicação por data link de RF.
Por outro lado há diversos mísseis que se enquadram nessa denominação: Spike LR, Spike ER, Spike NLOS, Spice 1000/2000, SLAM-ER, Dalilah, etc.
O Brasil precisa de desenvolver algo do tipo, um drone barato (one way), 1000km de alcance, com motor de mobilete e ogiva de 80kg. Olha o custo beneficio desse troço:
Geran/Shahed (drone iraniano russo com motor de moto): 50 mil dólares
Tomahawk (missil de cruzeiro americano): 2 milhões de dólares
Blza, um missil de cruzeiro como o tomahawk tem ogiva 3x maior, porém para 90% das aplicações o Shahed faz a mesma coisa, qual seja: destruir posições fixas de radar, posições de artilharia, hangares de aviação, ataque a bases inimigas, saturação de defesas, ataques de decaptação ataque a alvos de comando e controle, até mesmo antinavio.
Vemos a Russia e a ucrania recebendo, 600, mil drones desse na cabeça em uma operação e tendo danos relativamente razoáveis pq tem uma defesa antiaérea densa. Porém um país como Brasil (ou qlqr outro latino americano), se sofrer um ataque com 1000 drones desses poderia ter a maior parte de sua estrutura de comando e controle, paióis, radares e bases aéreas inutilizado.
Um Tomahawk tem ogiva 6 vezes maior, velocidade 6 vezes maior , voa mais baixo tem e RCS 10 vezes menor que o de um Shahed.
De 100 tomahawks lançados 30 serão interceptados por uma IADS competente.
De 100 Shaheds lançados 90 serão interceptados.
A precisão de um Shaherd básico é horrível, servindo mais como arma psicológica e para desgastar a munição do inimigo do que para atingir objetivos reais.
A de um Tomahawk é de um metro .
“De 100 Shaheds lançados 90 serão interceptados.”
Pela REussia, pelos EUA, pela Ucrania… Mas pelo Brasil, não.
“A precisão de um Shaherd básico é horrível, servindo mais como arma psicológica e para desgastar a munição do inimigo do que para atingir objetivos reais.”
Tem videos dos shahed atingindo radares com grande precisão. O CEP deles dá para o gasto.
Sobre as ogivas, depende da versão, tem ogiva de 50kg, tem ogivas até de 100kg nas versões iranianas. Tem até ogiva anti bunker kkk Mas to falando apenas do Shahed, tem dezenas de drones one way sendo fabricados hj. A Ucrania fabrica um drone com ogiva de 1 tonelada.
Como vc mesmo disse há diversas versões do Shahed. Algumas são dotadas de sistemas de imagem que possibilitam uma precisão pontual , mas são mais caras.
O Shahed barato que vc citou é o que existe aos milhares e não vem com nenhum acessório. Rss
Voam em altitude constante e são guiados por satélite e são muito sujeitos à interferência.
Mas eu não sou contra a sua sugestão.
Só mostrei porque há de se ter mísseis lentos como o Shahed, mais rápidos como o Tomahawk e mais rápidos ainda como o Kinzhal.
A diferença é que agora muitos podem ter o lento, uma opção que não existia.
Sem dúvida.
Eu só acho que a guerra da Ucrânia não é modelo a ser seguido.
Nenhuma superpotência vai ficar 5 anos trocando drones estratégicos de baixo custo de longo alcance com um vizinho ou com um inimigo paupérrimo.
Grandes potências militares que se prezam resolvem seus conflitos em no máximo 2 meses, e aí, esse negócio de lançar centenas de drones baratinhos para atazanar a vida do inimigo simplesmente não irá funcionar.
Vejo o perigo dos drones baratos mais nas mãos de grupos não estatais do que na mão de países menores contra os grandões.
Alguns jabs incomodam mas o que costuma ganhar a briga é um bom direto no queixo.
Já em relação aos drones de emprego tático/operacional, com alcances de até uns 250 km, dotados de data link e/ou IA , esses sim vieram pra revolucionar o campo de batalha.
Drones de emprego estratégico de longo alcance (tipicamente acima de 500 km) têm muito a colaborar se forem dotados de recursos que já os fazem não ficar com preço de banana na feira.
Outro ponto a ser levado em consideração é que se um país pobre pode adquirir drones baratos para fustigar um inimigo rico, mais ainda o rico poderia fazê-lo, o que elimina a suposta vantagem, já que pau que dá em Francisco também pode dar em Chico e não creio que o Criador tenha colocado regras no Universo que faculta só aos pobretões terem drones tipo Shahed 136 e impede as potências de também obtê-los e empregá-los. rsss
Vale salientar que sempre os países pobres tiveram como fustigar o inimigo rico.
Desde empregando táticas de guerrilha até homens, mulheres e crianças bombas, passando pelo emprego de IEDs e a ameaça de empregar armas químicas, biológicas e radioativas e fustigando seus vizinhos com ataques diários de foguetes e eventualmente de parapentes motorizados.
Por outro lado vemos “grandes” potências militares empregando a tática de “ataque de carne”, ainda que isso tenha custado mais de um milhão de jovens a troco de nada, só para manter um “ser iluminado” ,que deveria servir ao seu povo, sendo servido e mantido como um deus no Olimpo.
A diferença é que com o preço de 1 se compra mais de 100 do outro. Um precisa de uma plataforma cara de lançamento, o outro não. 100 de um comprasse mais de 10.000 do outro. Um poucos fabricam, e vendem, outro muitos fazem.
O Brasil poderia estar fabricando Drones Geran, KUB ou Lancet-E sob licença ou até com design similar.
Apesar que os dois últimos se caracterizam como “munição vagante”…
Lancet-E é uma versão aprimorada do drone Lancet, com foco na expansão das exportações russas de munições vagantes, devido à crescente demanda global por essas tecnologias avançadas.
Há uma matéria no Forte que fala sobre o sucesso do Lancet na Ucrânia, onde foi usado em 872 ocasiões e atingiu 698 alvos com uma taxa de sucesso de 80%, consolidou sua reputação como uma arma confiável e eficaz. Essa performance impressionante fortaleceu ainda mais seu apelo no mercado internacional.
O preço de custo do Lancet varia entre US$ 20.000 e US$ 40.000 (cerca de R$ 113.000 a R$ 226.000, dependendo da versão.
Mas felizmente está havendo testes do EB para aquisição de drones pela força.
Marinha testa ‘drone kamikaze’, primeira aeronave de ataque remoto das Forças Armadas brasileirasProtótipo tem capacidade de inutilizar veículos e aeronaves em voos de até 25 minutos
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/09/12/marinha-testa-drone-kamikaze-primeira-aeronave-de-ataque-remoto-das-forcas-armadas-brasileira.ghtml
Nao entendo comprar material inferior comprovado em guerra. Qual seria a lógica, seria dizer que tem, somente.
Existem fabricantes nacionais
e ainda temos a dupla drones e aeróstatos para ataques a longas distâncias.
Os drones são uma arma fundamental hoje, pelo seu baixo custo e cada vez mais eficácia. O Brasil não pode ser tão lerdo na implementação desse meio, seja de origem nacional ou importada, já era para termos adaptados essa arma nos meios tradicionais.
independente de quem ganhar, no final dessa guerra não vai ter engenheiro ucraniano desempregado. Os caras vão ser mais disputados que os engenheiros alemães de foguetes em 1945.
Interessante ver Irã e Ucrania causar esse impacto em potencias militares através de uso de drones.
No final das contas ajudou a igualar mais as coisas entre países menores e potencias.
Eles tem regimentos de drones
Temos várias empresas com vários produtos. Seria interessante acompanhar