Acionista-chave da Volkswagen propõe produzir na Alemanha modelos desenvolvidos na China

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Volkswagen

A Volkswagen poderá proteger empregos e aumentar a utilização de suas fábricas na Alemanha se transferir para o país a produção de modelos atualmente desenvolvidos na China, afirmou Olaf Lies, primeiro-ministro da Baixa Saxônia, um dos acionistas mais influentes do grupo alemão.

A Baixa Saxônia detém 20% dos direitos de voto da Volkswagen e abriga a sede da montadora, em Wolfsburg, além de cinco das seis fábricas da empresa no oeste da Alemanha. A declaração de Lies ocorre em meio a fortes pressões sobre a maior fabricante automotiva da Europa, que enfrenta queda de demanda, concorrência crescente de montadoras chinesas e discussões internas sobre cortes de empregos e fechamento de unidades.

Segundo relatos da imprensa alemã citados pela Reuters, a Volkswagen avalia um plano de reestruturação que poderia incluir o fechamento de até quatro fábricas na Alemanha e a eliminação de até 100 mil postos de trabalho nos próximos anos. A empresa não confirmou os números, afirmando que as decisões serão discutidas pelos órgãos competentes.

Para Lies, a resposta da Volkswagen à pressão competitiva chinesa não deveria ser o isolamento tecnológico, mas a incorporação de capacidades desenvolvidas na China à base industrial alemã. A ideia seria produzir na Alemanha veículos concebidos para o mercado chinês ou desenvolvidos com parceiros chineses, aproveitando plantas subutilizadas e preservando empregos qualificados.

A proposta representa uma inversão simbólica na trajetória recente da indústria automotiva alemã. Durante décadas, fabricantes como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW exportaram tecnologia, engenharia e modelos globais para o mercado chinês. Agora, diante da velocidade da eletrificação e da digitalização na China, as montadoras alemãs passam a olhar para suas operações chinesas como fonte de inovação, especialmente em veículos elétricos, software embarcado, conectividade e sistemas de assistência ao motorista.

A Volkswagen já vem reforçando sua estratégia “na China, para a China”, com desenvolvimento local mais rápido e parcerias com empresas como a Xpeng. O objetivo é recuperar competitividade em um mercado onde marcas chinesas avançaram rapidamente, oferecendo veículos elétricos com preços agressivos, alto conteúdo digital e ciclos de desenvolvimento mais curtos.

O debate, porém, vai além da China. A Volkswagen enfrenta excesso de capacidade produtiva na Europa, margens pressionadas e a necessidade de financiar a transição para veículos elétricos e software. A possibilidade de trazer modelos desenvolvidos na China para fábricas alemãs surge como alternativa para manter linhas de montagem ativas sem depender apenas da demanda europeia tradicional.

A proposta também aparece em um momento de tensão política e sindical. O poderoso sindicato IG Metall já afirmou que eventuais parcerias com fabricantes chineses ou uso de capacidade ociosa devem ser avaliados com cautela, caso a caso, e não podem substituir uma estratégia própria da Volkswagen para seus trabalhadores e fábricas.

Além da marca Volkswagen, o grupo também avalia ajustes em outras operações. A Porsche, controlada pelo grupo, estaria considerando transferir parte da produção do SUV Cayenne da Eslováquia para Leipzig, na Alemanha, como forma de melhorar a utilização da planta local.

O pano de fundo é a transformação acelerada do setor automotivo global. Montadoras chinesas como BYD, Chery, SAIC e Leapmotor aumentam presença na Europa e em outros mercados, enquanto fabricantes tradicionais alemães tentam responder a uma concorrência que combina escala, preços baixos, integração vertical e domínio de novas tecnologias de eletrificação.

Para a Volkswagen, produzir modelos de origem chinesa em solo alemão poderia ser uma forma de unir dois ativos estratégicos: a velocidade de desenvolvimento e inovação obtida na China com a capacidade industrial, a engenharia e a força de trabalho da Alemanha.

Ainda não há decisão formal sobre a proposta. Mas a manifestação de Olaf Lies, como representante de um acionista com poder relevante no conselho da Volkswagen, aumenta a pressão para que o grupo encontre alternativas ao fechamento de fábricas e à redução drástica de empregos.

Se avançar, a medida poderá marcar uma nova fase na globalização da indústria automotiva: não mais apenas carros alemães adaptados para a China, mas tecnologias e modelos desenvolvidos na China sendo usados para sustentar a produção industrial na Alemanha.■


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Brunox
Brunox
12 dias atrás

O jogo virou, não é mesmo?

Alexandre Galante
Responder para  Brunox
12 dias atrás

Pois é, o mundo dá cambalhotas.

Cara Aleatório
Cara Aleatório
12 dias atrás

Para onde irá a indústria automobilística ocidental?

Mudaram para carros cada vez mais caros para garantir o crescimento perpétuo, já que a natalidade caiu e cresce vendendo mais carros que no ano anterior não seria possível a longo prazo. Agora várias empresas estão estudando transformar carros em um serviço. “Você não terá nada e será feliz”. Afinal o crescimento nunca pode parar certo?

Fernando
Responder para  Cara Aleatório
11 dias atrás

Ninguém quer vender carro por menos de 100 mil no Brazil!!! Parece que a festa vai acabar…

Adriano Madureira
Adriano Madureira
11 dias atrás

Carros europeus são caros! E olhe que os chineses começaram fazendo joint-venture com marcas europeias como BMW e Land rover…

Nada de roubo ou espionagem!

diversas marcas chinesas formaram joint ventures e parcerias estratégicas com fabricantes europeias. Inicialmente focadas na produção de veículos na China, 

Stellantis e Dongfeng: Formaram uma joint venture para a venda e possível produção de carros elétricos premium da marca chinesa Voyah na Europa. A estratégia visa contornar as tarifas de importação europeias.

Stellantis e Leapmotor: Criaram a “Leapmotor International”, uma parceria global (com controle da Stellantis) para vender e produzir veículos elétricos chineses na Europa e em outros mercados, como o Brasil.Smart (Mercedes-Benz e Geely): 

A alemã Mercedes-Benz e a chinesa Geely fundaram uma joint venture global 50/50 para reinventar a marca Smart, transformando-a em uma fabricante focada em carros elétricos produzidos na China.

Renault e Geely: Além de acordos societários, as duas marcas possuem uma colaboração em larga escala para o desenvolvimento e fornecimento de motores e tecnologias híbridas.

Grupo Volkswagen e JAC Motors: Criaram a “JAC Volkswagen”, uma joint venture focada no desenvolvimento e produção de veículos elétricos para o mercado chinês.

Os carros chineses superaram os europeus focando em parcerias estratégicas, cadeias de suprimento verticalizadas e eletrônica avançada. 

Nas últimas décadas, o governo chinês exigiu que montadoras estrangeiras (europeias, americanas e japonesas) formassem joint ventures (empresas conjuntas) com marcas locais para operar no país. Em troca de acesso ao gigantesco mercado chinês, as marcas europeias transferiram tecnologia e métodos de produção.

Vanderlei
Vanderlei
Responder para  Adriano Madureira
11 dias atrás

Pena que tecnologia não é sinônimo de qualidade,mas isso é pra quem viveu o passado automobilístico, no Brasil um exemplo a citar foi a chinesação dos carros da GM

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Vanderlei
9 dias atrás

Fica difícil para montadoras venderem carros em qualquer lugar…

Em um país onde um “Minibuggy” da Fiat pode custar de
R$ 69.990 a R$ 72.990 Reais(Fiat Mobi Like 1.0) na versão de entrada, até a versão topo de linha que fica entre R$ 83.490 e R$ 85.990 Reais(Fiat Mobi Trekking 1.0), melhor tentar adquirir carro Seminovo em Leilão.

As pessoas tem medo de carros chineses por preconceito, outros não adquirem por posição político-ideológica, e países não os adquirem pelo mesmo motivo.

Mas agora,países como Canadá,Noruega,Bélgica,Reino Unido,Alemanha e Espanha,abriram seu mercado para carros chineses.

Os países da Europa abriram o mercado para carros chineses principalmente devido à superioridade de preços e eficiência da China na produção de elétricos, à pressão por metas climáticas e à necessidade das próprias montadoras tradicionais europeias de fazer negócios rentáveis na Ásia.

Vantagem de custo e tecnologia: Fabricantes chineses possuem custos de produção significativamente menores e lideram a tecnologia de baterias. Isso permite a oferta de veículos acessíveis, algo vital para a meta europeia de transição para a mobilidade elétrica.
Metas de emissões rigorosas: Os países europeus precisam eletrificar suas frotas rapidamente para cumprir leis ambientais. Como a indústria local demorou a escalar modelos de entrada rentáveis, os carros chineses preencheram essa lacuna com grande aceitação do consumidor.
Interesses das gigantes europeias: Montadoras como Volkswagen, BMW e Mercedes possuem forte dependência do mercado chinês. Muitas produzem carros na China para exportar à Europa e pediram cautela aos governos locais contra sanções rígidas para evitar retaliações.

Última edição 9 dias atrás por Adriano Madureira