Reino Unido vai retirar de serviço toda a frota Wildcat AH1 do Army Air Corps a partir de 2027
O governo britânico confirmou que a frota de helicópteros Leonardo Wildcat AH1 do Army Air Corps será retirada de serviço de forma antecipada a partir de 2027, em uma das mudanças mais significativas da aviação do Exército Britânico nos últimos anos.
A decisão faz parte do novo Defence Investment Plan (DIP), divulgado em 30 de junho de 2026, que redefine prioridades de investimento das Forças Armadas do Reino Unido e acelera a transição para sistemas autônomos, drones, munições de longo alcance, inteligência artificial e redes digitais de targeting.
A medida afetará os 34 helicópteros Wildcat AH1 empregados em missões de reconhecimento de campo de batalha, comando e controle, ligação e transporte leve. Com isso, o Army Air Corps perderá sua capacidade dedicada de reconhecimento tripulado por helicópteros, função que deverá ser progressivamente assumida por plataformas não tripuladas e autônomas.
O Wildcat AH1 entrou em serviço operacional em 2014 como sucessor do Westland Lynx. Operado pelo 1 Regiment Army Air Corps, baseado em RNAS Yeovilton, o helicóptero é empregado pelas esquadrilhas 659 e 661 em missões de linha de frente, enquanto a 652 Squadron atua na conversão operacional.
A retirada também terá impacto sobre a Commando Helicopter Force da Royal Navy. O 847 Naval Air Squadron opera Wildcats AH1 pertencentes ao Exército em apoio à UK Commando Force, desempenhando tarefas de reconhecimento armado, apoio no campo de batalha e suporte a forças anfíbias. O Ministério da Defesa britânico ainda não detalhou como essa capacidade será sustentada após a retirada do modelo.
A decisão não atinge os Wildcat HMA2 da Royal Navy, empregados em missões marítimas de vigilância, guerra antissuperfície, proteção de força e apoio a operações navais.
No Defence Investment Plan, o Ministério da Defesa afirma que a retirada antecipada dos helicópteros Wildcat de reconhecimento de campo de batalha será compensada por investimentos em novos programas, como Project NYX, Project CORVUS, o New Medium Helicopter e futuras aquisições de Chinooks mais modernos.
O Project NYX prevê até 24 drones armados autônomos em operação até 2030, voando ao lado dos helicópteros Apache modernizados do Exército Britânico. Essas aeronaves deverão cumprir missões de reconhecimento, ataques de precisão e guerra eletrônica.
Já o Project CORVUS prevê até 24 drones de vigilância para substituir o sistema Watchkeeper, com foco em inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento.
A retirada do Wildcat AH1 reflete lições operacionais recentes, especialmente da guerra na Ucrânia, onde drones baratos e descartáveis passaram a desempenhar papel central em reconhecimento tático, correção de fogos, ataque de precisão e vigilância contínua. Para o Ministério da Defesa britânico, enviar helicópteros tripulados para reconhecimento avançado em um campo de batalha saturado por defesas aéreas, guerra eletrônica e drones tornou-se cada vez mais arriscado.
O governo britânico anunciou mais de £5 bilhões para drones e sistemas autônomos nos próximos quatro anos. Desse total, parte será direcionada a sistemas terrestres, munições vagantes, drones de vigilância, plataformas navais não tripuladas e aeronaves autônomas de apoio a caças tripulados.
A mudança faz parte de uma reestruturação mais ampla das Forças Armadas britânicas. O Defence Investment Plan prevê £298 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos, mas também impõe escolhas difíceis, incluindo aposentadorias antecipadas de plataformas consideradas menos alinhadas às exigências da guerra futura.
Além dos Wildcat AH1, o plano prevê a retirada gradual dos Chinook Mk6A mais antigos conforme atinjam marcos de manutenção. No campo naval, o programa Type 83, antes previsto como sucessor dos destróieres Type 45, também foi abandonado em favor de uma abordagem de marinha híbrida com navios tripulados e sistemas autônomos.
A decisão de retirar os Wildcat AH1, no entanto, levanta dúvidas sobre riscos de transição. Embora drones possam oferecer menor custo e menor risco humano, helicópteros tripulados ainda proporcionam flexibilidade, julgamento humano em tempo real, transporte leve, coordenação direta com tropas e presença física em missões complexas.
A questão central será saber se os novos sistemas autônomos estarão suficientemente maduros, disponíveis e integrados antes da saída definitiva dos helicópteros. Caso contrário, o Exército Britânico poderá enfrentar um período de lacuna em reconhecimento aéreo tático tripulado.
Com a retirada do Wildcat AH1, o Reino Unido encerra um capítulo relativamente curto da aviação de reconhecimento do Army Air Corps. O helicóptero, que substituiu o Lynx há pouco mais de uma década, torna-se agora uma das primeiras grandes plataformas tripuladas sacrificadas pela nova prioridade britânica: uma força mais conectada, autônoma, distribuída e orientada por sensores.■


Uma pergunta: Esses helicópteros Wildcat AH1 incorporados a partir de 2014 (mais novos que o meu carro), seriam uteis para o as nossas Forças Armadas?
Na Marinha, seriam uma mão na roda!!!
A resposta à sua pergunta é: operacionalmente sim. Mas não seria interessante as FFAA transformarem a sua mentalidade e pensarem na mesma direção das forças britânicas?
Como você protegeria a sua chácara em 2030: com mais guardas ou com mais automação?
ÓTIMA resposta !!! Parabéns…
Espero que os oficiais da MB leiam eses pots e mudem de paradigma…
É difícil…, rss
Eu também vendo uma máquina maravilhosa dessa 😍🚁 más…, infelizmente os tempos mudaram…
Os drones infelizmente estão dominando o campo de batalha…
E infelizmente…, esses drones vão nos caçar no futuro…
Abraço a todos !!!
Se fosse possível a adaptação para operações ASW e/ou ASuW talvez fizesse sentido. Para missões de reconhecimento concordo que é melhor focar em drones.
Melhor manter a padronização com o Seahawk que é bem mais capaz que o Wildcat.
No meu comentário acima, quis dizer nesse sentido apenas, de aeronaves ASW, também concordo plenamente que para reconhecimento além de não correr o risco de sacrificar vidas humanas, ainda tem o fato que um drone é muito, muito mais barato. Concordo plenamente.
É para mudar ou não?
É pra arrumar drones ou aproveitar as aeronaves inglesas.
Escureceu bonito e sem sentido….
Eu não protegeria minha chácara com automação, se eu tivesse, por exemplo, muito dinheiro e armas nela. Faria um combinado, com a automação potencializando os guardas….
Como os ingleses estão fazendo e nós também.
O Wildcat AH1, que é a versão do Exército Britânico e que será desativada em 2027, não possui as mesmas capacidades do Wildcat HMA2, esse sim, possui características, capacidades e funções muito semelhantes aos Wild Lynx da MB..Os AH1 não possuem capacidade de luta antisubmarino e antisuperfície, razão de ser dos Wild Lynx na MB. Os A-1 são helicópteros “de Exército” e não “de Marinha”.
Acho que seriam mais úteis para as polícias militares por serem operacionalmente mais ágeis .
Realmente seriam belas aquisições para as nossas forças policiais .
Não teriam $$ pra mantê-las
São aeronaves superdimensionadas para forças policiais. E muito caras para funções policiais.
Prezado Karl, essas aeronaves precisam dobrar as pás do rotor principal para operar embarcadas, o que não acredito que seja o caso… uma adaptação é possível e vantajosa ? Talvez isso seja a chave para uma eventual aquisição… cordial abraço…
Perfeitamente. Como são apenas logística leve e reconhecimentos, creio que seriam de grande serventia especialmente pois devem ter um baixo preço de aquisição.
E um país grande como.o nosso, não pode se dá ao luxo de não ter meios em quantidade suficiente para deslocar tropas , suplementos, e vigilância.
Baratas? Duvido muito.
É seriam de grande utilidade! Temos poucos que foram recentemente e longamente restaurados. Deveríamos ter muitos outros para trabalharem no Atlântico e também no Bahia e no Oiapoque que está chegando, sem contar nas novas fragatas Tamandaré, e para ter giro quando em manutenção.
Operar embarcado sem sequer capacidade de dobrar as pás do rotor? E sem capacidade de ASW e ASuW? Não vejo vantagem.
Não que eu defenda essa aquisição para a MB, mas trocar as pás do rotor não deve ser absurdamente caro. E também pode ser usado tal como normalmente a MB opera em missões de patrulha: apenas com uma metralhadora manual.
E relação à capacidade ASW atualmente os nossos Lynx a possuem? Lembro de notícias de seleção do Spike ER, mas não lembro de ter sido efetivamente comprado, muito menos testado pela MB.
Só lembro do Lynx recentemente disparar torpedos Mk46.
Principais Diferenças Técnicas e Operacionais
A grande diferença entre eles está no porte e na autonomia, o que muda completamente o perfil de missão de cada um.
1. Peso e Dimensões (Categoria)
MH-16 Seahawk (Brasil): É uma aeronave da categoria de 10 toneladas (Peso Máximo de Decolagem de aproximadamente 10.400 kg). Ele exige convoos maiores para operar com segurança total e tem uma presença física massiva.
AW159 Wildcat (Reino Unido): É um helicóptero mais compacto, na categoria de 6 toneladas (Peso Máximo de Decolagem de cerca de 6.000 kg). Foi projetado especificamente para pousar em navios menores com convoos apertados, mesmo em condições de mar extremamente agitado.
2. Autonomia e Capacidade de Carga
Seahawk: Devido ao seu tamanho, possui tanques de combustível muito maiores e motores potentes (dois General Electric T700). Isso se traduz em maior tempo de estação (capacidade de ficar patrulhando no ar procurando submarinos) e maior capacidade de levar sensores pesados e armamentos simultaneamente.
Wildcat: Tem um alcance e tempo de voo mais limitados em comparação ao Seahawk, mas compensa com uma agilidade impressionante e velocidade (herança da lendária família Lynx, conhecida por fazer acrobacias).
3. Foco de Missão e Armamento
Ambos realizam missões de Guerra Antissubmarino (ASW) e Guerra Antisuperfície (ASuW), mas com abordagens diferentes:
O MH-16 brasileiro usa principalmente o sonar de imersão (DS-100 HELRAS) e torpedos Mk-46 para caçar submarinos, além de mísseis antinavio AGM-119 Penguin. É uma plataforma de ataque pesado de longo alcance.
O Wildcat britânico funciona muito como os “olhos e dentes” da fragata. Ele é altamente focado em guerra eletrônica, vigilância com radar de última geração e usa mísseis mais leves e modernos, como o Martlet e o Sea Venom, projetados para destruir desde lanchas rápidas de ataque até corvetas e alvos terrestres na costa.
Ótima explanação da diferença de cada modelo.
Se o preço for bom (e deve ser) e com o nosso histórico de operação de sistemas desativados no UK, creio que serão oferecidos a nós e ao Chile, dentre outros (a não ser que haja algum óbice político). Se não ficarem na OTAN mesmo, com Dinamarca ou talvez até a Malásia. Nesse caso creio ser uma boa aquisição, pende apenas a questão da adaptação para operar embarcados…se vale a pena. “No Brasil que eu criei”, já mandava buscar amanhã…
Faço minha suas palavras !
Esses idiotas vão destruir o que resta do poderio Britanico, que já não é grande coisa, tudo esta sendo baseado em drones que por sua vez se baseiam em satelites de orbita baixa que podem estar indisponiveis em um conflito de grandes proporções . A Ucrania só consegue enviar os drones ate a Russia graças ao starlink e se aquele tremzinho for derrubado no primeiro dia, já pensaram nisso?
A questão é simples o UK está mal economicamente desde a estafurdia ideia de se retirar da UE, e agora vai cortar gastos com defesa, provavelmente vai usar esses helicópteros para canibalizar e manter os da RN ou vai vender, e outros projetos vão fazer água ou ser atrasados o máximo possível. Resumo de tudo não há mais Plata.
A faca está pegando! Até final do ano vai ter um brechó das forças armadas do Reino Unido.
Vai que é tua MB!
Está aí uma oportunidade que o Brasil não pode perder!
Lynx WildCat?! Esses helicópteros além de ágeis são bem armados…
Seria burrice deixar passar uns desses e não adquirir, ainda mais uma aeronave que entrou em serviço operacional em 2014
Não é a mesma versão usada pela Royal Navy. Não tem capacidade ASW e nem ASuW. Esse que aparecem embarcados no HMS Ocean (Atlântico) são da versão da Royal Navy, HMA2, muito mais capazes que os que estão para ser desativados.
Temos que aproveitar enquanto as forças armadas inglesas estiverem em liquidação de estoque…
Essa ideia britânica, aplicada ao Brasil seria o fim dos trambolhos franceses!
Que maravilha nos livraríamos de Esquilos, Fennecs e Panthers!!!!
Fica faltando nos livrarmos do Caracal.
Acho que a Airbus Helicopters não vai gostar…
O único problema seria quem vai conceber, projetar, fazer voar e fabricar, os drones necessários para substituir esses helicópteros?
Mistério!!!!
Se sou o comandante da MB, já ligo hoje pro nosso “adido militar” na Inglaterra e mando perguntar quanto e em quantas vezes dá pra pagar.
Isso é ouro.
Gente esses helicópteros são do exercito, as versões para marinha são diferentes….
Falando em Drones, vocês já viram a nova invenção Chinesa?
A China divulgou primeiro vídeo de sistema de drones móveis lançados de caminhão.(CLO).
A China apresentou recentemente a existência de um sistema móvel de catapulta eletromagnética (EMALS, na sigla em inglês) montado em um caminhão, lançando um veículo aéreo não tripulado (VANT), marcando um novo passo em seus esforços para desenvolver capacidades flexíveis de combate terrestre e marítimo.