Reino Unido anuncia plano de £298 bilhões para transformar suas Forças Armadas até 2030
O Ministério da Defesa do Reino Unido apresentou o Defence Investment Plan 2026, um plano de investimentos de £298 bilhões para os próximos quatro anos, destinado a transformar as Forças Armadas britânicas, recuperar prontidão de combate e acelerar a adoção de tecnologias como inteligência artificial, sistemas autônomos, drones, armas de longo alcance e capacidades espaciais.
O documento implementa a visão da Strategic Defence Review de 2025 e parte do diagnóstico de que o ambiente estratégico se tornou mais perigoso. O texto cita a agressividade crescente da Rússia, a guerra na Ucrânia, instabilidade no Oriente Médio e a exigência norte-americana para que a Europa assuma maior responsabilidade por sua própria segurança.
Segundo o plano, o orçamento de defesa britânico chegará a £68,3 bilhões em 2026/27, subirá para £73,8 bilhões em 2027/28, alcançará £76,5 bilhões em 2028/29 e chegará a £79,1 bilhões em 2029/30. O documento afirma que a despesa em defesa aumentará 27% em termos reais entre 2023/24 e 2029/30.
O Reino Unido também reafirma o compromisso de elevar os gastos de defesa para 3% do PIB no próximo Parlamento e atingir 3,5% do PIB até 2035, em linha com os compromissos assumidos com os aliados da OTAN. Pelo plano, os gastos qualificados pela OTAN devem chegar a 2,7% do PIB em 2027/28.
Um dos eixos centrais é a aposta em autonomia. O governo britânico prevê mais de £5 bilhões para sistemas não tripulados nos próximos quatro anos, incluindo uma Hybrid Navy, drones para o Exército e aeronaves autônomas de combate para operar em rede com caças tripulados da Royal Air Force.
Na Marinha, o plano prevê £1,5 bilhão para a transição da Royal Navy para uma força híbrida, formada por navios tripulados conectados a embarcações de superfície e submarinas não tripuladas. O documento também cita investimentos em uma futura Common Combat Vessel, novos meios autônomos e uma possível frota anfíbia combinada com a Holanda.
No Exército, o programa mais simbólico é o Project ASGARD, que receberá £370 milhões para ampliar a doutrina de “recce-strike”, integrando veículos blindados, drones e novas tecnologias. O plano também prevê £220 milhões para o Project NYX, destinado a drones armados autônomos que operarão ao lado dos helicópteros Apache, e £310 milhões para o Project CORVUS, com novos sistemas de vigilância e reconhecimento de longo alcance.
A área terrestre também receberá investimentos em veículos não tripulados, tecnologia contra drones, mísseis balísticos de curto alcance, sistemas autônomos descartáveis e blindados. Entre os programas citados estão Challenger 3, Boxer, artilharia de apoio aproximado, artilharia de foguetes de longo alcance, defesa aérea terrestre e novos helicópteros de médio porte.
Na Força Aérea, o plano confirma £8,6 bilhões para o GCAP, programa desenvolvido em parceria com Japão e Itália para criar o caça de sexta geração. O Reino Unido também investirá £1,1 bilhão para modernizar e sustentar a frota Typhoon até a década de 2040, além de £300 milhões para iniciar o desenvolvimento de Collaborative Combat Aircraft, aeronaves autônomas destinadas a operar com caças de quarta e quinta geração.
O plano também prevê £360 milhões para um novo sistema de treinamento de pilotos de caça, que permitirá substituir os antigos Hawk da equipe acrobática Red Arrows. A RAF ainda receberá investimentos em P-8 Poseidon, Voyager, A400M Atlas, C-17, RC-135 Airseeker, E-7 Wedgetail e Protector RG Mk1.
Outro ponto de destaque é a decisão de adquirir F-35A, além dos F-35 já planejados, para permitir que o Reino Unido participe da missão nuclear de aeronaves de dupla capacidade da OTAN. O plano afirma que os primeiros F-35A entrarão em serviço no início da década de 2030.
No campo nuclear, o documento prevê mais de £20 bilhões adicionais para a Defence Nuclear Enterprise em comparação com os quatro anos anteriores. Os recursos financiarão submarinos estratégicos, ogivas, infraestrutura nuclear, programa de combustíveis e os estudos iniciais para o sucessor da classe Dreadnought.
O Reino Unido também destinará £11,1 bilhões a armas e munições, com objetivo de recompor estoques e ampliar a capacidade de produção nacional. O plano cita armas de ataque de precisão de longo alcance, mísseis de cruzeiro de baixo custo, sistemas unidirecionais e a construção de pelo menos seis novas fábricas de materiais energéticos até 2030.
Para defesa aérea e antimíssil, serão investidos £790 milhões na proteção do território britânico e de bases no exterior contra ameaças aéreas, drones e mísseis. O pacote inclui novos radares e sensores, sistemas adicionais contra drones de curto alcance, armas de energia dirigida, modernização do sistema Sea Viper dos destróieres Type 45 e um novo centro de operações de defesa aérea, espacial e antimíssil.
O espaço também passa a ter papel central. O plano prevê £3,2 bilhões para capacidades espaciais nos próximos quatro anos, incluindo comunicações por satélite, ISR espacial, controle espacial, radares de espaço profundo e ampliação do UK Space Command. O documento afirma que a guerra na Ucrânia demonstrou que o espaço é o “sistema nervoso central” da guerra moderna de alta intensidade.
Na área cibernética e eletromagnética, o Reino Unido investirá £2,5 bilhões para ampliar a nova Defence Cyber and Electromagnetic Force, preservar liberdade de ação e defender o país contra ataques cibernéticos diários. O plano também inclui £330 milhões para proteção de infraestrutura submarina crítica em águas britânicas.
O Digital Targeting Web receberá £1,8 bilhão para conectar sensores, decisores e efetores em toda a força integrada. A meta é acelerar o ciclo de decisão e permitir que alvos identificados sejam degradados ou destruídos com maior rapidez, usando inteligência artificial e software avançado.
O documento também tem forte componente industrial. O governo afirma que quer transformar a defesa em motor de crescimento econômico, com quase 60 mil empregos adicionais diretos e indiretos até 2029/30, em comparação com 2023/24. O plano prevê ainda novos colégios técnicos de excelência em Plymouth, Yeovil, Lincoln, Blackpool e Rotherham, além de um pacote de £182 milhões para competências técnicas.
O gráfico de distribuição de gastos apresentado na página 21 mostra que, entre 2026/27 e 2029/30, as maiores parcelas planejadas serão para Pessoal e Veteranos (£78,5 bilhões), Defence Nuclear Enterprise (£63,6 bilhões), Aviação (£27,8 bilhões), Infraestrutura e propriedades (£22,7 bilhões), Forças terrestres (£19,2 bilhões) e Marinha (£18 bilhões).
O plano também reconhece que a transformação exigirá escolhas difíceis. O Ministério da Defesa afirma que pretende abandonar capacidades concebidas para “outra era” e concentrar recursos em meios adequados à próxima guerra, não à última. A prioridade declarada é construir uma força integrada, conectada por dados, com maior letalidade, maior prontidão e capacidade de operar em todos os domínios.
Em termos estratégicos, o Defence Investment Plan 2026 marca uma tentativa de reposicionar o Reino Unido como potência militar europeia de referência dentro da OTAN. Ao combinar dissuasão nuclear, F-35A, GCAP, drones, IA, espaço, mísseis de longo alcance e reindustrialização, Londres busca responder ao aumento da ameaça russa e à pressão por maior protagonismo europeu na segurança coletiva.
A execução, porém, será o teste decisivo. O próprio documento reconhece problemas herdados de programas atrasados, excesso de compromissos, projetos sem financiamento adequado e limitações de disponibilidade de navios e aeronaves. Com o novo plano, o Reino Unido promete substituir essa lógica por uma força mais moderna, escalável e orientada para a guerra multidomínio.■

“O próprio documento reconhece problemas herdados…”
Que falta faz uma colônia como a Índia (Índia e Paquistão) para poder sustentar lordes e outras escumalhas. O mundo gira. No mais, vão enxugar a força por falta de dinheiro.
Lembrando que a India se tornou colônia em 1858, quando a Inglaterra já dominava o mundo há pelo menos 200 anos.
Dominava o mundo explorando outras colônias.
Acredito mais no Brasil investindo nas suas forças armadas do que no Reino Unido
Alguém acredita que qualquer valor em dinheiro transforme uma força armada em apenas 3,5 anos?
É simplesmente impossível mudar uma força armada em apenas três anos e meio. A verdade é que muitas, para não dizer todas as notícias que chegam dos EUA e do Reino Unido são mentirosas, como a história já provou nas invasões do Iraque, nos ataques à Líbia e, agora, na narrativa contra o Irã
As forças armadas entraram na era do sapatênis. Botam um marqueteiro para fazer uns powerpoints legais e está feita a mágica, apresentam um projeto que transformará tudo em 3 anos.