Trump-Hormuz

Comando Central norte-americano afirma ter atingido cerca de 140 alvos iranianos na ofensiva mais recente. Teerã respondeu atacando instalações e países que abrigam forças dos Estados Unidos, enquanto Qatar, Kuwait, Bahrein, Omã e Jordânia acionaram suas defesas aéreas

WASHINGTON/DUBAI — Os Estados Unidos realizaram uma nova e mais intensa rodada de ataques contra o Irã, enquanto Teerã respondeu lançando mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas e territórios de países do Golfo. A escalada, registrada entre sábado e este domingo, 12 de julho, agravou a disputa pelo controle da navegação no Estreito de Ormuz e colocou em risco os esforços diplomáticos para transformar a frágil trégua entre os dois países em um acordo permanente.

O Comando Central dos Estados Unidos — CENTCOM — informou ter atacado aproximadamente 140 alvos militares iranianos com munições de precisão lançadas por caças baseados em terra e no mar, drones e navios de guerra. Os objetivos incluíram posições de mísseis e drones, depósitos de munições, redes de comunicações, meios navais e instalações de vigilância costeira.

Segundo o CENTCOM, esta foi a terceira rodada de ataques norte-americanos em uma semana. Somadas, as operações atingiram mais de 300 alvos iranianos durante três noites, numa campanha que Washington afirma ter como objetivo reduzir a capacidade de Teerã de atacar navios mercantes no Estreito de Ormuz.

Ataque contra navio desencadeou nova ofensiva

A ação norte-americana mais recente ocorreu depois de um navio-contêiner com bandeira do Chipre ser atingido no Estreito de Ormuz, sofrendo um incêndio e danos significativos na praça de máquinas. Autoridades de Omã resgataram 23 tripulantes, mas um cidadão indiano permanecia desaparecido até a última atualização.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que embarcações haviam ignorado advertências e se recusado a utilizar uma rota de navegação determinada por Teerã. Segundo a versão iraniana, um dos navios foi atingido por um “tiro de advertência” depois de não obedecer às instruções.

Washington, por sua vez, classificou a ação como um ataque injustificado contra a navegação comercial. O governo norte-americano sustenta que os navios podem utilizar a rota próxima à costa de Omã para evitar as águas territoriais iranianas e atravessar livremente o estreito.

O CENTCOM afirmou que, desde o início de maio, as forças norte-americanas ajudaram na passagem de mais de 800 embarcações comerciais e de aproximadamente 400 milhões de barris de petróleo pelo corredor marítimo.

Irã ataca países que abrigam forças dos EUA

O Irã respondeu disparando mísseis e drones contra países que hospedam tropas, radares, sistemas de defesa e instalações logísticas dos Estados Unidos. Alertas aéreos foram emitidos no Qatar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, enquanto ataques também foram registrados em Omã e na Jordânia.

Teerã afirma que seus alvos são instalações militares norte-americanas, e não os países árabes propriamente ditos. Entretanto, projéteis interceptados ou que erram seus objetivos representam uma ameaça direta às populações locais, provocando crescente reação diplomática dos governos da região.

No Qatar, as Forças Armadas informaram ter interceptado projéteis iranianos. Fragmentos das interceptações feriram três pessoas, entre elas uma criança, segundo o Ministério do Interior. O país abriga a Base Aérea de Al Udeid, principal centro de operações aéreas dos Estados Unidos no Oriente Médio.

No Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, sirenes de alerta foram acionadas diante da aproximação de ameaças iranianas. Em ataques anteriores ocorridos na mesma semana, Teerã afirmou ter alvejado um depósito de combustível do Exército norte-americano no país.

O Kuwait informou que suas defesas aéreas engajaram mísseis e drones. Na rodada anterior de ataques, as autoridades kuwaitianas relataram a interceptação de um míssil de cruzeiro, três mísseis balísticos e dez drones, com pelo menos uma pessoa ferida por estilhaços. O Irã afirmou ter atacado sistemas Patriot operados no país.

Na Jordânia, três mísseis atingiram diferentes áreas do território, causando danos considerados leves, mas sem vítimas, segundo a agência estatal de notícias. O país abriga tropas e instalações de apoio utilizadas pelas forças norte-americanas.

Omã protesta contra ataques iranianos

A inclusão de Omã entre os alvos marcou uma ampliação particularmente delicada da campanha iraniana. O país atua tradicionalmente como mediador entre Washington e Teerã e divide com o Irã as águas territoriais do Estreito de Ormuz.

Drones atingiram instalações em uma área próxima ao estreito, um dia depois de representantes omanitas e iranianos discutirem a continuidade das negociações sobre a navegação. O governo de Mascate convocou o embaixador iraniano e classificou as ações como irresponsáveis.

Nos Emirados Árabes Unidos, sirenes foram acionadas e explosões decorrentes de interceptações foram ouvidas, mas o governo afirmou que nenhum míssil iraniano chegou a cruzar o espaço aéreo nacional durante a rodada mais recente.

Teerã ameaça ampliar a lista de alvos

Autoridades iranianas advertiram que novas bases norte-americanas na região poderão ser atacadas caso Washington continue a bombardear o país. O presidente do Parlamento e principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que o Irã não aceitará que os Estados Unidos estabeleçam unilateralmente as regras de navegação no estreito.

Em ataques anteriores realizados na quinta-feira, o Exército iraniano afirmou ter alvejado sistemas Patriot no Kuwait, uma instalação de alerta antecipado no Qatar e um depósito de combustível norte-americano no Bahrein. Não houve confirmação independente de que esses objetivos tenham sido atingidos.

As informações sobre danos militares permanecem limitadas. Países do Golfo destacam a quantidade de ameaças interceptadas, enquanto o Irã divulga declarações de sucesso que não podem ser verificadas de forma independente em tempo real.

Novos ataques contra a ilha de Qeshm

Neste domingo, meios de comunicação iranianos relataram uma nova sequência de explosões e ataques contra posições militares na ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz. As autoridades locais afirmaram inicialmente que não houve vítimas.

Qeshm abriga instalações militares, radares e posições utilizadas para acompanhar o tráfego marítimo. A ilha possui importância estratégica por estar próxima às rotas usadas por petroleiros, navios de carga e forças navais que atravessam o estreito.

A imprensa estatal iraniana também registrou ataques norte-americanos em províncias do sul e em instalações militares próximas a Teerã. Na rodada de 8 e 9 de julho, autoridades iranianas afirmaram que os bombardeios mataram 14 pessoas e feriram 78 em cinco províncias. Esses números não foram confirmados por fontes independentes.

Disputa sobre o Estreito de Ormuz

O centro da crise é o estatuto do Estreito de Ormuz. O Irã declara que a passagem está fechada até que a situação seja estabilizada e exige participação decisiva na definição das rotas e regras de navegação. Autoridades iranianas também sugeriram a possibilidade de cobrança pela passagem de embarcações.

Os Estados Unidos rejeitam essa posição e afirmam que o corredor permanece aberto. Segundo um centro multinacional de segurança marítima supervisionado pela Marinha norte-americana, o tráfego continua em níveis reduzidos nas proximidades das costas iraniana e omanita.

O CENTCOM afirma que mais de 140 navios atravessaram o estreito na última semana. Antes do início da guerra, porém, a média diária era próxima desse mesmo número, evidenciando a forte redução do movimento comercial. Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados internacionalmente passava pelo Estreito de Ormuz antes do conflito.

Trégua próxima do colapso

As novas ofensivas colocam em dúvida o acordo provisório que previa 60 dias para que Estados Unidos e Irã negociassem uma solução definitiva. O presidente Donald Trump declarou nos últimos dias que considerava a trégua encerrada, embora tenha admitido que os canais diplomáticos poderiam continuar funcionando.

Paquistão, Qatar, Egito e Omã mantêm esforços de mediação, mas ainda não há anúncio de uma nova rodada formal de negociações. O principal obstáculo permanece sendo o controle do Estreito de Ormuz e a exigência norte-americana de livre circulação por uma rota que não dependa de autorização iraniana.

A escalada também ocorre durante a transição no comando iraniano. O novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, prometeu vingar a morte de seu pai, Ali Khamenei, morto nos ataques que abriram a guerra em 28 de fevereiro.

Até o fim da tarde deste domingo, não havia indicação de que Washington ou Teerã pretendiam interromper imediatamente as operações. Os Estados Unidos mantêm forças navais e aéreas posicionadas para proteger a navegação, enquanto o Irã continua ameaçando instalações militares norte-americanas distribuídas pelos países do Golfo.■



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Sergio Machado
Sergio Machado
30 dias atrás

Será o novo normal. Israel em especial e os EUA nunca desistirão até tirar Teerã do caminho.
E a cada dia que passa parece cristalizar a impressão que não sô não irão conseguir como também irão sangrar nos contra ataques.

Nilo
Nilo
Responder para  Sergio Machado
30 dias atrás

Se não se submeter será porrada, a repercussão dos atos de imposição do EUA sobre o Iran terá repercussão a nível mundial o resultado irá moldar a capacidade de outros países, delineram políticas calcadas no multilateralismonou não. A exemplo da A. Saudita, que busca construir uma defesa a partir de uma parceria com Acordo Estratégico de Defesa Mútua.

Nilo
Nilo
Responder para  Nilo
30 dias atrás

….com o Paquistão.

Pedro
Pedro
Responder para  Nilo
29 dias atrás

e continua não apoiando o Irã.

Sergio Machado
Sergio Machado
Responder para  Nilo
30 dias atrás

Ocorre que a porrada é mútua, não fica de graça.
Pode não ser proporcional, não sabemos. Mas 13 das 16 bases dos EUA no OM estavam até poucos dias atrás inoperantes, além da base da 5a Frota.
Os ataques ao Irã estavam partindo de bases na Itália. Há um redesenho no OM aguardando as midterms.
Não é pouca coisa.

NBS
NBS
Responder para  Nilo
30 dias atrás

O tempo está a favor do Irã. Trump já está recorrendo às reservas estratégicas de petróleo para tentar estabilizar o mercado: seu governo autorizou a liberação de 172 milhões de barris, em uma operação prevista para ocorrer ao longo de aproximadamente 120 dias.
Se a crise se prolongar, sua margem de manobra diminuirá. Os impactos sobre os preços dos combustíveis podem chegar com algum atraso, justamente durante o período eleitoral. Outras fontes de petróleo talvez não consigam ampliar a oferta, na escala e na velocidade necessárias, antes das eleições.
A elevação dos preços da energia também pressionará os custos do transporte e da produção, alimentando a inflação. Os fertilizantes poderão ficar mais caros em razão do aumento dos custos do gás natural, da energia e da logística, afetando a produção agrícola e elevando os preços dos alimentos. Para Trump, portanto, o prolongamento da crise representa um risco econômico e eleitoral crescente.
E o que ele faz? Age como o valentão da quadra, apostando na intimidação e na força. Essa postura lembra certa estupidez política encontrada abaixo da linha do Equador.

Zoe
Zoe
Responder para  NBS
30 dias atrás

Resumindo.
Trump, se decida logo!ou cag…de uma vez ou desocupa a moita.

Joanderson
Joanderson
30 dias atrás

Alô Rússia fortalece pelo menos uns S-300 ao Irã, essa é a hr de devolver o favor para os EUA a exemplo do que eles fazem na u Ucrânia.

Victor Hugo
Victor Hugo
Responder para  Joanderson
30 dias atrás

Tudo que a linha dura do gov Russo e Chinês mas querem é que isso escale para eles fortalecerem o Irã e atolarem o EUA por lá, principalmente os Russos.

Wagner
Wagner
30 dias atrás

As ” Bule de Chá” chinesas segura a economia iraniana, não deram aos persas tecnologia de guerra, como na coreia do Norte os chineses matem a economia iraniana,mas nas sombras.

Vinicius Momesso
Vinicius Momesso
30 dias atrás

O Irã enviou os primeiros Shahed, e através do mesmos, os russos desenvolveram suas tecnologias(família Geran) e já estão em sua quinta geração (Geran 5). A Rússia deveria retribuir o favor e e enviá-los ao Irã, mas parece que foi uma relação que só favoreceu Moscou.

Antunes 1980
Antunes 1980
Responder para  Vinicius Momesso
30 dias atrás

Negativo. A Rússia e a China estão apoiando o Irã com suporte de imagens via satélite, sistemas antiaéreos portáteis e outros equipamentos menores de defesa. Vide a quantidade de aeronaves americanas abatidas nos últimos três meses!

Antunes 1980
Antunes 1980
30 dias atrás

Isso está parecendo novela mexicana. A cada semana, surge uma decisão diferente, sempre acompanhada de discursos carregados de emoção.
O ponto central é outro: os Estados Unidos não conseguiram garantir o livre trânsito no Estreito de Ormuz. Só isso, por si só, já representa uma derrota.
Agora resta acompanhar para ver se, de fato, essa importante rota marítima será liberada de forma definitiva.

Zoe
Zoe
30 dias atrás

O que acho bizarro é a incapacidade destes outros países de responderem algo. Não mandam uma bombinha se quer de volta ao Irã.
Deve ter muita coisa rolando “nos fundos” desta guerra.

Comenteiro
Comenteiro
29 dias atrás

Trump avisou que agora os Estados Unidos são os Guardiões do Estreito e toda e qualquer embarcação que passar deverá pagar 20% do valor total da carga para ele.

Rafael Aires
Rafael Aires
29 dias atrás

“Loucura é fazer a mesma coisa e esperar resultado diferente”!

Carlos Campos
Carlos Campos
29 dias atrás

Deram uma injeção de Testo nele, só uma no MBS, pq os Emires do EAU queriam atacar, mas não queria ser os únicos Árabes a atacar um país Mulçulmano

Heli
Heli
29 dias atrás

Não sei porque o Laranjão Pedóf1lo não enviou ainda o Rambo, Braddock, John Wick, os Mercenários, os Avengers da Marvel, Esquadrão Suicida, os Storm Troopers e a Estrela da Morte para acabar com os malvados iranianos de uma vez por todas. Falando sério, agora. É incrível como as redes ocidentais dão crédito a esse pedof1lo todo dia, e em destaque, como se ele fosse uma pessoa que tivesse credibilidade e merecesse respeito. Seja a Globo, SBT, CNN, Band, Estadão, Folha etc etc. É patético demais esse jornalismo vira-latas.

Abymael
Abymael
28 dias atrás

O laranja não vai descansar enquanto não provocar um fisco lá, tipo ter um porta-aviões afundado ou coisa parecida.