China lança coalizão de 29 países para disputar com os EUA as regras globais da inteligência artificial
Brasil, Rússia, Indonésia, Malásia, África do Sul e Paquistão integram a WAICO, organização sediada em Xangai que pretende ampliar a influência do Sul Global na regulamentação da tecnologia
XANGAI — A China formalizou uma coalizão internacional de 29 países voltada à cooperação e à governança da inteligência artificial, numa iniciativa que coloca Pequim no centro da disputa com os Estados Unidos pela definição das normas que orientarão uma das tecnologias mais estratégicas do século.
O acordo constitutivo da Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial, conhecida pela sigla inglesa WAICO, foi assinado em Xangai na quinta-feira, 16 de julho. No dia seguinte, o presidente chinês Xi Jinping utilizou sua primeira participação presencial na Conferência Mundial de Inteligência Artificial — WAIC — para apresentar a nova instituição como um marco da cooperação tecnológica internacional.
A organização terá sede permanente em Xangai e funcionará como uma entidade intergovernamental independente. Entre os fundadores estão Brasil, Indonésia, Malásia, África do Sul, Senegal, Rússia, Paquistão, Belarus, Sérvia, Cuba, Venezuela, Cazaquistão e Laos, além de outros países asiáticos e africanos. Nenhuma das principais democracias ocidentais aderiu inicialmente ao grupo.
Xi Jinping estreia na conferência para elevar o peso político da IA
A presença de Xi foi inédita desde a criação da conferência de Xangai, em 2018. Até então, a WAIC havia sido conduzida principalmente por integrantes do governo, dirigentes empresariais, pesquisadores e representantes internacionais. A participação pessoal do líder chinês demonstrou que a inteligência artificial passou a ocupar posição central na estratégia econômica, diplomática e de segurança nacional de Pequim.
Xi comparou o impacto da IA às transformações provocadas pela máquina a vapor, pela eletricidade e pela internet. Defendeu sistemas centrados no ser humano, submetidos a mecanismos de supervisão e acompanhados por normas, monitoramento tecnológico, alerta antecipado e capacidade de resposta a emergências.
Ao mesmo tempo, criticou indiretamente os controles tecnológicos adotados pelos Estados Unidos e seus aliados. Para o presidente chinês, preocupações de segurança não devem ser ampliadas de maneira a impedir outros países de obter modelos, infraestrutura e conhecimentos relacionados à inteligência artificial.
“O desenvolvimento da IA não deve ser uma apresentação solo de um único país, mas uma sinfonia de cooperação internacional”, declarou Xi.
A formulação resume a narrativa que Pequim procura oferecer ao Sul Global: enquanto Washington restringe a exportação de chips e protege modelos proprietários, a China se apresenta como fornecedora de sistemas abertos, treinamento técnico e infraestrutura acessível.
WAICO pretende criar padrões e coordenar políticas
A proposta de criação da WAICO havia sido apresentada pelo primeiro-ministro Li Qiang durante a conferência de 2025. Um ano depois, a China conseguiu transformar a ideia em uma organização formal com membros fundadores e sede definida.
Seus objetivos declarados incluem facilitar o intercâmbio de tecnologia, reduzir a diferença de capacidade entre países ricos e pobres, desenvolver regras comuns, apoiar pesquisas e promover aplicações consideradas seguras e benéficas.
A instituição também poderá atuar na elaboração de princípios sobre segurança de modelos, dados, transparência, infraestrutura computacional, aplicações governamentais e responsabilidade por decisões automatizadas.
Isso não significa que a WAICO já tenha autoridade para impor leis aos países integrantes ou que esteja, neste momento, “escrevendo as regras para dois terços do mundo”. O acordo cria uma plataforma de coordenação política. Sua influência dependerá da capacidade de converter declarações em padrões técnicos, legislações nacionais, projetos de infraestrutura e posições conjuntas nas Nações Unidas.
Ainda assim, o grupo oferece à China algo que até agora lhe faltava: uma instituição permanente por meio da qual poderá articular uma visão própria de governança da IA, em vez de apenas responder às iniciativas lideradas pelos Estados Unidos, pela União Europeia, pelo G7 e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Brasil integra organização como membro fundador
O governo brasileiro confirmou sua participação na cerimônia de fundação e na assinatura do acordo constitutivo.
Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores, da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos afirmaram que a adesão insere o Brasil nos debates internacionais sobre governança da inteligência artificial e em mecanismos multilaterais de cooperação tecnológica.
A decisão não significa que o Brasil tenha adotado integralmente as posições regulatórias chinesas. Brasília também participa de discussões conduzidas pela ONU, pela OCDE, pelo G20 e por outros fóruns internacionais.
Ao ingressar como fundador, porém, o país ganha espaço na estrutura inicial da WAICO e aproxima-se de uma instituição que poderá influenciar normas técnicas, acesso a modelos, formação profissional e financiamento de infraestrutura.
A participação também ocorre durante uma ampliação da cooperação tecnológica entre Brasil e China. Em abril, instituições brasileiras firmaram um acordo voltado ao desenvolvimento de capacidade nacional em IA, incluindo modelos adaptados ao português, tradução, acessibilidade, cibersegurança e infraestrutura computacional.
Para o Brasil, a oportunidade vem acompanhada de riscos. O país poderá obter acesso a modelos de menor custo e projetos de capacitação, mas terá de preservar autonomia sobre seus dados, sua infraestrutura crítica e suas decisões regulatórias, evitando trocar uma dependência tecnológica norte-americana por outra chinesa.
China busca liderança no Sul Global
Xi prometeu ampliar centros de cooperação em IA com os BRICS, a Associação das Nações do Sudeste Asiático, a União Africana e países latino-americanos.
A China também anunciou cinco mil oportunidades de treinamento para profissionais de países em desenvolvimento durante os próximos cinco anos e ofereceu tecnologias meteorológicas baseadas em inteligência artificial a 30 nações.
Esses programas procuram responder a uma vulnerabilidade concreta. Muitos países não possuem centros de dados, chips avançados, energia disponível, grandes conjuntos de dados organizados ou recursos financeiros para treinar modelos próprios.
A consequência é uma divisão internacional semelhante à observada em outras tecnologias: um pequeno número de potências controla a infraestrutura fundamental, enquanto a maioria compra serviços, envia dados ao exterior e depende de plataformas estrangeiras.
Pequim apresenta a WAICO como instrumento para reduzir essa desigualdade. Analistas, no entanto, observam que a cooperação também ampliará o uso de padrões, plataformas e equipamentos chineses em países que ainda estão construindo seus ecossistemas digitais.
Organização desafia iniciativas lideradas por Washington
A nova instituição surge num momento em que Estados Unidos e China constroem blocos tecnológicos concorrentes.
Washington reuniu 35 países em torno da chamada AI Opportunity Statement, enquanto promove a iniciativa Pax Silica, direcionada à segurança das cadeias de semicondutores, inteligência artificial e minerais críticos. Dos países associados aos dois projetos, apenas o Cazaquistão aparece inicialmente nas duas estruturas.
A divisão sugere o início de uma fragmentação da governança internacional da IA. De um lado, os Estados Unidos procuram preservar acesso a chips avançados, centros de dados, softwares e fornecedores considerados confiáveis. Do outro, a China promove modelos de parâmetros abertos e oferece cooperação aos países que não desejam ficar sujeitos às restrições ocidentais.
A disputa não envolve apenas qual país produzirá os modelos mais poderosos. Ela abrange os critérios usados para avaliar segurança, a responsabilidade por danos, a circulação internacional de dados, a supervisão de sistemas autônomos e o emprego da IA em atividades militares, policiais e governamentais.
Quem definir esses padrões poderá influenciar mercados, cadeias industriais e instituições públicas durante décadas.
Secretário-geral da ONU acompanha lançamento
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, participou da conferência ao lado de Xi Jinping e de representantes dos países fundadores.
Guterres afirmou que a inteligência artificial pode representar uma das maiores oportunidades da humanidade no século XXI, mas também um de seus maiores riscos. O dirigente defendeu que a tecnologia permaneça a serviço das pessoas e alertou para a possibilidade de aprofundamento das desigualdades entre países.
A presença do secretário-geral conferiu relevância institucional ao evento, mas não significa que a ONU tenha aderido formalmente à organização liderada pela China.
Pequim espera que a WAICO consiga coordenar seus integrantes dentro das próprias Nações Unidas, ampliando o peso numérico dos países que defendem uma governança baseada na soberania estatal, no desenvolvimento econômico e no acesso tecnológico.
Esse enfoque pode entrar em tensão com modelos que priorizam direitos individuais, privacidade, liberdade de expressão e limitações ao uso governamental da inteligência artificial.
Distância tecnológica entre China e EUA diminui
A ofensiva diplomática chinesa ocorre enquanto seus modelos se aproximam rapidamente do desempenho das plataformas norte-americanas.
O relatório de 2026 do Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano da Universidade Stanford concluiu que a diferença de desempenho entre os melhores sistemas dos dois países praticamente desapareceu. Em março, o principal modelo norte-americano mantinha vantagem de apenas 2,7 pontos percentuais sobre seu rival chinês.
Os Estados Unidos ainda produzem mais modelos classificados como de primeira linha, registram patentes de maior impacto e lideram amplamente os investimentos privados. Em 2025, empresas norte-americanas investiram US$ 285,9 bilhões em IA, contra US$ 12,4 bilhões registrados oficialmente na China. Os dados chineses, contudo, não capturam integralmente os fundos estatais e investimentos orientados pelo governo.
A China, por sua vez, lidera em volume de publicações científicas, citações, patentes registradas e instalação de robôs industriais. Também avançou com modelos de parâmetros abertos, que podem ser baixados, adaptados e executados fora dos servidores das empresas desenvolvedoras.
Essa estratégia reduz custos e facilita a adoção por startups e governos que não podem pagar continuamente pelos sistemas da OpenAI, Anthropic e Google.
Uso de modelos chineses cresce
Dados citados pelo Wall Street Journal indicam que modelos chineses respondiam por aproximadamente 45% dos tokens processados pela plataforma OpenRouter, considerando seu tráfego total. Outro levantamento baseado na plataforma apontou que a participação entre empresas dos Estados Unidos permaneceu acima de 30% durante várias semanas e chegou a um pico de 46%.
Esses números são expressivos, mas não representam todo o mercado de IA dos Estados Unidos. O OpenRouter é uma plataforma específica que oferece acesso a centenas de modelos e possui forte presença entre desenvolvedores interessados em comparar preços e sistemas abertos.
Grande parte das empresas utiliza modelos diretamente pelas interfaces da OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft e provedores de nuvem, tráfego que não aparece nas estatísticas do OpenRouter.
A participação chinesa está crescendo rapidamente, impulsionada principalmente pelo custo. Modelos como os da DeepSeek, Z.ai e Moonshot podem custar significativamente menos que os produtos norte-americanos para tarefas como programação, atendimento automatizado e processamento de documentos.
Uma disputa por tecnologia, mercados e normas
A WAICO não substitui as Nações Unidas nem estabelece imediatamente uma regulamentação mundial. Também não reúne, em sua primeira composição, as principais economias ocidentais ou os países que concentram a maior parte da infraestrutura de computação avançada.
Seu significado está na criação de um segundo polo institucional.
A China não quer apenas alcançar os Estados Unidos em desempenho, fabricar chips nacionais ou conquistar usuários para seus modelos. Pequim pretende participar da definição do que será considerado seguro, aceitável e legítimo no uso da inteligência artificial.
Ao reunir 29 países, oferecer treinamento e promover tecnologia aberta, o governo chinês procura associar sua ascensão tecnológica às necessidades do Sul Global.
Os Estados Unidos continuam à frente em capital privado, infraestrutura computacional e número de sistemas de ponta. A China, entretanto, demonstra que pode competir por outro caminho: modelos mais baratos, ecossistemas abertos, financiamento estatal e diplomacia tecnológica.
A disputa pela inteligência artificial entra, assim, numa nova fase. Depois da corrida por chips, dados e modelos, começa a batalha pelas instituições que escreverão as regras.

É fundamental que toda a comunidade internacional participe da definição das regras para a inteligência artificial.
Uma tecnologia com tamanho poder não pode ficar subordinada aos interesses de uma única potência ou de poucas empresas.
As decisões tomadas hoje influenciarão mercados, governos, direitos individuais e a segurança das sociedades durante décadas.
Países ricos e pobres precisam ter voz para evitar novas formas de dependência tecnológica e colonialismo digital.
A cooperação internacional deve garantir segurança, transparência, acesso ao conhecimento e respeito à soberania nacional.
O futuro da inteligência artificial deve ser decidido coletivamente, em benefício da humanidade, e não apenas dos países mais poderosos.
É mas os países pobres nem sabem o que é isso exatamente e não possuem organização ou governança estabelecida para isso. Quiçá dinheiro. É querer sem ter nada a oferecer e achar que vai das cartas padronização mundial.
Melhor que ficar assistindo sem fazer absolutamente nada.
Mas só estão assistindo. O que estão fazendo? Tem acompanhado os projetos de lei e marco legal da IA no Brasil? Me diz aí que estão fazendo
O Brasil também começou a emitir titulos de divida na China e na UE, estamos começando as nos diversificar mais ainda de um país ao nosso norte.
Entendo que esse país é, desde sempre, o nosso aliado mais perigoso. É o tipo de relação sobre a qual uma mãe diria: “Cuidado com o tipo de gente com quem você anda. Essa gente é perigosa
Sim, afinal China e Rússia não tentaram minar o nosso acordo nuclear com a Alemanha Ocidental na década de 70.
A China nem teria condições de faze-lo, mas por outro lado “manda” bastante no nosso agronegócio.
E teve também aquele caso do navios Valemax, impedidos de aportar em portos chineses, até que foram vendidos a Cosco, a gigante chinesa de logística.
China esta aumentando pesadamente o investimento no desenvolvimento da agricltulra local de larga escala para se livrar principalmente dos EUA e a reboque brasil e argentina e ter uma soberania alimentar.
Conhecendo como eles são brasil e argentina vão rodar nessa.
A China, como qualquer país, tem consciência de suas fragilidades. Para um país com uma população enorme, a segurança alimentar é prioridade absoluta. Os chineses, inclusive, já enfrentaram fomes devastadoras. Por isso, movimentam-se para garantir os meios necessários à construção de uma agricultura forte.
Isso representa uma ameaça ao nosso negócio. Entretanto, podemos aproveitar este momento, com estratégia, para diversificar as fontes de geração de divisas e aprimorar a produtividade. Há também o mercado indiano, que tende a crescer à medida que o país aumenta sua riqueza.
Concordo plenamente, mas no brasil as autoridades esperam acontecer para fazer algo.
Ja deviam ter começado a se mexer
E o que você sugere que eles façam e como?
Por sinal é o maior produtor agrícola do mundo com o doblo da produção brasileira
De relevante nesse grupo só a China e talvez a Rússia.
Mas o que vale é a intenção.
India nem deu as caras kkk
Estáo lá lucrando integrados as big techs americanas enquanto o brasil prefere ficar atritando.
https://www.reuters.com/world/india/apple-agrees-submit-india-financials-long-pending-antitrust-case-2026-06-03/
Eu não sabia que iniciar uma investigação antitruste contra a Apple é integrar.
E eu não sabia que exigir conformidade legai, em um nivel mais restritivo do que no Brasil seja integrar.
https://www.reuters.com/technology/india-proposes-making-government-advisories-legally-binding-tech-giants-2026-03-30/
Isso para mim é atrito…
Enquanto isso noticia do próprio defesa terrestre sobre a India usar IA chinesa
Lista os CEO br de big tech e da India.
Vc não deve ser da area para ser o tamanho que os Indianos tem e relevancia na area de TI.
Uma dica, muita acima de brasileiros.
Índia é o país mais populoso do mundo. O que é para você a Índia usa IA Chinesa. Quantos milhões de empresas tem na Índia. Eu mesmo tenho usado IA chinesa, são baratas.
As novas tecnologias têm caráter disruptivo e capacidade de alterar profundamente as relações sociais e as estruturas de poder. As redes sociais mudaram o mundo. Existem aspectos positivos, mas também efeitos negativos. Por isso, as sociedades precisam manter o controle sobre essas tecnologias.
Elas têm potencial para varrer do mapa sociedades, países e governos como os conhecemos. Há, inclusive, empresários do setor tecnológico que defendem uma governança global em substituição aos governos nacionais. Depois, pesquisem sobre o CEO da Palantir.
Com o acesso praticamente ilimitado aos dados fornecidos pelos usuários e o uso de poderosos algoritmos, as redes sociais transformaram-se, de certa forma, em armas nas mãos de seus donos, CEOs e conselhos de administração. São corporações maiores e mais poderosas do que muitos países. E, quando se acumula tanto poder, a tentação de utilizá-lo para extrair ainda mais benefícios é enorme.
Há riscos reais de manipulação de comportamentos e preferências, além da possibilidade de atuação a favor ou contra pessoas, ideias e países. Um dos casos mais emblemáticos foi o uso dessas ferramentas na campanha pelo Brexit, quando todo esse aparato foi empregado para direcionar informações e convencer parte da população a apoiar a saída do Reino Unido da União Europeia. E a estratégia foi bem-sucedida.
E vejam: tratava-se de uma sociedade conservadora, com uma população, em média, mais velha do que a nossa e com um histórico de uso mais moderado das redes sociais. Imaginem o impacto em sociedades altamente conectadas, como a brasileira e a norte-americana.
Não se trata apenas de liberdade de expressão. Estamos falando de um risco real de manipulação. Temas que não são importantes para a maioria da população podem transformar-se no principal assunto das redes simplesmente porque “alguém” assim deseja.
Há ainda outro ponto: nossas preferências são constantemente amplificadas. Sem o chamado letramento digital, a pessoa pode ter a impressão de que todos gostam exatamente das mesmas coisas que ela, compartilham suas opiniões e enxergam o mundo da mesma maneira. Os algoritmos criam bolhas que reforçam crenças e afastam o usuário de qualquer visão diferente da sua.
Tivemos um vislumbre disso com idosos na porta dos quartéis, rezando para pneus, falando com óvnis e demonstrando uma profunda distorção da realidade. É o fenômeno do chamado “tiozão do WhatsApp”, que passou a viver dentro de uma bolha informacional alimentada continuamente pelos algoritmos.
E olhe que boa parte da população inglesa mais velha nem sequer pertencia a uma geração permanentemente conectada às redes.
Alguns gestores gostam de se esforçar para atrair a atenção em fotos oficiais.
Outros exageram.
É preciso lembra-os que está lá representando um país e não um partido.
Mas enfim…
A iniciativa do PBIA é válida.
Mas, para variar, o Estado continua tendo uma visão bastante míope.
Novamente o Governo chama para si toda a responsabilidade, centralizando (infra e academico) a construção de uma tecnologia que, além de pouco entender, não tem recursos para desenvolvimento muito menos para manter.
Nem tecnologicamente, muito menos financeiramente.
Onde está o supercomputador e os outros 5 equipamentos regionais ligados à ele, previstos para 2026?
Nem o processo licitatório foi aberto ainda e, para construção de sua infra, montagem e configuração, existe uma previsão de 24 meses.
Investir 75% da parte destinada para capacitação, no aprendizado de uso plataformas estrangeiras e apenas 25% para capacitação de engenheiros e pesquisadores para desenvolvimento de uma LLM própria?
E como serão mantidos os verdadeiros “cérebros” (estes 25%) no Brasil?
O salário de um profissional de alto nivel fica na faixa de US$ 40 mensais.
Nos EUA é ainda maior.
Quais serão os atrativos, além de salários, que manterão eles aqui?
Muitos poderão estar aptos sem ao menos o Brasil ter um ambiente apropriado de dev e testes.
E, quando este supercomputador não vai atender a demanda se diversas plataformas estiverem sendo desenvolvidas simultaneamente.
Para esta tecnologia, o Estado precisa trabalhar com o setor privado.
Fomentar as empresas do setor.
Cortar tributações.
Agilizar burocracias.
Cortar o que chamamos de “custo brasil”.
Reduzir encargos trabalhistas.
Buscar segurança jurídica.
Diminuir custos energéticos.
É todo um pacote.
Sem empresas do setor fortes, nunca veremos uma IA nacional realmente prática e funcional, que acompanhe o restante do mercado.
O setor público não tem essa capacidade.
Repito, nem capacidade de conhecimento, nem tecnológica e nem financeira.
E, em mais um segmento, continuaremos dependentes de capital (investimento e pensante) estrangeiro.
É isso
Patético. A China querendo controlar minha AI kkkk
O seu celular certamente foi fabricado em Shenzhen.
Falando em mercados e normas, o BRICS está avaliando a criação de um banco de grãos, juntos.
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul representam cerca de 44% da produção e do consumo mundial de grãos.
Em termos de exportações globais de grãos, a participação deste grupo fica em torno de 25%, com o Brasil e a Rússia atuando como os principais pesos pesados nas vendas internacionais.
Essa aliança não é apenas uma grande força produtora, mas também detém parcelas massivas de culturas específicas, como:Cerca de 60% da produção global de arroz.Aproximadamente 45% da produção mundial de trigo.Cerca de 40% de toda a produção de milho.
Os países do Brics declararam apoio formal à proposta da Rússia para criar uma “Bolsa de Grãos do Brics”, iniciativa que tem como objetivo facilitar o comércio agrícola entre os membros do bloco e reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais.
Em meio ao tarifaço de Trump, Brics ampliam cooperação agrícola e comercial
“A implementação dessa iniciativa ajudará a proteger os mercados nacionais contra interferências externas negativas, especulações e tentativas de criar uma escassez artificial de alimentos”, disse Putin em outubro do ano passado, ao apresentar a proposta.
A justificativa é que a nova bolsa funcionaria como uma alternativa às tradicionais CBOT (Chicago Board of Trade) e KCBT (Kansas City Board of Trade), duas das principais referências no comércio de commodities agrícolas, ambas sediadas nos Estados Unidos.
Além do apoio à criação da Bolsa de Grãos, a declaração conjunta também prevê o fortalecimento da cooperação entre os países do bloco em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), com foco na inovação e na fabricação de maquinários adaptados às realidades locais.
O texto também pede o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD),como instrumento para financiar projetos de infraestrutura, tecnologia e segurança alimentar entre os países membros.
Em um mundo novo onde nações não respeitam as regras de organismos internacionais como Organização mundial do comércio, nada mais justo que países que detém a produção mundial de certos gêneros alimentícios, se unam e se protejam.
OFF TOPIC, mas nem tanto!!!!
Cuidado, muito cuidado com aquilo que a China de Xi Jinping, lhe propõe:
“No entanto, por trás da retórica de inclusão, esconde-se uma estratégia geopolítica marcada por contradições profundas e pelo risco iminente de aprisionamento tecnológico, o chamado technological lock-in.”
“Um dos pilares do discurso de Xi foi o apelo para que as nações aproveitem a “oportunidade histórica” do código aberto (open source).”
“A China abriga o ecossistema digital mais censurado do planeta, protegido pelo Great Firewall e regido por normas que exigem que qualquer modelo de IA generativa reflita compulsoriamente os “valores socialistas fundamentais” do Partido Comunista Chinês.”
“Defender o código aberto no palco internacional enquanto se impõe uma mordaça algorítmica internamente revela que a abertura pregada por Pequim serve apenas para absorver dados e tecnologia ocidentais, e jamais para permitir a livre circulação de ideias ou a auditoria transparente de seus próprios sistemas.”
“A narrativa de que a nova organização atende ao anseio do Sul Global por representatividade mascara um projeto de exportação de dependência.”
(https://oantagonista.com.br/mundo/marcio-coimbra-na-crusoe-a-armadilha-digital-de-xangai/)
Um ponto a ser observado é o fator econômico e o caráter de contraposição ao modelo pago e intrusivo, capaz de levantar informações sobre o uso feito pelos usuários e repassá-las aos detentores da tecnologia, evidentemente a serviço dos interesses norte-americanos.
Os detentores das tecnologias das redes e da inteligência artificial já demonstraram o quanto são poderosos, sobretudo diante de pessoas que não possuem letramento digital. A Inglaterra foi uma das primeiras experiências mapeadas de uso dessas ferramentas para modificar opiniões e criar pautas alheias aos interesses do povo.
As redes são armas nas mãos dos donos da tecnologia. Vejam o caso brasileiro de polarização. Uma parte importante desse fenômeno está nos algoritmos. Parte da população vive em uma bolha informacional; como diriam os críticos, está em Nárnia.
Mas há também a sua observação de que essa tecnologia estaria a serviço da China e de “valores socialistas”. Ora, essa mesma preocupação você, eu e qualquer cidadão deveríamos ter em relação aos valores “capitalistas” ocidentais.
O mundo está repleto de crises e guerras motivadas por fatores econômicos típicos da ganância capitalista. Deveríamos estar todos muito conscientes de que os valores universais, em prol de uma sociedade justa, deveriam nortear as ações dos homens públicos e dos governos.
O que vemos, porém, são países e economias colocados a serviço de bilionários e empresários. Não é triste que seja assim?