Os planos para matar Fidel Castro: a guerra secreta dos Estados Unidos contra o líder cubano
Documentos desclassificados revelam que, entre 1960 e 1965, a CIA estudou ou apoiou operações envolvendo venenos, agentes cubanos, organizações criminosas e dispositivos clandestinos — mas nunca foi encontrada prova conclusiva de uma ordem presidencial direta para assassinar Castro
Durante décadas, as tentativas de assassinar Fidel Castro foram apresentadas como uma coleção quase cômica de planos mirabolantes: charutos envenenados, conchas explosivas, roupas de mergulho contaminadas e canetas transformadas em armas.
Por trás do folclore, porém, existiu uma campanha real. A investigação conduzida pelo Senado norte-americano em 1975 encontrou evidências concretas de pelo menos oito planos envolvendo a CIA entre 1960 e 1965. Alguns ficaram restritos a estudos e preparações; outros chegaram à entrega de venenos, armas e equipamentos a intermediários que pretendiam matar o dirigente cubano.
A história não é apenas a de operações fracassadas. Ela mostra como a política de derrubar o governo cubano criou uma zona de ambiguidade na qual expressões como “eliminar”, “remover” e “livrar-se de Castro” podiam ser interpretadas de maneiras muito diferentes pelos dirigentes políticos, pelos chefes da CIA e pelos oficiais responsáveis pelas ações clandestinas.
A Revolução Cubana transforma-se em problema estratégico
Fidel Castro chegou ao poder em janeiro de 1959, depois da derrubada da ditadura de Fulgencio Batista. A deterioração das relações com Washington foi rápida, impulsionada pelas nacionalizações, pela aproximação de Havana com Moscou e pelo temor norte-americano de que Cuba se transformasse numa base soviética a poucos quilômetros da Flórida.
Em março de 1960, o presidente Dwight Eisenhower aprovou um programa secreto destinado a preparar exilados cubanos, organizar oposição clandestina e promover a substituição do governo de Castro por uma administração anticomunista. O plano posteriormente herdado por John Kennedy resultaria na invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961.
A aprovação de uma operação para derrubar o regime não constituía, por si só, uma ordem para matar seu líder. Entretanto, atas e memorandos daquele período mostram que autoridades discutiam o que aconteceria caso Fidel Castro, Raúl Castro e Ernesto “Che” Guevara desaparecessem simultaneamente. Um documento de março de 1960 registrou a avaliação de que, sem a eliminação dos três principais líderes, a queda do governo seria longa e dependeria do uso da força.
Esse ambiente político abriu espaço para que setores da CIA começassem a considerar ações dirigidas não apenas contra o Estado cubano, mas contra seus principais dirigentes.
Primeiro, destruir a imagem do líder
As primeiras ideias não tinham necessariamente o objetivo de matar Castro. Entre março e agosto de 1960, a Divisão de Serviços Técnicos da CIA discutiu maneiras de destruir sua imagem pública e seu poder de comunicação.
Uma proposta previa espalhar no estúdio de rádio uma substância capaz de produzir desorientação durante um discurso. Outra consistia em tratar charutos com um produto que provocaria confusão temporária. Também se estudou colocar sais de tálio nos sapatos de Castro para fazer sua barba cair, atingindo um símbolo central de sua identidade revolucionária. Os projetos foram abandonados por inviabilidade técnica, mudanças na agenda ou falta de acesso ao alvo.
A aparente comicidade dessas ideias não deve ocultar o que elas representavam. A CIA já procurava explorar hábitos pessoais, deslocamentos, discursos e objetos usados pelo dirigente cubano. A passagem da sabotagem de imagem para operações letais foi relativamente curta.
Uma tentativa de produzir um “acidente” para Raúl Castro
O primeiro episódio identificado pelo Comitê Church como uma ação patrocinada pela CIA contra a vida de um dirigente cubano ocorreu em julho de 1960 e tinha Raúl Castro como alvo.
Um agente cubano informou que poderia encontrar-se com o irmão de Fidel. A sede da CIA respondeu que a “possível remoção” dos três principais líderes estava sendo seriamente considerada e autorizou a estação de Havana a avaliar se o agente aceitaria organizar um acidente. O pagamento de US$ 10 mil seria realizado após a conclusão da missão.
Pouco depois, a sede enviou nova mensagem ordenando que o assunto fosse abandonado. A ordem, contudo, chegou quando o agente já havia saído para procurar Raúl Castro. Ele retornou sem ter encontrado oportunidade para executar o plano.
O episódio revela uma característica recorrente da campanha: decisões de extrema gravidade eram transmitidas por canais restritos, linguagem indireta e autorizações rapidamente emitidas ou canceladas.
Os charutos envenenados
Em agosto de 1960, a CIA recebeu uma caixa do tipo de charuto preferido por Fidel Castro e determinou que fosse tratada com uma toxina letal. Os registros analisados pelo Senado indicam que os charutos ficaram prontos em outubro e foram entregues a uma pessoa não identificada em fevereiro de 1961.
Não há documentação demonstrando que a caixa chegou a Cuba ou que algum dos charutos foi oferecido a Castro. O caso, portanto, avançou além da simples discussão, mas não pode ser classificado como uma tentativa operacional consumada.
A história popular frequentemente fala em um “charuto explosivo”. A documentação mais sólida examinada pelo Senado refere-se a charutos envenenados, enquanto o dispositivo explosivo comprovadamente estudado seria uma concha marítima destinada a uma área de mergulho.
A CIA procura a Máfia

A operação mais desenvolvida começou no segundo semestre de 1960, quando a CIA decidiu utilizar figuras ligadas ao crime organizado norte-americano.
A agência recorreu ao investigador privado Robert Maheu, antigo colaborador da CIA, para estabelecer contato com John Roselli, associado ao submundo de Las Vegas. Roselli aproximou o projeto de Sam Giancana e Santo Trafficante, chefes mafiosos que possuíam interesses anteriores em cassinos, hotéis e outras atividades em Cuba.
A cobertura inicial afirmava que empresários norte-americanos prejudicados pela Revolução Cubana estavam dispostos a financiar a “remoção” de Castro. Segundo depoimentos posteriores, Maheu e Roselli compreenderam que o governo dos Estados Unidos estava por trás da iniciativa. A oferta poderia chegar a US$ 150 mil, embora os valores mencionados nas diferentes versões não sejam inteiramente consistentes.
A escolha da Máfia parecia oferecer vantagens operacionais: contatos em Cuba, experiência clandestina, acesso a restaurantes e hotéis e capacidade de negar formalmente qualquer ligação com Washington. Ao mesmo tempo, colocava uma agência do governo em parceria com organizações que o próprio Departamento de Justiça investigava.
Cápsulas de veneno chegam a Cuba
Os intermediários preferiram veneno a armas de fogo, argumentando que um tiro dificultaria a fuga. A CIA produziu cápsulas que deveriam ser colocadas na comida ou bebida de Castro.
A primeira fase ocorreu antes da invasão da Baía dos Porcos. Segundo o Comitê Church, dinheiro, equipamentos e cápsulas foram entregues a contatos cubanos. Uma tentativa de colocar o veneno ao alcance de alguém próximo a Castro não produziu resultado, e parte do material foi devolvida.
A operação foi reativada em 1962 sob a direção de William Harvey, responsável por um programa conhecido como Executive Action, posteriormente associado ao criptônimo ZR/RIFLE. O objetivo era desenvolver capacidade clandestina para “incapacitar” líderes estrangeiros, considerando o assassinato como recurso extremo.
Em abril daquele ano, novas cápsulas foram entregues a Roselli. A rede também recebeu explosivos, detonadores, armas, rádios e uma embarcação. Os contatos informaram posteriormente que o material havia chegado a Cuba e que uma equipe de três homens fora enviada à ilha. A missão exata permaneceu imprecisa, mas os investigadores consideraram que o grupo deveria tentar matar Castro ou recrutar alguém capaz de fazê-lo.
Outra equipe chegou a ser preparada para penetrar a segurança pessoal do dirigente cubano. A operação foi encerrada no início de 1963, depois que Harvey concluiu que dificilmente produziria resultados.
A Baía dos Porcos e a obsessão de Kennedy por Cuba
A invasão da Baía dos Porcos fracassou em abril de 1961. Cerca de 1.400 exilados desembarcaram no sul de Cuba, mas a força foi derrotada em poucos dias. Mais de mil integrantes da Brigada 2506 acabaram capturados.
O desastre não encerrou a campanha contra Castro. Ao contrário, o governo Kennedy elevou Cuba à condição de prioridade. Em novembro de 1961, criou-se o Grupo Especial Ampliado e um comando dirigido pelo general Edward Lansdale. Nascia a Operação Mongoose, um programa abrangente de espionagem, propaganda, sabotagem econômica, infiltrações e organização de resistência interna.
Mongoose não pode ser reduzida a um plano de assassinato. Seu objetivo oficial era criar condições para a derrubada do regime. Entretanto, a escala da campanha, a pressão exercida por Robert Kennedy e a ausência de limites claramente comunicados produziram o ambiente no qual as operações contra a vida de Castro continuaram.
Em fevereiro de 1962, Robert Kennedy informou aos responsáveis que a operação cubana representava a maior prioridade do governo. O planejamento previa seis fases, começando pela coleta de informações e avançando para sabotagem, guerrilha e uma possível revolta aberta.
Kennedy chegou a discutir a hipótese de assassinato
As evidências sobre o conhecimento de John Kennedy permanecem contraditórias.
Notas do jornalista Tad Szulc registram uma conversa na Casa Branca, em novembro de 1961, na qual Kennedy perguntou o que ele pensaria caso o presidente ordenasse o assassinato de Castro. Szulc respondeu que seria uma ideia terrível. Kennedy afirmou então que estava apenas testando sua reação e que também rejeitava a proposta, acrescentando que sofria pressões de conselheiros para aprová-la.
O episódio demonstra que a possibilidade circulava nos níveis mais altos do governo. Não comprova, porém, que Kennedy tenha autorizado qualquer plano específico.
Essa distinção seria central para as investigações posteriores: uma administração podia ordenar que a CIA derrubasse Castro, pressionar por resultados e exigir operações mais agressivas sem necessariamente emitir uma autorização formal para matá-lo.
A concha explosiva e a roupa de mergulho contaminada
No início de 1963, técnicos da CIA estudaram uma proposta baseada no interesse de Castro pelo mergulho. Uma grande concha, preparada com explosivos e visualmente atraente, seria colocada numa área frequentada pelo dirigente. A ideia foi descartada como impraticável.
Outro plano pretendia utilizar James Donovan, advogado que negociava a libertação dos prisioneiros da Baía dos Porcos, para presentear Castro com uma roupa de mergulho contaminada. O interior receberia um fungo causador de doença crônica de pele e o equipamento respiratório seria contaminado com bacilos. Donovan, que desconhecia completamente o plano, entregou por iniciativa própria outro traje, e o material preparado pela CIA nunca deixou o laboratório.
Esses projetos tornaram-se os exemplos mais conhecidos da excentricidade das operações. Mas também mostram que recursos técnicos e pessoal especializado foram mobilizados para transformar ideias incomuns em dispositivos potencialmente letais.
AMLASH: o homem dentro do governo cubano
O último grande capítulo envolveu Rolando Cubela Secades, alto funcionário cubano e antigo dirigente revolucionário, identificado pela CIA como AMLASH.
A agência mantinha contato com Cubela desde 1961 e esperava que ele ajudasse a organizar um golpe interno. Em 1963, ele passou a insistir que a eliminação de Fidel Castro seria o primeiro passo necessário para mudar o governo. Os oficiais responsáveis afirmaram posteriormente que não lhe deram uma ordem direta de assassinato, mas os documentos mostram que conheciam sua intenção.
Desmond FitzGerald, chefe das operações contra Cuba, reuniu-se com Cubela apresentando-se como representante pessoal do procurador-geral Robert Kennedy. A utilização do nome de Kennedy não havia sido autorizada pelo próprio procurador-geral. FitzGerald garantiu apoio político norte-americano caso o golpe tivesse êxito.
Cubela pediu rifles de precisão e outros equipamentos. Em 22 de novembro de 1963, um oficial da CIA ofereceu-lhe uma caneta equipada com uma pequena agulha destinada à aplicação de veneno. O encontro ocorreu no mesmo dia em que John Kennedy foi assassinado em Dallas.
A coincidência tornou-se ainda mais significativa porque, naquele mesmo momento, emissários autorizados por Kennedy exploravam discretamente a possibilidade de melhorar as relações com Havana. Enquanto um canal procurava diálogo, outro fornecia um dispositivo de assassinato a um conspirador cubano.
A operação continua sob Lyndon Johnson
A morte de Kennedy não encerrou imediatamente a relação com Cubela.
Em 1964, a CIA enviou armas para seu grupo. No início de 1965, depois de o cubano insistir na necessidade de matar Castro, a agência facilitou seu contato com Manuel Artime, dirigente exilado que poderia fornecer armas com silenciadores. A documentação indica que Cubela recebeu um fuzil e uma pistola equipados com dispositivos de redução de ruído.
Em junho de 1965, a CIA ordenou o encerramento dos contatos porque o grupo se tornara inseguro e um número crescente de pessoas conhecia a conspiração. Cubela foi preso pelas autoridades cubanas em março de 1966 e condenado a 25 anos de prisão.
Os registros do governo Johnson não mostram que o presidente ou o grupo encarregado de supervisionar operações clandestinas tenha autorizado o assassinato. A atividade prosseguiu dentro da CIA, em parte como continuidade de relações e planos iniciados durante a administração anterior.
Quem deu a ordem?
Essa continua sendo a questão mais difícil.
A Comissão Church não encontrou prova documental de que Eisenhower, Kennedy ou Johnson tenham emitido uma ordem direta para assassinar Fidel Castro. Os principais integrantes das administrações Kennedy e Johnson que prestaram depoimento negaram ter conhecido ou aprovado os planos específicos.
Ao mesmo tempo, oficiais da CIA afirmaram que acreditavam estar agindo dentro dos limites permitidos pela política governamental. A pressão para “livrar-se de Castro”, derrubar o regime e produzir resultados teria criado, em sua percepção, autorização suficiente para recorrer a medidas extremas, principalmente porque ninguém lhes dissera explicitamente que o assassinato estava proibido.
O secretário de Defesa Robert McNamara declarou ao Senado que considerava quase inconcebível que ações dessa magnitude tivessem sido conduzidas sem conhecimento de autoridades superiores, mas também afirmou que uma autorização de Kennedy seria incompatível com tudo que conhecia sobre o presidente.
A investigação chegou, portanto, a três possibilidades desconfortáveis: a CIA teria agido fora de controle; uma cadeia secreta de autorização teria contornado os mecanismos oficiais; ou os responsáveis teriam interpretado indevidamente ordens gerais como permissão para matar. Nenhuma das hipóteses pôde ser comprovada de forma definitiva.
Operações reais e lendas acumuladas
Ao longo dos anos, centenas de incidentes foram atribuídos a tentativas contra Fidel Castro. A documentação oficial norte-americana, entretanto, exige uma distinção entre ideia, preparação, operação frustrada, iniciativa de exilados e ação diretamente patrocinada pela CIA.
Em 1975, Castro entregou ao senador George McGovern uma lista de 24 supostas tentativas. O Comitê Church não encontrou provas de participação da CIA nos episódios específicos daquela relação, mas descobriu, por outras fontes, os oito planos documentados entre 1960 e 1965.
Isso ajuda a explicar a disparidade entre o registro histórico comprovado e os números muito maiores difundidos posteriormente. Parte da narrativa mistura planos que nunca saíram do laboratório, rumores, conspirações de exilados, operações de sabotagem e tentativas de assassinato propriamente ditas.
O que está além de dúvida é que funcionários dos Estados Unidos iniciaram e participaram de operações destinadas a matar Castro. O próprio Comitê Church declarou que o esforço começou em 1960, continuou até 1965 e incluiu colaboração com a criminalidade organizada, entrega de venenos e apoio a um conspirador no interior do governo cubano.
As revelações da Comissão Church
A história permaneceu escondida até a década de 1970.
Em 1967, depois que uma coluna jornalística tornou públicas alegações sobre a CIA e a Máfia, o presidente Johnson ordenou uma investigação interna. O inspetor-geral da agência produziu um relatório de 133 páginas que detalhou as operações, mas o documento permaneceu secreto.
Somente em 1975, após os escândalos de Watergate e denúncias sobre abusos dos serviços de inteligência, o Senado criou uma comissão presidida pelo senador Frank Church. A investigação confirmou pelo menos oito conspirações contra Castro e concluiu que funcionários norte-americanos haviam iniciado e participado de planos de assassinato. Nenhum dos alvos examinados morreu como consequência direta dessas operações.
A Casa Branca de Gerald Ford e a direção da CIA tentaram impedir ou limitar a publicação do relatório, alegando que a divulgação causaria danos à segurança nacional. Church insistiu que a sociedade tinha direito de conhecer o que fora feito em seu nome.
O relatório resumiu sua posição numa condenação direta: fora de uma situação de guerra, o assassinato era incompatível com os princípios norte-americanos, com a ordem internacional e com a moralidade.
O banimento formal do assassinato político
Em fevereiro de 1976, Gerald Ford assinou a Ordem Executiva 11905, determinando que nenhum funcionário do governo dos Estados Unidos poderia participar ou conspirar para participar de assassinato político.
A proibição foi mantida e ampliada por ordens posteriores. Em 1981, a Ordem Executiva 12333 estabeleceu que nenhuma pessoa empregada pelo governo, ou agindo em seu nome, poderia envolver-se ou conspirar para envolver-se em assassinato. Também proibiu as agências de recorrer indiretamente a terceiros para executar atividades vedadas.
As reformas não eliminaram as controvérsias sobre operações letais, guerras secretas e ataques dirigidos contra dirigentes estrangeiros. Mas estabeleceram uma barreira jurídica e política diretamente relacionada às revelações sobre Cuba.
Uma política que produziu o efeito contrário
Nenhum dos planos conseguiu eliminar Fidel Castro ou provocar a queda imediata do regime.
As ações secretas, a invasão da Baía dos Porcos e a Operação Mongoose reforçaram em Havana a percepção de que somente uma aliança estreita com a União Soviética poderia garantir a sobrevivência da Revolução. A campanha de sabotagem estava em pleno funcionamento quando a descoberta dos mísseis soviéticos em Cuba desencadeou a crise nuclear de outubro de 1962.
O resultado foi o oposto do pretendido. Castro sobreviveu, consolidou seu aparato de segurança e transformou as conspirações norte-americanas em instrumento de legitimidade interna e propaganda internacional.
O legado das conspirações
A história dos planos contra Fidel Castro tornou-se símbolo dos riscos das operações clandestinas sem controle efetivo.
Não foi apenas uma sucessão de ideias extravagantes. Houve produção de venenos, envio de equipes, fornecimento de armas, recrutamento de organizações criminosas e apoio a pessoas que declaravam intenção de matar um chefe de governo.
A ausência de uma ordem presidencial escrita não absolve o sistema que tornou essas ações possíveis. Presidentes autorizaram campanhas para derrubar o regime, autoridades exigiram resultados e a CIA operou num universo de linguagem ambígua, compartimentação extrema e negação plausível.
O episódio demonstrou que, quando os objetivos políticos são definidos de forma absoluta e os limites permanecem implícitos, agentes clandestinos podem interpretar o silêncio como autorização.
Mais do que contar como Fidel Castro escapou de charutos envenenados, agentes mafiosos e dispositivos improváveis, essa história mostra como uma democracia pode perder o controle sobre os métodos empregados em seu nome.■




Acho que daí surgiram os roteiros para os filmes de James Bond , MacGyver e dos Trapalhões.
Fidel Castro é, seguramente, um daqueles personagens que moldaram a história da segunda metade do século passado, marcada pela divisão bipolar do mundo naquele período. As tentativas de assassiná-lo realizadas pelos Estados Unidos dão a dimensão de sua importância.
Ele é fruto de seu tempo e da dominação e expropriação que o povo cubano sofria por parte de empresários, industriais e homens ligados ao turismo e aos jogos, oriundos dos Estados Unidos. Esse período é retratado no antológico filme O Poderoso Chefão, quando a máfia dominava a prostituição e os jogos e se beneficiava da corrupção da ditadura de Fulgencio Batista.
Fidel Castro é um personagem controverso. Para muitos, encarna o perigo do “homem do saco preto que leva criancinhas”. Para outros, representa o sonho de construir um país mais justo, no qual as possibilidades de inclusão dos pobres sejam ampliadas e fortalecidas.
E nunca fizeram um filme sobre estas ideias de eliminar o Fidel Castro? Acho que no Brasil seria chamado “Operação Castro”, por exemplo.
Os planos da CIA foram tipo colocar uma casca de banana e esperar ele atropeçar kkkk
Essa “grande concha, preparada com explosivos e visualmente atraente” me fez rir muito aqui.
Reza uma lenda de corredor que não era uma concha, era um coral sobressalente. Um trambolho de mais de 50 kg com base explosiva do tipo fragmentaria…. Se for verdade ou não, vai saber. Tem história a rodo na web. Hoje em dia é impossível saber o que seria verdade e o que lorota.