EUA aprovam possível venda de 350 drones kamikaze Switchblade 300 à Grécia por US$ 80 milhões

10
AeroVironment-to-supply-U.S.-Marine-Corps-with-Switchblade-300-Block-20-loitering-munition-systems

Pacote também inclui sistemas de controle, equipamentos associados ao Switchblade 600, treinamento, peças sobressalentes e suporte logístico

O Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou uma possível venda militar à Grécia de 350 munições vagantes Switchblade 300 Block 20, produzidas pela AeroVironment. O pacote foi avaliado em até US$ 80,1 milhões, aproximadamente R$ 445 milhões pela conversão direta.

A autorização foi comunicada ao Congresso norte-americano em 16 de julho, no âmbito do programa de Vendas Militares Estrangeiras — Foreign Military Sales (FMS). A notificação representa uma aprovação política para que o negócio prossiga, mas não constitui ainda um contrato definitivo.

O valor final e as quantidades efetivamente adquiridas poderão ser alterados durante as negociações entre os governos e a fabricante.

Pacote inclui 35 sistemas de controle de tiro

O pedido apresentado por Atenas compreende:

  • 350 Switchblade 300 Block 20;
  • 35 sistemas de controle de tiro do Switchblade 300;
  • carregadores de baterias táticas;
  • peças sobressalentes;
  • treinamento;
  • suporte de representantes técnicos;
  • serviços de engenharia, logística e assistência técnica.

A relação de equipamentos também menciona munições Switchblade 600 dotadas de sistema de navegação GPS com módulo antienganamento SAASM, além de sistemas de controle e carregadores específicos para essa versão. A notificação, entretanto, não informou quantos Switchblade 600 estariam incluídos na possível aquisição.

A AeroVironment, sediada em Simi Valley, na Califórnia, será a principal contratada do programa. Até o momento, não foi apresentado qualquer acordo de compensação industrial. Eventuais contrapartidas serão negociadas diretamente entre o governo grego e a fabricante.

Munição portátil para ataques de precisão

Apesar de frequentemente chamado de drone kamikaze, o Switchblade 300 é oficialmente classificado como uma munição vagante, sistema que combina características de uma aeronave não tripulada de reconhecimento com as de um míssil guiado.

Transportado dentro de um tubo lançador, o equipamento pode ser carregado por pequenas unidades de infantaria e colocado em operação em poucos minutos. Após o lançamento, o operador utiliza suas câmeras eletro-ópticas e infravermelhas para procurar, acompanhar e atacar o alvo.

O Switchblade 300 Block 20 possui alcance divulgado de até 30 quilômetros e autonomia superior a 20 minutos. A munição foi projetada para engajar tropas, posições fortificadas, veículos leves e determinados alvos blindados além da linha de visada do operador.

Sua carga útil modular pode empregar efeitos de fragmentação ou uma ogiva com penetrador formado por explosão, permitindo adaptar o sistema ao tipo de alvo.

Switchblade 600 amplia capacidade anticarro

A presença de equipamentos relacionados ao Switchblade 600 indica que a Grécia também pretende desenvolver uma capacidade de ataque contra alvos mais pesados e a maiores distâncias.

Maior e mais pesado, o Switchblade 600 utiliza uma ogiva antiblindagem destinada a destruir carros de combate, veículos pesados e posições fortificadas. A versão possui autonomia superior a 40 minutos, alcance básico acima de 40 quilômetros e peso aproximado de 15 quilos.

O sistema pode ser lançado de posições terrestres, veículos ou plataformas integradas. O operador acompanha as imagens transmitidas pelos sensores e pode interromper ou redirecionar a missão antes do impacto, dependendo da situação tática e das condições de comunicação.

Reforço das capacidades terrestres gregas

Segundo o governo norte-americano, a venda aumentará a capacidade da Grécia de enfrentar ameaças atuais e futuras, participar de operações de coalizão e atuar de forma integrada com as forças dos Estados Unidos e de outros países da OTAN.

Washington declarou ainda que as Forças Armadas gregas não terão dificuldades para incorporar os sistemas e que a transferência não alterará o equilíbrio militar básico da região.

A avaliação reflete o tamanho relativamente limitado do pacote, embora a introdução de centenas de munições vagantes represente um reforço significativo para pequenas unidades terrestres, forças especiais e formações de reconhecimento.

Lições da guerra na Ucrânia

A aquisição ocorre em meio à rápida disseminação das munições vagantes nas forças armadas europeias. A guerra na Ucrânia demonstrou o valor desses sistemas para localizar e atacar tropas, veículos, radares, peças de artilharia e outros alvos com reduzido tempo de reação.

Equipamentos como o Switchblade permitem que unidades no terreno disponham de capacidade própria de vigilância e ataque de precisão, sem depender exclusivamente de aeronaves tripuladas ou de sistemas de artilharia de longo alcance.

Para a Grécia, esses armamentos poderão ser utilizados na defesa de ilhas, áreas costeiras, passagens marítimas e terrenos montanhosos, onde sistemas portáteis e rapidamente deslocáveis oferecem vantagens operacionais.

Negócio ainda depende de contrato

A notificação ao Congresso segue o procedimento exigido para grandes exportações militares norte-americanas. Parlamentares poderão analisar a operação antes da assinatura dos contratos e da emissão das ordens de produção.

A aprovação contempla o valor e a configuração máximos solicitados pela Grécia. Assim, o eventual contrato poderá apresentar custo inferior, cronograma de entrega diferente ou redução na quantidade de equipamentos.

Caso seja concluída, a compra colocará a Grécia entre os operadores europeus da família Switchblade e ampliará a presença da AeroVironment no mercado de munições vagantes da OTAN.■



Redes Sociais

A Trilogia Forças de Defesa também está presente nas redes sociais. Para comentar e discutir as matérias com os editores e outros leitores, entre no nosso grupo no WhatsApp e no Facebook. Para correções, críticas e sugestões de pauta, contate os editores: redacao@fordefesa.com.br.
Inscrever-se
Notificar de
guest

10 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
sub urbano
sub urbano
22 dias atrás

Preço de ouro. O similar russo, Lancet, custa quase 7x menos. 250.000 dolares por unidade vs 37.000 do Lancet.

Astolfo
Astolfo
Responder para  sub urbano
22 dias atrás

Você está incluindo nesse seu cálculo que o pacote envolvido na negociação é este abaixo?

350 Switchblade 300 Block 20;35 sistemas de controle de tiro do Switchblade 300;carregadores de baterias táticas;peças sobressalentes;treinamento;suporte de representantes técnicos;serviços de engenharia, logística e assistência técnica.

Não são só os drones, portanto o valor “unitário” que você listou está errado. Esses “37.000” do Lancet também incluem os serviços, peças sobressalentes, sistemas de controle de tiro etc como no pacote acima, ou é somente o custo unitário dos drones (assumindo que a sua fonte para esse custo de 37 mil dólares está correta)?

E, além de tudo, sua conta está errada. Se fôssemos simplesmente dividir, US$80,1 milhões divididos por 350 dá 228.857 dólares por unidade, não 250 mil.

Última edição 22 dias atrás por Astolfo
Bernardo
Bernardo
Responder para  sub urbano
22 dias atrás

Não são similares, são “similares” como aquelas caixas JBL de camelô. O Lancet tem controle 1:1. Tem um piloto que controla o tempo inteiro, como um FPV funciona. O switchblade funciona por waypoint num mapa, o operador só aponta o alvo na tela (que é reconhecido dependendo do modelo, gente, veículo etc, como um DJI comum faz aliás, não é tecnologia de outro mundo, mas chegou pro mundo militar antes) e confirma o comando de ataque (ou de abortar a missão caso desista). O operador não pilota o drone nesse caso. Eles só se parecem fisicamente. Um é mais caro porque qualquer idiota consegue operar com 15 mins de instrução, ele se pilota. O outro só um operador de drone consegue operar, precisa de um piloto e de conexão até o ultimo momento (ou quase isso). A Ucrânia fabrica drones mais baratos com a mesma capacidade (e aí de fato, a mesma capacidade). Mas a diferença não é nada de outro mundo também não.

Carlos
Carlos
22 dias atrás

Muito, muito dinheiro para produto de guerra que deveria ser barato e acessível. Por esse e outros motivos, a Rússia, China, Irã e a própria Ucrânia, estão muito a frente dos Estados Unidos e outros aliados em munições vagantes.

José Joaquim da Silva Santos
José Joaquim da Silva Santos
Responder para  Carlos
22 dias atrás

Comentário perfeito! Isso tá o preço de um caça, dá pra dois dias de guerra de alta intensidade. Drone não se importa, se fabrica.

Palpiteiro
Palpiteiro
22 dias atrás

Alguma comparação com as soluções nacionais?

JuggerBR
JuggerBR
Responder para  Palpiteiro
22 dias atrás

Serve a pipa com granada?

Jagderband#44
Jagderband#44
Responder para  Palpiteiro
21 dias atrás

Pessoal do CV no RJ tem um drone equivalente.

Última edição 21 dias atrás por Jagderband#44
YUFERFLLO
YUFERFLLO
Responder para  Jagderband#44
21 dias atrás

Nem de perto

Mauricio R.
Mauricio R.
21 dias atrás

OFF TOPIC, mas nem tanto!!!!

Sabem aquele conceito de e-vtol da Xmobots?
Alguém no EUA já deixou essa fase de “conceito” pra traz e está construindo um, pra valer:

(https://www.twz.com/air/mv250-hybrid-electric-vtol-combat-cargo-drone-unveiled)