Canadá encomenda mais 190 blindados ACSV por quase C$ 2 bilhões
Ampliação elevará a frota planejada de 360 para 550 veículos, aumentando a capacidade de apoio protegido das unidades equipadas com o LAV 6.0 e acelerando a substituição dos antigos Bison e derivados do M113
O governo do Canadá anunciou a encomenda de 190 novos Armoured Combat Support Vehicles (ACSV) à General Dynamics Land Systems–Canada, em um investimento de quase 2 bilhões de dólares canadenses, equivalente a aproximadamente US$ 1,4 bilhão. O acordo terá duração de quatro anos e elevará de 360 para 550 unidades a frota planejada desse tipo de blindado nas Forças Armadas Canadenses.
O anúncio foi feito em 16 de julho pelo primeiro-ministro Mark Carney durante visita à fábrica da General Dynamics Land Systems–Canada, em London, na província de Ontário. A aquisição foi formalizada por meio de uma alteração no contrato original de 2019, que previa a produção de 360 veículos ACSV.
Os novos blindados ampliarão a capacidade das unidades canadenses de executar missões de comando, transporte, evacuação médica, guerra eletrônica, engenharia, manutenção e recuperação sob proteção blindada. Embora o governo não tenha divulgado a quantidade destinada a cada variante, o ACSV é produzido em oito configurações especializadas, todas derivadas da plataforma sobre rodas LAV 6.0.
Frota de apoio acompanhará os LAV 6.0 na linha de frente
O ACSV foi desenvolvido para oferecer aos elementos de apoio uma mobilidade, proteção e arquitetura logística compatíveis com as unidades de combate equipadas com o LAV 6.0, principal veículo de combate de infantaria do Exército Canadense.
Historicamente, parte das funções de apoio era desempenhada pelos blindados Bison, derivados da família LAV II, e por veículos sobre lagartas baseados no M113. Essas plataformas pertencem a gerações anteriores, possuem padrões distintos de proteção e exigem cadeias próprias de peças, manutenção e treinamento.
A adoção de uma frota ampliada baseada no LAV 6.0 reduz essa fragmentação. Tripulações, mecânicos e unidades logísticas passam a trabalhar com veículos dotados de maior comunalidade de componentes, sistemas automotivos e procedimentos de manutenção.
Segundo o Departamento de Defesa Nacional, os ACSVs foram concebidos especificamente para substituir os Bison e os veículos de apoio derivados do M113. A plataforma oferece proteção contra minas, artefatos explosivos improvisados e fogo inimigo, mantendo mobilidade suficiente para acompanhar as forças de primeira linha em ambientes operacionais exigentes.
Oito variantes especializadas
A família ACSV é dividida entre versões de teto elevado, destinadas principalmente a funções que exigem maior espaço interno, e configurações de perfil mais baixo voltadas para manutenção e recuperação.
As oito variantes previstas pelo programa são:
- transporte de tropas e cargas;
- ambulância;
- posto de comando;
- guerra eletrônica;
- engenharia;
- oficina e transporte de equipamentos;
- manutenção e recuperação;
- equipe móvel de reparos.
O objetivo é permitir que funções essenciais permaneçam próximas às unidades de combate sem depender de veículos menos protegidos. Em uma operação de alta intensidade, a capacidade de recuperar um blindado danificado, evacuar feridos, coordenar forças ou realizar reparos sob proteção pode ser tão importante quanto o emprego dos próprios veículos de combate.
O programa atingiu a capacidade operacional inicial em janeiro de 2025, após a entrega das primeiras configurações de transporte, ambulância e posto de comando, juntamente com equipamentos de apoio, peças sobressalentes e treinamento. Antes da nova encomenda, a capacidade operacional plena da frota original estava prevista para o final de 2028.
Reforço das operações da OTAN
Os ACSVs já estão sendo empregados pela brigada multinacional da OTAN liderada pelo Canadá na Letônia, no âmbito da Operação Reassurance, principal contribuição terrestre canadense para a dissuasão da Aliança no flanco oriental europeu.
A encomenda adicional não significa que todos os 190 veículos serão enviados à Europa. O governo informou que as novas unidades também serão utilizadas em exercícios e atividades de treinamento nas bases canadenses. Ainda assim, a expansão aumenta a capacidade do país de formar, preparar e sustentar forças compatíveis com compromissos nacionais e internacionais.
Para operações da OTAN, a comunalidade entre os veículos de combate LAV 6.0 e suas versões de apoio representa uma vantagem logística. Uma brigada mecanizada necessita de ambulâncias blindadas, postos de comando, oficinas móveis e veículos de recuperação capazes de acompanhar o mesmo ritmo das unidades de infantaria.
A ampliação da frota também ocorre em meio aos esforços de Ottawa para aumentar os gastos militares, reconstruir estoques e melhorar a prontidão das Forças Armadas. Segundo o governo Carney, o Canadá alcançou a meta da OTAN de destinar 2% do Produto Interno Bruto à defesa e pretende acelerar programas de reequipamento.
Produção permanecerá no Canadá
Os 190 veículos serão projetados e montados pela General Dynamics Land Systems–Canada em London, Ontário. O governo canadense afirma que a encomenda utilizará materiais e mão de obra nacionais, envolvendo mais de 600 fornecedores distribuídos por mais de 100 comunidades.
A General Dynamics estima que sua rede canadense vinculada à produção da família LAV sustente mais de 13.400 empregos. A fábrica de London emprega diretamente cerca de 1.700 trabalhadores e já produziu mais de 11 mil veículos blindados para o Canadá e outros países desde 1977.
O contrato faz parte de uma parceria estratégica mais ampla entre o governo e a empresa. O modelo pretende facilitar futuras modernizações, integrar respostas a novas ameaças e reduzir o tempo necessário para introduzir capacidades adicionais nos veículos em serviço.
A GDLS–Canada foi escolhida como a primeira empresa parceira do governo no novo marco da Estratégia Industrial de Defesa. Pelo sistema, Ottawa pretende atuar como cliente de referência, enquanto as empresas selecionadas assumem compromissos relacionados a pesquisa, desenvolvimento, fornecedores nacionais e manutenção de mão de obra especializada.
Mais 35 veículos serão produzidos para a Ucrânia
Além das 190 unidades destinadas às Forças Armadas Canadenses, o acordo contempla a produção de 35 ACSVs adicionais para doação à Ucrânia. Esses veículos foram prometidos durante a cúpula da OTAN de 2026 e se somarão aos 89 blindados da família já doados anteriormente por Ottawa.
As doações anteriores chegaram a afetar o calendário da frota canadense, porque veículos inicialmente fabricados para o Canadá foram redirecionados à Ucrânia e posteriormente repostos pelo fabricante. Segundo o Departamento de Defesa Nacional, a medida contribuiu para transferir a previsão de capacidade operacional plena do programa original para o final de 2028.
Com a nova encomenda, o Canadá não apenas aumenta numericamente sua frota de apoio blindado, mas consolida o LAV 6.0 como plataforma comum de suas forças mecanizadas. A mudança deverá permitir a retirada gradual dos Bison e dos derivados do M113, ao mesmo tempo que amplia a capacidade de Ottawa de sustentar operações nacionais, missões expedicionárias e compromissos assumidos com a OTAN.■
| Informações gerais | |
|---|---|
| Designação | Armoured Combat Support Vehicle — ACSV |
| País de origem | Canadá |
| Fabricante | General Dynamics Land Systems–Canada, em London, Ontário |
| Categoria | Família de veículos blindados de apoio ao combate |
| Plataforma-base | LAV 6.0 |
| Configuração | 8×8 sobre rodas, com tração selecionável em quatro ou oito rodas |
| Função principal | Proporcionar apoio logístico, médico, técnico, de comando, engenharia e guerra eletrônica às unidades de primeira linha |
| Frota canadense planejada | 550 veículos, após a encomenda adicional de 190 unidades anunciada em julho de 2026 |
| Veículos substituídos | LAV II Bison e veículos blindados sobre lagartas derivados do M113/TLAV |
| Variantes | |
| Número de variantes | Oito |
| Tipo 2 — teto elevado | Transporte de tropas/carga, ambulância, posto de comando, guerra eletrônica e engenharia |
| Tipo 3 — teto baixo | Fitter/Cargo, manutenção e recuperação e equipe móvel de reparos |
| Mobilidade e desempenho | |
| Motorização | Motor diesel turboalimentado, refrigerado a água, com seis cilindros |
| Potência | Aproximadamente 450 hp |
| Transmissão | Automática de sete velocidades |
| Velocidade máxima em estrada | Cerca de 100 km/h |
| Velocidade fora de estrada | Cerca de 40 km/h |
| Autonomia em estrada | Aproximadamente 600 km |
| Autonomia fora de estrada | Aproximadamente 450 km |
| Capacidade de vau | Até aproximadamente 1,5 m, em leito firme |
| Inclinação frontal máxima | Cerca de 60% |
| Inclinação lateral | Cerca de 30% |
| Transposição de trincheira | Aproximadamente 2 m |
| Dimensões de referência da plataforma LAV 6.0 | |
| Comprimento | Aproximadamente 7,83 m |
| Largura | Aproximadamente 3,25 m |
| Altura | Variável conforme o teto, os equipamentos e a variante; referência do LAV 6.0: cerca de 3,27 m |
| Peso | Variável conforme a variante, blindagem, equipamentos e carga de missão |
| Proteção e sistemas | |
| Proteção do casco | Casco Double-V, projetado para desviar a energia de explosões para longe do compartimento da tripulação |
| Ameaças consideradas | Minas, artefatos explosivos improvisados, estilhaços e fogo inimigo |
| Blindagem adicional | Compatível com módulos de blindagem adicional e proteção escalável |
| Suspensão e freios | Sistemas reforçados e aperfeiçoados em relação à configuração original do LAV 6.0 |
| Monitoramento | Sistema de gerenciamento da saúde do veículo, capaz de identificar falhas e auxiliar o diagnóstico de manutenção |
| Armamento | Estação de armas remotamente controlada, em configurações selecionadas; armamento específico varia conforme a missão |
| Tripulação e capacidade interna | Variáveis conforme a configuração operacional, os equipamentos e a função de cada veículo |
| Emprego operacional | |
| Operações previstas | Missões nacionais, operações expedicionárias, exercícios militares e compromissos do Canadá com a OTAN |
| Vantagem logística | Elevada comunalidade com o LAV 6.0 em mobilidade, manutenção, treinamento, componentes e apoio logístico |
| Capacidade operacional inicial | Alcançada em janeiro de 2025 com as variantes ambulância, transporte de tropas/carga e posto de comando |


Exército Brasileiro – Off-Topic:
Sério mesmo?!
No período de 29 de junho a 3 de julho, uma comitiva oficial da Chefia de Material do Comando Logístico (C Mat/COLOG), realizou uma missão internacional à Alemanha para participar da 17ª Reunião de Revisão de Contratos (Program Management Review – PMR).
O encontro teve como principal foco a gestão contratual, a sustentabilidade logística e o planejamento estratégico para o ciclo de vida das frotas de blindados Leopard e do Sistema de Artilharia Antiaérea Gepard.
A delegação brasileira foi chefiada pelo General de Brigada Thales Mota de Alencar, Chefe do C Mat/COLOG, e contou com o assessoramento técnico de especialistas da Divisão de Blindados, o Coronel da Reserva Arthur e o Tenente-Coronel Vignolo.
Além da verificação dos acordos vigentes, a comitiva do C Mat/COLOG prospectou alternativas técnicas e jurídicas junto aos fornecedoras para a eventual celebração de novos instrumentos contratuais, visando diminuir a obsolescência de componentes críticos e assegurar o Suporte Logístico Integrado, necessário para manter os índices de disponibilidade das frotas blindadas e da artilharia antiaérea do Exército Brasileiro nos próximos anos.
Nossos militares e essa mania de “gastar vela comprada em Euro com defunto ruim”…
Gastamos milhões anualmente com esses tanques Leopard,
Apesar de não ser algo publicamente divulgado pelo Exército Brasileiro, os custos de manutenção e revitalização da frota entram na casa dos milhões.
Um contrato de suporte logístico assinado anteriormente com a fabricante envolvia valores na casa de cerca de R$ 22 milhões anuais, (R$ 100 mil por blindado), cobrindo serviços e peças básicas. projetados para uma década.
Além disso, o Exército executa um programa de revitalização que custa milhões por ano para prolongar a vida útil de 52 unidades do modelo Leopard 1A5 BR.
Ao invés de sanar problemas e arranjar soluções, nossoss garboso generalato verde-oliva prefere continuar a “dar murro em ponta de faca”.
A Coreia do Sul ofereceu um acordo para o Peru que inclui a aquisição e produção local de 54 tanques K2 Black Panther e 141 blindados K808.
As principais vantagens econômicas oferecidas incluem transferência massiva de tecnologia e construção de uma fábrica no Peru, com financiamento de longo prazo que pode chegar a 15 anos para viabilizar o projeto, facilitando o pagamento sem comprometer excessivamente o orçamento de defesa peruano de uma única vez.
Enquanto isso ficamos queimando dinheiro público com bagaço de laranja…
E na sua visão o que o EB deve fazer? O governo não libera verba pra comprar os novos blindados, nao é como se os generais estivessem demorando so pq querem.
Por essa sua lógica, o exercito tem que deixar os leopard apodrecer para comprar blindados com um dinheiro que nao exista.
Faz uma conta de padaria básica, dos 22 milhões gastos anualmente com a manutenção dos leopard quantos blindados poderíamos ter comprado? Te garanto que é um quantidade ínfima.
22 milhões não dá meio blindado Black Panter
O custo unitário base de um MBT K2 Black Panther gira em torno de US$ 8,5 milhões…
Pelo que pesquisei, só o custo do sistema de Controle de Tiro e Eletrônica: (R$ 15 milhões a R$ 20 milhões estimados).
Mas certamente fechar um financiamento de longo prazo com os Sul-Coreanos ou turcos, dependendo da predileção da turma da Cavalaria Blindada.
Certas coisa tem que serem botadas a mesa e discutidas sua continuidade ou não.
Essa indecisão custa grana da nação! É a mesma coisa com a eterna novela dos A-4 “SleppyHawk” da Marinha do Brasil…
Eu sei que MBTs são importantes e indispensáveis em uma organização militar e na defesa territorial.
No meu caso, eu acharia mais viável adquirir dezenas de caça-tanques como o Centauro 2 e ATGMs Spike ER2 para equipar os helicópteros do EB e tropas em terra ao invés de Main Battle Tank.
Certamente não seria difícil a integração do míssil nos helicópteros do EB.
Bastaria haver um interesse da força em instalar o sistema de armas modular para transformar os helicópteros Pantera em uma plataforma de ataque.
Somos colônia americana e européia.
Sofremos pressão politica,comercial e militar deles.
A velharada de farda dificilmente e Infelizmente irá tirar seus antolhos,isso os impede de buscar outras possibilidades além da velha panelinha existente há muitas décadas atrás…
Não conseguem sair da Ponte aérea Brasil-Washington-Roma-Paris-Berlim-Londres…
Enquanto isso países menores que o nosso, como o caso do Peru, vai tomando outros rumos e se alinhando com a Coréia do Sul e seu portfólio militar.