Mojtaba Khamenei

Mojtaba Khamenei

Segundo autoridades norte-americanas citadas pelo New York Times, o novo líder supremo iraniano estaria interessado em uma ogiva termonuclear miniaturizada para mísseis de longo alcance; avaliação não significa que Teerã já tenha autorizado ou retomado um programa de armas

Agências de inteligência dos Estados Unidos avaliam que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, demonstra interesse muito maior do que seu pai, Ali Khamenei, na obtenção de uma arma nuclear, segundo autoridades norte-americanas informadas sobre as análises.

A avaliação, revelada pelo New York Times, sustenta que o novo dirigente iraniano estaria procurando caminhos para desenvolver uma ogiva termonuclear avançada, suficientemente compacta para ser instalada em um míssil de longo alcance. As conclusões estariam baseadas em declarações públicas, comunicações interceptadas e informações coletadas principalmente antes do início da atual guerra.

O relatório representa uma mudança significativa em relação à posição pública atribuída ao antigo líder supremo, que durante anos sustentou que a fabricação e o emprego de armas nucleares eram proibidos pelo Islã.

Até o momento, contudo, não há confirmação pública de que Mojtaba Khamenei tenha emitido uma ordem formal para construir uma bomba, nem de que o Irã tenha reiniciado plenamente o enriquecimento de urânio ou retomado atividades de desenvolvimento de ogivas.

Inteligência identifica mudança na liderança iraniana

Segundo as autoridades citadas, Mojtaba Khamenei não demonstraria a mesma hesitação atribuída ao pai quanto à transformação da capacidade nuclear iraniana em um arsenal militar.

No fim do governo de Joe Biden, a inteligência norte-americana já avaliava que setores iranianos estudavam a possibilidade de produzir um dispositivo nuclear relativamente rudimentar. Essa arma poderia oferecer alguma forma de dissuasão, mas seria grande e pesada demais para ser transportada por um míssil balístico.

O novo líder supremo consideraria essa solução limitada. Sua preferência seria por uma arma mais avançada, capaz de ser miniaturizada e integrada a um míssil de longo alcance, permitindo ao Irã construir uma capacidade nuclear militar efetivamente utilizável como instrumento estratégico.

Uma ogiva termonuclear representa um salto tecnológico muito superior ao de uma bomba de fissão rudimentar. Além da produção do material nuclear, seria necessário dominar o projeto da ogiva, reduzir seu tamanho e peso, integrá-la a um veículo de reentrada e garantir que sobrevivesse às forças do lançamento e ao retorno pela atmosfera.

Guerra fortaleceu defensores da bomba

A inteligência dos Estados Unidos também avalia que os ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã reforçaram a posição das autoridades iranianas que já defendiam a obtenção de uma arma nuclear.

Durante anos, integrantes da elite política, militar e científica iraniana argumentaram internamente que somente um arsenal atômico poderia impedir Israel ou os Estados Unidos de atacar o país. Segundo a nova avaliação, a morte de Ali Khamenei e a destruição causada pela campanha militar tornaram esse argumento mais persuasivo dentro do regime.

A lógica seria semelhante à dissuasão adotada por outros países: uma capacidade nuclear operacional elevaria dramaticamente o custo de qualquer tentativa futura de atacar o território iraniano, destruir o regime ou eliminar sua liderança.

Essa percepção não significa necessariamente que todos os dirigentes iranianos tenham aderido à proposta. Mostra, porém, que aqueles que defendem a bomba passaram a dispor de um argumento poderoso: o Irã foi atacado apesar de não possuir uma arma nuclear pronta.

Fatwa de Ali Khamenei perdeu seu principal garantidor

Ali Khamenei havia declarado, por meio de uma fatwa — decisão religiosa — que as armas de destruição em massa eram proibidas. Teerã utilizou durante anos esse posicionamento para sustentar que seu programa nuclear tinha objetivos exclusivamente civis.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou em março que a doutrina contrária à fabricação de armas nucleares provavelmente não sofreria alterações substanciais. Na mesma ocasião, contudo, reconheceu que Mojtaba Khamenei ainda não havia expressado publicamente sua posição pessoal sobre o tema.

O novo líder permanece sem reafirmar de maneira explícita a proibição estabelecida por seu pai. Essa ausência ganhou importância porque, no sistema político iraniano, o líder supremo possui a autoridade final sobre as Forças Armadas, a Guarda Revolucionária e as decisões estratégicas relacionadas ao programa nuclear.

Mojtaba Khamenei foi escolhido pela Assembleia de Especialistas em março de 2026, após a morte de seu pai durante os ataques que abriram a nova guerra. O clérigo de 56 anos mantém relações próximas com o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e era considerado uma figura influente nos bastidores do regime antes de assumir oficialmente o poder.

Avaliação evoluiu desde março

A nova informação também indica uma evolução na percepção da comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

Na Avaliação Anual de Ameaças divulgada em março, o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional afirmava que continuava procurando sinais sobre qual posição a nova liderança iraniana adotaria em relação à autorização de um programa de armas nucleares. Naquele momento, Washington ainda tratava as intenções de Mojtaba Khamenei como uma incógnita.

As avaliações mais recentes, segundo o relato do New York Times, mostram agora uma inclinação maior do líder em favor da bomba. Parte das informações, entretanto, foi obtida antes da guerra, e a capacidade de acompanhar suas decisões atuais estaria limitada.

Mojtaba Khamenei reduziu seus contatos e aparições desde que ficou ferido no ataque que matou seu pai. Autoridades norte-americanas afirmam que suas comunicações com outros integrantes do governo também estariam restritas, dificultando a obtenção de um quadro completo sobre suas intenções.

Não há sinal confirmado de retomada da produção

Apesar da avaliação sobre as intenções políticas, as agências norte-americanas ainda não identificaram uma retomada ampla do enriquecimento de urânio ou um programa ativo para fabricar ogivas.

Em maio, fontes informadas sobre as análises afirmaram que o Irã precisaria de até aproximadamente um ano para construir uma arma, caso a liderança tomasse a decisão de seguir esse caminho. A estimativa permanecia semelhante à elaborada depois dos ataques de 2025 contra as principais instalações nucleares iranianas.

A inteligência avaliava que Teerã preservava parte de seu estoque de urânio enriquecido e procurava proteger equipamentos e conhecimentos necessários para reconstruir o programa.

Segundo as informações mais recentes, algumas centrífugas teriam sido transferidas para o complexo subterrâneo conhecido como Pickaxe Mountain, ou Kuh-e Kolang Gaz La, construído próximo à instalação nuclear de Natanz.

O local nunca foi inspecionado pela Agência Internacional de Energia Atômica, e sua finalidade exata permanece desconhecida. Imagens de satélite indicam uma instalação escavada entre aproximadamente 80 e 100 metros abaixo da montanha, potencialmente capaz de abrigar centrífugas e equipamentos para enriquecimento de urânio.

De material nuclear a uma arma operacional

O Irã havia enriquecido urânio até 60%, nível próximo dos aproximadamente 90% normalmente associados ao material destinado a armas. A transformação desse estoque em uma capacidade militar, entretanto, exigiria várias etapas adicionais.

Além de produzir urânio em grau militar, Teerã precisaria fabricar um dispositivo explosivo confiável, desenvolver sistemas de detonação, reduzir a ogiva às dimensões permitidas pelo míssil e concluir um veículo de reentrada capaz de resistir às condições extremas de voo.

A busca por uma arma termonuclear acrescentaria uma camada ainda maior de complexidade. Esses dispositivos normalmente utilizam uma explosão nuclear primária para desencadear uma segunda etapa baseada em combustível termonuclear, permitindo maior rendimento explosivo em uma ogiva relativamente compacta.

Não existe evidência pública de que o Irã tenha dominado essa tecnologia. A referência a uma ogiva termonuclear descreve a ambição atribuída a Mojtaba Khamenei pela inteligência norte-americana, e não uma capacidade demonstrada por testes ou por um sistema já construído.

Risco de uma nova corrida nuclear regional

Caso o Irã abandone definitivamente a política de ambiguidade e decida construir uma arma, o movimento alteraria profundamente o equilíbrio estratégico do Oriente Médio.

Israel é amplamente considerado o único país da região a possuir armas nucleares, embora mantenha uma política oficial de não confirmar nem negar seu arsenal. Uma bomba iraniana aumentaria a pressão para que outras potências regionais procurassem garantias de segurança ou capacidades próprias.

Também aumentaria o risco de novos ataques preventivos. Estados Unidos e Israel afirmam que não permitirão que o Irã obtenha uma arma nuclear e já justificaram operações militares anteriores como necessárias para impedir esse resultado.

Ao mesmo tempo, os ataques podem ter produzido o efeito inverso: convencer parte da liderança iraniana de que somente uma capacidade nuclear operacional poderá garantir a sobrevivência do regime.

Intenção ainda não equivale a decisão

A avaliação norte-americana descreve uma mudança política potencialmente decisiva, mas deve ser interpretada com cautela.

Informações de inteligência podem identificar preferências, debates e planos preliminares sem demonstrar que uma decisão formal foi tomada. Também permanece incerto quanto poder Mojtaba Khamenei exerce pessoalmente enquanto se recupera dos ferimentos e mantém contato limitado com outros integrantes da liderança.

Por enquanto, a conclusão mais importante é que a principal barreira política à fabricação de uma bomba iraniana pode estar enfraquecendo. O antigo líder sustentava publicamente uma proibição religiosa; seu sucessor não repetiu essa posição e, segundo Washington, estaria interessado não apenas em uma arma rudimentar, mas em uma ogiva avançada para mísseis de longo alcance.

Caso essa avaliação seja correta, o programa nuclear iraniano poderá deixar de ser apenas uma capacidade de dissuasão latente e transformar-se em um projeto destinado à produção de um arsenal operacional.



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naval762
naval762
14 dias atrás

Deram um já marrom no Irã, agora aguentem… Tudo seguindo conforme os planos.

Wagner
Wagner
14 dias atrás

Já era para ter um teste, moderado 1 mega Ton já é susto, Coreia fez um teste de ” míseros” de 4 mega Ton ,deixaram eles em paz

Carlosanto
Carlosanto
Responder para  Wagner
12 dias atrás

Coreia do Norte nunca fez um teste com potência na casa dos megatons, mas sim em kilotons.

NBS
NBS
14 dias atrás

O que assusta é a complacência dos países liberais, do chamado “mundo civilizado” e da própria ONU, que se recusam a escrutinar a atuação de um governo tresloucado de extrema direita, disposto a tutelar outro país e, até onde se sabe, a se apropriar do dinheiro obtido com a venda de petróleo, enquanto os verdadeiros proprietários, o povo venezuelano, não veem a cor do dinheiro que lhes pertence.
Isso tem cara, cheiro e jeito de roubo. Em um fim melancólico, o país que durante anos se apresentou como guia e referência moral para o mundo já não consegue esconder a distância entre o discurso que proclama e as práticas que adota.
Trump dá sinais de que poderá mergulhar os Estados Unidos em um novo Vietnã. O custo será altíssimo para ambos os lados.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  NBS
13 dias atrás

Bom seria a detonação de uma ogiva na Ilha de Manhattan!
Valentão só se afrouxa quando leva a primeira porrada na fuça…

Tudo bem que eles tem umas 5.000 ogivas para usar como retaliação e uma do Irã não iria servir de nada…

Mas seria um bom aviso para eles saberem que não são Inexpugnáveis



Adriano Madureira
Adriano Madureira
13 dias atrás

Pergunta: Uma ogiva nuclear pode ser fabricada sem necessariamente precisar fazer testes de detonação no subsolo?



Sergio Machado
Sergio Machado
Responder para  Adriano Madureira
12 dias atrás

Dizem que sim, através de simulações computacionais.
Até porque Israel diz ter e nunca testou 1 única.

Mauricio R.
13 dias atrás

Despachem esse cara, pra fazer companhia ao pai dele e o recado será claro e cristalino.
Quem insistir nesse curso de ação, já sabe do risco.

Carlos Campos
Carlos Campos
13 dias atrás

Em breve encontrara seu pai, e tera sei lá quantas virgens