Serra Verde ganha papel central em cadeia ocidental de terras raras entre Brasil, EUA e Europa
USA Rare Earth e fundo apoiado pelo governo francês adquirirão participações na Carester, criando uma ligação industrial entre a produção mineral brasileira, o processamento europeu e a fabricação de ímãs nos Estados Unidos
A Serra Verde, única produtora comercial de terras raras em escala relevante no Brasil, passou a ocupar uma posição central nos planos da USA Rare Earth para construir uma cadeia industrial integrada entre Brasil, Estados Unidos e Europa. A estratégia busca reduzir a dependência do processamento realizado na China, que controla cerca de 90% da oferta mundial de terras raras processadas.
A companhia americana anunciou na quinta-feira (23) a assinatura de acordos definitivos para adquirir uma participação de aproximadamente 13,6% na Carester, empresa francesa especializada na separação, no processamento e na reciclagem de terras raras. O valor final da transação não foi divulgado.
O fundo francês InfraVia também comprará uma participação de 13,6% na Carester por meio de seu Critical Metals Fund. O veículo financeiro tem o Estado francês como investidor âncora, dentro do programa France 2030, e conta ainda com recursos de investidores institucionais privados. A conclusão dos aportes está prevista para o terceiro trimestre de 2026.
Minério brasileiro poderá abastecer fábrica francesa
O acordo permitirá que a Carester tenha acesso aos concentrados de terras raras pesadas produzidos pela Serra Verde em Goiás. Em sentido inverso, a USA Rare Earth terá direito de acesso à produção de óxidos separados da futura unidade francesa.
A USA Rare Earth assinou em abril um acordo para adquirir a Serra Verde por aproximadamente US$ 2,8 bilhões. A conclusão da operação ainda depende das autorizações e condições previstas na transação. A empresa brasileira opera a mina e a planta de processamento do Projeto Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás.
A Serra Verde é apontada pela companhia americana como a única produtora em grande escala, fora da Ásia, dos quatro principais elementos de terras raras utilizados na fabricação de ímãs permanentes: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
O disprósio e o térbio são especialmente importantes porque permitem que ímãs de neodímio mantenham seu desempenho em temperaturas elevadas. Esses componentes são utilizados em motores elétricos, turbinas eólicas, sistemas aeroespaciais, equipamentos eletrônicos, drones, radares, mísseis e outras aplicações militares.
Carester construirá unidade estratégica em Lacq
A Carester está construindo em Lacq, no sul da França, a unidade industrial Caremag, dedicada à reciclagem de ímãs e à separação de terras raras pesadas. O início das operações está previsto para o final de 2026.
A planta deverá ter capacidade para reciclar 2 mil toneladas de ímãs por ano e processar aproximadamente 5 mil toneladas anuais de concentrados minerais. Segundo a InfraVia, o empreendimento deverá tornar-se a primeira instalação europeia de reciclagem de terras raras em grande escala e um dos maiores produtores ocidentais de terras raras pesadas purificadas.
O projeto conta com apoio financeiro e estratégico de entidades públicas francesas e japonesas. A expectativa é que a unidade produza óxidos de terras raras de elevada pureza destinados principalmente às indústrias de veículos elétricos, energia renovável, eletrônica e Defesa.
“Integrar as capacidades da Carester à nossa plataforma global acrescenta novas opções avançadas de processamento à nossa cadeia de valor integrada”, afirmou Barbara Humpton, presidente-executiva da USA Rare Earth.
Da mina brasileira aos ímãs americanos
A arquitetura industrial planejada pela USA Rare Earth procura controlar todas as etapas da cadeia, da extração mineral à fabricação dos ímãs permanentes.
Na primeira etapa, a Serra Verde fornecerá concentrados contendo terras raras leves e pesadas. Na França, a Carester realizará a separação dos diferentes elementos e a produção dos óxidos purificados.
Também em Lacq, a subsidiária Less Common Metals — LCM Europe deverá transformar esses óxidos em metais e ligas especiais. Esses materiais poderão então ser enviados às fábricas de ímãs da USA Rare Earth nos Estados Unidos.
A companhia prepara o início da produção de ímãs de neodímio-ferro-boro em Stillwater, no estado de Oklahoma, e anunciou outra unidade industrial em Blacksburg, na Carolina do Sul. Os ímãs NdFeB estão entre os mais potentes disponíveis comercialmente e são essenciais para sistemas de elevada eficiência e baixo peso.
A USA Rare Earth também avalia ampliar a produção de metais, ligas e ímãs na própria França. A empresa anunciou a intenção de investir mais de € 175 milhões no país até 2030, com potencial para gerar mais de 300 empregos.
Apoio dos governos americano e francês
A operação reúne interesses estratégicos dos governos dos Estados Unidos e da França. Washington pretende reduzir a vulnerabilidade das cadeias industriais americanas diante de eventuais restrições chinesas à exportação de minerais, óxidos, metais e ímãs.
Em junho, a USA Rare Earth concluiu acordos com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos que poderão liberar até US$ 1,6 bilhão. O pacote inclui até US$ 277 milhões em recursos federais e uma linha de crédito garantida de até US$ 1,3 bilhão, vinculada ao cumprimento de etapas dos projetos industriais.
Somados a uma captação privada de US$ 1,5 bilhão concluída em janeiro e a outros recursos, os compromissos financeiros destinados à expansão da companhia chegam a aproximadamente US$ 3,5 bilhões.
A França, por sua vez, busca reconstruir capacidades industriais que desapareceram ou foram transferidas para a Ásia nas últimas décadas. O fundo da InfraVia pretende investir em projetos de extração, processamento e reciclagem de metais críticos considerados essenciais para a autonomia estratégica europeia.
Serra Verde torna-se ativo geopolítico
A integração da Serra Verde ao sistema planejado pela USA Rare Earth transforma a produção brasileira em um elo entre as políticas industriais americana e europeia.
Atualmente, grande parte da produção mundial de terras raras ainda precisa passar por instalações chinesas de separação e refino, mesmo quando o minério é extraído em outros países. O principal desafio do Ocidente, portanto, não é apenas abrir novas minas, mas dominar as etapas intermediárias de separação química, produção de metais, formação de ligas e fabricação de ímãs.
A nomeação de Thras Moraitis, atual presidente-executivo da Serra Verde, para assumir o comando da USA Rare Earth em 1º de outubro reforça a importância adquirida pelo ativo brasileiro na estratégia global da companhia. Moraitis substituirá Barbara Humpton após a integração prevista entre as empresas.
Com a Serra Verde fornecendo os minerais, a Carester realizando a separação na França e as fábricas americanas convertendo metais e ligas em ímãs permanentes, a USA Rare Earth pretende criar uma das primeiras cadeias ocidentais integradas capazes de competir com o domínio industrial chinês.
Para o Brasil, a operação confirma a relevância estratégica de suas reservas minerais, mas também reacende o debate sobre o lugar do país na cadeia de valor: apenas como fornecedor de concentrados ou como sede de unidades de separação, metalurgia e fabricação de componentes de alta tecnologia.■


O Brasil está sob ataque direto do governo norte-americano. O que está em curso é uma tentativa explícita de controlar nossas riquezas, limitar nossa capacidade de explorá-las e impor ao país a quem podemos vender e quem pode ou não participar como sócio. Não se trata apenas de comércio ou investimento, mas de soberania nacional e de disputa geopolítica. É fundamental que todos os brasileiros compreendam a gravidade do tema e defendam a construção de um caminho independente, sem submissão a interesses estrangeiros.
O Brasil busca parceiros que contribuam para o desenvolvimento interno de tecnologia, conhecimento, infraestrutura e capacidade produtiva, independentemente de sua nacionalidade, inclusive empresas e investidores norte-americanos. Parceria, porém, não significa submissão. Quem desejar acesso às riquezas brasileiras deve respeitar nossas leis, nossas instituições e nossas decisões soberanas.
Diante do comportamento agressivo e intervencionista da extrema direita norte-americana, o Brasil deve transformar o acesso a seus recursos estratégicos em instrumento de negociação e defesa nacional. Nenhuma empresa ou governo estrangeiro pode pretender usufruir de nossas riquezas enquanto trabalha para enfraquecer nossa autonomia.
Nesse contexto, o processo enviesado conduzido pelo governo de Goiás não pode ser tratado como simples divergência administrativa. O governador não possui autoridade para definir, por conta própria, a posição geoestratégica do Brasil nem para comprometer recursos estratégicos nacionais. Caso tenha ultrapassado suas competências legais, deve ser investigado, responsabilizado e punido nos termos da lei.
Ok, basta entender que a empresa comprada já era de capital estrangeiro que mudou de mãos pois demanda de alto investimento para conseguir produzir em escala. Tem muitos projetos brasileiros esperando investidor. Aqui ninguém vai tirar da renda fixa para aplicar em projeto de longo prazo com baixo retorno. A mineração no Brasil assim como a maioria dos outros setores depende do capital externo. Quanto ao beneficiamento é o dilema da curva do sorriso, onde a manufatura é a etapa que demanda mais investimento e traz a menor margem, assim o mundo todo foi “esperto” e transferiu tudo que é manufatura para a China.
O Brasil está aberto a parcerias internacionais, desde que elas contribuam concretamente para o beneficiamento dos minerais em território nacional, com a participação de empresas, pesquisadores, técnicos e trabalhadores brasileiros. O interesse do país não deve se limitar à extração e à exportação de concentrados, mas alcançar também as etapas de separação, refino, produção de ligas, fabricação de ímãs e desenvolvimento tecnológico.
A empresa já possuía capital estrangeiro, principalmente por meio de fundos de investimento. A diferença é que agora passará a integrar uma empresa norte-americana verticalizada, apoiada por subsídios, financiamentos e garantias do governo dos Estados Unidos.
O setor privado costuma evitar projetos de longo prazo, com elevados riscos tecnológicos e retorno incerto. Em geral, aproxima-se quando a tecnologia já está consolidada, os riscos foram assumidos pelo Estado e a rentabilidade se tornou previsível. Depois, bate no peito para proclamar que o mercado é naturalmente mais competente para agregar valor.
Não pelos americanos .. mas as oportunidade de parceria estão na Asia com Japão e Coreia do sul e UE com Italia , Alemanha e ate a Turquia mais focado na area militar . , mas as parcerias como todos esses seriam mais voltados principalmente em defesa e tecnologia .. e saber aproveitar o momento e barganhar/negociar , somar a isso mais campos de gas e petróleo pipocando na costa .. mais ameaças externas .. hora de senta a mesa e negociar
Para se ter retorno e conseguir tentar competir com a China é necessário escala o que se traduz em bastante dinheiro exposto ao risco. Terras raras não é uma coisa só, é um plural de 17 elementos. Ter uma reserva de terras raras não significa nada se não for de uma formação mineral favorável ao processamento e precisa ter os elementos mais caros. Ninguém quer Cerio ou Talantio. A produção para aplicação civil tem muuuuito mais demanda. É necessário se pensar do downsteam para o upstream como a Usa rare earth faz. Tem que saber qual especificação de imã se deseja produzir.
Nenhum desses países se dispôs a investir em projetos de terras raras no Brasil. Que botou os bilhões de dólares na mesa foi os EUA e a mídia que não entende nada do assunto está criticando.
Nosso país servindo seu papel de colônia coletiva do primeiro mundo ao ser um buraco de mineração. Deveríamos ter criado uma terra Terrabras pelo mesmo motivo que a Petrobras foi criada. Infelizmente, Nosso governo existe para server as elites traidoras inimigas do povo.
Thiago, acredito que uma empresa dedicada a um portfólio de terras promissoras poderia ser um caminho. Agora, entendo que devemos contextualizar a questão e ter cuidado ao afirmar que o atual governo serve aos interesses econômicos.
Precisamos considerar que o povo, muitas vezes de forma equivocada, elege representantes que não defendem os interesses da maioria, mas os do poder econômico. Temos uma bancada expressiva do agronegócio, embora a maior parte da população não viva desse setor; temos a bancada da bala, ligada aos interesses corporativos de policiais e militares; e temos a bancada da Bíblia, cujo propósito parece ser transformar o país em uma espécie de governo teocrático. No entanto, muitas vezes não há sequer compromisso verdadeiro com a religião, mas apenas o interesse em arrancar dinheiro de fiéis fragilizados e em crise.
Esse é o Congresso com o qual o governo precisa conviver e pelo qual acaba sendo constantemente assaltado.
Quem paga a banda escolha a música. São interesses econômicos que sustentam nossos políticos. Logo, estes políticos são funcionários desses interesses.
Não importa tanto quem o povo elege, pois o jogo é injusto. A elite compra todos os políticos eleitoralmente mais competitivos. Os que ela não compra(por vários motivos), quase nunca são eleitos.
Quando são, as elites param de jogar o joguinho da democracia liberal e viram a mesa assim como foi feito com o Alende no Chile.
Tenho uma visão um pouco diferente. Certamente, boa parte da direita representa os interesses de grandes grupos econômicos e de bilionários. Mas dizer que todos os políticos são iguais e que a escolha popular não importa acaba servindo justamente àqueles que já controlam maior poder econômico, político e midiático. Democracias imperfeitas, como a que existe atualmente nos Estados Unidos, onde as empresas podem “apoiar”, eu diria, comprar, seus candidatos, são uma receita para o fracasso e para o agravamento dos problemas sociais.
A esquerda ainda tem o benefício da dúvida, principalmente quando o candidato possui um histórico de apoio a causas vinculadas aos trabalhadores, aos pobres e aos mais vulneráveis da sociedade. O grande problema é que uma parcela significativa da população não possui consciência de classe nem conhecimentos históricos e, de certa forma, apresenta sérios problemas de interpretação de texto.
O assunto das terras raras é sério e está para além do neoliberalismo. O setor privado só se aproxima quando a tecnologia já está madura; então, bate no peito e arrota competência. Veja: os setores afetados pela taxação promovida pelo candidato à Presidência agora pedem ao governo uma solução que não passe pelo liberalismo econômico. Agora é hora de socializar.
As empresas somente irão investir se tiver um TRI superior a 20%. Para isso acontecer é necessário vender toda a produção planejada por um valor muito superior ao preço que a China oferece. Quem quer garantia estratégica vai ter que pagar mais. Empresas brasileiras relativamente consomem pouco imã e não estão afim de pagar mais, preferem comprar no mercado. Essa industria de insumos já existiu no ocidente e por questão de custos quebraram e a produção migrou tudo para a China. Hoje o Brasil tem uma demanda absurda de fósforo e potássio e tem empresas deste setor fechado as portas por aqui, como o caso da Mosaic.
O que a matéria não traz é que a partir de primeiro de janeiro de 2027 nenhum produto de defesa dos EUA pode ter procedência chinesa. Dados isso as empresas lá estão correndo para conseguir os insumos ou irão parar a indústria em 2027. O governo, além de financiar e assumir participação nas empresas de beneficiamento está garantido a USA a aquisição de 10.000 toneladas ano de oxido de neodímio a 110 dólares o kg por 10 anos. Com esse dinheiro a empresa comprou a serra verde dentro de um contrato offtaker. São 1,1 bi dólares por ano. Se a China vender o mesmo oxido por 55 dólares o kg, é um prejuízo de 600 milhões de dólares ano. É como manter os correios por 10 anos dando prejuízo. Os europeus não estão bancando isso até agora, vocês acham que é o Brasil que deve bancar essa necessidade das empresas estrangeiras.por oxido de terras raras? Isso posto, tenham as suas opiniões.
Hoje, nenhum país teria preços competitivos para lidar com a produção de terras raras sob as regras de mercado. O outro ponto, muito importante, é: dadas essas condições, é justo não precificar o custo da autonomia? Trocando em miúdos: as regras de mercado serão suficientes para nos deixar submetidos ao poder chinês?
E qual é a sua proposta? Aqui o custo de capital é maior que em outro lugar. O mercado de terras raras é ridículo de pequeno a ponto de mineradoras como a Vale o desprezarem. O mercado de petróleo é algumas milhares de vezes maior que o de terras raras. O mercado todo é o preço de 2 plataformas.
O gargalo não está em produzir, está em se ter um contrato offtaker que queira pagar muito mais caro que o chinês cobra. Sua terrabras já teria fechado
Bem, os americanos estam gastando bilhões com isso, o que mostra que é algo que bastante importante pra eles. Inclusive, estão gastando bilhões exatamente pra não ter que comprar da China. Seria bem possível poder cobrar um preço maior pelos bens do que os chineses. Ao invés disso, vamos deixar tudo sob os controle dos gringos e entregar tudo a preço de quase nada, igual aos outros ciclos de commodities que já ocorreram no Brasil.
Sim. Para eles faz todo sentido, eles tem muito a perder, eles detem o mercado de equipamentos eletrônicos de alto valor que nós não temos. Eles tem que bancar as etapas não rentáveis do processo para garantir o seu mercado maior. Mineração da bom retorno, o beneficiamento tem problema ambiental tem risco mercadológico e não é rentável. Investir na fase não rentável para resolver o problema de outro país não faz sentido. Se eles querem investir aqui excelente pois gera imposto e empregos.
Qual é o preço de quase nada? Um produto ter mais valor agregado não quer dizer que tem melhor margem. Qual é a indústria brasileira que consome óxidos de terras raras? O mundo inteiro quer comprar concentrado e óxidos de terras raras do Brasil, mas ninguém quer fazer um contrato de longo prazo pagando prêmio no preço. A empresa americana fez isso, irá investir aqui, pagar imposto e gerar emprego mesmo custo o dobro do produto chinês. Para haver a chance de avançarmos no adensamento desta cadeia é preciso que outras empresas como essa venha investir aqui. O resto é narrativa e viés cognitivo.
Depois você leia sobre o manganês da serra do navio, o que os americanos fizeram lá.
Tinha manganês para 300 anos , os americanos construiu ferrovia e um porto e retiraram todo manganês em 50 anos e levaram para o texas para suas reservas estratégicas, hoje nosso manganês esta guardado no deserto do texas.
Acredito que não seja tão simples assim já que essas compras de empresas “nacionais” ou fusão com empresas “nacionais” precisam da aprovação dos órgãos regulamentares Brasileiros e eles devem barrar essas aquisições, fusões, parcerias e etc.
Se fosse o governo Brasileiro, não seria tão amistoso para Washington no quesito terras raras…