Trump diz que petróleo venezuelano já pagou 28 vezes o custo da operação militar dos EUA
Presidente americano afirma que Washington está lucrando com a parceria energética com Caracas, mas não apresentou dados que comprovem o cálculo; estimativas independentes apontam valores consideravelmente menores
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as receitas obtidas com o petróleo venezuelano já compensaram várias vezes os custos da operação militar americana que culminou na captura de Nicolás Maduro, em janeiro de 2026.
Durante um discurso realizado no mês passado na fábrica da Mack Trucks em Macungie, no estado da Pensilvânia, Trump declarou que a ação militar teria durado “exatamente 48 minutos” e que os Estados Unidos já teriam recuperado 28 vezes o valor gasto na operação por meio da retirada e comercialização de milhões de barris de petróleo venezuelano.
“Já pagamos o custo da guerra 28 vezes”, afirmou o presidente, sem apresentar documentos, valores detalhados ou explicar quais despesas militares e receitas petrolíferas foram consideradas no cálculo.
Trump diz que Venezuela também está lucrando
O presidente americano descreveu a relação entre Washington e Caracas como uma parceria economicamente vantajosa para os dois países. Segundo ele, a Venezuela estaria obtendo receitas superiores às registradas anteriormente, enquanto os Estados Unidos também estariam “ganhando muito dinheiro” com a produção e a venda do petróleo venezuelano.
Trump afirmou ainda que o país sul-americano estaria em melhores condições econômicas e políticas sob o governo interino liderado por Delcy Rodríguez. “Eles estão ganhando mais dinheiro para o país do que jamais ganharam, e nós também estamos ganhando muito dinheiro”, declarou.
A aproximação entre Washington e Caracas ocorreu depois da operação militar de 3 de janeiro de 2026, quando forças americanas realizaram ataques em território venezuelano e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados aos Estados Unidos para responder a acusações relacionadas ao narcotráfico e ao chamado narcoterrorismo.
Produção venezuelana voltou a crescer
A produção de petróleo da Venezuela atingiu aproximadamente 1,2 milhão de barris por dia, com expectativa de chegar a cerca de 1,37 milhão de barris diários até o final de 2026. O aumento ocorreu após o relaxamento de sanções americanas, a retomada de contratos internacionais e a expansão das atividades de empresas como Chevron, Repsol e Eni.
Refinarias americanas, entre elas Phillips 66 e Valero, voltaram a negociar diretamente com a estatal Petróleos de Venezuela — PDVSA. Companhias da Índia e de outros países também retomaram ou ampliaram as compras, reduzindo a participação das grandes tradings que haviam intermediado parte significativa das exportações venezuelanas nos primeiros meses após a intervenção americana.
Em janeiro, Trump anunciou que a Venezuela entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. O governo americano também estabeleceu mecanismos pelos quais royalties e tributos federais provenientes das operações petrolíferas seriam depositados em fundos administrados por Washington.
Falta transparência sobre receitas do petróleo
Embora Trump afirme que os Estados Unidos já recuperaram 28 vezes o custo da operação, os números disponíveis publicamente não permitem confirmar essa proporção.
Estimativas do Financial Times indicam que o governo americano teria arrecadado mais de US$ 13 bilhões com vendas de petróleo venezuelano desde janeiro. No entanto, ainda não está claro quanto desse montante foi destinado à Venezuela, quanto permaneceu em contas controladas pelos Estados Unidos e quanto poderia ser classificado como receita líquida americana.
Segundo o jornal, apenas cerca de US$ 300 milhões apareciam formalmente registrados como transferidos à Venezuela, embora autoridades americanas afirmassem que bilhões de dólares haviam sido empregados no pagamento de salários, manutenção de serviços essenciais e apoio à economia venezuelana. Parlamentares republicanos e democratas passaram a exigir maior transparência sobre a administração desses recursos.
Estudo estima custo militar de pelo menos US$ 4,7 bilhões
Um estudo do projeto Costs of War, da Universidade Brown, estimou que as operações militares americanas relacionadas à Venezuela, ao Caribe e ao Pacífico Oriental custaram pelo menos US$ 4,7 bilhões entre agosto de 2025 e março de 2026. O cálculo inclui tanto a Operação Southern Spear quanto a Operação Absolute Resolve, que resultou na captura de Maduro.
Uma comparação direta entre essa estimativa e os US$ 13 bilhões em receitas petrolíferas apontados pelo Financial Times resultaria em uma proporção próxima de 2,8 vezes — e não 28 vezes. Essa comparação, entretanto, é apenas indicativa, porque os números abrangem períodos, operações e categorias financeiras diferentes.
Trump pode estar considerando somente o custo da incursão que capturou Maduro, excluindo o bloqueio marítimo, o deslocamento antecipado de forças, a vigilância aérea e naval e outras atividades conduzidas durante meses na região. Até o momento, porém, a Casa Branca e o Pentágono não divulgaram uma contabilidade detalhada capaz de sustentar o cálculo apresentado pelo presidente.
Petróleo tornou-se eixo da política americana para a Venezuela
Desde a queda de Maduro, o petróleo passou a ocupar posição central na política de Washington para a Venezuela. O governo Trump defende que a entrada de empresas estrangeiras, a recuperação da infraestrutura e a venda do petróleo a preços internacionais poderão financiar a reconstrução econômica do país.
Apesar do crescimento da produção, investidores continuam cautelosos devido à insegurança jurídica, à deterioração da infraestrutura, às disputas sobre propriedades anteriormente nacionalizadas e à falta de independência do sistema judicial venezuelano. Grandes companhias ainda evitam comprometer dezenas de bilhões de dólares sem garantias políticas e contratuais de longo prazo.
As declarações de Trump reforçam a narrativa de que a operação militar não apenas atingiu seus objetivos políticos e estratégicos, mas também teria produzido retorno econômico para os Estados Unidos. Os dados disponíveis confirmam a recuperação parcial da produção e o aumento das receitas petrolíferas, mas ainda não comprovam a alegação de que o custo da intervenção tenha sido recuperado 28 vezes.■

Não é a toa que dizem: “Roubar é a forma mais rápida de enriquecer”
Isso mesmo cumpanhero
O que assusta é a complacência dos países liberais, do chamado “mundo civilizado” e da própria ONU, que se recusam a escrutinar a atuação de um governo tresloucado de extrema direita, disposto a tutelar outro país e, até onde se sabe, a se apropriar do dinheiro obtido com a venda de petróleo, enquanto os verdadeiros proprietários, o povo venezuelano, não veem a cor do dinheiro que lhes pertence.
Isso tem cara, cheiro e jeito de roubo. Em um fim melancólico, o país que durante anos se apresentou como guia e referência moral para o mundo já não consegue esconder a distância entre o discurso que proclama e as práticas que adota.
Duvido muito que a Europa e alguns outros países como Japão falem alguma coisa, por sinal devem estar esperando alguma sobra. O colonialismo está na medula de toda essa turma aí e o dito Sul global que não conte com eles. Esse pessoal aí só respeita artefato nuclear.
E agora bloqueando os estreitos o preço aumenta e o resto do mundo paga esse lucro.
Sempre foram parceiros em crimes. Os EUA elegeram um dono de cassino cono presidente, ou seja, um gangster, pedof1lo e criminoso contra a humanidade.
Não é coisa de Trump e extrema direita. Os EUA sempre foram assim na América Latrina.
Comentário perfeito.
ladrão declarado
O mais forte tem o direito de dobrar o mais fraco a sua vontade. Trump pegou Maduro, Xandao prendeu Bonoro. O mundo é assim, supere. Falador passa mal.
“Trump diz que petróleo venezuelano já pagou 28 vezes o custo da operação militar dos EUA”.
Presidente americano afirma que Washington está lucrando com a parceria energética com Caracas, mas não apresentou dados que comprovem o cálculo; estimativas independentes apontam valores consideravelmente menores.
“o que esse senhor fala não se escreve”…
Esse Velho é tão confiável quanto um filho de Adhemar de Barros com Leona Helmsley…
Mas se ele diz que “já pagou 28 vezes o custo da operação militar dos EUA”, quem sou eu para contestar?!
Para um homem que aumentou muito sua fortuna desde que voltou à presidência dos Estados Unidos, com um ganho de pelo menos US$ 2,2 bilhões em seu primeiro ano de mandato e um patrimônio total estimado em cerca de US$ 6,5 bilhões pela Forbes, ninguém pode por em dúvida seus cálculos exatos…
Oque esse homem e sua gangue deve estar ganhando no mercado de petróleo não deve ser brincadeira!
Manipulação do mercado é certeza!
O petróleo sobe e desce com suas declarações, com seu cessar-fogo, com seus ataques, com seu novo cessar-fogo…