Humboldt e a invenção da universidade moderna: como o modelo alemão transformou o ensino superior mundial

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Humboldt

Criado em Berlim no início do século XIX, o ideal que uniu ensino, pesquisa e liberdade acadêmica influenciou universidades da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia — mas sua história é mais complexa do que sugere o chamado “modelo humboldtiano”

A universidade contemporânea parece inseparável da pesquisa científica. Professores publicam estudos, laboratórios formam estudantes, programas de pós-graduação produzem conhecimento e o ensino deve acompanhar as descobertas mais recentes. Essa associação, porém, nem sempre existiu.

Durante séculos, muitas instituições europeias dedicaram-se principalmente à transmissão de conhecimentos já consolidados, à formação do clero e à preparação de profissionais para o direito, a medicina e a administração pública. A transformação da universidade em um lugar onde o conhecimento também deveria ser produzido ganhou força no início do século XIX, especialmente nos territórios alemães.

No centro dessa mudança estava o filósofo, linguista e estadista prussiano Wilhelm von Humboldt, responsável pela organização da Universidade de Berlim, aberta em 1810. A instituição, hoje denominada Universidade Humboldt de Berlim, tornou-se o símbolo de um modelo que combinava investigação científica, formação intelectual, autonomia acadêmica e participação dos estudantes na busca pelo conhecimento.

A influência dessa concepção atravessou fronteiras. Adaptada por diferentes países, ela ajudou a formar a universidade de pesquisa americana, inspirou reformas na Europa e participou da modernização universitária japonesa. Seus princípios permanecem presentes na pós-graduação, nos seminários, nos laboratórios e na noção de que professores universitários devem simultaneamente ensinar e investigar.

Uma universidade nascida da crise prussiana

A Universidade de Berlim surgiu em um momento de profunda crise política. A Prússia havia sido derrotada pelas forças de Napoleão em 1806 e iniciou um amplo processo de reorganização administrativa, militar e educacional.

A criação de uma nova universidade na capital integrou esse esforço de reconstrução. O objetivo era fortalecer o Estado e formar servidores, professores e intelectuais, mas sem transformar a instituição em uma simples escola profissional submetida às necessidades imediatas do governo.

Humboldt defendia que o Estado deveria financiar e proteger a universidade, mas evitar interferir diretamente no conteúdo da investigação. A aparente contradição — uma instituição pública que precisava manter independência diante do próprio poder público — tornou-se uma das características mais importantes e mais difíceis de preservar do novo sistema.

O conhecimento, nessa concepção, possuía valor próprio. A ciência poderia beneficiar a economia, o governo ou a defesa nacional, mas não deveria existir apenas para atender a uma finalidade previamente determinada.

A universidade precisava de espaço para investigar questões cujas aplicações ainda não fossem evidentes. Descobertas relevantes poderiam surgir precisamente porque pesquisadores tiveram liberdade para estudar problemas que não apresentavam utilidade econômica ou política imediata.

Conhecimento não era algo acabado

Um dos textos fundamentais de Humboldt sobre a organização da Universidade de Berlim estabelece uma diferença entre escola e universidade.

A escola transmitiria conhecimentos considerados relativamente consolidados. A universidade, por sua vez, deveria tratar a ciência como um problema ainda não resolvido, mantendo professores e estudantes permanentemente envolvidos na investigação.

Para Humboldt, o professor não existia apenas para servir ao aluno, nem o estudante deveria limitar-se a receber passivamente o conteúdo apresentado pelo docente. Ambos estariam reunidos em função da ciência e da busca por conhecimento.

Essa formulação alterava profundamente a relação pedagógica. O estudante universitário deixava de ser visto apenas como alguém que precisava memorizar respostas. Deveria aprender a formular perguntas, avaliar evidências, contestar explicações e participar da construção do saber.

O ensino deixava, portanto, de ser uma repetição de manuais. Uma aula universitária deveria incorporar os problemas, métodos e incertezas enfrentados pela disciplina naquele momento.

A união entre ensino e pesquisa

O princípio mais conhecido do modelo humboldtiano é a unidade entre ensino e pesquisa, expressa em alemão como Einheit von Lehre und Forschung.

O professor universitário deveria produzir conhecimento novo e levar essa atividade para a sala de aula. O estudante, sobretudo nos níveis mais avançados, seria gradualmente introduzido na investigação por meio de seminários, laboratórios, trabalhos escritos e contato direto com pesquisadores.

Esse princípio ajudou a consolidar a figura moderna do professor-pesquisador. Também contribuiu para a expansão da pós-graduação e para a ideia de que a formação universitária deve ensinar não apenas os resultados da ciência, mas seus métodos.

A pesquisa não era imaginada como uma atividade separada, realizada em uma estrutura distante dos estudantes. Ela deveria alimentar o ensino, enquanto o processo de ensinar e orientar novos investigadores também estimularia a produção científica.

Na prática, essa união nunca foi perfeita. Professores podem dedicar-se mais à pesquisa do que ao ensino, enquanto estudantes dos primeiros anos frequentemente têm pouco contato com projetos científicos. Ainda assim, a expectativa de que uma universidade de excelência combine essas duas atividades tornou-se uma referência internacional.

Liberdade para ensinar e aprender

Outro componente central era a liberdade acadêmica. O sistema alemão passou a associar duas ideias complementares: a liberdade de ensinar, ou Lehrfreiheit, e a liberdade de aprender, denominada Lernfreiheit.

A primeira protegia o professor na escolha dos temas, métodos e conclusões de sua investigação. O docente não deveria ser obrigado a ajustar seu trabalho a doutrinas religiosas, interesses econômicos ou orientações políticas.

A segunda concedia ao estudante maior liberdade para escolher professores, disciplinas e percursos de formação. Em sua formulação ideal, isso significava uma ruptura com currículos inteiramente rígidos, nos quais todos eram obrigados a seguir exatamente o mesmo itinerário.

Liberdade acadêmica, entretanto, não significava ausência de padrões. A investigação precisava seguir métodos reconhecidos, apresentar evidências e sujeitar-se à avaliação da comunidade científica.

A European University Association continua definindo a liberdade acadêmica como a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e comunicar os resultados do trabalho científico. A entidade ressalta que ela constitui simultaneamente um direito e uma responsabilidade, condicionada por padrões científicos, profissionais e éticos.

Bildung: educação além da formação profissional

A palavra alemã Bildung ocupa uma posição fundamental no pensamento de Humboldt. Sua tradução como “educação” é incompleta. O termo envolve formação cultural, desenvolvimento intelectual, construção da personalidade e capacidade de exercer julgamento autônomo.

A universidade não deveria preparar apenas um advogado, médico, professor ou servidor público. Deveria formar uma pessoa capaz de pensar criticamente, compreender diferentes campos do conhecimento e continuar aprendendo ao longo da vida.

Humboldt não ignorava a necessidade de competências profissionais. Sua objeção dirigia-se à transformação da universidade em uma instituição cuja única função fosse fornecer treinamento imediatamente aplicável ao mercado de trabalho.

O domínio de uma técnica poderia tornar-se obsoleto. A capacidade de investigar, raciocinar e aprender permitiria ao indivíduo adaptar-se a problemas ainda desconhecidos.

Daí a defesa de uma formação relativamente abrangente, integrando ciências naturais, humanidades, filosofia, história e artes. O conceito alemão de Wissenschaft abrangia tanto as ciências da natureza quanto os estudos humanísticos, sem estabelecer entre eles a divisão rígida que posteriormente marcaria parte da organização universitária.

A universidade como comunidade científica

O modelo também concebia a universidade como uma comunidade de professores e estudantes organizada em torno da investigação.

Embora Humboldt tenha ressaltado a necessidade de “liberdade e solidão” para o trabalho intelectual, ele também reconhecia que o conhecimento avança por meio da cooperação. A descoberta de um pesquisador inspira o trabalho de outros, gera críticas, abre novos problemas e cria linhas de investigação.

Essa combinação entre independência individual e colaboração institucional ainda caracteriza a atividade científica. O pesquisador precisa de liberdade para desenvolver ideias próprias, mas depende de bibliotecas, laboratórios, colegas, estudantes, financiamento e redes internacionais.

A universidade deveria criar as condições para que essa colaboração ocorresse sem ser completamente dirigida por finalidades externas. O Estado poderia sustentar a instituição porque reconhecia sua importância pública, mas deveria aceitar que nem todo resultado científico poderia ser antecipado ou controlado.

Da Alemanha para a Europa

A Universidade de Berlim tornou-se progressivamente uma referência, mas a disseminação do sistema não ocorreu pela simples cópia de um projeto único.

Universidades da Europa Central, Oriental e Setentrional incorporaram diferentes elementos associados ao modelo alemão: autonomia acadêmica, liberdade de estudo, seminários especializados, laboratórios, doutorados voltados à pesquisa e valorização da produção científica dos professores.

O sistema competia com outros modelos. Na França pós-revolucionária, por exemplo, as grandes écoles foram organizadas com maior centralização estatal e forte orientação para a formação de engenheiros, administradores e integrantes das elites técnicas.

O modelo britânico preservava características residenciais e colegiais, enfatizando a formação geral e a vida comunitária dos estudantes. Já o sistema alemão valorizava a especialização disciplinar, a investigação e uma relação mais livre entre professor e aluno.

A universidade moderna surgiria da combinação desses sistemas, e não da vitória completa de um deles.

A transformação das universidades americanas

A influência alemã foi especialmente importante nos Estados Unidos. Durante o século XIX, quase 10 mil americanos viajaram à Alemanha para estudar em universidades reconhecidas por sua pesquisa e pelo sistema de doutorado.

Muitos retornaram ao país e assumiram cargos de professores, reitores ou presidentes de universidades. Eles trouxeram experiências relacionadas aos seminários, à especialização disciplinar, à pós-graduação e à exigência de produção original para a obtenção de títulos acadêmicos.

Fundada em 1876, a Universidade Johns Hopkins tornou-se a instituição mais frequentemente associada à introdução sistemática da universidade de pesquisa nos Estados Unidos. A própria universidade afirma ter integrado ensino e pesquisa, atribuindo grande importância à formação de pós-graduação segundo a experiência alemã.

O modelo americano, contudo, não foi uma reprodução exata da Universidade de Berlim. Os Estados Unidos combinaram a tradição alemã do doutorado e da pesquisa com elementos dos colleges britânicos, da educação geral, das universidades públicas e das instituições privadas financiadas por doações.

A historiadora Emily Levine descreve o resultado como uma instituição híbrida, criada por meio da colaboração e da competição entre acadêmicos alemães e americanos. Esse modelo americano alcançou projeção mundial durante o século XX e tornou-se referência para universidades de pesquisa em numerosos países.

O modelo alemão chega ao Japão

A influência também alcançou a Ásia. Durante a Era Meiji, iniciada em 1868, o Japão buscou modelos estrangeiros para modernizar suas instituições, sua burocracia e sua capacidade científica.

As universidades imperiais japonesas foram influenciadas por diferentes tradições ocidentais, mas a experiência alemã ganhou relevância em áreas como medicina, direito, ciência e organização do ensino superior.

A Universidade Imperial de Tóquio contou com dezenas de professores alemães, enquanto estudantes e pesquisadores japoneses viajaram à Alemanha para completar sua formação. O sistema universitário foi utilizado tanto para promover a ciência quanto para preparar funcionários capazes de administrar um Estado em acelerada modernização.

Assim como nos Estados Unidos, o Japão adaptou as referências estrangeiras às suas próprias prioridades. A autonomia acadêmica conviveu com uma forte orientação estatal, e as universidades imperiais desempenharam papel importante na formação das elites administrativas e técnicas.

A experiência japonesa demonstra que a influência humboldtiana raramente resultou na adoção integral de todos os seus princípios. Cada país selecionou os elementos considerados compatíveis com seus objetivos políticos, científicos e econômicos.

Seminários, laboratórios e doutorados

A herança mundial do sistema alemão pode ser observada em práticas hoje consideradas normais.

O seminário, no qual um grupo reduzido analisa textos, apresenta pesquisas e discute interpretações, tornou-se um instrumento fundamental nas humanidades e nas ciências sociais.

Nas ciências naturais e na medicina, laboratórios universitários passaram a reunir pesquisa, formação e trabalho coletivo. Estudantes aprendiam participando de experimentos e projetos conduzidos por professores.

O doutorado também assumiu sua forma moderna como título baseado na produção de uma contribuição original ao conhecimento. O candidato precisava demonstrar que era capaz de realizar pesquisa independente, e não apenas de dominar conteúdos já conhecidos.

Revistas científicas, sociedades especializadas e departamentos organizados por disciplinas completaram a estrutura que transformou as universidades em centros permanentes de produção científica.

O princípio humboldtiano não criou sozinho todas essas instituições, mas forneceu uma linguagem capaz de uni-las: a universidade deveria investigar, e o ensino superior deveria formar pessoas capazes de participar dessa investigação.

O “mito de Humboldt”

Historiadores alertam que a narrativa tradicional exagera o papel individual de Wilhelm von Humboldt.

A Universidade de Berlim não surgiu exclusivamente de suas ideias. Pensadores como Immanuel Kant, Johann Gottlieb Fichte e Friedrich Schleiermacher participaram do debate sobre a natureza e a finalidade da universidade.

Algumas práticas associadas ao modelo já existiam antes de 1810. O seminário de pesquisa, por exemplo, havia sido desenvolvido em Göttingen ainda no século XVIII. Outras características apareceram décadas depois: os grandes institutos científicos, com laboratórios, equipamentos e divisão especializada do trabalho, ganharam força sobretudo nas décadas de 1860 e 1870.

Os textos de Humboldt sobre a universidade também não circularam amplamente durante boa parte do século XIX. Seu nome passou a representar mais claramente o ideal da universidade alemã por volta de 1900, quando acadêmicos procuravam defender uma tradição humanista diante da expansão do ensino, da especialização e da burocratização.

O historiador Mitchell Ash descreve esse processo como a criação de um “mito de Humboldt”: não uma falsificação completa, mas a reunião retrospectiva de diferentes ideias, instituições e práticas sob o nome de um único reformador.

Portanto, é mais preciso compreender o modelo humboldtiano como um ideal histórico construído ao longo do tempo. Humboldt foi decisivo, mas não inventou sozinho a universidade de pesquisa moderna.

O desafio da universidade de massa

O sistema idealizado no início do século XIX destinava-se a uma parcela pequena da população. Professores trabalhariam diretamente com grupos reduzidos de estudantes, em uma comunidade relativamente seletiva e voltada à investigação.

A expansão do ensino superior no século XX alterou essas condições. Universidades passaram a receber dezenas de milhares de alunos, oferecer centenas de cursos e responder a demandas de formação profissional, mobilidade social e desenvolvimento econômico.

A união entre ensino e pesquisa tornou-se mais difícil. Em grandes instituições, parte dos estudantes pode concluir a graduação sem participar diretamente de um projeto científico. Ao mesmo tempo, pesquisadores pressionados por financiamento e produtividade podem reduzir sua dedicação ao ensino.

A especialização também fragmentou o conhecimento. O ideal de uma universidade capaz de reunir as ciências e as humanidades em uma visão intelectual comum tornou-se difícil de sustentar diante do crescimento das disciplinas.

Ainda assim, o modelo permanece como referência crítica. Quando universidades se afastam demais do ensino, da pesquisa livre ou da formação abrangente, o nome de Humboldt costuma reaparecer como lembrança de uma missão que estaria sendo perdida.

Entre a liberdade científica e as exigências do mercado

As universidades contemporâneas são cobradas para gerar patentes, formar profissionais rapidamente, criar empresas, atrair investimentos e contribuir para objetivos econômicos e estratégicos.

Essas atividades não são necessariamente incompatíveis com a pesquisa. O problema surge quando toda investigação passa a ser julgada exclusivamente por seu retorno financeiro imediato.

Áreas fundamentais podem exigir décadas até produzir aplicações. Outras, sobretudo nas humanidades, contribuem para a sociedade por meio da compreensão histórica, cultural e política, sem gerar necessariamente um produto comercial.

O princípio humboldtiano recorda que a universidade presta um serviço público precisamente porque pode estudar questões que governos, empresas ou mercados talvez não estejam dispostos a financiar por conta própria.

Ao mesmo tempo, a universidade não pode isolar-se completamente da sociedade. A própria instituição de Berlim nasceu de um projeto nacional e dependia do Estado. Desde sua origem, portanto, existia uma tensão entre a busca desinteressada do conhecimento e as necessidades práticas da comunidade que sustentava a universidade.

Uma influência que ultrapassou a Alemanha

A maior contribuição do modelo humboldtiano talvez tenha sido alterar a resposta para uma pergunta elementar: qual é a função de uma universidade?

Ela não deveria apenas conservar livros, transmitir doutrinas ou conceder diplomas profissionais. Deveria produzir conhecimento, formar novos pesquisadores e oferecer condições para que professores e estudantes investigassem problemas ainda sem solução.

Esse princípio ajudou a criar a universidade de pesquisa que se difundiu pela Alemanha, foi adaptada nos Estados Unidos, influenciou a modernização japonesa e, por meio dessas diferentes experiências, alcançou sistemas universitários em todo o mundo.

Sua disseminação não foi linear, nem ocorreu sem contradições. A liberdade acadêmica conviveu com o financiamento estatal; a formação humanista, com a preparação profissional; a pesquisa pura, com interesses industriais e militares; a autonomia institucional, com burocracias e controles políticos.

Mais de dois séculos depois da abertura da Universidade de Berlim, as universidades enfrentam pressões muito diferentes das conhecidas por Humboldt. Mas a questão central permanece atual: como preservar um espaço no qual o conhecimento possa ser buscado com liberdade, rigor e independência, mesmo quando seus resultados ainda são imprevisíveis?

O chamado modelo humboldtiano não oferece uma fórmula pronta para responder a esse desafio. Sua influência mundial reside justamente em ter estabelecido o princípio segundo o qual a universidade não existe apenas para ensinar aquilo que a humanidade já sabe, mas para ajudá-la a descobrir aquilo que ainda não sabe.■



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Francisco
Francisco
12 dias atrás

infelizmente o Brasil adotou um modelo totalmente diferente…isso explicar muito pq não conseguimos dá o grande salto de desenvolvimento como nação. A grande sabedoria da China foi adota o sistema Humboldt e adapta-lo a sua cultura, hoje ela ta colhendo os frutos de um trabalho que começou a decadas.

Hamom
Hamom
Responder para  Francisco
12 dias atrás

Mesmo assim: As universidades públicas respondem por cerca de 90% a 95% de toda a produção científica e das pesquisas de ponta no Brasil.

Sem universidades públicas o Brasil estaria muito pior…

Última edição 12 dias atrás por Hamom
Camargoer.
Camargoer.
Responder para  Hamom
12 dias atrás

Olá Hamon.

Existe uma jabuticaba que é extremamente doce e so existe no Brasil chamado “Iniciação Científica”. Claro que estudantes de graduação participam de projetos de pesquisa em outros países, geralmente colaborando com um pos-doc ou um doutorando.. mas o sistema brasileiro no qual o estudante de graduação tem um projeto é algo inovador que so existe no Brasil, talvez graças ao modelo da FAPESP que serviu de modelo para outros estados.

A universidade no Brasil é tao tardia quando o seu capitalismo. Nossa revolução burguesa aconteceu em 1930. É um fato histórico que explica muita coisa mas depois de quase 100 anos já justifica pouco. Os sucessivos períodso de ditadura afetaram nossa organização política/partidária e também afetou nossa estrutura de ensino superior.

Assim como em outros países, temos uma elite de 20~30 univesidades que lideram todo o processo e depois cerca de 200~300 instituições que sustentam o sistema. Ao contrário da Alemanha, o Brasil tem uma grande mobilidade.. estudantes ingressam nas universidades periféricas e conseguem chegar ás universidades centrais. Esta mobildade é outra jabuticaba doce.

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ln(0)
Responder para  Hamom
11 dias atrás

Se vc tiver livros ou artigos poderia compartilhar aqui?

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Responder para  Hamom
11 dias atrás

Mas volume não é sinônimo de qualidade, qual a razão entre essa produção e citação?

Lucena
12 dias atrás

Com o advento da IA …que pode vim a ser as universidades no futuro? .. o seu papel com certeza deve ser repensado.
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A educação como um todo …principalmente a fundamental , as escolas em geral …o que poderá ser o papel dessas instituições para a humanidade ?

Camargoer.
Camargoer.
Responder para  Lucena
12 dias atrás

Olá Lucena.
A IA é uma ferramenta facilitadora de coletar e organizxar inforamção. Ela não é capaz de gerar informação nova.

Para o que entendemos como ensino superior ou universidade, a IA é mais uma ferramenta (eu uso bastante) mas é só isso. A internet na década de 90 teve mais impacto na universidade que esta tendo,

De modo simplificado, a IA é uma nova prensa de Guttemberg.

lucena
Responder para  Lucena
12 dias atrás

Sr. Camargoe.
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Infelizmente muitas universidade em especial a do Brasil, seja particular ou pública, perderam aquela capacidade de ser um instrumento de inovação disruptivo, lembrando que muita tecnologia que vemos hoje advém das universidade, contudo , muitas delas só forma profissionais de nível superior.
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As universidade creio eu ..são local para fomentar e induzir novas ideias que levem as sociedades a novos horizontes não necessariamente a tecnologia mais em novos pensamentos que elevem a capacidade de evoluir a sociedade.
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Hoje a maior crise da sociedade moderna …. é como a humanidade deve conviver coletivamente sem se agredir e conservar o meio ambiente e paralelamente e fazendo isso tudo .. com os novos processos de produção sem afetar ela mesma e o meio ambiente.
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Traduzindo …a sociedade civilizada, como um todo, está em uma iminência de uma crise existencial.

Hamom
Hamom
12 dias atrás

Um modelo de sucesso no Brasil é a parceria público/privado do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) – Uma associação civil sem fins lucrativos de direito privado que recebe recursos públicos federais para manter suas atividades e gerenciar laboratórios estratégicos (como o *Sirius).

Possui forte ligação com a Unicamp por meio de parcerias de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e uso científico compartilhado por seus docentes e estudantes

*”Sirius é a avançada fonte de luz síncrotron brasileira de quarta geração, localizada em Campinas (SP)”

Última edição 12 dias atrás por Hamom
Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano
11 dias atrás

Que gostoso ler um artigo desses no ForTe. Quase engasguei de emoção ao ler sobre bildung/formação, o verdadeiro ponto fulcral da coisa, que nem demandaria universidade, embora pulse, aqui e ali, aquela visão utilitarista (positivista, também) que submete o conhecimento a uma heteronomia, a um ser pra outro. Mas lembremos que Adorno revelou que halbbildung, semiformação, é o fundamento da barbárie que se ergueu com o capitalismo industrial e as guerras imperialistas: não a toa a liberdade em conhecer ajudou, lá no XIX, a erguer EUA, Alemanha e Japão, que depois de violarem a natureza e a humanidade por uns cinquenta ou cem anos, se trucidaram sem dó. Ensino e formação, entretanto, não são sinônimos – Adorno, novamente ele, dentre aqueles da chamada Escola de Frankfurt original, escreveu muito sobre isso, e nem ouso tentar, dada minha completa incompetência como pensador, um resumo de suas conclusões. Mesmo porque, desde então, depois dos 70 do XX (Adorno morreu em 1969), a água rolou sob a ponte, e o capitalismo mudou de pele e tudo mais pra que tudo permanecesse como antes, e nem tudo revelado antes se aplica atualmente sem mediações. Hoje, pesa inquestionada sobre os corpos docentes e discentes universitários a disciplina neoliberal do rendimento, a necessidade de produzir regularmente algo que seja útil ao mercado, ao capital. Essa perversao da missão da universidade certamente traz consequências, e a mais visível é o espraiamento do formalismo irresponsável que será responsável pela barbárie contemporânea como o foi da passada. Um ser formado cuida da natureza e da espécie tanto quanto cuida de si e de seu grupo – essa responsabilidade, quase religiosa no seu ímpeto a reconciliação, é anátema entre os bárbaros contemporâneos, apocalipticamente solipsistas e rentistas. De toda forma, um assunto interessantíssimo, muito pertinente e pregnante, que abrilhanta toda mídia que o ventilar.

BraZil
BraZil
11 dias atrás

O Brasil não fica atrás em termos de inovação. Por aqui o modelo educacional padrão Paulo Freire, aliado a atuação de vários ministros da educação e cultura que foram integrantes de movimentos revolucionários extremistas, tem criado um modelo de educação bem peculiar, abrangendo desde a educação de base até o ensino superior…

Victor Carvalho
Victor Carvalho
Responder para  BraZil
11 dias atrás

O “modelo Paulo Freire” não consegue ser nem aplicado nas universidades públicas, quem dirá na educação básica. Que “modelo de educação bem peculiar” seria este? Explique melhor!

José de Souza
José de Souza
Responder para  Victor Carvalho
11 dias atrás

As pessoas simplesmente não entendem que o “modelo Paulo Freire” é simplesmente ALFABETIZAÇÃO (o que talvez, na verdade, explique tudo…)!

Última edição 11 dias atrás por José de Souza
NBS
NBS
10 dias atrás

A experiência alemã mostra que nenhum país se desenvolve mantendo o conhecimento restrito às elites, como ocorreu no caso de D. Pedro II, que recebeu uma educação esmerada, ministrada em casa e sob medida.
A escolarização obrigatória começou antes da Revolução Industrial e também serviu aos interesses do Estado. Posteriormente, foi adaptada para formar trabalhadores disciplinados e capazes de lidar com máquinas e ferramentas.
Esse modelo educacional incorporou a pesquisa, a liberdade acadêmica e a formação intelectual autônoma.
Foi dentro dessas instituições que a Alemanha construiu grande parte de seus avanços científicos e tecnológicos.
Agora, setores da extrema direita defendem o homeschooling e o afastamento do sistema educacional comum.
A ironia está em atacar justamente a escola que produziu os conhecimentos dos quais eles próprios se beneficiam.
Orlando Villas-Bôas indigenistas disse sobre como se dá a educação dos povos indígenas, na qual o aprendizado ocorre quando surge a indagação, a epifania do desejo de saber. Esse modelo de educação, contudo, não produziu o conjunto de conhecimentos sistematizados da modernidade.
Entendo que a educação deve ser sistematizada, ampla e acessível a todos os membros da sociedade. E aqui entra uma convicção pessoal: ela precisa ir além da educação para o domínio de técnicas; precisa ser libertadora.
A escola formal precisa ser democratizada e aperfeiçoada, e não desmontada para aprisionar crianças em bolhas familiares.