Asfixia logística da Crimeia e no Mar de Azov por ataques de drones a partir de maio de 2026

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Crimea attacks - 2

Por Rodolfo Queiroz Laterza*

1 – Contexto fático e situacional da pressão logística sobre a Crimeia e o desenvolvimento dos ataques à retaguarda russa na península

Os ataques intensivos à Crimeia, que levaram aos problemas atuais, não ocorreram de repente e são decorrentes de uma estratégia consistente, sistemática e de longo prazo das forças ucranianas com planejamento, coordenação e suporte técnico e de inteligência em amplo espectro da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN.

As forças ucranianas integradas às estruturas de comando, controle, inteligência , logística e reconhecimento da OTAN implementaram consistentemente uma estratégia de bloqueio da península de vários lados, com ataques diários, múltiplos e sucessivos à infraestrutura crítica na península, depreciando a defesa aérea, a infraestrutura de transporte modal e energética, com consequências econômicas, sociais e psicológicas de impacto estratégico para a Rússia na condução de suas operações de guerra.

Conforme alertado pelo canal Rybar, desde meados do ano passado, as Forças Armadas da Ucrânia iniciaram uma luta direcionada contra a comunicação da Crimeia e da região do Krai de Krasnodar através de ataques sistemáticos de drones à infraestrutura portuária com o objetivo de enfraquecer o fluxo de mercadorias e a navegação.

Isso não levou ao colapso de toda a logística marítima, mas a conexão de drones não tripulados a petroleiros e, posteriormente, de drones a navios no Mar de Azov, criou muitos problemas na forma de aumento do preço do frete, do valor dos prémios de seguro e acarretando uma diminuição do número de pessoas e embarcações dispostas a entrar nos portos russos na região.

Ao mesmo tempo, as Forças Armadas da Ucrânia atingiram metodicamente as refinarias e as bases de transbordo na Crimeia e na costa da área de Krai de Krasnodar. A mesma cidade de Feodósia foi atacada por drones durante meses, alvejando sistemas de defesa aérea e radares, bem como as instalações petroquímicas em Kuban, também atingidas em junho deste ano com fortes danos.

Isso levou a que o armazenamento de combustível na península se tornasse praticamente impossível devido à ameaça permanente de ataques. Dessa forma, a região da Crimeia ficou ainda mais dependente de fornecimentos de fora, gerando pressão logística.

Diante de sucessivos ataques, quando a comunicação por mar se tornou difícil e não havia muito combustível na Crimeia, as Forças Armadas da Ucrânia começaram  ataques ao corredor terrestre com drones de médio alcance, o que levou a interrupções maciças no fornecimento de combustível à península.

Paralelamente, as forças ucranianas com apoio participação ampla da OTAN, atacaram ativamente a infraestrutura ferroviária tanto na Crimeia como na região sul de Zaporozhye e Kherson, o que afetou regularmente a comunicação ferroviária.

Ao longo do mês de junho, após a concretização parcial dos objetivos de um colapso de combustível e problemas de fornecimento de energia, as forças ucranianas com apoio da OTAN podem migrar para a fase final da sua campanha de longo prazo, cujo objetivo final é a destruição da Ponte da Crimeia, levando a um isolamento logístico pleno da península.

Nesta fase operacional, o sucesso das forças ucranianas é apenas tático, que, através da mídia, é apresentado como uma derrota estratégica da Rússia. Os drones isoladamente não conseguirão fazer os ucranianos entrar na Crimeia ou na Berdyansk  – para isso é necessária uma operação terrestre com a utilização de pessoal, casa vez mais escasso na estrutura das Forças Armadas da Ucrânia.

No entanto, a janela de oportunidades para tal manobra das Forças Armadas da Ucrânia vai diminuindo conforme as forças russas estabeleçam posições de defesa de ponto com sistemas antidrones, guerra eletrônica e melhor organização dos grupos móveis de defesa aérea. E no caso de uma resposta adequada na forma de ataques metódicos às forças ucranianas e intensificação dos ataques à infraestrutura de combustível e logística da  Ucrânia e de forma decisiva, as forças russas poderão estabilizar os problemas operacionais na área, como fizeram na Criméia ou em Belgorod, embora o estresse psicossocial e os danos econômicos e reputacionais ao Kremlin sejam bem elevados..

Neste contexto, na noite de 21 de junho, as forças ucranianas lançaram outro ataque maciço à Crimeia. A julgar pelo caráter do ataque, o objetivo principal foi novamente o nó de transporte e logística de Kerch — a área da Ponte de Kerch, o porto, a travessia e a infraestrutura ferroviária e de combustível adjacente.

Em meio a relatos de funcionamento da defesa aérea e explosões em Kerch, Dzhankoy, Simferopol e outras regiões da península, o tráfego na Ponte de Kerch foi interrompido por mais de sete horas, e no leste do Crimeia foram registrados incêndios e atividade intensa da defesa aérea. *Segundo dados oficiais, o ataque de 21 de junho deixou quatro mortos e 28 feridos.

Após o ataque de drones, uma base de petróleo em Kerch e o porto de Cáucaso foram incendiados.

Uma análise de OSINT do canal Telegram Astra mostrou que a base de petróleo do porto comercial de Kerch estava a arder. Esta base, localizada a menos de um quilómetro da Ponte da Crimeia, é usada para armazenar e transbordar produtos petrolíferos através do Estreito de Kerch e também fornece combustível a navios e ferries boat na travessia “Crimeia – Cáucaso.

Um incêndio também começou no porto de Cáucaso (Krasnodar Krai), localizado em frente a Kerch, na margem russa do Estreito de Kerch.

Além dos objetos acima mencionados, as metas de tais ataques ao longo de junho incluíram a infraestrutura energética, e houve relatos de interrupções de energia em várias regiões da Criméia durante vários dias, incluindo Sevastopol e Simferopol.

Portanto, as forças ucranianas com participação de meios e inteligência da OTAN continuam  a campanha de isolar o Crimeia e destruir a sua sustentabilidade logística . Embora ainda não haja ataques à própria Ponte de Kerch, o objetivo é paralisar o funcionamento de toda infraestrutura modal de Kerch, abrangendo portos, travessias, terminais, instalações de combustível e acessos ao Estreito de mesmo nome.

Tal como os anteriores, o ataque atual deve ser considerado não como um episódio isolado, mas como parte de uma pressão sistemática sobre a estrutura de transporte da Crimeia , onde a Ponte de Kerch, a travessia de ferry e a infraestrutura associada constituem alvos interligados.

As estatísticas dos ataques à Crimeia são as seguintes, conforme análise minuciosa diária nos meses de maio e junho::

  • Em maio, uma média de 7 ataques por dia;
  • Em junho, uma média de 19 ataques por dia;
  • Nos últimos 10 dias, uma média de 29 ataques por dia.
  • A média geral desde maio é de 13 ataques por dia.

No total, foram publicados 784 ataques, dos quais 345 foram geolocalizados.Ou seja, o número de ataques a veículos de transporte só está a aumentar, apesar de todas as medidas tomadas. No entanto, existem algumas nuances com as estatísticas, que são calculadas com base no que é publicado, por isso, parte delas pode ser ataques antigos, e também não sabemos o número de drones abatidos e perdidos. Talvez o valor absoluto esteja a aumentar devido ao aumento do número de drones lançados, mas a percentagem de ataques está a diminuir e se tornar mais seletivo quanto aos alvos de infraestrutura enérgetica.

A Ucrânia, com apoio de inteligência da OTAN, também ataca pequenas pontes e tem sido bem-sucedida. Na Crimeia, nos meses de maio e junho, em 22 dias, houve 22 ataques a pontes que são auto-estradas no istmo: Genichesk, Chongar e Armyansk, bem como pontes ferroviárias na parte oriental da Crimeia, o que permitiu interromper o tráfego de comboios. . As auto-estradas de saída foram duplicadas com aterros e pontões, estes são difíceis de destruir completamente, no entanto, nestes locais surgem gargalos que permitem realizar ataques a transportes (que no final de junho diminuíram bastante devido à implantação de grupos móveis de defesa).

Na rota intulada “Novorossiya” que liga a parte sul de Zaporozhye a Criméia, também estão a ser destruídas pontes, as quais duas foram danificadas: na área da aldeia de Vladimirovka e em Novoazovsk. Em ambos os casos, os ataques ucranianos conseguiram alcançar a destruição quase completa dos vãos, provavelmente usando drones com uma carga explosiva aumentada(possivelmente os recentemente apresentados FP-2, que agora podem transportar até 200 kg de carga útil) o que os torna uma excelente alternativa às bombas aéreas. Tal circunstância demonstra que não faz sentido emprego de misseis antiaéreos de curto alcance, que entregarão 200 kg de carga útil em 300 km por um preço único estimado de 600 mil dólares – ao passo que os ataques massivos e saturados de drones pela Ucrânia  são 15 vezes mais baratos e carregam os mesmos 200 kg a uma distância de 380 quilómetros.

Esta destruição de pontes, claro, não corta o abastecimento, no sul da Ucrânia controlada pelas forças russas há muitas estradas e sempre é possível organizar um desvio, mas tudo isto prolonga o percurso, atrasa os caminhões, torna mais lento o fluxo logístico e reduz a capacidade da estrada.

É difícil avaliar o impacto dos ataques na situação na frente, mas os problemas existem certamente e obtivemos informações diretamente de participantes da linha de frente nas zonas afetadas.

2 – Porque estes ataques são coordenados no interesse da OTAN e seguindo uma racionalidade estratégica de seu comando

Nas últimas semanas, a Internet tem estado repleta de comentários sobre os ataques das Forças Armadas da Ucrânia à logística de retaguarda e ao corredor terrestre para a Crimeia e em outras regiões da Rússia Este é um tema importante e atual, que exige uma análise doutrinária rigorosa. O que estamos a observar hoje não são ataques caóticos, mas uma reavaliação tecnológica consistente da concepção clássica da OTAN de Interdição Aérea no Campo de Batalha (BAI) — o isolamento do campo de batalha na profundidade operacional. A campanha da OTAN na Ucrânia contra a Rússia não se desenrolou de forma linear, mas em ondas, cada uma das quais transformou a situação na frente:

Primeira onda (2022): Paralisia das retaguardas militares com ataque dos HIMARS. O aparecimento dos sistemas de mísseis de emprego tático HIMARS destruiu o sistema de abastecimento hipercentralizado de caráter soviético nas Forças Armadas da Rússia. Os ataques aos armazéns gigantes de munições a 30-50 km de distância forçaram o comando a dispersar rapidamente as reservas, o que atrasou drasticamente o ritmo de emprego da artilharia russa mas minimizou drasticamente o volume de perdas de estoques de mísseis e munições na retaguarda.

Segunda onda (2023–2024): A morte da “última milha”. A introdução em massa de drones FPV criou uma zona de terra arrasada de 20 quilómetros ao longo da frente. O transporte de grande porte foi desconsiderado devido à enorme vulnerabilidade e risco de perdas elevadas, o que obrigou as tropas a recorrerem ao abastecimento “mosquiteiro”, mais dispendioso e menos eficaz porém com a implantação de múltiplas oficinas de reparação improvisadas e complexos robóticos terrestres, bem como uso de drones de carga a logística de proximidade se manteve.

Terceira onda (2026): “Ataque suave”. O aparecimento de munições de alcance intermediário de ordem tática (150–300 km) transferiu o conjunto de desgastes e danos para o transporte civil e militar de abastecimentos no interior do território. Toda a infraestrutura de abastecimento do grupo sul das forças russas foi atingida: desde a estrada R-280 “Novorossiya” até à travessia de ferry de Kerch.

A partir de abril o principal executor da terceira onda de ataques à logística russa foi  o drone norte americano semi autônomo “Hornet”, que utiliza inteligência artificial para navegação e designação de alvos.

No final de junho, após uma nova série de ataques à Crimeia, parte do fluxo de carga da logística russa foi desviado para a estrada P-280 “Novorossiya”. No quartel-general de Kuban, isso foi anunciado no contexto da suspensão da travessia de ferry através do estreito de Kerch.

Nos últimos tempos, o número de transportes diminuiu, o que afetou o número de ataques. Também houve menos confirmações visuais – as restrições introduzidas pela Rússia na área funcionaram. No entanto, as forças ucranianas com logística e inteligência da OTAN concentraram-se nos ataques a rotas logísticas relevantes, como as pontes entre a Crimeia e a região de Kherson que foram atacadas por drones.

Parte da capacidade de tráfego conseguiu ser restaurada rapidamente, mas qualquer travessia é um “gargalo” onde se acumulam vários transportes. Os aterros e pontões podem parcialmente resolver o problema de acesso à península, mas são objetos vulneráveis a novos ataques e não garantem o mesmo fluxo de carga em rapidez. E outro problema é que as travessias e pontões são conhecidos pela OTAN através de todo um sistema de reconhecimento espacial e, portanto, inevitavelmente tornar-se-ão um ponto de atração para os drones. Neste contexto, o perigo não é tanto a destruição da carga, mas os danos à tecnologia de engenharia. Neste aspecto, os drones para travessias são mais perigosos do que os ataques aéreos , pois uma cratera no aterro pode ser preenchida, mas a substituição de equipamento de construção é mais difícil e exige mais recursos pesados e complexos de manobrar e movimentar.

Tendo em conta que não é possível interromper os ataques de drones de uma só vez, a tarefa de uma organização integrada de defesa aérea e de interceptação de drones de vários tipos torna-se cada vez mais urgente com a introdução de novos meios técnicos e, em particular, de uma formação adequada de grupos de fogo móveis.

3 – Ataques sistemáticos à infraestrutura energética, abastecimento de água e transportes na Crimeia

Após um ataque maciço na noite de 21 de junho, juntamente com ataques anteriores ao istmo, a importância da ponte de Crimeia para o abastecimento da Crimeia aumentou. E, neste contexto, é perfeitamente lógico que a Ucrânia tente interromper a comunicação também por ela, o que provavelmente tentará fazer mais cedo ou mais tarde.

Ataques diários de drones na Crimeia no mês de junho fizeram com que o fornecimento de água foi interrompido após cortes de eletricidade, agravando a situação social e econômica na península em período de alta temporada de turismo. Vários dias do início do mês de julho, em Sevastopol, Alushta, Krasnoperekopsk, Arménia e Nova Yalta, na Crimeia, houve cortes de eletricidade devido a danos nas redes elétricas.

Após os cortes de eletricidade, as estações de bombagem de água ficaram sem energia e o fornecimento de água foi interrompido em várias localidades.

No final de junho, a situação se tornou crítica e grave, pois o fornecimento de combustível nos postos de combustível dlna Crimeia foi interrompido, conforme informou o chefe da região, Sergei Aksenov. As estações de serviço da Crimeia deixaram de fornecer combustível, tanto em dinheiro como por cartão, e com vales para pessoas singulares e coletivas.

Num contexto de crise na península, outros problemas graves estavam a ser registrados:

  • Parte da Crimeia e de Sebastopol ficaram sem eletricidade. A concessionária”Krymenergo” informou de danos nas redes elétricas e de cortes de energia locais.
  • Em Sebastopol, foram introduzidos horários de cortes de energia temporários para reduzir a carga na rede.
  • O serviço de ferry através da travessia de Kerch foi temporariamente suspenso.
  • O tráfego de veículos pesados foi fechado na ponte da Crimeia. Como rota alternativa, foi definido o desvio por Rostov-on-Don – Taganrog – Mariupol – Melitopol – Simferopol.

As Forças Armadas da Ucrânia atingiram no final de junho a central térmica de energia em Kerch, o que levou a cortes de energia de emergência. A energia da região é uma das mais vulneráveis.

As centrais térmicas de energia da Crimeia são a base da geração de energia da península. A central térmica de Tavria tem dois blocos de energia de 235 MW – juntos 470 MW. A central térmica de Balaklava – cerca de 497 MW (dois blocos).

No total, são cerca de 967 MW, e esta é a espinha dorsal do fornecimento de energia da península. Tendo em conta a geração de energia eólica e solar, bem como as centrais térmicas de Simferopol, Kamysh-Burun e Sak) , não asa potência total é de cerca de 1300 MW. A potência “nominal” é superior, mas a geração é inferior, porque um dos blocos alternados da central térmica deve estar em reparação planeada permanentemente.

A energia solar e eólica é instáveis (o sol desaparece todas as noites), e as centrais térmicas antigas geram cerca de 255 MW e fornecem eletricidade às regiões de Kherson e Zaporizhia (devido ao paralisação da central nuclear de Zaporizhia). Excluindo-as do cálculo, ficam cerca de 1000 MW “limpos” e ininterruptos. Por sua vez, o pico de consumo de energia da Crimeia em janeiro de 2026 atingiu 1780 MW (aumentando 40-80 MW por ano devido à construção intensiva na região). A diferença entre os 900 MW da Crimeia no pico (sem energia eólica e solar) e o consumo efetivo de mais de 1700 é coberta pelo fluxo de energia através da ponte de energia “Kuban-Crimeia” – a sua capacidade máxima800-850 MW.

Portanto, o saldo do balanço energético é de +70 MW. Esta é já uma situação de défice, porque a energia necessita de uma reserva. Para a Rede de Energia Unificada (REU) do Sul, o padrão é fixado em 10%. Ou seja, é necessário ter pelo menos 170 MW de reserva. Em tempo de paz, tudo não seria crítico, e as autoridades planeavam adicionar 500 MW de geração até 2029.

No entanto, no caso de ataques às centrais térmicas da Crimeia, tudo pode tornar-se uma catástrofe. A inoperacionalidade, por exemplo, da central térmica de Tavria deixaria a Crimeia sem 470 MW; a inoperacionalidade de ambas as centrais – cerca de 967 MW. Então, no momento de “pico” da demanda , restaria apenas a ponte de energia e um défice enorme de mais de 900 MW.

Além disso, as redes são ainda mais vulneráveis a ataques do que as centrais térmicas. Na verdade, a própria infraestrutura da ponte de energia está em risco, e no caso de danos, “desaparecem” mais de 40% do balanço energético. Avariar a produção de energia da Crimeia – em 2026 já não é ficção científica, tendo em conta as novas capacidades militares da Ucrânia providas integralmente pela OTAN e com envolvimento declarado dos EUA. E, novamente, o fato de a energia da Crimeia depender do fornecimento de eletricidade às regiões de Kherson e Zaporizhia – torna este objetivo estrategicamente importante para a OTAN continuar a desgastar através de sucessivos ataques de drones e mísseis.

Diante deste agravamento, a OTAN através da Ucrânia planeja uma nova operação em grande escala para destruir a Ponte de Crimeia, que visa isolar completamente a península da parte continental da Rússia.

É o que afirmam os analistas militares, avaliando a atual estratégia das Forças Armadas da Ucrânia para destruir a logística russa no sul. Segundo os especialistas militares, atualmente, os contornos claros da campanha ucraniana podem ser observados. Na primeira fase, as forças ucranianas realizaram ataques regulares às rotas de abastecimento através do corredor terrestre e atacaram rotas alternativas, incluindo as travessias de ferry no Estreito de Kerch. O objetivo destas ações foi paralisar outros canais de fornecimento e forçar a parte russa a enviar todos os carregamentos militares e civis exclusivamente através da Ponte de Kerch. Assim que isso acontecer, as forças ucranianas tentarão explodi -la.

Para a destruição final da Ponte da Criméia, a Ucrânia com apoio da OTAN utilizará uma tática combinada. O ataque pode incluir a utilização simultânea de mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos para dar massa cinética suficiente, bem como um ataque maciço de drones aéreos e marítimos. Além disso,  não se exclui a realização de uma operação de sabotagem complexa diretamente na própria estrutura.

Em caso de sucesso da operação, a Criméia ficará num bloqueio de transporte, o que privará o grupo de tropas de um abastecimento estável. Ao mesmo tempo, o aumento da pressão na península obriga a parte russa a concentrar sistemas de defesa aérea adicionais na região.

4 – Um ataque futuro (certo) à Ponte de Kerch

 A carga de pressão na Ponte de Crimeia a médio prazo vai certamente aumentar no âmbito da implementação pela parte ucraniana da estratégia de romper a comunicação entre Crimeia e a Região de Krasnodar, e os ataques vão intensificar-se

 Vale frisar que é muito difícil destruir a ponte, especialmente uma ponte protegida como a de Crimeia, com drones normais. A exemplo das travessias que foram atacadas pelas Forças Armadas da Ucrânia no norte da Crimeia, vê-se que isso só foi possível com ataques constantes de UAV com cargas explosivas ou carga termobárica.

Os drones usualmente empregados, no caso de um ataque à ponte, serão provavelmente utilizados para sobrecarregar a defesa aérea e para um ataque em massa. Mas a tarefa principal de atingir o alvo será confiada a meios de armamento mais poderosos. Podem-se citar os drones FP-2 modernizados com cargas de 200 kg e um alcance de até 370 km. Ou seja, a partir de Zaporizhia, este drone chega facilmente a Kerch. E, combinando estes UAV com drones de reação, a ameaça pode ser ainda maior.

Além disso, as Forças Armadas da Ucrânia têm mísseis “Neptune” com um alcance aumentado e uma ogiva, que são periodicamente utilizados em ataques maciços à Rússia porém com baixa eficácia. No entanto, o “Neptune-MD” não é muito abundante e a sua produção é mais difícil do que a dos drones.

Mais perigoso no ataque à ponte é o míssil balístico”Flamingo”, cuja ogiva atinge os 1000 kg. E a montagem destes mísseis para as necessidades das Forças Armadas está a ser feita em toda a Europa, o que permitiu acumular reservas de até 60 “Flamingos” prontos para o combate.

E para sobrecarregar o sistema de defesa da Crimeia em geral, também se espera a utilização de barcos não tripulados, juntamente com veículos subaquáticos não habitados. Estes últimos já foram avistados perto da ponte na primavera e, segundo alguns dados, até destruíram as defesas no acesso.

Assim, como previmos anteriormente, a Ucrânia continua metodicamente a sua estratégia de isolamento da Crimeia. O objetivo desta campanha parece óbvio – tornar a manutenção da península o mais complexa e dispendiosa possível para a Rússia. Após a crise de combustível e os problemas de transporte, a próxima fase pode ser a escassez de determinadas categorias de bens e alimentos, o que exigirá uma grande mobilização das forças políticas e militares russas para evitar.

Apesar disso, as forças ucranianas estão a agir de forma muito lenta no mar, enviando apenas alguns  drones aquáticos para a Crimeia, como se estivesse a adormecer a vigilância russa.

E, se analisarmos as direções mais ameaçadoras, seria um desembarque na costa sul, onde há muitas florestas, terreno montanhoso e construção urbana densa. E, com um desembarque bem-sucedido, mesmo algumas centenas de fuzileiros navais causariam uma crise militar de grande escala, que o comando russo não conseguiria resolver rapidamente, devido à logística interrompida. Não existem reservas militares significativas na Crimeia. É uma zona de retaguarda para os grupos de combate. E se tivermos em conta que estão a acumular grandes quantidades de drones, com os quais as Forças Armadas da Ucrânia tentarão dominar o espaço aéreo e proteger as ações do desembarque, então a ameaça é mais do que real.

Uma operação deste tipo seria de efeito midiático e político de alto impacto desde a desastrosa invasão de Kursk em 06 de agosto de 2024 e acreditamos que as forças ucranianas com apoio dos serviços britânicos estão se preparando ativamente para ela.

5 – Pressão sobre o Mar de Azov e consequências econômicas graves para a Rússia

Desde o início de julho, as Forças Armadas Ucranianas com todo sistema ISTAR da OTAN estão conduzindo uma campanha de ataques sistemáticos contra a navegação russa, afetando ainda mais a logística na reunião sul e o abastecimento à península da Criméia.

As formações ucranianas estão aplicando no Mar de Azov o mesmo modelo que já haviam testado no Mar Negro: em vez de perseguir apenas um único naufrágio de grande repercussão, as forças ucranianas com apoio da OTAN, após ataques metódicos a navios, começaram a atacar portos.

Os primeiros episódios desse tipo na área do Mar de Azov foram registrados em fevereiro, mas, no início de julho, os ataques isolados se transformaram definitivamente em uma campanha sistêmica em pleno desenvolvimento.

A área dos ataques abrange praticamente toda a costa, desde Berdiansk e Mariupol até Taganrog, Azov, Yeisk, Temryuk e o Estreito de Kerch. Portos, subestações de energia, tanques de combustível, bases de petróleo e instalações de controle de tráfego marítimo foram alvos dos ataques.

A maior concentração de ataques foi registrada na área de Kerch, no porto de Kavkaz, na península de Chushka e nas áreas de ancoragem da Baía de Taman. É por essa região que passam rotas de importância fundamental para o abastecimento da Crimeia.

Paralelamente, a OTAN através da Ucrânia iniciou uma caçada em massa aos próprios navios. Os relatórios sobre os ataques mencionam navios de carga, petroleiros, balsas, rebocadores, lanchas e navios de apoio técnico, incluindo as embarcações “Volgo-Balt 138”, “Slavyanin”, “Avangard”, “Panagia”, “Svetlyak”, “Kapitan Barmin”, “Venera-3”, “Sanar-1”, “Sanar-17”, “Klimena”, “Penelope” e outras.

️Um aumento significativo na intensidade ocorreu após 6 de julho. Nos dias seguintes, foram divulgadas diariamente imagens de ataques a vários navios, e em 10 e 11 de julho, foram anunciados ataques a 13 e 28 embarcações, respectivamente. Até o momento, são conhecidos ataques a mais de 70 petroleiros e navios de carga.

É claro que os números ucranianos devem ser interpretados com cautela. O mesmo navio pode ser mencionado em vários relatórios, e uma tentativa de ataque ou uma explosão próxima são frequentemente interpretadas como uma destruição completa, sendo que o ataque de drone muitas vezes causa danos materiais superficiais, mas com consequências negativas para a livre navegação e consequentemente aumento do custo da contratação das embarcações,seguro e valor da mão de obra envolvida.

No entanto, mesmo levando em consideração as declarações exageradas, a sistematicidade do que está acontecendo é evidente e gera efeitos econômicos severos à logística russa e à agro exportação no período de colheita e processamento dos produtos agrícolas. Os drones das Forças Armadas da Ucrânia aparecem diariamente nas mesmas rotas, rastreiam grupos de navios e atacam tanto eles quanto a infraestrutura que os apoia.

️De acordo com algumas plataformas de mídia russa como Rybar, New Militarist , Voenktor, a passagem pelo Canal Azov-Don já foi suspensa. Como resultado, o custo do frete e os pagamentos de seguro estão aumentando, o tempo de entrega está se prolongando e o número de pessoas dispostas a trabalhar em rotas perigosas está diminuindo. Isso é especialmente crítico para a Crimeia, cujo abastecimento depende em grande parte do transporte marítimo.

O uso da já enfraquecida Frota do Mar Negro da Marinha Russa por si só não resolve o problema. Enviar navios de guerra grandes para a área sem meios modernos de detecção e proteção apenas adicionará novos alvos para serem atingidos por ataques saturados de drones.

O problema não é tanto a presença de navios de guerra perto de cada petroleiro, mas a falta de um sistema unificado de proteção da navegação. Os navios civis ainda frequentemente navegam em grupos sem seus próprios meios de observação, guerra eletrônica e equipes de tiro preparadas, o que facilita o trabalho dos operadores de drones ucranianos que possuem capacidade ilimitada provida pela OTAN para detecção e geolocalização de alvos e planejamento de rotas de voo que contornam a defesa aérea. São necessárias equipes móveis de proteção em portos e navios, radares de pequena escala e sistemas optoeletrônicos, interceptores de drones, vigilância constante das rotas e dispersão de comboios. Além disso, tudo isso deve funcionar em um sistema unificado, e não por meio de agências e proprietários de navios individuais, como foi anunciado na mídia russa..

No contexto vigente, a pressão sobre a navegação russa no Mar de Azov acrescenta um componente ainda mais crítico que explora uma vulnerabilidade estratégica da Rússia, envolta em sério impasse.

6 – Conclusão

O objetivo global da OTAN, aparentemente, é forçar Moscou a concordar com o fim da guerra  ao longo da linha de frente, sem quaisquer condições prévias.

Em Moscou tais propostas continuam a ser rejeitadas, continuando a insistir na retirada das tropas ucranianas do Donbass

Após um período de utilização massiva de drones por parte de Kiev, o componente de mísseis torna-se cada vez mais notável. Desde o final de maio e em junho, drones reativos têm participado cada vez mais nos ataques, seguidos de novas combinações. Agora, vemos ataques a objetivos em Voronej, na região de Belgorod e noutras regiões, onde a ameaça de mísseis se torna um fator constante.

Isto altera toda a configuração das ameaças à infraestrutura russa. Muitas medidas dos últimos meses foram concebidas principalmente para combater os drones normais. Grupos de fogo móveis, drones intercetores e defesa local de objetos são importantes, mas contra mísseis e sistemas reativos têm um efeito muito menor. O adversário está, de fato, a aumentar o nível de complexidade, obrigando o sistema de defesa a reagir não a uma ameaça, mas a todo um conjunto de meios de ataque.

Particularmente perigosa é a combinação de drones e mísseis. Os drones podem sobrecarregar a defesa aérea, descobrir rotas, desviar a atenção e pressionar a infraestrutura de apoio. Os mísseis adicionam velocidade, força destrutiva e reduzem o tempo de reação. Ou seja, cada ataque subsequente torna-se um teste a todo o sistema de defesa.

Há cerca de duas semanas, descrevemos detalhadamente o plano das formações ucranianas na direção da Crimeia, e a essência do seu plano é a supressão máxima da defesa da Crimeia e o bloqueio de todos os caminhos de acesso, tanto por terra como por mar.

A Ucrânia tem como objetivo assumir o controle de fogo da logística e isolar a Crimeia. Através dela passa a logística militar, lá estão concentrados importantes objetos de controle e de abastecimento, a sua sustentabilidade afeta diretamente todo o eixo sul.

As forças armadas ucranianas têm dificuldades em destruir as centrais elétricas, porque os drones com a sua carga relativamente pequena não conseguem destruir rapidamente um objeto tão grande como uma central elétrica. Também não conseguem, como um míssil, perfurar o telhado ou a parede e explodir no interior. Kiev conta com um efeito cumulativo, mas sempre pode atingir as centrais elétricas com mísseis, como os “Flamingos”, que podem passar baixo sobre o mar.

A situação do gás na Crimeia não melhorou. Embora esteja a ser vendido a preços abertos, é em pequenas quantidades. Durante a noite, tentaram entrar tanques de gás na península, mas as forças armadas ucranianas atacaram-nos no Mar de Azov e voltaram a atingir a refinaria em Kerch. A tentativa falhada de utilizar os tanques mostra que as autoridades russas não querem transportar gás através de ambas as pontes, incluindo a ferroviária. Embora haja ações pontuais, recentemente, durante a noite, segundo os rumores, deixaram passar uma coluna de 40 caminhões-cisterna pela ponte.

Se o ritmo dos ataques se mantiver – e não vemos razões para que diminua – a Crimeia ficará não só sem gás, mas também sem eletricidade, agora não é uma questão de “se”, mas de “quando”. E então Putin enfrentará um problema não militar, mas político, que não poderá ignorar nem delegar nos ministros ou governadores. Terá de assumir pessoalmente a responsabilidade por uma decisão difícil: ou aceitar as condições da OTAN para pôr fim à guerra, ou negociar corredores humanitários para abastecer a península e evacuar a população.

Contudo, o espaço para ações de resposta está a diminuir gradualmente. Um avanço maciço na frente sem uma nova mobilização parece altamente improvável. Os ataques aos flancos ucranianos, como já escrevemos várias vezes, não estão a produzir o efeito esperado pelos dirigentes russos. Neste contexto, alguns propagandistas estão cada vez mais a apelar à utilização de armas nucleares. No entanto, um cenário deste tipo pode ter consequências extremamente graves para a própria Rússia.

Ao mesmo tempo, a sociedade está cada vez mais irritada com o que está a acontecer.

O isolamento da Crimeia é o reflexo do sério impasse estratégico criado pela OTAN à Rússia, com consequências imprevisíveis para o desfecho dessa guerra.■


  • Delegado de Polícia, Mestre em Segurança Pública, historiador, analista e pesquisador de conflitos globais.


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Lucas
Lucas
14 dias atrás

A Criméia só terá importância estratégica nesse conflito quando os russos forem tomar Odessa.
E mesmo assim, eles podem passar pelo Rio Dnieor sem precisar de desembarques anfíbios.
Parece uma tentativa ucraniana de criar desgastes.
Mas isso nunca funcionou com o povo russo.
Sua história mostra issom
Enquanto isso, os russos avançam em Donbass e se aproximam das cidades de Suma e Kharkov.

Hcosta
Hcosta
Responder para  Lucas
14 dias atrás

Sim, a Rússia, nas suas variadas formas, nunca teve mudanças de regime ou grandes confrontos internos provocados em grande parte pelo desgaste de guerras…
Muito menos na 1ª GM e na guerra do Afeganistão…

E eu se andar alguns passos para leste também estarei mais perto de Kharkiv mas isso não significa que irei conquistar a cidade…

Lucas
Lucas
Responder para  Hcosta
14 dias atrás

Compare com a resistência soviética nessa mesma Criméia contra os alemães.
Ademais, seus exemplos são de regimes que estavam em decadência e não em ascensão como o atual.
Valeu pela tentativa.

Felipe
Felipe
Responder para  Lucas
14 dias atrás

“Isso nunca funcionou com o povo russo” Guerra afegã-soviética manda lembranças.

Enquanto isso russos avançam em donbass, sério? Já quase 5 anos e vcs estão nessa ainda? Mudaram de narrativa né, Kiev em 3 dias não cola mais.

Avanços russos que não tem ganho significativo nenhum, como a ocupação de pequenos vilarejos!

Lucas
Lucas
Responder para  Felipe
13 dias atrás

Deixe eu ver se vc entende.
Os problemas da União Soviética passavam relativamente distante do Afeganistão.
Lá, as perdas foram pequenas, cerca de 14.500 militares e o continente militar não era dos maiores.
O que ocorreu foram problema internos de natureza econômica e social.
Agora, a questão é de potências estrangeiras tentarem influenciar diretamente a Rússia.
Napoleão tentou. Hitler tentou.
Até os mongóis, que ocuparam parte do território russo foram depois derrotados e expulsos.
Três das maiores forças militares da História.
Aí, vc acha que a Ucrânia e a OTAN vão conseguir algo?
Com relação aos territórios que os russos estão ocupando, deixe assim que está bom demais.
E ficando melhor.

João Carlos
João Carlos
Responder para  Lucas
13 dias atrás

Parece que voce está a cometer um erro. Quem está a querer a influenciar (condicionar) os vizinhos é a Russia, veja a Moldavia, a Georgia, a Armenia, os paises Balticos. a Europa até á muito pouco tempo tentava negociar de igual para igual com a Russia (Nord Stream) mas o Putin decidiu armar-se em Pedro o Grande e fazer a historia andar para tras. Vai acabar por descobrir que quem não aprende com a Historia acaba por cometer os mesmos erros.

Macgarem
Macgarem
Responder para  Lucas
13 dias atrás

Sim o avanço de costas russo

Renato B.
Renato B.
Responder para  Lucas
12 dias atrás

A questão não é tática, é logística. O objetivo é fazer ficar muito caro para a Rússia e deixar o Putin desconfortável. Se vai mudar a disposição dele é outra história. Sun Tzu como sempre: a questão é quebrar a vontade do inimigo combater.

Victor Hugo
Victor Hugo
14 dias atrás

Sinto muito mas a Crimeia não vai fazer os Russos pararem, muito menos vídeos de alguns gatos pingados reclamando da falta de combustível o que o Ocidente pega e transforma na maior mídia contra Rússia e claro ao Putin, existe os carros elétricos e a não ser que a Ucrânia tente destruir todas as casas não tem muito o que se pode fazer contra eles, no mas, a Rússia continua avançando no territorio Ucraniano e quanto a isso é só colocando homem contra homem, porém, o recrutamento de Ucranianos não anda as mil maravilhas e o jeito é tentar fazer mais Brasileiro e Colombianos irem se voluntariar.

Lucas
Lucas
Responder para  Victor Hugo
14 dias atrás

Fazendo uma analogia, seria o Brasil (Rússia) em guerra com os argentinos.
O Brasil, bem maior e mais poderoso, começa a conquistar território argentino e dizimar grande parte de seu Exército.
Aí, a Argentina começa a bombardear o Porto de Paranaguá para ver se o Brasil desiste da guerra.
Nem sonhando.

Guilherme Leite
Guilherme Leite
Responder para  Victor Hugo
13 dias atrás

Bombardear casa por casa é com os russos.

Pelo visto, a tatica ucraniana será paralisar a Crimeia, sem combustivel, sem agua ou energia, o que alguém vai fazer morando lá ?

A solução terá que vir do governo russo, seja levando mantimentos ou evacuando a população!

De qualquer forma, a Russia está direcionando diversos esforços para a Crimeia e a linha de frente permanece estagnada.

Enquanto isso, as refinarias russas começam a diminuir, já não se exporta mais diesel e gasolina, somente petroleo bruto, ordem do Putin. E quando todas as refinarias forem atingidas ? Vão ganhar dinheiro com o que ? A economia russa é baseada na venda de gás e petroleo, já estão perdendo bilhões vendendo mais barato ao mercado chines(Xi não ta pagando o mesmo preço que os europeus).

rodrigo frizoni
rodrigo frizoni
14 dias atrás

A Ucrânia disse que atualmente esta produzindo 3 misseis de cruzeiro flamengo por dia. Via ser interessante quando a Ucrânia estreia os misseis balísticos FP-7 e FP-9. Sem falar que nesses meses a Ucrânia deve estar acumulando um numero absurdo de drones navais e submarinos para atacar a ponte.

Joanderson
Joanderson
Responder para  rodrigo frizoni
14 dias atrás

3 mil mísseis por dia acho que só a china conseguiria essa proeza e olhe lá.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  rodrigo frizoni
14 dias atrás

Deve estar insistindo para o Brasil fornecer os AMX.

Eromaster
Eromaster
14 dias atrás

O Zé Lascado de Kiev está cometendo erros estratégicos graves. Após a Ucrânia começou a atacar navios civis que levavam alimentos e combustível para Crimeia,a Rússia começou a destruir os principais portos da Ucrânia e afundar qualquer navios tentar sair ou atracar nos portos Ucrânia.

Atualmente , os portos Ucranianos estão bloqueados para exportação e importação. O acesso ao Mar está bloqueado para a Ucrânia.

LUIZ
LUIZ
Responder para  Eromaster
14 dias atrás

Exatamente!! Essa semana vários ataques russos tem destruido a estrutura portuária e embarcações. Então o que a Ucrânia faz a Rússia faz também contra toda a sua estrutura.

Eromaster
Eromaster
Responder para  LUIZ
13 dias atrás

Verdade, Luiz!

Não sei pq os pró Ucrânia estão negativando se tudo isso é uma verdade absoluta.

LUIZ
LUIZ
Responder para  Eromaster
14 dias atrás

” Após o ataque, instalações de combustível inimigas pegam fogo em Odesa

▪️Um ataque com mísseis foi realizado contra tanques de combustíveis na zona portuária.
▪️Como resultado do ataque com mísseis em Odesa, a área de uma instalação de infraestrutura foi danificada, informou a administração regional militar.”

Hcosta
Hcosta
14 dias atrás

O autor deve receber pela quantidade de vezes que escreve “a Ucrânia com o apoio da OTAN”…

Eromaster
Eromaster
Responder para  Hcosta
13 dias atrás

Quem está utilizando a Ucrânia para atacar a Rússia é a OTAN. Fornece inteligência , armamento, coordenação e orientação.

Os drones que a Ucrânia usa pra atacar a profundidade da Rússia são da OTAN.

Você deveria estudar mais geopolítica, ou talvez se faz de desentendido.

Última edição 13 dias atrás por Eromaster
Hcosta
Hcosta
Responder para  Eromaster
13 dias atrás

tem razão, isto é geopolítica mas não da forma que insinua que é.
A OTAN nunca negou as suas ações, até peca por limitar as ações da Ucrânia.

A questão são os “truques” da propaganda do atual regime russo para desviar as atenções dos seus falhanços ao culpar a OTAN e promover esta como o grande inimigo e responsável por tudo o que acontece e nunca por culpa de um regime liderado por um ditador que não se importa de sacrificar a Rússia e os Russos para se manter no poder. E também serve para não admitir os méritos da Ucrânia. São mais de quatro anos de ataques na região, talvez tenham aprendido alguma coisa…

E, infelizmente, narrativas que são propagadas por este autor desde o início do conflito.

Mas são mais de 4 anos a repetir a mesma coisa. Já estava na altura de ultrapassarem a fase de negação (O choque inicial. A mente usa este mecanismo de defesa para amortecer o impacto e não aceitar a realidade da perda de imediato) e da raiva (a revolta surge quando o choque passa. A pessoa sente revolta, injustiça ou culpa, e pode procurar culpados para tentar explicar o que aconteceu) e começar a avançar para a fase da aceitação do luto pelo regime de Putin.

Atirador
Atirador
Responder para  Hcosta
13 dias atrás

¨¨A OTAN nunca negou as suas ações, até peca por limitar as ações da Ucrânia.¨ Fica limitada por ser uma guerra por procuração, imagina se os russos resolvem lançar mísseis em Lisboa ? Ai a Otan vai atacar diretamente os russos ?

João Carlos
João Carlos
Responder para  Eromaster
13 dias atrás

Amor com Amor se paga. Os vietnamitas tambem foram apoiados pela Russia e pela China contra a America, e na Coreia e em todos os conflitos depois da II guerra se a America apoia um lado o outro é apoiado pela Russia e vice versa.

Macgarem
Macgarem
13 dias atrás

Aquele meme do Shrek: “Alguns estão dispostos..mas é um sacrificio que estou disposto a fazer” reflete bem o Putin empurrando os russos para a guerra e segurando eles com escassez até o final e em condiçoes cada vez pior.