China quer ampliar comércio em yuan com países da Organização de Cooperação de Xangai
Estratégia de Pequim pretende reduzir a dependência do dólar nas transações com Rússia, Índia, Irã e países da Ásia Central, mas ainda não representa o abandono imediato da moeda americana por todos os integrantes do bloco
A China pretende ampliar o uso do yuan — também chamado renminbi — no comércio com os demais integrantes da Organização de Cooperação de Xangai, em mais uma iniciativa destinada a reduzir a dependência do dólar e fortalecer uma infraestrutura financeira parcialmente independente dos Estados Unidos.
A proposta alcançaria um espaço econômico que reúne China, Rússia, Índia, Irã, Paquistão, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão. Juntos, esses dez países formam a atual composição plena da Organização de Cooperação de Xangai, conhecida pela sigla internacional SCO.
Na prática, empresas chinesas e seus parceiros poderiam faturar exportações, pagar importações, conceder empréstimos e liquidar contratos diretamente em yuan ou em outras moedas nacionais, evitando a conversão intermediária para o dólar.
A medida faz parte de uma política mais ampla de internacionalização da moeda chinesa. Em junho, o Banco Popular da China anunciou novos instrumentos para ampliar a liquidez internacional em yuan e facilitar o acesso de bancos centrais e fundos soberanos estrangeiros à moeda.
Não há, até agora, uma substituição obrigatória do dólar
A formulação segundo a qual a China passará a realizar todo o comércio com os membros da organização exclusivamente em yuan deve ser interpretada com cautela.
Os documentos oficiais e anúncios públicos localizados até o momento indicam uma intenção de ampliar o uso do yuan e das moedas nacionais, mas não mostram uma decisão coletiva que obrigue os dez integrantes da organização a abandonar integralmente o dólar.
A Organização de Cooperação de Xangai funciona por consenso e reúne países com interesses monetários distintos. Rússia e Irã procuram reduzir sua exposição ao sistema financeiro ocidental por causa das sanções, enquanto Índia, Paquistão e as repúblicas da Ásia Central possuem suas próprias moedas, bancos centrais e prioridades cambiais.
É mais provável, portanto, que o processo avance por meio de acordos bilaterais, contratos específicos e mecanismos de compensação, e não pela adoção imediata do yuan como moeda única do bloco.
A iniciativa chinesa também não deve ser confundida com a criação de uma nova moeda comum, como já foi debatido informalmente em outros agrupamentos. O objetivo de Pequim é aumentar o uso internacional de uma moeda que já existe e que permanece administrada pelo Banco Popular da China.
Comércio supera US$ 500 bilhões por ano
A dimensão econômica da iniciativa é significativa. Em discurso realizado na cúpula da organização em Tianjin, em setembro de 2025, o presidente Xi Jinping afirmou que o comércio anual da China com os demais membros havia superado US$ 500 bilhões.
Xi também informou que os investimentos chineses acumulados nos outros países do bloco ultrapassavam US$ 84 bilhões. Na ocasião, Pequim anunciou 2 bilhões de yuans em assistência e outros 10 bilhões de yuans em empréstimos para instituições integrantes do Consórcio Interbancário da organização.
Somente em 2024, o intercâmbio comercial da China com os demais integrantes chegou a aproximadamente 3,65 trilhões de yuans, equivalentes a mais de US$ 500 bilhões na cotação daquele período. O volume foi mais de 36 vezes superior ao registrado na época da fundação do grupo, em 2001.
As transações abrangem petróleo, gás natural, carvão, produtos agrícolas, máquinas, automóveis, equipamentos eletrônicos, produtos químicos, armamentos e grandes projetos de infraestrutura.
Ao converter uma parcela maior desse comércio para o yuan, a China cria uma demanda permanente por sua moeda entre países que precisam adquirir produtos chineses ou receber pagamentos por energia e matérias-primas.
Como funcionaria o comércio sem o dólar
Em uma operação internacional tradicional, uma empresa chinesa que compra petróleo de outro país pode precisar converter yuans em dólares. O exportador recebe a moeda americana e posteriormente a converte para sua moeda nacional ou a mantém como reserva.
O emprego direto do yuan elimina uma dessas etapas. O comprador chinês paga em renminbi, e o exportador utiliza os recursos para comprar mercadorias chinesas, investir em títulos denominados na moeda, pagar dívidas contraídas com bancos chineses ou converter os valores em outra divisa.
O sistema funciona com maior facilidade quando os dois países possuem comércio relativamente equilibrado. Um exportador de petróleo, gás ou minerais pode receber yuans e depois empregá-los na aquisição de máquinas, automóveis, eletrônicos ou equipamentos industriais chineses.
O problema surge quando um país acumula grandes quantidades da moeda sem encontrar produtos, investimentos ou ativos suficientes nos quais empregá-la. Essa dificuldade já apareceu em tentativas de realizar comércio bilateral com moedas menos conversíveis.
Para reduzir o risco, a China vem construindo uma rede de bancos de compensação, linhas de troca entre bancos centrais, mercados de títulos e instituições capazes de fornecer crédito em yuan.
CIPS oferece alternativa de liquidação
Uma das principais estruturas dessa estratégia é o Cross-Border Interbank Payment System — CIPS, lançado em 2015 para facilitar pagamentos internacionais denominados em renminbi.
O CIPS não é uma substituição completa da rede Swift, que continua sendo utilizada por grande parte do sistema bancário mundial. Entretanto, permite que instituições participantes processem e liquidem transações em yuan por uma infraestrutura centrada na China.
O volume anual movimentado pelo CIPS mais do que triplicou desde 2020 e alcançou aproximadamente 175 trilhões de yuans em 2024, segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional.
Em junho de 2026, o Banco Popular da China autorizou seis grandes bancos estatais a realizarem operações offshore em yuan na zona de livre-comércio de Xangai. Também criou o mecanismo denominado FIMA RMB Repo, pelo qual bancos centrais estrangeiros e fundos soberanos podem utilizar títulos chineses como garantia para obter liquidez na moeda.
Essas medidas procuram resolver um problema essencial: um país não adotará amplamente uma moeda para o comércio exterior se não puder obtê-la rapidamente, convertê-la ou aplicá-la em ativos líquidos.
Rússia e Irã são parceiros naturais da estratégia
A Rússia representa o caso mais avançado de redução do dólar dentro da organização.
Depois das sanções impostas pela invasão da Ucrânia, bancos e empresas russas ampliaram rapidamente o uso do rublo e do yuan. Mais de 90% dos pagamentos entre empresas chinesas e russas já eram realizados em moedas nacionais em 2024, segundo o presidente Vladimir Putin.
O yuan tornou-se uma das principais moedas estrangeiras disponíveis no mercado russo, sendo utilizado em contratos comerciais, depósitos, investimentos e operações cambiais.
O Irã também tem fortes razões para apoiar o sistema. As sanções americanas dificultam o acesso de Teerã ao dólar e às instituições financeiras ocidentais. Parte relevante das vendas iranianas de petróleo para compradores chineses já é liquidada em yuan, reduzindo a capacidade dos Estados Unidos de rastrear ou bloquear os pagamentos.
Para Rússia e Irã, a adoção da moeda chinesa não é apenas uma escolha comercial. É também uma forma de diminuir a vulnerabilidade às sanções, ao congelamento de ativos e à exclusão de sistemas de pagamento controlados ou influenciados pelo Ocidente.
Índia pode resistir a uma predominância chinesa
O maior obstáculo político dentro da organização poderá ser a Índia.
Nova Délhi compartilha com Pequim o interesse em ampliar o uso de moedas nacionais e reduzir custos de conversão. Ao mesmo tempo, o governo indiano dificilmente aceitará um sistema no qual o yuan se torne a moeda dominante de toda a Eurásia.
China e Índia mantêm uma relação marcada por rivalidade estratégica, disputas fronteiriças e competição por influência no Sul da Ásia e no Oceano Índico.
A Índia tende a defender o uso da rupia em suas próprias transações, especialmente no comércio de petróleo com a Rússia. Também pode preferir mecanismos compostos por várias moedas nacionais, em vez de uma estrutura regional concentrada no renminbi.
Assim, a desdolarização dentro da organização não significa necessariamente uma “yuanização” integral. O sistema poderá funcionar com diferentes combinações de yuan, rublo, rupia, tenge cazaque e outras moedas, dependendo dos países e dos contratos envolvidos.
Banco de desenvolvimento pode acelerar a mudança
Outro elemento importante é a proposta chinesa de criação de um Banco de Desenvolvimento da Organização de Cooperação de Xangai.
Xi Jinping defendeu em 2025 que a instituição fosse estabelecida o mais rapidamente possível. A ideia seria financiar projetos de energia, transporte, telecomunicações, indústria e conectividade entre os membros.
Caso os empréstimos sejam concedidos predominantemente em yuan, os governos e empresas beneficiários precisarão manter contas, reservas e fluxos financeiros na moeda chinesa.
Esse mecanismo reproduziria, em escala regional, uma das características que ajudaram o dólar a tornar-se dominante: a associação entre comércio, financiamento, dívida, investimentos e ativos financeiros denominados na mesma moeda.
Projetos chineses de energia renovável na Ásia Central já começaram a utilizar contratos liquidados em renminbi. Em 2023, um empreendimento eólico de 500 megawatts no Uzbequistão empregou a moeda chinesa em suas operações financeiras, um modelo que poderá ser ampliado para eletricidade, petróleo, gás, minerais e infraestrutura.
Pequim quer reduzir o poder das sanções
O domínio do dólar proporciona aos Estados Unidos uma influência que ultrapassa o tamanho de sua participação no comércio mundial.
Como grande parte das transações em dólar precisa passar por instituições financeiras americanas ou por bancos com operações nos Estados Unidos, Washington pode acompanhar fluxos, congelar recursos e ameaçar instituições estrangeiras com a perda de acesso ao mercado financeiro americano.
A expansão do yuan cria rotas nas quais o dinheiro não precisa entrar diretamente no sistema dos Estados Unidos. Isso não torna as empresas imunes a sanções secundárias, mas dificulta o rastreamento e reduz alguns dos instrumentos de pressão disponíveis para Washington.
Para Pequim, a questão também envolve sua própria segurança. Lideranças chinesas observam as medidas aplicadas contra Rússia e Irã como exemplos do que poderia ocorrer com a China em uma crise grave envolvendo Taiwan ou o Mar do Sul da China.
Construir uma rede de pagamentos, crédito e comércio fora do dólar funciona, nesse sentido, como uma forma de preparação econômica.
Dólar continua muito à frente
Apesar do avanço chinês, o yuan permanece distante de substituir o dólar no sistema financeiro mundial.
Em janeiro de 2026, o renminbi respondeu por aproximadamente 3,13% dos pagamentos globais registrados pela Swift, ocupando a quinta posição. Quando excluídos os pagamentos realizados dentro da zona do euro, sua participação ficou em 2,42%.
Nas reservas cambiais oficiais dos bancos centrais, a diferença é ainda maior. No primeiro trimestre de 2026, o dólar representava 57,13% das reservas declaradas, enquanto o yuan correspondia a apenas 1,99%.
O FMI também observa que, embora mais de 27% do comércio de mercadorias da própria China já fosse liquidado em yuan em 2024, o emprego da moeda em transações que não envolvem empresas chinesas continuava limitado.
Portanto, o aumento do uso regional não significa que o dólar esteja próximo de perder sua condição de principal moeda internacional.
Controles chineses limitam a expansão
A internacionalização enfrenta dificuldades criadas pela própria política econômica chinesa.
Pequim mantém controles sobre a entrada e a saída de capitais, administra a taxa de câmbio e restringe determinadas movimentações financeiras. Essas medidas ajudam o governo a preservar a estabilidade interna, mas reduzem a atratividade do yuan para investidores que desejam movimentar grandes valores livremente.
O mercado offshore em renminbi também possui menos profundidade e liquidez do que os mercados em dólar ou euro. Há menor oferta de ativos considerados seguros, instrumentos de proteção cambial e títulos facilmente negociáveis em escala global.
O FMI avalia que essas limitações, somadas à flexibilidade reduzida do câmbio, dificultam a realização de operações internacionais de grande porte.
Para que o yuan dispute verdadeiramente a posição do dólar, a China provavelmente teria de aceitar maior liberdade financeira, transparência e circulação internacional de capitais — mudanças que poderiam reduzir o controle exercido pelo governo sobre a economia.
Reunião prepara cúpula de setembro
A proposta surge enquanto os integrantes da organização preparam a cúpula marcada para 1º de setembro de 2026, em Bishkek, no Quirguistão.
Os ministros das Relações Exteriores dos dez países reuniram-se em 24 de julho, em Cholpon-Ata, e aprovaram como base os projetos da Declaração de Bishkek e de outros documentos que serão submetidos aos chefes de Estado. O encontro contou com a presença do chanceler chinês Wang Yi e de representantes de Rússia, Índia, Irã, Paquistão e das demais nações do grupo.
A agenda monetária poderá aparecer associada a propostas mais amplas de facilitação do comércio, financiamento de infraestrutura, criação do banco de desenvolvimento e fortalecimento do Consórcio Interbancário.
Uma rede paralela, não uma substituição imediata
A importância da iniciativa está menos na possibilidade de o yuan derrubar rapidamente o dólar e mais na formação de um sistema regional capaz de operar sem ele.
A China não precisa transformar imediatamente sua moeda na principal reserva mundial para obter vantagens estratégicas. Basta criar corredores comerciais nos quais petróleo, gás, minerais, máquinas, automóveis e infraestrutura possam ser pagos e financiados sem depender de bancos americanos.
A Organização de Cooperação de Xangai oferece um ambiente favorável porque reúne a maior economia exportadora do mundo, grandes produtores de energia e minerais, países submetidos a sanções e mercados emergentes interessados em financiamento chinês.
Se a estratégia avançar, o resultado poderá ser uma arquitetura monetária mais fragmentada: o dólar permaneceria dominante globalmente, enquanto o yuan ganharia espaço em partes da Eurásia, no comércio de energia e nas cadeias ligadas à China.
A mudança não representaria o fim do sistema do dólar. Mas reduziria gradualmente o alcance financeiro dos Estados Unidos e aumentaria a capacidade de Pequim de definir as regras econômicas em sua própria área de influência.■

E falando em comércio exterior,as negociações entre Índia e Mercosul estão caminhando…
A Índia está emergindo como gigante oportunidade para o agronegócio brasileiro e pode triplicar importações até 2030
Em 2025, as vendas de produtos agropecuários para o mercado indiano somaram US$ 2,8 bilhões e crescem rapidamente (47% no primeiro trimestre).
Segundo estimativas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações do agro para a Índia podem chegar a US$ 9 bilhões em 2030.
Com uma população superior a 1,4 bilhão de habitantes, crescimento acelerado da renda e expansão da classe média urbana, o país asiático passa a ocupar posição estratégica nos planos de internacionalização das cadeias produtivas do Brasil.
Enquanto Estados Unidos, União Europeia e China continuam sendo destinos relevantes para as exportações nacionais, a Índia desponta como uma alternativa de grande potencial para diversificar mercados, reduzir riscos comerciais e ampliar as vendas de produtos de maior valor agregado.
Índia amplia demanda por alimentos, energia e tecnologia agrícola
A expansão da economia indiana, aliada ao crescimento populacional e ao aumento do consumo interno, abre espaço para diversos segmentos do agro brasileiro.
Entre os principais produtos com potencial de expansão estão:
Alternativa às Tarifas de Trump (“Tarifaço”)
O avanço do Mercosul com a Índia faz parte de um plano de contingência para reduzir a dependência dos Estados Unidos, que impuseram pesadas tarifas de 12,5% a 25% sobre dezenas de parceiros globais,atingindo diretamente tanto o Brasil (que acionou a OMC) quanto a própria Índia.
A estratégia desenhada funciona em três frentes:
Resposta do Mercosul e Parceiros
Quem sabe com esse movimento rumo a Ásia, com negociações com Coréia do Sul e futuramente outros países da ASEAN-Associação de Nações do Sudeste Asiático,e finalizando possíveis acordos com indianos,o nosso comércio fique menos dependente de atores globais hostis,que devido a seu analfabetismo diplomático e comércial,passe a ser um parceiro coadjuvante e superfluo.
Enquanto alguns choram, outros estão vendendo lenços…
Esses próximos 30 anos vão ser o da Ascenção da Índia como super potência mundial , e sim os indianos vão ultrapassar o Brasil e vários indicadores sociais.
Os programas espaciais dos três países refletem bem uma percepção que provavelmente vai expandir para diversos outros segmentos.
Os três países iniciaram praticamente juntos seus programas para desenvolvimento de veículos lançadores.
Todos próximos do ano de 1960, com criações de metas, comissões, etc.
Nesta mesma década, o Brasil se adiantou e conseguia lançar (via CTA e ITA) os primeiro veículos de sondagem (família Sonda). Foi um marco.
Infelizmente, foi o último momento que estivemos na liderança.
Logo em 1970, a China conseguiu lançar seus primeiro satélite e colocá-lo em órbita. Dez anos. Reforço: 10 anos de desenvolvimento e eles alcançaram tal feito.
A Índica veio um pouco atrás, conseguiu alcançar o mesmo feito em 1980. Vinte anos. Pouco mais que a China mas, importante, com vinte anos de trabalho já tinham conseguido tal feito.
E o Brasil?
Passados quase 70 (setenta) anos não conseguimos alcançar nossa meta de colocar um satélite em órbita.
Os motivos? Diversos.
Enquanto China e Índia transformaram seus programas espaciais em questões como segurança nacional e programa de Estado, nosso país enfrentou sucessivas crises econômicas e revisões constantes a cada troca de Governo.
Passados 70 anos, continuamos com crise econômica e criando apenas planos de Governo (e não de Estado).
Os programas de todos os países sofreram com limitações tecnológicas e sanções.
Sanções, principalmente devido as tecnologias utilizadas, que é combustível sólido, nos três veículos. Isso faz com que o veículo seja do tipo dual-use, principalmente quando os programas tem forte ligação com o setor militar.
As limitações tecnológicas afetaram diretamente todos os programas.
Mas, como Índia e China estavam comprometidos com a meta (lição para os políticos: uma meta nunca deve vir sem comprometimento) ambos os países trabalharam duro para desenvolvimento de tecnologia própria e criação de uma cadeia de suprimentos regional.
Todos programas sofreram com falhas e tragédias, mas nenhuma comparada com o acidente de Alcântara, ocorrido em 2003.
O acidente tirou a vida de engenheiros, técnicos e outros cientistas o que impactou drasticamente do desenvolvimento do VLM.
Mas, independentemente, nada muda as situações de que os outros países alcançaram órbita 30-20 anos antes e que, até hoje, não conseguimos o mesmo feito.
Referente ao atual comércio da China demais países, poucos comentam o investimento brutal que este país tem feito para se tornar autossuficiente em milho, arroz e trigo.
Também tem o mesmo planejamento em relação a soja, que é o principal insumo para rações animais.
Mesma coisa em relação as proteínas, na qual tem investido pesado na criação confinada e carne cultivada.
E estão conseguindo do mesmo modo que conseguem desenvolver boa parte do planejam: com conhecimento e com tecnologia de ponta.
A primeira meta, a ser alcançada já em 2030 é a redução de 25% da necessidade de importação para grãos e proteínas.
O Brasil precisaria ficar atento, uma vez que 75% da soja e 50% de carne bovina, que são exportados, vão para a China.
Se formos aplicar esta redução para nossas exportações, trará um impacto acima de R$ 40 bilhões de reais para a economia.
Precisaria, porque sabemos que o forte do Estado não é planejamento de médio prazo (que dirá curto). Mas sim, planejamento de curto prazo, e ainda restrito as próximas eleições.
eu trabalho no agronegócio e seu texto foi no ponto certo…enquanto muitos ficam torcendo por x ou y e esquece do principal torce por nos. Eu conheci pessoalmente o projeto agrícola Chinês que tem objetivo em diminui em 68% as exportações de Commodities agrícolas nos próximos anos.
E o pior eles estão usando nossa tecnologia agrícola de graça para desenvolver isso.
A Embrapa esta ajudando países africanos no desenvolvimento de cultura de milho, algodão e soja em seu territorio financiada pela China. Estamos criando novos concorrentes.
Agora aos defensores da China me mostre um pais onde eles compartilharam tecnologia e conhecimento deles?
Os chineses na verdade eles agem como verdadeiros agiotas
Ótimo ponto Francisco.
Compartilhamento de conhecimento e tecnologia.
O Embrapa é uma referência no que tange P&D relacionado a agricultura e pecuária.
O conhecimento disponibilizado, de forma gratuita, em suas cartilhas é impar. Já recorri muito a elas.
Este modus-operandi também é visto nos satélites sino-brasileiros do programa CBERS.
O acordo em as seguintes diretrizes de transferência relacionada sob responsabilidade da China que deveriam beneficiar o Brasil:
* Montagem, configuração e testes de sensoriamento remoto ópticos;
* Integração configuração e uso de tecnologia SAR;
* Competências relacionadas a engenharia orbital, como rastreamento e captura de dados;
* Códigos dos sistemas de controle tanto do artefato quanto de solo.
Onde estão as críticas:
* Os engenheiros e cientistas chineses estão em um nível mais avançado tecnológica e industrialmente. Como no acordo não foi estipulado o ToT do core (base) das tecnologias, a autonomia para desenvolvimento e construção ficou bastante comprometida. Houveram tentativas de incluir aditivos nos acordo mas foram negadas;
* Os sistemas mais complexo ficaram sob responsabilidade dos engenheiros chineses e, para o Brasil, foi passado apenas o conhecimento de instalações, configurações e operações;
* Por último, e para variar, falta de continuidade e gargalos orçamentários, que em muitas vezes travou o processo e impediu a indústria nacional absorvesse o conhecimento adquirido.
E aqui um ponto importante que bate bastante com o que você comentou.
Nos primórdios do programa CBERS (décadas de 1980 e 1990), o Brasil enviava seus engenheiros sêniores e experientes para ensinar os fundamentos de documentação, padronização de engenharia e métodos científicos aos chineses — que, na época, contavam com equipes recém-formadas e estruturas básicas.
Com a absorção do conhecimento por parte da China, e o passar do anos, num país que forma milhões de engenheiros por ano, possui um complexo militar espacial bem financiado o cenário se inverteu.
Enquanto o Brasil continua enviando engenheiros com bastante experiência e bem capacitados, de nível senior, a China frequentemente escala recém formados para o programa.
Somando esta falta de experiência de jovens recentemente formados com a estrutura estatal chinesa que é extremamente rígida quanto à segurança e transferência tecnológica, já é possível analisar e entender um pouco o cenário.
Bloco importante que pode beneficiar muito o Brasil.