Sucuri - 2

Criado no auge da indústria brasileira de defesa, o blindado 6×6 combinava elevada mobilidade rodoviária, carregamento automático e poder de fogo capaz de neutralizar carros de combate. O projeto não encontrou compradores, mas antecipou uma categoria que ganharia importância décadas depois

No final da década de 1970, quando os canhões capazes de enfrentar carros de combate ainda estavam associados principalmente a veículos pesados sobre lagartas, a Engesa apresentou uma proposta incomum: instalar uma arma de 105 mm em um blindado 6×6 relativamente leve, veloz e concebido para atacar por surpresa.

O resultado foi o EE-17 Sucuri, um caça-tanques sobre rodas de aproximadamente 18,5 toneladas, armado com uma torre francesa de carregamento automático e capaz, segundo os dados divulgados na época, de alcançar cerca de 110 km/h em estrada.

O veículo jamais entrou em produção. Apenas um protótipo é conhecido, e nenhuma força armada formalizou uma encomenda. Ainda assim, o Sucuri ocupa um lugar singular na história da indústria bélica brasileira: foi uma tentativa de criar, antes que esse conceito se tornasse comum, um blindado de grande mobilidade estratégica e elevado poder de fogo para missões de reconhecimento armado, defesa anticarro e apoio direto.

Sua história também revela os limites do modelo industrial da Engesa. A empresa era capaz de conceber produtos ousados e adaptá-los rapidamente ao mercado internacional, mas dependia fortemente das exportações e frequentemente avançava em projetos sem um cliente inicial que garantisse sua sustentação financeira.

Do sucesso do Cascavel a uma ambição maior

EE-9 Cascavel do Equador

A Engesa havia sido fundada em 1958 por José Luiz Whitaker Ribeiro e começou suas atividades prestando serviços à indústria petrolífera. A experiência com caminhões fora de estrada e sistemas de tração aproximou a empresa do Exército Brasileiro, levando-a, a partir do início da década de 1970, ao setor de veículos militares.

Seus produtos mais conhecidos foram o EE-9 Cascavel, blindado de reconhecimento armado, e o EE-11 Urutu, transporte de pessoal anfíbio. Os dois veículos compartilhavam soluções mecânicas, componentes comerciais e a característica suspensão traseira “Bumerangue”, desenvolvida pela Engesa para manter as rodas em contato com terrenos irregulares.

EE-11 Urutu

A combinação de simplicidade, robustez, preço competitivo e facilidade de manutenção transformou o Cascavel e o Urutu em sucessos de exportação. Entre 1974 e 1981, a Engesa já havia vendido mais de 1.300 viaturas militares. No período mais amplo entre 1974 e 1990, a empresa teria exportado mais de 4.000 veículos, avaliados em aproximadamente US$ 1,2 bilhão, para cerca de vinte países.

Esse êxito criou as condições financeiras e industriais para projetos mais ambiciosos. O Cascavel, porém, utilizava um canhão de 90 mm adequado para reconhecimento, apoio de fogo e combate contra fortificações ou blindados leves. Contra carros de combate mais modernos, seu poder anticarro era limitado.

O Sucuri nasceu da tentativa de levar a fórmula da Engesa a outro patamar: preservar a velocidade e a mobilidade de um veículo sobre rodas, mas dotá-lo de uma arma de 105 mm.

Um caça-tanques, não um carro de combate

O EE-17 não foi concebido para cumprir o mesmo papel de um carro de combate principal. Sua blindagem relativamente leve não permitiria que enfrentasse tanques inimigos em uma troca prolongada de tiros.

A lógica operacional era outra. O Sucuri deveria deslocar-se rapidamente por estradas e terrenos relativamente firmes, ocupar posições favoráveis, disparar contra os flancos dos carros de combate adversários e retirar-se antes de sofrer uma resposta.

Em termos contemporâneos, seria uma plataforma de “atirar e fugir”, capaz também de reforçar rapidamente setores ameaçados, proteger os flancos de colunas mecanizadas e funcionar como reserva anticarro móvel.

Essa combinação de canhão pesado e chassi sobre rodas ainda era pouco comum. O AMX-10RC francês estava em desenvolvimento na mesma época, enquanto o austríaco SK-105 Kürassier adotava uma filosofia semelhante de grande poder de fogo em uma plataforma leve, embora utilizasse lagartas.

A própria designação do veículo aparece com variações. Documentos e catálogos da Engesa empregavam EE-17 Sucuri para o primeiro protótipo e EE-18 Sucuri para o modelo posterior. As denominações “Sucuri I” e “Sucuri II” foram popularizadas para distinguir os dois projetos, mas aparentemente não constituíam, em todos os casos, a nomenclatura formal da fabricante.

Uma torre francesa sobre um chassi brasileiro

O elemento mais característico do EE-17 era a torre oscilante francesa FL-12, associada às versões mais avançadas do carro leve AMX-13 e também utilizada como base em outros veículos de combate.

Diferentemente de uma torre convencional, na qual apenas o canhão se movimenta verticalmente, a FL-12 era dividida em duas partes. A seção superior, contendo o armamento, os mecanismos de carregamento e parte dos equipamentos de pontaria, inclinava-se para elevar ou abaixar o canhão.

Essa solução permitia instalar um sistema de carregamento automático relativamente compacto. Dois tambores alimentavam o canhão, reduzindo a necessidade de um carregador dedicado dentro da torre e proporcionando uma cadência elevada nos primeiros disparos.

O armamento principal era o canhão francês CN-105-57, também identificado em algumas referências como CN-105 D1504, de 105 mm e baixa pressão. A arma havia sido desenvolvida para permitir que veículos leves utilizassem munição de grande calibre sem sofrer as forças de recuo normalmente associadas aos canhões de carros de combate.

Em contrapartida, o canhão dependia principalmente de munições de energia química, especialmente projéteis anticarro de carga oca. Essas munições não precisavam de velocidades extremamente elevadas para perfurar blindagens, mas a arma tinha potencial mais limitado para empregar projéteis cinéticos modernos do tipo flecha.

A torre incluía telêmetro laser, equipamentos de observação e a possibilidade de instalação de sistemas de visão noturna. O armamento secundário compreendia uma metralhadora coaxial de 7,62 mm. As fontes divergem quanto à quantidade total de munição de 105 mm, geralmente situada entre 40 e 43 disparos, dos quais 12 ficavam prontos para uso nos tambores do carregador automático.

Mobilidade herdada da família Engesa

O chassi do Sucuri aproveitava conceitos, componentes e conhecimentos acumulados com o Cascavel e o Urutu, embora fosse dimensionado para suportar uma massa e um armamento consideravelmente maiores.

O veículo tinha seis rodas motrizes, direção no eixo dianteiro e o sistema Bumerangue nos dois eixos traseiros. A suspensão permitia que as quatro rodas traseiras acompanhassem melhor as irregularidades do terreno, mantendo a tração e oferecendo boa capacidade de transposição.

A motorização era composta por um Detroit Diesel 6V53T, de seis cilindros em V, turbocomprimido e refrigerado a líquido, desenvolvendo cerca de 300 hp. O motor era acoplado a uma transmissão automática Allison MT 640, com quatro marchas à frente e uma à ré.

Com aproximadamente 18,5 toneladas em ordem de combate, o EE-17 apresentava uma relação peso-potência próxima de 16 hp por tonelada. A velocidade máxima anunciada chegava a 110 km/h, enquanto a autonomia era estimada em aproximadamente 600 quilômetros.

Os pneus podiam receber sistema central de calibragem, permitindo que o motorista modificasse a pressão de acordo com o terreno. Pneus do tipo run-flat também permitiriam continuar o movimento por determinada distância depois de atingidos.

O casco era construído com placas de aço bimetálico soldadas. A solução combinava uma camada externa mais dura, destinada a romper ou deformar o projétil, com uma camada interna mais dúctil, voltada à absorção de energia e à redução de fragmentos dentro do compartimento.

A proteção era adequada contra armas leves e estilhaços, mas não contra os canhões de carros de combate. Essa vulnerabilidade não constituía necessariamente uma falha isolada: fazia parte da filosofia de um veículo que trocava blindagem por velocidade e mobilidade.

As limitações apareceram rapidamente

Embora inovador, o EE-17 reunia soluções que nem sempre funcionavam de maneira harmoniosa.

A torre FL-12 elevava consideravelmente a silhueta do veículo. Em uma plataforma destinada a emboscadas anticarro, a altura era uma desvantagem importante, pois dificultava ocultar o blindado atrás de elevações, muros e coberturas naturais.

A suspensão Bumerangue havia demonstrado excelente desempenho nos veículos mais leves da Engesa, mas o Sucuri aproximava o sistema de seus limites práticos. O peso maior e as forças geradas pelo canhão de 105 mm impunham esforços superiores aos encontrados no Cascavel e no Urutu.

A transmissão também é apontada por reconstruções técnicas posteriores como um ponto vulnerável. A Allison MT 640 tinha capacidade nominal inferior à potência máxima do motor empregado, criando dúvidas sobre sua durabilidade em um blindado pesado submetido a uso intenso fora de estrada.

Havia ainda um problema doutrinário. Poucos exércitos possuíam unidades especificamente organizadas para operar caça-tanques pesados sobre rodas. Um comprador precisaria não apenas adquirir o equipamento, mas adaptar sua organização, treinamento, logística e maneira de combater.

O Exército Brasileiro não demonstrou interesse suficiente para transformar o Sucuri em um programa oficial. Sem uma encomenda doméstica que validasse o veículo, a Engesa ficou dependente de encontrar um cliente estrangeiro disposto a financiar seu amadurecimento.

Demonstrações no exterior, mas nenhum contrato

O EE-17 foi submetido a testes no Brasil e enviado para avaliação na Malásia, onde chegou a ser fotografado sendo transportado por ferrovia. A Malásia é o único país estrangeiro cuja avaliação aparece de maneira consistente na documentação técnica disponível.

Outros países — entre eles Iraque, Líbia, Marrocos, Kuwait, Grécia, Venezuela e Chile — aparecem em relatos posteriores como possíveis destinos de apresentações ou negociações. A comprovação documental dessas demonstrações, entretanto, é desigual, e não há evidência de que algum deles tenha chegado perto de formalizar uma aquisição.

Página de relatório da CIA sobre o EE-17 Sucuri

O projeto despertou atenção internacional suficiente para ser acompanhado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Um documento norte-americano datado de 1º de maio de 1980, posteriormente desclassificado, foi dedicado especificamente ao “blindado caça-tanques EE-17 Sucuri produzido no Brasil”.

A curiosidade externa não se converteu em contratos. O protótipo permaneceu único e, no começo da década de 1980, já teria sido colocado em armazenamento.

O segundo Sucuri

EE-18 Sucuri II

A Engesa não abandonou o conceito. Na segunda metade da década de 1980, a empresa iniciou um projeto muito mais avançado, denominado EE-18 Sucuri, posteriormente conhecido como Sucuri II.

Apesar da continuidade do nome, o EE-18 não era apenas uma reforma do primeiro protótipo. O casco, a torre, o armamento e vários componentes foram profundamente redesenhados.

A torre oscilante francesa deu lugar a uma torre convencional desenvolvida com experiência tecnológica adquirida pela Engesa em outros programas, especialmente no carro de combate EE-T1 Osório. O novo armamento era um canhão OTO Melara de 105 mm, baseado na família britânica L7 e adaptado para reduzir as forças transmitidas ao chassi.

Ao contrário do antigo canhão francês de baixa pressão, a nova arma podia utilizar munições padrão da OTAN e projéteis perfurantes estabilizados por aletas, incluindo munições APFSDS.

O primeiro protótipo do EE-18 foi concluído no final de 1987. A Engesa o promovia como um veículo capaz de executar emboscadas, cobrir os flancos de forças em movimento, constituir uma reserva móvel e responder rapidamente a rupturas nas linhas defensivas. O veículo mantinha a configuração 6×6, tripulação de quatro homens e peso próximo de 18 toneladas.

O EE-18 corrigia várias limitações do antecessor, apresentando menor silhueta, sistema de tiro mais moderno e armamento muito mais adequado ao combate contra carros de batalha. Mesmo assim, nenhuma encomenda foi obtida. Em maio de 1992, pouco antes do colapso definitivo da Engesa, ainda não havia contratos firmes para o veículo.

Um projeto sem cliente em uma empresa dependente de exportações

O fracasso do Sucuri não pode ser explicado apenas por seus problemas técnicos. Ele também foi consequência da estrutura comercial sob a qual a indústria brasileira de defesa havia crescido.

A Engesa dependia de maneira extraordinária do mercado externo. Estimativas do Ipea indicam que aproximadamente 78% dos Cascavel e 76% dos Urutu produzidos foram exportados. Enquanto as importações mundiais de armamentos cresciam e países do Oriente Médio compravam grandes quantidades de equipamentos, esse modelo parecia viável.

Na passagem dos anos 1980 para os anos 1990, o cenário mudou. O fim da Guerra Irã-Iraque, a redução das tensões da Guerra Fria e as dificuldades financeiras dos principais compradores diminuíram a demanda. As importações mundiais de equipamentos militares caíram cerca de 37% entre as décadas de 1980 e 1990.

A Engesa enfrentava simultaneamente fragilidades administrativas, elevado endividamento e os custos de projetos cada vez mais sofisticados. O mais oneroso deles foi o EE-T1 Osório, desenvolvido principalmente para a concorrência de carros de combate da Arábia Saudita.

O Sucuri não provocou a falência da empresa. Seu insucesso, contudo, refletia o mesmo problema estrutural: a Engesa desenvolvia plataformas ambiciosas sem possuir uma encomenda nacional capaz de dividir riscos, sustentar a engenharia e financiar a produção inicial.

Estudos baseados em documentos do Arquivo Nacional apontam que a queda da empresa resultou da combinação de vulnerabilidades financeiras e administrativas com uma tentativa malsucedida de realizar um salto tecnológico. A falência foi decretada em outubro de 1993.

O desaparecimento do protótipo

Depois de ser armazenado, o único EE-17 conhecido teria recebido uma torre diferente, armada com canhão francês de 90 mm. Não está claro por que essa modificação foi realizada nem qual finalidade a Engesa pretendia dar à nova configuração.

Após a falência, o veículo integrou o conjunto de bens vendidos durante a liquidação da empresa. Segundo reconstruções baseadas em depoimentos e fotografias, o protótipo acabou adquirido por uma companhia privada e posteriormente foi desmontado e enviado para fundição. Apenas partes do tubo e do freio de boca teriam sobrevivido. O EE-18 teve o mesmo destino destrutivo.

O Sucuri antecipou o Centauro?

Centauro II
EE-18 Sucuri II

É tentador apresentar o EE-17 como um antecessor direto de veículos modernos, como o italiano Centauro. A comparação, porém, precisa ser feita com cautela.

Não há uma linha de desenvolvimento ligando o projeto brasileiro às plataformas europeias posteriores. O que existe é uma convergência conceitual: diferentes países perceberam que um veículo sobre rodas poderia transportar um canhão de carro de combate e deslocar-se rapidamente por longas distâncias, com custos logísticos inferiores aos de um blindado sobre lagartas.

O primeiro Sucuri não possuía a estabilidade, a proteção, a eletrônica ou a arquitetura automotiva dos caça-tanques 8×8 que surgiriam depois. Ao insistir em um veículo 6×6 baseado em soluções desenvolvidas para plataformas mais leves, a Engesa encontrou limites que outras fabricantes resolveriam com chassis maiores, suspensões independentes e sistemas de controle de tiro mais avançados.

Mesmo assim, o princípio estava presente: utilizar velocidade, autonomia, poder de fogo e mobilidade operacional em lugar de blindagem pesada.

Mais do que uma oportunidade perdida

O EE-18 Sucuri II apresentado nas comemorações de 7 de setembro de 1989, em São Paulo

O EE-17 Sucuri costuma ser lembrado como outra “oportunidade perdida” da indústria brasileira. Essa interpretação contém uma parte da verdade, mas simplifica excessivamente sua história.

O projeto era ousado e antecipava uma tendência real. Ao mesmo tempo, tinha limitações técnicas, não correspondia a uma exigência formal do Exército Brasileiro e surgiu antes que a maioria dos compradores tivesse uma doutrina definida para esse tipo de veículo.

Seu fracasso não foi resultado apenas da falta de apoio governamental ou de decisões políticas externas. O Sucuri chegou ao mercado com uma torre alta, um conjunto mecânico pressionado pelo peso e um canhão que já começava a ser superado pela evolução das munições anticarro.

A importância histórica do blindado está justamente nessa contradição. O Sucuri mostrou que a Engesa possuía capacidade para enxergar tendências, integrar tecnologias estrangeiras a soluções nacionais e propor veículos fora dos padrões tradicionais. Mas também demonstrou que inovação conceitual não substitui um requisito militar claro, financiamento de longo prazo, testes extensivos e um cliente disposto a acompanhar o amadurecimento do produto.

O EE-17 nunca destruiu um tanque e jamais equipou uma unidade operacional. Ainda assim, permanece como um dos projetos mais reveladores do período em que o Brasil tentou transformar sua indústria de defesa em competidora dos grandes fabricantes mundiais.

EE-17 Sucuri
Principais características técnicas do caça-tanques 6×6 desenvolvido pela Engesa
Característica Especificação
Identificação e desenvolvimento
Designação EE-17 Sucuri, posteriormente também conhecido como Sucuri I
Tipo Caça-tanques e veículo blindado de apoio de fogo sobre rodas
País de origem Brasil
Fabricante Engesa — Engenheiros Especializados S.A.
Período de desenvolvimento Meados da década de 1970, com apresentação pública em 1977
Quantidade construída 1 protótipo conhecido
Situação do programa Não entrou em produção seriada e não recebeu encomendas
Desenvolvimento posterior O conceito foi reformulado durante a década de 1980, dando origem ao EE-18 Sucuri II
Configuração, dimensões e peso
Configuração Veículo blindado 6×6, com tração nas seis rodas
Tripulação 4 militares: motorista, comandante/carregador, atirador e operador de rádio
Comprimento Aproximadamente 6,35 metros
Largura Aproximadamente 2,60 metros
Altura Aproximadamente 2,80 metros
Peso vazio Aproximadamente 17 toneladas
Peso em ordem de combate 18,5 toneladas
Armamento e sistema de tiro
Torre Torre oscilante francesa FL-12, também empregada em versões do carro leve AMX-13
Armamento principal Canhão francês CN-105-57 de 105 mm, de baixa pressão
Comprimento do canhão Aproximadamente 44 calibres
Sistema de carregamento Carregamento automático por dois tambores instalados na torre
Munição de pronto emprego 12 projéteis de 105 mm nos carregadores automáticos
Munição total Aproximadamente 43 projéteis de 105 mm, distribuídos entre a torre e o casco
Principais tipos de munição Munições anticarro de carga oca, alto explosivo e projéteis destinados ao ataque contra fortificações e alvos leves
Armamento secundário 1 metralhadora coaxial de 7,62 mm
Lançadores de granadas fumígenas 4 lançadores instalados nas laterais da torre
Equipamentos de pontaria Mira telescópica, periscópios, telêmetro laser e previsão para equipamentos de visão noturna
Setor vertical do canhão Aproximadamente −5° a +12,5°
Proteção
Construção do casco Placas soldadas de aço blindado bimetálico
Proteção do casco Proteção principalmente contra armas leves, projéteis de infantaria e fragmentos de artilharia
Blindagem da torre Até aproximadamente 25 mm na parte frontal e nas laterais da torre FL-12
Conceito de sobrevivência Uso da velocidade, da mobilidade e de posições de emboscada, em vez de blindagem pesada
Motorização e transmissão
Motor Detroit Diesel 6V53T, diesel, V6, turboalimentado e refrigerado a líquido
Potência máxima 300 hp a 2.800 rpm
Relação peso/potência Aproximadamente 16,2 hp por tonelada
Transmissão Allison MT-640 automática
Marchas 4 à frente e 1 à ré
Caixa de transferência Sistema Engesa com duas relações de velocidade
Suspensão dianteira Feixes de molas semielípticas
Suspensão traseira Sistema Engesa Bumerangue nos dois eixos posteriores
Pneus 14.00 × 20 do tipo run-flat
Calibragem dos pneus Sistema central automático de regulagem da pressão oferecido como equipamento opcional
Desempenho
Velocidade máxima em estrada Até 110 km/h
Velocidade em terreno irregular Até aproximadamente 80 km/h, conforme dados promocionais da época
Autonomia Aproximadamente 600 km
Emprego previsto e histórico
Missões principais Defesa anticarro, reconhecimento armado, apoio de fogo, cobertura de flancos e reserva móvel
Forma de emprego Atacar a partir de posições favoráveis e mudar rapidamente de posição após o disparo
Avaliações conhecidas Testado no Brasil e apresentado para avaliação na Malásia
Destino do protótipo Permaneceu armazenado após o encerramento do programa e acabou sendo desmontado depois da falência da Engesa
Nota técnica: o EE-17 Sucuri permaneceu como protótipo experimental. Algumas dimensões, a composição da tripulação e determinados dados do sistema de armas apresentam pequenas diferenças entre catálogos da época, documentos de inteligência e estudos históricos posteriores. A espessura exata da blindagem do casco não foi divulgada de forma conclusiva.
Projeto: apresentado pela Engesa em 1977, o EE-17 combinava a configuração 6×6 da família Cascavel/Urutu com uma torre oscilante francesa armada com canhão de 105 mm. O elevado custo da torre importada, as limitações técnicas e a ausência de encomendas impediram sua produção seriada.
Fontes: documentação promocional da Engesa; Jane’s Armour and Artillery; Expedito Carlos Stephani Bastos; Lexicar Brasil; Tank Encyclopedia e documento desclassificado da inteligência norte-americana.


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Fred
Fred
13 dias atrás

Muito se fala dos problemas governamentais, disputas ideológicas e de papel do Estado entre as diferentes forças políticas que chegam ao poder no Brasil. Pouco se fala de que essas questões reverberam nas instituições militares brasileiras (há grupos e disputas de projetos entre os militares também, derivadas das disputas políticas tradicionais).
No campo da defesa, o que eu observo é a disputa entre adesão completa e subserviente aos manuais, doutrinas dos EUA/OTAN (e aceitação do papel potencial do próprio país ao que propõe os EUA) x diferentes propostas de nacional desenvolvimentismo / autonomia.
O exemplo da Engesa é só mais um, entre tantos temas, afetados por essa disputa. Ao invés de escolher algo que potencializava soberania, industrialização, geração de empregos, autonomia tecnológica (ainda que em substituição de importação), foi escolhida uma alternativa diferente ou a escolha foi adiada por muito tempo, tendo o não desenvolvimento nacional como resultado.

Enquanto não for criada uma agenda de ESTADO com planejamento de 30 anos, para a qual direitas, centros, esquerdas que se revezem no poder TENHAM que atender, ficaremos sem sair do lugar. Nesse limbo eterno de país do futuro.

Willian
Willian
Responder para  Fred
13 dias atrás

Estamos sob um nacional desenvolvimento desde vargas e provavelmente antes, e ainda não saimos do lugar, ou seja, abandone de vez esse lixo de positivismo e nacional desenvolvimento. E foque em liberdade economica e menos massacre da população sob a mão opressora do estado

Mauricio R.
5 dias atrás

Infelizmente para a Engesa um certo AMX-10RC, colocou água no chopp de ambos os protótipos do Sucuri.
Era 6 x 6, armado com um canhão de 105mm, suspenção hidropneumática, além de anfíbio.
Hoje opera com diferentes graus de sucesso, na Ucrânia.