The EU’s gross domestic product (GDP)

Relatório do Eurostat mostra uma União Europeia com emprego elevado e inflação em desaceleração, mas pressionada pela baixa natalidade, dependência energética externa, desigualdades sociais e crescimento econômico moderado

A União Europeia chegou a 2026 exibindo uma combinação de avanços sociais, recuperação econômica moderada e desafios estruturais que deverão acompanhar o continente durante as próximas décadas.

A nona edição do relatório Key Figures on Europe, principal publicação estatística anual do Eurostat, reúne indicadores sobre população, saúde, educação, emprego, economia, comércio, energia e meio ambiente. Os dados foram extraídos em 4 de maio de 2026 e, em sua maioria, referem-se a 2024 ou 2025.

O retrato produzido pelo órgão estatístico europeu é o de um bloco que cresce pouco, envelhece rapidamente e depende cada vez mais da imigração para sustentar sua população e seu mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a UE amplia o emprego, reduz parte das emissões de gases de efeito estufa e diversifica suas fontes de energia depois da crise provocada pela guerra na Ucrânia.

População cresce pela imigração, não pelos nascimentos

Em 1º de janeiro de 2025, a União Europeia tinha 450,6 milhões de habitantes, número 1,2 milhão superior ao registrado um ano antes. Alemanha, França, Itália, Espanha e Polônia concentravam conjuntamente 65,9% da população do bloco.

O crescimento recente, entretanto, não representa uma reversão do declínio demográfico europeu. Entre 2015 e 2025, a população da UE aumentou 7,8 milhões, ou 1,8%, impulsionada principalmente pela migração líquida positiva.

O Eurostat projeta que a população europeia ainda poderá alcançar 453,3 milhões em 2029, antes de iniciar uma trajetória descendente até chegar a aproximadamente 398,8 milhões em 2100. A participação da UE na população mundial, que era inferior a 10% desde 1974, caiu para 5,5% em 2025 e poderá recuar para 3,9% no fim do século.

A principal explicação está na baixa fecundidade. Em 2024, a média europeia foi de apenas 1,34 filho por mulher, muito abaixo do nível de reposição populacional de 2,1. A taxa variou entre 1,72 na Bulgária e apenas 1,01 em Malta.

O envelhecimento já altera a relação entre trabalhadores e aposentados. Em 2005, havia 3,7 pessoas entre 20 e 64 anos para cada habitante com 65 anos ou mais. Essa proporção caiu para 2,7 em 2025 e, segundo as projeções do Eurostat, poderá chegar a somente 1,5 em 2100.

A mudança terá efeitos diretos sobre os sistemas de aposentadoria, a arrecadação tributária, os serviços de saúde e a disponibilidade de mão de obra.

Estrangeiros representam quase 10% da população

A imigração tornou-se uma das forças centrais da dinâmica populacional europeia. Em janeiro de 2025, 44,8 milhões de cidadãos estrangeiros viviam nos países da União Europeia.

Desse total, 14,1 milhões eram cidadãos de um país da UE residentes em outro Estado-membro, enquanto 30,7 milhões tinham nacionalidade de países externos ao bloco. Os estrangeiros representavam 9,9% da população europeia, proporção que chegava a 47% em Luxemburgo e permanecia abaixo de 2% na Polônia, Eslováquia e Romênia.

O número de novos pedidos de asilo, por outro lado, caiu expressivamente. Em 2025, foram registrados 669.400 solicitantes pela primeira vez, redução de 26,6% em relação ao ano anterior e bem abaixo do pico de um milhão observado em 2023.

Venezuelanos formaram o maior grupo, com 89.500 pedidos, seguidos por afegãos, com 63.800. Espanha, Itália, França e Alemanha foram os principais destinos das solicitações.

Expectativa de vida supera níveis anteriores à pandemia

A expectativa de vida voltou a crescer depois da queda provocada pela pandemia de Covid-19.

Em 2024, as mulheres europeias podiam esperar viver, em média, 84,1 anos, enquanto a expectativa para os homens era de 78,9 anos. A diferença entre os sexos ficou em 5,2 anos.

A Espanha apresentou a maior expectativa média de vida entre os países da UE, com 84 anos, seguida por Suécia, Itália e Chipre. A Bulgária ficou na última posição, com 75,8 anos.

Em 2023, a União Europeia registrou 4,8 milhões de mortes, das quais 85,2% ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais. Entre os mais jovens, o câncer foi a principal causa de morte. Na população idosa, predominaram as doenças circulatórias.

Emprego aumenta, mas desemprego juvenil permanece elevado

O mercado de trabalho europeu demonstrou relativa resistência às crises recentes. A taxa de emprego entre pessoas de 20 a 64 anos alcançou 76,1% em 2025, aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Malta apresentou a maior taxa, com 83,6%, seguida por Países Baixos, Chéquia, Suécia e Estônia. Itália e Romênia foram os únicos países em que menos de 70% da população dessa faixa etária estava empregada.

A taxa geral de desemprego ficou em 6%, mas a situação dos jovens continuou mais difícil. Entre pessoas de 15 a 24 anos, o desemprego alcançou 15,2%, índice 2,5 vezes superior ao da população economicamente ativa como um todo.

A força de trabalho entre 20 e 64 anos chegou a aproximadamente 210 milhões de pessoas. Embora o número de empregados tenha crescido 0,4%, o total de desempregados aumentou 1,9%.

O continente também enfrenta uma alteração na composição etária do emprego. O crescimento da força de trabalho ocorreu principalmente entre os europeus mais velhos, enquanto a participação dos jovens permaneceu relativamente estável.

Um em cada cinco europeus permanece socialmente vulnerável

Os indicadores de emprego não eliminaram a vulnerabilidade social. Em 2025, 92,7 milhões de pessoas, correspondentes a 20,9% da população da União Europeia, estavam em risco de pobreza ou exclusão social.

O número inclui habitantes com renda inferior ao limite de pobreza, pessoas submetidas a privação material ou social severa e integrantes de famílias com intensidade de trabalho muito baixa. Embora o total tenha diminuído em 500 mil pessoas em um ano, continuou abrangendo mais de um quinto dos habitantes do bloco.

A proporção chegou a 29% na Bulgária, 27,5% na Grécia, 27,4% na Romênia e 25,7% na Espanha. Na Chéquia, o índice foi de 11,5%, o menor da União.

Quase três em cada dez europeus — 29,2% da população — não tinham capacidade financeira para enfrentar uma despesa inesperada. Na Grécia, essa parcela ultrapassava metade da população, chegando a 50,5%.

Outro indicador mostra que 27,5% dos habitantes da UE não conseguiam pagar uma semana anual de férias fora de casa. A proporção alcançava 61,4% na Romênia e 46,6% na Grécia.

Educação avança, mas desigualdades persistem

A proporção de jovens entre 18 e 24 anos que abandonaram precocemente a educação ou a formação profissional ficou em 9,1% em 2025, pouco acima da meta europeia de reduzir o indicador para menos de 9% até 2030.

Os homens jovens apresentaram taxa de abandono de 10,6%, contra 7,5% entre as mulheres. A Romênia registrou o maior índice geral, com 15,5%, enquanto a Croácia apresentou o menor, com 2,1%.

Em 2024, as universidades europeias formaram 4,5 milhões de pessoas: 2,6 milhões de mulheres e 1,9 milhão de homens. A presença feminina predominava na maioria das áreas, mas os homens eram 3,7 vezes mais numerosos entre os graduados em tecnologias da informação e comunicação.

A sociedade também se tornou mais digital. Entre 2020 e 2025, aumentou a utilização de todas as nove atividades online avaliadas pelo Eurostat. O uso de mensagens instantâneas cresceu 13,3 pontos percentuais; chamadas e videoconferências, 13 pontos; serviços bancários digitais, 12 pontos; e redes sociais, dez pontos.

Economia cresce 1,5% após anos de forte volatilidade

O Produto Interno Bruto da União Europeia cresceu 1,5% em termos reais em 2025, depois de expansões de 0,4% em 2023 e 1% em 2024.

O desempenho permanece distante da recuperação registrada logo após a pandemia, quando a economia avançou 6,4% em 2021 e 3,5% em 2022. Em 2020, o PIB havia caído 5,6%.

O PIB por habitante chegou a €41.620 em 2025, ante €39.960 no ano anterior. Ajustados pelas diferenças no custo de vida, Luxemburgo e Irlanda apresentaram valores equivalentes a aproximadamente 2,4 vezes a média da União. Bulgária e Grécia ficaram em pouco mais de dois terços da média europeia.

A inflação desacelerou para 2,5% em 2025. Os preços de seguros e serviços financeiros registraram a maior alta, de 5,3%, enquanto produtos e serviços de informação e comunicação ficaram 1,7% mais baratos.

As diferenças de preços entre os países, contudo, continuam amplas. Luxemburgo, Dinamarca e Irlanda apresentaram custos gerais mais de 40% acima da média da UE. Romênia e Bulgária ficaram 42% abaixo da média. Na habitação, água e energia, a diferença variou de pelo menos 70% acima da média nos países mais caros a 61% abaixo na Bulgária.

Serviços dominam a estrutura econômica

A transformação da economia europeia em direção aos serviços prosseguiu. Em 2000, o setor respondia por 69,5% do valor adicionado da UE. Em 2025, a participação havia aumentado para 73,5%.

No mesmo período, a parcela industrial recuou de 22,4% para 19,2%, enquanto agricultura, silvicultura e pesca caíram de 2,4% para 1,8%.

O déficit público agregado da União Europeia correspondeu a 3,1% do PIB em 2025. Apenas cinco países registraram superávit: Chipre, Dinamarca, Irlanda, Grécia e Portugal.

Romênia e Polônia apresentaram os maiores déficits, de 7,9% e 7,3% do PIB, respectivamente. Bélgica e França também ultrapassaram 5%.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento somaram €403 bilhões em 2024, alta nominal de 3,6%. A intensidade de pesquisa permaneceu em 2,24% do PIB, variando de 0,46% na Romênia a 3,56% na Suécia.

Estados Unidos lideram compras de produtos europeus; China domina importações

Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações de mercadorias da União Europeia em 2025, absorvendo 21% do total. Reino Unido, Suíça e China apareceram nas posições seguintes.

No sentido inverso, a China foi a principal origem das importações europeias, com 22,3% do total, seguida pelos Estados Unidos, com 14,1%.

O mercado interno permaneceu fundamental: 61,4% do comércio de mercadorias dos países da UE ocorreu entre os próprios Estados-membros.

No comércio de serviços com países externos, o bloco exportou €1,581 trilhão e importou €1,427 trilhão em 2025, produzindo superávit de €154 bilhões.

Energia russa perde espaço, mas dependência externa continua

A crise energética e as sanções impostas à Rússia modificaram profundamente o mapa de fornecedores da União Europeia.

Em 2021, a Rússia fornecia 44,1% do gás natural, 52,3% dos combustíveis sólidos e 25,3% do petróleo bruto importados pelo bloco. Em 2024, sua participação no gás havia caído para 13,6%, e o país já não figurava entre os principais fornecedores de carvão ou petróleo.

A Noruega respondeu por 30,5% das importações europeias de gás, enquanto os Estados Unidos forneceram 16,7%. No petróleo bruto, Estados Unidos e Noruega lideraram com 14,9% e 14%, respectivamente.

Apesar da diversificação, a dependência energética externa da UE permaneceu em 57,3% em 2024. Nenhum país do bloco era completamente autossuficiente.

As fontes renováveis responderam por 25,2% do consumo final bruto de energia, contra 17,4% dez anos antes. Na Suécia, a parcela atingiu 62,8%; na Finlândia, 52,1%.

Os produtos petrolíferos ainda representavam 37,4% do consumo final de energia, seguidos pela eletricidade, com 23,4%, e pelo gás natural, com 19,6%. A participação das fontes renováveis e dos biocombustíveis aumentou de 4,8% em 1994 para 12,4% em 2024.

Emissões caem, mas transportes seguem na direção contrária

As emissões de gases de efeito estufa da União Europeia diminuíram 36,3% entre 1990 e 2023. A redução ocorreu em todos os países, com exceção de Chipre.

Em 2023, o bloco emitiu 3,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. As indústrias de energia responderam por 38,8% do total, e os transportes, por 25,6%.

O transporte foi a única grande fonte em que as emissões cresceram no período analisado: alta de 17,9% desde 1990. Em contraste, as emissões da indústria e da construção caíram 49,6%, e as do setor energético recuaram 48,6%.

Cada europeu gerou, em média, 517 quilos de resíduos municipais em 2024. Do total tratado, 30,1% foi reciclado, 20,1% passou por compostagem ou digestão, 27,3% foi incinerado e 22,4% terminou em aterros sanitários.

A agricultura orgânica ocupava 16,8 milhões de hectares, equivalentes a 10,6% da área agrícola utilizada no bloco. As florestas cobriam 39,3% do território europeu, com Finlândia e Suécia apresentando as maiores proporções nacionais.

Um continente diante de uma transição prolongada

Os números do Eurostat mostram que a Europa superou parte dos efeitos imediatos da pandemia e da crise energética, mas ainda não encontrou uma trajetória de crescimento robusto.

O emprego alcançou níveis elevados, a inflação perdeu força e as emissões diminuíram. Ao mesmo tempo, a população envelhece, a fecundidade permanece muito baixa, o crescimento depende da imigração e mais de 90 milhões de pessoas continuam ameaçadas pela pobreza ou exclusão social.

A transição energética também avança sem eliminar a dependência externa ou o peso dos combustíveis fósseis. O resultado é uma União Europeia mais digitalizada e ambientalmente eficiente do que no passado, mas pressionada por desigualdades internas, baixa produtividade demográfica e crescente necessidade de financiar aposentadorias, saúde, defesa, energia e inovação com uma base de trabalhadores proporcionalmente menor.

FONTE: Eurostat — Key Figures on Europe, 2026 edition.


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Carlos Campos
Carlos Campos
1 dia atrás

Pra mim essa mudanças demograficas não tem reversão, é a primeira grande mudança desde a exppansão do Império Romano

Comenteiro
Comenteiro
Responder para  Carlos Campos
1 dia atrás

Lembro dos meus tempos de escola do escândalo que os NeoMalthusianos faziam sobre como o aumento da população iria nos destruir se não fizessemos nada.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Comenteiro
2 horas atrás

KKKKKKKKKKKK VDD

Adriano Madureira
Adriano Madureira
23 horas atrás

Eu acho que no mundo, a situação mais crítica é do Japão…

O povo envelhecendo, um bando de homens emasculados, de jovens introvertidos que não sabem interagir com o sexo oposto, uma geração de otaku, que preferem bonecas de silicone e casamento virtual com animes…

Lá está ruim, estudos baseados em dados governamentais do Japão estimam que cerca de 9,5% dos homens e 8,9% das mulheres entre 35 e 39 anos nunca tiveram experiências sexuais heterossexuais, indicando que aproximadamente 1 em cada 10 homens chega aos 40 anos como virgem no país.

Cerca de 70% dos homens solteiros e 60% das mulheres solteiras (entre 18 e 34 anos) não estão em nenhum tipo de relacionamento amoroso.
Aproximadamente 40% dos jovens solteiros nessa mesma faixa etária declaram nunca ter tido relações sexuais.
Na faixa dos 30 anos, cerca de 10% da população permanece sem experiência sexual heterossexual.

Projeções oficiais e de organismos internacionais indicam que a população japonesa, hoje em torno de 122 milhões de habitantes, poderá encolher cerca de 30% até 2070, transformando profundamente a estrutura social e econômica do país.

Esses daí poderão desaparecer sem guerra mesmo!

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Adriano Madureira
2 horas atrás

A situação do Japão é ruim memso, mas a questão é não é simplesmente homeme frouxo, na vdd eles ainda tem mais testo que os Europeus, preferem ver o país acabar do que se entregar aos imigrantes, e eles estão certos, o país se perderia, pois qual é a essencia do Japão? dos EUA é o país dos imigrantes que lutam para ter um bom padrão de vida, bom era possível até a décadade de 90……….a crise dos jovens sem sexo e sem parceiros, devido aos salários baixos, os Jovens Japoneses preferem a paz de viverem sozinhos, isso nos homens, já as mulheres preferem não ter um marido e se submeter a cuidar dele e de crianças, e essas mulheres são a minoria, muitas querem um marido, mas onde vão arranjar um marido para sustentar elas e os filhos numa economia que paga baixos salários? casamento por amor ali é raro, pega a lógica do Japão e joga na Coreia do Sul com mentalidade deles de novo rico, o negócio fica pior.