Trump nega esgotamento de mísseis dos EUA, mas estimativas apontam forte redução dos estoques
THAAD
Presidente afirma que o país ainda possui grandes quantidades de munições; fontes ouvidas pela Reuters dizem que a guerra contra o Irã consumiu quase todos os ATACMS e PrSM disponíveis, além de pressionar os estoques de Patriot, THAAD e Tomahawk
O presidente Donald Trump negou que os Estados Unidos tenham praticamente esgotado seus estoques de mísseis de precisão e interceptadores durante os cinco meses de guerra contra o Irã, contestando informações segundo as quais a redução das reservas já estaria limitando as opções militares de Washington.
Em declaração encaminhada à Reuters pela Casa Branca, Trump afirmou que os Estados Unidos possuem “muito mais munições do que qualquer outro país” e quantidades superiores às necessárias. O presidente acrescentou que as empresas norte-americanas estão ampliando fábricas e produzindo armamentos em níveis recordes.
O Pentágono também rejeitou a avaliação de que as capacidades militares estejam comprometidas. Seu principal porta-voz, Sean Parnell, declarou que as Forças Armadas dispõem do necessário para executar operações no momento e local escolhidos pelo presidente, mantendo um arsenal capaz de proteger os interesses e o pessoal norte-americano.
Fontes apontam consumo de quase todos os ATACMS e PrSM

A negativa ocorreu depois de a Reuters informar, citando três pessoas familiarizadas com dados internos do governo, que o Exército dos Estados Unidos consumiu grande parte de seu estoque mundial de mísseis superfície-superfície de longo alcance.
Duas dessas fontes afirmaram que foram utilizados “praticamente todos” os mísseis Army Tactical Missile System — ATACMS — e Precision Strike Missile — PrSM — disponíveis. As quantidades remanescentes não foram divulgadas, e os dados sobre os estoques norte-americanos permanecem classificados.
O ATACMS é um míssil balístico lançado pelo sistema M270 MLRS ou pelo lançador M142 HIMARS. O PrSM é seu substituto de nova geração, com maior alcance e desenvolvimento voltado a ataques contra alvos terrestres de elevada importância.
Como o PrSM entrou em produção recentemente, seu estoque inicial já era relativamente pequeno. O ATACMS, por outro lado, está sendo gradualmente retirado, com a indústria transferindo capacidade de produção para o modelo mais moderno. Esse período de transição teria contribuído para a limitação das reservas disponíveis.
Tomahawk também teria sofrido forte redução
Uma das fontes ouvidas pela Reuters afirmou que os Estados Unidos utilizaram pouco menos da metade de seu estoque mundial de mísseis de cruzeiro Tomahawk desde o início da guerra. A agência ressaltou que não conseguiu verificar de forma independente essa estimativa.
Lançado por destróieres e submarinos, o Tomahawk permite atacar alvos em profundidade sem expor aeronaves tripuladas às defesas antiaéreas adversárias. Por essa razão, tornou-se uma das principais armas norte-americanas nas fases iniciais de campanhas contra países dotados de sistemas de defesa aérea.
A elevada utilização de ATACMS, PrSM e Tomahawk teria permitido atacar posições iranianas mantendo aviões e tripulações a distâncias mais seguras. A redução dessas reservas poderá obrigar os planejadores militares a selecionar os alvos com maior rigor e recorrer mais frequentemente a bombardeiros e caças tripulados caso uma nova ofensiva de grande escala seja autorizada.
Isso não significa que os Estados Unidos estejam sem meios para atacar o Irã. Bombas guiadas lançadas por aeronaves, mísseis JASSM, armas navais e diferentes categorias de munições continuam disponíveis. O problema está na redução das armas de longo alcance capazes de atingir alvos protegidos sem colocar diretamente pilotos sobre áreas contestadas.
Patriot e THAAD foram consumidos na defesa das bases

As preocupações não estão limitadas às armas ofensivas. O combate contra mísseis balísticos e drones iranianos também exigiu o emprego intensivo dos sistemas Patriot e Terminal High Altitude Area Defense — THAAD.
Uma análise do Center for Strategic and International Studies — CSIS — estima que os Estados Unidos possuíam aproximadamente 2.330 interceptadores Patriot antes da guerra. Ao final do cessar-fogo de abril, a quantidade teria recuado para cerca de 1.030. Após os novos confrontos, o estoque estaria entre 759 e 827 unidades, uma redução de pelo menos 65% em relação ao início da campanha.
No caso do THAAD, o estoque estimado teria caído de 452 interceptadores para uma faixa entre 232 e 262 durante a primeira fase da guerra. Com novas entregas e consumo adicional, a quantidade disponível estaria atualmente entre 234 e 278 unidades — pelo menos 38% abaixo do nível anterior ao conflito.
As estimativas do CSIS foram produzidas a partir de documentos orçamentários, contratos, ritmos de fabricação e informações divulgadas publicamente. Por não ter acesso aos números classificados, o centro reconhece que os valores não são exatos. Duas fontes da Reuters, entretanto, disseram que as estimativas correspondem aos dados internos do governo norte-americano.
Estoques menores podem alterar regras de interceptação
A redução dos interceptadores poderá influenciar a forma como as forças norte-americanas defendem bases, navios e instalações de países aliados no Oriente Médio.
Diante de estoques mais limitados, as unidades podem reduzir a quantidade de interceptadores lançados contra cada alvo. Uma ameaça que anteriormente receberia três mísseis defensivos, por exemplo, poderia passar a ser enfrentada por dois. A economia de munições aumentaria ligeiramente o risco de uma interceptação falhar.
Outra possibilidade seria permitir que mísseis iranianos prosseguissem sem serem interceptados quando os sensores e computadores calculassem que cairiam em áreas desocupadas, longe de tropas ou de infraestrutura crítica.
Essas medidas preservariam as armas mais avançadas para ameaças prioritárias, mas elevariam a exposição das forças norte-americanas caso os cálculos de trajetória fossem imprecisos ou os ataques iranianos aumentassem de intensidade.
Produção não recompõe rapidamente o que foi consumido
O governo norte-americano está acelerando contratos destinados a recompor os estoques. O Pentágono assinou acordos superiores a US$ 3 bilhões com Lockheed Martin e Northrop Grumman para ampliar a produção de componentes dos sistemas Patriot e THAAD.
Segundo o planejamento divulgado, a capacidade industrial de produção do Patriot deverá triplicar, enquanto a do THAAD poderá quadruplicar. Um segundo fornecedor de motores-foguete para o PAC-3 também será estabelecido para reduzir gargalos na cadeia de produção.
A Lockheed Martin recebeu ainda um contrato que pode alcançar US$ 58,6 bilhões para a fabricação de interceptadores Patriot. Paralelamente, o Pentágono negocia com a RTX a ampliação da produção anual de Tomahawk, de aproximadamente 60 unidades destinadas aos Estados Unidos para, futuramente, até mil mísseis.
A abertura de novas fábricas, contudo, não produz resultados imediatos. Mísseis modernos dependem de motores-foguete, sensores, componentes eletrônicos, explosivos, materiais especiais e cadeias de fornecedores que não podem ser ampliadas rapidamente.
O CSIS avalia que poderá levar pelo menos três anos para recompor determinadas reservas de Patriot, THAAD e Tomahawk, mesmo com a expansão da produção.
Possível impacto sobre uma guerra no Indo-Pacífico
A principal preocupação estratégica não é apenas a continuidade das operações contra o Irã, mas a capacidade de responder simultaneamente a outra crise.
ATACMS, PrSM, Tomahawk, Patriot e THAAD teriam funções importantes em um eventual conflito no Indo-Pacífico. As armas ofensivas seriam utilizadas contra bases, navios, sistemas antiaéreos e lançadores de mísseis, enquanto os interceptadores protegeriam instalações norte-americanas e aliadas contra ataques balísticos.
Fontes ouvidas pela Reuters manifestaram receio de que os estoques reduzidos prejudiquem a capacidade de dissuadir adversários como China e Rússia. O CSIS considera que os Estados Unidos ainda possuem munições suficientes para cenários plausíveis relacionados ao Irã, mas enfrentam uma janela de vulnerabilidade caso seja necessário sustentar simultaneamente uma guerra de alta intensidade no Pacífico.
Motivo para suspensão dos novos ataques permanece em disputa
Trump anunciou em 1º de agosto que suspenderia uma nova ofensiva contra o Irã enquanto houvesse possibilidade de alcançar rapidamente um acordo sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.
O presidente atribuiu a decisão aos esforços diplomáticos e aos pedidos de países do Oriente Médio. Uma autoridade norte-americana também contestou a informação de que a escassez de munições havia determinado a suspensão, afirmando que a pressão dos países do Golfo teve maior peso.
Outras fontes, porém, disseram que dirigentes militares vinham alertando havia semanas sobre a redução das reservas e que essa situação influenciou o debate interno sobre novas operações.
Sem a divulgação dos dados classificados, não é possível determinar com precisão o tamanho atual de cada estoque. A informação disponível permite concluir que os Estados Unidos continuam dispondo de uma grande variedade de armamentos, mas também que algumas de suas munições mais avançadas foram consumidas em ritmo muito superior à capacidade imediata de reposição.
A controvérsia, portanto, não se resume à questão de saber se o arsenal norte-americano acabou — o que o Pentágono e a Casa Branca negam. A discussão central é quanto tempo os Estados Unidos ainda poderiam sustentar operações de alta intensidade contra o Irã sem comprometer as reservas destinadas a outras regiões e a possíveis conflitos futuros.■

Off topic: comandante do exército brasileiro, diz em uma coletiva que exército ta em dúvida na plataforma alemã e turca para novo carro de combate.
Reportagem revista sociedade militar
Espero que vá de turco… devido os canhões serem os mesmos do centauro!!!!
O último ataque russo a Kiev não teve interceptação. Os ucranianos não tem mais Patriots pra defesa de Kiev. E os iranianos estão atacando com êxito as bases dos EUA.
E é assim que quer enfrentar Rússia e China?
Alguns loucos acham que podem.
A velha guerra de narrativas de se mostrar fraco pra o inimigo ( tem vários) , aí vai la e tenta a sorte vê o tamanho da paulada que vão tomar!!! Rsrs
Eu também nego certas coisas quando questionado por minha namorada. Falar a verdade pode custar muita coisa kkkk
Um choque para muitos que desmerecia o IRGC,se mostrou altamente capaz para qualquer missão.
Enquanto nas terras tupiniquin,” vamos abrir o portão”.