ATACMS - 2

Empresa alemã prevê iniciar receitas com produção conjunta do míssil apenas em 2028; guerra contra o Irã consumiu grande parte dos estoques norte-americanos de armas de precisão de longo alcance

A Rheinmetall alertou que a futura produção europeia do míssil balístico tático ATACMS, desenvolvida em parceria com a Lockheed Martin, não oferecerá uma solução imediata para a redução dos estoques militares dos Estados Unidos provocada pelo elevado consumo de munições na guerra contra o Irã.

O CEO da companhia alemã, Armin Papperger, afirmou que a nova capacidade industrial prevista para a Alemanha também poderá contribuir para recompor os arsenais norte-americanos, mas advertiu que o processo será demorado. Questionado pela Reuters sobre a reposição dos estoques, Papperger afirmou que isso “não acontecerá em dois anos” e que levará muito mais tempo.

A declaração expõe um dos principais problemas enfrentados pelo Pentágono após cinco meses de operações contra o Irã: a velocidade de consumo de mísseis modernos é muito superior à capacidade atual da indústria de substituí-los.

EUA consumiram grande parte dos ATACMS e PrSM

PrSM

Segundo uma investigação publicada pela Reuters em 4 de agosto, o Exército dos Estados Unidos utilizou durante a guerra contra o Irã grande parte de seus estoques mundiais de armas superfície-superfície de precisão e longo alcance.

Duas fontes familiarizadas com os números afirmaram que os EUA consumiram “virtualmente todos” os ATACMS e Precision Strike Missiles (PrSM) disponíveis para emprego operacional, embora não tenham revelado a quantidade exata restante nos arsenais.

Os dois sistemas permitem atingir alvos terrestres a grande distância sem necessidade de expor aeronaves tripuladas às defesas inimigas. Essa característica tornou os mísseis particularmente importantes durante a campanha contra o Irã e também os torna relevantes para uma eventual guerra contra adversários dotados de defesas aéreas sofisticadas, como a China.

A redução dos estoques provocou preocupações dentro do governo norte-americano sobre a capacidade de Washington de responder simultaneamente a outra crise militar de grande escala.

O presidente Donald Trump rejeitou avaliações de que os Estados Unidos estejam ficando sem munições e afirmou que o país possui estoques superiores aos de qualquer outra potência, embora tenha reconhecido que a disponibilidade de determinados armamentos está mais apertada.

Primeira fábrica de ATACMS fora dos Estados Unidos

A Rheinmetall e a Lockheed Martin anunciaram em 7 de julho de 2026 um memorando de entendimento para estabelecer a primeira instalação de produção do ATACMS fora dos Estados Unidos.

A linha será instalada em Unterlüß, no norte da Alemanha, um dos principais complexos industriais da Rheinmetall. O empreendimento conta com apoio dos governos norte-americano e alemão e pretende transformar o local em um centro europeu de fabricação, integração e distribuição dos mísseis para países da OTAN e aliados.

Segundo a Rheinmetall, a unidade deverá ser a primeira e única fábrica do ATACMS localizada fora dos Estados Unidos.

O complexo de Unterlüß já concentra produção de armas, munições e veículos militares. Uma nova fábrica de motores-foguete está próxima da conclusão, com fabricação de motores e componentes para mísseis prevista para começar já em 2027.

Apesar disso, a produção completa do ATACMS dependerá da criação e aprovação formal da joint venture entre Rheinmetall e Lockheed Martin.

Papperger afirmou que o processo está avançado e possui apoio do governo norte-americano, mas a Rheinmetall espera registrar as primeiras receitas do projeto apenas em 2028.

Linha norte-americana continuará funcionando

A Lockheed Martin continuará produzindo o ATACMS em sua instalação de Camden, Arkansas, enquanto a capacidade alemã é estabelecida.

A empresa norte-americana informou que manterá a atual linha em funcionamento até que a transição industrial esteja concluída, diante da forte demanda internacional pelo míssil.

Papperger acredita que haverá mercado para esse tipo de armamento por pelo menos mais 15 anos, apesar do Exército dos Estados Unidos já estar substituindo progressivamente o ATACMS pelo mais moderno Precision Strike Missile (PrSM).

O PrSM possui maior alcance e foi concebido justamente como sucessor da família ATACMS, mas seus estoques eram relativamente pequenos antes da guerra porque o sistema ainda estava em fase inicial de produção. Os Estados Unidos fizeram grandes encomendas adicionais para ampliar sua disponibilidade a partir de 2027.

Guerra do Irã pressiona também Patriot, THAAD e Tomahawk

O problema norte-americano não se limita às armas de ataque terrestre.

Dados citados pela Reuters indicam que, entre fevereiro e julho, os Estados Unidos teriam consumido aproximadamente 65% dos interceptadores Patriot disponíveis e reduzido em pelo menos 38% o estoque de interceptadores THAAD, empregados contra mísseis balísticos iranianos.

A Marinha norte-americana também teria utilizado pouco menos da metade de seu estoque mundial de mísseis de cruzeiro Tomahawk desde o início da guerra, segundo uma fonte familiarizada com os inventários. A Reuters ressalvou que não conseguiu verificar independentemente esse número.

O cenário levou grandes fabricantes norte-americanos, como Lockheed Martin e RTX, a acelerar investimentos para ampliar linhas de produção e atender às novas encomendas do Pentágono.

A diferença entre consumo em guerra e produção industrial

A advertência da Rheinmetall realça um problema estrutural que passou a ocupar posição central no planejamento militar ocidental.

Mísseis modernos exigem componentes eletrônicos, sistemas de guiagem, motores-foguete, explosivos especiais e cadeias de fornecedores altamente especializadas. Mesmo quando governos disponibilizam recursos financeiros imediatamente, novas fábricas, equipamentos e trabalhadores qualificados não podem ser acrescentados à cadeia produtiva na mesma velocidade em que os mísseis são disparados em combate.

No caso do ATACMS, a Rheinmetall começará a construir a capacidade industrial alemã enquanto a Lockheed Martin continua sustentando a produção nos Estados Unidos. Ainda assim, Papperger deixa claro que restaurar grandes estoques militares será um esforço de vários anos.

Para Washington, a questão possui dimensão estratégica adicional. Os mesmos mísseis de precisão e interceptadores empregados em grande quantidade contra o Irã fazem parte dos planos norte-americanos para uma eventual crise no Indo-Pacífico.

Assim, a guerra contra uma potência regional está obrigando o Pentágono a enfrentar uma questão que vinha sendo discutida desde o conflito na Ucrânia: uma guerra moderna de alta intensidade pode consumir em alguns meses munições sofisticadas que a indústria necessita de vários anos para substituir. ■

Principais mísseis dos EUA sob pressão após a guerra contra o Irã
ATACMS • PrSM • Tomahawk • Patriot • THAAD

Sistema Categoria Alcance / envelope Plataforma Função principal Fabricante Situação dos estoques dos EUA
ARMAS DE ATAQUE DE PRECISÃO DE LONGO ALCANCE
MGM-140
ATACMS
Míssil balístico tático
superfície-superfície
até 300 km
dependendo da versão
M142 HIMARS
M270 MLRS
Ataque de precisão contra alvos de alto valor na profundidade operacional Lockheed Martin
coprodução futura com Rheinmetall
CRÍTICO
Fontes citadas pela Reuters afirmam que os EUA empregaram “virtualmente todo” o estoque operacional disponível de ATACMS e PrSM.
Quantidade restante não divulgada.
Precision Strike Missile
PrSM Increment 1
Míssil de ataque terrestre de precisão de nova geração >400 km
Increment 1
M142 HIMARS
M270A2 MLRS
2 mísseis por pod
Sucessor do ATACMS; ataques de precisão contra objetivos terrestres em maior profundidade Lockheed Martin CRÍTICO
Estoque já era relativamente pequeno por ser uma arma nova. Reuters relata consumo de praticamente toda a disponibilidade operacional juntamente com o ATACMS.
BGM-109
Tomahawk Block IV/V
Míssil de cruzeiro subsônico de longo alcance ≈1.600 km
900 milhas náuticas
Destroyers
cruzadores
submarinos
Ataque estratégico convencional contra alvos terrestres de alto valor e fortemente defendidos Raytheon / RTX SEVERAMENTE REDUZIDO
Segundo fonte citada pela Reuters, os EUA consumiram pouco menos da metade de seu estoque mundial desde o início da guerra.
DEFESA AÉREA E ANTIMÍSSIL
Patriot
PAC-3 MSE / GEM-T
Defesa aérea e antimíssil de camada inferior Não divulgado oficialmente
O envelope varia conforme o interceptor e o tipo de alvo
Baterias terrestres Patriot Interceptação de mísseis balísticos táticos, mísseis de cruzeiro, aeronaves e outras ameaças aéreas RTX / Raytheon
sistema e GEM-TLockheed Martin
PAC-3 MSE
CRÍTICO
Estimativa do CSIS: cerca de 65% dos interceptadores Patriot empregados entre fevereiro e julho de 2026.
Percentual refere-se ao inventário de interceptores Patriot em conjunto, não exclusivamente ao PAC-3 MSE.
THAAD Defesa antimíssil balístico de alta altitude Não divulgado oficialmente
Engajamento endo e exoatmosférico
Baterias móveis terrestres THAAD Interceptação terminal de mísseis balísticos de curto, médio e alcance intermediário Lockheed Martin SEVERAMENTE REDUZIDO
Estimativa do CSIS indica estoque pelo menos 38% inferior ao existente no início da guerra.
ESFORÇO INDUSTRIAL PARA RECOMPOR OS ARSENAIS
ATACMS Lockheed Martin e Rheinmetall planejam coprodução na Alemanha. A instalação industrial deverá começar a ser estruturada em 2027 e a Rheinmetall espera as primeiras receitas em 2028. O CEO Armin Papperger advertiu que a recomposição dos estoques norte-americanos levará bem mais de dois anos.
PrSM Lockheed Martin e o Departamento de Guerra firmaram em março de 2026 um acordo destinado a quadruplicar a capacidade de produção do PrSM.
Tomahawk RTX/Raytheon e o governo norte-americano estabeleceram um plano plurianual para elevar a capacidade anual de produção para mais de 1.000 Tomahawk por ano.
Patriot PAC-3 MSE Contrato plurianual de até US$ 58,62 bilhões com a Lockheed Martin. O plano é triplicar a capacidade de produção até o final de 2030.
THAAD A Lockheed Martin deverá ampliar a capacidade de aproximadamente 96 para 400 interceptadores por ano ao longo de um programa plurianual — praticamente quadruplicando a produção.

LEGENDA DA SITUAÇÃO DOS ESTOQUES:
CRÍTICO
Forte redução do inventário disponível;
SEVERAMENTE REDUZIDO
Consumo de parcela substancial do estoque.

Notas técnicas:
• Os Estados Unidos não publicam a quantidade absoluta existente em seus estoques operacionais de ATACMS, PrSM, Patriot, THAAD e Tomahawk.
• Os percentuais de consumo são estimativas baseadas em fontes com acesso a dados militares norte-americanos e análise de fontes abertas; não constituem números oficiais divulgados pelo Pentágono.
• Para Patriot e THAAD, o alcance real de interceptação depende do perfil, altitude, velocidade e trajetória do alvo. Os fabricantes não publicam o envelope operacional completo dos interceptores, por isso não foram utilizados números não oficiais nesta tabela.
• O Patriot pode utilizar diferentes interceptores. O PAC-3 MSE é produzido pela Lockheed Martin; o sistema Patriot e o interceptor GEM-T são produtos da Raytheon, empresa da RTX.
• O PrSM está substituindo progressivamente o ATACMS como principal arma de ataque terrestre de longo alcance do Exército dos Estados Unidos.

FONTES: U.S. Army; U.S. Navy; Lockheed Martin; RTX/Raytheon; Reuters; Center for Strategic and International Studies (CSIS); Rheinmetall. Dados compilados pelo ForTe – Forças Terrestres. Atualizado em 8 de agosto de 2026.


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amarante
amarante
1 mês atrás

well well well

Hamom
Hamom
1 mês atrás

TACO disse justamente o contrário em sua mídia “Truta Social”,
mas normal, já deve ter voltado atrás no que disse…

“Os EUA têm quantidades enormes de ‘munições’, especialmente de certos tipos. Além disso, grandes quantidades estão sendo fabricadas e enviadas para os EUA conforme a necessidade”, (Trump)

Antunes 1980
Antunes 1980
1 mês atrás

1. Estreito de Ormuz ainda está sob controle iraniano.
2. Irã ainda mantém capacidade de lançar mísseis.
3. EUA ainda não conseguiram uma vitória decisiva.
4. Guerra já dura cinco meses.
5. Irã ainda consegue atingir alvos americanos na região.
6. EUA já gastaram grande quantidade de mísseis de defesa.
7. Irã ainda impõe condições nas negociações.
8. Programa nuclear iraniano ainda continua.
9. Regime politico não foi destituído.

Última edição 1 mês atrás por Antunes 1980
Joanderson
Joanderson
Responder para  Antunes 1980
1 mês atrás

E se o Irã tivesse capacidade de atingir o território continental americano, como os gringo reagiria a misseis caindo em seu país confortável.

José Joaquim da Silva Santos
José Joaquim da Silva Santos
Responder para  Joanderson
1 mês atrás

Essa é a sorte que os Yanques tem de morar do outro lado do Oceano, senão estariam recebendo ataques igual os russos.

LUIZ
LUIZ
Responder para  José Joaquim da Silva Santos
1 mês atrás

A sorte dos norte americanos é não ter um vizinho atacando o seu território com mísseis e drones. O primeiro alvo seria a estátua da liberdade.

Bosco
Bosco
1 mês atrás

Tudo isso é muito interessante mas a capacidade ofensiva americana é na sua imensa maioria (98%) baseada na sua aviação militar.
Qual a redução efetiva na capacidade ofensiva americana os iranianos conseguiram infligir aos americanos?
Qual a capacidade defensiva iraniana? Ou eles não precisam de defesa contra aeronaves americanas?
*Sabemos que o Putin considera a plebe completamente dispensável e os manda morrer aos milhares diariamente enquanto ele fica todo bonitão em alguns de seus palácios e não duvido que os líderes iranianos tenham o mesmo nível de empatia com o povo iraniano.
A mídia quer nos passar uma falsa impressão que os iranianos são totalmente insensíveis a danos e que são capazes de produzir danos indefinidamente, com estoques ilimitados de munição , o que não é verdade.
Para uma base aérea ser paralisada “temporariamente” é necessário o impacto direto , com alto nível de precisão , de dezenas de mísseis . Um ou outro míssil ou drone não têm capacidade de paralisar a operação de nenhuma base.
Seja como for sem dúvida os americanos não estão fazendo o certo em empregar a mesma estratégia russa . Caros mísseis de longo alcance americanos , que por terem alto nível de precisão são bem mais caros que os imprecisos mísseis russos e iranianos, deveriam ter sido empregados de forma pontual dentro de uma estratégia de estabelecer a supremacia aérea e não para serem empregados como meios de causar danos indiscriminadamente ao inimigo.
Primeiro, já é um absurdo o emprego de mísseis táticos de longo alcance lançados de terra (ATACMS e PrSM) fora do seu emprego básico de apoiar o avanço das forças terrestres. Não foram feitos para isso.
O emprego desses mísseis é no nível tático/operacional e não no nível estratégico.
Nenhum desses mísseis sequer era para ter sido lançado sendo que o exercito ou os Marines não entraram em ação.
Outro míssil que não foi citado no artigo são o JASSM e JASSM-ER , lançados do ar, respectivamente com 400 e 1000 km de alcance.
Esses mísseis, juntamente com o Tomahawk, também não deveriam ter sido empregados ou no máximo em situações muito precisas, já que são específicos para atingir alvos fixos ou relocáveis (no caso do Tomahawk Block IV e V).
Seus empregos justificariam contra a liderança iraniana, contra os depósitos de lançadores e de mísseis de longo alcance, contra as bases aéreas e contra navios atracados.
A ênfase do ataque americano tinha que ser a liderança iraniana , a força naval , a IADS e a neutralização dos lançadores de mísseis de longo alcance (balísticos e de cruzeiro).
Não havia justificativa no momento inicial para atacar as instalações nucleares e nem as fábricas de mísseis. Isso ficaria para um segundo momento, após o estabelecimento da supremacia aérea sobre todo o território iraniano.
A IADS seria ataca com mísseis antirradiação (HARM e AARGM) e diversas armas stand in (PW, JDAM, SDB, Maverick. AARGM, Storm Breaker, JSOW) , a partir de distância segura, junto com o emprego de mísseis iscas MALD e o emprego massivo de caças F-35 com bombas JDAM e SDB e Storm Breaker.
A caça aos lançadores já é algo mais complicado e apesar de obrigatoriamente ser iniciado na primeira fase teria que continuar de forma ininterrupta de modo a mitigar a capacidade ofensiva de longo alcance.
Bombas MOP que foram empregadas contra instalações nucleares tinham que ter sido empregadas contra as “cidades de mísseis” subterrâneas e as mesmas tinham que ter tido suas entradas obstruídas por bombas convencionais guiadas (Mk-84 ou bombas penetradoras de 2000 e 5000 lb)
O lançadores em si, a descoberto, teriam que ser atacados por diversas armas de precisão (PW, JDAM, SDB, Maverick. AARGM, Storm Breaker, JSOW).
Desse modo os estoques de mísseis de longo alcance (JASSM, Tomahawk, PrSM e ATACMS) estaria intacto.
Quanto aos sistemas defensivos (Patriot e THAAD) , esses , apesar do alvoroço da mídia, não faz diferença alguma. Eles estarem reduzidos não faz a mínima diferença nessa campanha. Diferente do que ocorre com a Ucrânia, que sofre ataques covardes e constantes contra suas cidades há 4 anos, principalmente Kiev, os iranianos não têm condições de perpetrar ataques fatais a nenhum dos vizinhos e sem dúvida já esgotou a sua capacidade de mísseis capazes de atingir Israel.
Os iranianos ainda têm condições de fazer ataque pontuais aos vizinhos mas estes têm capacidade de absorvê-los do mesmo modo que os iranianos conseguem absorver o ataque de caças F-15, F-16, F-18, F-35, dos aviões de ataque A-10 e dos bombardeiros B-52, B-1 e B-2.
Se os iranianos conseguiram resistir ao ataque americano até o estoque de 4 tipos de mísseis ofensivos ficarem no limite sem dúvida os mísseis PAC-3 e THAAD podem não ser assim tão importantes quanto a mídia quer nos fazer crer.

Matheus
Matheus
Responder para  Bosco
1 mês atrás

Tudo isso é muito interessante mas a capacidade ofensiva americana é na sua imensa maioria (98%) baseada na sua aviação militar.

Qual a redução efetiva na capacidade ofensiva americana os iranianos conseguiram infligir aos americanos?

Aeronaves precisam de bases aéreas, depósitos de munição, armazenamento de combustível, centros de comando e controle de tráfego aéreo para efetivamente empregar o Poder Aéreo com toda a sua capacidade.

Adivinha?

Tudo isso foi atacado pelos iranianos. Inclusive, os iranianos atacaram os radares de alerta precoce que rastreiam os seus mísseis balísticos, o que dava um menor alerta antecipado quando o Irã lançava seus mísseis balísticos contra os países árabes e Israel.

A situação está tão horrível que as empresas ocidentais que fornecem imagens de satélite foram obrigadas a não compartilharem as evidências para não demonstrar a destruição que os mísseis precisos iranianos causaram aos estados árabes e Israel.

Qual a capacidade defensiva iraniana? Ou eles não precisam de defesa contra aeronaves americanas?

O Irã depende da capacidade AAe móvel. Uma capacidade de defesa antiaérea que é muito mais difícil de localizar, rastrear e designar quando o espaço aéreo ainda não é totalmente controlado. Basta acompanhar o desastre do resgate do piloto e do WSO dentro do Irã, perdendo várias aeronaves de uma só vez.

Para uma base aérea ser paralisada “temporariamente” é necessário o impacto direto , com alto nível de precisão , de dezenas de mísseis . Um ou outro míssil ou drone não têm capacidade de paralisar a operação de nenhuma base.

O Irã também sabe disso, por isso nunca precisaram atacar as pistas, mas sim toda a infraestrutura de apoio e logística das bases aéreas, o que impede as tarefas rotineiras que as aeronaves precisariam para operarem com toda a sua capacidade. A burrice de planejamento foram dos americanos que basearam suas aeronaves próximos do território iraniano que estava ao alcance dos drones, que poderiam ter sido evitadas se tivessem um planejamento mais decente. Perder uma aeronave AWACS por um drone na Arábia Saudita é só a evidência sucessiva do péssimo planejamento americano da guerra que acreditava que ganharia a guerra em 48 horas.

Seja como for sem dúvida os americanos não estão fazendo o certo em empregar a mesma estratégia russa . Caros mísseis de longo alcance americanos , que por terem alto nível de precisão são bem mais caros que os imprecisos mísseis russos e iranianos, deveriam ter sido empregados de forma pontual dentro de uma estratégia de estabelecer a supremacia aérea e não para serem empregados como meios de causar danos indiscriminadamente ao inimigo.

Acontece que exageradamente isso foi realizado, só na primeira semana dispararam mais de 800 Tomahawk na tentativa de degradas/eliminar completamente o IADS iraniano, a marinha iraniana, a IRIAF e os lançadores de mísseis balísticos, claro que não foi um planejamento e execução bem sucedida, porque até o final das hostilidades, os iranianos estavam disparando seus mísseis balísticos com salvas pequenas mas contínuas, desde o Kuwait a Jordânia, com os últimos ataques matando inclusive militares americanos como por exemplo no ataque a Base Aérea de Muwaffaq Salti. Enquanto a defesa aérea iraniana embora esparsa, ainda estava ativa, incluindo derrubando os drones de reconhecimento, impedindo a supremacia aérea americana e israelense.

Primeiro, já é um absurdo o emprego de mísseis táticos de longo alcance lançados de terra (ATACMS e PrSM) fora do seu emprego básico de apoiar o avanço das forças terrestres. Não foram feitos para isso.

O emprego desses mísseis é no nível tático/operacional e não no nível estratégico.

Nenhum desses mísseis sequer era para ter sido lançado sendo que o exercito ou os Marines não entraram em ação.

Você não entendeu nada. O CENTCOM estava já consumindo largamente o estoque das munições de longo alcance, o que impediria o reabastecimento imediato, caso não ocorresse uma pausa das hostilidades, por isso, o CENTCOM acabou por iniciar os ataques com sistemas sup-sup do USA, A redução nos estoques de ATACMS e PrSM reflete totalmente a decisão do governo de minimizar ataques de risco envolvendo aeronaves tripuladas, além de preservar o estoque de munições de longo alcance que ainda continha.

É claro que, devido ao péssimo planejamento americano, ocorreram bizarrices tremendas, como por exemplo, o Irã lançando mísseis balísticos contra alvos em toda a região e tínhamos o CENTCOM postando vídeos soltando bombas guiadas em antigos e decrépitos C-130 e 747 da IRIAF que provavelmente não voam há anos, em vez de atacar alvos mais críticos.

E como não esquecer dos contornos pintados dos caças na pista. O Pentágono estava tão orgulhoso que até postou um vídeo.

Outro míssil que não foi citado no artigo são o JASSM e JASSM-ER , lançados do ar, respectivamente com 400 e 1000 km de alcance.

Esses mísseis, juntamente com o Tomahawk, também não deveriam ter sido empregados ou no máximo em situações muito precisas, já que são específicos para atingir alvos fixos ou relocáveis (no caso do Tomahawk Block IV e V).

Seus empregos justificariam contra a liderança iraniana, contra os depósitos de lançadores e de mísseis de longo alcance, contra as bases aéreas e contra navios atracados.

A ênfase do ataque americano tinha que ser a liderança iraniana , a força naval , a IADS e a neutralização dos lançadores de mísseis de longo alcance (balísticos e de cruzeiro).

Você está desconsiderando duas coisas, inclusive pertinentes para a avaliação errônea da situação que envolveu a campanha aérea inicial.

1º – As IDF e a IAF ficaram sob a responsabilidade de eliminar a liderança do Irã e do IRGC, sob o codinome Operação Roaring Lion.

2º – O foco dos EUA foram alvos estratégicos e eliminar a IRIAF e a IRIN, bem como diversos alvos do IRIA.

Sob a Operação Epic Fury, os ataques foram feitos com mísseis de cruzeiro lançados dos navios e das aeronaves, com os alvos sendo estrategicamente importantes, como bases militares, sítios de sistemas AAe, fábricas de mísseis e drones, quartéis do IRGC, aeroportos e as instalações nucleares.

Das 19 bases da IRIAF, nenhuma ficou intocada. Já a IRIN, cinco bases navais foram atacadas. O IRGC-AF também teve suas instalações militares atacadas. Os EUA alegaram que atacaram 7 mil alvos, Israel 5 mil alvos. Isso é uma quantidade enorme de alvos, o que ainda foi insuficiente para conquistar a supremacia aérea e degradar a capacidade iraniana de realizar muitos de seus objetivos, porque o Irã tinha e ainda tem um conjunto de sistemas e canhões AAe que são muitos e móveis.

Não havia justificativa no momento inicial para atacar as instalações nucleares e nem as fábricas de mísseis. Isso ficaria para um segundo momento, após o estabelecimento da supremacia aérea sobre todo o território iraniano.

Não há planejamento militar que assegure qualquer resultado desejável, sua afirmação de que determinados alvos deveriam ser evitados e não atacados para priorizar outros não faz o menor sentido. Se mesmo os americanos não tivessem priorizado as fábricas de mísseis e as instalações nucleares, nada e repito, NADA teria assegurado a supremacia aérea americana, então o que você afirma não faz o menor sentido prático da análise e planejamento dos ataques. Além disso, seria uma idiotice sem tamanho deixar as fábricas de mísseis intacto quando o planejamento de conquistar o objetivo da supremacia aérea poderia levar semanas senão meses de distância, o que teria assegurado ao Irã a capacidade de reabastecer seus estoques durante a guerra e os disparos, o que não faz sentido militar, quando o objetivo é claramente degradar ou eliminar a capacidade ofensiva iraniana.

Na realidade, as fábricas de mísseis enterrados sob as montanhas foram atacados pelos B-2A, por exemplo, no primeiro dia de ataque, 4 B-2A empregaram MOPs. Atacar essas instalações foi importante, porque além de atacar a capacidade iraniana de se manter na guerra no primeiro dia, as instalações também tinham a capacidade de lançar mísseis balísticos via silos. A diferença é que o Irã tinha dezenas de fábricas e cidades de mísseis enterrados sob várias montanhas, o que a redundância em si foi um fator de sobrevivência para a capacidade iraniana de se manter no conflito, mesmo sob a capacidade quase onipresente americana no TO.

A IADS seria ataca com mísseis antirradiação (HARM e AARGM) e diversas armas stand in (PW, JDAM, SDB, Maverick. AARGM, Storm Breaker, JSOW) , a partir de distância segura, junto com o emprego de mísseis iscas MALD e o emprego massivo de caças F-35 com bombas JDAM e SDB e Storm Breaker.

A caça aos lançadores já é algo mais complicado e apesar de obrigatoriamente ser iniciado na primeira fase teria que continuar de forma ininterrupta de modo a mitigar a capacidade ofensiva de longo alcance.

Se os americanos tiverem esse planejamento contra a China, eles irão perder feio.

Bombas MOP que foram empregadas contra instalações nucleares tinham que ter sido empregadas contra as “cidades de mísseis” subterrâneas e as mesmas tinham que ter tido suas entradas obstruídas por bombas convencionais guiadas (Mk-84 ou bombas penetradoras de 2000 e 5000 lb)

O lançadores em si, a descoberto, teriam que ser atacados por diversas armas de precisão (PW, JDAM, SDB, Maverick. AARGM, Storm Breaker, JSOW).

Desse modo os estoques de mísseis de longo alcance (JASSM, Tomahawk, PrSM e ATACMS) estaria intacto.

Só que foram. Desde o primeiro dia pra falar a verdade. Comentei isso logo acima. O fato é que isso não foi capaz de produzir o efeito de eliminar a capacidade iraniana de retaliar, porque eles tinham dezenas dessas cidades, todas capazes de armazenar e reabastecer os lançadores de mísseis balísticos. Além disso, as entradas foram atacadas por munições de longo alcance, porque o espaço ainda era contestado, o que impedia a USAF de se aproximar para começar a atacar com bombas guiadas, portanto, os túneis e entradas eram atacadas por munições de longo alcance, mas dias ou semanas depois, os iranianos conseguiam desobstruir para normalizar as operações nas instalações atacadas.

Quanto aos sistemas defensivos (Patriot e THAAD) , esses , apesar do alvoroço da mídia, não faz diferença alguma. Eles estarem reduzidos não faz a mínima diferença nessa campanha. Diferente do que ocorre com a Ucrânia, que sofre ataques covardes e constantes contra suas cidades há 4 anos, principalmente Kiev, os iranianos não têm condições de perpetrar ataques fatais a nenhum dos vizinhos e sem dúvida já esgotou a sua capacidade de mísseis capazes de atingir Israel.

Os vizinhos do Irã que foram alvos discordam de você. Inclusive a Arábia Saudita ameaçou os americanos de vender os títulos públicos caso não chegasse a um acordo com o Irã, porque estava sofrendo demais com os mísseis iranianos. A realidade é que mesmo os americanos realocando o THAAD da Coreia para o CENTCOM, nada foi capaz de parar os ataques iranianos, porque os radares foram eliminados e os iranianos ainda tinham muitos mísseis armazenados para empregar, porque na fase inicial da guerra, os iranianos tiveram a sabedoria de usar apenas os mísseis mais antigos enquanto mantinha em reserva os mísseis mais avançados, só ao final da guerra o Irã começou a empregar massivamente os Kheibar Shekan e outros como Fattah, obrigando os americanos e aliados a gastarem seus mísseis AAe queimando suas reservas e estoque.

Os iranianos ainda têm condições de fazer ataque pontuais aos vizinhos mas estes têm capacidade de absorvê-los do mesmo modo que os iranianos conseguem absorver o ataque de caças F-15, F-16, F-18, F-35, dos aviões de ataque A-10 e dos bombardeiros B-52, B-1 e B-2.

Eles não tem. Porque nenhum deles possui profundidade estratégica que o Irã possui e ainda o Irã se absteve de atacar os alvos mais críticos de cada país que atacou. O Irã ainda pode escalar mais e isso claramente deve acontecer se a nova liderança militar iraniana cumprir o que está prometendo.

Se os iranianos conseguiram resistir ao ataque americano até o estoque de 4 tipos de mísseis ofensivos ficarem no limite sem dúvida os mísseis PAC-3 e THAAD podem não ser assim tão importantes quanto a mídia quer nos fazer crer.

Se o Patriot e o THAAD não tivesse sido implantado em grandes quantidades no TO, as perdas americanas teriam sido maiores, porque os mísseis balísticos iranianos de classe inferior da campanha inicial de ataque teriam passado pela camada AAe e teriam destruído ainda mais o que destruiu, dessa forma, então o Irã teria degradado ainda mais a capacidade ofensiva americana que segundo você é 98% baseado na aviação militar.

Helio Eduardo
Helio Eduardo
1 mês atrás

“Tudo isso é muito interessante mas a capacidade ofensiva americana é na sua imensa maioria (98%) baseada na sua aviação militar.
Qual a redução efetiva na capacidade ofensiva americana os iranianos conseguiram infligir aos americanos?”

* Minha opinião: pouca redução efetiva, mas o quanto disso se deve ao fato de que os EUA não estão utilizando a pleno suas aeronaves?
 
“Qual a capacidade defensiva iraniana? Ou eles não precisam de defesa contra aeronaves americanas?”

* Minha opinião: entendo que este ponto não é central na estratégia iraniana, mas, se isso é verdade, qual a razão dos EUA não empregarem de forma massiva suas aeronaves?

Prezado Bosco, o melhor exército do mundo não faz nada se, na sua liderança, está o pior comandante do mundo…. Para os EUA, o problema desta guerra é a falta de objetividade de seu comandante supremo, é o fato de que Washington foi à guerra para satisfazer o ego de seu presidente, além de outras muitas razões desconectadas da realidade. Isso é um fato que, por vezes, o “fla x flu” ideológico embota.

Do outro lado, temos o “regime”, como muitos gostam de falar (eu inclusive). Esse “regime” parece realmente ter se preparado por décadas para este momento, e tudo indica que se preparou muito bem. Como disse o Antunes 1980 em comentário neste tópico, tudo o que os EUA pretendiam destruir em dias (segundo as promessas de Trump), ainda está de pé. Em que condições, não sabemos, certamente degradadas, mas estão lá. E eu, pessoalmente, enxergo uma vitória parcial iraniana, o que implica em derrota, até aqui, dos EUA.

Sejamos sinceros: quem de nós imaginava uma “ucrânia norte americana” 5 meses atrás? Quem de nós apostaria que o regime não só sobreviveria mas, surpreendentemente, colocaria os EUA no corner do ringue!? Acho que nem mesmo os pró-Irã…. Em muitos aspectos, Trump imitou Putin: bravateou vitória, fez promessas estrondosas e mobilizou sua fantástica máquina de guerra. O resultado? Bilhões de dólares gastos para, até aqui, pouco ou nada de êxito. E não vamos nos esquecer das pequenas derrotas, um avião aqui, uma base acolá, alguns helicópteros, algo que, se não faz a menor diferença na vastidão do inventário dos EUA, é, ao menos, inédito, além de ajudar a propaganda iraniana.

É óbvio e gritante que a estratégia dos EUA está errada desde o primeiro dia, consumindo ativos estratégicos de reposição cara e demorada. Desde os primeiros dias do conflito, o estoque de mísseis de ataque e de defesa está no foco das notícias. A China deve estar agradecida ao Irã……  

E tem algo que poucos comentam. A cada vai e vem de acordo de paz, nova trégua, abre Estreito, fecha Estreito, reedição de promessas de erradicação da sociedade iraniana, recuo, etc., as bolsas sobrem e descem. Alguém está ganhado bilhões de dólares com essa insensata gangorra bravateada no X. TACO está gerando lucro, quem diria….  

Helio Eduardo
Helio Eduardo
Responder para  Helio Eduardo
1 mês atrás

Desculpem-me, publiquei antes de terminar, e não o fiz como uma resposta ao Bosco. Falhei duas vezes.

Não vou publicar tudo novamente, quero apenas registrar que considero o poder aéreo norte americano sub utilizado, em contraponto ao que me pareceu uma aposta errada no uso de mísseis tátricos e estratégicos.

Com a destruição já causada, que degradou ou eliminou ameaça anti aérea, a marinha do Irã e muitas bases e instalações de mísseis, o primeiro acordo de paz já teria vingado. Se ainda há conflito, em que pese as perdas iranianas, podemos falar em derrota? O que mais tem o Irã a oferecer? A julgar pelo tom das exig~encias, muito ainda.

Matheus
Matheus
Responder para  Helio Eduardo
1 mês atrás

Os EUA ainda têm muitas armas de curto alcance, como os JDAMs.

Mas para usá-las corretamente, você precisa voar bem profundo dentro do Irã e fazer isso por períodos prolongados. Isso representa um grande risco por parte das defesas aéreas iranianas, mesmo quando elas já foram bastante desgastadas.

Se os EUA conseguirem aceitar perdas no nível do Vietnã, tanto em aeronaves perdidas quanto em pilotos capturados/mortos, eles podem ter mais sucesso em suprimir ainda mais os mísseis e drones iranianos.

Mas eu suspeito que os EUA avaliaram, corretamente na minha opinião e como eu tenho argumentado, que o que pode ser alcançado apenas com poder aéreo atingiu seus limites e mais bombardeios não vão cumprir nenhum dos objetivos dos EUA. Na realidade, o Poder Aéreo não vence guerras, isso é propaganda americana. Nunca ganhou!!!!

Ademais, lembre-se de que o Irã tem acesso a 80% de seu inventário pré-guerra, ou 80% foi obliterado. Ambos baseados em fontes dos EUA.

A ideia de que o Irã usou todos os seus mísseis avançados e não pode usar os restantes por “não dominar seus céus” não combina com a precisão, letalidade e evasão melhoradas dos ataques recentes, incluindo um ataque surpresa sem precedentes.

Os ataques durante a guerra de 12 dias do ano passado tinham CEP em km, mas agora edifícios específicos na Jordânia são atingidos com base em inteligência em tempo real. Muito mais provável que eles tenham principalmente os mísseis de precisão depois de alimentar as variantes mais antigas à defesa aérea.

Eu estou tendo um dejavu. A “mídia” como se refere estavam dizendo como a Rússia estava a poucos dias de ficar sem mísseis lá em 2022, quando a guerra começou. E aqui estamos nós, com a Rússia lançando quase ondas diárias com a mesma consistência, porque eles sabem como fabricá-los exatamente como precisam por causa daquela experiência de guerra.

Vai jogar na sorte com o Irã também?

O Irã foi estimado antes da guerra como tendo cerca de 3000 mísseis capazes de atingir bases no Oriente Médio. Eles dispararam entre 2200 e 2400, dependendo da fonte de OSINT. Só que tem um porém, essa estimativa de mais de 2.000 mísseis foi da inteligência israelense, levantando a questão se isso inclui todos os mísseis ou apenas os que conseguem atingir Israel. O fato do Irã atacar bases no Oriente Médio só preocupa Israel na medida em que enfraquece a aliança anti-Irã, que é por isso que eles pressionaram pelo limite de alcance de 500 km para o Irã.

Não temos um número real sobre o total de mísseis que eles tinham ou ainda têm. Netanyahu afirmou que a guerra de 12 dias neutralizou 20.000 mísseis. Avaliações israelenses de 12 meses atrás estimavam que o Irã poderia produzir de 2.500 a 8.000 mísseis adicionais por ano em instalações subterrâneas. 3.000 mísseis antes da guerra significa que eles tinham pelo menos uns 500 restantes na capacidade produtiva menos generosa? Porque Netanyahu destruiu 19.500 mísseis em 12 dias?

Bosco
Bosco
Responder para  Matheus
1 mês atrás

Nunca ouvi falar desse comentário de Netanyahu.
Até onde eu sei na guerra dos 12 dias foram lançados contra Israel 526 mísseis (balísticos, hipersônicos e de cruzeiro) contra Israel e apenas cerca de 60 passaram pelas defesas e atingiram zonas habitadas ou áreas sensíveis.
Também o Irã enviou cerca de 1000 drones dos quais mais de 90% foram interceptados.

Matheus
Matheus
Responder para  Bosco
1 mês atrás

Até onde eu sei na guerra dos 12 dias foram lançados contra Israel 526 mísseis (balísticos, hipersônicos e de cruzeiro) contra Israel e apenas cerca de 60 passaram pelas defesas e atingiram zonas habitadas ou áreas sensíveis.

Eu não disse interceptados, eu disse neutralizados. Bibi alegou que o Irã poderia ter a capacidade de ter 20k mísseis apontados para Israel caso Tel Aviv não tivesse atacado as instalações de produções de mísseis balísticos do Irã.

Bosco
Bosco
Responder para  Helio Eduardo
1 mês atrás

Helio,
O problema não é bem um fla-flu mas o valor que o Ocidente dá aos seus cidadãos junto com a liberdade de opinião, que não existe nesses paraísos da intolerância e do autoritarismo.
Enquanto cada vida de um soldado raso no Ocidente é cobrado pela mídia ocidental como sendo uma perda insuperável o mesmo não ocorre do outro lado, onde as lideranças não contabilizam seus mortos e onde não há direito ao contraditório e não há liberdade de pensamento.
Mas alguém com apenas um “teco” (nem precisa do tico) deve saber avaliar a destruição causada no Irã e a destruição que o Irã impôs as seus inimigos.
O que vemos é que os próprios ocidentais doutrinados torcem para que as suas democracias afundem pelas suas própria virtudes, implodindo de dentro pra fora , enquanto torce para suas ditaduras resistirem ad infinitum tendo em vista não haver nenhum tipo de oposição interna, o que lhes possibilita só poderem ter seus regimes destruídos por uma força/oposição externa.
Essa “resiliência” desses regimes autoritários dá uma falsa impressão que estão em posição superior já que os avaliadores (rsss) não computam as mortes e a destruição do lado de lá, o custo material e político , mas só do lado ocidental ou pró-ocidental.
Por exemplo, o Estreito de Ormuz fechado é computado como uma perda imensa para a economia ocidental mas esquecem de fazer a conta da perda para o próprio Irã.
Não há nenhuma defesa iraniana contra incursões aéreas dos EUA e Israel desde sempre, já que a defesa iraniana é baseada em métodos de defesa passivos (bases e instalações subterrâneas) mas a falta de interceptadores do lado ocidental contra os cada vez mais raros mísseis de longo alcance iranianos é visto como um problema abissal insolúvel e prova incontestável da vitória iraniana.
Será que é de fato ou essa falta de interceptadores é só uma narrativa incômoda para os militares americanos que se veem obrigados a responder esse tipo de questão insistente?
Não digo que interceptadores não são importantes e o foram muito na defesa de Israel, é importante na defesa de Kiev e será importante na defesa de Guan, mas generalizar e dizer que um país está em apuros faraônicos porque não os possui enquanto o outro lado tem menos ainda e está igualmente sujeito a ataques é ter uma visão muito obtusa levada pela velha mídia.
Vemos que a Ucrânia consegue absorver um ataque diário de centenas de drones e mísseis ao seu território há mais de 4 anos e ela continua existindo, funcionando e inabalável, mas alguns poucos mísseis lançados contra os vizinhos iranianos vão decretar a vitória iraniana?
Como eu disse, e concordo com você, a avaliação americana e o emprego de seus meios foi equivocado. Sequer mísseis como o ATACMS ou PrSM tinham que ter sido empregados e mísseis de longo alcance como o JASSM e o Tomahawk teriam que ter sido empregados de forma muito limitada tendo em vista os objetivos primários do ataque que deveria focar no estabelecimento da supremacia aérea sobre todo o território iraniano e na caçada aos lançadores de mísseis.
Alguns “Tomahawks” teriam utilidade no início das operações , principalmente na decapitação das lideranças, navios e submarinos atracados, no ataque às bases aéreas e em alguns sítios de defesa aérea baseada no chão (GBAD) que pudessem ser atingidos em tempo hábil por meios subsônicos.
O grosso do ataque , após a manutenção da superioridade, seria por meio de LGBs, JDAMs, WCMDs e SDBs. Todas de baixo custo e existindo a centenas de milhares.
Também concordo com você a respeito da avaliação porca americana, principalmente relacionado com uma possível revolta popular contra o regime .
Não à toa o Laranjão é amigo do gnomo do Kremlin. Ambos padecem da mesma doença e parece que estão pagando por sua intempestividade.
Mas , ao contrário da grande maioria dos iludidos, não acredito que nem os interceptadores e nem os mísseis ofensivos possam brecar o “trator de esteira” que foi colocado em movimento dentro do Irã após 40 anos deles arrotarem a destruição dos EUA e de Israel. A corda foi muito esticado e ainda que demore mais que o inicialmente previsto o resultado é inevitável.

Carlos Eduardo Góes
Carlos Eduardo Góes
Responder para  Bosco
1 mês atrás

Bosco, talvez a grande questão não seja analisar apenas a questão única e exclusivamente sob a ótica da guerra com o Irã, pois como foi colocado, o mesmo não tem capacidade de causar danos realmente graves aos EUA, e sim, que o uso de forma “irresponsável” dos referidos arsenais, se vista em um ambiente mais macro, englobando outras frentes e riscos pelo globo, colocam a situação num caráter mais vulnerável. Caso uma verdadeira crise venha a implodir no cenário do Pacifico, ou ate mesmo em outra região, a falta desses misseis poderá ser um fator dissuasório, obrigando o comando americano a alterar cenários anteriormente calculados, pois a baixa disponibilidade de estoque dessas armas, muda a forma na qual a abordagem pode ser feita com determinadas ameaças.

Esse é a grande questão que este artigo realmente traz a reflexão. A analise macro global, e como uma estratégia mal conduzida em um cenário regional, pode afetar a balança no macro.

Bosco
Bosco
Responder para  Carlos Eduardo Góes
1 mês atrás

Sim! Por isso eu disse que os meios de longo alcance foram empregados de modo incorreto, ao meu ver.

Matheus
Matheus
Responder para  Bosco
1 mês atrás

Não há nenhuma defesa iraniana contra incursões aéreas dos EUA e Israel desde sempre, já que a defesa iraniana é baseada em métodos de defesa passivos (bases e instalações subterrâneas) mas a falta de interceptadores do lado ocidental contra os cada vez mais raros mísseis de longo alcance iranianos é visto como um problema abissal insolúvel e prova incontestável da vitória iraniana.

A defesa iraniana é baseado em medidas passivas (subterrânea afinal aproveitam o terreno que possuem) e ativas (AAe móveis) – longe de terem sido completamente eliminados, como você faz parecer. Afinal, se tivessem sido eliminados, a USAF estaria até agora voando nos céus do Irã atacando alvos iranianos. Há motivos para que isso não acontece agora e um péssimo planejamento só explica o fato parcial dessa análise. Além disso, tenho quase certeza que os ataques contra a Jordânia tiveram ondas de 20 ou mais mísseis, o que diariamente se tornam uma questão estratégica de avaliar a capacidade iraniana cada vez mais “rara”.

Será que é de fato ou essa falta de interceptadores é só uma narrativa incômoda para os militares americanos que se veem obrigados a responder esse tipo de questão insistente?

É fato!!!! kkkkkk

Não digo que interceptadores não são importantes e o foram muito na defesa de Israel, é importante na defesa de Kiev e será importante na defesa de Guan, mas generalizar e dizer que um país está em apuros faraônicos porque não os possui enquanto o outro lado tem menos ainda e está igualmente sujeito a ataques é ter uma visão muito obtusa levada pela velha mídia.

O “outro lado”, como você bem disse, possui capacidade de defesa passiva. Sua capacidade reside no fato de que a geografia é uma aliada natural, então, acaba sendo uma importante camada de defesa para se proteger de ataques do Poder Aéreo inimigo. 

Isso não conta na sua análise? O que é mais fácil destruir? Uma instalação 100 metros abaixo de uma montanha bastante rochosa ou uma instalação construída com materiais poucos resistentes que mal sobrevivem ao impacto cinético de um míssil de poucas toneladas?

Vemos que a Ucrânia consegue absorver um ataque diário de centenas de drones e mísseis ao seu território há mais de 4 anos e ela continua existindo, funcionando e inabalável, mas alguns poucos mísseis lançados contra os vizinhos iranianos vão decretar a vitória iraniana?

A Ucrânia possui profundidade estratégica. Possui uma imensa indústria militar, instalações militares construídas no período soviético, instalações essas que são capazes de sobreviver a uma guerra nuclear, isso é bem diferente de um monte de países pequenos e indefesos no Golfo e no Oriente Médio que tiveram por anos a iniciativa de proteção americana que agora na hora H deixou de se concretizar, porque os próprios americanos estão sofrendo para defender seus ativos e instalações do país que atacou.

Eu sei que a realidade da guerra do Irã contraria derrubou várias crenças suas, embora você pareça cada vez mais negacionista, o fato é que o Irã para derrotar estrategicamente os americanos, nem precisa ganhar, só basta não perder, e isso tem sido concretizado pela sua força de mísseis balísticos.

Como eu disse, e concordo com você, a avaliação americana e o emprego de seus meios foi equivocado. Sequer mísseis como o ATACMS ou PrSM tinham que ter sido empregados e mísseis de longo alcance como o JASSM e o Tomahawk teriam que ter sido empregados de forma muito limitada tendo em vista os objetivos primários do ataque que deveria focar no estabelecimento da supremacia aérea sobre todo o território iraniano e na caçada aos lançadores de mísseis.

Se os americanos tivessem atacados de forma limitada com os PGM de longo alcance, as chances de estabelecer a supremacia aérea teriam sido altamente questionáveis, afinal, a IRIAF poderia estar voando desde o primeiro dia de conflito, o que não ocorreu, porque o ataque massivo e amplo dos primeiros dias foram importantes para deixar a IRIAF no chão, assim como neutralizar a ameaça da IRIN que permaneceu sem suas bases navais, ter feito o contrário teria sido completamente estúpido da parte da liderança americana.

O conflito só mostrou que os americanos sofrem cronicamente de munições de longo alcance e a China é um adversário completamente diferente do que eles estão enfrentando com o Irã.

Alguns “Tomahawks” teriam utilidade no início das operações , principalmente na decapitação das lideranças, navios e submarinos atracados, no ataque às bases aéreas e em alguns sítios de defesa aérea baseada no chão (GBAD) que pudessem ser atingidos em tempo hábil por meios subsônicos.

O grosso do ataque , após a manutenção da superioridade, seria por meio de LGBs, JDAMs, WCMDs e SDBs. Todas de baixo custo e existindo a centenas de milhares.

Ué…. então agora com “alguns” Tomahawks, os americanos teriam neutralizado todas as bases aéreas do Irã? Mas isso não contradiz o que você disse anteriormente, eis o que você disse:

Para uma base aérea ser paralisada “temporariamente” é necessário o impacto direto , com alto nível de precisão , de dezenas de mísseis . Um ou outro míssil ou drone não têm capacidade de paralisar a operação de nenhuma base.

Como não cair nessa contradição? Explica pra nós.

Bosco
Bosco
Responder para  Matheus
1 mês atrás

A sua formação acadêmica Paulofreiriana te faz ter uma leitura criativa do que eu disse.
O fato de eu considerar justificado o emprego pelos EUA de mísseis Tomahawk ou JASSM num ataque preeptivo no início do conflito contra bases aéreas iranianas não significa que eu acredito que tais mísseis iriam neutralizar permanentemente ou gravemente tais bases , que é o que vocês imaginam toda vez que um traque mal direcionado dos iranianos atingem uma base militar americana, mas simplesmente que seria uma ação de alto efeito nos momentos iniciais.
Seriam necessários dezenas de Tomahawks para neutralizar apenas uma base e ainda assim ela teria que ser alvo contínuo por dias e dias até o final do conflito, sob pena de voltar a funcionar.
Por mais de uma vez eu citei as “defesas passivas” dos iranianos e inclusive disse que as MOPs deveriam ter sido empregadas contra as “cidades de mísseis” subterrâneas e não contra as instalações nucleares.
A operação americana contra o Irã não derrubou nenhuma de minhas crenças . Pelo contrário. Vi o tremendo poder militar que os EUA podem reunir há 10 mil quilômetros do seu país e lançar sobre um adversário entrincheirado e alerta há 40 anos.
Se tal poder não irá surtir o efeito político desejado aí é outra questão. Analisar incompetência política não é o meu forte.
Mas diferente de você, até onde eu sei, os dados ainda estão rolando.
Se você não tiver dados reais e confiáveis acerca da quantidade de mísseis enviados (balísticos e de cruzeiro) , de quantos foram interceptados de fato, de quantos que não foram interceptados mas não surtiram nenhum efeito militar prático, você é só um torcedor que acredita na grande mídia da extrema esquerda, apoiadora de ditadores e terroristas.
Você tem esses dados ou está só na fase do oba-oba?

Última edição 1 mês atrás por Bosco Jr
Matheus
Matheus
Responder para  Bosco
1 mês atrás

A sua formação acadêmica Paulofreiriana te faz ter uma leitura criativa do que eu disse.

kkkkkkkk

O fato de eu considerar justificado o emprego pelos EUA de mísseis Tomahawk ou JASSM num ataque preeptivo no início do conflito contra bases aéreas iranianas não significa que eu acredito que tais mísseis iriam neutralizar permanentemente ou gravemente tais bases , que é o que vocês imaginam toda vez que um traque mal direcionado dos iranianos atingem uma base militar americana, mas simplesmente que seria uma ação de alto efeito nos momentos iniciais.

O problema é que “alguns” poucos Tomahawk foram lançados e isso não causou o “alto efeito” de longo prazo, como você supostamente afirma, porque simplesmente o que foi lançado não foi necessário para permitir o que a USAF gostaria de ter conquistado: supremacia aérea. No máximo conquistaram superioridade aérea local quando precisava criar corredores de ataque e isso permitia uma liberdade de ação momentânea localizada – porque o Irã ainda tinha um componente AAe disperso mas ativo no TO.

Seriam necessários dezenas de Tomahawks para neutralizar apenas uma base e ainda assim ela teria que ser alvo contínuo por dias e dias até o final do conflito, sob pena de voltar a funcionar.

Por mais de uma vez eu citei as “defesas passivas” dos iranianos e inclusive disse que as MOPs deveriam ter sido empregadas contra as “cidades de mísseis” subterrâneas e não contra as instalações nucleares.

Você está dando voltas e mais voltas. Eu disse literalmente que o primeiro dia de ação vimos 4 B-2A voltados a tentativa de neutralizar as fábricas de mísseis iranianos encravado nas montanhas, eles não estavam localizando as instalações nucleares.

Além disso, você sabe que o programa nuclear iraniano não tinha sido “obliterado” como disse Trumpete, os americanos e Israel tinham também como objetivo acabar com o programa nuclear, por isso, eles atacaram também as instalações nucleares, porque caso tivessem deixado de fora do planejamento da campanha aérea inicial, o Irã poderia simplesmente ter removido todos os equipamentos e objetos dessas instalações e teria escondido com chances muito maiores de sobrevivência, porque claramente depois dos primeiros ataques em 2025, eles dispersaram as centrífugas e instalações em várias partes do país, prorrogar ainda mais os ataques nas instalações teria dado tempo suficiente do Irã sumir com todo o material nuclear das instalações.

A operação americana contra o Irã não derrubou nenhuma de minhas crenças . Pelo contrário. Vi o tremendo poder militar que os EUA podem reunir há 10 mil quilômetros do seu país e lançar sobre um adversário entrincheirado e alerta há 40 anos.

Se tal poder não irá surtir o efeito político desejado aí é outra questão. Analisar incompetência política não é o meu forte.

Mas diferente de você, até onde eu sei, os dados ainda estão rolando.

O “tremendo” poder militar reunido não foi capaz de derrotar estrategicamente o país isolado por sanções, sem uma força aérea e sem uma marinha, contando com ajuda do aliado mais forte da região. Mudaram o DoD para DoW e logo justamente na primeira guerra perderam. Não só queimaram estoques altamente necessários para o conflito no Pacífico, mas acabaram por evidenciar a fragilidade militar, coisas como ACE e a sopinha de letrinhas que o DoD (ou DoW depende de quem gosta de bajular o Laranja) adora criar mostrou que não passa uma verdadeira farsa para enganar trouxas. O que importa em uma guerra assim como demonstra na própria Ucrânia é que contar quantidades não importa muito se não tem capacidade de suportar todos esses recursos, estoques e produção de munições importa muito mais do que a vantagem quantitativa.

Se você não tiver dados reais e confiáveis acerca da quantidade de mísseis enviados (balísticos e de cruzeiro) , de quantos foram interceptados de fato, de quantos que não foram interceptados mas não surtiram nenhum efeito militar prático, você é só um torcedor que acredita na grande mídia da extrema esquerda, apoiadora de ditadores e terroristas.

Basta acompanhar as análises de imagens OSINT, há uma porção de imagens divulgadas no X, sinta-se a vontade para pesquisar e verificar os dados. Você acompanha as notícias? Sabe que a USAF agora não coloca mais suas aeronaves no Golfo mas sim em Israel e na Europa como na Bulgária? O motivo é mais claro do que a luz do sol.

Victor Carvalho
Victor Carvalho
Responder para  Bosco
30 dias atrás

que é o que vocês imaginam toda vez que um traque mal direcionado dos iranianos atingem uma base militar americana

Ahh, não força né parceiro. Vários vídeos e fotos de ataques precisos realizados por mísseis e drones iranianos e tu ainda está nessa? Acertar várias instalações de radares, aeronaves reabastecedoras e um f*ckin E-3 é coisa de traque mal direcionado? Aí não dá né?!

Bosco
Bosco
Responder para  Victor Carvalho
30 dias atrás

Vitinho, meu filho,
Eu não disse que vários alvos de alto valor não foram atingidos pelos iranianos. Sei que foram e isso é normal em uma guerra. Não há operações militares com custo zero.
*Também pudera. Se não servissem pra nada aquele tanto de mísseis…
O que disse é que mísseis convencionais não são capazes de individualmente neutralizar bases aéreas e que para que permaneçam inativas se faz necessário um ataque contínuo.
Cito as bases aéreas porque são as bases “lançadoras” dos meios ofensivos dos EUA.
Se você olhar as bases aéreas hoje você sequer irá notar que foram atacadas ontem.
https://www.rand.org/pubs/research_reports/RR968.html

Helio Eduardo
Helio Eduardo
Responder para  Bosco
1 mês atrás

“Helio,
O problema não é bem um fla-flu mas o valor que o Ocidente dá aos seus cidadãos junto com a liberdade de opinião, que não existe nesses paraísos da intolerância e do autoritarismo.”

Bosco, só esclarecendo que o que considero um “fla x flu”: aquela discussão estéril baseada em achismos, não em dados técnicos ou opiniões balizadas e/ou fundamentadas. Claro, há liberdade de pensar e de se achar o que quiser, mas alguns exageram absurdamente.

E, caso tenha considerado que me dirigi a ti, por favor, não foi. Se eu não concordar com um forista, se eu não concordar contigo, citarei nominalmente. Não sou de mandar “letra”. Acho importante anotar isso, pelo que peço licença, pois uns poucos aqui na Triologia adoram falar por charadas e indiretas, enaltecendo a lacração em detrimento do debate.
 
“Mas alguém com apenas um “teco” (nem precisa do tico) deve saber avaliar a destruição causada no Irã e a destruição que o Irã impôs as seus inimigos.”


Sim, sem dúvida.

Mas, me chama a atenção que, ao que tudo indica, o Irã se preparou para isso! Ao que me parece, o Irã sabe que o custo será gigantesco, até mesmo próximo da obliteração. A questão é o quanto vale isso para o Irã (regime, não o povo) vis a vis a “desmoralização” dos EUA como potência dominante? Entendo que o Irã mira ganhos políticos, não militares.

Vemos Turquia, Arabia Saudita e Paquistão assinando tratado de assistência mútua! Alguns aliados declararam abertamente sua “preocupação” com as falhas da proteção norte americana!

Foram falhas pontuais? Sim, sem dúvida! Militarmente relevantes? Eu acho que não! Mas o que importa é que a defesa falhou e a falha foi registrada. Que impacto político isso terá no futuro, não sei, mas certamente teremos consequências.

“Não há nenhuma defesa iraniana contra incursões aéreas dos EUA e Israel desde sempre, já que a defesa iraniana é baseada em métodos de defesa passivos (bases e instalações subterrâneas) mas a falta de interceptadores do lado ocidental contra os cada vez mais raros mísseis de longo alcance iranianos é visto como um problema abissal insolúvel e prova incontestável da vitória iraniana.
Será que é de fato ou essa falta de interceptadores é só uma narrativa incômoda para os militares americanos que se veem obrigados a responder esse tipo de questão insistente?”


Começando pelo fim, não sei se a falta de interceptadores é apenas uma narrativa incômoda, mas o me parece relevante é que este tipo de notícia, tanto sobre o custo dos mísseis quanto pela redução de seus estoques, tem sido constante desde o início do conflito, e por veículos de comunicação de vários matizes.

Contudo, creio que podemos todos concordar com o fato de que o Irã está resistindo para muito além do que imaginamos quando o conflito começou. A questão é se isso já não seria uma vitória?! Aliás, como pontuado pelos artigos citados na postagem “Vitória militar, derrota estratégica? Dois importantes artigos nos EUA questionam o resultado da guerra contra o Irã”, de 08/08/26, a percepção de que a vitória militar não se traduziu em vitória política é clara e crescente.

No fim das contas, o quanto vale para o regime do Irã derrotar politicamente os EUA? Uma marinha? Dezenas de bases? Metade de seus líderes mortos? Parece que vale até mesmo o país inteiro.

Eu entendo que eles se prepararam muito bem para este conflito, e parte dessa preparação parece passar pela aceitação de que a derrota militar é uma certeza, mas a vitória política uma possibilidade.

“Não digo que interceptadores não são importantes e o foram muito na defesa de Israel, é importante na defesa de Kiev e será importante na defesa de Guan, mas generalizar e dizer que um país está em apuros faraônicos porque não os possui enquanto o outro lado tem menos ainda e está igualmente sujeito a ataques é ter uma visão muito obtusa levada pela velha mídia.
Vemos que a Ucrânia consegue absorver um ataque diário de centenas de drones e mísseis ao seu território há mais de 4 anos e ela continua existindo, funcionando e inabalável, mas alguns poucos mísseis lançados contra os vizinhos iranianos vão decretar a vitória iraniana?”


Bosco, talvez o fator a ser considerado seja o ineditismo da situação. Afinal não é a Rússia (os russófilos vão brigar comigo…rs), é o Tio Sam! E, certamente, boa parte dessa percepção vem do fato de que Trump bravateia vitória 24 horas por dia, 7 dias por semana, e ninguém percebe nenhum ganho real!

Mais uma vez, a questão deixa de ser militar e passa à esfera política: os EUA emitiram alguns ultimatos, exigiram determinadas condições, o Irã bancou e…..

Voltamos ao ciclo de novos ultimatos, novas condições, tudo entremeado por ataques de mísseis, bombardeios de precisão, etc, e, para surpresa de todos, o ciclo recomeça, nada de derrota iraniana ou de vitória americana, parece aquele tipo de novela que dá super certo e é esticada para além do que o enredo permite.

Não é que o Irã tenha uma vitória parcial, mas sim o fato de que escapou, até agora, da derrota! E não era uma derrota qualquer, mas sim uma derrota considerada líquida e certa.

E, nesse ponto, caro Bosco, não deixo de pensar na “operação especial” do Putim que deveria durar alguns dias, e lá se vão 5 anos! A semelhança não ajuda a América na sera da opinião pública…
 
“Também concordo com você a respeito da avaliação porca americana, principalmente relacionado com uma possível revolta popular contra o regime .
Não à toa o Laranjão é amigo do gnomo do Kremlin. Ambos padecem da mesma doença e parece que estão pagando por sua intempestividade.”

Anotei, nova dupla de trapalhões: Laranjão e o Gnono do Kremlin!

“Mas , ao contrário da grande maioria dos iludidos, não acredito que nem os interceptadores e nem os mísseis ofensivos possam brecar o “trator de esteira” que foi colocado em movimento dentro do Irã após 40 anos deles arrotarem a destruição dos EUA e de Israel. A corda foi muito esticado e ainda que demore mais que o inicialmente previsto o resultado é inevitável.”

Concordo, se a escalada atual seguir, não restará muito do Irã, disso nem quem sofre da ausência de tico e de teco pode duvidar.

A questão é a que custo – político, militar e econômico – e por quanto tempo. A depender da resposta, no fim a sensação de vitória pode não estar com Washington.

Bosco
Bosco
Responder para  Helio Eduardo
30 dias atrás

Blz, Helião!

Silva Jardim
Silva Jardim
1 mês atrás

Manter o agressor e sua marinha a 300 km de sua fronteira ou o litoral do estreito. Isso é que o Irã está fazendo.

Última edição 1 mês atrás por Silva Jardim
Helio Eduardo
Helio Eduardo
Responder para  Silva Jardim
1 mês atrás

Essa é, para mim, uma questão fácil de explicar, coisa rara nesse conflito: não se coloca uma marinha de guerra nun gargalo geográfico como o Estreito de Ormuz. Deve ser o sonho od splanejadores iranianos, mas não vai rolar. Naquele fiapo d emar cercado de terra basta um míssil passar, uma mina não se vista e um navio capital pode ser severamente avariado ou destruído.
O ponto é, o quanto o Irã inlcuiu isso na sua estratégia? Eu acho que bastante, o que me leva a concordar com seu comentário.

Jadson S. Cabral
Jadson S. Cabral
30 dias atrás

Eu acho que isso tudo é falácia de grandes empresas de defesa para ganharem cheques em branco, porque não é possível que empresas multibilionárias, com parques de produção enormes não consigam produzir esses mísseis em tempo hábil.
Estão tratando como se cada míssil deve levasse 1 mês para ficar pronto, quando na vdd uma linha de produção pode fazer centenas, senão milhares por dia.
Até veículos utilitários complexos são feitos aos milhares todos os dias nas linhas de produção, mas um míssil não pode? Por favor, se fosse algo tão urgente assim, poderiam fazer 10.000 por dia

Helio Eduardo
Helio Eduardo
Responder para  Jadson S. Cabral
30 dias atrás

Sim e não!

Sim, e faz parte do “business” a propaganda para capturar a opinião pública. No fim, é tudo igual, vender sorvete ou míssil, há que se criar a demanda, fazer propaganda, ter a simpatia do povo….

Não, pois me parece que faltou planejamento! Com um alto grau de certeza a estratégia americana não previa um duelo de misseis e interceptadores de misseis com uma potencia regional. E isso, na minha opinião, cria o buraco!

O resultado está aí fruto, me parece, do seguinte:

  • O Irã se mostrou resiliente, um inimigo que não se curva;
  • A capacidade do Irã em atingir alvos estratégicos também surpreendeu;
  • A condução da campanha pelos EUA está cheia de equívocos e, ao menos até aqui, subestimou o adversário;
  • A indecisão política, faz trégua pela manhã, bombardeia à tarde, volta ao status de trégua à noite, contribui para a degradação das capacidades militares do EUA.