Turquia prepara transferência à Ucrânia de 70 mísseis ATACMS e 12 lançadores M270
Pacote de armamentos de origem norte-americana inclui ainda 2.524 foguetes M26 e 47 mil projéteis de artilharia de 203 mm com submunições DPICM; documentos oficiais apontam valor original de aquisição próximo a US$ 284 milhões
A Turquia iniciou o processo para transferir à Ucrânia um dos maiores pacotes recentes de armamentos de origem norte-americana provenientes dos estoques de um terceiro país, incluindo 70 mísseis balísticos táticos M39 ATACMS, 12 lançadores M270 MLRS, 2.524 foguetes M26 e 47 mil projéteis de artilharia de 203 mm.
A operação foi formalmente comunicada ao Congresso dos Estados Unidos pelo Departamento de Estado e aparece nos registros oficiais norte-americanos publicados em agosto. Como os sistemas foram originalmente fornecidos pelos EUA à Turquia, Ancara precisa obter autorização de Washington para sua reexportação à Ucrânia, nos termos da legislação norte-americana de controle de armas.
A transferência ainda não deve ser tratada como uma entrega consumada: o Departamento de Estado informou ao Congresso que está preparado para autorizá-la, mas o processo precisa cumprir o período legal de revisão parlamentar antes de sua execução. Os documentos foram encaminhados aos legisladores em 3 de agosto.
Pacote inclui ATACMS, M270 e grande quantidade de munição de fragmentação
As notificações foram divididas em dois processos. O principal reúne 12 lançadores M270, 2.524 foguetes não guiados M26 de 227 mm com ogivas DPICM e 47 mil projéteis M509A1 de 203 mm, também equipados com submunições DPICM. O valor original de aquisição declarado para esse lote é de aproximadamente US$ 255,9 milhões.
Uma segunda notificação trata especificamente dos 70 mísseis M39 ATACMS, avaliados em cerca de US$ 28 milhões pelo valor original de aquisição. Somados, os dois documentos chegam a aproximadamente US$ 283,9 milhões, embora isso não signifique necessariamente que esse seja o preço que Kyiv pagará atualmente pela operação.
O pacote compreende:
- 70 mísseis M39 ATACMS
- 12 lançadores M270 MLRS
- 2.524 foguetes M26 de 227 mm com DPICM
- 47.000 projéteis M509A1 de 203 mm com DPICM
Os projéteis de 203 mm são compatíveis com sistemas pesados de artilharia utilizados pela Ucrânia, incluindo o soviético 2S7 Pion e o norte-americano M110.
M39 ATACMS alcança 165 quilômetros
Embora seja a primeira versão de produção da família ATACMS e tenha alcance inferior às variantes posteriores de 300 km, o M39 Block I continua sendo uma arma de ataque de profundidade importante.
Documentação oficial do Exército dos Estados Unidos informa que o M39 utiliza guiagem inercial, possui alcance de até 165 quilômetros e transporta 950 submunições M74 antipessoal e antimaterial. Diferentemente dos ATACMS posteriores, essa primeira versão não utiliza correção por GPS.
O míssil foi concebido para atacar alvos de área situados além do alcance da artilharia convencional, incluindo posições de mísseis, sistemas de defesa aérea, instalações logísticas e centros de comando e comunicações.
Para a Ucrânia, os 70 exemplares representam uma recomposição significativa de uma capacidade que se tornou particularmente valiosa desde a introdução do ATACMS no conflito.
Doze M270 ampliam capacidade de lançamento
A transferência dos 12 M270 MLRS também é significativa.
O lançador sobre lagartas utiliza dois contêineres de munição e pode transportar até 12 foguetes convencionais simultaneamente ou lançar mísseis ATACMS. O Exército norte-americano desenvolveu o sistema para fornecer rapidamente grande volume de fogo contra alvos críticos e sensíveis ao tempo.
A Ucrânia já opera o M270 e o M142 HIMARS, o que reduz a necessidade de introduzir uma arquitetura completamente nova de treinamento e apoio logístico. Os documentos norte-americanos observam especificamente que Kyiv já possui armamentos iguais ou essencialmente semelhantes aos que estão sendo transferidos.
Mais de 2.500 foguetes M26
Outro componente de peso do pacote são os 2.524 foguetes M26.
O M26 é a munição original do sistema MLRS. Segundo a história técnica oficial do Exército dos EUA, cada foguete transporta 644 submunições M77 DPICM e possui alcance de aproximadamente 31,8 quilômetros. Um único M270 pode disparar 12 foguetes desse tipo em rápida sequência.
O envio de milhares dessas munições devolveria à Ucrânia uma capacidade de fogo de saturação de área em uma escala muito diferente daquela proporcionada pelos foguetes guiados de precisão GMLRS, mais modernos e caros.
Os 47 mil projéteis de 203 mm completam essa lógica, reforçando a capacidade ucraniana de utilizar sistemas de artilharia pesada contra posições e concentrações militares russas.
Turquia quer retirar armamentos antigos de seus estoques
Os próprios documentos apresentados aos Estados Unidos explicam uma das motivações de Ancara.
Segundo a notificação, a Turquia pretende reduzir os estoques de equipamentos mais antigos para direcionar recursos financeiros à modernização e à sustentação de sistemas mais modernos, enquanto a Ucrânia procura reforçar suas capacidades ofensivas e defensivas de apoio de fogo.
A lógica é particularmente evidente no caso do M39 e do M26. Ambos pertencem às primeiras gerações de munições do MLRS/ATACMS e remontam à estrutura de forças criada durante os últimos anos da Guerra Fria e início da década de 1990.
Para Ancara, transferi-los permite eliminar estoques antigos ao mesmo tempo em que preserva recursos para programas de modernização das Forças Armadas turcas.
Empresas turcas, norte-americanas e búlgara participam da operação
A execução logística não deverá ocorrer diretamente apenas entre os governos.
Os documentos indicam participação das empresas turcas MKE A.S., ASFAT A.S. e ARCA Savunma, além da búlgara VTIC International e das norte-americanas Pansophico e Patriot Defense Group, atuando em diferentes partes da exportação e da logística.
O Departamento de Estado informou que considera a operação coerente com os objetivos norte-americanos de assistência de segurança à Ucrânia.
Transferência marca mudança relevante na postura turca
A operação também chama atenção politicamente.
A Turquia manteve desde 2022 uma posição particular na guerra: condenou a invasão russa e reconheceu a integridade territorial da Ucrânia, forneceu equipamentos militares a Kyiv, mas preservou relações econômicas e diplomáticas importantes com Moscou e recusou-se a acompanhar integralmente o regime ocidental de sanções.
Em novembro de 2024, o presidente Recep Tayyip Erdoğan chegou a criticar a autorização norte-americana para que a Ucrânia utilizasse mísseis de maior alcance contra território russo, argumentando que a decisão poderia ampliar a escalada do conflito.
A eventual transferência de 70 ATACMS dos próprios estoques turcos, portanto, representa uma evolução importante em relação àquela posição, ainda que os M39 tenham alcance de 165 km e sejam menos sofisticados que as versões posteriores de 300 km.■

Auxiliar a Ucrânia a matar mais “orcs” invasores e diminuir a dependência turca de sistemas de armas e munições norte americanos.
Além de contribuir para a expansão da BID turca nas forças armadas locais.
Vai saber, uma próxima transferência de armamentos a Ucrânia, já poderá conter sistemas de concepção, design e fabricação turcos.
E bomba nos “orcs”!!!!
EDITADO
COMENTÁRIO BLOQUEADO DEVIDO AO USO DE MÚLTIPLOS NOMES DE USUÁRIO.
Se a Rússia fosse Israel, destruiria todo esse equipamento na hora do embarque, ainda em solo turco.
A guerra burocrática russa prejudica o próprio país.
E provocar a 3 guerra mundial atacando um membro da OTAN.
Quando a Rússia começar a fazer o mesmo com os adversários dos turcos,o Erdogan não vai gostar.
Exatamente.
Que máquina!!!!