A Liderança e o Cinema: A Guerra do Fogo (1981)
Sérgio Vieira Reale
Capitão-de-Fragata (RM1)
INTRODUÇÃO
Esta resenha trata da importância da liderança, mais especificamente, da sua relação com o cinema. Desde os primórdios até os dias de hoje, a liderança sempre foi um tema contemporâneo. A liderança é a capacidade de influenciar e mobilizar outras pessoas para alcançar objetivos comuns e compartilhar resultados desejados.
A liderança e o cinema são uma coletânea de resenhas sobre filmes, que abordam o referido tema. A sinergia entre a liderança e o cinema faz com que o aprendizado seja lúdico e motivador. Tanto para os que já são familiarizados com o tema, quanto para aqueles que passaram a se interessar pelo assunto. As resenhas podem ser baseadas em fatos reais ou fictícios e têm as seguintes finalidades: despertar nos leitores o interesse em assistir ou rever os filmes e utilizá-las no meio acadêmico como ferramenta pedagógica.
LUZ, CÂMERA, AÇÃO !
As adaptações audiovisuais de livros fazem parte da história do cinema. A Guerra do Fogo (“La Guerre Du Feu”), baseado no livro de J.H. Rosny Aîné, foi lançado em 1981 por meio de uma coprodução francesa e canadense.
O filme com a direção do francês Jean-Jacques Annaud foi ambientado no ano 80.000 a.C, antes da invenção da escrita, um dos períodos mais desconhecidos da história humana. Todo conhecimento daquela época é fruto da pesquisa de antropólogos, historiadores e paleontólogos, que muito contribuíram para reconstituir o que teria sido a cultura pré-histórica. O longa retrata de forma imaginativa como teriam sido as relações dos primeiros hominídeos entre si, suas relações com a natureza e entre as tribos em diferentes estágios de evolução. Esse clássico do cinema apresenta cenas brutais de combate e várias situações dramáticas num cenário com magníficas paisagens naturais, que foram filmadas no Canadá, Escócia, Islândia e Quênia.
O domínio do fogo é o principal elemento da história, onde a tribo Ivaka detinha a técnica de produzi-lo por fricção. As tribos Ulam, Wagabou e Kzamm não o produziam, mas o reverenciavam e tinham muita preocupação em protegê-lo.
O fogo, fundamental para a sobrevivência das sociedades pré-históricas, era utilizado no cozimento dos alimentos, na proteção do frio e na defesa contra os animais. Os hominídeos eram nômades e muito dependentes da natureza, que se deslocavam constantemente em busca de alimentos e abrigo. A natureza era muito hostil e eles viviam em cavernas para se proteger dos animais e do frio. Quando ainda não se fazia o uso da palavra, os hominídeos se comunicavam por meio de gestos corporais e grunhidos. Os indivíduos já viviam em grupos, de forma cooperativa, para enfrentar as adversidades de um mundo selvagem. Ao mesmo tempo, competição e dominação também faziam parte da dinâmica grupal.
Na abertura do filme, observa-se uma fogueira distante no horizonte noturno. Logo a seguir, aparece o primeiro personagem, um hominídeo Neanderthal da tribo Ulam.
Ele está acordado, diante de uma fogueira, mantendo-a acesa para evitar a aproximação de predadores e para exercer vigilância contra possíveis ataques de outras tribos. Enquanto isso, os demais hominídeos se encontram dormindo numa caverna próxima e são aquecidos por outra fogueira. Esse fato já demonstra a distribuição de tarefas no cotidiano da tribo. A principal chama acesa é mantida numa gaiola por outro hominídeo no interior da caverna. Eles não dominavam a técnica de produzir o fogo.
Pela manhã, a tribo Ulam é surpreendida por um ataque da tribo Wagabou na intenção de roubar o fogo. O sangrento combate, realizado corpo-a-corpo com pedras e pedaços de madeira, tem como maior prejudicada a tribo Ulam, com o apagamento do precioso fogo. Após deixarem aquele acampamento e constatarem a perda do valioso recurso para a sobrevivência, eles se reúnem para decidir quem iria desempenhar a tarefa da recuperação do fogo perdido.
Naoh, o principal personagem do filme, é o escolhido e passa a ser acompanhado pelos personagens Gaw e Nam. Naoh assume a liderança da jornada para desbravar territórios não explorados, pois possuía força, iniciativa e inteligência. Surgia, então, o primeiro traço de liderança como resultado de uma seleção que valorizava, principalmente, os mais fortes, assim como no mundo animal. Durante a primeira fase do percurso, os três guerreiros enfrentam muitas situações de perigo, como por exemplo, o ataque de leões. A liderança, naquele período, mesmo sendo exercida de maneira intuitiva muito contribuiu para a sobrevivência daqueles hominídeos. O personagem Naoh também exercia uma espécie de liderança situacional, pois a necessidade de recuperar o fogo perdido para sua tribo implicava em pressão e urgência. Suas ações envolviam diversas variáveis, onde era exigido do líder constantes adaptações as diversas mudanças provocadas pelo ambiente hostil.
Ao chegarem a um acampamento onde foi avistado o sinal de fumaça, os três guerreiros avistam a fogueira. Naquele local, estão os componentes da tribo Kzamm e após entrarem em combate, Naoh conquista o fogo. Em todas as lutas travadas entre as tribos pode-se observar a existência de líderes e seguidores. Logo após, Naoh conhece Ika, uma mulher da tribo Ivaka, que estava prisioneira da tribo Kzamm. A tribo Ivaka era intelectualmente mais desenvolvida e a liderança daquele grupo era exercida pelos mais velhos. É possível perceber, também, que ela domina a linguagem de uma forma mais aprimorada que os três (Naoh, Gaw e Nam). Ao travarem contato com outra tribo, passam a conhecer a técnica de produção do fogo. Enfim, de posse desse valioso conhecimento, eles partem levando o fogo aceso de volta para sua tribo. Porém, durante o trajeto, o fogo cai na água e se apaga. Diante do novo desafio, Noah tenta reproduzi-lo, mas não consegue.
Ika, a mulher da tribo Ivaka, aproxima-se e o auxilia na criação do fogo novamente; o que vem a causar uma grande emoção no grupo. Na busca pela obtenção do fogo, o contato com outras tribos possibilitou o aprendizado de novas formas de linguagem, a construção de cabanas, o uso de novas ferramentas e, principalmente, a arte de produzir o fogo por atrito. Ao término da jornada, retornam para a tribo Ulam e transmitem para todos os conhecimentos adquiridos. A guerra do fogo é uma valiosa obra cinematográfica sobre à evolução do comportamento humano durante a pré-história.
- Filme: A Guerra do Fogo (1981)
- Diretor: Jean-Jacques Annaud
- Disponível em: YouTube
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Aîné, J.H. Rosny, A guerra do fogo. Tradução Heloísa Prieto. São Paulo. Bamboo editorial. 2014.



Filmaço, assisti em VHS no fim dos anos 90, nunca mais vi e tenho todo o filme na memória. Ele tbém tem a primeira trepada da especie humana, numa cena bem divertida
Já assistir muitas fezes na minha época de faculdade, todo professor gostava de passar: História, Sociologia e Antropologia. Tenho ele gravado no meu notebook, de vez em quando eu assisto, ele e 2001 uma odisseia no espaço são icônicos para entender a formação do Homo Sapiens..
Gosto bastante da primeira cena desse filme. O neandertal interpretado pelo Ron Perlman está fazendo a guarda da tribo e espanta uma matilha de lobos com uma tocha. Esse ator fez o “Salvatore”, personagem de um outro filme da mesma época “O Nome da Rosa”, pra mim ele foi o ator perfeito para os dois personagens, sua feiura natural junto com alguma maquiagem encaixou certo no Salvatore do livro, q tbm recomendo, escrito pelo Humberto Eco, grande intelectual italiano do campo da linguistica q se aventurou em escrever uma ficção histórica.
Mas enfim, eu gosto dessa cena pq mostra como um cara grande, feio e meio antissocial sempre foi necessario na historia da humanidade. Um bom policial tem as mesmas caracteristicas: é o cara do lado de fora da caverna, espantando os lobos e cuidado do fogo enquanto os outros dormem em segurança.
Umberto Eco era realmente um bom entendedor da Idade Média. Mas era um boçal de marca maior. Leia “Em que crêem os que não creêm.” Eu que realmente não tenho nenhum amor perdido pela Igreja Católica, não pude deixar de notar o quão paciente e elegante foi o Cardeal Martini. Dá vontade de mandar o Eco para aquele lugar com requintes de crueldade heheheheh
Ele foi meio escroto as vzs. Teve uma entrevista dele q ele disse “eu inventei o Dan Brown” kkkk Realmente os livros do Eco são muito mais densos q os do Dan Brown, mas a gente sabe q é uma certa “inveja” no fundo. Não q se eu fosse o Eco teria inveja do Dan Brown, mas é q o ultimo vendeu muito mais livros e teve muito menos trabalho para escrevê-los, já q na pratica eram tramas de conspirações de Tiozão do zap, só q bem escritas kk
Pois é. O Mérito do Brown (e nem achei lá tão bem escrito) foi justamente de surfar na onda dessas teorias da conspiração muy locas, e escrever de forma que qualquer um pudesse se entreter com esses ‘mistérios’ (que não são mistérios de P N).
Lembro que na época, no trabalho, pessoas com nível superior, educadas, com acesso à informação, debatendo à sério as teorias. Eu morria de rir.
Todo cara meio genial é um tanto boçal. Vemos muito isso na música. Parece até a piada do Argentino (uma delas), de comprar o argentino pelo preço que ele vale e vender pelo preço que ele acha que vale, ser o melhor negócio do Mundo.
sua feiura natural foi tenso…kkkkkkkkk
Vi o filme quando jovem.
Se não me engano, o filme retrata contato de tribos de espécies diferentes:
os Nearndertais e H. Sapiens.
Estas interações são comprovadas nos registros arqueológicos.
https://www.youtube.com/watch?v=WvrnzimUoA0
Excelente filme. Fico feliz de saber que mais pessoas o conhecem.
O passado pré-histórico da humanidade foi apavorante.