IBM PC completa 45 anos: o computador que definiu o padrão da informática pessoal
Apresentado em 12 de agosto de 1981 por US$ 1.565, o IBM 5150 combinava processador Intel 8088, componentes disponíveis no mercado e sistema operacional fornecido pela Microsoft. Sua arquitetura relativamente aberta desencadeou uma indústria de computadores compatíveis, periféricos e softwares que ajudou a definir a informática pessoal moderna
Há exatamente 45 anos, em 12 de agosto de 1981, a IBM apresentava no Waldorf Hotel, em Nova York, uma máquina que alteraria profundamente a indústria mundial de computadores. Oficialmente chamada IBM Personal Computer Model 5150, ela não foi o primeiro computador pessoal, mas acabou estabelecendo o padrão técnico e comercial em torno do qual grande parte do setor passaria a se organizar.
O modelo básico custava US$ 1.565, vinha com apenas 16 KB de memória RAM (ou 64 KB – expansível até 640 KB) e não incluía unidade de disco. No coração da máquina estava o microprocessador Intel 8088, funcionando a 4,77 MHz. Para adicionar monitor, duas unidades de disquete e impressora, o comprador precisava desembolsar quase US$ 3 mil adicionais.
Um computador construído contra a tradição da própria IBM
A grande inovação não estava apenas no hardware. Para colocar o computador no mercado em aproximadamente um ano, a equipe comandada por Don Estridge abandonou vários procedimentos tradicionais da IBM, que normalmente projetava internamente praticamente todos os componentes de seus sistemas.
O grupo utilizou peças disponíveis comercialmente, escolheu o processador da Intel e contratou a então pequena Microsoft para fornecer o sistema operacional, comercializado pela IBM como PC DOS e posteriormente difundido pela Microsoft como MS-DOS. A decisão permitiu reduzir custos e, principalmente, acelerar drasticamente o desenvolvimento.
Foi uma estratégia incomum para a “Big Blue”. Segundo a própria IBM, um produto tradicionalmente poderia levar quatro ou cinco anos para chegar ao mercado. O nascente setor de microcomputadores, porém, evoluía rápido demais para esse ritmo.
A arquitetura aberta criou um padrão
A consequência mais importante apareceu depois do lançamento. A IBM publicou informações técnicas suficientes para que fabricantes independentes desenvolvessem placas de expansão, memória, periféricos e posteriormente computadores compatíveis.
Dentro de apenas um ano, mais de 750 pacotes de software já estavam disponíveis para o IBM PC e dezenas de empresas fabricavam placas de expansão de memória. Outras companhias passaram a reproduzir a arquitetura e fazer engenharia reversa do código de inicialização, dando origem aos chamados “IBM compatibles”.
O Computer History Museum considera esse ecossistema uma das principais consequências do lançamento. O PC foi amplamente clonado e sua combinação de processadores Intel e DOS tornou-se a base para uma enorme indústria de hardware, periféricos e programas.
A IBM, involuntariamente, criara algo maior que um produto: um padrão.
O sucesso superou as previsões
Nem a própria empresa previu a dimensão da demanda. Há diferentes números históricos sobre as projeções iniciais, mas todos apontam para uma grande subestimação. Uma reconstrução publicada pelo IEEE registra que a previsão industrial original era fabricar cerca de 1 milhão de máquinas em três anos, incluindo 200 mil no primeiro.
Na prática, já no segundo ano os consumidores compravam aproximadamente 200 mil PCs por mês. O computador gerou cerca de US$ 1 bilhão em receitas apenas no primeiro ano de comercialização.
A IBM registra que, no auge, saía uma máquina vendida a cada minuto de cada dia útil. Em 1982, a revista Time rompeu a tradição de escolher um “Homem do Ano” e declarou o computador pessoal sua “Machine of the Year”.
Do VisiCalc ao DONKEY.BAS
Para muitos usuários, porém, a revolução não começou com especificações técnicas, mas diante da tela.
O IBM PC podia executar programas de produtividade como VisiCalc, uma das primeiras planilhas eletrônicas de grande sucesso, e o processador de textos EasyWriter. A Microsoft também forneceu BASIC, COBOL, Pascal e outros softwares para a plataforma.
Entre os programas distribuídos com as primeiras versões do PC DOS estava o hoje lendário DONKEY.BAS, um simples jogo escrito em BASIC no qual o usuário desviava um automóvel de burros que surgiam na estrada. O programa tornou-se uma lembrança afetiva dos primeiros tempos do PC e uma demonstração das possibilidades gráficas e sonoras da máquina.
Para uma geração inteira, ligar o computador, inserir um disquete, digitar comandos e experimentar programas pela primeira vez representou a descoberta de uma nova maneira de trabalhar, estudar e se divertir.
A IBM acabou perdendo o mercado que ajudou a criar
A arquitetura aberta também teve um efeito inesperado para a própria IBM. Fabricantes como Compaq e dezenas de outras empresas conseguiram produzir computadores compatíveis, frequentemente mais baratos ou rápidos.
A participação da IBM no mercado de PCs, estimada em aproximadamente 80% entre 1982 e 1983, caiu para cerca de 20% uma década depois. Em 2005, a companhia vendeu sua divisão de computadores pessoais para a Lenovo por US$ 1,75 bilhão.
Mas naquele momento o objetivo maior já havia sido alcançado: a expressão “PC” havia se tornado praticamente genérica.
O legado de uma caixa bege
Comparado aos computadores atuais, o IBM 5150 parece rudimentar. Seus 16 KB de memória seriam insignificantes até para os dispositivos mais simples de hoje, enquanto um smartphone moderno possui poder computacional incomparavelmente superior.
O legado do IBM PC, entretanto, não está em sua velocidade. Está na ideia de uma plataforma capaz de combinar componentes de diferentes fabricantes, executar uma enorme variedade de softwares e evoluir continuamente sem abandonar completamente a compatibilidade com gerações anteriores.
Quarenta e cinco anos depois, essa filosofia permanece no centro da informática pessoal. O computador apresentado pela IBM em agosto de 1981 não inventou o PC — mas transformou o PC em padrão mundial.■




Eu ainda nunca vi um desses ou parecido pessoalmente, cara, US$1.560 dolares em 81 era muito dinheiro, mas so pra constar um ford LTD crowm victoria 1981 custava ali seus US$ 9.000 dolares.
Eu ja vi e usei, cobol e basic eram seus programas, trabalhei nos correios quando sai de Exército no final dos anos oitenta, os correios usavam para estruturar o CEP ao logradouro que ainda não tinham códigos de endereçamento postal. O centro de informática do Exército aqui em Brasília quando eu servi, usava esse mesmo modelo da foto.
A base dos sistema financeiro mundial ainda é o Cobol. Bancos tem medo de perder os saldos dos clientes ao mudar o sistema base de contabilidade.
IBM 5151 e 5150 se não me engano foram os modelos que trabalhei, e sim,”o COBOL ainda é usado no núcleo de processamento de grandes sistemas financeiros e governamentais. Cerca de 95% dos caixas eletrônicos, 80% das transações de cartão de crédito e grande parte dos sistemas de bancos (como transferências e contas correntes) dependem de códigos COBOL rodando em mainframes“.
Fonte: Google Gemini
E isso está sendo um perigo, os programadores mais jovens não estão querendo estudar Cobol, e está faltando gente no mercado.
Eu devia ter formalizado com um curso de Cobol quando eu ainda era garoto de programa. Hoje eu estaria faturando uma grana preta.
Eu cometi o mesmo erro, eu sei programar em C puro, e ir para o Cobal é só uma questão de treino, porém eu comi a mesma bola, não quis estudar a linguagem de programação.
Porém agora não sou mais garoto de programa.
Eu já vi mas não usei. Tem um preservado na Sede da IBM Brasil em Hortolândia, São Paulo.
Vi em 2017 enquanto cursava ensino médio integrado ao curso de T.I no IFSP.
A história da computação é maravilhosa, um dos meus sonhos é conhecer a UC Berkeley, o outro seria conhecer Bill Joy e Ken Thompson.
Tinha lotus 123 também kkk
Alias o lendário jogo da cobrinha surgiu ai
Saudosismo.
Já vi, já usei.
Cobol, Basic, etá trem veio.
A IBM deixou tudo…. Quase… Está nos servidores com Chips com IA, e ainda depende dos diamantes chineses para isso.
IBM tinha intenção de abrir fabricas (acho que chegou até a abrir) para fabricar insumos e computadores no Brasil, nos anos 80. Mas graças a lei da informática, que exigia conteúdo nacional, foi por água abaixo.
Obs.: um dos grandes defensores da lei da informática foi a Marinha. Com a chegada das Fragatas Classe Niterói, ficou claro para MB que os computadores eram fundamentais na guerra naval moderna. A Coreia e outros países asiáticos fizeram lobby para a “indústria da informática” instalar fabricas em seus países, o Brasil optou por expulsar os estrangeiros e construir tudo sozinho. Em seu livro de memórias, Roberto Campos dedicou um capítulo sobre esse tema
Havia algum lugar por aqui que fabricava chips lógicos que eram encontrados em toda sorte de computadores da era 8bits, mas não faço idéia de onde era.
Abriu sim, a IBM fabricou computadores em Hortolândia e em Sumáre, a produção local parou em 2006, quando a divisão de computadores pessoais da IBM foi vendida para a Lenovo.
Cheguei mais tarde um pouco que a estreia deste PC…, Mas ainda nos anos 90 nas prefeituras e bancos se via essas máquinas , que eram cuidadas como preciosidades da tela preta e caracteres verdes… , e de fato eram .., Tinha as capas de plástico para o monitor , teclado, etc… Tipo capa de cobrir carro… 🙂 😀
Apesar de preferir o meu eterno Model M, esse teclado Model F do 5150 que iniciou todo o padrão de teclados modernos porque foi a base do Model M, teclado que até hoje é o padrão. E convenhamos, o Model F é classudo.
Última vez que vi e usei tanto o 5150 quanto o Model F foi lá para 1996/97 quando um desses foi doado para o meu grupo de escoteiros. Infelizmente não lembro do que foi feito desse computador. Devia ter pego para mim naquela hora e preservado já que não tinha utilidade prática para o grupo.
Ah… ‘Hindsight…’
Cheguei a ter um IBM, um 386, com 2 MB de RAM, e 20 MB de armazenamento. O sistema operativo era o MS-DOS, e tinha leitor de disquetes. Bons tempos.
Chegou a instalar o “kit multimidia” da soundblaster com CD-ROM e placa de som?
386 não era lá muito adequado para ter um ‘kit multimedia’ mas até rolaria. Só não ficaria bom. Seria melhor pelo menos num 486. Nunca tive esse kit. Era mais barato comprar os componentes separadamente, mas aí não tinha as caixinhas de som e o controle de volume hehehehe
Talvez ele estivesse querendo dizer ‘286’ ao invés de ‘386’ porque as especificações que ele postou são bem fracas para um 386. Encontrei minha placa de 386 recentemente em uma arrumação e infelizmente teve vazamento de bateria. Não acho que vai dar para consertar, mas pelo menos o coprocessador matemático está inteiro.
E a CCE – que ecebeu a alcunha de “compra, conserta e encosta” – que no começo dos anos 80 produzia um clone do Apple II Plus ?
Eu tive esse clone. Foi o primeiro computador que aprendi à mexer de verdade. Eram o Exato MC-4000 Pro da CCE (que aqui era conhecida como ‘comprei coisa errada’). Mas sendo justo, era muito bom. Depois que meu pai comprou um 286 para ele, o Exato ficou só para mim. Aprendi BASIC nele tranquilamente. Até hoje quero um igual, mas na falta de achar um à um preço justo, eu comprei um Apple IIc original que estava mais barato hehehehehe