Congresso autoriza até R$ 7,5 bilhões fora do arcabouço fiscal para projetos estratégicos de Defesa
Medida aprovada pela Câmara e pelo Senado amplia em até R$ 2,5 bilhões a exceção fiscal destinada ao setor em 2026; recursos deverão financiar investimentos estratégicos e contribuir para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa
BRASÍLIA — O Congresso Nacional aprovou na quarta-feira (12) uma ampliação do espaço fiscal destinado a projetos estratégicos de Defesa Nacional, permitindo que o governo federal exclua até R$ 2,5 bilhões adicionais das regras do arcabouço fiscal em 2026. Somado ao limite nominal de R$ 5 bilhões já previsto na legislação, o mecanismo poderá elevar a exceção para até R$ 7,5 bilhões no exercício.
A mudança foi incluída no substitutivo do Projeto de Lei Complementar 114/2026, conhecido como PLP dos Combustíveis, aprovado pela Câmara dos Deputados e, poucas horas depois, pelo Senado. O texto segue agora para sanção presidencial.
Embora seja frequentemente descrita como uma autorização para gastar “acima do teto”, tecnicamente a medida retira essas despesas do limite de despesas primárias estabelecido pelo Regime Fiscal Sustentável, criado pela Lei Complementar 200/2023, e também da apuração da meta de resultado primário.
Limite de R$ 5 bilhões já existia
A ampliação parte da Lei Complementar 221, sancionada em novembro de 2025. A norma autorizou o Poder Executivo, entre 2026 e 2031, a excluir das metas fiscais despesas com projetos estratégicos de Defesa até o menor de dois valores: R$ 5 bilhões por ano ou o montante previsto no projeto da Lei Orçamentária para o Novo PAC no âmbito do Ministério da Defesa.
Na época da aprovação, o mecanismo foi apresentado como uma forma de assegurar até R$ 30 bilhões ao longo de seis anos para investimentos das Forças Armadas, diminuindo a exposição dos grandes programas militares a bloqueios provocados pelas limitações do arcabouço fiscal.
A legislação estabeleceu duas condições importantes. Os recursos beneficiados pela exceção devem obrigatoriamente ser classificados como despesas de capital — essencialmente investimentos e inversões financeiras — e os projetos precisam contribuir para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID).
O PLP 114/2026 acrescenta agora um novo parágrafo à LC 221 permitindo, exclusivamente em 2026, uma exclusão adicional equivalente a até 50% do limite de R$ 5 bilhões. Na prática, isso representa mais R$ 2,5 bilhões de espaço fiscal potencial para a Defesa.
Recursos adicionais de 2026 serão descontados em 2028
O aumento, entretanto, não representa necessariamente uma expansão permanente do volume total previsto para os próximos anos.
O texto aprovado determina que as dotações empenhadas utilizando essa nova autorização adicional em 2026 sejam descontadas do limite destinado à Defesa em 2028. Assim, o mecanismo funciona também como uma antecipação de capacidade de investimento, concentrando mais recursos no exercício atual.
O parecer aprovado no Senado é explícito ao afirmar que o PLP modifica a LC 221 para permitir a exclusão de até R$ 2,5 bilhões adicionais em projetos estratégicos de Defesa em 2026 e que a despesa adicional será posteriormente abatida do limite de 2028.
Outro ponto importante é que a autorização não obriga o governo a gastar integralmente os R$ 7,5 bilhões. O próprio texto determina que as despesas criadas pela nova lei tenham natureza discricionária e estejam condicionadas à disponibilidade orçamentária e financeira.
Portanto, os R$ 7,5 bilhões representam o limite máximo potencial da exceção fiscal, e não uma liberação automática de dinheiro para as Forças Armadas.
Quais projetos poderão receber os recursos?
A legislação não apresenta uma lista fechada dos programas que poderão utilizar a excepcionalização.
Nota técnica do Ministério do Planejamento e Orçamento afirma que não existe um rol fixo de ações, porque a definição dos projetos estratégicos depende de resoluções do Conselho Superior de Governança do Ministério da Defesa (CONSUG-MD) e das necessidades relacionadas ao desenvolvimento da Base Industrial de Defesa.
A regra, porém, determina que sejam despesas de capital vinculadas ao Ministério da Defesa e enquadradas como projetos estratégicos.
Documentos oficiais de acompanhamento do Plano Plurianual mostram que diversos programas das Forças Armadas enfrentaram limitações orçamentárias nos últimos anos e já consideravam a LC 221/2025 como instrumento importante para recuperar cronogramas.
No Exército Brasileiro, por exemplo, o Ministério da Defesa cita explicitamente a expectativa de recomposição orçamentária associada à lei para o Programa Forças Blindadas, que engloba viaturas Guarani, Centauro II e modernização do Cascavel; para o Programa ASTROS; e para o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON).
Isso não significa que os R$ 2,5 bilhões adicionais aprovados agora estejam automaticamente destinados a esses programas, mas demonstra o tipo de projeto cuja continuidade pode ser favorecida pela maior margem fiscal concedida ao Ministério da Defesa.
Defesa ganhou tratamento fiscal especial em 2025
A criação da LC 221 ocorreu após anos de reclamações das Forças Armadas e da indústria nacional sobre a imprevisibilidade do orçamento destinado aos projetos de longo prazo.
Programas militares normalmente envolvem contratos plurianuais, produção industrial, manutenção de linhas de montagem e compromissos financeiros que atravessam vários exercícios. Cortes ou contingenciamentos em determinado ano podem provocar adiamento de entregas, renegociação de contratos e aumento do custo final.
O relatório de acompanhamento do Ministério da Defesa sobre 2025 mostra, por exemplo, que o Programa Forças Blindadas recebeu dotação de R$ 452 milhões diante de uma necessidade estimada em R$ 1,186 bilhão, enquanto o SISFRON teve R$ 203 milhões diante de uma necessidade de R$ 361 milhões. O documento atribui atrasos, entre outros fatores, a bloqueios e limitações orçamentárias.
Foi justamente para reduzir esse tipo de interrupção que o Congresso aprovou em 2025 o regime especial para investimentos estratégicos em Defesa.
Duas novas travas fiscais a partir de 2027
A expansão das exceções ao arcabouço veio acompanhada de mecanismos destinados a conter o crescimento de outras despesas obrigatórias.
O PLP estabelece que, caso o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias que antecede o envio do Orçamento projete déficit primário do Governo Central, duas restrições poderão ser acionadas no exercício seguinte.
A primeira impede que despesas primárias determinadas por vinculações legais cresçam em percentual superior à variação permitida pelo limite geral de despesas do Poder Executivo.
A segunda exclui determinadas receitas provenientes da comercialização do petróleo do cálculo de obrigações de despesas vinculadas à Receita Corrente Líquida. As restrições permanecem até que seja apurado superávit primário anual.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, as duas medidas deverão reduzir em aproximadamente R$ 10 bilhões o crescimento das despesas obrigatórias em 2027, abrindo espaço para despesas discricionárias e ajudando no cumprimento das metas fiscais.
PLP trata também de combustíveis, fertilizantes e minerais críticos
A ampliação dos recursos para Defesa foi inserida em um projeto originalmente concebido para permitir redução ou suspensão de tributos federais sobre gasolina, diesel e etanol em situações de forte elevação dos preços internacionais do petróleo.
Durante a tramitação, entretanto, o PLP ganhou uma série de outros dispositivos. O texto aprovado contempla incentivos relacionados à indústria nacional de fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, além de medidas tributárias associadas à Copa do Mundo Feminina de 2027. Também autoriza a antecipação de até R$ 3 bilhões do Fundo Social para despesas com saúde e educação.
Para o setor de Defesa, porém, a principal alteração é a possibilidade de concentrar em 2026 uma parcela maior dos recursos destinados aos programas estratégicos.
Caso o texto seja sancionado sem alterações, o governo ganhará margem adicional para acelerar investimentos militares ainda neste exercício, ao mesmo tempo em que a legislação mantém a exigência de que os recursos sejam destinados a projetos de capital capazes de fortalecer a indústria brasileira de Defesa.■

Seria muito bom que esse dinheiro fosse liberado, mas acho difícil acontecer! Esta faltando dinheiro para saúde e educação que são verbas obrigatórias!
O $$ fora do teto é quase um “pode fabricar esse $$”.
Obviamente, entendo q é um adiantamento da parcela dos 30.
Amigo dinheiro tem, pois na prática o que pagamos de impostos neste país e insustentável .
E o que o Estado paga de juros também.
Mas o mercado financeiro fica feliz com isso.
É o nosso dinheiro financiando os ricaços.
ora ora ora
Há um equívoco na matéria. Deve-se descontar R$3 bilhões que foram antecipados no fim do ano de 2025. São R$4,5 bilhões que podem ser investidos na Defesa neste ano que se pode deduzir do cálculo do déficti primário.
Eita! Realmente fizeram isso?! Estavam sob efeito de entorpecentes, só pode ser isso…
Só um adiantemento para as FA kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk que miseria
Status da água: batendo na bunda.
O amigo joesley agradece kkkkk
Espero que o José Murcio abra mais a boca. É muito interessante ver que o discurso do Nine é para “inglês” ver, ele fala de soberania nacional e rosna contra os EUA, mas a realidade é o que o ministro da defesa afirmou…
7,5 bilhões de reais é dinheiro de pinga, e pelo que vimos ainda é discricionário…. Eu conto ou vocês contam?
Esse dinheiro só mantem os programas atuais num estado vegetativo essa quantia não dá 2bi de dólares.
Este dinheiro será usado nos programas que os militares escolherem como prioritários.
Prioridade é com eles mesmos…
Se eles dessem prioridade a criar um órgão interno para enxugar despesas internas e assim terem uma gestão mais eficiente dos fundos repassados pelo Ministério da defesa, agradeceríamos e muito…
Poderíamos meçar por:
O Ministério da Defesa deveria centraliza o sistema de compras das três forças.
Apesar de estabelecer as diretrizes gerais, políticas de defesa e gerenciar sistemas integrados de logística, a execução orçamentária e os processos de licitação e aquisição de materiais permanecem descentralizados. Isso significa que a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira ainda realizam suas próprias compras de forma autônoma, tanto em território nacional quanto em comissões no exterior.
Pô cara… falar que é dinheiro da pinga com este presidente, aí que não vamos ver essa grana mesmo!
Comentário infeliz
Ué, agora é uma infelicidade dizer a verdade??
Para aquisição de equipamentos chineses ?
Estes recursos devem ser usados nos projetos prioritários. Pelo que lembro é o Gripen, o Kc390, Prosub, FCT, Mansup, Guarani e alguns outros. Não lembreo de programas prioritários envolvendo produtos chineses
Se você ler com mais atenção vai ver que a prioridade é aquisições da BID.
não quer disse que o governo vai investir esse valor. Provalvemente com a situação das contas públicas, quase que certeza absoluta boa parte desse valor não será usado.
Não há problema nas contas publicas. O que existe é o limite de gastos imposto pela lei do arcabouço fiscal.
Para entender. O governo tem várias fontes de receitas e vários tipos de gastos. Uma das regras é ser proibido fazer empréstimos para pagar salários e custeio. Estes gastos só podem ser feitos com receita tributária.
Um dos vários índices econômicos é o “deficit primário” calculado pela diferença entre a receita tributária e os gatos públicos, sem entrar o pagamento de juros da dívida que entra em outra conta.
No Brasil, quando a diferença esperada entre os gastos e a receita tributária for maior que 0,25% do PIB, a Lei do Arcabouço obriga o governo suspender ou adiar gastos até que o deficit primário caiba na conta
O deficit primário depende, portanto, dos gastos e da receita. Se o PIB crescer a 3 ou 4$, que nem é tanto assim, isso impacta no receita tributária.
O que não se exploca são os juros de 14% com inflação de 4% que impede o crescimento do PIB, exceto o fato de servir como um meio de concentração de renda
Haahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahahahagagahahahah
É a famosa sensação de que está tudo caro ou veja como isso é bom.
O país está afundando na economia,o pior cego é o que finge não enxergar.
Vc ta assistindo muito a Mirian Leitão kkk. Para falar uma besteira dessa.
desequilíbrio fiscal alimenta a inflação, o que obriga o Banco Central a manter os juros elevados para tentar resfriar os preços. Para o cidadão comum, isso resulta em crédito mais caro, menor poder de compra, volatilidade no câmbio e redução na capacidade do Estado de financiar serviços públicos básicos.
Congresso autorizou, mas não quer dizer que o “governo” vai liberar o dinheiro;
O total de 7,5 bilhões inclui 2,5 bilhões que, se usados, serão descontados dos 5 bilhões de 2028;
Os últimos cortes e contingenciamentos do orçamento da Defesa mostram que não há muita intenção por parte do Planalto em liberar esse dinheiro, visto que se não liberam nem o valor previsto no orçamento, imagina um valor extra;
Em resumo, acredito que tudo vai continuar como está, com programas parados ou avançando em velocidade de tartaruga manca.
Vai liberar, porque não entra na conta do limite de gastos.
O contingenciamento anterior era exatamente para cumprir esse limite.
Agora não está fora da regra, pode gastar à vontade.
Olá Edu.
De fato, um dos grandes problemas com os gastos publicos é a lei do arcabouço fiscal. Se por um lado ela é melhor que a loucura que foi a PEC dos Gastos, a Lei do Arcabouço ainda é uma aberralção macroeconomica que foi incapaz de resolver o grande gargalo da economia brasileira que são os juros básico
Tudo ficou pior com o orçamento impositivo.
É só sensação
Vai acreditando…
“Agora não está fora da regra, pode gastar à vontade.”
E tu acho isso bom? Gastar à vontade?
Alô torre, chama de volta para Gavião Peixoto o 390 que foi para Confins!
A piada foi boa, mas o contexto sugere que aquiele Kc390 foi de fato vendido por uma operaçao governo-governo.
Defendo a ideia que os gastos militares no Brasil tẽm 2 problemeas: 1) uma estrutura de gastos anacrônica e perdulária de um lado e 2) a lei do arcabouço fiscal que impõe limites nos gastos.
Continue se esforçando… e errando
Esse daí parece disco riscado…só fala as mesmas groselhas repetidamente…
Ele e a Mirian Leitão do blog kkk
Blá blá blá…
Se sobreviver a corrupção, obviamente, vai se muito bem vindo.