Como era a vida no Brasil nos anos 1980?
O Brasil de 1980 era muito diferente do atual, mas já tinha vários elementos do país moderno. Era uma sociedade que se urbanizava rapidamente, vivia os últimos anos da ditadura militar, começava a enfrentar inflação muito alta e tinha a televisão como principal meio de comunicação de massa. Ao mesmo tempo, telefone, automóvel, saneamento e até geladeira ainda estavam longe de ser universais.
Um país com 119 milhões de habitantes
O Censo de 1980 registrou cerca de 119 milhões de brasileiros, contra mais de 200 milhões atualmente. Pela primeira vez, o Brasil já era claramente um país urbano: 67,6% da população vivia em áreas urbanas. Em 1970, essa proporção era de apenas 55,9%.
A transformação era impressionante. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e outras grandes cidades recebiam enormes contingentes de migrantes vindos do campo e de cidades menores. O Sudeste já tinha urbanização de cerca de 83%, enquanto Norte e Nordeste ainda estavam próximos dos 50%.
Isso significava cidades crescendo depressa, bairros periféricos se expandindo e infraestrutura frequentemente incapaz de acompanhar o aumento da população.
A casa do brasileiro nos anos 1980
Os números do Censo ajudam muito a entender como era realmente viver naquele período. O Brasil tinha cerca de 26,4 milhões de domicílios particulares permanentes. Destes, aproximadamente 20 milhões possuíam rádio, 14,5 milhões televisão, 13,1 milhões geladeira, 5,9 milhões automóvel e apenas 3,3 milhões tinham telefone.
Portanto, uma televisão já era relativamente comum, mas telefone residencial era artigo de luxo. Pouco mais de um em cada oito domicílios possuía um aparelho.
A infraestrutura básica também mostrava um Brasil muito mais pobre. Dos 26,4 milhões de domicílios, apenas cerca de 14 milhões eram atendidos por rede geral de água e aproximadamente 6,9 milhões tinham esgotamento sanitário ligado à rede. Cerca de 6 milhões de residências nem sequer possuíam instalação sanitária.
A eletricidade também não era universal: aproximadamente 17,8 milhões de domicílios tinham iluminação elétrica. Nas áreas rurais, a diferença era particularmente grande.
Ou seja, falar da “vida no Brasil em 1980” depende muito de onde e em que classe social a pessoa vivia. Uma família de classe média do Rio ou de São Paulo podia ter televisão em cores, carro, geladeira, toca-discos e telefone. Uma família pobre do interior poderia viver sem telefone, saneamento, carro e, em muitos casos, sem eletricidade.
Não havia celular, internet ou comunicação instantânea
Esse talvez seja o aspecto mais difícil de imaginar hoje.
Não existiam WhatsApp, internet doméstica, e-mail ou telefone celular. A expansão da telefonia fixa era uma prioridade nacional e a Telebras informou a instalação de mais de 1 milhão de novos telefones somente em 1980, aumento de 17% em relação ao estoque existente no fim de 1979.
Mesmo assim, a demanda era muito maior que a oferta. O próprio Censo confirma o pequeno número de residências com telefone.
Na prática, isso fazia com que boa parte da comunicação dependesse de cartas, telefone fixo, telefone público e encontros previamente combinados. A telefonia celular brasileira ainda estava muitos anos no futuro — em 1989 a Telebras ainda relatava a contratação dos primeiros sistemas celulares para Rio de Janeiro e Brasília.
Se alguém saísse de casa, simplesmente ficava incomunicável até encontrar um telefone.
Rádio e televisão eram o centro da informação
O rádio estava presente em cerca de 20 milhões dos 26,4 milhões de domicílios, proporção ainda maior que a da televisão. A TV, porém, já havia se transformado no grande centro do entretenimento doméstico, presente em aproximadamente 14,5 milhões de residências.
Para muitas famílias, a programação da televisão organizava a noite: jornal, novela, programas humorísticos, futebol e filmes eram consumidos simultaneamente por milhões de pessoas.
Não havia streaming ou vídeo sob demanda. Se alguém perdesse um programa, em geral perdia mesmo. Videocassetes ainda eram extremamente raros no país.
Isso criava uma cultura popular muito mais compartilhada: uma novela ou programa de grande audiência podia virar assunto nacional no dia seguinte.
O Brasil ainda estava sob uma ditadura militar
Em 1980, o presidente era o general João Baptista Figueiredo, que governou entre 1979 e 1985. O Brasil ainda estava formalmente sob o regime militar iniciado em 1964, embora estivesse em andamento o processo de abertura política iniciado no governo Geisel.
O AI-5 havia deixado de vigorar no início de 1979 e, em agosto daquele ano, Figueiredo sancionara a Lei da Anistia, permitindo o retorno de numerosos exilados e beneficiando milhares de pessoas punidas pelo regime.
Mas o presidente não havia sido escolhido diretamente pela população. Figueiredo fora eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral em 1978, por 355 votos contra 226 dados ao oposicionista Euler Bentes Monteiro.
A reorganização dos partidos também estava acontecendo. Arena e MDB haviam sido extintos no processo de retorno ao multipartidarismo.
Assim, 1980 era um período estranho: havia maior liberdade política que alguns anos antes, manifestações e oposição ganhavam espaço, exilados estavam voltando, mas o país ainda não era uma democracia plena.
A inflação já fazia parte da vida
Economicamente, 1980 estava exatamente na transição entre o crescimento acelerado das décadas anteriores e a grande crise que marcaria os anos 1980.
A moeda era o cruzeiro.
A inflação já era extraordinariamente alta para os padrões atuais. Segundo a série histórica do Banco Central, o IPCA aumentou 6,62% somente em janeiro de 1980, 5,70% em maio, 5,55% em julho e impressionantes 9,48% apenas em outubro.
Isso significa que aumentos que hoje seriam considerados muito altos para um ano inteiro podiam ocorrer em apenas um mês.
Ainda não era a hiperinflação extrema que o Brasil experimentaria no fim daquela década — em dezembro de 1989, por exemplo, o IPCA chegaria a 51,5% em um único mês — mas o problema já estava profundamente instalado.
Para uma família comum, portanto, acompanhar preços e proteger o salário da desvalorização começava a ser parte importante da vida cotidiana.
As famílias eram maiores
O brasileiro também era muito mais jovem.
Em 1980, a taxa de fecundidade estava em aproximadamente 4,35 filhos por mulher. Em 1960, havia superado seis filhos.
Era muito mais comum encontrar famílias com três, quatro, cinco ou mais crianças.
A expectativa de vida ao nascer era de apenas 62,6 anos — cerca de 59,6 anos para os homens e 65,7 para as mulheres. A mortalidade infantil ainda estava próxima de 69 mortes para cada mil nascidos vivos, um nível extremamente superior ao atual.
Esses números refletem diferenças profundas de acesso a saúde, saneamento, vacinação, nutrição e atendimento médico entre classes sociais e regiões.
Como eram as cidades?
Visualmente, uma grande cidade brasileira de 1980 pareceria ao mesmo tempo familiar e estranha para alguém de hoje.
Edifícios, ônibus, congestionamentos, lojas e grandes avenidas já faziam parte da paisagem. Mas não existiam motos e carros na quantidade atual, não havia entregadores de aplicativo, painéis digitais, smartphones nas mãos dos pedestres nem a infinidade de serviços contemporâneos.
Os carros tinham projetos essencialmente nacionais ou produzidos localmente, porque o mercado brasileiro era fortemente protegido das importações.
As compras eram muito mais concentradas no comércio de rua, supermercados, lojas de departamento e pequenos estabelecimentos de bairro. Shopping centers já existiam, mas ainda estavam longe da presença que teriam posteriormente.
A vida parecia mais lenta — porque a informação era mais lenta
Talvez a maior diferença não fosse material, mas o ritmo.
Uma notícia internacional podia chegar pela televisão naquela noite ou pelo jornal do dia seguinte. Fotografias precisavam ser reveladas. Uma carta levava dias. Documentos eram preenchidos à mão ou à máquina de escrever. Pesquisar alguma coisa significava procurar livros, enciclopédias, arquivos ou bibliotecas.
Uma viagem exigia mapas impressos e planejamento. Marcar um encontro significava combinar antecipadamente hora e lugar — sem possibilidade de mandar uma mensagem dizendo “estou atrasado”.
Isso não significa necessariamente que a vida fosse melhor ou pior. Significa que havia menos imediatismo e muito menos acesso à informação, mas também muito menos conveniência.
O Brasil de 1980 estava entre dois mundos
Talvez essa seja a melhor maneira de definir aquele ano.
O país já tinha grandes metrópoles, indústria automobilística, televisão nacional, aviação comercial, universidades, grandes obras de infraestrutura e uma classe média urbana relevante. Mas simultaneamente milhões de brasileiros ainda viviam sem saneamento, telefone, automóvel ou eletricidade.
Politicamente, a ditadura estava terminando, mas a democracia ainda não havia chegado. Economicamente, o ciclo de crescimento das décadas anteriores estava se esgotando e a inflação anunciava os problemas que dominariam os anos seguintes.
1980 foi, portanto, um ano de transição: entre o Brasil rural e o urbano, entre a ditadura e a democracia, entre o chamado “milagre econômico” e a crise dos anos 1980, e entre um cotidiano baseado em rádio, papel e telefone fixo e o mundo eletrônico que começaria a surgir nas décadas seguintes.■







Eu nasci em 1981. Nessa época, era feliz e não sabia, a Segurança Pública era perfeita e vagabundo geralmente não ia preso, não dava tempo…
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Haviam problemas mas superáveis. A vida era mais tranquila e menos problemática que hoje.
A taxa de homicidio do país em 1981 era de 12.5 por cada 100 mil habitantes, não era tão inferior a atual de 19.5. Então eu aposto que a vida não era tão tranquila como muitos pensam…
Eu vivi aquela época e sei que era. Você coloca números na tela, eu testemunhei a Paz, assim como muitos.
A sua experiência individual, não muda o fato de que nos anos 80 o Brasil já era um país violento. Ademais, as faccões criminosas com a exceção do PCC que surgiu nos anos 90, começaram a surgir nos anos 80
A Escuderia Detetive Le Cocq só matava bandidos
Só? E isso é pouco?
Alguém no Afeganistão tem uma vida muito boa. Esse alguém pode falar que o Afeganistão é um bom país para se viver, baseado apenas na vida dele?
Você está falando sobre a SUA realidade, SUA experiência. Isso é uma evidência anedótica. Sabe o que é isso? Uma evidência que só você tem e não consegue mostrar para ninguém, não consegue replicar. Não é assim que se faz ciência.
Era perfeito fabio, eu ficava brincando na rua sem mendo algum, as 17:00 entravamos, tomavamos banho, e ia mos ver televisão.
Minha casa não tinha muros feito hoje, tinha so uma pequena serca meus pais ficavam conversabdo na frete de casa ate tarde na noite com vizinhos, o carro da policia passava sempre de tempos em tempos todo mundo conhecia todo mundo, tive uma infancia saldavel as péssoas dessa epoca são pessoa saldaveis não esse bando de doentes afetados dos dias de hoje.
Você tinha até 9 anos se nasceu em 1981. Seu recorte de vida era o que seus pais deixavam chegar até você. Nasci em periferia e também não era exposto aos problemas cotidianos, mas agora consigo ver que aquele mundinho não era tão feliz e perfeito quanto parecia.
Eu nasci em 1968, nessa decada de 80 a violência era muito grande, muita gente andava armado, qualquer festa em cidade grande ou pequena no dia seguinte a conversa era quantos morreram, quantas brigas , facadas, baleados.
As manchete dos jornais em cidades grandes na segunda eram quantos morreram ou foram esfaqueados ou levaram tiros no final de semana. Até a década de 90 Carnaval em Recife ou Salvador passavam de 100 mortes contadas pelos jornais mais para quem tinha conhecimento de que trabalhava nos HGEs sabia que era muito mais.
E um complemento: A taxa de homicio no Brasil em 2025, foi de 19.1 por 100 mil habitantes, no mesmo patamar da taxa de homicidios para o ano de 1989 que foi de 17 mortes por 100 mil habitantes.
O Brasil se consolidou como um país violento, nos anos 80
O pessoal que “endeusa” o regime militar não vai gostar, mas as raízes dos níveis mais altos de homicídios remontam justamente ao início da ditadura militar.
…
“A taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que se manteve estável nas décadas anteriores, começou a acelerar nos anos 1960, atingindo os patamares elevados que deram início à escalada da violência nas décadas seguintes.”
(…)
“Em São Paulo, por exemplo, os assaltos a banco saltaram de apenas 1 em 1965 para 37 em 1968. No mesmo período, os roubos e os homicídios dolosos registraram altas expressivas nas estatísticas policiais e coberturas da imprensa da época”
(Superinteressante: Mito: “na Ditadura Militar, as cidades não eram violentas”)
E uma das causas do aumento da taxa de homicídios durante o regime militar foi justamente a prática das execuções sumarias dos “esquadrões da morte…
…
“Foi no final dos anos 1960 que surgiu em São Paulo o chamado “Esquadrão da Morte”, liderado pelo delegado Sérgio Fleury.”
(Estes esquadrões depois se espalharam pelas capitais do Brasil)
(…)
“O grupo realizava execuções extrajudiciais de criminosos comuns e suspeitos, cujos corpos apareciam abandonados em estradas de terra”
(…)
Efeito colateral:” Essa prática de justiçamento e controle social fomentou uma cultura de vingança e naturalizou o homicídio nas periferias, servindo de base para a explosão da criminalidade nas décadas de 1980 e 1990″
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Década de 60: 5
Década de 70: 7
De cada de 80: 11
Os assaltos a bancos eram feitos pelos terroristas.
Hoje os juros bancários aterrorizam a população.
Violência tem relação direta com a pobreza, não só com ela, é claro. Há países pobres com criminalidade bem menor que a nossa. Por que? Porque são menos desiguais. Uruguai é um exemplo. Costa Rica, Polônia, Romênia, Tailândia…..
E nisso o regime ditatorial falhou feio. Ou falhou ou não era parte do plano mesmo. Lembro da designação BelIndia para o Brasil, tinha a riqueza da Bélgica e a pobreza da India.
Em 1981 eu tinha 10 anos e morava em Copacabana. Os edifícios residenciais já eram gradeados, vi o meu prédio ganhar arame farpado. Os jornais traziam todos os dias crimes e assassinatos na Baixada Fluminense. Serra Pelada e outras regiões eram extremamente violentas. Corrupção monumental, vide o Coroa-Brastel. Assalto a ônibus eram comuns, e já havia o clássico abandono de crianças, que levavam a vida roubando outras crianças, os famosos “pivetes”.
Mas você quer viver na ficção, não podemos fazer nada.
Era tranquila sim… claro… Impressionante como toda geração acha que a vida dela foi perfeita, que o mundo era melhor e que o problema é a próxima geração.
Eu tenho 31 anos, lembro da minha infância com muito carinho e meu saudosismo me faz acreditar que ela foi bem melhor que a infância das brincas de hoje. Meus pais, por outro lado, sempre me disseram que a infância deles que foi melhor. E meus avós, claro, certamente pensavam o mesmo. É inevitável então que as próximas gerações sigam esse clico de sempre se recordar de um mundo que era melhor no passado. É normal. A psicologia explica. Chama-se memória seletiva.
O fato é que o mundo, no geral, melhorou muito. E os dados estão aí para provar. Eu posso ter saudade de uma época da minha infância, mas jamais direi que a vida era melhor que agora. É só parar para lembrar das dificuldades que existam, que normalmente ngm lembra.
Você era uma criança e não tinha noção da realidade em que vivia. Só queria ir pra escola,brincar com as outras crianças na rua e assistir tv. A vida do pobre sempre foi difícil em qualquer época. Acho que nos tempos atuais está muito melhor que antes.
Eu não vivi os anos 80, nasci em 1999. Porém lembro do meu pai contando que para comprar um telefone, ele precisou virar sócio da TELESP com compra de ações. E a casa citada dos anos 80, era muitp parecida com a casa dos meus avós.
Alguns são intelectualmente mais honestos e se recordam das dificuldades. Outros, preferem escondê-las. Tem quem diga que viver na ditadura era melhor que hoje
Meu pai falou que mesmo ganhando bem na época, como Gerente em uma tecelagem ele ainda complementava a renda vendendo tecidos por fora por causa da hiperinflação. Foram tempos bem…. complicados.
Viver com hiperinflação e planos econômicos desastrosos não era nada fácil(quem não ebra que do dia pra noite tiravam 3 zeros da nossa moeda, por causa do dólar). Meu pai quase faliu duas vezes nos anos 80. Lembro que a Varig financiou um 747 e acabou pagando 4x o valor dele. Carros era investimento de segurança. Passagem aérea era uma fortuna.
Agora, era bonito ver o colorido dos carros, hoje é tudo branco, prata ou preto.
Por incrível que pareça, o Brasil , especialmente de Minas e Espírito Santo pra baixo era maravilhoso! O nordeste sofria, como sempre, em decorrência do clima insano, seco, da miséria, violência e coronelismo. Não a toa os nordestino viam-se obrigados a migrar em massa para o sudeste. Principalmente.
O clima ainda era maravilhoso. O estado de SP, aonde vivo, parecia o sul mediterrâneo da Europa. Recordo que em casa sequer tínhamos ventilador. Não era necessário. já que os verões eram amenos. Tinha pijama pro outono/inverno e para a primavera/verão. Os outonos, o cheiro no ar época privilegiada .
Inflação, carestia, dificuldades econômicas? Sem a menor dúvida
Ainda assim, naquela humildade levávamos a vida com dignidade.
Aqui em meu rincao, O interior de SP, todos vivíamos em casas com quintais, calçadas arborizadas, árvores frutíferas; na porta da minha casa tinha um pé de romã aonde fazíamos a festa. Os muros eram baixinhos. A arquitetura das casinhas era linda.
Apartamento? Eu até meus 20 anos nunca conheci o morador de um.
Hoje, bem, hoje…
Só dei um Apanhado.
As causas de tamanha destruição e decadência deixemos aos especialistas.
De pensar que hoje “apenas” 25% das residências ainda não têm esgoto tratado… que todo mundo tem uma tv, internet, celular, água encanada, eletricidade… moradia mesmo… o número de pessoas que hoje tem um veículo, uma casa… aparelhos domésticos básicos que naquela época até classe média tinha dificuldade de comprar…
A vida melhorou muito. O salário mínimo, programas sociais como o bolsa família, o educação para todos, fome zero, minha casa minha vida… programa de facilitação de crédito… isso tudo tirou muita gente da miséria, fez muito pobre virar classe média e a classe média enricar. O Brasil de hoje é muito diferente do Brasil de 40 anos atrás, mas muitos fingem não saber o porquê. Alguns até preferiam que continuasse daquela forma.
No início dos anos 2000 até medos de 2011 o Brasil viveu um crescimento recorde, só possível primeiro pelo saneamento das contas no plano real, na década de 90, depois por políticas sociais e econômicas acertadas na primeira década do século XXI.
Hoje crescemos muito pouco, temos uma economia que vive patinando, vivemos alternando entre crises, mas o Brasil é sempre resiliente. Somos grandes demais até para dar errado.
Mas ver o que foi feito, como evoluímos, mesmo com tantos problemas, mesmo não sendo na velocidade que gostaríamos, me deixa um pouco feliz ao saber que é possível. É possível quando queremos fazer.
Ocorria também um êxodo rural, provocado pela miséria, pela concentração de renda, e que inchava os centros urbanos nas periferias fazendo crescer as favelas. A violência urbana que assistimos hoje foi o resultado desse movimento migratório descontrolado e da ausência total de visões de futuro.
E ninguém falou da hiperinflação. Eu lembro da corrida que era para fazer compras quando saia o salário, dos estoques, da fila da carne, do “overnight”.
Tem gente que acha que o mundo era um grande jardim de infância quando eram crianças.
Em 1981 eu tinha 10 anos e morava em Copacabana. Não tínhamos telefone nem carro, mas TV a cores e geladeira. Estudava em escola pública, mas mal tinha acesso a saúde, era caro. A inflação começava a corroer o salário do meu pai, servidor público.
Era difícil.
Mês passado estive em Berlim, e fui ao DDR Museum, sobre a vida na Alemanha Oriental. Fiquei chocado em ver que a casa deles era idêntica a várias casas da minha infância e adolescência, as estantes de madeira, TV a cores de 14″, mesmos banheiros e cozinhas. os mesmos edifícios padronizados em que meus parentes moravam em Padre Miguel.
Já havia violência urbana, a Baixada Fluminense era terra de ninguém. Crescimento desordenado das cidades, o Rio ainda tinha resquícios de planejamento urbano, mas São Paulo cresceu de forma caótica.
A gente não tinha nada mas tinha tudo.A vida era desse modelo.
Eu sou de 90, então conheço apenas parte desta realidade e posso dizer apenas pela minha própria realidade.
Mas não sinto falta nenhuma, por mais que tenhamos problemas hoje ainda sim…
A comunicação é mais fácil.
O acesso a bens/serviços é mais fácil.
O acesso a informação (parcial de todos os lados) é ao entretenimento é infinitamente mais fácil.
E mesmo para trabalhar e ganhar dinheiro é mais fácil. Basta algum interesse em usar novas tecnologias.
Entretanto…
As redes sociais são um veneno tão grande quanto o álcool, a bebida e as bets.
Parabéns pela matéria, acho importante fazer essas comparações. Em 1980 eu tinha 12 anos, morava na periferia de São Paulo, não tínhamos TV a cores, carro ou telefone. Mas acho que uma vantagem da época é que quase todo mundo estudava em escola pública, não havia tanta diferença para as escolas privadas. Mesmo pessoas com melhor padrão de vida mantinham os filhos em escolas públicas, isso ajudava muito na busca de oportunidades. Também tenho a impressão de que havia mais empregos na indústria, eu mesmo comecei trabalhando em uma fábrica na adolescência e aprendi muito, continuando a estudar a noite. Como o mercado de trabalho era totalmente diferente, era comum que alguns garotos começassem trabalhando como “office boys”, os chamados contínuos, já que havia mais papel e trabalho administrativo. Essas profissões nem existem mais, mas serviram de porta de entrada para aprender novas tarefas nos escritórios. Para mim, essas são as principais diferenças, que mais me preocupam, por de certa forma reduzir as oportunidades para os jovens que vão iniciar no mercado de trabalho.
“Mas acho que uma vantagem da época é que quase todo mundo estudava em escola pública, não havia tanta diferença para as escolas privadas”.
Na realidade nao. Quase todo mundo do seu círculo de vivência sim. Eu também estudei o primeiro grau em escola publica.
Mas nao era nem perto de “quase todo mundo”. A escola nao era universal. Aliás, muito longe disso.
Ao se buscar a universalizaçao (o que ocorre na virada da década de 90 para 2000), a qualidade media do ensino publico caiu muito. A classe media passou a buscar crescentemente a escola privada e hoje é quase uma regra, ficando de exceçao umas poucas ilhas de excelência.
“essas são as principais diferenças, que mais me preocupam, por de certa forma reduzir as oportunidades para os jovens que vão iniciar no mercado de trabalho”.
Isso é um fenomeno mundial, nao é exclusivo do Brasil. Claro que, os problemas do 1o mundo, no Brasil, tendem a ser exponencialmente amplificados.
Obviamente, meu relato se refere ao que vivenciei, por isso inclusive deixei clara a minha localização geográfica. Por isso é importante ressaltar as diferenças regionais. Mesmo na periferia de São Paulo o acesso à Educação pública era mais fácil. Tinha colegas de classe que moravam em favelas, embora provavelmente em outros estados, principalmente em regiões mais remotas, o número de alunos em idade adequada nas escolas era menor, o que reduzia a média nacional. Concluí o ensino superior em 1991, estudando a noite, e já se relatava a queda da qualidade da Educação pública na época, uma vez que se iniciou o processo conhecido como “ciclo básico ” que na prática acabava com as reprovações dos alunos que não atingiam as notas necessárias. Foi uma estratégia para elevar artificialmente os indicadores de Educação, com a queda nos índices de reprovação. O grande aumento de inclusão nas escolas se deu entre 1995 e 2001, e não creio ter sido o maior responsável pela queda na qualidade da Educação. Os problemas eram anteriores, inclusive pela adoção de métodos controversos de alfabetização.
Realmente, as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho para os jovens ocorrem em escala mundial, mas a situação do Brasil é muito pior, e não vem de hoje. Com a redução da participação da indústria na nossa Economia, o número de vagas para profissionais mais qualificados também diminuiu. Como nossa mão de obra caiu em termos de capacitação, também não há atrativos para trazer investimentos industriais ao Brasil, sem se falar na abusiva carga tributária. Nossos jovens sofrem desvantagens em relação àqueles de países em que se investiu seriamente em Educação, como na Coreia do Sul, que era mais pobre e atrasada do que o Brasil, em 1980.
Repare que você tocou num ponto importante: O Brasil era menos desigual.
Em 1981 eu tinha 19 anos, vivia no interior de SP, família de classe média.Era tudo de bom…estudava em escolas Públicas com ótimos Professores ao contrário de hoje onde o ensino foi sucateado.
Podíamos tudo, estudar, ir as festas, viajar e ter esperanças de dias melhores. O país começou a desandar com a entrada do Sarney ( Gângster) para a presidência do BR aí foi o início de onde estamos hoje.
“Começou a desandar” MUITO antes do Sarney.
Quando o Sarney assumiu a dívida externa já tinha explodido uns 5 a 10 anos antes. A hiperinflação já era cotidiana.
Já sobre o caos urbano, no Rio de Janeiro, a Rocinha, o Complexo do Alemão, a Maré, novesfora a terra de Marlboro da Baixada Fluminense, foi se desenvolvendo décadas antes do Sarney.
A responsabilidade do Sarney nisso tudo é não ter sido nem competente, muito menos comprometido em para a bola de neve em que esses problemas se culminaram.
“A década perdida refere-se majoritariamente aos anos 1980, período de grave estagnação econômica, hiperinflação e endividamento externo que afetou o Brasil e a América Latina”
A foto inicial abusou da IA.
O Escort verde tem placa AB1234, que é a mesma do Fusca azul e da Kombi branca.
O Chevette dourado, ao lado do Escort, tem placa sequencial: CD5678.
Esses quatro primeiros carros têm as cores nacionais. E há uma mistura improvável de carros fabricados em anos muito afastados.
Sobre o tema da matéria, o Brasil de 1980 era muito pior que o atual, exceto na memória afetiva de quem viveu aquela época.
Sou de 1972.
Era ditadura, mercado fechado ou seja ainda wue nasci nos anos 80.
Lindo é que a música que pais é este continua cada vez mais atual.Mais atual de que quando foi composta.
Mais do Mesmo, também dele, continua atual.
Sim.Bem lembrado.
Sempre existem coisas boas e outras ruins em cada tempo. Esta é a minha experiência e vou relatar alguns fatos. Na década de 80 lembro que meus avós tinham um banheiro (numa casinha chamada patente) fora de sua residência (de madeira). Era comum entre vários vizinhos, porque o saneamento era feito em fossas sépticas.
Os meus pais tinham de fazer uma compra mensal no mercado porque no dia seguinte o preço já tinha aumentado bastante. Lembro da minha mãe falando do INAMPS e INPS e da dificuldade de lidar com trâmites (tudo em papel). Lembro de familiares questionando da necessidade ou não de um carro ter o retrovisor no lado direito (tinham alguns que se gabavam por saber guiar sem este acessório automobilistico), o que é inacreditável hoje em dia. Sem ar condicionado em casa e em carros, em carros só com ventarola. Tínhamos Tv preto e branco e com muito custo uma colorida depois. Sistema 3 em 1 era luxo, só com muito esforço e prestações. Com meu auxílio ao meu pai no trabalho comprei meus primeiros vinil.
Conclusão: A vida era mais lenta e parecia boa, mas hoje em dia o acesso as coisas é maior e melhor.
Lembra das etiquetadoras de preço dos mercados? Se você corresse, conseguia evitar o preço novo dos produtos.
Ahh que saudade do meu 1o carro, chevette 74!
Carros dormiam na rua, janelas abertas, retorno a pé dos bailes na madrugada, escola pública forte etc…
Eu era feliz e não sabia
Hoje esse Chevette vale uma grana.
Vcs repararam na fota da MESBLA? Como as pessoas eram muito, mas muito mais magras. Obesidade acabou com a saúde
Muito fastfood, ultraprocessados, vida mais corrida, menos tempo…
Sou de 76. Uma das coisas de que me lembro era a hiperinflação. Via nos filmes os meninos juntando algum dinheiro que ganhavam dos pais ou parentes para comprar alguma coisa, e por aqui não dava.
Sobre segurança, em São Paulo não era tranquilo, não. Sempre houve a preocupação com roubos e furtos. Nada parecido com o que era na Europa ou no Japão até os anos 90 pelo menos em que a segurança não era uma preocupação.
Sou de 1967 e vivi a década de 70 e 80 infancia e adolescencia. Minha geração é a última que passou por toda transição tecnológica. Fazer curso de datilografia era sua entrada no mercado de trabalho. Vi a chegada dos Pcs, das impressoras. Trabalhei com aparelho de Telex no Banco Nacional. Vi o telefone fixo que era tão caro que as pessoas declaravam a linha no Imposto de Renda, passar a ser artigo comum com as privatizações das Teles, Fiquei em fila de Orelhão. Vi a chegada dos telefones celulares, sim, tive aquele tijolo da Motorola! Estudei muito e fiz pesquisas na minha Enciclopédia Mirador Internacional. Assistir o nascimento do Rock Nacional! Anos 80 foram, para mim, espetaculares!!! Tinha Cinema de rua, festas nas casas dos amigos,e sim, a vida andava mais devagar, mas tinhamos mais contatos pessoalmente com parentes e amigos e não por whatsapp. Agradeço a Deus ter vivido tudo isso! Quanto a Segurança, tudo balela, Tinha assaltos, pivetes, trafico nascendo, a única diferença era que Polícia era polícia e bandido era bandido, hoje tá tudo misturado!!!
Mais ou menos. Nessa época tinha muito policial envolvido com o Bicho.
Sim, tb, mas não tinha miliciano.
Esses são uma evolução dos esquadrões da morte.