Coyote Block 3 da Raytheon derruba enxames de drones sem explosivos e pode ser reutilizado

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Coyote-B3NK

Interceptor não cinético demonstrado pelo Exército dos EUA neutralizou pelo menos dez drones sem colisões ou detonações; sistema pode ser recuperado e empregado novamente

A Raytheon demonstrou uma nova abordagem para enfrentar uma das ameaças que mais rapidamente se expandem nos campos de batalha modernos: enxames de drones baratos. O Coyote Block 3NK, versão não cinética do conhecido sistema interceptor Coyote, conseguiu neutralizar múltiplos drones durante testes realizados para o Exército dos Estados Unidos sem precisar colidir com os alvos ou utilizar uma ogiva explosiva.

A demonstração foi divulgada pela RTX em fevereiro de 2026. Segundo a empresa, o Coyote Block 3 Non-Kinetic (NK) enfrentou enxames lançados durante o exercício e demonstrou capacidade de lançamento, voo, interceptação e recuperação. Ao contrário das versões cinéticas do Coyote, o Block 3NK utiliza uma carga de efeito não cinético, permitindo atacar vários drones e, caso continue operacional após a missão, retornar para ser recuperado e empregado novamente.

Informações obtidas pelo Axios indicam que os testes fizeram parte da Operation Clear Horizon, realizada em outubro de 2025. Durante os ensaios, pelo menos dez aeronaves não tripuladas dos grupos 1 e 2 foram neutralizadas. Imagens apresentadas ao veículo mostraram o Coyote passando próximo aos drones-alvo, que logo em seguida perderam o controle e caíram, sem contato físico, explosões ou bolas de fogo. Após os engajamentos, o interceptor pousou em uma rede para recuperação.

Ataque não cinético

O aspecto mais interessante do Coyote Block 3NK está justamente no método utilizado para neutralizar os alvos.

Sistemas tradicionais de defesa contra drones normalmente recorrem a canhões, mísseis, outros drones interceptadores ou guerra eletrônica. No caso da versão cinética Coyote Block 2, por exemplo, o interceptor emprega uma ogiva para destruir fisicamente o alvo. O Block 3NK segue outra filosofia, utilizando um efeito não cinético capaz de incapacitar aeronaves não tripuladas sem explosão.

A Raytheon não revelou publicamente qual é exatamente a tecnologia empregada pela carga do Block 3NK. A própria RTX explica, de maneira geral, que efeitos não cinéticos contra drones podem envolver sistemas de energia dirigida, incluindo micro-ondas de alta potência e lasers, mas não especificou qual desses princípios — ou qual outra tecnologia — está instalada no Coyote.

Essa característica pode ser particularmente importante contra ataques em massa. Um único interceptor com capacidade de afetar diversos drones pode reduzir a necessidade de lançar um míssil contra cada aeronave atacante.

Além disso, a ausência de uma ogiva explosiva diminui o risco representado por fragmentos do próprio interceptor e do sistema de defesa, fator relevante na proteção de bases militares, aeroportos, instalações críticas e tropas posicionadas próximas a áreas urbanas.

Segundo Tom Laliberty, presidente da divisão Land & Air Defense Systems da Raytheon, a proposta é oferecer uma defesa economicamente viável tanto contra drones individuais quanto contra enxames, especialmente diante da crescente utilização de plataformas comerciais de baixo custo para reconhecimento e ataque.

VÍDEO: Coyote Block 3 derruba enxames de drones

Interceptor pode voltar para outra missão

Outra diferença fundamental em relação aos mísseis antiaéreos convencionais é a possibilidade de reutilização.

O Coyote Block 3NK pode permanecer em espera no ar, executar o engajamento e, dependendo das condições da missão, ser chamado de volta. Após a recuperação, pode ser preparado para novos engajamentos. A Raytheon classifica justamente a capacidade de recuperação como uma das principais vantagens dessa versão.

A possibilidade de reutilizar o interceptor busca responder a um dos grandes problemas econômicos da atual defesa antiaérea: o chamado cost exchange ratio. Em conflitos recentes, drones que custam milhares ou dezenas de milhares de dólares podem obrigar forças militares a utilizar mísseis que custam centenas de milhares ou mesmo milhões de dólares.

Uma plataforma recuperável capaz de atacar vários drones durante uma mesma missão pode alterar significativamente essa equação.

Coyote faz parte do sistema LIDS do Exército dos EUA

A família Coyote está integrada ao Low, Slow, Small Unmanned Aircraft Integrated Defeat System (LIDS), principal arquitetura do Exército dos EUA destinada ao combate a pequenos sistemas aéreos não tripulados.

O sistema combina diferentes sensores e meios de engajamento. Entre eles está o radar KuRFS, também desenvolvido pela Raytheon, que opera na banda Ku e utiliza tecnologia AESA para detectar e acompanhar pequenos alvos. As informações são então integradas ao sistema de comando e controle, que pode selecionar diferentes formas de neutralização da ameaça.

A filosofia é construir uma defesa em camadas. Dependendo da situação, drones podem ser enfrentados por interferência eletrônica, canhões, interceptadores Coyote cinéticos ou soluções não cinéticas.

Nos testes realizados em 2023 no Yuma Proving Ground, no Arizona, o radar KuRFS chegou a detectar e acompanhar simultaneamente um enxame complexo formado por mais de 30 veículos aéreos não tripulados, enquanto interceptadores Coyote foram empregados contra diferentes alvos individuais e grupos de drones.

Contrato bilionário

A importância atribuída à família Coyote ficou evidente em setembro de 2025, quando o Pentágono concedeu à Raytheon um contrato de aproximadamente US$ 5,04 bilhões relacionado ao Coyote Missile System para o Exército dos Estados Unidos. O acordo prevê fornecimento de lançadores, interceptadores cinéticos e não cinéticos e radares KuRFS, com execução prevista até setembro de 2033.

A Raytheon também informou que pretende ampliar significativamente a produção da família Coyote diante da crescente demanda por sistemas de defesa contra drones.

O avanço do Block 3NK mostra uma tendência crescente nas forças armadas: substituir, sempre que possível, o modelo tradicional de “um míssil para cada alvo” por sistemas capazes de neutralizar simultaneamente grandes quantidades de drones.

Se a tecnologia demonstrar em condições operacionais a mesma eficácia observada nos testes, interceptadores reutilizáveis e de efeito não cinético poderão se tornar uma das principais respostas para o problema dos enxames — uma ameaça contra a qual as defesas antiaéreas tradicionais foram originalmente pouco preparadas.■

FONTES: RTX/Raytheon, U.S. Army, Axios e Departamento de Defesa dos Estados Unidos.



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Helio Eduardo
Helio Eduardo
21 dias atrás

Sempre que surgem noticias assim reforço a sensação de estar vivendo uma grande virada tecnológica. Poucos anos atrás, guerra de drones era coisa de ficção científica.

Para além do momento da manchete, me parecia óbvio que surgiriam sistemas anti drone. E serão estes os responsáveis por voltar a equação ao seu “normal”: grandes exércitos, com grandes orçamentos, conseguirão reequilibrar o jogo. A vantagem do drone será relativizada novamente na medida em que nãos erão combatidos por sistemas caríssimos que tornam a batalha economicamente desastrosa.

Hoje, imagino que, em um futuro próximo, a doutrina de grande embate entre duas potencias será com enxames de drones, quem sabe na casa dos milhões, enquanto forças tradicionais se recolocam e avançam sob a cobertura de sistemas anti drone sofisticados.

Comenteiro
Comenteiro
Responder para  Helio Eduardo
21 dias atrás

O problema é que apesar das guerras entre potências sejam raras, graças a Deus,mas os conflitos regionais e por procuração se multiplicam e também as vítimas civis e os refugiados, que acabam virando espantalho para agitar as pessoas. Quase ninguém parece ser importar com as crianças e mulheres que fogem de guerras sem regras e parece que o uso de IA e armas como drones só vão piorar as coisas.

Vicente moura
Vicente moura
Responder para  Helio Eduardo
20 dias atrás

Na verdade, espero e sonho que a humanidade tome juízo, e afaste do poder tais senhores da guerra.
Porque é inadmissível que julguemos estar evoluindo enquanto estamos sempre nos preparando para guerras, as quais nunca poderão ter vencedores, devido ao fator nuclear.
Uma guerra nuclear é a destruição da terra e da humanidade.
O pai da bomba atômica, Opehhrime, disse: me tornei a própria morte. O destruidor de mundos. Isso sem falar da bomba de hidrogênio, que já temos milhares dela e são milhares de vezes mais potentes que a bombinha atômica de Nagasaki.
Parem de falar de guerra como se fosse algo poético ou napoleônico. Acabou se esse tempo.

Gabriel
Gabriel
21 dias atrás

“As ideias”! Esse aí derruba tanto quanto os Patriot derruba os mísseis balísticos. Hahaha

Carlos Campos
Carlos Campos
21 dias atrás

Muito bom, achei que eles usavam PEM

Batista
Batista
21 dias atrás

Engraçado, se existe esta tecnologia desde fevereiro do ano passado, porque não foi utilizada no Golfo Pérsico, onde o Exército americano está tomando uma surra dos iranianos. Suspeito q está tecnologia não existe e é só mais uma enganação quanto tanto outras apresentadas pelo governo tramp. Ou seja, para demonstração é coerente, mas na prática é infuncional. Senão já estaria em campo de guerra, tanto os americanos, quanto os israelenses e ucranianos estão tomando uma surra para o mesmo drone. O ak47 dos céus, o hexa shahed 136, barato e funcional.

Lucas
Lucas
Responder para  Batista
20 dias atrás

Mas aí que está a questão. Tem muita coisa ali que não está sendo explicada, é muita desinformação. Os Iranianos na realidade estão se lascando, no caso a população. Os militar de alta patente e os aiatolas não saem mais debaixo dos bunkers.

Iran
Iran
Responder para  Batista
19 dias atrás

O que exatamente lhe confirma que os EUA não testaram ele no Golfo? O mal do pessoal é achar que tudo que ocorre no fronte de guerras do outro lado do mundo chegam pra gente na íntegra.

Thiago
Thiago
20 dias atrás

Isso me faz pensar em que nível de preparo para os novos conflitos nos estamos.

Roberto de Aquino Neves
Roberto de Aquino Neves
20 dias atrás

O IRÃ JÁ ESTÁ UM PASSO À FRENTE !😂

Estão usando drones manobrados via vibra ótica, que não sofre interferências externas, portanto! 😂😂😂😂😂