Brasil nos anos 1990: a década em que o país saiu da hiperinflação e entrou na era digital

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Posse de Collor

Fernando Color sobre a rampa do Planalto

Em apenas dez anos, os brasileiros atravessaram o confisco da poupança, inflação de milhares por cento, impeachment presidencial e sucessivas mudanças econômicas. Ao final da década, o Real havia estabilizado a moeda, celulares começavam a se popularizar e a internet comercial anunciava uma transformação ainda maior na vida cotidiana

Poucas décadas da história recente brasileira produziram mudanças tão perceptíveis na vida cotidiana quanto os anos 1990. O país entrou na década convivendo com hiperinflação, escassez de linhas telefônicas, economia relativamente fechada e uma sociedade essencialmente analógica. Saiu dela utilizando uma moeda estável, com milhões de celulares em funcionamento e a internet começando a entrar nas residências.

A transformação ocorreu em uma sociedade que também crescia rapidamente. O Censo de 1991 encontrou 146.917.459 habitantes no Brasil; o de 2000 registraria 169.590.693. Em menos de dez anos, portanto, a população aumentou em mais de 22 milhões de pessoas, enquanto as grandes regiões metropolitanas continuavam sua expansão.

Mais do que uma sucessão de modas, músicas, programas de televisão ou produtos eletrônicos, os anos 1990 representaram uma passagem entre dois mundos. Para compreender a dimensão dessa mudança, porém, é necessário lembrar que o Brasil de 1990 era muito diferente daquele que chegaria a 1999.

Uma democracia ainda muito jovem

A década começou apenas dois anos depois da promulgação da Constituição de 1988. Em março de 1990, Fernando Collor de Mello tomou posse como primeiro presidente escolhido diretamente pelo eleitorado brasileiro desde Jânio Quadros, eleito em 1960.

A redemocratização estava consolidando novas instituições políticas, mas o cotidiano da população era dominado principalmente pela crise econômica. O país vinha de sucessivos planos de estabilização que haviam fracassado em interromper uma inflação progressivamente mais destrutiva. O Banco Central classifica o período entre 1985 e 1994 como uma sucessão de tentativas de combater a superinflação.

Para uma geração inteira de brasileiros, expressões como congelamento de preços, indexação, gatilho salarial, overnight e corte de zeros faziam parte do vocabulário cotidiano. Planejar financeiramente alguns meses à frente podia ser extraordinariamente difícil porque o dinheiro perdia valor rapidamente.

O choque do Plano Collor

Pouco depois de assumir a Presidência, Collor lançou o Plano Brasil Novo, que entraria para a história como Plano Collor. Entre suas medidas mais traumáticas estava o bloqueio temporário de grande parte dos recursos depositados em cadernetas de poupança e outras aplicações financeiras.

A Medida Provisória nº 168 limitou inicialmente os saques das aplicações afetadas a 50 mil cruzeiros, mantendo o restante dos recursos bloqueado. Para milhões de brasileiros, a decisão representou uma ruptura brutal da confiança nas regras econômicas e atingiu economias acumuladas durante anos.

Famílias que haviam guardado dinheiro para comprar uma casa, abrir uma empresa, trocar de automóvel ou simplesmente preservar suas reservas ficaram sem livre acesso aos próprios recursos. Empresas também foram atingidas, e a economia sofreu forte desorganização.

O objetivo era retirar dinheiro de circulação e interromper a inflação. A estratégia não conseguiu estabilizar a economia de forma duradoura, e novos aumentos de preços voltaram a corroer salários e economias.

Quando comprar rápido era uma forma de defesa

A hiperinflação produzia comportamentos que hoje parecem extraordinários. Receber o salário e deixar o dinheiro parado durante várias semanas significava perder uma parcela considerável de seu poder de compra.

Por isso, muitas famílias concentravam compras imediatamente após o pagamento. Supermercados remarcavam preços continuamente e consumidores acompanhavam cuidadosamente alterações nas etiquetas. A inflação eliminava a capacidade de utilizar o preço como uma referência relativamente estável.

A situação chegou ao extremo no período imediatamente anterior ao Plano Real. Segundo o Banco Central, a inflação acumulada em doze meses atingiu 4.922% em junho de 1994. Em 1993, a inflação havia alcançado 2.477,15%.

Era uma economia na qual calcular custos futuros se tornava extremamente difícil. Prestações, contratos, salários e aplicações financeiras precisavam de mecanismos permanentes de correção, criando uma complexa cultura de indexação.

O impeachment de Collor e a primeira grande crise da nova democracia

Os anos 1990 também começaram sob o impacto de uma das maiores crises políticas desde a redemocratização. Fernando Collor de Mello, eleito em 1989 e empossado em março de 1990, era o primeiro presidente escolhido diretamente pelos brasileiros desde 1960. Pouco mais de dois anos depois, porém, seu governo estava mergulhado em denúncias de corrupção e enfrentava crescente isolamento político.

A crise ganhou força em 1992, após acusações envolvendo Paulo César Farias, o PC Farias, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Collor. As denúncias levaram à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, cuja investigação apontou relações entre o esquema financeiro atribuído a PC Farias e despesas pessoais vinculadas ao presidente.

A deterioração política saiu do Congresso e chegou às ruas. Estudantes organizaram grandes manifestações em várias cidades brasileiras, tornando-se conhecidos como os “caras-pintadas” por utilizarem as cores verde e amarela — e, em algumas mobilizações, o preto — pintadas no rosto. O movimento transformou o afastamento de Collor em uma das principais reivindicações políticas nacionais daquele ano.

Em 1º de setembro de 1992, os presidentes da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Lavenère, apresentaram formalmente à Câmara dos Deputados o pedido de impeachment. Em 29 de setembro, a Câmara autorizou a abertura do processo por uma maioria esmagadora: 441 votos favoráveis, 38 contrários e uma abstenção.

O processo foi instaurado no Senado em 1º de outubro e Collor foi afastado da Presidência no dia seguinte. O vice-presidente Itamar Franco assumiu provisoriamente o governo enquanto o Senado conduzia o julgamento por crime de responsabilidade.

Em 29 de dezembro de 1992, quando o julgamento já estava em andamento, Collor apresentou sua renúncia numa tentativa de encerrar o processo e preservar seus direitos políticos. A estratégia não funcionou. O Senado prosseguiu com o julgamento e decidiu, por 76 votos a 2, aplicar-lhe a pena de inabilitação para o exercício de função pública pelo período de oito anos.

O episódio teve significado que ultrapassou a queda de um governo. Apenas quatro anos depois da Constituição de 1988, as instituições da nova democracia brasileira enfrentavam sua primeira grande prova. O impeachment de Collor mostrou que um presidente eleito diretamente poderia perder sustentação política e ser submetido aos mecanismos constitucionais de responsabilização, enquanto manifestações populares voltavam a exercer influência direta sobre a vida política nacional.

O Plano Real muda o cotidiano

A grande ruptura ocorreu em 1994. Depois da introdução da Unidade Real de Valor, a URV, como referência de preços, o Real entrou oficialmente em circulação em 1º de julho de 1994.

A mudança foi imediata. O Banco Central registra que, apenas um mês depois da entrada da nova moeda, a inflação mensal estava sete vezes menor que no mês anterior. A partir daquele momento, o Brasil não retornaria aos índices extremos observados antes da estabilização.

O efeito psicológico foi quase tão importante quanto o econômico. Pela primeira vez em muitos anos, uma pessoa podia entrar em um supermercado e encontrar, dias depois, aproximadamente os mesmos preços.

Famílias voltaram a comparar produtos, planejar despesas e compreender efetivamente o significado de uma prestação futura. Centavos, que haviam se tornado praticamente irrelevantes durante a hiperinflação, voltaram a existir como unidade real de compra.

A estabilização mudou a relação com o consumo

O Plano Real também alterou a percepção de renda. Durante a inflação elevada, os grupos de menor renda eram particularmente prejudicados porque tinham menos acesso aos mecanismos financeiros capazes de proteger o dinheiro da desvalorização.

Com a estabilização, a capacidade de planejamento aumentou. O consumidor passou a saber com maior clareza quanto custava uma geladeira, um televisor ou uma prestação e quanto de sua renda precisaria comprometer para adquiri-los.

Ao longo da década, pesquisas do IBGE acompanharam a expansão da presença de televisão, geladeira, máquina de lavar, rádio e telefone nos domicílios brasileiros. Esses equipamentos continuavam distribuídos de maneira desigual entre regiões e faixas de renda, mas sua presença crescia.

Assim, a segunda metade dos anos 1990 adquiriu uma característica bastante diferente da primeira. O brasileiro que havia começado a década correndo para proteger o salário da inflação passou a conviver com uma economia na qual novamente era possível comparar preços e planejar compras.

A televisão ainda organizava a vida nacional

Os anos 1990 foram também provavelmente uma das últimas décadas em que a televisão aberta conseguiu exercer de maneira tão ampla o papel de experiência cultural compartilhada.

Novelas, telejornais, futebol, programas infantis, humorísticos e programas de auditório eram assistidos simultaneamente por dezenas de milhões de pessoas. Não existiam streaming, redes sociais ou plataformas digitais capazes de fragmentar a audiência na escala atual.

A televisão estava em expansão nos domicílios durante toda a década, como mostram as séries históricas da PNAD mantidas pelo IBGE.

Assistir a determinado programa significava, em geral, estar diante da televisão no horário da transmissão. O videocassete oferecia a possibilidade de gravá-lo, mas ainda exigia programação prévia e um equipamento que estava longe de representar a liberdade posterior proporcionada pelo vídeo digital.

A era das videolocadoras

Para milhões de brasileiros, o cinema doméstico dos anos 1990 estava associado à fita VHS. A ida à videolocadora tornou-se parte do ritual de muitos fins de semana de famílias urbanas.

Prateleiras repletas de caixas substituíam aquilo que atualmente é uma interface de streaming. Era necessário escolher fisicamente o filme, alugá-lo por determinado período, devolver a fita — normalmente rebobinada — e pagar multa caso ultrapassasse o prazo.

O videocassete representava uma importante mudança de hábitos porque permitia assistir a filmes fora da programação das emissoras e gravar programas para vê-los posteriormente. Ainda assim, todo o processo permanecia físico.

A mesma lógica valia para a música. Discos de vinil e fitas cassete continuaram presentes no início da década, enquanto o CD avançava rapidamente e se transformava em símbolo da modernização tecnológica dos anos 1990.

O telefone ainda era um lugar

Uma das maiores diferenças entre aquela sociedade e a atual estava na comunicação. Durante boa parte dos anos 1990, telefonar para alguém significava, na prática, telefonar para um lugar onde aquela pessoa poderia estar.

O telefone residencial continuava sendo um equipamento importante e a oferta ainda não atendia plenamente à demanda. O IBGE possui séries específicas da PNAD acompanhando a expansão do telefone fixo nos domicílios entre 1992 e 1999.

Quando alguém saía de casa, portanto, frequentemente ficava incomunicável. O encontro entre amigos exigia combinar previamente horário e local. Se alguém se atrasasse, não havia mensagem instantânea avisando onde estava.

Os telefones públicos — os populares orelhões — desempenhavam papel fundamental. Era comum carregar fichas telefônicas e, posteriormente, cartões específicos para realizar chamadas na rua.

O celular: de símbolo de status a fenômeno de massa

A telefonia celular começou comercialmente no Brasil em 1990. Segundo a Anatel, havia apenas cerca de 11 mil telefones celulares naquele primeiro ano, e o custo de habilitação podia alcançar valores equivalentes a dezenas de milhares de dólares.

Os primeiros aparelhos eram grandes, pesados e caros. Durante alguns anos, possuir um celular tornou-se símbolo evidente de status econômico, associado principalmente a executivos, empresários e consumidores de alta renda.

Mas a transformação foi extremamente rápida. Em outubro de 1998, o país já possuía cerca de 6,3 milhões de celulares. Em 1999, segundo dados posteriormente divulgados pela Anatel, o número de acessos chegou a aproximadamente 12,8 milhões.

O Brasil terminou a década, portanto, com uma tecnologia que praticamente não existia em seu início já sendo utilizada por milhões de pessoas.

A privatização das telecomunicações

Essa expansão coincidiu com uma profunda reorganização do setor. A Lei Geral de Telecomunicações foi aprovada em 1997, a Anatel foi criada e o Sistema Telebrás acabou privatizado em 1998, acompanhado da entrada de novas operadoras e grandes investimentos em expansão das redes.

A transformação não ocorreu sem controvérsias políticas e econômicas, mas seus efeitos sobre a escala das telecomunicações seriam muito perceptíveis nos anos seguintes.

A própria trajetória da telefonia móvel mostra a velocidade dessa mudança: de 11 mil aparelhos em 1990 para milhões no final da década. O telefone começava, finalmente, a deixar de ser um endereço para tornar-se um objeto pessoal.

A internet chega às casas brasileiras

Se o celular transformou a comunicação, outra tecnologia começou a produzir uma mudança ainda mais profunda. Em maio de 1995, os ministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia estabeleceram diretrizes para ampliar o uso comercial da internet no Brasil.

A decisão permitiu que provedores comerciais se conectassem à infraestrutura existente e determinou adaptações da Rede Nacional de Pesquisa para absorver tráfego acadêmico e comercial.

Começava a era da internet comercial brasileira.

Para o usuário doméstico, a experiência normalmente envolvia um computador, modem e uma linha telefônica convencional. O equipamento discava para um provedor e produzia a sequência característica de ruídos eletrônicos que marcou uma geração.

Enquanto o computador permanecia conectado, a linha telefônica podia ficar ocupada. A velocidade era extremamente limitada pelos padrões atuais e páginas com muitas imagens podiam demorar consideravelmente para carregar.

A internet ainda era território de poucos

No início, a rede estava concentrada em universidades, empresas, instituições públicas e residências de maior renda. Mas sua expansão foi rápida o suficiente para indicar que uma transformação maior estava em andamento.

E-mail, salas de bate-papo, fóruns, portais e os primeiros mecanismos de busca começaram a modificar a relação dos usuários com a informação.

O computador doméstico, que durante grande parte dos anos 1980 havia sido um equipamento relativamente incomum, passou progressivamente a integrar escritórios, escolas e casas de classe média.

Windows 95, Windows 98, disquetes, CD-ROMs e impressoras passaram a fazer parte do vocabulário cotidiano de uma parcela crescente da população.

Crianças entre a rua e o videogame

Apesar da chegada da tecnologia, a infância dos anos 1990 ainda era fundamentalmente analógica. Brincadeiras na rua, bicicleta, futebol, jogos de tabuleiro, figurinhas e encontros presenciais conviviam com uma indústria de videogames cada vez mais importante.

Master System, Mega Drive, Super Nintendo e, posteriormente, PlayStation fizeram parte da cultura de uma geração. Mas jogar com outra pessoa ainda significava frequentemente sentar-se ao lado dela diante do mesmo televisor.

Não existia a conexão permanente com amigos que caracteriza o ambiente digital contemporâneo.

O mesmo acontecia com a escola. Pesquisas escolares eram feitas em livros, bibliotecas e enciclopédias. Trabalhos podiam ser manuscritos, datilografados ou, progressivamente, produzidos em computadores domésticos.

Fotografias ainda eram acontecimentos

A câmera fotográfica também impunha limites que desapareceriam poucos anos depois. Fotografar significava utilizar filme, normalmente com 12, 24 ou 36 poses.

Depois, era necessário levar o filme para revelação e esperar para descobrir se as fotografias haviam ficado boas.

O custo de cada imagem fazia com que se fotografasse muito menos. Festas, viagens, aniversários e encontros produziam algumas dezenas de imagens, não centenas ou milhares.

Por isso, paradoxalmente, uma década muito mais recente que os anos 1970 ou 1980 ainda possui relativamente poucos registros fotográficos da vida cotidiana quando comparada ao período dos smartphones.

Uma sociedade que também convivia com violência crescente

A nostalgia em torno dos anos 1990 não deve ocultar os graves problemas sociais daquele período. A violência urbana tornou-se elemento importante do cotidiano das grandes cidades, acompanhada pela expansão de grades, muros, alarmes, condomínios fechados e segurança privada.

Pesquisas do Ipea baseadas no Sistema de Informações sobre Mortalidade mostram a dimensão do problema da violência letal brasileira e também alertam para dificuldades de classificação de mortes violentas, especialmente a partir da segunda metade da década.

Assaltos, sequestros e homicídios contribuíram para modificar hábitos urbanos. A imagem romântica de crianças permanentemente livres nas ruas não pode, portanto, ser generalizada para todas as cidades, bairros e classes sociais.

O Brasil também avançava em indicadores sociais

Apesar das crises econômicas e da violência, importantes indicadores sociais melhoraram durante a década.

A mortalidade infantil caiu de 45,1 mortes por mil nascidos vivos em 1991 para 29 por mil em 2000. No mesmo intervalo, a expectativa de vida ao nascer passou de 66,9 para 69,8 anos.

Esses números mostram um país ainda marcado por enormes desigualdades, mas que avançava em saúde pública, vacinação, atenção materno-infantil, saneamento e outros fatores relacionados às condições de vida.

A experiência dos anos 1990, entretanto, continuava extremamente desigual. Enquanto algumas famílias compravam computadores, celulares, videocassetes e aparelhos de CD, milhões de brasileiros ainda conviviam com renda baixa e acesso precário a infraestrutura básica.

Dois Brasis separados por apenas nove anos

Talvez a melhor maneira de compreender os anos 1990 seja comparar suas duas extremidades.

Em 1990, um brasileiro podia receber o salário e correr para o supermercado antes que os preços aumentassem, possuir economias bloqueadas por uma decisão governamental, depender de telefone fixo ou orelhão e nunca ter utilizado a internet. O país tinha apenas cerca de 11 mil celulares.

Em 1999, esse mesmo cidadão utilizava o Real havia cinco anos, encontrava preços muito mais previsíveis, podia possuir um celular, conectar um computador doméstico à internet, enviar e-mail e ter acesso a uma quantidade de informações que seria praticamente inimaginável no início da década. Havia aproximadamente 12,8 milhões de celulares em operação.

Não era ainda o mundo digital contemporâneo. A internet era lenta, o telefone celular servia quase exclusivamente para voz, fotografias continuavam em filmes e a televisão aberta permanecia no centro do entretenimento nacional.

Mas a direção da mudança já estava definida.

A última década plenamente analógica e a primeira da era digital

Os anos 1990 ocupam uma posição peculiar na história brasileira. Foram provavelmente a última década que começou inteiramente analógica e a primeira que terminou claramente conectada ao mundo digital.

Quem atravessou aqueles dez anos presenciou duas revoluções simultâneas. A primeira foi econômica: a passagem da hiperinflação para uma moeda suficientemente estável para devolver às famílias a capacidade de compreender preços e planejar despesas.

A segunda foi tecnológica. Telefone celular, computador doméstico e internet começaram a retirar progressivamente da vida cotidiana algo que durante séculos havia sido inevitável: a dificuldade de localizar pessoas e acessar informações imediatamente.

No começo da década, alguém podia sair de casa pela manhã e permanecer incomunicável até retornar. Uma dúvida poderia exigir uma viagem à biblioteca. Uma fotografia precisava esperar pela revelação. Uma notícia podia chegar apenas no telejornal da noite ou no jornal do dia seguinte.

No final dos anos 1990, tudo isso começava a mudar.

O Brasil entrou naquela década ainda carregando grande parte da estrutura econômica, tecnológica e cultural dos anos 1980. Saiu dela com moeda estável, telecomunicações em expansão e os primeiros milhões de brasileiros conectando-se ao mundo digital.

Em apenas dez anos, o país não havia simplesmente mudado de década. Havia mudado de época.

FONTES: IBGE, Banco Central do Brasil, Fundação Getulio Vargas, CGI.br, Anatel, BNDES e Ipea.



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João do Caminhão
João do Caminhão
25 dias atrás

Agora na década de 20 qualquer um pode notar que tecnologia não é sinônimo de avanço pois invariavelmente se torna meio pra bestialização massificada das pessoas, o brasileiro é um case exemplar.

amarante
amarante
Responder para  João do Caminhão
25 dias atrás

A culpa não é da tecnologia, o brasileiro foi digitalizado antes de ser “alfabetizado”.

Silveira
Silveira
Responder para  amarante
25 dias atrás

E vai ficar pior com o avanço da IA.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Silveira
25 dias atrás

Considerando o qi médio de 85, acho que alguns decisões e escolhas podem melhorar

Deadeye
Deadeye
Responder para  Palpiteiro
25 dias atrás

O Q.I médio do Brasileiro é de 90 a 95 no desvio padrão. Acreditar no número de 85 vindo de um estudo feito por dois racistas é foda.

comenteiro
comenteiro
Responder para  Palpiteiro
25 dias atrás

Isso não é uma fakenews? E o QI não é um dado mais desacreditado do que o governo do (insira aqui o que você odeia com seu coração)?

MMerlin
MMerlin
Responder para  João do Caminhão
25 dias atrás

“… o brasileiro é um case exemplar.”

O Brasileiro é um ser humano igual qualquer outro.
Temos a acesso as mesmas tecnologias (de uso civil) que qualquer outro país.

Referente ao termo “bestialização”, acredito que você tenha associado com termos como emburrecimento, alienação e perda da capacidade crítica em massa.
E, como diversas outras, os brasileiros estão longe, mas muito longe de serem um case exemplar. E este período eleitoral é apenas um dos exemplos.

Mas, caso o “case exemplar” esteja relacionado com nossa falta de capacidade de desenvolvimento tecnológico (tanto LLM’s de IA e hardwares de ponta), aí é outro papo.
Aí somos um case exemplar do que não ser.
Um país riquíssimo (natural, mineral, biológica e cultural), que tem um potencial praticamente ilimitado, consegue ser tão dependente de tecnologias estrangeiras.

Mas, mesmo com todas as dificuldades, o Brasil consegue criar e aplicar soluções tão impressionantes quanto.
E o plano Real é um dos melhores exemplos.
Seu sucesso se deu por diversos fatores, mas os principais (além dos 5 economistas que o idealizaram) acredito terem sido o consenso político (quando querem fazem algo) e o acumulo de reservas internacionais (o que garantiu a paridade da nova moeda).
Mas seu dúvida no topo da lista se encontra ao modelo adotado (URV) que foi inovador.

O pacote de medidas foi tão forte que conseguiu derrubar o vício inflacionário e a falta de credibilidade política.
Tão importante quanto foi a blindagem contra grupos de interesse que ofereceram bastante resistências.

Importante lembrarmos que os principais grupos resistentes não foram os estrangeiros, mas partidos políticos e sindicatos, como PT (que fez um forte campanha contra), PCdoB e CUT. O primeiro partido dizia que o plano só daria certo se viesse acompanhado de soluções para problemas como desigualdade social, educação e saúde pública. Mais partidarista e opotunista impossível.
Agradeçam por outro partido estar no poder na época.

Última edição 25 dias atrás por MMerlin
Renato de Mello Machado
Renato de Mello Machado
Responder para  MMerlin
25 dias atrás

Kkkkkkkk a parte do comentário falando do plano real foi dez. Tristeza mesmo foi o que aconteceu depois.

MMerlin
MMerlin
Responder para  Renato de Mello Machado
25 dias atrás

Pois é.
O tempo passa, mas a memória deve ficar.

Renato de Mello Machado
Renato de Mello Machado
Responder para  MMerlin
25 dias atrás

Sim meu caro.Eu vivi essa época e sei do aperto que era.E a melhora que se deu com o Real.Pena que depois quem virou poder não deu atenção em refinar com o que foi conseguido.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Renato de Mello Machado
25 dias atrás

Nosso melhor ministro da economia não foi um economista e sim um sociólogo.

MMerlin
MMerlin
Responder para  Palpiteiro
25 dias atrás

Na verdade, ele foi Ministro da Fazenda.
Mas concordo plenamente que ele foi o melhor gestor econômico que este país teve.

Como Ministro e Presidente, além de ter demonstrado uma liderança nata, conseguindo gerenciar o projeto de implementação do Plano Real fazendo com que 5 gênios da economia conseguissem trabalhar em equipe e convergir criando uma solução única, implementou diversas reformas, que evoluíram e modernizaram nosso país.
Foram elas: fim do monopólio estatal, abertura econômica, marcos regulatórios (importantíssimo), criação do Ministério da Defesa, foco na educação básica e consolidação do SUS (fez uma reforma completa).
Outro ponto importante foi a criação de limites rígidos de endividamento publico, sendo uma referência no que tange responsabilidade fiscal.

Seu perfil intelectual (verdadeiro), liderança e diplomacia nata o transformaram num Presidente respeitável perante seus pares, conseguindo projetar o país internacionalmente,
de modo natural.

Última edição 25 dias atrás por MMerlin
andre.mondelo@hotmail.com
andre.mondelo@hotmail.com
Responder para  MMerlin
24 dias atrás

Eu pessoalmente não gosto do sujeito, mas tenho que concordar com tudo que você escreveu, foi o melhor presidente desde a redemocratização. Uma pena que não teve um sucessor a altura para concorrer contra o Lula em 2002. Por incrível que pareça temos que ter dado graças Deus de Collor ter ganho de Lula em 1989, sem essa calamidade (vitória do Collor), provavelmente nunca teríamos tido o plano real. Como o mundo é irônico não e mesmo?

Imagina uma década de 90 governada pelo PT sem o plano o real e todas as conquistas do governo do FHC? O próprio Lula se beneficiou muito da estabilidade econômica herdada do governo anterior. Os bons números econômicos do começo dos anos 2000 jamais teriam acontecido se não fosse a estabilidade do plano real.

andre.mondelo@hotmail.com
andre.mondelo@hotmail.com
Responder para  Palpiteiro
24 dias atrás

Sou obrigado a concordar, kkkkk

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  MMerlin
25 dias atrás

A pergunta é qual o qi necessário para usar a ia

comenteiro
comenteiro
Responder para  Palpiteiro
25 dias atrás

Nem precisa. IA é terceirizar as faculdades mentais e fazer pouco do dinheiro que os pais gastaram com a educação. Tem gente pedindo para a IA ler livros para eles e outros que pedem a IA fazer programas como Podcasts para dar para os filhos, pois não tem tempo ou vontade de interagir com a prole.

Generalizei? Sim, mas o uso da IA pela população é meio decepcionante.

comenteiro
comenteiro
Responder para  João do Caminhão
25 dias atrás

O mundo todo está assim. O brasileiro não é exceção.

deadeye
deadeye
Responder para  João do Caminhão
25 dias atrás

Exemplar como? A bestialização das pessoas está ocorrendo no mundo todo, desde ao menos a popularização das midias sociais. Eu sempre digo, o problema da humanidade não é a Internet, e sim, as midias sociais.

Eu não entendo como sempre querem falar que toda essa bestialização é um caso brasileiro, ou que o Brasileiro é mais besta, porque agora nos EUA estão tendo uma crise de Sarampo que não existia desde os anos 2000 por causa de propaganda contra vacinação.

Como outros disseram, o Brasileiro é um ser humano como qualquer outro.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  deadeye
25 dias atrás

O uso de mídias sociais aqui é maior e o qi médio é menor. Temos que vitaminar a merenda primeiro.

deadeye
deadeye
Responder para  Palpiteiro
24 dias atrás

Outro que vai citar o estudo feito por um livro racista, de que o Q.I do Brasileiro é de 83 pontos

Alexandre Galante
Responder para  deadeye
24 dias atrás

Sobre QI, existem formas mais modernas de se medir inteligências:
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Renato de Mello Machado
Renato de Mello Machado
25 dias atrás

1999 o Brasil poderia decolar. Mas não gerou sustentação suficiente e ficou no solo mesmo.

Leandro
Leandro
Responder para  Renato de Mello Machado
25 dias atrás

Estava decolando, mas aí os caras que estavam no poder groundearam o bicho desviando o dinheiro do combustível para seus bolsos.

Renato de Mello Machado
Renato de Mello Machado
Responder para  Leandro
25 dias atrás

kkkkkkkkkkkk boa Leandro.

sub urbano
sub urbano
25 dias atrás

Lembro dessa época, minha primeira lotação. Chegou um computador igual esse com windows 95 na companhia com uma impressora matricial (acho q hj nem existe isso mais), eu já queria uma moita pra sair da rua. Tava sugadaço pra mim pq eu estudava. Já tava virando o monstro do pântano. Sabia bater máquina e tinha curso de digitação (q fiz em uma igreja olha só), computador era novidade, as ocorrencias eram preenchidas a mão e o recibo era no papel carbono kkk Sonho meu, nao passei nem perto kkkk Me lasquei foi ainda mais pq fui mandado pra um destacamento logo depois, longe, era só eu e um cabo, o cara era cabo há uns 200 anos devido a inumeras broncas (mas consegui voltar rapido)! Hj tenho boas lembranças, mas foi mto sofrido. Hj é muito mais fácil pra alguem da classe trabalhadora estudar e fazer um curso superior.

MMerlin
MMerlin
Responder para  sub urbano
25 dias atrás

Importante observar ali o Windows 95 plus.
Foi nesta versão do SO da Microsoft que estreou o famoso e nostálgico jogo abaixo.

comment image

Última edição 25 dias atrás por MMerlin
Leandro
Leandro
Responder para  sub urbano
25 dias atrás

Impressoras matricias ainda existem e são fabricadas até hoje (mesmo que de forma simplificada). São excelentes para determinadas aplicações.

Fábio CDC
Fábio CDC
25 dias atrás

O encontro entre amigos exigia combinar previamente horário e local.” – Sem querer ser chato mas sendo, na verdade, em todos os 5 Continentes deste Planeta sempre foi assim e é até hoje…

Dr. Mundico
Dr. Mundico
25 dias atrás

O Brasil não cresce nem se desenvolve, apenas atualiza-se.
A sociedade segue tropeçando sempre a reboque do governo de plantão. Não temos vocação nem proposta, apenas a disposição atávica de andar para a frente.
Nossas oligarquias regionais e setoriais nem mais se dão ao trabalho de ocultar seus objetivos e métodos: alugar o máquina pública para adaptar seus sistemas de rapina, usar o Estado como fiador dos seus golpes, instrumentalizar a norma para legalizar a usurpação e manter o povo ali na arquibancada torcendo pelo próximo desfile.
Avanços tecnológicos, instrumentos eletrônicos, processos digitais, enfim, todo um arsenal que apenas aprofundou e expôs de forma clara nossa inaptidão e aversão ao progresso.
Estamos flertando com mais uma ruptura, dessas que acontecem a cada duas ou três gerações.
Nos versos de uma poesia do Belchior: “eles venceram e o sinal está fechado para nós que somos jovens”…
Mas nem jovens somos mais…

MARCELO TADEU
MARCELO TADEU
Responder para  Dr. Mundico
25 dias atrás

E agora tem o complicador da ideologia em tudo que se tenta discutir do Brasil!!! E lá vamos nós para um novo show de horrores chamado “Eleições, a Festa da Democracia!”

José Antônio
José Antônio
Responder para  MARCELO TADEU
25 dias atrás

Para quem viveu a época em que esse “show de horrores” não existia, não dá para desprezá-lo assim. Há muitas imperfeições que precisam ser corrigidas. Mas antes esse show imperfeito do que a falta dele.

Última edição 25 dias atrás por José Antônio
MARCELO TADEU
MARCELO TADEU
Responder para  José Antônio
25 dias atrás

Quando digo show de horrores são os politicos de 2 em 2 anos saindo as ruas e apertando as maos do povo que eles nem visitam. É achar que democracia é votar e ser votado. Democracia é a população cobrar os seus governantes, cobrar seus parlamentares, todos têm e-mail, é só pesquisar no Congresso. Não temos cidadania, no dia a dia é cada um por si e f… o resto.

José Antônio
José Antônio
Responder para  MARCELO TADEU
25 dias atrás

Pois arregacemos as mangas e vamos cobrar dos nossos parlamentares. Melhor ainda é não votar em parlamentares picaretas. Quem diz que todo o político é igual está pedindo quem para fazer política em seu lugar?

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  José Antônio
25 dias atrás

Antes não se sabia de muitos shows

Macgarem
Macgarem
25 dias atrás

FHC foi o melhor presidente que o brasil teve pós golpe militar.

Loola surfou nas realizaçoes deles até “gastar tudo” e chegar onde estamos, nesse buraco sem fundo.

GFC_RJ
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25 dias atrás

Pois é…
Bizarro!

GFC_RJ
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25 dias atrás

A desastrada abertura comercial durante o governo Collor e o início do programa de privatizações foram grandes paradigmas de mudança econômica e social.

A abertura comercial era extremamente necessária e devia ter se iniciado ainda nos anos 70. Mas grupos de interesse conseguiram manter o comércio internacional fechado (e reserva de mercado) até 90. Ao finalmente se abrir, o fizeram de forma abrupta, sem tempo transição. Acreditava-se que seria mais um elemento para ajudar a baixar a inflação, o que não ocorreu.
O resultado foi que diversas industrias nacionais quebraram precocemente. 

As siderúrgicas foram das primeiras a serem privatizadas. Havia o constante argumento de “entregar nosso patrimônio aos estrangeiros, aos americanos e bla bla bla…”. O que ocorreu é que as primeiras privatizações foram adquiridas por fundos de pensão das grandes estatais e muito de capital nacional mesmo. A Embraer foi adquirida por um banco nacional. A Vicunha do Benjamin Steinbruch adquiriu a CSN e mais tarde a Vale.

Bem, depois, em 2000 em diante, é outra década para outro post. 

GFC_RJ
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Responder para  GFC_RJ
25 dias atrás

Pelo que me lembro na época, a primeira estatal que o Collor privatizou foi a Transbrasil.
Se dizia na época que ele queria ser o único no governo com o rabo collorido. Tchi, tchi dum!

Marcelo Baptista
Marcelo Baptista
24 dias atrás

Putz, to muito velho.