EUA criam força-tarefa multinacional para coordenar drones de ataque no Oriente Médio
Task Force Falcon Strike reunirá sistemas não tripulados de ataque aéreo, de superfície e submarinos operados por forças norte-americanas e parceiros regionais, ampliando a experiência adquirida pelo CENTCOM durante as operações contra o Irã
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou a criação da Task Force Falcon Strike, primeira força-tarefa multinacional e multidomínio norte-americana dedicada especificamente ao emprego coordenado de drones de ataque de uso único no Oriente Médio. A nova organização deverá integrar sistemas não tripulados que operam no ar, na superfície do mar e sob a água.
A iniciativa foi anunciada em 13 de agosto e representa uma expansão significativa da experiência acumulada pela Task Force Scorpion Strike, criada nove meses antes como a primeira unidade norte-americana especializada em drones de ataque unidirecional — os chamados One-Way Attack, ou OWA — implantada na região.
Diferentemente da Scorpion Strike, predominantemente norte-americana, a Falcon Strike foi concebida desde o início como uma estrutura multinacional. O CENTCOM já iniciou consultas e o envio de convites formais a países parceiros, embora até o momento não tenha divulgado quais governos deverão participar da nova força.
Drones no ar, na superfície e debaixo do mar
O aspecto mais significativo do anúncio é a definição da Falcon Strike como uma força verdadeiramente multidomínio. Segundo o CENTCOM, serão empregados sistemas não tripulados de ataque provenientes de “acima, sobre e abaixo do mar”, abrangendo aeronaves não tripuladas, embarcações de superfície e plataformas submarinas.
Os dois primeiros tipos já foram empregados operacionalmente pelos Estados Unidos na região. Durante a Operação Epic Fury contra o Irã, a Scorpion Strike utilizou drones aéreos de ataque unidirecional, enquanto veículos não tripulados de superfície também foram empregados em ataques contra instalações portuárias iranianas em julho.
A referência oficial a sistemas operando abaixo da superfície, entretanto, introduz uma dimensão nova. O CENTCOM não informou quais veículos submarinos serão utilizados, tampouco confirmou se já dispõe de um sistema submarino de ataque unidirecional operacional para essa finalidade.
A utilização desse tipo de arma poderia ampliar consideravelmente as opções ofensivas disponíveis. Enquanto um veículo de superfície pode ser detectado visualmente ou por radar durante sua aproximação, uma plataforma submersa pode atacar navios, portos e instalações costeiras por rotas muito mais difíceis de observar e defender.
SOCCENT comandará a nova estrutura
A equipe multinacional da Falcon Strike será liderada por militares do U.S. Special Operations Command Central (SOCCENT), organização que também esteve envolvida na criação da Scorpion Strike. Representantes das forças armadas dos países participantes serão integrados progressivamente à estrutura de comando.
O SOCCENT é responsável pelo planejamento e execução de operações especiais dentro da área do CENTCOM, que abrange 21 países do Oriente Médio, Ásia Central e Sul da Ásia. A escolha do comando sugere uma estrutura voltada não apenas para experimentação tecnológica, mas para rápida integração de novas armas em operações reais.
Segundo o comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, a Falcon Strike pretende aproveitar tanto a experiência da Scorpion Strike quanto o desenvolvimento acelerado de sistemas não tripulados pelos parceiros norte-americanos na região.
Cooper afirmou que a integração dessas capacidades permitirá explorar rapidamente novas possibilidades operacionais. O comandante também ressaltou que as forças norte-americanas se tornam mais eficazes quando novas tecnologias são empregadas conjuntamente com aliados e parceiros regionais.
Scorpion Strike abriu o caminho
A Falcon Strike é resultado direto das experiências iniciadas no final de 2025. Em dezembro daquele ano, o CENTCOM anunciou a implantação da Task Force Scorpion Strike, primeira unidade militar norte-americana dedicada especificamente a drones de ataque unidirecional no Oriente Médio.
Entre seus principais sistemas está o Low-cost Unmanned Combat Attack System (LUCAS), uma aeronave não tripulada destinada a realizar ataques de longo alcance a custo muito inferior ao de mísseis de cruzeiro convencionais.
Segundo o próprio CENTCOM, cada LUCAS custa aproximadamente US$ 35 mil, permitindo seu emprego em maior quantidade e contra objetivos para os quais a utilização de armas muito mais sofisticadas e caras seria economicamente desvantajosa.
O sistema também foi projetado para ser lançado por diferentes métodos, incluindo catapultas, decolagem assistida por foguetes e plataformas móveis instaladas no solo ou sobre veículos. Essa flexibilidade permite distribuir os lançadores e reduzir a dependência de bases aéreas convencionais.
Primeiro lançamento de um navio da Marinha dos EUA
Um importante marco ocorreu em 16 de dezembro de 2025, quando o navio de combate litorâneo USS Santa Barbara (LCS-32) lançou com sucesso um LUCAS de seu convés de voo enquanto navegava no Golfo Pérsico. Foi o primeiro lançamento marítimo do sistema realizado operacionalmente pela Marinha dos Estados Unidos.
A missão foi executada pela Task Force 59, organização da 5ª Frota dedicada ao desenvolvimento e emprego de sistemas autônomos e não tripulados. Antes do lançamento, equipes do Naval Air Warfare Center Weapons Division avaliaram procedimentos para armazenar, transportar e manusear com segurança o LUCAS a bordo.
A capacidade de lançar drones relativamente baratos a partir de navios modifica significativamente a relação entre plataforma e armamento. Um navio que não foi originalmente projetado como plataforma de ataque de longo alcance pode transportar e lançar vários veículos descartáveis sem precisar receber grandes lançadores verticais ou mísseis de cruzeiro convencionais.
LUCAS deverá receber capacidade de operar em enxames
Outro avanço ocorreu em maio de 2026, quando a Shield AI anunciou ter sido selecionada pelo Departamento de Defesa para integrar o software de autonomia Hivemind ao LUCAS. O objetivo é permitir que os drones operem em grande número, com níveis crescentes de coordenação autônoma.
A empresa descreve o LUCAS como integrante de uma nova classe de drones de ataque baratos concebidos para emprego massivo. Sistemas desse tipo podem ser lançados simultaneamente por diferentes vetores e direções, obrigando as defesas inimigas a acompanhar e engajar numerosos alvos ao mesmo tempo.
Essa lógica representa uma mudança importante em relação ao modelo tradicional no qual um pequeno número de aeronaves ou mísseis de alto valor realiza o ataque. A nova abordagem busca combinar quantidade, dispersão, autonomia e baixo custo para aumentar a dificuldade enfrentada pelos sistemas de defesa aérea.
Experiência de combate contra o Irã
A transição da Scorpion Strike para a Falcon Strike ocorre depois de os Estados Unidos utilizarem esses sistemas em operações reais. O CENTCOM confirmou que drones de ataque unidirecional foram empregados durante a Operação Epic Fury, iniciada contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026.
Posteriormente, veículos de ataque não tripulados de superfície foram utilizados contra instalações portuárias iranianas em julho, demonstrando que a experiência norte-americana já havia deixado o campo dos testes e avançado para operações ofensivas em diferentes domínios.
A Falcon Strike pretende transformar essas experiências inicialmente conduzidas por unidades norte-americanas em uma capacidade compartilhada com parceiros regionais.
Uma resposta ao novo modelo de guerra com drones
A criação da força-tarefa também evidencia como a guerra no Oriente Médio modificou a avaliação norte-americana sobre sistemas descartáveis de baixo custo. Durante anos, Irã e seus aliados utilizaram drones relativamente simples para atingir instalações militares, navios, infraestrutura energética e outros objetivos.
Agora, os Estados Unidos estão desenvolvendo sua própria capacidade de empregar armas semelhantes em escala, mas integradas a redes de comando e controle, inteligência e sensores consideravelmente mais sofisticadas.
O objetivo declarado do CENTCOM é transformar as capacidades dos diferentes países participantes em um “dissuasor multinacional e multidomínio unificado”. A organização não revelou, entretanto, o tamanho previsto da Falcon Strike, os sistemas que serão fornecidos pelos parceiros ou como serão compartilhadas as responsabilidades de comando e autorização de ataques.
Essas questões serão particularmente relevantes porque uma força ofensiva multinacional exige muito mais que drones compatíveis. Será necessário estabelecer procedimentos comuns para comunicação, identificação de alvos, inteligência, logística, regras de engajamento e autorização política de operações.
Da defesa contra drones para a guerra de drones
A Falcon Strike representa também uma mudança conceitual na postura norte-americana. Grande parte dos investimentos dos Estados Unidos nos últimos anos concentrou-se em defender tropas e instalações contra drones inimigos. Agora, o CENTCOM está institucionalizando uma força concebida especificamente para utilizar grandes quantidades dessas armas ofensivamente.
Se os países convidados aderirem ao programa, os Estados Unidos poderão formar uma rede distribuída de plataformas aéreas, navais e submarinas capazes de ser lançadas a partir de diferentes pontos do Oriente Médio.
A estrutura poderá permitir ataques simultâneos provenientes de múltiplos eixos, aumentando o número de ameaças que as defesas adversárias precisam detectar, classificar e interceptar.
A Task Force Falcon Strike mostra, assim, que os drones de ataque de baixo custo deixaram de ser considerados apenas uma solução improvisada empregada por grupos armados ou países com recursos militares limitados.
Depois de enfrentar durante anos os Shahed iranianos e seus derivados, os Estados Unidos estão incorporando o mesmo princípio de massa, baixo custo e ataque unidirecional à própria estrutura de forças — e agora pretendem transformá-lo em uma capacidade multinacional para todo o Oriente Médio.
FONTES: U.S. Central Command (CENTCOM), U.S. Navy, Naval Air Warfare Center, Shield AI, Breaking Defense e The Aviationist.



Americanos e suas siglas maravilhosas e que, no final, não ajudam muito.
Estão tentando exercitar uma liderança que já não possuem mais.
Agora, tudo isso é por causa do Irã?
Será que não dão conta sozinhos?
Alguns colegas apontam que eles viram que aquela região é uma atoleiro e que a atenção deles vai se virar para o leste da Ásia.