O Exército Brasileiro na década de 1970
Entre a reestruturação das grandes unidades, a mecanização da Cavalaria, a expansão da presença na Amazônia e o surgimento de uma indústria nacional de blindados, o Exército Brasileiro passou por uma das maiores transformações de sua história contemporânea. A década, entretanto, também coincidiu com o período mais repressivo da ditadura militar, com a atuação dos DOI-CODI e as operações contra a Guerrilha do Araguaia, tornando impossível separar a modernização da Força de seu papel político naquele período
No início dos anos 1970, o Exército Brasileiro encontrava-se diante de uma contradição. Politicamente, ocupava uma posição de poder sem precedentes desde a proclamação da República; militarmente, porém, grande parte de sua organização, doutrina e equipamentos ainda refletia estruturas concebidas nas décadas anteriores.
Boa parte do material disponível tinha origem norte-americana e remontava à Segunda Guerra Mundial ou aos primeiros anos da Guerra Fria. Um estudo acadêmico hospedado pelo Ministério da Defesa observa que, em 1970, parcela considerável das armas das Forças Armadas ainda era proveniente dos Estados Unidos e de gerações anteriores, circunstância que estimulava a busca por diversificação e produção nacional.
A década seria marcada, portanto, por dois processos paralelos. De um lado, o Exército reorganizou suas grandes unidades, ampliou a mecanização, reforçou a Amazônia e aproximou-se da nascente indústria brasileira de defesa. De outro, continuou profundamente envolvido na condução política do Estado e no aparato de repressão da ditadura iniciada em 1964.
O Exército no centro do poder político

Quando 1970 começou, o Brasil era governado pelo general Emílio Garrastazu Médici, que assumira a Presidência em outubro de 1969. Seu ministro do Exército era o general Orlando Geisel, irmão do futuro presidente Ernesto Geisel, permanecendo no cargo durante praticamente todo o governo Médici.
O período coincidiu com os chamados “anos de chumbo”, quando o aparato de segurança e informações do regime atingiu seu maior grau de organização. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da economia alimentava o projeto político do chamado “Brasil Grande Potência”, no qual capacidade industrial, infraestrutura e poder militar eram vistos como componentes de uma mesma estratégia nacional.
Nesse ambiente, a modernização das Forças Armadas recebeu atenção especial. O Exército procurava abandonar gradualmente uma estrutura ainda influenciada pelos modelos francês e norte-americano das décadas anteriores e criar uma organização considerada mais flexível para um país de dimensões continentais.
O resultado mais importante desse processo foi o Plano Diretor de Organização do Exército de 1970, cuja implantação modificaria profundamente a estrutura da Força Terrestre ao longo da década.
A grande reorganização de 1970

Até então, boa parte da estrutura operacional brasileira estava organizada em divisões e formações regimentais que já não correspondiam plenamente à evolução dos principais exércitos ocidentais. Estudos realizados pelo Estado-Maior do Exército durante a segunda metade da década de 1960 apontavam a necessidade de racionalizar comandos, melhorar a logística e aumentar a mobilidade.
A reforma colocou a brigada no centro da organização operacional. Em vez de depender de grandes divisões com estruturas rígidas, a Força passaria a utilizar Grandes Unidades capazes de reunir infantaria ou cavalaria com artilharia, engenharia, comunicações, logística e elementos de reconhecimento.

O Plano Diretor de 1970 conduziu à formação de 23 Grandes Unidades enquadradas em sete Divisões de Exército, substituindo progressivamente a organização anterior baseada, entre outras estruturas, nas Infantarias Divisionárias. A transformação estabeleceu as bases do sistema de brigadas que permanece reconhecível no Exército atual.
Surgiram ou foram reorganizadas brigadas de Infantaria Motorizada, Infantaria Blindada, Cavalaria Mecanizada, Cavalaria Blindada, Infantaria Paraquedista e, com a crescente prioridade atribuída à Amazônia, Infantaria de Selva. A nova organização procurava combinar maior autonomia tática com capacidade de deslocamento e sustentação.

Motorização e mecanização substituem progressivamente cavalos e tropas a pé
Uma das transformações mais visíveis ocorreu na Cavalaria. O processo de mecanização, iniciado anteriormente, acelerou-se com a reorganização dos anos 1970 e levou à consolidação dos Regimentos de Cavalaria Mecanizados e das brigadas equipadas com veículos blindados.
Os carros de combate M41 Walker Bulldog e os veículos blindados M113, ambos de origem norte-americana, eram importantes componentes das unidades blindadas. Mas uma mudança decisiva começava a ocorrer: equipamentos desenvolvidos e construídos no próprio Brasil passavam a ocupar espaço crescente.
Essa transformação não resultou apenas de uma política industrial abstrata. O Exército atuou diretamente como cliente inicial, especificador e parceiro de empresas que começavam a desenvolver veículos adaptados às condições brasileiras, criando uma relação que se tornaria fundamental para a indústria de defesa nas duas décadas seguintes.
Foi nesse ambiente que dois nomes se tornaram símbolos da modernização da Cavalaria brasileira: EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu.
Cascavel e Urutu: nasce uma família brasileira de blindados
A Engesa havia começado como uma pequena empresa de engenharia e acabou despertando o interesse do Exército por seus sistemas de suspensão e soluções destinadas a veículos fora de estrada. A cooperação evoluiu até o desenvolvimento de uma família de viaturas blindadas sobre rodas.
O EE-11 Urutu começou a ser desenvolvido em 1970, e sua produção seriada teve início em 1974. O veículo 6×6, anfíbio, destinava-se principalmente ao transporte protegido de tropas e tornou-se parte fundamental das novas unidades mecanizadas brasileiras.
O EE-9 Cascavel, por sua vez, tornou-se uma viatura de reconhecimento armada, evoluindo para versões equipadas com canhão de 90 mm. O modelo seria um dos maiores êxitos comerciais da indústria militar brasileira: estudos do Ipea apontam que 409 Cascavéis foram adquiridos pelo Exército Brasileiro, enquanto mais de mil foram destinados ao mercado externo.
A importância desses programas ia além da substituição de equipamentos estrangeiros. O Brasil começava a dominar projeto, integração, blindagem, suspensão e produção seriada de veículos militares concebidos para suas próprias necessidades.
O sucesso inicial abriria caminho para a extraordinária expansão da Engesa nos anos 1980. Mas as bases industriais, tecnológicas e comerciais dessa trajetória foram lançadas justamente durante a década de 1970.
A indústria de defesa passa a fazer parte da estratégia do Exército
A modernização terrestre coincidiu com a consolidação de uma base industrial de defesa mais ampla. Empresas privadas como Engesa e Avibras conviviam com instituições militares de pesquisa e produção, enquanto o Estado procurava reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Em 1975, o Exército reuniu diferentes unidades fabris sob a recém-criada Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL). A empresa passou a concentrar atividades relacionadas à produção de armamentos individuais, munições, explosivos e equipamentos de comunicação.
O movimento refletia uma política mais ampla. Estudos sobre a indústria brasileira de defesa identificam a década de 1970 como o período em que o setor experimentou forte expansão, beneficiado pelo crescimento econômico, pelas compras das Forças Armadas e pela tentativa governamental de desenvolver maior autonomia tecnológica.
Foi também nesse período que ocorreram os primeiros contratos relevantes de exportação de armamentos brasileiros. Blindados sobre rodas, aeronaves e outros produtos começaram a encontrar compradores no Oriente Médio, Norte da África e América Latina, preparando a expansão muito maior que ocorreria na década seguinte.
A Amazônia ganha nova importância
Outra transformação estrutural dos anos 1970 ocorreu no mapa militar brasileiro. A Amazônia, tradicionalmente caracterizada por grandes distâncias, reduzida infraestrutura terrestre e baixa densidade populacional, recebeu atenção crescente dos planejadores militares.
A formação de tropas especializadas em ambiente amazônico já havia começado anteriormente, com a criação do Centro de Instrução de Guerra na Selva em Manaus, em 1964. Na década seguinte, porém, a lógica da presença militar na região ganhou escala e passou a integrar de maneira mais clara a organização da Força Terrestre.
Batalhões e brigadas especializadas em operações de selva foram incorporados à nova estrutura, ao mesmo tempo em que unidades de engenharia participavam de grandes projetos de infraestrutura. A presença do Exército era entendida pelo regime também como instrumento de ocupação territorial, integração e afirmação da soberania.
Essa concepção ajudaria a consolidar uma característica que permaneceria central no pensamento estratégico terrestre brasileiro nas décadas posteriores: a presença física de tropas como componente da defesa da Amazônia.
Os batalhões de engenharia e as grandes rodovias
Durante o regime militar, as missões do Exército ultrapassavam a preparação para o combate convencional. Batalhões de Engenharia de Construção foram empregados intensamente em projetos rodoviários destinados a conectar regiões até então pouco integradas à malha terrestre nacional.
Um dos exemplos mais emblemáticos foi a BR-163, Cuiabá-Santarém. Os trabalhos começaram em 1971, com participação direta de unidades de Engenharia do Exército, e a rodovia foi inaugurada pelo presidente Ernesto Geisel em 1976.
Unidades militares também participaram da abertura e implantação de trechos da Transamazônica e de outras estradas do Programa de Integração Nacional. A engenharia militar passou, assim, a desempenhar simultaneamente funções estratégicas, logísticas e de apoio ao programa de desenvolvimento territorial conduzido pelo governo.
Essas obras reforçavam a presença do Estado em áreas remotas e proporcionavam eixos para movimentação de tropas, população e atividades econômicas. Ao mesmo tempo, integravam um modelo de ocupação amazônica cujos impactos sociais e ambientais seriam objeto de intenso debate nas décadas seguintes.
O outro Exército dos anos 1970: segurança interna e repressão
Qualquer análise histórica do Exército Brasileiro naquela década permanece incompleta se limitar sua atenção a blindados, brigadas, quartéis e infraestrutura. A instituição também ocupava posição central no sistema de segurança interna da ditadura.
Em setembro de 1970, os DOI-CODI — Destacamentos de Operações de Informações/Centros de Operações de Defesa Interna — foram institucionalizados e passaram a formar uma estrutura destinada à repressão das organizações consideradas subversivas pelo regime.
Os órgãos reuniam integrantes das Forças Armadas e de diferentes forças policiais. Sob a lógica da chamada “guerra interna”, desenvolveram operações de inteligência, vigilância, captura e interrogatório contra organizações clandestinas e opositores do governo.
Investigações oficiais posteriores, especialmente a Comissão Nacional da Verdade, documentaram nesses organismos prisões ilegais, torturas, execuções e desaparecimentos forçados. Trata-se de um legado inseparável da história institucional das Forças Armadas durante o período autoritário.
A Guerrilha do Araguaia

A principal operação militar terrestre contra uma organização guerrilheira rural ocorreu na região do Araguaia. Entre 1972 e 1974, militantes do Partido Comunista do Brasil estabeleceram uma estrutura guerrilheira em uma área que abrangia o sul do Pará e do Maranhão e o norte do então estado de Goiás, atual Tocantins.
Segundo documentação preservada pelo projeto Memórias Reveladas, aproximadamente 70 militantes do PCdoB participaram do movimento, ao lado de moradores locais que se incorporaram ao grupo. As Forças Armadas realizaram sucessivas campanhas para localizar e eliminar a organização.
As primeiras operações encontraram dificuldades impostas pelo terreno, pela vegetação e pela limitada familiaridade de parte das tropas com aquele ambiente. Posteriormente, a campanha tornou-se mais sistemática, envolvendo inteligência, patrulhamento, infiltração e forças treinadas para combate na selva.
A guerrilha foi desarticulada até 1974. As operações, entretanto, deixaram um dos capítulos mais controversos da história militar brasileira: documentos oficiais e investigações posteriores registraram prisões, torturas, mortes e desaparecimentos de guerrilheiros e habitantes da região.
As lições de combate na selva
Do ponto de vista estritamente militar, o Araguaia reforçou a percepção sobre a necessidade de tropas especializadas para operar na Amazônia. Conhecimento do terreno, sobrevivência, inteligência, mobilidade fluvial, pequenas patrulhas e capacidade de atuar por longos períodos longe de grandes bases tornaram-se aspectos ainda mais valorizados.
A década contribuiu, portanto, para consolidar uma cultura operacional própria das unidades de selva brasileiras. Essa especialização se desenvolveria posteriormente até se tornar uma das características mais conhecidas internacionalmente do Exército.
Mas as lições táticas não podem ser dissociadas do contexto em que foram obtidas. O emprego da Força no Araguaia ocorreu no âmbito de uma campanha de repressão interna e permanece associado aos desaparecimentos e violações de direitos humanos reconhecidos posteriormente pelo Estado brasileiro.
Geisel e o início da distensão

A chegada do general Ernesto Geisel à Presidência, em março de 1974, abriu uma nova fase. Embora o regime permanecesse autoritário, Geisel iniciou o processo que denominou abertura “lenta, gradual e segura”, procurando simultaneamente reduzir a autonomia dos setores militares contrários à distensão.
Esse processo produziu confrontos dentro da própria estrutura do Exército. A morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do DOI-CODI do II Exército, em 1975, seguida pela morte do operário Manuel Fiel Filho em circunstâncias semelhantes em janeiro de 1976, aumentou as pressões sobre o governo e sobre o aparato repressivo.
Após a morte de Fiel Filho, Geisel afastou o comandante do II Exército, general Ednardo d’Ávila Melo. A decisão foi interpretada como uma demonstração de que o presidente pretendia restabelecer uma cadeia de comando mais rígida sobre organismos que haviam adquirido grande autonomia durante os anos anteriores.
A queda de Sílvio Frota e a disputa dentro do Exército
O conflito mais aberto ocorreu em 1977. O ministro do Exército, general Sílvio Frota, representava setores contrários à política de abertura e passou a ser visto também como possível candidato à sucessão presidencial.
Em outubro daquele ano, Geisel demitiu Frota. A decisão provocou forte repercussão porque envolvia o afastamento do próprio ministro do Exército por um presidente-general em meio a uma disputa sobre os rumos do regime e a sucessão presidencial.
O episódio demonstrou que a instituição não constituía um bloco político homogêneo. Havia diferenças importantes entre grupos identificados com a continuidade de uma linha mais dura e aqueles que aceitavam uma retirada gradual dos militares do comando direto da política.
A década que começara com o Exército no auge de sua influência terminava, portanto, com uma discussão cada vez mais evidente sobre como e quando o regime deveria devolver o governo aos civis.
1977: o fim do Acordo Militar com os Estados Unidos

Ao mesmo tempo em que controlava disputas internas, o governo Geisel buscava ampliar a autonomia externa brasileira. Um dos acontecimentos de maior simbolismo foi a denúncia, em 1977, do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos firmado originalmente em 1952.
Estudos publicados pela Fundação Alexandre de Gusmão relacionam a decisão à intenção de diminuir a dependência brasileira em relação a equipamentos militares norte-americanos e ampliar a capacidade de desenvolver tecnologias próprias.
O rompimento não significava uma mudança de campo na Guerra Fria. O Brasil permanecia anticomunista e integrado politicamente ao Ocidente, mas procurava diversificar fornecedores e aumentar sua liberdade de ação em política externa e defesa.
A expansão de Engesa, Avibras, Embraer e IMBEL encaixava-se nessa estratégia. O país desejava deixar gradualmente a condição de simples consumidor de armamentos importados e adquirir capacidade para projetar, fabricar e exportar parte crescente de seus próprios sistemas.
Do equipamento da Segunda Guerra aos blindados nacionais
Vista materialmente, a mudança ocorrida durante a década foi considerável. Em 1970, estudos apontavam que parte importante do arsenal ainda tinha raízes nos fornecimentos norte-americanos realizados desde a Segunda Guerra Mundial.
Ao final do período, Cascavel e Urutu já representavam uma nova geração de veículos nacionais; a IMBEL havia sido organizada; a estrutura de brigadas estava consolidando-se; e a indústria brasileira começava a conquistar clientes externos.
Isso não significava que o Exército tivesse se transformado numa força tecnologicamente equivalente às maiores potências militares. Permaneciam limitações em defesa antiaérea, comunicações, artilharia, logística e modernização de carros de combate.
Mas a direção havia mudado. A prioridade deixava de ser simplesmente absorver material disponível no exterior e passava a incluir a capacidade nacional de especificar, desenvolver e produzir equipamentos adaptados aos requisitos brasileiros.
1979: começa o governo Figueiredo
Em março de 1979, outro general do Exército, João Baptista Figueiredo, assumiu a Presidência. O país entrava na fase final do regime iniciado em 1964, enquanto o processo de abertura política passava a dominar progressivamente a agenda nacional.
Naquele ano seria aprovada a Lei da Anistia e o sistema político começaria a avançar novamente em direção ao multipartidarismo. A estrutura militar continuava exercendo enorme influência sobre o Estado, mas o contexto era muito diferente daquele existente no início da década.
A luta armada das organizações de esquerda havia sido praticamente eliminada. Ao mesmo tempo, cresciam movimentos sindicais, organizações civis, demandas por liberdade política e pressões para a normalização institucional.
O Exército entraria nos anos 1980 diante de uma nova questão: preservar sua modernização profissional e seus projetos estratégicos enquanto sua participação direta na condução do governo começava gradualmente a aproximar-se do fim.
Uma década decisiva para o Exército moderno
Sob o ponto de vista organizacional e tecnológico, poucas décadas foram tão importantes para a formação do Exército Brasileiro contemporâneo quanto os anos 1970.
Foi nesse período que a brigada se consolidou como Grande Unidade fundamental; que a mecanização ganhou novo impulso; que tropas de selva assumiram maior importância; que a engenharia militar participou de grandes projetos de integração territorial; e que a relação entre o Exército e a indústria nacional produziu veículos como o Cascavel e o Urutu.
A criação da IMBEL e o crescimento da Engesa simbolizaram ainda uma ambição de autonomia industrial que alcançaria seu auge nos anos 1980. Pela primeira vez, o Brasil começava a ser observado internacionalmente não apenas como importador, mas também como fornecedor relevante de material militar.
Politicamente, entretanto, o balanço é muito mais complexo. O mesmo Exército que se modernizava e ampliava sua capacidade operacional ocupava posição central em um regime autoritário e em estruturas de repressão responsáveis por graves violações de direitos humanos reconhecidas posteriormente pelo próprio Estado brasileiro.
Essa dupla dimensão é essencial para compreender a instituição naquele período. O Exército dos anos 1970 foi simultaneamente uma força em profunda modernização militar e um dos principais sustentáculos da ditadura.
Ao terminar a década, já estavam lançadas diversas bases organizacionais, industriais e estratégicas que moldariam a Força Terrestre nas décadas seguintes. Também começava, porém, o longo processo que levaria o Exército a deixar o centro do poder político e a retornar, após a redemocratização, ao papel institucional definido dentro de uma nova ordem constitucional.■
FONTES: Exército Brasileiro/Biblioteca Digital do Exército; Ministério da Defesa; Ipea; Fundação Alexandre de Gusmão; Arquivo Nacional/Memórias Reveladas; Comissão Nacional da Verdade; Fundação Getulio Vargas e estudos acadêmicos sobre a modernização e a indústria de defesa brasileira.








Um crescimento apoiado por dívidas, o erro,com capital estrangeiro,com a crise do petróleo, estrangulou a economia do Brasil e desmoronou o regime.
E hoje é diferente?
Hoje não mais recebemos a enviada do FMI com sua pastinha para nos dar lições de como devemos escorchar a população para o pagamento da dívida.
Os juros do FMI eram de cerca de 4% ao ano. Hoje escorcham a população com a SELIC de 14% ao ano.
Esqueceu de considerar a variação do câmbio no calculo da operação da divida externa né? Isso é o basico de economia.
A taxa de juros é uma resposta ao gasto excessivo do governo, sem a receita para bancá-lo. Forçar o juros para baixo não vai atrair investimentos nem estimular a economia. Elas diminuem quando se equilibram as contas do governos.
Você deveria se lembrar de quando a Dilma estava na presidência e podia mexer na selic e o que aconteceu depois.
Assunto complexo, mas…basicamente ter dívida soberana (em moeda própria) sempre foi pré-requisito para não ser entendido como país subdesenvolvido. Não existe essa comparação de pagar taxa ao FMI com Selic. Dívida soberana é como se você pegasse dinheiro do seu bolso e depois você faria um esforço para repor, no caso de endividamento externo é você devendo para o agiota. Nenhum país virou potência alavancando-se com divida externa, isso não existe.
Lembre que o FMI NÃO obrigou jamais o Brasil a solicitar empréstrimos, tomamos porque quisemos. E quando você pede, se sujeita as regras de quem emprestou, do contrário não recebe mais.
Não obriga, mas se vc não pegasse dinheiro, naquela época, teria uma série de ‘restrições’ no cenário internacional.
Algo um pouco mais light que o Trump faz hoje.
E outra,
Muito provavelmente, os Governos ocidentais estimulavam golpes de Estado para colocar no poder pessoas que fariam esses empréstimos.
Lembre-se que ser credor é uma forma de dominação sobre outro.
E entre países é a mesma coisa.
E as potências ocidentais adoram isso
Você tem razão. De fato, o FMI não obrigou o Brasil a solicitar empréstimos. O que obrigou o Brasil a solicitar empréstimos foi a divida externa, que alguns chamavam de eterna. Dívida esta que foi contraída por governos que deixaram a batata quente para ser paga pelas futuras gerações. Essa dívida externa que manietou o Brasil durante anos só veio a ser quitada entre 2005 e 2006 quando o Brasil acumulou reservas internacionais que até hoje dão suporte e segurança econômica com nossos parceiros comerciais internacionais.
Hoje e o próprio estado que faz esse serviço de escorchar a população kkk
Como se antes não fosse o “estado” a praticar o arrocho do salário mínimo. Eu não ficaria fazendo kkk diante do que ocorreu e do que ocorre.
É, está em real, a crise de Suez foi um golpe mortal para o regime, Ormuz,nossa divida esta suportando.
Ia responder a mesma coisa kkkkk
Diferença é que hoje o brasil mudou nada na última decada ao contrario daquela época.
Hoje fazemos dívidas sem crescimento e o dinheiro ninguém viu kkkk
Perfeito delírios como Angra, transamazonica, que custaram infinita vezes mais. Fora a ditadura, DOPS, assassinatos, sequestros.
Aos defensores da ditadura, agradeçam por viver em democracia para escrever lixos como esses.
Estou denunciando esse link e matéria para o MP.
Ninguém defende ditadura. Só gente burra ou demente . Todavia aquele período deve ser analisado de forma fria e levando em conta todo o contexto da guerra fria . Grande parte dos que criticam e distorcem os fatos amam ditaduras da esquerda .
Qualquer lado que assumisse o poder seria ditatorial, nem um poder dominante entrega a chave da ” suíte” sem lutar.
O Brasil saltou da economia 50 para oitava economia mundial em menos de 20 anos . Mas o Enzo da internet seguidor do PTeba que sabe das coisas .
Foi uma economia de vôos de galinha, único governo que entregou de fato foi Vargas.
A matéria fala do EB.Mas as Forcas Armadas foram muito importantes na luta contra os comunistas na época. Já pensou se essa gente tivesse êxito e o Brasil ficando na situação da URSS, Cuba, Venezuela e o restante do bloco comunista?
Destes citados somenta a chinesa foi triunfal,das 10 maiores empresas chinesas,9 vem do “Grande salto adiante”.
A China teve a oportunidade de ver a ruína deles e corrigir a rota a tempo.Se não tava na mesma situação também.
O BR jamais se tornaria comunista. Não havia condições mínimas para isto. Ao final da IIGM, o PCB tinha entre suas fileiras, militares, escritores como Jorge Amado e Graciliano Ramos, e físicos renomados como Mário Echenberg, porém no auge o partidão não conseguia mais do que 20% do eleitorado. Este foi o índice que conquistou nas primeiras eleições do pós guerra, e logo depois foi posto na ilegalidade, uma gentileza de Dutra, o marechal presidente, à Truman, presidente norte americano à época.
A esmagadora maioria dos sindicatos eram controlados pelo PTB getulista,
, e Getúlio podia ser tudo, estancieiro, autoritário, populista, menos comunista.
Getúlio era contra a estatização da economia. Foi convencido à criar a CSN e a Petrobras, porque não havia nenhum empresário nacional com “bala na agulha”, disposto a investir pesado nesses ramos e se o fizesse, fatalmente cairia em mãos estrangeiras. De resto, tudo era particular, das comunicações ao transporte ferroviário e a nascente industria automobilística. Aliás, foram os militares da ditadura que estatizaram depois estes setores, menos a indústria de transformação. A Embraer, aliás, nasceu estatal.
A repressão, na intensidade que teve, objeto da reportagem, combatia minúsculos agrupamentos de militantes, que nunca tiveram apoio popular, na cidades ou no campo. Os camponeses pobres do BR queriam terra para si próprios, daí o apoio à reforma agrária, mas jamais lhes passou pela cabeça se tornarem empregados em fazendas estatais como na URSS.
Sim.Verdade.
Nunca existiu ameaça comunista. A tal guerrilha do Araguaia se resumia a um bando de malucos sem suporte externo e armados com revólveres e armas de caça, que serviu apenas como narrativa para endurecer e tentar perpetuar o regime. Quando a narrativa das guerrilhas esfriou os generais fabricaram o infame atentado do Riocentro.
Não. Havia muitas movimentações e dinheiro vindo da URSS – cuba . Infelizmente hoje a esquerda reescreve a história como ela quer e minimiza os seus radicalismos da época .
A URSS cessou o suporte logo no início pois sabia que era desperdício de recursos.
O único país socialista que apoiou a luta armada no Brasil foi a “poderosa” Albânia.
Os militantes brasileiros nunca receberam armamento do exterior.
Os “Comunistas da Época” não passavam de espantalhos disseminados pelos EUA que viam comunistas até debaixo da cama. Nós aqui compramos essa paranoia e chamamos dois latifundiários, Jango e Brizola, de perigosos comunistas. O fim dessa história conhecemos todos.
Aliás, o espantalho está de volta. Sempre servindo para justificar o injustificável.
Diga isso pra Cuba, Venezuela e Nicarágua .
Não dá para colocar uma etiqueta única em todos esses países. Cada país é uma coisa diferente. Em comum possuem uma história de séculos de estruturas sociais violentas e complexas. Os Batistas, os Somozas não eram os mesmos, mas faziam parte dessa estrutura, a qual sempre teve apoio dos EUA. Os processos que se seguiram foram diferentes. Mas por que apontar o dedo para Cuba, Venezuela e Nicarágua e esquecer convenientemente de Haiti dos Duvaliers, de Porto Rico, e de El Salvador? Este último, hoje, parece ser modelo para alguns. Venezuela? Hoje colônia dos EUA, também parece ser modelo. Comunistas? Só Cuba. E, ainda assim, cabe a cada país encontrar os mecanismos próprios para resolver suas contradições e conflitos sociais centenários.
Foi talvez Simon Bolivar que certa vez afirmou que o Equador é um convento, a Venezuela, um quartel, e a Colômbia, uma universidade…
Tratar desiguais, igualmente é um desastre .
Brizola tinha até ligas camponesas armadas meu caro . O problema é que o Brasil é um país continental e muito perto dos EUA geograficamente para tomarem o poder .
Sim. Para desapropriar as fazendas dele, Brizola, e a de seu cunhado, Jango?
Brizola defendia revolução comunista abertamente. Jango sim era só gogó, inflado pelo Brizola e outros da esquerda. Mas foi levado a radicalizar o discurso . JK pediu pra Jango declarar publicamente que não era comunista e nunca apoiaria uma revolução comunista . O burro não quis . Tomou tufo. O cara ainda foi visitar a China em plena Guerra fria . Ao contrário do seu padrinho Vargas , Jango não tinha habilidade política .
Cuba está a menos de 200 milhas do litoral da Florida. Tome tento. Não se ganha uma revolução, se não houver condições objetivas para isto. Cuba era um enorme prostíbulo dos mafiosos da cosa nostra italo americana . Assista a trilogia do Poderoso Chefão, e saberá como as coisas operavam em Cuba no tempo do ditador Fulgêncio Batista e suas ligações com a máfia. A revolução dos irmãos Castro e de Chê Guevara tinham maciço apoio popular. A situação era insustentável.
Brizola não tinha influência sobre as ligas camponesas. Sua influência era sobre os sindicatos urbanos sob a direção do PTB. Francisco Julião era o grande influenciador das ligas camponesas.
Já pensou ter um filho(s) com ideais comunistas e ele ter morrido na luta contra as forças de segurança da época? E o pobre não teve oportunidade de ficar vivo ver a ruína dos países que adotaram o comunismo como forma de governo?
Por outro lado, os que estavam do kado capitalista sobreviveram para ver o começo da ruína dos países ocidentais e a ascensão da China.
Ironia do destino
Derrocada de quem mesmo?
Quer começar o passeio?
Sugiro que visite uma das milhares de empresas da Alemanha que fecharam as portas
Mas, cuidado!
Nesses tempos de crise por lá, vc certamente não será bem recebido.
A xenofobia logo aparece entre eles.
Mas não se preocupe.
A situação por lá não vai melhorar.
Segundo o Departamento de Estatística da Alemanha, 24.000 empresas do País fecharam as portas apenas 2025.
Seria isso uma crise?
Se não for, deixa assim que está bom demais.
China depende do mercado consumidor ocidental. Só pra avisar !!!
Com um bilhão e quatrocentos milhões de habitantes com capacidade de consumo, essa dependência não parece ser tão grande assim. Eu diria que há interdependência. Todos dependem de todos. Uns mais, outros menos.
Está equivocado, apesar da população da China ser grande , o poder de compra de um europeu principalmente ocidental e de um estadunidense ou canadense , são bem maiores que de um chinês . Antes da China se tornar a fábrica do mundo , a indústria estava espalhada por outros países. A China atraiu pela mão de obra barata e incentivos estatais fortes .Em suma, a China precisa muito do ocidente , mas o ocidente conseguiria se virar sem a China.
Comunismo é utupia o “irmão” avesso do ancap.
Apoiadores vivem no mundo da fantasia,que no mundo real não há espaço de ação para esses 2.
Sim.Sempre foi assim.
Obrigado exército por livrar o Brasil do Comunismo, fizeram o diabo pra fazer do Brasil um Cubão. Não conseguiram e guardam mágoas até hoje . Obviamente, erraram ao instalar um regime ditatorial.
O ponto de vista do general Sílvio Frota é muito interessante, acho que o livro dele, Ideais Traídos, merecia uma analise pela trilogia.
Esse foi um Exército que encheu o povo brasileiro de orgulho, nos livrou do comunismo e foi decisivo para o exílio do lixo ideológico. O de hoje é de dar pena! Liderança zero! Quatro estrelas escondidos embaixo das mesmas mesas onde sentaram verdadeiros Comandantes, sob a comoda alegação da hierarquia, disciplina, respeito às instituições e à “democracia”.
Militares honrados, legalistas, que impediram mais um golpe, são pejorativamente chamados de melancias. Hierarquia, disciplina, respeito às instituições, e democracia são considerados como comodismo. Quanta distorção de valores!
Golpe aconteceu quando soltaram Lula só pra concorrer com Bolsonaro.
Coloque- se no lugar de D.Pedro II. O exército nacional surgiu pelas suas mãos, da necessidade da guerra externa. Era preciso ir além da guarda nacional imperial, cujo os integrantes eram em sua maioria da elite agrária. Era preciso um exército de voluntários, pobres, negros, escravos, camponeses pobres do sertão. Ao final da guerra do Paraguai havia um exército cujo os oficiais acreditavam que o império lhes devia consideração e deferência. Obviamente D.Pedro II e seus aulicos não pensavam assim. Era bem ao contrário. Então, resolveram lhe dar um golpe, tipo o cachorro que morde a mão do dono que os alimenta. Implantaram uma República militarista onde eram os protagonistas principais, até que a elite agrária do café os ” podasse” novamente, sem,no entanto, nunca se renderem ao poder civil, quer em sua ala esquerda, quer em sua ala direita. Voltaram ao protagonismo com Getúlio, outro estancieiro, agora do sul, que ao final, como D.Pedro II, foi traído por eles. Com a ditadura de 64 chegaram ao auge que sempre quiseram, donos absolutos da República, e assim permaneceram por longos 20 anos, até que contradições internas, e a gestão absolutamente ruinosa da economia, além dos escandalos financeiros sucessivos, os desmoralizassem perante a opinião pública. Ter Paulo Maluf como seu último candidato e defensor, mostrou o quanto os militares no poder se desgastaram.
No entanto, a febre do poder, a rebeldia sobre o poder civil sempre rondou e ronda os quartéis, algo inscrito no DNA da instituição, e que perdurará ainda por muitas décadas.
Pois é, Paulo. Ao longo da história pudemos constatar em todas as “Crises Militares” que, Republicanos x Monarquistas, Anticomunistas x Comunistas, Direitistas x Esquerdistas, sempre foram o disfarce empregado para aquilo que realmente sempre foi: Golpistas x Legalistas. Ainda que a Monarquia não se justificasse mais, a sua derrubada, um pouco mais de um ano e meio após a promulgação da Lei Áurea, diz muita coisa sobre a ocasião, sobre o método empregado e sobre o tipo de governo que imediatamente sucedeu à queda do Império. Esse DNA que você menciona ainda se encontra presente em setores não comprometidos com o Poder Civil.
O EB ta com moral que essa semana um Coronel do Exército no Ceará foi preso por um GCM e outro fato nada a vê ate VTR da PRV foi roubada
A esquerda já dominou quase tudo. Universidades, judiciário, ministério público , etc. Somos um país em processo de desindustrialização faz décadas. Bolsonarismo é só uma reação a isso , liberalismo econômico, conservadorismo e patriotismo. Todavia há aparentes contradições. Existe uma visão de mundo de que há uma luta internacional, globalistas que dominam a esquerda moderna e usam a ONU como fantoche contra os movimentos nacionais conservadores. Nesta visão de mundo , os EUA são o único super Power capaz de pender a balança global para Direita, a ONU já é toda dominada, a China só quer vender produtos , e a Rússia tem poder militar mas pouco econômico e cultural .
E pensar que mesmo 60 anos depois parte desse equipamento das fotos ainda é usado kkkk
Foi um período importante para o Brasil, mas os militares não tomaram a principal decisão para tornar o país uma potência, abriram mão da força nuclear. Naquela época ainda havia espaço para buscarmos o seguro de integridade territorial, força final que estes artefatos garantem. Tomara que não, mas podemos pagar muito caro por essa decisão que não foi tomada.