O Milagre Econômico brasileiro: como o país cresceu mais de 11% ao ano — e por que o ciclo chegou ao fim
Hidrelétrica de Itaipu construída em 1975, resultado da projeção desenvolvimentista dos militares
Entre 1968 e 1973, o Brasil viveu uma das maiores expansões econômicas de sua história. O PIB avançou, em média, 11,1% ao ano, a indústria cresceu ainda mais rapidamente e as exportações dispararam. O chamado “Milagre Econômico”, porém, não surgiu do nada: foi sustentado pelas reformas de 1964-1967, pela expansão do crédito, pelo investimento estatal, pelo capital estrangeiro e por uma conjuntura internacional excepcionalmente favorável. O choque do petróleo de 1973 revelou as vulnerabilidades de um modelo cada vez mais dependente de importações e financiamento externo
Poucos períodos da história econômica brasileira despertam avaliações tão contrastantes quanto o chamado Milagre Econômico. Entre 1968 e 1973, o Produto Interno Bruto cresceu a uma média de aproximadamente 11,1% ao ano, desempenho excepcional mesmo quando comparado aos períodos de maior expansão das grandes economias industriais.
O crescimento acelerou de 9,8% em 1968 até atingir 14% em 1973, segundo séries históricas posteriormente consolidadas. Ao mesmo tempo, a inflação medida pelo IGP recuou de 25,5% para 15,6% entre as duas pontas do período. A combinação de crescimento de dois dígitos com desaceleração dos preços criou a impressão de que o Brasil havia encontrado uma fórmula duradoura de desenvolvimento.
Mas o “milagre” propriamente dito não começou com o governo do general Emílio Garrastazu Médici, em 1969. Suas bases haviam sido construídas alguns anos antes, durante o governo Castelo Branco, quando uma profunda reforma fiscal, financeira, trabalhista e institucional foi implementada pelo Programa de Ação Econômica do Governo, o PAEG.
O resultado foi uma combinação peculiar de estabilização econômica, intervenção estatal, expansão do crédito, grandes investimentos públicos e privados, incentivos às exportações e crescente integração ao sistema financeiro internacional.
Antes do milagre, uma economia em crise
O Brasil entrou na década de 1960 carregando desequilíbrios acumulados durante o processo de industrialização acelerada dos anos anteriores. A inflação aumentava rapidamente, as contas públicas estavam pressionadas, o balanço de pagamentos enfrentava dificuldades e a economia perdeu dinamismo nos primeiros anos da década.
Depois da mudança de regime em 1964, o governo Castelo Branco adotou uma política de estabilização que implicou custos importantes em termos de crescimento. Entre 1964 e 1967, o PIB avançou, em média, apenas 4,2% ao ano, contra os 11,1% que seriam registrados entre 1968 e 1973.
A estratégia estava associada principalmente aos ministros Roberto Campos, no Planejamento, e Octavio Gouvêa de Bulhões, na Fazenda. O objetivo era reorganizar uma economia cuja estrutura institucional ainda era considerada inadequada para financiar uma industrialização de grande escala.
O PAEG pretendia combater a inflação, reduzir o déficit público, reorganizar o sistema tributário, criar um mercado financeiro mais desenvolvido e reformular mecanismos de financiamento de longo prazo. Estudos posteriores identificariam essas reformas como uma das principais bases institucionais para o crescimento que começou em 1968.
A reforma tributária aumentou a capacidade financeira do Estado
Uma das transformações mais importantes ocorreu nas finanças públicas. A carga tributária brasileira passou de aproximadamente 16% do PIB em 1963 para 21% em 1967, ao mesmo tempo em que o déficit fiscal federal caiu de 4,2% para 1,1% do PIB entre 1963 e 1966.
A reforma reorganizou impostos e introduziu mecanismos destinados a impedir que a inflação destruísse a arrecadação. Entre as mudanças esteve a substituição do antigo imposto estadual sobre vendas pelo ICM, que incidia sobre o valor adicionado durante as diferentes etapas da comercialização.
O governo passou a ter, portanto, maior capacidade para financiar investimentos sem recorrer na mesma proporção à emissão monetária responsável por alimentar parte das pressões inflacionárias.
Esse processo não significou a retirada do Estado da economia. Ao contrário: criaram-se condições para que empresas estatais e organismos públicos ampliassem investimentos em energia, transporte, telecomunicações e infraestrutura, ao mesmo tempo em que o setor privado recebia crédito, incentivos tributários e financiamento subsidiado.
Nasce o Banco Central e muda o sistema financeiro
A reforma financeira também seria fundamental. A Lei nº 4.595, de dezembro de 1964, criou o Banco Central do Brasil e o Conselho Monetário Nacional, reorganizando funções que anteriormente estavam distribuídas entre a Superintendência da Moeda e do Crédito e o Banco do Brasil.
Foi institucionalizada ainda a correção monetária por meio das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, as ORTNs. A indexação permitia proteger determinados contratos e aplicações financeiras contra a inflação, tornando possível desenvolver mercados de títulos e mecanismos de financiamento de prazo mais longo.
Também foram reorganizados o mercado de capitais, o crédito habitacional e outras estruturas financeiras. O Sistema Financeiro da Habitação mobilizou recursos para construção e aquisição de imóveis, enquanto mecanismos como FGTS, BNDE e Finame passaram a desempenhar papel importante na expansão dos investimentos.
As reformas não produziram imediatamente taxas extraordinárias de crescimento. O ajuste inicial foi duro, mas deixou uma economia com menor inflação, capacidade industrial ociosa e uma arquitetura financeira muito mais preparada para uma nova fase de expansão.
Delfim Neto muda a prioridade: é hora de crescer

Quando Costa e Silva assumiu a Presidência em 1967, Antônio Delfim Neto tornou-se ministro da Fazenda. A nova equipe concluiu que o combate mais severo à demanda havia cumprido boa parte de seu papel e que existia capacidade ociosa suficiente na indústria para permitir uma expansão econômica sem provocar imediatamente nova explosão inflacionária.
A política econômica tornou-se progressivamente mais expansionista. Crédito, moeda e financiamento ao setor privado passaram a crescer rapidamente, enquanto o governo utilizava incentivos fiscais, subsídios e investimentos públicos para estimular determinados segmentos industriais.
Os números mostram a mudança. O crescimento real médio do crédito ao setor privado passou de 7,4% ao ano em 1964-1967 para 25,4% ao ano entre 1968 e 1973. O crédito total cresceu, em termos reais, 17,4% ao ano no período do milagre.
Isso permitiu financiar empresas e, principalmente, ampliar o crédito ao consumidor. Automóveis, televisores, geladeiras e outros bens duráveis passaram a ser adquiridos por parcelas maiores da população urbana, estimulando setores industriais que já tinham capacidade instalada disponível.
Automóveis e eletrodomésticos tornaram-se motores da expansão
O crescimento da indústria de bens duráveis foi uma das características mais visíveis do período. Financiamentos mais longos, consórcios e juros controlados estimularam fortemente as vendas de automóveis e eletrodomésticos.
A indústria automobilística instalada durante o governo Juscelino Kubitschek entrou em uma nova fase de produção em massa. Volkswagen, Ford, General Motors, Chrysler e outros fabricantes ampliaram fábricas e fornecedores, multiplicando empregos ao longo de cadeias industriais inteiras.
A lógica se repetia em outros setores. Construção civil, aço, cimento, máquinas, equipamentos elétricos, bens de capital e serviços de infraestrutura acompanharam o aumento da demanda.
Entre 1968 e 1973, a indústria de transformação cresceu em média 13,3% ao ano, chegando a avançar 16,6% somente em 1973. A construção civil cresceu aproximadamente 15% ao ano, enquanto transportes e comunicações avançaram mais de 13% anuais.
O investimento chegou a mais de 22% do PIB

A taxa de investimento também aumentou consideravelmente. Entre 1971 e 1973, a formação bruta de capital fixo representou aproximadamente 21% do PIB, alcançando 22,4% em 1973.
Entre 1970 e 1973, o volume real de investimentos cresceu aproximadamente 62,9%. Empresas estatais aumentaram seus investimentos a uma taxa próxima de 20% ao ano em termos reais entre 1967 e 1973.
O Estado construía ou financiava hidrelétricas, rodovias, sistemas de telecomunicações, portos e projetos industriais. O setor público como um todo teria respondido por algo próximo da metade dos investimentos realizados na economia durante parte do período.
O BNDE também ampliou sua atuação no setor privado. A partir de 1968, mais da metade de seus financiamentos passou a ser destinada a empresas privadas, enquanto a Finame fornecia crédito de longo prazo para aquisição e fabricação de máquinas e equipamentos.
Um capitalismo privado fortemente apoiado pelo Estado
O modelo, portanto, não pode ser descrito simplesmente como liberal ou estatizante. Empresas privadas possuíam papel central no crescimento, inclusive grandes multinacionais, mas operavam em ambiente fortemente moldado por decisões governamentais.
Crédito subsidiado, incentivos tributários, proteção comercial seletiva, investimentos públicos, controles de preços e política cambial eram utilizados simultaneamente para estimular setores considerados estratégicos.
A Fundação Getulio Vargas observa que, apesar do discurso favorável ao setor privado e ao funcionamento do mercado, a proliferação de incentivos, subsídios e mecanismos de intervenção tornava o Estado fundamental para viabilizar grande parte dos investimentos privados.
Era uma economia de mercado, mas uma economia de mercado conduzida de maneira bastante ativa pelo governo.
O mundo ajudava — muito

Nenhuma explicação do Milagre Econômico está completa sem observar o que acontecia fora do Brasil.
Entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, a economia internacional atravessava um período extraordinariamente favorável. O comércio mundial crescia rapidamente, os preços das commodities aumentavam e havia abundante disponibilidade de crédito.
O comércio internacional expandiu-se aproximadamente 17,8% ao ano em dólares correntes entre 1968 e 1973. Os preços médios dos produtos primários aumentaram 14,3% ao ano entre 1970 e 1973, enquanto a inflação média nos países da OCDE ficou em torno de 6%.
Isso favoreceu diretamente um importante exportador de produtos agrícolas e minerais como o Brasil.
Ao mesmo tempo, o crescimento do mercado de eurodólares produziu grande abundância de recursos para empréstimos internacionais. Estudos econômicos calculam que o Brasil conseguiu captar recursos externos durante o período com taxas reais de juros próximas de 2% ao ano.
Exportações cresceram quase 25% ao ano
O governo aproveitou o cenário internacional adotando uma política deliberada de expansão das exportações. A partir de 1968, foram instituídas as chamadas minidesvalorizações cambiais, evitando longos períodos de valorização excessiva da moeda nacional.
Empresas exportadoras receberam incentivos fiscais, crédito e facilidades para importar máquinas e insumos. A burocracia foi simplificada e foram criados programas específicos para incentivar produtos manufaturados.
O resultado foi expressivo: entre 1967 e 1973, o valor das exportações brasileiras cresceu, em média, 24,6% ao ano, enquanto o volume físico exportado aumentou 13,1% anualmente. As vendas externas alcançaram aproximadamente US$ 6,2 bilhões em 1973.
Os manufaturados passaram a representar 31,3% das exportações naquele ano. Paralelamente, a soja aumentou sua participação de menos de 2% em 1967-1968 para 14,8% em 1973, enquanto a participação do café caiu de 42% para 27,8%.
O capital estrangeiro também chegou em grande volume

O investimento estrangeiro direto aumentou rapidamente. O fluxo anual para o Brasil ultrapassou US$ 1,1 bilhão em 1973, enquanto o estoque de investimentos e reinvestimentos estrangeiros passou de cerca de US$ 1,63 bilhão no final de 1966 para US$ 4,58 bilhões em 1973.
A indústria de transformação concentrava aproximadamente 77% desse estoque. Estados Unidos, Alemanha Ocidental, Canadá, Suíça, Reino Unido, Japão e França figuravam entre as principais origens dos investimentos.
Multinacionais encontravam no Brasil uma grande população, um mercado interno em rápida urbanização, proteção contra determinadas importações e uma política governamental interessada na expansão industrial.
Criou-se assim uma característica que marcaria o modelo brasileiro: a convivência entre capital estatal, capital privado nacional e multinacionais estrangeiras.
O Brasil crescia também porque já tinha fábricas prontas para produzir mais
Parte da velocidade do crescimento decorreu ainda de uma circunstância muito favorável: o Brasil possuía capacidade industrial instalada que estava sendo subutilizada durante a desaceleração econômica da primeira metade dos anos 1960.
Quando crédito e demanda voltaram a crescer, muitas empresas puderam aumentar rapidamente sua produção sem precisar construir imediatamente novas fábricas. Isso ajudou a produzir uma expansão muito rápida da produtividade e do produto.
Pesquisas econômicas posteriores identificaram justamente a produtividade como uma característica excepcional daquele período. Estudos de contabilidade do crescimento mostram forte aumento da produtividade total dos fatores durante o ciclo iniciado no final da década de 1960.
O “milagre”, portanto, não resultou de uma única medida. Foi a convergência entre reformas anteriores, capacidade ociosa, crédito, investimento, demanda interna, exportações, produtividade e uma conjuntura internacional muito favorável.
A renda por habitante também cresceu rapidamente
Com o PIB avançando muito mais rapidamente que a população, a renda média por habitante aumentou significativamente.
Entre 1967 e 1973, a população brasileira passou de cerca de 85,1 milhões para 99,8 milhões de habitantes, enquanto o produto per capita aumentou a uma taxa média próxima de 7,2% ao ano.
O nível de ocupação também se expandiu. Uma interpolação de dados da PNAD utilizada pela FGV indica crescimento médio de aproximadamente 4,3% ao ano no número de pessoas ocupadas entre 1968 e 1973, superior à expansão populacional.
Nesse sentido, o crescimento foi real e de grande escala. O Milagre Econômico não foi apenas propaganda: produção, investimento, emprego, exportações e infraestrutura efetivamente cresceram em ritmo extraordinário.
A controvérsia histórica está principalmente em como os benefícios desse crescimento foram distribuídos.
O outro lado do milagre: concentração de renda
A rápida expansão econômica ocorreu simultaneamente a uma forte concentração da renda.
O índice de Gini calculado a partir das informações disponíveis aumentou de aproximadamente 0,497 em 1960 para 0,562 em 1970 e 0,622 em 1972. Quanto mais próximo de 1 o indicador, maior a desigualdade.
Os 5% mais ricos aumentaram sua participação na renda de 28,3% em 1960 para 34,1% em 1970 e 39,8% em 1972. O 1% mais rico passou de 11,9% para 19,1% no mesmo intervalo.
Na direção oposta, os 50% mais pobres, que recebiam 17,4% da renda em 1960, ficaram com 14,9% em 1970 e apenas 11,3% em 1972.
Isso não significa que todos os pobres tenham ficado absolutamente mais pobres. Os próprios dados analisados pela FGV indicam que praticamente todos os grupos, exceto o decil inferior em determinadas comparações, tiveram algum aumento absoluto de rendimento real. O problema é que os ganhos foram extraordinariamente desiguais.
O arrocho salarial e a reação operária no ABC paulista

Um dos pilares mais controversos do modelo econômico implantado após 1964 foi a política de contenção dos salários. A Lei nº 4.725, de 1965, limitou a liberdade das negociações coletivas e submeteu os reajustes a uma fórmula oficial que levava em consideração a média do salário real anterior, produtividade e uma previsão de inflação definida pelo governo.
Na prática, as estimativas oficiais de inflação frequentemente ficaram abaixo da elevação efetiva dos preços, provocando perdas de poder aquisitivo. Durante o Milagre Econômico, entre 1967 e 1973, apesar do rápido crescimento do PIB, da produção industrial e da produtividade, o salário mínimo real apresentou queda ou estagnação. A FGV conclui que um trabalhador que recebeu o salário mínimo durante todo aquele período não obteve ganho de poder de compra.
A política fazia parte da estratégia de combate à chamada inflação de custos e ajudava a preservar as margens de lucro e a capacidade de investimento das empresas. Sua aplicação também foi facilitada pelo ambiente político: a legislação restringia fortemente as greves e a atuação sindical, enquanto paralisações como as de Contagem e Osasco, em 1968, foram reprimidas. Em 1970, a intervenção governamental na definição dos reajustes tornou-se permanente.
O descontentamento acumulado tornou-se mais evidente na segunda metade da década de 1970. Em 1977, a divulgação de informações sobre a subestimação da inflação oficial de 1973 levou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, presidido por Luiz Inácio da Silva, o Lula, a solicitar ao DIEESE uma avaliação das perdas. O estudo calculou em 34,1% a defasagem salarial dos metalúrgicos decorrente dos índices utilizados em 1973-1974.
A campanha pela reposição dos 34,1% ajudou a reorganizar um movimento sindical que havia permanecido sob forte controle durante quase uma década. Em maio de 1978, uma paralisação iniciada pelos trabalhadores da fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo, espalhou-se pelas grandes empresas do ABC e alcançou cerca de 150 mil metalúrgicos no Estado de São Paulo, projetando Lula nacionalmente como liderança sindical.
A onda não terminou naquele ano. O DIEESE contabiliza 112 greves em 1978 e 430 em 1979, inicialmente concentradas no ABC paulista e posteriormente disseminadas por diversas categorias e regiões do país. As reivindicações salariais — principalmente reposição de perdas e obtenção de aumentos reais — constituíam o principal elemento das mobilizações.
O resultado econômico das greves foi importante porque os trabalhadores voltaram a obter, através de negociação direta com os empregadores, reajustes superiores aos índices determinados pela política salarial oficial. Segundo estudo publicado pela Revista Ciências do Trabalho/DIEESE, as paralisações de 1978 e 1979 acabaram, na prática, por romper dois pilares da política trabalhista do regime: as restrições à greve e o controle rígido dos reajustes estabelecido desde 1965.
Isso não significa que as greves tenham recuperado imediatamente todas as perdas acumuladas durante os anos do arrocho. A inflação voltava a acelerar no final da década e os resultados variavam entre empresas e categorias. O efeito mais importante foi restabelecer a negociação coletiva como instrumento efetivo para disputar a distribuição dos ganhos de produtividade e recompor salários, depois de anos em que os reajustes haviam sido definidos essencialmente pelo Estado.
A pressão tornou-se suficientemente forte para provocar uma mudança na própria política governamental. Em outubro de 1979, já no governo João Figueiredo, foi aprovada a Lei nº 6.708, instituindo reajustes automáticos semestrais de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A legislação também abriu espaço para negociações de aumentos acima da inflação com base em ganhos de produtividade.
As greves do ABC tiveram, portanto, significado que ultrapassou as fábricas automobilísticas. Elas contribuíram para reduzir a capacidade do governo de impor unilateralmente sua política salarial, permitiram que categorias organizadas recuperassem parcelas das perdas e devolveram poder de barganha aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, transformaram Lula e o chamado “novo sindicalismo” em atores nacionais e vincularam a luta por melhores salários ao processo mais amplo de abertura política e redemocratização.
Nesse sentido, o arrocho salarial constitui uma dimensão essencial para compreender o Milagre Econômico. O país cresceu rapidamente e ampliou sua capacidade industrial, mas os ganhos dessa expansão foram distribuídos de maneira desigual. A reação operária do final dos anos 1970 foi, em grande medida, uma tentativa de fazer com que os trabalhadores recuperassem uma parcela da prosperidade que haviam ajudado a produzir durante os anos de crescimento acelerado.
Crescimento econômico durante os “anos de chumbo”

Existe ainda uma dimensão política impossível de dissociar do período. O auge do milagre coincidiu com a fase mais autoritária da ditadura militar, especialmente durante o governo Médici.
A expansão econômica ocorreu em um ambiente de forte centralização decisória, censura, repressão aos opositores e reduzida capacidade de sindicatos e movimentos sociais influenciarem a política salarial. A própria FGV observa que a necessidade de legitimar politicamente o regime foi um dos fatores que aumentaram a urgência da retomada do crescimento depois de 1967.
O desempenho econômico tornou-se também importante elemento da narrativa oficial do governo, reforçada pelo nacionalismo associado à conquista da Copa do Mundo de 1970 e pela ideia de um Brasil destinado a tornar-se uma grande potência.
Esse contexto ajuda a explicar por que a interpretação histórica do período continua tão polarizada: os impressionantes números econômicos coexistiram com repressão política e crescente desigualdade de renda.
A primeira vulnerabilidade estava nas importações
Enquanto as exportações aumentavam rapidamente, as importações cresciam ainda mais.
Entre 1967 e 1973, seu valor aumentou em média 27,5% ao ano, contra 24,6% das exportações. O volume importado cresceu cerca de 18,3% anualmente.
Isso ocorria porque uma economia crescendo a mais de 10% ao ano precisava importar máquinas, equipamentos, matérias-primas, insumos industriais e, sobretudo, petróleo.
A balança comercial, fortemente positiva entre 1964 e 1966, permaneceu superavitária entre 1967 e 1970, passou ao déficit em 1971 e 1972 e voltou aproximadamente ao equilíbrio em 1973.
O crescimento começava, portanto, a tornar o país cada vez mais dependente da capacidade de importar.
A segunda vulnerabilidade era a dívida externa

O crédito internacional abundante parecia inicialmente uma vantagem quase sem custos. Bancos internacionais estavam dispostos a emprestar, as taxas eram baixas e o Brasil acumulava reservas cambiais.
A dívida externa bruta de médio e longo prazo, entretanto, passou de aproximadamente US$ 3,67 bilhões no final de 1966 para US$ 12,57 bilhões em 1973. A dívida líquida aumentou de US$ 3,25 bilhões para US$ 6,16 bilhões.
A diferença entre dívida bruta e líquida se explica em boa parte pela forte acumulação de reservas, que chegaram a aproximadamente US$ 6 bilhões no final de 1973.
Naquele momento, porém, a dívida não parecia ameaçadora. As exportações estavam crescendo tão rapidamente que a relação entre dívida externa líquida e exportações caiu de cerca de 2,0 em 1968 para 1,4 em 1973, o menor nível observado na longa série analisada posteriormente por pesquisadores.
Esse aparente conforto ajudou a mascarar a vulnerabilidade que surgiria quando as condições internacionais mudassem.
E então veio outubro de 1973
O choque ocorreu depois da Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973. A restrição da oferta internacional promovida pelos países produtores provocou uma elevação brutal dos preços do petróleo.
Em apenas alguns meses, o preço internacional do barril passou de pouco menos de US$ 3 para aproximadamente US$ 12, praticamente quadruplicando.
O problema para o Brasil era particularmente grave. Durante a década de 1970, aproximadamente 70% do petróleo consumido internamente dependia de importações.
A despesa brasileira com petróleo importado saltou de cerca de US$ 469 milhões em 1973 para US$ 2,8 bilhões em 1974. Em apenas um ano, um dos principais insumos da economia passou a exigir bilhões adicionais em moeda estrangeira.
O “milagre” terminou, mas o crescimento não parou imediatamente
É importante fazer uma distinção. O choque do petróleo encerrou as condições que haviam permitido o Milagre Econômico, mas a economia brasileira não entrou imediatamente em recessão.
O governo Ernesto Geisel, iniciado em 1974, decidiu evitar um ajuste recessivo imediato. Em vez de reduzir drasticamente o crescimento e as importações, lançou o II Plano Nacional de Desenvolvimento, buscando ampliar a produção doméstica de petróleo, aço, produtos petroquímicos, fertilizantes, bens de capital e outras áreas consideradas estratégicas.
O país continuou crescendo em boa parte da segunda metade dos anos 1970, mas sob condições diferentes. A expansão passou a depender muito mais de grandes investimentos, importações e financiamento externo.
A literatura econômica costuma chamar essa estratégia de “marcha forçada”: o Brasil tentou atravessar a crise internacional investindo para substituir importações e modificar sua estrutura produtiva.
A conta do petróleo passou a ser financiada com dívida
Curiosamente, o próprio choque do petróleo criou enorme liquidez financeira internacional.
Os países exportadores passaram a depositar suas receitas extraordinárias nos grandes bancos internacionais, que precisavam emprestar esses chamados petrodólares. Países como o Brasil tornaram-se importantes tomadores.
A dívida externa líquida brasileira, que estava em torno de US$ 6 bilhões no final de 1973, alcançou aproximadamente US$ 32 bilhões no final de 1978.
Durante alguns anos, foi possível financiar déficits externos e manter grandes projetos. Mas a economia havia se tornado muito mais exposta às taxas internacionais de juros e à disposição dos bancos estrangeiros de continuar refinanciando a dívida.
Aquilo que era uma facilidade durante a época de dinheiro barato transformaria-se em um enorme problema no início da década seguinte.
A inflação também estava voltando
Mesmo antes do choque do petróleo, já existiam sinais de superaquecimento.
Os controles governamentais de preços dificultavam a leitura da inflação efetiva. A FGV registra que o índice oficial inicialmente atribuído a 1973 seria posteriormente revisto: o IGP-DI daquele ano passou de uma estimativa de 15,7% para 19,3%.
Depois do choque petrolífero, a situação piorou rapidamente. Uma nota técnica do Banco Central registra que o IGP-DI passou aproximadamente de 15% para 35% entre 1973 e 1974.
O país havia perdido uma das características que tornara o milagre tão impressionante: a capacidade de combinar crescimento acelerado com inflação em trajetória descendente.
O golpe final viria no fim dos anos 1970
A estratégia de continuar crescendo mediante endividamento funcionou enquanto havia crédito internacional abundante e relativamente barato.
Em 1979, porém, ocorreu o segundo choque do petróleo. Ao mesmo tempo, a política monetária dos Estados Unidos tornou-se drasticamente mais restritiva, levando a uma forte alta das taxas internacionais de juros.
Para um país altamente endividado e dependente de petróleo importado, a combinação foi extremamente severa: aumentava simultaneamente o preço da energia e o custo de pagar a dívida.
No início dos anos 1980, a crise internacional da dívida atingiria a América Latina. O Brasil perderia acesso fácil ao financiamento externo e seria obrigado a realizar um ajuste econômico que contribuiu para recessão, inflação crescente e a chamada “década perdida”.
Assim, embora o Milagre Econômico tenha terminado em 1973, algumas das vulnerabilidades acumuladas durante aquele ciclo — e principalmente durante a tentativa posterior de preservar seu ritmo de desenvolvimento — seriam sentidas por muitos anos.
Afinal, houve realmente um “milagre”?
Do ponto de vista estatístico, o desempenho foi extraordinário.
Crescer 11,1% ao ano durante seis anos consecutivos, alcançar 14% em 1973, elevar a indústria de transformação a uma média de 13,3% e fazer as exportações aumentarem quase 25% ao ano constituem resultados excepcionais.
Mas a própria palavra “milagre” pode sugerir algo inexplicável. E, na realidade, existem explicações bastante concretas.
O Brasil chegou a 1968 depois de reformas fiscais e financeiras profundas, com capacidade industrial ociosa e inflação em queda. A partir daí, o governo acelerou crédito e investimentos, estimulou bens duráveis e exportações, construiu infraestrutura e utilizou empresas estatais e bancos públicos como instrumentos de desenvolvimento.
Tudo isso coincidiu com uma economia mundial em expansão, commodities valorizadas, comércio internacional crescendo rapidamente e dinheiro estrangeiro abundante e barato.
Foi uma combinação dificilmente repetível.
Um crescimento impressionante, mas não sustentável naquele ritmo
Uma pesquisa econométrica publicada na Revista Brasileira de Economia concluiu que as reformas implementadas entre 1964 e 1967 tiveram efeito importante e defasado sobre o crescimento do período seguinte. O estudo também indica que seria improvável manter indefinidamente taxas próximas às observadas durante o milagre.
Mesmo mantendo condições favoráveis, o crescimento da renda por habitante tenderia a retornar para níveis da ordem de 5% a 6% ao ano, segundo as estimativas do trabalho. O desempenho excepcional de 1968-1973 continha, portanto, elementos de recuperação cíclica que não poderiam repetir-se permanentemente.
O choque de 1973 tornou essa desaceleração muito mais abrupta ao deteriorar os termos de troca, elevar os custos de importação e modificar profundamente o ambiente internacional.
A experiência brasileira demonstra uma característica recorrente dos grandes ciclos econômicos: resultados domésticos excepcionais normalmente combinam decisões internas e circunstâncias internacionais favoráveis.
O legado do Milagre Econômico
O período deixou uma economia muito maior e mais industrializada. Ampliaram-se a infraestrutura energética, rodoviária e de telecomunicações, a produção industrial, o mercado consumidor urbano, a capacidade exportadora e a integração do país aos fluxos internacionais de capital.
Parte da estrutura produtiva criada ou ampliada naquele período continuaria servindo de base para a economia brasileira durante décadas.
Mas o milagre também deixou contradições: forte concentração de renda, salário mínimo pressionado, elevada intervenção governamental, crescente dependência de petróleo importado e um processo de endividamento externo que se aprofundaria dramaticamente depois de 1973.
Por isso, interpretá-lo simplesmente como prova de sucesso absoluto ou como mera ilusão propagandística produz duas caricaturas.
O crescimento existiu e foi extraordinário. A industrialização existiu. O emprego aumentou. As exportações cresceram. A infraestrutura avançou. Mas os benefícios foram distribuídos de maneira muito desigual e o ritmo de expansão dependia de condições domésticas e internacionais que não poderiam durar indefinidamente.
Quando o petróleo quadruplicou de preço em 1973, a fragilidade tornou-se evidente.
O Brasil havia construído uma máquina econômica capaz de crescer a uma velocidade impressionante. O problema era que essa máquina precisava cada vez mais de petróleo importado, equipamentos estrangeiros e financiamento internacional.
Enquanto esses três elementos eram baratos e abundantes, o país crescia a taxas que pareciam justificar a palavra “milagre”.
Quando deixaram de ser, o milagre terminou e começou a chegar a conta.
FONTES: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Banco Central do Brasil; Fundação Getulio Vargas/Atlas Histórico do Brasil; Revista Brasileira de Economia e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).







Cresceu isso tudo pq era um país muito pobre, aí um modesto ganho de riqueza é um grande ganho proporcional.
Continuamos um pais pobre…
E ainda com um bonus de mais grana concentrada nas mãos dos mais ricos.
Um crescimento onde benefíciou a elite enquanto o povo estava cada vez mais empobrecido. Sempre foi um sonho distante o pobre ter um carro ou luxos dos eletrodomésticos que so a classe média e alta tinha acesso.
e ainda agora temos o envelhecimento da população, sem ter nos tornado um pais rico
O Brasil não é pobre, somos a oitava economia do mundo. O país é desigual!
O crescimento econômico é fundamental, mas seu verdadeiro valor está na capacidade de melhorar a vida da maioria da população. Não basta fazer a economia crescer se os benefícios ficam concentrados nas mãos de poucos. Durante muito tempo, repetiu-se no Brasil a ideia de que era preciso primeiro “fazer o bolo crescer” para depois dividi-lo. Na prática, porém, essa divisão nunca aconteceu de forma justa, enquanto parte significativa da riqueza acumulada pelas elites foi protegida em paraísos fiscais, distante da tributação e da sociedade que ajudou a produzi-la.
A força do mercado consumidor é, inclusive, um instrumento de poder. Trump procura utilizar o acesso ao mercado norte-americano como forma de pressionar outros países, embora esse mercado já tenha representado uma parcela bem maior da economia mundial. Nos Estados Unidos, a expansão da classe média entre as décadas de 1950 e 1960 ajudou a criar um mercado interno poderoso. No Brasil, ao contrário, grande parte dos ciclos de crescimento foi apropriada pelas elites econômicas, sem que seus frutos fossem distribuídos na mesma proporção entre os trabalhadores. Isso ajuda a explicar por que o país apresenta alguns indicadores típicos de uma economia rica, ao mesmo tempo em que convive com desigualdades e carências próprias de países ainda em desenvolvimento. O desenvolvimento brasileiro precisa servir, antes de tudo, à sua população, e não apenas à acumulação de riqueza por uma pequena parcela da sociedade. E isso passa por politica!
Igual vc ter um capital de 100 reais e achar 50 reais na rua. Vc cresceu 50%.
E agora somos ricos e o que crescemos? Qual grande obra foi construída após?
O Projeto de Integração do Rio S. Francisco, também chamado de Transposição do RSF, não foi a única, mas talvez seja a mais importante e significativa para uma das regiões mais castigadas pelo clima e pelo abandono político.
Hoje temos o milagre do populismo…aumento significativo da carga tributária, recorde de arrecadação e gastos do governo. Aumento da inadipencia e dívidas, recorde de fechamento de empresas e recuperação judicial .
Ocorrendo uma nova desustrializacao e o estado de vez de atua como parceiro do capitalismo privado e hoje um verdadeiro inimigo dele.
E o pior o poder de comprar do brasileiro derretendo. 100 reais hoje equivale a 18 reais no ano de 2000.
Mais alguns vão falar que antes tinha mais inflação, nao esqueçam que o método de calcular a mesma foi modificada e se adotassem como era antes provalvemente nossa inflação estaria na casa dos dois dígitos. So de comparação se adotassem o modelo argentino ou do Uruguai nossa inflação seria muito maior
Brasil está derretendo enquanto vemos imprensa aliada do governo dizer que é apenas uma sensação kkkk
IBGE sob mão firme do promotor do mapa mundi invertido.
IBGE que por acaso servidores entraram em greve com acusação de manipulação de dados…quem diria rs
Você faz mercado? Anda na rua? Pega ônibus/metrô/trem/barca? Paga conta de luz? Compra roupa?
Se estamos na alta histórica de tudo, por quê estamos nessa m3rd4 toda?
Pelo jeito tá ruim em Niterói! Vixi!
Rio de Janeiro também. Bota o estado todo nessa. E olha, pelo que vejo em outros estados não está muito diferente não.
==> “Desemprego esse pode ser discutido, pois e contraditório temos a menos taxa de desemprego, mesmo assim temos maior pedido de seguro desemprego da historia.”
Esse é um paradoxo brasileiro, não é contraditório. Numa economia que uma grande parte do trabalho sempre foi informal, os períodos que apresentam forte expansão do trabalho formal também aumentam a parcela dos trabalhadores elegíveis para seguro desemprego.
==> “As vendas no Varejo tem queda recorde.”
Primeira notícia que apareceu aqui quando pesquisei:
“Varejo tem alta de 4,7% em julho, diz Stone” CNN 17/08/2026
==> “A inflação se adotássemos o mesmo método que Argentina e Uruguai seria bem mais elevada”
Com certeza não amigo.
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As outras duas afirmações são verdadeiras mesmo:
“Em PIB per capital (riqueza por pessoa) somos 90 posição, atrás de Argentina, Chile, Uruguai e Guiana na América Latina.”
O crescimento da nossa produtividade não é grande.
“Temos o maior juros reais do mundo.”
Sim, é a causa é complexa. Essa vai ser difícil de sanar.
Lojas fechando em todo lugar, empresas falindo e abandonando o país, assim como o povo que pode… alimento com preço alto, combustível idem e com acréscimo de 32% de alcool na gasolina. Estou receoso com a bomba em 2027
disse tudo
Estou me perguntando o que seria um político de intimação… Aquele que intima a gente a votar nele caso contrário a fúria dos deuses (ou o comunismo) recairia sobre as nossas cabeças? Eu tinha achado que era um erro de digitação, mas o “erro” está sendo repetido. Será que é a IA comentando aqui?
Posso te lembrar quem eram os governos passados?
E você está se contradizendo. Acima você fala que estamos na alta histórica de emprego e massa salarial. Portanto… quantos milhões desses Brasileiros que você diz agora que não tem renda e por isso usam os serviços públicos? Esse número não deveria ter diminuído proporcionalmente?
Com tal ‘alta histórica no emprego e massa salarial’ não teríamos também uma arrecadação récorde, ainda mais com o tanto de impostos que estão sempre sendo criados, e isso por só já não traria reflexos em maiores investimentos na saúde e educação públicas?
Ou seja, são números sem valor, apenas para contar em estatísticas, porque a realidade imposta por esse pessoal que está no poder a trocentos anos é a de miséria.
Cara, os EUA viveram sob regime segregacionista até a década de 60. A china matou dezenas, senão centenas de milhões de seu própio povo até mais ou menos essa mesma época.
E você vem lançar que ainda estamos com as consequências sociais do período da escravidão?
Prezado, acho que na verdade temos as infelizes consequências de falta de vergonha na cara.
Isso é botar a culpa da nossa inaptidão em nós mesmos nos desenvolver, na aptidão de terceiros, como se eles não tivessem tido seus próprios problemas a superar ou em bichos-papão do passado.
A grande verdade é que o Brasileiro padrão adora arranjar desculpas para não fazer o que é certo. E tem gente que defende com unhas e dentes os mentecaptos no poder…
Bela ilustração de Itaipu para o tema.
Construída a base de dívida brasileira, dívida paga majoritariamente pelos consumidores brasileiros, doaram metade da usina pro Paraguai num acordo horrível feito pelos generais (pra variar), décadas depois renegociam termos para favorecer o ex-bispo (com filhos) presidente de então (um cumpanheiro) em detrimento do Brasil, e hoje a energia excedente está custeando data centers do Tio Sam malvado.
Seria irônico se não fosse trágico.
É mas vc consegue imaginar o Brasil sem uma Itaipu?
A dicotomia autoimposta é uma prisão
Exceto o Brasil, Paraguai e a China, ninguém mais tem uma usina desse porte e todos eles se viraram com outras coisas.
Caramba… tem até gente criticando a construção de Itaipu… que doidera… hehehehehe
quem?
Delfim Neto que passou a carreira como alvo da esquerda acabou a vida sendo banca de doutorado de Mercadante sobre governo Lula.
Fans de um alemão picareta diriam: a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa
Cresceu muito e distribuiu muito pouco. Que me lembro dos anos de 1970 era uma pobreza enorme. Lembrando que Delfim Neto tinha o ditado dele “Crescer o Bolo para dai distribuir ” coisa que nunca houve e venho a hiperinflação e arrocho salarial para o pobre pois para os ricos isso nunca veio. Este é o Brasil que alguns tem saudade, eu não.
O pobre era muito pobre na década de 70,80 e 90. Hoje o pobre tem mais acessos aos bens de consumo apenas restrito a classe média.
Porque viraram bens universais. Você vê gente com celular de última geração morando em barracos insalubres.
Isso também é muito falha da educação pública, que é imprestável. Não conseguem preparar o jovem para a vida, mas tentam, inutilmente, preparar ele para um ensino superior que simplesmente está fora do alcance (como deveria) da maioria. Mesmo com esse papo ridículo para inglês ver de cotas.
Pior que tivemos outras oportunidades de crescimento e desenvolvimento. O primeiro Governo do Lula por exemplo, mas o Brasil não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade (P.S. : Não sou Lula e nunca votei nesse molusco!)
Jango mal teve tempo de falar besteira em praça pública. Getúlio ficou no poder num total por quase vinte anos e fez muita coisa.
Interessante notar que no Brasil os crescimentos que sempre houveram foram por parte direta da atuação do Estado, seja diretamente, seja na organização de como e onde distribuir esses investimentos. Engraçado, é que nos texto, nos primeiros anos do “milagre”, parecia a falar da China: forte industrialização, decisões concentradas (ditadura),etc. Porém lá, a população teve acesso aos ganhos e qualidade de vida, onde milhões sairam da pobreza, a urbanização das cidades foram organizadas e planejadas, o crescimento lá se manteve mesmo com periodos de retração.