Os oito anos de Fernando Henrique Cardoso: estabilidade, reformas e os limites do Brasil pós-hiperinflação
Entre 1995 e 2002, Fernando Henrique Cardoso governou um Brasil que acabava de sair da hiperinflação e procurava redefinir o papel do Estado na economia. Seus dois mandatos consolidaram o Plano Real, promoveram grandes privatizações e criaram instituições que permaneceriam centrais nas décadas seguintes. Ao mesmo tempo, foram marcados por crescimento econômico modesto, desemprego elevado, crises cambiais, aumento da dívida pública e o racionamento de energia. Na Defesa, o período produziu mudanças institucionais profundas, como a primeira Política de Defesa Nacional e a criação do Ministério da Defesa, enquanto a modernização das Forças Armadas avançou de forma seletiva e sob fortes restrições orçamentárias
Fernando Henrique Cardoso chegou à Presidência carregando uma vantagem política excepcional: era identificado com o programa econômico que havia interrompido décadas de inflação crônica. Ministro da Fazenda de Itamar Franco entre 1993 e 1994, FHC participou diretamente da elaboração e implantação do Plano Real, que introduziu a nova moeda em 1º de julho de 1994.
A estabilização transformou sua candidatura. Na eleição de 3 de outubro de 1994, Fernando Henrique venceu ainda no primeiro turno, com 54,3% dos votos válidos. Quatro anos depois, beneficiado pela Emenda Constitucional nº 16 de 1997, que passou a permitir uma recondução consecutiva para cargos executivos, tornou-se o primeiro presidente brasileiro reeleito para um segundo mandato consecutivo.
Seus oito anos no Palácio do Planalto constituem um dos períodos mais importantes — e mais debatidos — da história econômica brasileira recente. O legado envolve uma conquista difícil de contestar, a consolidação da estabilidade monetária, mas também uma economia que cresceu pouco diante das expectativas criadas pelo fim da hiperinflação.
O primeiro desafio: impedir que a inflação voltasse
Quando FHC tomou posse, o Real tinha apenas seis meses de existência. O desafio imediato não era criar o plano de estabilização, já implantado no governo Itamar, mas impedir que ele tivesse o mesmo destino dos planos Cruzado, Bresser, Verão e Collor.
A dimensão da mudança pode ser observada no IPCA. Em dezembro de 1994, a inflação acumulada em 12 meses ainda era de 916,46%. Ao final de 1995 havia caído para 22,41%; em 1996, para 9,56%; em 1997, para 5,22%; e em 1998 chegou a apenas 1,65%.
Para a população, o efeito foi profundo. O desaparecimento da remarcação diária de preços devolveu significado ao salário, à poupança e ao planejamento doméstico. Famílias de baixa renda, que tinham menor acesso a aplicações financeiras capazes de protegê-las da inflação, foram particularmente beneficiadas pela eliminação do chamado “imposto inflacionário”.
A estabilidade, contudo, tinha um custo. Durante grande parte do primeiro mandato, o governo utilizou juros elevados e uma taxa de câmbio valorizada como instrumentos para conter a inflação. O Real forte também barateava importações, aumentando a concorrência sobre a indústria nacional e contribuindo para sucessivos déficits externos.
Privatizações alteram profundamente o papel do Estado
Outra característica marcante foi a aceleração do Programa Nacional de Desestatização. O processo havia começado antes de FHC, mas adquiriu durante seu primeiro mandato uma dimensão muito maior, alcançando mineração, ferrovias, telecomunicações, eletricidade, bancos e infraestrutura.
Entre 1995 e 1998 foram realizadas 80 privatizações, que produziram cerca de US$ 60,1 bilhões em receitas e transferiram ao setor privado aproximadamente US$ 13,3 bilhões em dívidas das empresas vendidas, segundo levantamento do BNDES.
Dois episódios se tornaram símbolos dessa política. A Companhia Vale do Rio Doce foi privatizada em 1997. No ano seguinte ocorreu a venda do Sistema Telebrás, dividido em 12 holdings de telefonia; somente esse leilão arrecadou R$ 22,057 bilhões, com ágio médio de 53,74% sobre o preço mínimo.
A interpretação histórica permanece dividida. Seus defensores argumentam que as privatizações permitiram investimentos que o Estado endividado não conseguia realizar, particularmente nas telecomunicações. Seus críticos destacam discussões sobre avaliação dos ativos, financiamento das compras, perda de controle estatal sobre setores estratégicos e os efeitos sociais das reestruturações.
O próprio BNDES, em análise produzida durante o período, observou que o programa esteve fortemente relacionado às necessidades da estabilização econômica e fiscal, e não apenas a uma mudança ideológica sobre o papel do Estado.
O sistema bancário também precisou ser reconstruído
O fim da inflação atingiu ainda um setor que havia aprendido a obter grande parte de seus lucros em operações associadas à própria inflação: os bancos. Instituições frágeis passaram a enfrentar dificuldades rapidamente após o Real.
Em novembro de 1995, o Banco Central criou o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, o PROER, destinado a permitir reorganizações, fusões e transferências de instituições problemáticas e reduzir o risco de uma crise sistêmica. O programa tornou-se politicamente controverso, mas integrou uma transformação que levou a maior concentração e supervisão do sistema bancário.
Os bancos estaduais também foram submetidos a um processo específico de saneamento, o PROES, que resultou em privatizações, liquidações ou transformação de várias instituições. A reorganização financeira seria posteriormente considerada uma das bases da resistência do sistema bancário brasileiro a crises futuras.
Crescimento abaixo das expectativas
Se a estabilização foi o maior êxito econômico dos governos FHC, o crescimento foi um de seus principais limites. Estudos do Ipea calculam que, entre 1995 e 2002, o PIB brasileiro cresceu aproximadamente 2,3% ao ano, em média, enquanto a inflação média medida pelo IPCA ficou em torno de 9,1%.
O comportamento foi bastante irregular. A economia ainda cresceu fortemente nos primeiros momentos posteriores ao Real, mas passou a enfrentar sucessivos choques externos: crise mexicana de 1995, crise asiática de 1997, moratória russa de 1998 e, posteriormente, crise argentina e desaceleração mundial.
O instrumento usado repetidamente para proteger o Real foi a elevação das taxas de juros. Isso ajudava a atrair capital e conter pressões cambiais, mas aumentava o custo do crédito, reduzia investimentos e ampliava a despesa do governo com a dívida pública.
A dificuldade fundamental era que o Brasil precisava continuamente de capital externo para financiar seu déficit em conta corrente. Enquanto o dinheiro internacional permanecia disponível, o arranjo funcionava. Quando a percepção de risco mudava, a economia brasileira tornava-se vulnerável.
A crise de 1998 expõe as fragilidades do modelo
A moratória da Rússia, em agosto de 1998, provocou fuga de capitais de economias emergentes. O Brasil tornou-se um dos principais alvos porque investidores questionavam a capacidade do governo de continuar defendendo a taxa de câmbio.
O país precisou recorrer ao Fundo Monetário Internacional e a outros organismos para montar, no final de 1998, um grande pacote de assistência financeira. O governo também elevou fortemente os juros e iniciou um ajuste fiscal mais severo.
Fernando Henrique conseguiu ser reeleito ainda no primeiro turno em outubro de 1998, mas começou o segundo mandato enfrentando justamente a crise que a política econômica tentava evitar.
Em janeiro de 1999, tornou-se impossível continuar sustentando o regime cambial existente. O Real passou a flutuar e sofreu forte desvalorização.
Em 1999 nasce o chamado tripé macroeconômico
A crise produziu uma das transformações mais duradouras dos governos FHC. O regime de câmbio administrado foi substituído pelo câmbio flutuante e, em junho de 1999, o Banco Central implantou o regime de metas para a inflação.
Ao mesmo tempo, o governo passou a perseguir superávits primários mais elevados. Entre 1999 e 2002, o resultado primário do setor público foi positivo em média em aproximadamente 2,1% do PIB, chegando a 2,4% em 2002 segundo estudo do Ipea.
O terceiro componente institucional veio em 2000, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu regras para despesas, endividamento, transparência e gestão das contas da União, estados e municípios.
Câmbio flutuante, metas de inflação e responsabilidade fiscal passaram a formar aquilo que posteriormente se tornou conhecido como “tripé macroeconômico”. Com alterações de intensidade e execução, essa estrutura seria preservada inicialmente pelo governo Lula após 2003.
A inflação voltou a subir no final do governo
A mudança cambial de 1999 não produziu a explosão inflacionária que muitos temiam. O IPCA terminou aquele ano em 8,94%, dentro da banda estabelecida pelo novo sistema de metas. Em 2000 caiu para 5,97%.
Nos dois últimos anos, entretanto, o cenário se deteriorou novamente. O IPCA chegou a 7,67% em 2001 e a 12,53% em 2002, muito acima da meta de 3,5% estabelecida para aquele ano. A forte desvalorização do Real foi um dos principais fatores.
Em 2002, a economia atravessou nova turbulência. O cenário internacional estava desfavorável e a proximidade da eleição presidencial ampliou a incerteza dos mercados sobre a política econômica que seria adotada pelo governo seguinte. O Banco Central registrou expressamente esse ambiente de estresse financeiro e cambial.
A dívida pública também se tornara muito maior. Em maio de 2002, a dívida líquida do setor público consolidado atingia 56% do PIB, equivalente então a R$ 708,5 bilhões. A combinação de juros elevados, passivos assumidos pelo governo e desvalorizações cambiais contribuiu para esse avanço.
O apagão de 2001
Outro episódio marcante do segundo mandato foi a crise de eletricidade. Em 2001, baixos níveis dos reservatórios expuseram a vulnerabilidade de um sistema elétrico fortemente dependente das hidrelétricas e cuja expansão não havia acompanhado adequadamente o crescimento da demanda.
O governo instituiu um programa obrigatório de redução do consumo nas regiões mais afetadas. Residências, comércio e indústria passaram a conviver com metas e penalidades, numa experiência que entrou para a memória popular simplesmente como o “apagão” ou racionamento de 2001.
A crise prejudicou a atividade industrial e contribuiu para a desaceleração econômica naquele ano. Também revelou problemas de planejamento e coordenação do modelo elétrico reformulado durante a década de 1990, levando o governo a criar estruturas específicas para administrar a emergência e rever o funcionamento do setor.
O efeito social do Real foi imediato — mas perdeu força depois

O impacto social dos oito anos de FHC apresenta a mesma dualidade encontrada na economia. O primeiro efeito da estabilização foi poderoso. Pelos critérios utilizados pelo Ipea, a proporção de brasileiros abaixo da linha de pobreza caiu de 43% em 1993 para 35,1% em 1995.
Depois dessa queda inicial, porém, o indicador praticamente estacionou. Em 1996 estava em 34,7%, voltou para 35,2% em 1997, ficou em torno de 34% a 35% nos anos seguintes e chegou a 34,4% em 2002. Em outras palavras, a maior redução ocorreu justamente na transição da hiperinflação para o Real; os anos seguintes produziram poucos avanços adicionais.
A desigualdade também diminuiu, mas de forma modesta. O índice de Gini calculado pelo Ipea caiu de 0,5986 em 1995 para 0,5873 em 2002, uma redução de apenas 0,0113 ponto durante os dois mandatos.
Desemprego tornou-se um problema central
O mercado de trabalho foi um dos pontos mais frágeis do primeiro mandato. Segundo a PNAD utilizada pelo Ipea, a taxa de desemprego passou de 6,1% em 1995 para 6,9% em 1996, 7,8% em 1997 e 9% em 1998.
A abertura comercial, reestruturação industrial, privatizações, utilização de tecnologias poupadoras de mão de obra e, sobretudo, o baixo crescimento econômico contribuíram em diferentes graus para a deterioração do emprego formal.
Isso ajuda a explicar uma característica aparentemente contraditória dos anos FHC: os brasileiros passaram a conviver com preços muito mais previsíveis e maior disponibilidade de produtos, mas também com forte insegurança no mercado de trabalho.
FUNDEF, Bolsa Escola e políticas sociais
Os governos FHC não foram caracterizados apenas pelo ajuste econômico. O gasto social federal, numa metodologia utilizada pelo Ipea, passou de aproximadamente 12,3% do PIB em 1995 para 14% em 2001.
Na educação, uma das reformas mais importantes foi o FUNDEF, criado pela Lei nº 9.424 de dezembro de 1996. O fundo redistribuiu recursos estaduais e municipais de acordo com o número de alunos matriculados no ensino fundamental e reservou recursos para a valorização do magistério.
A mudança estimulou a municipalização e a expansão das matrículas no ensino fundamental, ao mesmo tempo em que procurou reduzir diferenças de financiamento entre redes de um mesmo estado. O FUNDEF seria posteriormente ampliado e substituído pelo FUNDEB.
Em 2001 foi criado nacionalmente o Bolsa Escola, programa de transferência de renda vinculado à educação e operado em colaboração com os municípios. A iniciativa fazia parte de um conjunto de políticas focalizadas de transferência de renda que seria reorganizado pelo governo seguinte.
AIDS e medicamentos genéricos marcaram a saúde pública
Na saúde, duas decisões tiveram consequências duradouras. Em 1996, a Lei nº 9.313 garantiu aos portadores do HIV e pacientes com AIDS distribuição gratuita pelo SUS de toda a medicação necessária ao tratamento. A política brasileira de antirretrovirais ganharia posteriormente reconhecimento internacional.
Em fevereiro de 1999, a Lei nº 9.787 estabeleceu o marco dos medicamentos genéricos, criando regras para sua identificação e comercialização. A medida ampliou a concorrência no mercado farmacêutico e tornou-se uma das políticas de saúde mais conhecidas daquele período.
Assim, a avaliação social dos governos FHC não cabe facilmente em uma única narrativa. A estabilização monetária e vários programas institucionais produziram efeitos importantes, enquanto o crescimento baixo, o desemprego e a persistência de elevada desigualdade limitaram a velocidade da melhoria das condições de vida.
Defesa Nacional: uma mudança institucional histórica
Nas Forças Armadas, o legado mais profundo de FHC não foi um equipamento, mas uma mudança na arquitetura institucional da Defesa.
Em 1996, o governo publicou a primeira Política de Defesa Nacional do período democrático contemporâneo. O documento procurou estabelecer, no nível do Estado, objetivos, diretrizes e premissas para o preparo da defesa diante do ambiente internacional do pós-Guerra Fria.
Três anos depois ocorreu uma transformação ainda maior. Em 10 de junho de 1999, foi criado o Ministério da Defesa. Os antigos Ministérios da Marinha, Exército e Aeronáutica transformaram-se em Comandos subordinados ao novo ministro da Defesa, estabelecendo uma estrutura civil unificada sobre as três Forças.
Estudos acadêmicos publicados pelo próprio Ministério da Defesa classificam essa criação como provavelmente o principal legado do governo FHC na área. Pela primeira vez desde a criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941, o Brasil deixou de possuir três ministérios militares independentes.
Marinha recupera sua aviação de caça

No campo material, a Marinha realizou algumas das decisões mais visíveis do período. Em abril de 1998, FHC autorizou novamente a Força a operar aeronaves de asa fixa, capacidade que havia sido retirada da Marinha por decreto presidencial em 1965.
Ainda naquele mês foi assinado o contrato para aquisição de 23 caças A-4KU e TA-4KU Skyhawk do Kuwait, por aproximadamente US$ 70 milhões. As aeronaves chegaram ao Brasil em setembro de 1998 e passaram a receber as designações AF-1 e AF-1A.
A compra restaurava, depois de mais de três décadas, uma aviação de caça organicamente pertencente à Marinha. Em janeiro de 2001 ocorreu o primeiro pouso enganchado de um AF-1 no antigo navio-aeródromo Minas Gerais.
A capacidade ganhou nova plataforma com a aquisição, em 2000, do antigo porta-aviões francês Foch, incorporado como São Paulo. A decisão ampliou substancialmente o potencial da aviação naval, embora o navio já tivesse décadas de serviço e posteriormente apresentasse dificuldades de disponibilidade e manutenção.
Fragatas, submarinos e o MODFRAG

A Marinha também reforçou a Esquadra com as quatro fragatas britânicas Type 22 que formariam a classe Greenhalgh. O contrato de aquisição, juntamente com três navios hidrográficos, havia sido firmado no final de 1994 por aproximadamente US$ 170 milhões, e as fragatas foram incorporadas ao longo dos anos seguintes.
Paralelamente avançou o MODFRAG, programa de modernização das seis fragatas classe Niterói. O projeto substituiu sistemas de combate, sensores e equipamentos e teve parte importante de sua execução entre 1998 e 2005, prolongando a vida útil das principais escoltas brasileiras.
Também prosseguiram a construção da corveta Barroso, dos submarinos derivados da classe Tupi e trabalhos tecnológicos do programa nuclear da Marinha. Entretanto, documentos da própria Força registram que atrasos, cortes e contingenciamentos orçamentários limitaram fortemente o ritmo desses projetos.
Essa característica é importante: os governos FHC realizaram modernizações relevantes, mas grande parte delas ocorreu por compras de oportunidade de material usado ou pelo prolongamento de programas iniciados anteriormente, em vez de um ciclo amplo de construção de novos meios.
Exército recebe M60 e Leopard 1A1

No Exército, a principal mudança visível ocorreu na força blindada. Em 1997, o Brasil recebeu 91 carros de combate M60A3 TTS de origem norte-americana e adquiriu 128 Leopard 1A1 provenientes da Bélgica.
Os veículos proporcionaram uma importante elevação de capacidade em comparação com os antigos M41 que ainda formavam a espinha dorsal das unidades de carros de combate. O M60A3 trazia, entre outras melhorias, sistema de visão térmica, enquanto o Leopard introduzia no Exército uma família que ganharia importância ainda maior na década seguinte.

Ao mesmo tempo, esse reaparelhamento evidenciava uma mudança em relação à década de 1980. Depois da falência da Engesa e do desaparecimento do projeto Osório, o Brasil havia perdido sua capacidade industrial de produzir localmente carros de combate e blindados pesados dessa categoria.
A opção durante os anos 1990 foi, portanto, manter capacidades mediante aquisição de equipamentos estrangeiros disponíveis a baixo custo, enquanto os recursos para novos grandes programas nacionais permaneciam limitados.
SIVAM transforma a vigilância da Amazônia
Para a Força Aérea, o grande projeto tecnológico do período foi o Sistema de Vigilância da Amazônia — SIVAM, concebido para integrar radares, sensores, comunicações e aeronaves de vigilância numa enorme rede destinada a acompanhar o espaço aéreo e atividades sobre a Amazônia.
O programa teve desenvolvimento durante os anos 1990 e entrou em sua fase operacional no início dos anos 2000. A FAB passou a utilizar aeronaves E-99 de alerta aéreo antecipado e R-99 de sensoriamento remoto, derivadas da família Embraer ERJ-145, como componentes aéreos dessa estrutura.
O SIVAM possuía importância que ultrapassava a defesa militar. A mesma infraestrutura permitia apoiar fiscalização ambiental, combate a ilícitos, controle do tráfego aéreo e presença do Estado numa região de dimensões continentais.
Foi um dos raros grandes programas daquele período no qual tecnologia aeronáutica brasileira, particularmente da Embraer, ocupou papel central na solução escolhida.
O primeiro Projeto F-X fica sem decisão
Outra prioridade da FAB, entretanto, permaneceu inconclusa. O Projeto F-X pretendia substituir os Mirage III de defesa aérea, que se aproximavam do fim de sua vida operacional.
O programa previa investimento estimado em cerca de US$ 700 milhões e aquisição de até 24 novos caças. Diferentes fabricantes apresentaram propostas, mas o governo FHC terminou sem selecionar e contratar uma aeronave.
A discussão foi transferida ao governo seguinte. O processo original acabaria encerrado em 2005 e, posteriormente, seria reformulado como F-X2, programa que muitos anos depois resultaria na escolha do Saab Gripen.
O episódio resume bem a situação das Forças Armadas durante os anos FHC: havia consciência da necessidade de modernização e alguns projetos avançaram, mas restrições fiscais frequentemente empurravam decisões de grande valor para o futuro.

Uma Defesa modernizada institucionalmente, mas pressionada financeiramente
Assim, existe uma diferença importante entre o legado institucional e o material dos governos FHC.
Na dimensão institucional, as mudanças foram profundas: primeira Política de Defesa Nacional, criação do Ministério da Defesa, fortalecimento da autoridade civil e início de uma estrutura destinada a ampliar o planejamento conjunto das três Forças.
No reaparelhamento, o balanço foi mais irregular. A Marinha recuperou caças embarcados e adquiriu o porta-aviões São Paulo; o Exército renovou parte de seus carros de combate; e a FAB implantou o SIVAM. Mas programas nacionais de maior prazo avançaram lentamente, e a própria literatura militar do período registra dificuldades causadas por contingenciamentos orçamentários.
Isso refletia uma prioridade maior do governo: consolidar a estabilização e controlar as contas públicas num contexto de repetidas crises externas. Para as Forças Armadas, o resultado foi uma modernização baseada em escolhas seletivas e, frequentemente, em material de segunda mão.

O balanço dos oito anos
Fernando Henrique entregou a Presidência a Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de janeiro de 2003 com uma economia muito diferente daquela que havia encontrado oito anos antes.
A hiperinflação havia desaparecido e o Brasil possuía câmbio flutuante, metas de inflação, legislação de responsabilidade fiscal e um sistema bancário profundamente reestruturado. Telecomunicações, mineração, ferrovias e parte significativa da infraestrutura econômica haviam passado por privatizações ou concessões.
O preço dessa trajetória, porém, também era visível. O PIB havia crescido apenas cerca de 2,3% ao ano em média, o desemprego se tornara um problema muito maior do que no início do período e a redução da pobreza e da desigualdade, depois do forte efeito inicial do Plano Real, perdera velocidade. A dívida pública havia aumentado significativamente e a inflação voltou a dois dígitos no último ano.
Ao mesmo tempo, FUNDEF, Bolsa Escola, medicamentos genéricos, tratamento gratuito da AIDS e a expansão do gasto social criaram ou fortaleceram instrumentos de política pública que seriam mantidos, transformados ou ampliados posteriormente.
Na Defesa, talvez o aspecto mais duradouro tenha sido semelhante: mais institucional do que material. O Ministério da Defesa criado em 1999 e a Política de Defesa Nacional de 1996 estabeleceram estruturas que continuariam servindo de base ao relacionamento entre governo civil e Forças Armadas no século XXI.
Os dois mandatos de FHC, portanto, não podem ser resumidos apenas pela estabilidade monetária, nem somente pelas privatizações ou pelo baixo crescimento. Foram os anos em que o Brasil construiu grande parte da arquitetura econômica e institucional do período pós-hiperinflação, mas descobriu também que estabilizar a moeda era muito diferente de produzir crescimento acelerado e distribuir seus benefícios.
Essa talvez seja a principal contradição histórica daqueles oito anos. Fernando Henrique Cardoso conseguiu consolidar a ruptura com o Brasil da inflação descontrolada, mas deixou para seus sucessores outro desafio: transformar a estabilidade conquistada em crescimento sustentado, geração de empregos, redução mais rápida da desigualdade e capacidade de investimento — inclusive na modernização das Forças Armadas.■
FONTES: IBGE; Banco Central do Brasil; Ipea; BNDES; Presidência da República; Ministério da Defesa; Exército Brasileiro; Marinha do Brasil; Força Aérea Brasileira e legislação federal.












Duas coisas.
1- que a foto do Minas e do Sampa, eles não estão operando juntos. Essa foi foi tirada quando da chegada do Sampa no Rio. O Minas Gerais saiu junto com toda a esquadra para uma cerimônia de recepção. Eu sei disso porque eu estava lá na Fortaleza de Santa Cruz em um dos ‘comitês’ de recepção. Falando nisso tenho que pegar as fotos desse dia e digitalizá-las.
2- Eu nunca, nunca, nunca sequer passou pela minha cabeça, nem nos meus sonhos mais nefastos, imaginei que fosse sentir falta de FHC. Mas sinto…
Digo o mesmo!! Mesmo com toda a aversão do PSDB, FHC e Serra aos militares, eles fizeram bastante coisa, dentro de um cenário de muitas dificuldades na economia.
Uma vez, conversando com uns coronéis sobre essa época, fiquei surpreso: eles não se lembravam do que aconteceu, dos direitos incorporados e que foram cortados nesse período.
Eu sinto falta do Michel Temer, imagina do FHC!
kkkkkkkkkk top
Você sente falta de ver a marcela Temer nas cerimônias presidenciais…
Nunca ví uma Elderly caregiver tão charmosa…
Era a única coisa que prestava naquele Governo.
O Projeto SIVAM acabou sendo um golaço.
O desenvolvimento do Super Tucano e dos E/R-99 contaram com financiamento externo e transferência de tecnologia. Tudo pela “nobre” razao de proteger a Amazônia da exploração predatória e combate ao narco-tráfico.
Isso ajudou muito a Embraer pós-privatização a se consolidar nos nichos que a que se propôs.
Eu vejo impossível um programa com essas “bondades” externas nos dias atuais.
Lembro de um escândalo que foi prontamente abafado pelo governo FHC e pelo seu Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro (também conhecido como Engavetador Geral da República). Segundo consta, A Raytheon conseguiu informações sigilosas da concorrente francesa Thomson CSF que a permitiram apresentar uma proposta melhor e vencer a licitação. Detalhes em: https://memorialdademocracia.com.br/card/caso-sivam-derruba-ministro-de-fhc
Sim. Houve essa denuncia e o Engavetador Geral, o Geraldo Gaveteiro, era f..a. Só não era pior que o Aras. Bem… como não houve continuidade nas apurações, e a CPI sobre o caso não deu em PN, nunca vamos saber o que de fato ocorreu nessa parte do programa.
De qualquer forma, os produtos da Embraer, a transferência de tecnologia, o financiamento externo barato e, claro, a ampliação exponencial dos serviços de vigilância… estes ficaram. E foram vários passo pra frente do país.
Engavetador-Geral foi o apelido dado pelo PT ao Procurador-Geral que pegou. Mas todos os outros PGRs não foram engavetadores? Eu não lembro de nenhum investigando o presidente que o nomeou e olha que oportunidades não faltaram.
Sobre o escândalo do SIVAM, acho que foi o único que o Brasil saiu ganhando, pois a espionagem americana resultou numa oferta mais baixa. No final das contas, o Brasil pagou mais barato pelos equipamentos do que se tivesse comprado dos franceses. Foi “injusto” com os franceses, mas bom para o Brasil.
Durante esse governo havia um certo deputado neófito, mas que nos dias atuais é ex-presidente vinculado com uma bandeira anti-petista. No entanto esse mesmo deputado na época votava em questões fundamentais totalmente alinhado ao partido que hoje é anti. Assim, tal como o PT:
1994 – votou e fez ferrenha campanha contra o Plano Real;
1995 – votou contra o fim do monopólio da Petrobras na exploraçao do petroleo;
1996 – votou contra a derrotada reforma da previdência (ironicamente derrotada por 1 voto);
1996 – votou contra o fim monopólio estatal para serviços de telecomunicaçoes;
1997 – votou contra a privatizaçao da Vale e mais, disse que o Presidente dessa matéria deveria ser fuzilado por isso.
Entre outras…
Ao ser presidente chamou um ultra-liberal pra comandar a economia.
Pronto, causei!
Sim, ele ja disse isso numa entrevista em 2022, ele mesmo fala que entendeu que o estado não deveria se intrometer como ele mesmo defendia no passado, bem se ate saulo virou paulo,midar sua visão econômica não nada alem de bom senso.
Você comparar o “mito-imbroxável” com Sao Paulo (seja o Santo, a cidade, o Estado, ou o clube que eu nem torço) deveria ser considerado, no mínimo, uma heresia!
Çei, ao assumir o poder e depois de 25 anos f…endo o país, vem em público “pedir perdao”. Tá serto!
Certamente ele nem sabia o que estava votando.
Pior ainda!
O PT votou contra a aprovação da Constituição de 1988 no plenário e chegou a redigir uma proposta própria na época.
Hoje, o atual mandatário, que busca governar o país pela 5° vez, foi solto mesmo após condenações.
Ele assumiu a presidência com o respaldo de decisões do STF e do TSE, o que acabou por esvaziar a Lei da Ficha Limpa.
O partido e seus principais nomes enfrentaram graves acusações e investigações de corrupção em escândalos como o Petrolão, o Mensalão, fraudes nos Correios e desvios no INSS.
Esta é a realidade : históricos de desvios , corrupção, fraudes deste partido que só trouxe trevas para o país, em todas as áreas.
E o ex. Presidente? Votações devido sua ideologia e formação militar.
Essa é a sua versao do “e o PeThê?!”.
Pra completar o rol de importantes participaçoes desse ex-presidente no legislativo, em 1999 ele também votou contra o projeto do filho do ACM, que extinguia na época o IPC – Instituto de Previdência dos Congressistas (vai no google ver o que era isso). Só pra constar, NESSA ele votou em desacordo com o PeThê, que votou a favor do projeto.
Também votou a favor em todas as propostas de aumento de salários e privilégios de congressistas. Todas! Uma vez justificou que “salário de Deputado nao dava pra nada!”
Com certeza foi devido a sua ideologia e formação militar, né…
Ao contrário de outros países, Espanha por exemplo, no Brasil a saída de um regime autoritário ocorreu por meios esdrúxulos. Para começar, o absurdo de um Congresso Constituinte ao invés de uma Assembleia Constituinte. Vou explicar a diferença. A Assembleia Constituinte é eleita exclusivamente para este fim. Uma vez concluída, esta se dissolve e bola para a frente com a nova Constituição, novas eleições, etc. O Congresso Constituinte, uma vez aprovada a Constituição já está aboletado no poder legitimado por uma Constituição que já não está mais em vigor. Outra jabuticaba brasileira, o projeto de Constituição elaborado pelo Congresso deveria ter sido submetido a referendo pela população. Daí as muitas objeções que foram feitas. Mas fica muito mais fácil apontar o dedo para os que procuravam uma saída da ditadura de forma mais legítima. Foi assim, que ocorreu e agora não adianta mais reclamar. É essa a Constituição que temos e é essa que deve ser seguida por todos. Ditadura nunca mais.
Muito bom os dois mandatos de FHC.Mais desse tipo de governo o Brasil estaria em uma situação muito melhor hoje.
O Plano Real teve apenas o mérito inicial de estabilizar a economia.
Criaram a URV, que foi bem boladas e tals, mas depois saiu do rumo, apesar de várias críticas que eram feitas à época.
Em. 1997 o Brasil quebrou com a crise da Indonésia.
Em 1998 quebrou de novo com a crise da Rússia.
Poucos anos depois foi varrido nas eleições, como todos sabemos.
Parece que o povo não estava muito satisfeito com eles.
Até hoje, não deram as caras.
Nunca mais.
O Real, mesmo com todos os problemas, manteve a inflação dentro dos eixos. Depois dele, nesses mais de 30 anos nunca mais tivemos a inflação com índices obscenos e desvalorização galopante do poder de compra. Nunca mais foi preciso cortar 3 zeros das cédulas e dos preços … Lembra como isso acontecia? Nunca mais tivemos mais de 80% de inflação em um único mês ou mais de 2.500% de inflação ao ano…
Exato,
O plano Real teve “apenas” o mérito “inicial” de estabilizar a economia.
Apenas? Foi uma solução única, criada por quem mais entendia de economia no Brasil, na época. E que, vencendo todas as dificuldades, conseguiu com sucesso aplicar todos os requisitos para o qual foi planejado.
Inicial? Rs. É brincadeira. A pessoa não viveu na era pre-Real. Se viveu, sofre de amnésia.
Do mais, os comentários não seus Santamariense.
Apenas para complementar sua resposta.
Os melhores 8 anos do Brasil desde os anos 80… Depois dele, só ladeira abaixo…
Servi ao exercito em 1995 sob o governo FHC . Meu quartel estava a mingua, fazendo meio expediente por falta de comida.
FHC tem o mérito da estabilização da inflação brasileira, um mal que atrasava o país. No entanto, é nesse período que se consolida uma importante mudança na estratégia brasileira de desenvolvimento. Enquanto a China preservava forte coordenação estatal, política industrial, controle sobre a abertura financeira e uma estratégia voltada à expansão da capacidade produtiva, o Brasil aprofundava reformas alinhadas à agenda liberal então associada ao Consenso de Washington. Essa combinação de abertura comercial acelerada, câmbio valorizado, juros elevados, privatizações e maior liberalização dos fluxos de capital acelerou o processo de desindustrialização. O tempo mostra que a escolha chinesa foi acertada.
Em verdade, a produção industrial brasileira continuou crescendo durante os governos de FHC e Lula (vide indústria automotiva, de aviões, do petróleo, papel, celulose, alimentos, etc). Apenas a partir de 2011 a indústria começa realmente a encolher em termos brutos.
O que caiu ao longo do tempo foi a participação da indústria na economia, mas isso se deu em razão da expansão acelerada do setor de serviços, que cresceu muito a partir dos anos 1980 e assumiu o posto de setor mais importante da economia.
Até a participação agropecuária no PIB diminuiu um pouco ao longo desse período, ainda que tenha crescido em termos brutos ao longo do período.
Então aquela ideia de que o Brasil virou um “fazendão” a mando de Washington é completamente equivocada.
Olhando em retrospecto, só a Vale foi um erro privatizar, as demais foi um bom negócio, Embraer incluída na lista.
Bom. O exemplo chinês mostra que eles transformaram suas estatais em grandes players internacionais, com planejamento estratégico, foco, esforço de seus gestores e uma forma própria de encarar a luta para mudar a vida de seu povo. A China talvez represente a próxima transformação: de um capitalismo individual para um capitalismo de Estado. E é por isso que existe um medo existencial nos EUA e entre seus empresários. A competição só era interessante enquanto os beneficiava.
Os correios manda um forte abraço… Com prejuízo bilionário e sem concorrência!
Então espere que a DHL envie uma carta para vovó Martinha no interior do Acre e veja se ela vai ter lucro com isso.
O modelo de negócios dos correios é arcaico e os custos que os eles impoem a sociedade nao compensam os poucos benefícios que eles dao a populaçao desses rincoes. Além de que há décadas o serviço deixou de ser “estratégico”.
A cartinha que a “vovó do Acre” recebe, hoje, é o Zap-Zap.
Há 30 anos a Suécia, que não é um território pequeno e também tem seus rincões lá na casa do chapéu, não trabalha mais com “uma agencia em cada município”. O que se fez lá foi trabalhar com colaboradores. Algum comércio local, seja um mercado, ou um posto de gasolina, ou uma padaria, ou uma lotérica… qualquer comércio, se cadastrava e se capacitava a prestar o serviço sob convênio em troca, claro, de uma remuneração criteriosa, certa, regular e previsível. Ou seja, procurar terceirizar uma parte da operação para pequenos prestadores. E o modelo foi replicado em vários países.
Mas aqui no Brasil a gente tem que manter esse paquiderme caríssimo, que só com o prejú que tem que ser coberto nos últimos 2 anos pelo Tesouro daria $$$ suficiente para terminar o programa do submarino nuclear.
Hoje nem esse processo vale mais. Porque não existe mais serviços de correio, existe é serviço de courrier. De delivery de pacotes. Até o Ifood pode fazer esse serviço hoje.
Não há muito como fugir disso.
Nos maiores países do Mundo, como Rússia, Canadá, Brasil, Estados Unidos e China, todas as empresas de correios dão prejuízos bilionários.
Exceto a China, mas que é outro planeta.
Ontem assisti a um vídeo de um
sujeito viajando pelo interior da Virgínia.
Constatação dele: Todas as cidades têm igreja, agência dos correios e miséria.
Agora, veja o prejuízo deles.
Sim. Sabia.
E muitas vezes o próprio ML utiliza o SEDEX.
Semana passada recebi uma encomenda assim.
E aqui qualquer empresa chega.
Só dei o exemplo da vovozinha para todo mundo entender.
De maneira bem simples.
Não só isso.
Teve muitas gente que ganhou muito dinheiro nessa.
Gustavo Franco, Arminio Fraga, Beto Sucupira, Lemann, Marcel Telles e muitos outros.
Alguns ganharam tanto dinheiro que compraram até a AMBEV.
Não acho que a Vale foi um erro. Não tinha dinheiro para desenvolver a mina no Pará , assim como não era certo que ela seria tão boa (quantidade e qualidade).
Se continuasse estatal provavelmente seria muito menor do que é hoje. E teria certamente acontecido algo como o “Minerião”, além do loteamento de cargos para políticos e seus apoiadores.
A Vale foi vendida por 3,3 bi de reais.
O equivalente a uns 15 ou 16 bi atualmente.
Preço de franquia de perfume em quiosque de shopping center.
Para vc ter uma ideia da pirataria, a Vale faturou 10,5 bi de dólares no segundo trimestre de 2026 e teve lucro de 1,4 bi de dólares.
Ou seja, em praticamente um semestre pagaria o valor da compra.
E antes da privatização? Quanto ela dava de lucro?
Pelo que vi no Google, cerca de 600 milhões de reais de lucro líquido
Ou seja, se pagaria em 5 a 6 anos.
O normal seria se pagar talvez em décadas
Foi uma gigantesca pechincha.
Mas nem isso se justificaria, porque venderam uma empresa com gigantesco potencial a ser explorado.
Seria algo como vc vender uma empresa de petróleo que produz 1 milhão de barris por dia, mas que tem reservas comprovadas de 50 bilhões de barris.
“Para vc ter uma ideia da pirataria, a Vale faturou 10,5 bi de dólares no segundo trimestre de 2026 e teve lucro de 1,4 bi de dólares.”
Você falou em 600 milhões de reais, antes da privatização. Depois de privatizada, 1,4 bi de dólares, o que dá 7 bilhões de reais. Aumento de mais de 11 vezes no valor do lucro após ser privatizada.
Gigantesco potencial a ser explorado? Certo, concordo. Mas, se estatal ainda fosse, quanto desse potencial teria sido explorado até agora?
Empresas estatais, de economia mista ou não, no Brasil, de responsabilidade do governo federal, só Petrobrás e Banco do Brasil dão lucro.
Tá, mas isso é a evolução do negócio.
Se a Vale, ainda estatal, desse 1,0 ou 1,2 bi de lucro atualmente, ainda sim seria muito mais negócio do que essa privatização.
Nada justifica a participação da Mitsui e da BlackRock na composição acionária.
Estão só embolsando dinheiro sentados em suas confortáveis cadeiras em suas matrizes.
E nem estou considerando os tempos atuais de disputa geopolítica global.
Essa privatização causou espécie à época e hoje em dia ainda é classificada como desnecessária.
Se ela gerasse menos empregos e pagasse menos tributos valeria a pena?
Se ela remetesse menos lucros do exterior para o Brasil valeria a pena?
A Petrobras é estatal e tem acionistas estrangeiros em sua base acionária (cerca de 48%). No caso da Vale eles têm 55%. Ou seja, uma diferença pequena, ainda mais levando-se em conta que uma é estatal e a outra não.
Enfim, as ações que tiraram o controle do Estado foram vendidas com ágio de 20% sobre o valor de mercado e P/L de 17. Não foi preço de banana. Foi um valor justo.
Felizmente ocorreu essa privatização, a Vale prosperou e o Brasil saiu ganhando.
Foi feito um leilão da Vale. Venceu a maior proposta.
Antônio Ermínio de Moraes, do Grupo Votorantim, por exemplo, fez uma oferta menor e perdeu. Disse que a Vale estava muito cara. Depois se arrependeu.
Mas fez a proposta com as informações e contexto da época.
Sua comparação é bem pobre. A Vale cresceu muito nesses 30 anos de privatização e teve vários aumentos de capital ao longo do tempo que também explicam o aumento do seu valor de mercado. Fora o aumento do preço dos minérios ao longo do tempo e inflação global. A Vale de hoje é muito maior do que a Vale vendida pelo Governo.
Mas, usando sua lógica pobre, o Mark Zuckerberg vendeu as ações do Facebook a US$ 38 no IPO em 2012 (em aportes privados tinha vendido ainda mais barato anteriormente). Hoje ela vale US$ 545. Ou seja, ele teria vendido por preço de banana.
Tem vários exemplos similares.
Complementando meu comentário.
As ações ordinárias da Vale eram negociadas na média de R$ 26,67 nos últimos 90 dias antes do leilão .
O valor da compra no leilão foi de R$ 32,00.
O consórcio vencedor não comprou a Vale inteira. Comprou 26% do capital total da Vale. Um erro comum dos críticos é considerar que o valor pago foi pela empresa inteira.
O mercado acionário americano é um cassino.
Fruto do excesso de dinheiro em circulação.
Só lá mesmo que uma empresa que fatura 200 bilhões de dólares por ano ‘vale’ três trilhões de dólares.
Dinheiro de vento.
O vc sabe onde esse tipo de coisa acaba, né?
É o mercado de capitais mais desenvolvido do mundo. Se você acha que é um cassino, não posso fazer nada.
O desenvolvimento e a dor são sentidos de formas diferentes no tecido social. Vi, pelos comentários, quem amou os anos 70 do milagre nacional; teve até quem dissesse estar com saudades de FHC e, pasmem, de Temer. Quero crer que sejam herdeiros e rentistas.
De todos os nossos governos, democráticos ou não, somente dois ou três foram progressistas ou de esquerda — eu diria de centro-esquerda. A direita esteve à frente, governando de costas para o povo e alinhada aos interesses dos bem-criados e bem-nascidos do país. A nossa história é fruto dessa exclusão social.
O mérito dos governos progressistas foi diminuir a pobreza extrema desse segmento historicamente excluído do Brasil. O país cresceu à base do compadrio, da lei e da regra para o outro, enquanto prevalecia a lógica do “eu tenho contatos”. Em nenhum momento eles governaram com seus projetos puros. O Congresso sempre foi majoritariamente de direita, e isso impôs a dois deles a queda de seus governos.
Temos uma nação em que trabalhadores, militares, profissionais liberais e pobres, sem consciência de classe, elegem, para representar seus interesses, deputados e senadores bilionários, grandes empresários etc. De onde nasce a ideia de que eles têm os mesmos interesses de alguém que faz comentários aqui no fórum?
Quais deputados e senadores são bilionários?
Eu não sou pobre, mas minha família era.
Não sou rentista, mas tenho investimentos para buscar uma boa aposentadoria e uma herança para os meus filhos.
Para um rentista os governos de esquerda são ótimos. Dá para comprar títulos do governo pagando dois dígitos de juros.
Políticos não devem ser escolhidos pela “classe social”. Devem ser escolhidos pela sua competência. Nisso FHC e Temer, ambos ex-estudantes da USP, são muito superiores a Bolsonaro, Lula e Dilma, que não conseguem escrever um artigo para um jornal sem a ajuda de um assessor. Fora a postura e a capacidade de negociação e conciliação.
E as reformas que ambos fizeram foram importantes para o país.
Os outros também fizeram algumas coisas boas e nem Temer e nem FHC foram perfeitos. Apenas foram melhores que todos os outros que vieram com a democracia.
A classe social não determina mecanicamente o pensamento de uma pessoa, mas costuma ser um elemento central para compreender sua visão de mundo e, sobretudo, seus interesses materiais. Quem vive do próprio trabalho tem, em princípio, interesses diferentes de quem possui patrimônio milionário e vive majoritariamente da renda do capital. Em temas como salários, direitos trabalhistas, previdência, tributação, serviços públicos e distribuição de renda, essa diferença tende a aparecer de forma concreta.
Por isso, trabalhadores deveriam olhar com cautela para candidatos muito ricos. Não porque todo milionário seja necessariamente contrário aos trabalhadores, mas porque sua posição econômica, seus vínculos e sua experiência de vida frequentemente os aproximam de interesses distintos. O trabalhador que pensa como rico porque acredita que um dia também será rico continua sendo, materialmente, um trabalhador. A aspiração futura não altera sua posição presente nem transforma seus interesses econômicos em interesses de classe alta.
Da mesma forma, formação acadêmica, erudição ou capacidade de escrever bem não são provas de compromisso com a maioria da população. Conhecimento formal pode ampliar capacidades, mas não garante sensibilidade social, integridade ou disposição para enfrentar desigualdades. A questão decisiva não é apenas quanto alguém sabe, mas a serviço de quem coloca esse conhecimento, seu poder e suas escolhas políticas.
Às vezes, só compreendemos aquilo que se encontra na zona proximal do conhecimento, aquilo que a cognição permite. E isso tem um impacto gigantesco nas privações que ainda nos aguardam. A mudança é sempre muito lenta na forma como o homem enxerga o mundo ao seu redor. Sempre me pego imaginando Leonardo da Vinci conversando com as pessoas de seu tempo. Deve ter sido um exercício curioso de paciência: pensar séculos à frente e, ainda assim, fingir normalidade entre pessoas tão bucólicas.
Mais curioso ainda é eleger alguém porque ele representa aquilo que eu gostaria de ser, embora eu não seja. Temer, por exemplo, fez uma reforma trabalhista sob a promessa de que, fragilizando direitos, os empregos apareceriam quase por encanto. O encanto, como sabemos, não funcionou exatamente como anunciado. E é provável que quase todos aqui sejam trabalhadores da iniciativa privada, servidores públicos ou pequenos burgueses. Mas, por algum mistério sociológico, há sempre quem vote imaginando-se sentado à mesa dos donos do capital, quando, na verdade, continua pagando a conta.
Se você acredita que o Véio da Havan, o dono do Itaú, os milionários e bilionários da Faria Lima tem a mesma visão de mundo e interesses materiais semelhantes. Boa sorte!
Ah, legal! Tu vai comparar o modelo chinês, uma ditadura unipartidária, com uma democracia pluripartidária… ok.
Outra coisa. Tem esse mito de que os chineses vieram para cá nos estudar. É verdade! E viram uma p…da de m…a no modelo cepalista e observaram várias coisas do que nao fazer.
O principal é… o crescimento industrial deles (e da Ásia como um todo desde o Japao!) foi pra fora. Foi pro mercado externo. Enquanto o nosso foi pra dentro, pro mercado interno.
Ao invés de olharem à época um mercado interno de quase 1BB de hab, olharam para o mundo e viram um mercado de mais de 5BB hab. E com uma renda per capita mundial mais de 5x maior que a deles. Novesfora o valor da mão de obra que não é sindicalizada e nem tem várias das regras trabalhistas que se tem aqui.
Já nós vivíamos viajando com a “substituiçao de importaçoes” e com os “conteúdos nacionais”.
Aí a gente traz pra cá… Se a agricultura brasileira fosse voltada ao mercado interno, nao seria esse colosso que é hoje. O mercado da nossa agroindústria é o mundo e daí sua competitividade.
E na indústria… Se imagina a Embraer voltada ao mercado interno? Vivendo de vender pra Gol e Latam? Se imagina a Embraer sendo Embraer com uma canetada do Estado dizendo que ela tem de cumprir “conteúdos nacionais”? Difícil!
De uma das castas militares de generais que sempre dominaram o Exército , seu avô defendeu fuzilamento da família real a la bolcheviques, FHC um marxista clássico, esquerdista “moderado” patrono de todas as tragedias brasileiras de 2026
Se FHC é tudo isso imagina lula?
Pois é
“Telecomunicações, mineração, ferrovias e parte significativa da infraestrutura econômica haviam passado por privatizações
ou concessões.”
Como tudo na vida, tem o bom e o mau.
O Brasil perdeu o setor de telecomunicações para as empresas estrangeiras Telefônica/Vivo, Tim e América Movil do México controlando Embratel, Claro e TelMex.
3 estrangeiros. Zero Brasil.
A modinha tomou conta da Europa no mesmo período, mas os governos locais mantiveram em torno de 1/3 do controle dessas empresas. Hoje existe movimento contrário. Estados europeus aumentam a participação nesses negócios em razão da necessidade de investimentos frequentes em tecnologia, natividades e menor dependência estrangeira.
A venda do setor de telecomunicações chamada de privatização, acelerou a digitalização das redes, a nanotecnologia e o domínio na produção de aparelhos e smartphones. Isso mudou com a falência da Nokia e a chegada da Apple e do Google com os dominantes IOS e Android.
A Internet matou os computadores de mesa, tabletes e até a Vaio vendida pela Sony.
O mundo ficou móvel e raso. Hoje, inteligente. Quanta grana mandamos para fora? Quanto custa manter a dependência externa e o não investimento em telecomunicações?
Somando telecomunicações, computação, informações + propriedade intelectual do setor, remetemos mais de US$ 16 bilhões líquidos por ano, embora essa soma precise ser feita pelo BC…muita pesquisa para buscar esses números.
99% da infraestrutura de telecomunicações no Brasil é controlado por Ericsson e Huawei. Antes da privatização cada empresa do sistema Telebras era responsável pelo próprio hardware com conteúdo nacional chegando a 50% da demanda.
Perdemos até as centrais digitalizadas. Em 1986, a Telebrás já registrava 650 modelos de equipamentos homologados, além de transferência de tecnologia para 29 indústrias.
Ferrovias…deixa pra lá.
Ninguém comenta como foi o processo que levou a aprovação no Congresso da reeleição? Ainda que tudo tivesse ocorrido de forma correta e transparente, o instituto da reeleição jamais poderia beneficiar o então ocupante do cargo. FHC havia sido eleito para governar por 4 anos, proibida a reeleição. FHC contando com apoio da imprensa majoritariamente sua aliada, deu de ombros, (para não usar uma expressão chula) e acabou ganhando um segundo mandato. As denúncias de corrupção nos processos de privatização (também conhecidos como privataria) em seu governo foram várias. Com a ajuda do Engavetador Geral e também da imprensa, sua aliada, FHC pode terminar seu segundo mandato sem precisar responder por nenhuma delas.
A venda da Banda B no 011 foi realizada por leilão e “entregue” ao Banco Safra+BellSouth ou AT&T do Sul.
Disseram que o consórcio pagou 40% dos 2,5 bilhões. Falido, venderam a operação para a Claro.
A Banda B no interior de SP foi “entregue” aos suecos e também revendido aos mexicanos da AT&T.
Os mesmos suecos do Gripen.
Ps. Entreguismo é uma palavra que não sai de moda no Brasil.
Ele quem criou o monstro institucional brasileiro e que tornou as eleições em mera formalidade de legitimação do poder.
ADI
ADC
ADPF
CNJ
Sapão
Quem tem um pingo de noção vê aí e não no resultado das urnas o poder real e pelo qual tantos (entre os quais os fardados) defendem: “instituições estão funcionando”