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Presidente dos EUA relacionou redução de manobras militares na península coreana à recusa de Seul em apoiar ações contra o Irã, ameaçou atacar Omã caso o país prejudique negociações sobre Ormuz e voltou a exigir que Teerã abandone qualquer capacidade de produzir armas nucleares

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou nas últimas horas a pressão sobre aliados e adversários em duas regiões estratégicas do mundo. Em uma sequência de declarações, determinou a redução dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, ameaçou Omã em meio às negociações sobre o Estreito de Ormuz e afirmou que o Irã deveria se render caso não aceite as condições norte-americanas para encerrar o conflito.

As manifestações ocorreram entre domingo (16) e segunda-feira (17), no momento em que expirou o prazo de 60 dias estabelecido pelo memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em junho. Trump descartou uma prorrogação do acordo provisório e reafirmou que impedir o Irã de possuir uma arma nuclear continua sendo o principal objetivo dos Estados Unidos.

A crise no Oriente Médio passou também a repercutir diretamente sobre alianças norte-americanas fora da região. Trump utilizou a recusa da Coreia do Sul em participar das ações contra o Irã como um dos argumentos para determinar uma redução substancial das tradicionais manobras militares realizadas por forças norte-americanas e sul-coreanas.

Trump manda reduzir exercícios militares com a Coreia do Sul

 

No domingo, Trump instruiu o Pentágono a “reduzir substancialmente” os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. A decisão foi anunciada poucas horas antes do início do Ulchi Freedom Shield, uma das principais manobras anuais destinadas a preparar as forças dos dois países para um eventual conflito na Península Coreana.

Trump argumentou que os exercícios são caros e transmitem um sinal que considera desnecessariamente hostil à Coreia do Norte. O presidente voltou a destacar sua relação pessoal com Kim Jong Un e classificou o comportamento de Pyongyang durante sua atual Presidência como respeitoso e pouco ameaçador.

Mas Trump acrescentou outro elemento incomum à justificativa: a posição sul-coreana diante da guerra contra o Irã. Segundo ele, perguntou ao presidente Lee Jae Myung se a Coreia do Sul gostaria de participar dos esforços norte-americanos relacionados à desnuclearização iraniana e recebeu uma resposta negativa.

A Presidência sul-coreana apresentou uma versão mais cautelosa. Seul afirmou que continua discutindo eventuais contribuições militares, levando em consideração as necessidades de defesa da própria Península Coreana e os procedimentos legais internos. O governo também declarou que continuará coordenando com Washington a postura de defesa combinada.

Apesar da intervenção presidencial, o Ulchi Freedom Shield começou na segunda-feira como programado. Cerca de 18 mil militares sul-coreanos participam das atividades, previstas para prosseguir até 27 de agosto, embora ainda não esteja claro exatamente quais componentes norte-americanos serão reduzidos por determinação de Trump.

Trump afirma que Kim Jong Un respondeu aos seus contatos

A movimentação ganhou outra dimensão na segunda-feira, quando Trump afirmou que Kim Jong Un havia respondido às suas tentativas de restabelecer contato. Questionado no Salão Oval sobre a ausência de resposta do líder norte-coreano, Trump declarou simplesmente que Kim havia respondido, mas não ofereceu detalhes sobre a natureza ou o conteúdo da comunicação.

A Casa Branca também não apresentou esclarecimentos adicionais. Trump afirmou ainda que Kim sempre o tratou com respeito e voltou a sustentar que existe uma compreensão pessoal entre os dois líderes. A declaração reforçou especulações de que a redução dos exercícios com Seul possa funcionar como gesto destinado a abrir caminho para uma nova rodada de diplomacia com Pyongyang.

A decisão lembra a estratégia adotada durante o primeiro mandato de Trump. Depois da cúpula realizada com Kim em Singapura, em 2018, Washington suspendeu grandes exercícios conjuntos com a Coreia do Sul na tentativa de favorecer negociações sobre o programa nuclear norte-coreano. O processo acabou perdendo impulso depois do fracasso da segunda cúpula, realizada em Hanói em 2019.

Omã é ameaçado por Trump em plena negociação sobre Ormuz

No Oriente Médio, o discurso presidencial foi significativamente mais duro. Durante entrevista telefônica à Fox News, Trump ameaçou atacar Omã, tradicional parceiro dos Estados Unidos e um dos principais mediadores diplomáticos da região, caso Mascate prejudique os objetivos norte-americanos nas negociações sobre o Estreito de Ormuz.

Trump declarou que, caso Omã “fique no caminho”, os Estados Unidos poderiam bombardeá-lo. Mais tarde, no Salão Oval, moderou parcialmente o tom ao afirmar que não havia perdido a paciência com o governo omanense, embora tenha acrescentado que, em sua avaliação, o país “não se comportou muito bem”.

A ameaça é particularmente incomum porque Omã mantém há décadas uma política de equilíbrio regional e frequentemente atua como intermediário entre Washington e Teerã. O país divide com o Irã as margens do Estreito de Ormuz e participa diretamente das negociações destinadas a restabelecer a navegação comercial pela passagem.

Teerã anunciou na segunda-feira que havia alcançado um entendimento com Omã sobre o mapa das futuras rotas de navegação. Pelos termos discutidos anteriormente, os navios entrariam no Golfo Pérsico por uma rota próxima ao território iraniano e sairiam por uma passagem próxima a Omã. Durante uma fase provisória, não seriam cobradas tarifas ou pedágios.

Estreito de Ormuz está no centro do conflito

O controle sobre Ormuz tornou-se um dos principais pontos da guerra entre Estados Unidos e Irã. Antes do conflito, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados internacionalmente passava pela estreita faixa marítima entre Irã e Omã.

Depois dos ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã iniciados em 28 de fevereiro, Teerã restringiu fortemente a navegação. Washington respondeu impondo um bloqueio naval aos portos e à navegação iraniana, enquanto afirmava que garantiria passagem para embarcações ligadas a outros países.

Os efeitos sobre o mercado de energia tornaram-se profundos. Dados da Kpler citados pela Reuters indicam que os fluxos de petróleo e derivados através de Ormuz, que giravam em torno de 18 milhões de barris por dia antes da guerra, caíram para aproximadamente 4,8 milhões em julho e apenas cerca de 2 milhões de barris diários em agosto.

O petróleo Brent passou a ser negociado próximo de US$ 90 por barril, cerca de 50% acima do nível observado no início do ano. O impasse prolongado começa a fazer o mercado considerar que as restrições no Golfo podem deixar de ser uma interrupção temporária e transformar-se em uma nova condição estrutural para o comércio energético mundial.

Trump volta a falar em transformar Ormuz em território americano

Paralelamente às ameaças contra Omã, Trump voltou a levantar uma proposta ainda mais controversa: declarar o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos.

Na segunda-feira, questionado sobre a ideia no Salão Oval, Trump afirmou gostar da proposta e argumentou que a presença militar norte-americana e o bloqueio naval já proporcionariam aos Estados Unidos controle efetivo sobre a passagem. Até o momento, entretanto, não houve qualquer medida formal para transformar essa manifestação política em política territorial norte-americana.

Trump já havia afirmado em 12 de agosto que os Estados Unidos tinham “controle total” sobre Ormuz, descrevendo o dispositivo naval norte-americano como uma barreira que o Irã não teria capacidade de superar. O governo iraniano rejeita essa interpretação e sustenta que possui autoridade sobre parte significativa da passagem.

O tema é central porque o Irã considera que o memorando assinado em junho reconheceu algum grau de autoridade iraniana sobre a gestão do estreito. Washington rejeita essa interpretação e insiste que a navegação internacional deve ocorrer sem que Teerã possa cobrar taxas ou decidir unilateralmente quais navios podem atravessar a região.

Trump descarta prorrogação do acordo com o Irã

Na segunda-feira também expirou o prazo de 60 dias previsto no memorando de entendimento firmado em 17 de junho entre Estados Unidos e Irã. O documento deveria criar condições para a negociação de um acordo definitivo envolvendo o programa nuclear iraniano, sanções norte-americanas e a situação em Ormuz.

Questionado se Washington pretendia prorrogar o prazo, Trump respondeu negativamente. Segundo ele, Teerã não está disposto a aceitar o tipo de acordo que considera necessário, principalmente porque a administração norte-americana exige garantias de que o Irã não poderá desenvolver uma arma nuclear.

Em entrevista à Fox News, Trump foi ainda mais longe ao afirmar que o Irã deveria “erguer a bandeira branca da rendição”. Ao mesmo tempo, declarou não estar submetido a um cronograma para terminar a guerra e negou que as eleições legislativas norte-americanas de novembro estejam influenciando sua estratégia.

O governo iraniano respondeu com ameaça de nova escalada. Um alto funcionário disse à Reuters que, caso a diplomacia fracasse, Teerã poderá adotar uma postura “totalmente ofensiva” no Estreito de Ormuz e realizar uma operação destinada a romper o bloqueio naval norte-americano.

Uma crise que já ultrapassa o Oriente Médio

As declarações de Trump mostram que o conflito com o Irã está produzindo consequências cada vez mais amplas para a política externa dos Estados Unidos. A decisão de relacionar os exercícios militares na Coreia do Sul à disposição de Seul em apoiar Washington no Oriente Médio é um exemplo direto dessa expansão.

Ao mesmo tempo, a ameaça contra Omã coloca pressão sobre um país que tradicionalmente desempenha justamente o papel de mediador entre Washington e Teerã. A proposta de transformar Ormuz em território norte-americano introduz outro elemento de incerteza em uma crise que já combina guerra naval, bloqueio econômico, programa nuclear e segurança energética internacional.

Nas últimas horas, portanto, Trump enviou três mensagens distintas, mas interligadas: aliados que não acompanhem integralmente a estratégia norte-americana poderão enfrentar pressão; mediadores que contrariem Washington também poderão ser alvo de ameaças; e o Irã não deve esperar uma extensão automática do processo diplomático iniciado em junho.

Com o prazo do acordo provisório expirado e Teerã ameaçando voltar a uma postura ofensiva, o Estreito de Ormuz permanece no centro de uma disputa cuja repercussão já alcança desde a segurança da Península Coreana até os preços de combustível nos Estados Unidos e o funcionamento do comércio mundial de energia.

FONTES: Reuters, Associated Press e Axios.



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Hcosta
Hcosta
25 dias atrás

curioso para ler os comentários de quem defende estas birras da criança e ainda considerar que há alguma estratégia para o benefício dos EUA.

e a hipocrisia de quem critica Trump e apoia outras ditaduras…

deadeye
deadeye
25 dias atrás

O país que os “patriotas” dizem ser o nosso aliado.

Última edição 25 dias atrás por deadeye
Tio Velho Comuna
Tio Velho Comuna
25 dias atrás

A gente está vendo a grande História acontecer diante de nosos olhos: os próximos presidentes dos EUA, terão como único trabalho e objetivo tentarem deter o declínio do Império que já vinha de muito antes, mas como maneira definitiva e ponto de não retorno, começou no desgoverno de Trumpalhão. Anotem aí que será questão do ENEM daqui a 15 anos

amarante
amarante
24 dias atrás

A compreensão que existe é a capacidade da Coreia fritar o Sul, o Japão e se duvidar a Califórnia.

Lucas
Lucas
24 dias atrás

Eu pensava que esse senhor estava apenas senil.
Agora, não duvido que esteja usando substâncias ilegais.
Só pode.

Comte. Nogueira
Comte. Nogueira
24 dias atrás

Que bom que este espaço está de volta.
Ainda bem que não precisa de psicotécnico para ser presidente dos EUA.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
24 dias atrás

“Trump argumentou que os exercícios são caros e transmitem um sinal que considera desnecessariamente hostil à Coreia do Norte. O presidente voltou a destacar sua relação pessoal com Kim Jong Un e classificou o comportamento de Pyongyang durante sua atual Presidência como respeitoso e pouco ameaçador”…

Meu Deus, esse senhor é um estúpido, ele realmente acha que existe um tipo de amizade e respeito mútuo entre ele e o líder Ding Dong-un?!

Certamente a liderança Norte-Coreana sabe muito bem que esse senhor é detentor de traços marcantes de narcisismo, egocentrismo e megalomania, e os norte-coreanos lógico que irão se aproveitar de tal fraqueza, assim como de sua admiração e simpatia por Ding Dong Un.

E agora dá uma facada nas costas do estado Sul-Coreano e vem com essa que é devido ao “comportamento de Pyongyang durante sua atual Presidência ser um comportamento respeitoso e pouco ameaçador”…

Será que alguém do seu Staff de “notáveis” não lhe disse que na geopolítica não existem amigos?!
Certamente sim, afinal sabemos que o laranjão não dá ouvidos a ninguém

“Mas Trump acrescentou outro elemento incomum à justificativa: a posição sul-coreana diante da guerra contra o Irã. Segundo ele, perguntou ao presidente Lee Jae Myung se a Coreia do Sul gostaria de participar dos esforços norte-americanos relacionados à desnuclearização iraniana e recebeu uma resposta negativa”.

Como disse o inesquecível Major Rocha :
“Cada cachorro que lamba sua própria caceta” 

O palhaço laranja comete suas cagadas e quer que os outros levem papel higiênico para limpar sua grande bunda presidencial?!

Quem pariu Muhammad que o embale… Estados Unidos está muito mal acostumado, afinal sempre que eles queriam fazer um Butim, eles criavam a tão da “coalizão”, nome pomposo para “formação de quadrilha”, onde eles e seus asseclas dão um caráter oficial para cometer os ilícitos.



Hamom
Hamom
23 dias atrás

Trump aos sul-coreanos: Vocês não me apoiaram em meu ataque ao Iran, por isto vou diminuir nossos exercícios militares conjuntos.

Sul-coreanos: Ótimo! Aproveita e tira tuas tropas encrenqueiras de nosso país, vocês estão aqui a 3/4 de um século, não precisamos mais delas…

Última edição 23 dias atrás por Hamom