De 2% a 2,5% do PIB: Celso Amorim defende há mais de uma década aumento dos recursos para a Defesa
Celso Amorim em cerimônia da Marinha
A recente proposta do assessor especial da Presidência para elevar os gastos brasileiros com Defesa a 2,5% do PIB não representa uma mudança repentina de posição. Quando comandava o Ministério da Defesa, em 2013 e 2014, Amorim já defendia publicamente uma meta de 2% do PIB, vinculada à modernização das Forças Armadas, à indústria nacional e à necessidade de dar previsibilidade aos projetos estratégicos. O agravamento do cenário internacional parece ter elevado agora o patamar considerado necessário
A defesa feita por Celso Amorim de que o Brasil deveria destinar até 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) à Defesa recolocou no debate nacional uma questão antiga: quanto uma potência de dimensões continentais deve gastar para manter Forças Armadas compatíveis com seus interesses estratégicos?
A declaração mais recente ocorreu em meio à preocupação do assessor especial da Presidência da República com a possibilidade de os Estados Unidos ampliarem para o ambiente terrestre suas operações militares contra organizações criminosas na América Latina. Amorim afirmou que o Brasil precisa tratar a Defesa com maior seriedade e defendeu a elevação gradual dos recursos para 2,5% do PIB. “Não quero ser alarmista, mas você olha essa situação e você se preocupa”, declarou.
Uma análise dos registros oficiais mostra, entretanto, que a defesa de maior investimento militar acompanha Amorim há mais de uma década. O que mudou não foi a ideia de elevar o orçamento das Forças Armadas, mas o percentual utilizado como referência e, sobretudo, o ambiente estratégico empregado para justificá-lo.
Em 2013, Amorim já defendia 2% do PIB
Um dos registros mais claros ocorreu em 9 de maio de 2013, quando Amorim era ministro da Defesa do governo Dilma Rousseff. Em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, declarou que considerava razoável aumentar as despesas totais de Defesa de aproximadamente 1,5% para 2% do PIB.
A Agência Senado registrou naquele dia que Amorim defendia “ao menos” 2% do PIB para aproximar o Brasil do patamar das demais grandes economias emergentes. Na comparação utilizada pelo então ministro, Rússia, China, Índia e África do Sul gastavam, em média, aproximadamente 2,5% do PIB em Defesa.
A referência escolhida é importante. A proposta de Amorim, naquele período, não estava baseada na meta da OTAN, frequentemente utilizada atualmente nas discussões internacionais sobre gastos militares. Seu parâmetro eram os BRICS, países que ele considerava comparáveis ao Brasil em termos de dimensão territorial, população, economia e ambições de inserção internacional.
Meta deveria ser alcançada em cerca de dez anos
Dois meses antes da audiência no Senado, Amorim havia detalhado sua visão durante aula magna na Escola Superior de Guerra. Segundo os números apresentados pelo ministro, os gastos brasileiros com Defesa haviam correspondido a 1,36% do PIB em 2011 e se aproximado de 1,5% em 2012. A média entre os BRICS era então calculada por ele em aproximadamente 2,4%.
Amorim considerava factível alcançar 2% do PIB em aproximadamente dez anos. O aumento permitiria financiar o Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED), que reunia os grandes projetos destinados à recuperação da capacidade operacional das Forças Armadas. Segundo ele, executar integralmente os programas previstos acrescentaria até cerca de 0,5 ponto percentual do PIB às despesas da área.
A proposta estava, portanto, vinculada diretamente ao reaparelhamento. Naquele momento avançavam programas como o desenvolvimento do cargueiro KC-390, o blindado VBTP-MR Guarani, o sistema de foguetes ASTROS 2020, o programa de submarinos da Marinha e diferentes projetos de vigilância e proteção das fronteiras. Em audiência no Senado, Amorim citou vários desses programas ao defender maior disponibilidade de recursos.
O problema não era apenas o tamanho do orçamento
Amorim também chamava atenção para a composição dos gastos. Em 2013, afirmou que aproximadamente 75% do orçamento da Defesa eram destinados a pessoal e encargos sociais, restando uma parcela muito menor para custeio, manutenção, operação e investimento.
Essa distinção continua fundamental. Um país pode apresentar uma despesa militar relativamente elevada em relação ao PIB sem necessariamente possuir grande capacidade de investimento se parcela substancial dos recursos estiver comprometida com salários, pensões e despesas administrativas.
Na visão defendida por Amorim, o aumento do orçamento deveria criar espaço particularmente para investimento, manutenção dos equipamentos e capacidade operacional, além de dar previsibilidade à indústria de Defesa. Ele argumentava que empresas do setor dependem de continuidade nas encomendas porque projetos militares envolvem longos ciclos de pesquisa, desenvolvimento e produção.
Em 2014, a posição foi reafirmada
A proposta reapareceu em 6 de maio de 2014, durante seminário da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. Amorim voltou a afirmar que os gastos brasileiros permaneciam em aproximadamente 1,5% do PIB e que o objetivo deveria ser chegar a 2% dentro de uma década.
Naquela ocasião, o ministro relacionou diretamente Defesa e proteção dos recursos estratégicos brasileiros. Citou a importância do país nas áreas alimentar, energética e ambiental e argumentou que a escassez mundial desses recursos poderia, em determinadas circunstâncias, produzir tensões e ameaças à soberania.
Em novembro daquele mesmo ano, já perto do final de sua passagem pelo Ministério da Defesa, Amorim voltou a mencionar o “patamar de 2% do PIB” como nível adequado para aproximar o Brasil dos demais BRICS.
Não se tratava, portanto, de uma declaração isolada. A meta de 2% tornou-se uma posição recorrente de Celso Amorim enquanto ministro da Defesa.
Treze anos depois, a mesma referência reaparece
Em janeiro de 2026, já como assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Amorim retomou publicamente o tema. Em artigo sobre o agravamento das tensões internacionais, defendeu novamente o fortalecimento das capacidades militares brasileiras, citando defesa antiaérea, sistemas cibernéticos, drones e o submarino nuclear.
No texto, afirmou que seria necessário aumentar a participação da Defesa no orçamento, “chegando talvez a 2% do PIB”. Acrescentou uma condição relevante: os recursos adicionais deveriam ser direcionados a investimentos, manutenção e operação dos sistemas militares.
A formulação guardava clara continuidade com a posição apresentada em 2013. A defesa de maior orçamento continuava associada menos à ampliação quantitativa de efetivos e mais à necessidade de preservar tecnologia, disponibilidade operacional e capacidade de dissuasão.
Brasil chegou a 2025 com apenas 1,04% do PIB, segundo o Ministério da Defesa
Apesar das propostas apresentadas ao longo dos anos, o Brasil seguiu na direção oposta. O Relatório de Gestão 2025 do Ministério da Defesa registra que a participação do orçamento da Defesa no PIB apresentou trajetória de queda, passando de aproximadamente 1,40% para 1,04% em 2025.
A metodologia utilizada para calcular gastos militares varia entre instituições, razão pela qual comparações internacionais exigem cautela. O SIPRI, por exemplo, adota critérios próprios para definir despesas militares. Ainda assim, o instituto calculou que o gasto militar mundial alcançou 2,5% do PIB global em 2025, exatamente o percentual que Amorim passou agora a mencionar para o Brasil.
Na métrica orçamentária apresentada pelo próprio Ministério da Defesa, atingir 2,5% significaria mais que duplicar a participação atualmente destinada ao setor — uma alteração de grande magnitude e que exigiria escolhas fiscais e políticas substanciais.
De 2% para 2,5%: o que mudou?
A nova referência de 2,5% do PIB parece marcar uma elevação em relação à meta histórica defendida por Amorim. Em janeiro ele ainda escrevia em favor de aproximadamente 2%; em agosto, diante do agravamento das tensões no continente e da possibilidade de operações militares norte-americanas em países latino-americanos, passou a defender 2,5%.
Não há indicação de que essa proposta tenha sido formalmente transformada em meta orçamentária do governo federal. Trata-se, até agora, de uma posição defendida pelo assessor presidencial, ainda que sua proximidade com Lula e sua experiência como chanceler e ministro da Defesa confiram peso político às declarações.
A mudança de contexto é evidente. Em 2013, Amorim falava principalmente em adequar as Forças Armadas à dimensão internacional do Brasil, proteger recursos naturais e financiar projetos estratégicos. Em 2026, esses argumentos permanecem, mas passaram a conviver com preocupações mais imediatas envolvendo guerras de grande escala, disputas entre potências, coerção econômica e possíveis intervenções militares no entorno brasileiro.
Uma posição antiga em um cenário novo
Os registros históricos permitem, portanto, afastar a interpretação de que Celso Amorim tenha passado recentemente a defender maiores gastos militares apenas como reação às atuais divergências entre Brasília e Washington.
A defesa de um orçamento da ordem de 2% do PIB está documentada oficialmente desde pelo menos 2013, quando Amorim ocupava o Ministério da Defesa. Em 2014, ele reiterou a meta e estabeleceu um horizonte de aproximadamente dez anos para alcançá-la. Em janeiro de 2026 voltou a mencioná-la.
O elemento realmente novo é o patamar de 2,5% e a justificativa associada a um ambiente internacional considerado significativamente mais perigoso.
Se em 2013 a ideia era aproximar o Brasil dos demais BRICS e garantir recursos para programas como Guarani, KC-390, ASTROS e submarinos, em 2026 a argumentação adquiriu uma dimensão mais diretamente relacionada à dissuasão.
A trajetória das declarações de Amorim revela, assim, uma rara continuidade num debate brasileiro frequentemente submetido às oscilações do orçamento anual: para o ex-ministro, um país com a dimensão territorial, os recursos naturais e as ambições internacionais do Brasil precisa sustentar permanentemente uma estrutura militar compatível com seu peso estratégico. O que o agravamento do cenário internacional parece ter feito foi elevar sua estimativa do esforço necessário — dos antigos 2% para os atuais 2,5% do PIB.
FONTES: Ministério da Defesa, Senado Federal, Câmara dos Deputados, SIPRI, CartaCapital, Valor Econômico/InfoMoney e registros de pronunciamentos oficiais de Celso Amorim.

É uma benção o Brasil não ter dinheiro pra Defesa, imagine os problemas que Celso Amorim causaria com FFAA não sucateadas.
Antes de conseguir um aumento na proporção do PIB, é necessário remodelar os investimentos da FFAA.
Analisar as prioridades não de cada Força, mas como um todo visando a interoperabilidade.
Centralizar as aquisições com prioridade total à produção nacional ou, na impossibilidade dessa, aquisições com Tot.
Estímulo a P&D nacional e por ai vai.
O conflito do Irã provou de uma vez por todas a importância que equipamentos próprios e de dissuasão estratégica não te deixam na mão, ainda que não sejam os melhores no super trunfo.
As FFAA gastam mal o pouco que tem comprando no exterior aquilo que pode ser feito aqui e ainda adquirindo de potenciais agressores.
É verdade Sérgio, mas entre os próprios entusiastas de defesa nacional, não há consenso sobre o que vc fala, pois quando o CFN (só pra citar um exemplo), se enche de “maravilhas tecnológicas”, caras em pequena quantidade, que nos seriam embargadas na primeira oportunidade e que queimam e derretem como todas as outras, uns bobões se encantam e esquecem que isso não é dissuasão de verdade. É para desfiles e “fotinhas”. Eu sempre defendi aqui a padronização de equipamento nacional entre as 03 forças, naquilo que pode ser adotado, levando-se em conta os critérios operacionais de cada uma e QUASE tudo que produzimos pode ser adotado em conjunto, mas sempre levantam o argumento de que “o de fora é mió”. Deve ser o tal do complexo de vira lata ou coisa que o valha, fato é que nosso CFN é um Frankenstein e as forças não se comunicam, não fazem encomendas em escala, não desenvolvem projetos em conjunto e já houve até projetos redundantes, consumindo parcos orçamentos. Ora bolas, já produzimos ao longo de 40 anos: Pistolas, fuzis de assalto, fuzis para sniper, blindados anfíbios, ATGM, mísseis ar ar, blindados leves sobre rodas e vários outros itens que eu teria que pesquisar para lembrar E ao longo dos mesmos 40 anos, conta-se nos dedos os casos em que se deu uma contratação em conjunto de material, uma preferência ao produto nacional, favorecendo assim seu aprimoramento etc. Na verdade, muita gente do setor, entreguistas, se venderam, fazendo lobby para indústria de defesa do exterior a troco de se tornar consultor dessa ou daquela maravilhosa empresa estrangeira. Nossa BID nunca teve o apoio que merece. E os caras são verdadeiros heróis, pelo que fazem, ganhando o que ganham e recebendo a consideração que lhes é dada. Quantas vezes vcs virão esse ou aquele comandante defender publicamente, com afinco, nos locais certos, casas legislativas, gabinetes, comissões de defesa, o produto nacional? Aquisição do exterior, deve ser pontual, para casos em que não “vale mesmo a pena” fazer aqui ou para material diferenciado no caso de FESP. (sempre em pequenas quantidades). Mas essa realidade é difícil de mudar. Aposto que continuaremos comprando errado e pouco e caro, por muitos anos, independente de a globo se esforçar para dizer que estamos prestes a ser atacados pelo império do mal ou não…triste sina de quem ama esse pedaço de chão.
CFN tem nojinho de produto brasileiro.
Vejam que interessante.
Era aproximadamente 1,5 % do PIB, em 2012. Com 75% em pessoal e administrativo.
Com 1,04 % do PIB, é 80 % com pessoal e esses administrativos de pessoal.
Ou seja, a redução do % do PIB foi bem maior do q o aumento com pessoal.
Conclusão: a economia feita com as mudanças no pagamento de pessoal foi engolida pela diminuição do orçamento de defesa.
O aumento com Defesa não faz aumentar a % com pessoal. Faz diminuir.
Entendeu a falsa narrativa da militância,não gastamos muito com pessoal e pensão,o dinheiro que vem diminuindo. Mas segundo eles,foi os que mais fizeram pelas FAS,o Brasil está vendo o feito,rs(melhor lágrimas).
O pior ministro das relações exteriores de todos os tempos.
Perder para Ernesto Araújo é praticamente impossível, seja qual for a matiz ideológica.
Mesmo sendo antagonistas no que tange visão diplomática e relacionamento pessoal, ambos conseguiram e conseguem serem os piores que ja exerceram o cargo de Ministro do MRE.
Os diplomatas mais “técnicos” do Itamaraty já deixaram vazar em diversos artigos que ambos causa constrangimento e incômodo para seus integrantes. Ambos pelos motivos de visão deturpada em relação à aliados e politização.
A pessoa neste cargo deveria ser mais pragmática. É uma característica essencial para a carreira diplomática.
Ele consegue ser bem pior que o Ernesto Araújo pelo tempo de serviço. Araújo foi muito ruim e estava no caminho certo para possivelmente ultrapassar Amorim, mas felizmente foi-se antes que pudesse sequer chegar perto. Amorim ficou bem mais tempo e fez muito mais M.
Pois é.
Defendia aumentar de 1,5 para 2
E o que aconteceu?
Reduziram de 1,5 para 1.
2 mandatos da Dilma
E agora mais 1 do L
Posso estar enganado, mas acredito que o Brasil é o único pais do Mundo que gasta mais com o Judiciário do que com a Defesa Nacional.
Espero que nunca consigam, o brasil sempre foi um pais com suas FAs voltadas para controle interno para garantir a manutençãoda elite política e social, não para defesa contra uma possível ameaça externa.
DCE!!!! 👏👏👏👏👏
Off-Topic:
El Cristiano: conheça o canhão histórico que Lula vai entregar ao Paraguai para aliviar crise diplomática
O governo paraguaio pede o retorno de canhão há mais de 15 anos.
Em meio a uma crise diplomática com o Paraguai, Lula concordou em devolver uma relíquia histórica, o canhão “El Cristiano”.
A decisão foi acertada em uma reunião que aconteceu no mês passado com os comandantes militares e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.
Mesmo que o presidente esteja de acordo com a devolução da peça, isso só acontecerá após negociações do Ministério das Relações Exteriores.
Por falar em Paraguay e um assunto off-topic, os Correios agora divulgaram um serviço de entregas dos produtos vendidos nas lojas desse país.
Segundo a estatal, essa iniciativa busca formalizar e facilitar o e-commerce transfronteiriço, oferecendo uma alternativa legal e segura para o consumidor adquirir produtos importados.
É brincadeira…
A China vende online, de modo seguro e legal, para diversos países do mundo, principalmente o Brasil, já fazem 15 anos.
Os Correios pararam no tempo. É uma estatal endividada com custos anuais bilionários para o erário.
Além de ter um serviço péssimo de entregas.
É preciso se desfazer da empresa.
Se for pra gastar dinheiro com uma estatal que recriem a RFFSA e voltem a investir na malha ferroviária.
Em pouco mais de 50 anos perdemos 8 mil km de trilhos.
O oposto do que todas as 10 maiores economias fizeram.
Outra vergonha.
Ficam discutindo gastar um dinheiro que não existe.
O déficit primário é de 0,5% do PIB.
O déficit nominal é de 9% do PIB.
E segue o baile dos prestidigitadores.
E se não bastasse em meio as hostilidades alaranjadas, a milicada recentemente recebeu militares americanos no CIGS(Centro de Instrução de Guerra na Selva) para uma interação amigável entre militares dos dois países.
Receberam cadetes de West Point, tradicional academia militar que forma oficiais dos EUA.
Puderam conhecer a doutrina brasileira de guerra na selva em um dos cenários de combate mais difíceis do planeta,situado em Manaus, onde CIGS e Comando Militar da Amazônia apresentam doutrina, logística extrema e cooperação militar com os Estados Unidos em uma região estratégica para soberania, fronteiras e defesa nacional.
Os cadetes de West Point,participaram de atividades em Manaus, em uma visita voltada ao intercâmbio militar e ao aprendizado sobre operações em ambiente amazônico.
Segundo o Defesa em Foco, a programação aproximou futuros oficiais norte-americanos da doutrina brasileira de guerra na selva, área em que o Exército Brasileiro mantém reconhecimento internacional por causa da experiência acumulada no treinamento de militares para atuar na floresta.
A presença dos futuros oficiais norte-americanos teve caráter institucional e educacional.
Comando militar mostrou a realidade amazônica
Durante a passagem pelo Comando Militar da Amazônia, os cadetes conheceram parte da história, da missão e da estrutura do Exército Brasileiro na região.
O CMA é responsável por uma área estratégica que exige presença permanente, logística complexa e capacidade de operar em ambientes remotos.
Durante a programação, os cadetes tiveram contato com elementos da doutrina brasileira de guerra na selva.
A visita incluiu apresentações, atividades demonstrativas e contato com estruturas do CMA e do CIGS.
Os futuros oficiais observaram como fatores climáticos, geográficos e ambientais influenciam o planejamento e a execução de operações militares na Amazônia.
Em 2011 eu passei uma semana na AMAN em Congresso. Haviam três cadetes de West Point, e os três eram de logística. Passaram um ano e meio estudando português para passarem seis meses aqui. Eles consideram os desafios logísticos do Brasil em relação à Amazônia assunto absolutamente fascinante. Na mesma ocasião haviam cadetes de Angola, Venezuela, e mais alguns outros países que não lembro mais. Acho que Uruguai e Nigéria também.
É absolutamente normal. Também mandamos cadetes nossos para outros países fazerem intercâmbio. O CIGS não ensina tudo. Ministramos cursos de selva para países aliados, mas ensinamos algo em torno de 80% da coisa, mantendo os outros 20% como conhecimento exclusivo do Brasil.
Esse negócio de 80% e 20% também é bobagem, como se fôssemos o suprassumo do combate na selva, tivéssemos técnicas excepcionais e só existisse selva no Brasil.
O Exército Colombiano tem muito mais experiência em combate na Floresta Amazônica do que o Brasileiro, por exemplo. Os EUA enviam militares para treinamentos na Colômbia com frequência.
Além disso, tem florestas tropicais/equatoriais em vários lugares do mundo onde outras Forças Armadas treinam, por exemplo, BATSUB (British Army Training Support Unit Belize), sem contar os conflitos nas florestas do sudeste asiático que “treinam de verdade” os exércitos envolvidos.
No mais, concordo que é normal o intercâmbio entre Forças Armadas.
Tá, e daí?? Isso acontece há décadas e com militares de diversos países, não só dos EUA. Que paranóia…
Tenho visto muitos comentários eivados de ideologia. Torcemos para que continue da mesma forma? Como um tema apenas transversal? O que se depreende é que o governo, diante de tantos temas prioritários a serem resolvidos, sobretudo pela necessidade de inclusão de parcelas da população que meramente nasceram aqui, mas não usufruem plenamente da cidadania nem dos benefícios do desenvolvimento, que é profundamente desigual, acabou fazendo da Defesa um tema menor. Parcelas distintas da sociedade se apropriam de forma muito desigual da riqueza produzida no país.
Ainda há muito a fazer nesses temas sociais, mas a Defesa tornou-se importante demais para continuar em segundo plano, especialmente em um mundo turbulento, no qual o nosso tradicional parceiro e aliado parece conduzido por um governo “chapado”, em permanente torpor e delírio. Um país cada vez mais instável para o comércio e imprevisível nas relações internacionais.
É o tipo de parceiro diante do qual uma mãe provavelmente aconselharia o filho a manter distância, prudência e atenção. Certamente, o país precisa de Forças Armadas à altura de suas pretensões como ator regional e de sua atuação internacional, especialmente no multilateralismo que busca fortalecer e desenvolver.