U-MAV Fire Support Variant SANCAK RWS 12_7 MG 02

Plataforma turca de 8 toneladas foi projetada para enfrentar minas, obstáculos e defesas costeiras antes da chegada das tropas; veículo pode assumir dez configurações diferentes de missão e operar de forma autônoma, remota ou híbrida

A empresa turca FNSS apresentou nesta quinta-feira, 20 de agosto, o U-MAV — Multi-Purpose Modular Unmanned Amphibious Vehicle, um veículo anfíbio pesado não tripulado desenvolvido para operar na primeira e mais perigosa onda de um assalto anfíbio, reduzindo a exposição direta das tropas às defesas inimigas.

O novo sistema foi revelado durante o TEKNOFEST Mavi Vatan 2026, realizado no Comando do Estaleiro Naval de Gölcük, em Kocaeli, na Turquia, entre 20 e 23 de agosto. Segundo a fabricante, o U-MAV foi concebido para atuar em conjunto com os Marine Assault Vehicles (MAV/ZAHA) já empregados pelas Forças Navais Turcas, formando uma equipe integrada de sistemas tripulados e não tripulados, conhecida pela sigla MUM-T.

A proposta operacional é enviar o U-MAV à frente dos veículos anfíbios tripulados. O sistema faria o primeiro contato com as defesas costeiras adversárias, permitindo que os operadores permaneçam em uma área mais segura enquanto o veículo reconhece, abre passagem e, dependendo da configuração utilizada, combate ameaças antes da chegada da força principal.

Projetado para a fase mais perigosa do desembarque

A FNSS destaca que operações anfíbias estão entre as missões de maior risco no campo de batalha, sobretudo porque uma força de desembarque pode encontrar praias protegidas por campos de minas, cinturões de obstáculos, posições de metralhadoras e sistemas de mísseis anticarro.

Essas barreiras têm como objetivo retardar a progressão, canalizar os veículos para zonas de tiro e permitir que o defensor concentre seu poder de fogo antes que a força atacante consiga estabelecer uma cabeça de praia.

O U-MAV foi desenvolvido especificamente para atuar nesse intervalo crítico. Sua missão principal é estabelecer o primeiro contato com as defesas costeiras, neutralizar minas e obstáculos conforme o módulo instalado, preparar a área de desembarque para os MAV/ZAHA tripulados e continuar prestando apoio durante as fases seguintes da operação.

O veículo pode operar em modo autônomo, remotamente controlado ou híbrido, mantendo seus operadores afastados da linha de contato. A arquitetura modular permite que diferentes exemplares sejam configurados para funções complementares e empregados simultaneamente em uma mesma operação.

Dez configurações diferentes

Uma das principais características do U-MAV é a utilização de uma plataforma-base comum sobre a qual diferentes módulos de missão podem ser instalados.

Segundo a FNSS, a substituição de um módulo pode ser realizada em aproximadamente 40 minutos em condições de campo, permitindo configurar o veículo para dez missões diferentes:

  • apoio de fogo;
  • remoção de minas;
  • engenharia de combate;
  • guerra eletrônica;
  • reconhecimento;
  • operações de dissimulação;
  • combate a drones;
  • navegação e marcação de obstáculos;
  • apoio logístico;
  • evacuação de feridos.

O conceito permite, por exemplo, que veículos de remoção de minas trabalhem juntamente com variantes de reconhecimento, guerra eletrônica e apoio de fogo durante a mesma ação. O uso da mesma plataforma e de uma infraestrutura logística comum também pretende reduzir as necessidades de manutenção e apoio.

8 toneladas e 300 hp

O U-MAV possui peso de combate anfíbio de 8 toneladas e utiliza um conjunto motriz de 300 hp, resultando em uma relação potência/peso de 37,5 hp por tonelada.

Na água, alcança velocidade de 7 nós, enquanto em estradas pode chegar a 70 km/h. A plataforma utiliza suspensão independente e poderá receber diferentes tipos de pneus conforme as condições do terreno.

A FNSS afirma ainda que o veículo foi projetado para apresentar baixas assinaturas visual, térmica e acústica. O espaço interno pode ser utilizado tanto para transportar equipamentos associados às diferentes missões quanto para apoio logístico ou evacuação de feridos.

Controle remoto mesmo sem GPS

Para manter comunicação e navegação durante operações em ambientes contestados, o U-MAV emprega uma rede mesh criptografada, sistema combinado de navegação por satélite e inercial GNSS/INS e módulo de identificação IFF.

O sistema inercial permite que o veículo continue estimando sua posição mesmo quando os sinais de navegação por satélite forem bloqueados ou degradados.

O alcance de comunicação em linha de visada é de 3 quilômetros, podendo ser ampliado com o emprego de drones como retransmissores de sinal.

Caso o enlace de dados seja interrompido, o U-MAV entra inicialmente em uma condição segura de espera. Dependendo da configuração definida antes da missão, poderá retornar automaticamente à base seguindo uma rota programada ou prosseguir com a tarefa de navegação.

Inteligência artificial ajuda a identificar ameaças

A plataforma também incorpora recursos de inteligência artificial destinados a auxiliar os operadores na identificação e acompanhamento de alvos.

O computador de missão processa localmente as imagens das câmeras e transmite pelo enlace de rádio principalmente os dados das detecções, em vez de enviar continuamente vídeo de alta resolução. Segundo a FNSS, isso reduz a necessidade de largura de banda e permite manter consciência situacional mesmo em ambientes com comunicações degradadas.

Os objetos detectados podem receber classificação por tipo, situação e nível de ameaça. O sistema apresenta ao operador uma lista priorizada de possíveis alvos e registra cada detecção com marcação temporal.

A fabricante afirma ainda que novos tipos de alvos ou regras de engajamento poderão ser introduzidos diretamente no sistema durante as operações.

Veículo avalia sozinho danos à blindagem

Outra tecnologia apresentada pela FNSS é o sistema Armor Integrity, desenvolvido pela Nurol Teknoloji.

Como o U-MAV não possui tripulação a bordo para avaliar visualmente os danos provocados por impactos, sensores instalados na estrutura identificam em tempo real a localização, direção e intensidade de um impacto e calculam a capacidade estrutural remanescente da área atingida.

Essas informações são transmitidas ao operador e à cadeia de comando. A partir delas, podem ser tomadas decisões como reposicionar o veículo para proteger a área danificada, procurar cobertura, continuar a missão ou assumir uma função passiva.

Se as comunicações forem interrompidas, os dados permanecem armazenados a bordo e são transmitidos quando o enlace é restabelecido.

Transporte estratégico

Apesar de ser um veículo anfíbio pesado, o U-MAV foi projetado para movimentação por estrada, ferrovia e transporte marítimo.

Segundo a FNSS, também pode ser transportado por helicópteros pesados e aeronaves de transporte estratégico, incluindo CH-47F Chinook, Mi-26, C-130 Hercules, A400M, C-17 Globemaster III, C-5 Galaxy, An-124 e Il-76.

Para o CEO e membro do conselho da FNSS, Selim Baybaş, o U-MAV representa a combinação da experiência acumulada pela empresa com o veículo anfíbio MAV e os investimentos feitos em tecnologias autônomas e não tripuladas. O executivo destacou que poucas empresas no mundo possuem capacidade para desenvolver um veículo anfíbio não tripulado dessa dimensão e afirmou que o sistema inaugura uma nova etapa para a companhia.

Com o U-MAV, a FNSS aposta em um conceito no qual a primeira onda do assalto anfíbio deixa de ser necessariamente tripulada. Minas, obstáculos, fogo anticarro e posições defensivas continuariam representando os mesmos riscos para a força atacante — mas seriam enfrentados inicialmente por plataformas não tripuladas, enquanto militares e veículos de assalto permaneceriam mais afastados da zona de maior exposição.■



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comenteiro
comenteiro
17 dias atrás

Tinha um episódio do antigo desenho animado “Patrulha Estelar” no qual tanques robôs invadiam o 10º planeta. Vivi tempo bastante para ver que a ficção científica está assustadoramente tornando-se realidade.

Cristiano Salles (Taubaté-SP)
Cristiano Salles (Taubaté-SP)
17 dias atrás

Esses drones estão acabando com a infantaria (humanos)

Comenteiro
Comenteiro
Responder para  Cristiano Salles (Taubaté-SP)
17 dias atrás

Em todos os sentidos.

Raphael
Raphael
17 dias atrás

Turquia se tornando um player global.

Goes
Goes
17 dias atrás

Eles são bonitos ! E bem funcionais
A nossa MB bem que poderia entrar na brincadeira.

Mauricio R.
Responder para  Goes
16 dias atrás

E a MB agrega o que, qual cacife ela tem para tanto?
Nada e nenhum.
Bestas os turcos se topassem.

Cassini
Cassini
16 dias atrás

Conceito interessantíssimo. A Turquia mais uma vez surpreendendo e se mostrando competidora de peso em tecnologia militar.

Fernando XO
Fernando XO
16 dias atrás

O conceito de operação anfíbia, notadamente, o assalto anfíbio, precisa ser repensado… a eventual existência da capacidade de bater a cabeça de praia com foguetes e drones tem o potencial de tornar a missão um desastre… seria necessário executar uma campanha de ataques sistemáticos, como os da RAF contra as plataformas lançamento de V-1 e V-2 durante a II GM, mesmo assim com alto grau de risco na execução e incertezas quanto aos resultados…

Nativo
Nativo
16 dias atrás

Parabéns aos turcos, com esse invento bão redefinindo as operações de desembarque.

Taperão Itaverá
Taperão Itaverá
16 dias atrás

Conceito extremamente necessário na guerra moderna! A Turquia tá aprendendo as lições da Ucrânia, Iran mais rápido que outros países. Seus drones de ataque e reconhecimento são os melhores.

Carlos Campos
Carlos Campos
15 dias atrás

Gostei, mas na minha opinião deveriam ter também dornes pequenos com turbinas capaz de pairar no ar, para atacar soldados inimigos e se movimentar rápido entre predios e casas.

Mauricio R.
Responder para  Carlos Campos
15 dias atrás

Tem muito quadcopter e até octocopter que já faz isso.