Jair Bolsonaro: da onda antipolítica ao Planalto — pandemia, recuperação econômica e transformação das Forças Armadas
Eleito em 2018 no ambiente de desgaste dos partidos tradicionais, recessão, Lava Jato e forte rejeição ao PT, Jair Bolsonaro governou o Brasil entre 2019 e 2022. Seu mandato começou com uma agenda econômica liberal e reformas estruturais, foi dramaticamente alterado pela pandemia de Covid-19 e terminou com recuperação do PIB, queda do desemprego e inflação ainda elevada. Nas Forças Armadas, o período marcou a entrada em serviço do KC-390 e do Gripen F-39, a incorporação do submarino Riachuelo, o início da construção das fragatas Classe Tamandaré e a continuidade de SISFRON, Guarani e ASTROS — ao mesmo tempo em que a presença de militares na política alcançou um nível incomum desde a redemocratização
Quando Jair Messias Bolsonaro subiu a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro de 2019, o Brasil encerrava um dos períodos mais turbulentos de sua história democrática recente. Em pouco mais de quatro anos, o país havia atravessado uma recessão devastadora, o impeachment de Dilma Rousseff, a Operação Lava Jato, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a deterioração da confiança nos partidos tradicionais e uma eleição presidencial marcada por extrema polarização.
Bolsonaro não surgiu desse cenário como um desconhecido. Capitão reformado do Exército, havia iniciado a carreira política como vereador do Rio de Janeiro em 1989 e chegara à Câmara dos Deputados em 1991, onde cumpriu sete mandatos consecutivos. Durante grande parte desse período, permaneceu à margem das principais estruturas de poder do Congresso. Em 2018, porém, encontrou um ambiente político extraordinariamente favorável a uma candidatura apresentada como ruptura com o sistema tradicional.
A campanha combinou conservadorismo nos costumes, discurso de endurecimento contra a criminalidade, oposição ao PT e às esquerdas e uma proposta econômica liberal conduzida pelo economista Paulo Guedes. O candidato a vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão, reforçava também a aproximação simbólica da chapa com as Forças Armadas.
O caminho aberto pela crise política
A ascensão de Bolsonaro dificilmente pode ser compreendida sem considerar a sequência de acontecimentos iniciada anos antes.
A recessão de 2015–2016 havia produzido desemprego em massa e queda da renda. A Lava Jato expusera grandes esquemas de corrupção envolvendo empresas, partidos e dirigentes da Petrobras. O impeachment de Dilma Rousseff aprofundara a divisão política, enquanto Michel Temer encerrou seu governo com uma economia estabilizada, mas ainda marcada por elevado desemprego e baixa popularidade.
Ao mesmo tempo, Lula, que pretendia voltar à Presidência, estava preso após condenação na Lava Jato. Em 31 de agosto de 2018, o Tribunal Superior Eleitoral indeferiu por seis votos a um seu registro de candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. O PT substituiu Lula por Fernando Haddad, até então candidato a vice.
Anos depois, as condenações de Lula seriam anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questões de competência jurisdicional, e o STF reconheceria a parcialidade de Sergio Moro no caso do triplex. Mas, em 2018, o efeito eleitoral era concreto: Lula não participou da disputa.
Outro acontecimento alterou profundamente a campanha. Em 6 de setembro de 2018, Bolsonaro foi esfaqueado durante ato eleitoral em Juiz de Fora, Minas Gerais. Gravemente ferido, passou por cirurgias e ficou afastado de grande parte das atividades presenciais, enquanto sua campanha aumentava ainda mais a utilização das redes sociais.
Bolsonaro chegou ao segundo turno contra Haddad e venceu a eleição de 28 de outubro com 55,13% dos votos válidos, contra 44,87% do candidato petista.
Era uma mudança política profunda. Um parlamentar que durante décadas pertencera ao chamado “baixo clero” da Câmara chegava à Presidência apoiado por uma coalizão eleitoral de conservadores, eleitores antipetistas, parte significativa do agronegócio, grupos evangélicos, setores liberais e uma parcela do eleitorado que via nele uma resposta à corrupção, à criminalidade e ao desgaste das elites políticas tradicionais.
O primeiro ano: liberalismo econômico e reformas
Bolsonaro entregou a condução da economia a Paulo Guedes, que reuniu sob um Ministério da Economia ampliado áreas anteriormente distribuídas entre Fazenda, Planejamento, Indústria e Trabalho.
A promessa era reduzir o tamanho do Estado, promover privatizações, abrir a economia, simplificar regras e reformar a Previdência.
O primeiro ano, entretanto, não produziu a aceleração econômica esperada. Nas séries posteriormente revisadas pelo IBGE, o PIB cresceu 1,2% em 2019, mantendo o ritmo relativamente baixo observado desde o fim da recessão.
A grande vitória legislativa daquele ano foi a reforma da Previdência, promulgada em novembro de 2019. A Emenda Constitucional nº 103 criou idades mínimas de aposentadoria, alterou regras de contribuição e benefícios e estabeleceu diferentes transições para trabalhadores que já estavam no sistema.
A inflação fechou 2019 em 4,31%, enquanto a taxa média de desemprego permaneceu próxima de 11,8% na série atualizada da PNAD Contínua.
O Brasil ainda carregava, portanto, grande parte das sequelas sociais da recessão anterior quando surgiu um acontecimento que transformaria completamente o mandato.
A pandemia muda tudo
Em março de 2020, a Covid-19 chegou ao centro da agenda política e econômica.
As medidas de isolamento, a redução da mobilidade, o fechamento temporário de atividades e a ruptura das cadeias produtivas provocaram uma recessão mundial. No Brasil, serviços presenciais, comércio, transporte, turismo e diversos segmentos industriais foram duramente atingidos.
O PIB brasileiro recuou 3,3% em 2020, de acordo com a série posteriormente revisada pelo IBGE. Foi uma queda severa, embora menor do que as previsões mais pessimistas realizadas nos primeiros meses da pandemia.
O desemprego médio subiu para 13,8% e a dívida pública disparou. A Dívida Bruta do Governo Geral passou de 74,3% do PIB em 2019 para 88,8% em 2020, segundo o TCU, refletindo simultaneamente a queda da atividade econômica e o gigantesco aumento das despesas extraordinárias para enfrentar a emergência.
A pandemia transformou também a política fiscal que Bolsonaro e Guedes haviam apresentado durante a eleição. A prioridade deixou temporariamente de ser contenção de despesas e passou a ser impedir o colapso econômico e social.
O Auxílio Emergencial e o maior programa de transferência de renda daquele momento
A principal resposta social foi o Auxílio Emergencial.
A equipe econômica havia inicialmente discutido um benefício de R$ 200. Durante a tramitação no Congresso, o valor foi elevado para R$ 600 mensais, proposta posteriormente sancionada pelo presidente.
A escala foi extraordinária.
Segundo o governo federal, aproximadamente 68 milhões de brasileiros receberam o benefício em algum momento de 2020, e cerca de R$ 295 bilhões foram transferidos naquele ano. Tratava-se de quase um terço da população do país alcançado diretamente pelo programa.
O efeito social foi imediato.
Mesmo com a economia desabando e milhões de trabalhadores perdendo ocupações, as transferências evitaram uma explosão ainda maior da pobreza durante a primeira fase da pandemia. Estudos do próprio IBGE mostrariam posteriormente que, sem os benefícios emergenciais, os indicadores de pobreza de 2020 teriam sido substancialmente mais elevados.
O paradoxo tornou-se evidente em 2021. Quando o valor e a cobertura das transferências foram reduzidos, a pobreza aumentou fortemente. Pelos critérios utilizados pelo IBGE naquele levantamento, 62,5 milhões de brasileiros estavam abaixo da linha de pobreza em 2021, o maior contingente da série iniciada em 2012.
Economia de Bolsonaro em números
A trajetória econômica dos quatro anos revela com clareza a ruptura causada pela pandemia e a forte recuperação posterior:
| Ano | PIB real | IPCA | Desemprego médio |
|---|---|---|---|
| 2019 | +1,2% | 4,31% | 11,8% |
| 2020 | -3,3% | 4,52% | 13,8% |
| 2021 | +4,8% | 10,06% | 13,2% |
| 2022 | +3,0% | 5,79% | 9,6% |
Fontes: IBGE — Contas Nacionais, IPCA e PNAD Contínua. Os valores do PIB refletem revisões posteriores das Contas Nacionais e, por isso, podem diferir dos números divulgados originalmente ao final de cada ano.
O desempenho acumulado precisa ser interpretado com cautela. Não faz sentido analisar 2020 como se fosse um ano econômico normal, assim como parte importante do crescimento de 2021 correspondeu à recuperação sobre a base deprimida do primeiro ano da pandemia.
Ainda assim, ao final de 2022, a economia brasileira havia ultrapassado o nível de atividade anterior à Covid-19.
A recuperação de 2021 e a volta da inflação
Depois da contração de 2020, o PIB cresceu 4,8% em 2021, na série revisada do IBGE. A recuperação veio com a reabertura das atividades, retomada dos serviços, crescimento dos investimentos e normalização parcial da mobilidade.
Mas outro problema surgiu: a inflação.
O IPCA saltou de 4,52% em 2020 para 10,06% em 2021. Combustíveis, energia, alimentos, gargalos nas cadeias globais e desvalorização cambial contribuíram para a alta. O fenômeno também atingia outras economias, inicialmente pressionadas pela reabertura pós-pandemia e posteriormente pela crise energética internacional.
O Banco Central respondeu com uma das mais rápidas altas de juros de sua história recente. A Selic, que havia chegado a 2% ao ano durante a pandemia, começou a subir em março de 2021 e alcançaria 13,75% em 2022.
Foi também durante Bolsonaro que o Congresso aprovou a autonomia formal do Banco Central, estabelecida pela Lei Complementar nº 179, de fevereiro de 2021, com mandatos fixos para seu presidente e diretores.
Reformas além da Previdência
Outras mudanças estruturais foram aprovadas durante o mandato.
Em 2020, foi sancionado o novo Marco Legal do Saneamento Básico, buscando ampliar participação privada e universalizar o abastecimento de água e tratamento de esgoto.
Em 2021 veio a autonomia do Banco Central.
Em 2022 ocorreu a capitalização da Eletrobras, reduzindo a participação da União no capital votante da companhia e retirando seu controle direto da empresa. A operação foi concluída em junho daquele ano.
O governo também promoveu concessões de aeroportos, rodovias, terminais portuários e outros ativos de infraestrutura.
A agenda liberal original, porém, foi apenas parcialmente executada. Grandes privatizações anunciadas no início do mandato não ocorreram, a reforma administrativa não foi concluída e uma reforma tributária abrangente só seria aprovada durante o governo seguinte.
A Covid-19 torna-se também uma crise política
Nenhum assunto marcou tanto a Presidência de Bolsonaro quanto a pandemia.
As divergências sobre isolamento social, vacinas, medicamentos e competências de União, estados e municípios produziram choques constantes entre o Planalto, governadores, Congresso e Supremo Tribunal Federal.
No fim de 2022, o Brasil contabilizava oficialmente mais de 36,3 milhões de casos confirmados e 693.853 mortes por Covid-19.
A condução federal da pandemia tornou-se objeto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado. Em outubro de 2021, o relatório final da CPI recomendou o indiciamento de Bolsonaro por nove possíveis infrações, além de solicitar providências contra dezenas de outras pessoas e empresas. Tratava-se de recomendação de uma comissão parlamentar, e não de condenação judicial.
A pandemia também tornou mais difícil qualquer avaliação simples da política econômica do período. O governo que havia sido eleito propondo reduzir drasticamente despesas acabou presidindo a maior expansão emergencial de transferências sociais e gastos extraordinários da história recente.
Emprego volta a crescer
A recuperação do mercado de trabalho demorou mais que a do PIB.
A taxa média de desemprego permaneceu em 13,2% em 2021, apesar da retomada da economia. Somente em 2022 ocorreu uma melhora expressiva, com a média anual caindo para 9,6%.
O ano de 2022 terminou, portanto, com um mercado de trabalho substancialmente melhor que o observado no auge da pandemia.
Entretanto, parte importante da recuperação ocorreu por meio do trabalho informal e do emprego por conta própria, fenômeno que já vinha crescendo antes da Covid-19. O desafio social não se restringia, portanto, à quantidade de pessoas ocupadas, mas também à qualidade e estabilidade dessas ocupações.
Pobreza sobe e depois recua
Os indicadores sociais seguiram uma trajetória semelhante.
Em 2021, a redução do Auxílio Emergencial, combinada com inflação elevada e um mercado de trabalho ainda debilitado, levou a proporção de brasileiros abaixo da linha de pobreza adotada naquele levantamento a atingir 36,7%.
Em 2022, com a melhora do emprego e a ampliação das transferências de renda, o percentual caiu para 31,6%. Ainda assim, quase um terço dos brasileiros permanecia abaixo da linha utilizada pelo IBGE e pelo Banco Mundial.
O governo substituiu o Bolsa Família pelo Auxílio Brasil no fim de 2021. Em 2022, poucos meses antes das eleições, o benefício mínimo foi elevado para R$ 600 por meio de medidas excepcionais aprovadas pelo Congresso.
Assim, o mandato apresentou dois movimentos aparentemente contraditórios: começou sob uma plataforma liberal de redução do Estado e terminou com transferências sociais de grande escala ocupando posição central na política econômica.
Dívida explode na pandemia e recua posteriormente
A dívida pública sintetiza esse movimento.
A Dívida Bruta do Governo Geral saltou de 74,3% do PIB em 2019 para 88,8% em 2020, sob o impacto da emergência sanitária. Nos dois anos seguintes, a relação dívida/PIB caiu acentuadamente.
Segundo o TCU, encerrou 2022 em aproximadamente 73,5% do PIB pela metodologia utilizada no relatório das contas daquele exercício. O próprio Tribunal observou que a dívida havia retomado trajetória descendente depois do salto causado pela pandemia.
A redução não pode ser explicada apenas por contenção de gastos. A recuperação da atividade, inflação elevada — que aumentou o PIB nominal —, crescimento das receitas públicas e resultados fiscais melhores também reduziram mecanicamente a razão dívida/PIB.
O período, portanto, começou e terminou com níveis semelhantes de dívida em proporção ao PIB, mas passou no meio do caminho por um choque fiscal sem precedentes.
A tentativa de associação entre Embraer e Boeing
Um dos episódios mais controversos da política industrial do início do governo Jair Bolsonaro foi o apoio dado à operação que previa transferir o controle da aviação comercial da Embraer para a Boeing. Embora o negócio tenha sido negociado e estruturado ainda durante o governo Michel Temer, foi Bolsonaro quem, já na Presidência, decidiu em janeiro de 2019 que a União não utilizaria a golden share para vetar a transação.
A expressão frequentemente usada no debate político — “venda da Embraer para a Boeing” — não descrevia com exatidão a arquitetura do acordo: a Embraer não seria integralmente adquirida. O que estava previsto era a criação de uma nova companhia reunindo sua divisão de aviação comercial e serviços associados, na qual a Boeing teria 80% do capital e o controle operacional e administrativo, enquanto a Embraer manteria os 20% restantes. A Boeing pagaria US$ 4,2 bilhões pela participação, avaliando o negócio de aviação comercial em aproximadamente US$ 5,26 bilhões.
A importância estratégica da decisão decorria da posição singular da Embraer na indústria brasileira. Privatizada em 1994, a companhia continuou sujeita a uma ação especial da União, a golden share, que permitia ao governo vetar determinadas decisões consideradas contrárias aos interesses estratégicos nacionais. Nos primeiros dias de seu mandato, Bolsonaro chegou a demonstrar preocupação com o acordo, afirmando que a Embraer era um “patrimônio nosso” e questionando a possibilidade de, no futuro, tecnologias e ativos acabarem integralmente transferidos ao grupo norte-americano.
Poucos dias depois, entretanto, após reunião com representantes dos ministérios da Defesa, Economia, Ciência e Tecnologia e Relações Exteriores, além dos comandantes militares, o presidente concluiu que a soberania e os interesses nacionais estariam preservados e decidiu não exercer o veto.
O desenho aprovado procurava justamente separar as áreas consideradas mais sensíveis. Aviação Executiva e Defesa & Segurança continuariam integralmente dentro da Embraer, mantendo no Brasil os programas militares e as informações estratégicas correspondentes.
Ao mesmo tempo, uma segunda joint venture seria criada especificamente para promover o então KC-390, atual C-390 Millennium: nessa empresa, a Embraer permaneceria controladora, com 51%, e a Boeing teria 49%. O governo também informou que a produção das aeronaves existentes permaneceria no Brasil e que seriam preservadas salvaguardas relacionadas a projetos militares e informações sigilosas.
A lógica empresarial por trás da associação estava ligada à rápida consolidação da indústria aeronáutica mundial. Boeing e Airbus dominavam o mercado de grandes aviões comerciais, enquanto a compra da canadense Bombardier CSeries pela Airbus — que deu origem ao A220 — aproximava a concorrente europeia do segmento tradicionalmente ocupado pelos E-Jets da Embraer.
Para os defensores do acordo, integrar a linha brasileira à estrutura mundial de vendas, financiamento e suporte da Boeing permitiria disputar o mercado em melhores condições e aumentar a escala da indústria brasileira. Para os críticos, entretanto, o Brasil abriria mão do controle de sua área tecnologicamente mais valiosa e bem-sucedida justamente quando a Embraer havia se transformado na terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, tornando-se dependente das decisões estratégicas de um grupo estrangeiro.
A operação avançou durante 2019 e chegou muito perto da conclusão. Os acionistas da Embraer aprovaram a parceria, e diferentes autoridades regulatórias deram sinal verde. Em janeiro de 2020, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o negócio sem restrições, concluindo que a concentração não produziria problemas concorrenciais relevantes e que a combinação dos portfólios poderia aumentar a concorrência contra a Airbus. A transação ainda dependia, contudo, da autorização da Comissão Europeia.
Foi então que o cenário mudou radicalmente. A Boeing já enfrentava uma grave crise financeira e reputacional provocada pelos acidentes e pela paralisação mundial do 737 MAX, quando a pandemia de Covid-19 praticamente interrompeu o transporte aéreo internacional no início de 2020. Em 25 de abril de 2020, a fabricante norte-americana anunciou unilateralmente o encerramento do acordo.
Segundo a Boeing, a Embraer não havia cumprido determinadas condições previstas no contrato dentro do prazo estabelecido. A empresa brasileira rejeitou imediatamente essa versão, acusando a Boeing de utilizar supostos descumprimentos como pretexto para abandonar a operação em razão de seus próprios problemas financeiros, do 737 MAX e da deterioração do mercado provocada pela pandemia.
O rompimento ocorreu depois de a Embraer já ter realizado uma extensa reestruturação interna para separar sua divisão de aviação comercial dos demais negócios, provocando custos e incertezas em um momento especialmente crítico para o setor aéreo. A disputa seguiu para arbitragem internacional. Quatro anos depois, em setembro de 2024,
Embraer e Boeing encerraram definitivamente o litígio, com a Boeing concordando em pagar US$ 150 milhões à fabricante brasileira. Documentos posteriores da Embraer mantiveram a posição de que a companhia cumprira suas obrigações contratuais e que a Boeing havia encerrado indevidamente o acordo.
O fracasso da operação acabou produzindo um resultado histórico inesperado. A Embraer permaneceu independente, reorganizou seus negócios e, nos anos seguintes, voltou a expandir sua carteira de pedidos, enquanto o C-390 Millennium passou a conquistar sucessivos clientes internacionais sem a joint venture originalmente planejada com a Boeing.
Em 2024, a fabricante registrou receita recorde e forte crescimento em Defesa & Segurança. O episódio, portanto, tornou-se um dos maiores debates sobre política industrial do governo Bolsonaro: sua administração não iniciou a negociação, mas deu a autorização política decisiva para que o controle da divisão comercial da Embraer pudesse passar à Boeing. A operação só não foi consumada porque, em meio às crises do 737 MAX e da Covid-19, foi a própria fabricante norte-americana que decidiu abandoná-la.
As Forças Armadas ganham presença política
Bolsonaro chegou ao Planalto como o primeiro presidente desde a redemocratização com origem profissional diretamente vinculada ao Exército.
Seu vice era um general da reserva. Os primeiros ministros da Defesa foram oficiais-generais, assim como numerosos ocupantes de cargos civis em ministérios, secretarias e empresas públicas.
Essa presença aproximou as Forças Armadas do centro da política de uma maneira não observada nos governos civis anteriores.
No campo do reaparelhamento, entretanto, a realidade foi diferente do discurso de ruptura: os principais programas militares do governo Bolsonaro eram projetos de Estado iniciados nos governos Lula, Dilma Rousseff ou Michel Temer.
O que diferencia 2019–2022 é que vários deles chegaram finalmente à fase operacional.
KC-390: o cargueiro brasileiro entra em serviço
O primeiro grande marco ocorreu poucos meses depois da posse.
Em 4 de setembro de 2019, a Força Aérea Brasileira recebeu seu primeiro KC-390 Millennium, iniciando a vida operacional do maior avião militar já desenvolvido e produzido no Brasil.
O projeto havia sido iniciado no governo Lula, realizado seu primeiro voo durante Dilma e completado a certificação principal no governo Temer. Sob Bolsonaro, passou finalmente da fase de desenvolvimento para a operação militar. A Embraer registra 2019 como o ano de entrada em serviço do C-390 na FAB.
A aeronave demonstraria rapidamente sua importância durante a própria pandemia, transportando equipamentos, oxigênio e suprimentos pelo território brasileiro.
Mas o programa também mostrou as dificuldades orçamentárias da Defesa.
O contrato original da FAB previa 28 aeronaves. Documentos oficiais do Ministério da Defesa registram que sucessivas insuficiências orçamentárias obrigaram a renegociação dos cronogramas. Em 2022, após uma disputa entre Embraer e Aeronáutica, o objeto do contrato foi reduzido primeiro para 22 e posteriormente para 19 aeronaves, além do alongamento das entregas.
Foi uma decisão de grande impacto: ao mesmo tempo em que o KC-390 se consolidava tecnologicamente e começava a conquistar compradores externos, a encomenda de seu país de origem diminuía.
Gripen F-39: finalmente operacional
O programa Gripen seguiu trajetória semelhante.
A escolha do caça sueco havia sido anunciada por Dilma Rousseff em 2013 e o contrato para 36 aeronaves assinado em 2014. Durante Temer avançaram a transferência de tecnologia e o desenvolvimento conjunto.
No governo Bolsonaro começaram os resultados operacionais.
O primeiro Gripen E destinado ao programa brasileiro chegou ao país em setembro de 2020 para a campanha de ensaios em voo. Engenheiros brasileiros e suecos trabalharam no Gripen Flight Test Centre da Embraer, em Gavião Peixoto.
Em dezembro de 2022, poucos dias antes do fim do mandato, os primeiros caças F-39E Gripen começaram oficialmente as atividades operacionais no 1º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis.
Tratava-se de uma transformação histórica para a FAB: depois de décadas operando F-5 modernizados e de uma passagem relativamente curta pelo Mirage 2000, a Força Aérea finalmente incorporava um caça moderno dotado de radar AESA, enlaces avançados de dados e mísseis de nova geração.
A pandemia e limitações técnicas, entretanto, provocaram ajustes no cronograma. Documento do Ministério da Defesa registrou que o contrato precisou ser estendido até 2028 em razão de questões de certificação, Covid-19 e alterações no planejamento físico-financeiro.
PROSUB: o Riachuelo entra em serviço
Na Marinha, o maior acontecimento do período foi a chegada do primeiro submarino da Classe Riachuelo.
O PROSUB tinha origem no acordo estratégico Brasil-França assinado em 2008. Sua infraestrutura e os submarinos foram construídos ao longo dos governos Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro.
Durante 2019 começaram os testes de mar do Riachuelo. Em dezembro de 2020 ocorreu o lançamento do Humaitá, segundo submarino da classe, simultaneamente ao avanço da construção das unidades seguintes.
Finalmente, em 1º de setembro de 2022, o Riachuelo (S40) passou por sua Mostra de Armamento e foi incorporado ao setor operativo da Marinha. Era o primeiro dos quatro submarinos convencionais previstos no PROSUB.
Ao mesmo tempo, prosseguiram os trabalhos relacionados ao futuro submarino convencionalmente armado com propulsão nuclear, que dependiam tanto do complexo industrial de Itaguaí quanto do Programa Nuclear da Marinha.
Assim como no Gripen e no KC-390, o mérito histórico do período está principalmente na passagem de um programa herdado da fase de desenvolvimento para a operação efetiva.
Fragatas Classe Tamandaré: o principal novo marco naval
Um dos programas que efetivamente atingiu sua fase contratual decisiva durante Bolsonaro foi o das Fragatas Classe Tamandaré.
A seleção do consórcio havia começado ainda no governo Temer, mas o contrato entre a EMGEPRON e o consórcio Águas Azuis — formado pela alemã thyssenkrupp Marine Systems e pelas brasileiras Embraer e Atech — foi assinado em 4 de março de 2020.
A execução começou em setembro daquele ano.
Em 5 de setembro de 2022, no estaleiro de Itajaí, Santa Catarina, foi realizado o primeiro corte de aço da futura fragata Tamandaré (F200), iniciando fisicamente a construção dos quatro novos navios.
O programa tornou-se essencial porque a Marinha chegava ao fim daquela década enfrentando o envelhecimento acelerado de suas fragatas das classes Niterói e Greenhalgh.
A Classe Tamandaré representava, portanto, não apenas um projeto tecnológico, mas uma tentativa de impedir a perda de capacidade de escolta oceânica da Esquadra.
SISFRON se expande para além do projeto-piloto
No Exército, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras — SISFRON continuou sua expansão.
O programa havia começado anos antes e implantado seu projeto-piloto em Mato Grosso do Sul. Durante o governo Bolsonaro, essa etapa foi finalmente concluída.
O relatório oficial do Ministério da Defesa registra que, em 2021, foi encerrada a implantação do projeto-piloto no Mato Grosso do Sul, enquanto avançavam módulos no Mato Grosso e na Amazônia e começava a implantação em Roraima. Também foram realizados os planejamentos para levar o sistema ao Paraná e a Santa Catarina.
O SISFRON deixou assim de ser apenas um grande projeto experimental e começou a assumir a configuração de rede nacional de vigilância, comunicações e apoio às unidades de fronteira.
Seus sensores e sistemas já eram utilizados em operações interagências, inclusive nas Operações Ágata contra tráfico de drogas, armas e outros crimes transfronteiriços.
Guarani e a transformação das forças blindadas
O VBTP-MR Guarani 6×6 também continuou a chegar às unidades do Exército.
Criado para substituir progressivamente antigas viaturas Urutu e permitir a mecanização de unidades de infantaria, o programa permaneceu como uma das maiores iniciativas industriais terrestres do país.
Ao longo do período, dezenas de novos Guarani foram incorporados anualmente. O projeto também evoluiu institucionalmente para um conceito mais amplo de Forças Blindadas, destinado não apenas à produção do Guarani, mas à modernização das capacidades mecanizadas e blindadas sobre rodas e lagartas do Exército.
O processo refletia uma mudança de planejamento: em vez de tratar uma única viatura como finalidade do programa, o Exército passou a organizar diferentes plataformas, sistemas de armas e versões especializadas dentro de uma arquitetura maior de renovação das tropas blindadas.
ASTROS permanece estratégico

Outro programa mantido foi o ASTROS 2020, posteriormente reorganizado como Programa Estratégico ASTROS.
Seu objetivo continuava sendo ampliar as capacidades de artilharia de foguetes do Exército, incluindo modernização das viaturas existentes, desenvolvimento de foguetes guiados e do míssil tático de cruzeiro MTC-300.
O projeto atravessou todo o governo Bolsonaro sem atingir integralmente suas metas mais ambiciosas. O desenvolvimento do MTC-300 prosseguiu, mas o sistema ainda não havia alcançado plena maturidade operacional ao término de 2022.
Ainda assim, a família ASTROS continuava representando uma das poucas capacidades latino-americanas de artilharia de foguetes de longo alcance produzidas nacionalmente e permanecia inserida formalmente entre os programas estratégicos prioritários do Exército.
H-XBR chega à fase final
O programa dos helicópteros H225M também avançou.
Iniciado em 2008, o H-XBR previa produção nacional de helicópteros para Marinha, Exército e Força Aérea pela Helibras/Airbus Helicopters em Itajubá.
Ao fim de 2022, o indicador de acompanhamento do Ministério da Defesa registrava 42 helicópteros multiemprego entregues às Forças Armadas, e o projeto já era descrito oficialmente como estando em sua fase final de produção.
Mais uma vez, tratava-se de um programa iniciado muito antes de Bolsonaro, mas que encontrou durante seu governo a etapa final de uma longa curva de produção e absorção tecnológica.
Continuidade tecnológica, restrição financeira
O balanço dos programas militares entre 2019 e 2022 apresenta uma característica evidente.
O Brasil finalmente começava a colher resultados de investimentos iniciados dez ou quinze anos antes: Gripen, KC-390, PROSUB, H-XBR, Guarani e SISFRON chegavam simultaneamente a estágios mais maduros.
Mas a disponibilidade de recursos continuava sendo o grande limitador.
O caso do KC-390 é particularmente ilustrativo: uma aeronave brasileira que começava a conquistar espaço internacional teve sua própria encomenda doméstica reduzida porque a FAB não conseguia acomodar o contrato no orçamento.
No Gripen, a pandemia e as limitações financeiras também obrigaram ajustes de calendário. No Exército, SISFRON e os programas blindados continuaram sendo executados em um horizonte de décadas.
O governo Bolsonaro, portanto, não resolveu o problema histórico brasileiro da descontinuidade orçamentária da Defesa.
A contradição da relação de Bolsonaro com os militares
Há ainda uma distinção importante entre política de Defesa e participação política dos militares.
Bolsonaro utilizou com frequência sua identidade de ex-capitão e cercou-se de oficiais da ativa e da reserva. Isso deu às Forças Armadas uma exposição política que não era necessária para a execução de Gripen, PROSUB, KC-390 ou SISFRON — programas técnicos que haviam atravessado governos de diferentes orientações ideológicas.
Essa associação faria com que, ao final do mandato, o debate sobre as Forças Armadas fosse menos dominado pelo reaparelhamento e mais por sua relação com o processo político.
Esse seria um dos legados mais controversos do período: enquanto os equipamentos finalmente avançavam, a instituição militar passava a ocupar posição cada vez mais visível na disputa política nacional.
2022: recuperação econômica e eleição apertada
O último ano de Bolsonaro foi economicamente muito melhor que o auge da pandemia.
O PIB cresceu 3,0%, o desemprego médio recuou para 9,6% e a inflação caiu para 5,79%, embora ainda permanecesse acima da meta.
A guerra entre Rússia e Ucrânia produziu inicialmente um novo choque nos preços internacionais de petróleo, combustíveis, fertilizantes e alimentos. No segundo semestre, reduções tributárias sobre combustíveis e energia ajudaram a desacelerar o IPCA.
Ao mesmo tempo, o governo ampliou o Auxílio Brasil para R$ 600 e adotou outros benefícios sociais temporários.
Bolsonaro chegou, portanto, à eleição com um cenário econômico bem mais favorável que o de 2020 ou 2021, mas enfrentou novamente Lula, que havia recuperado seus direitos políticos.
Da derrota eleitoral à tentativa de golpe de Estado

A derrota para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 30 de outubro de 2022 abriu o capítulo mais grave e controverso do final do governo Jair Bolsonaro. Lula venceu por uma margem estreita, com 60.345.999 votos, ou 50,90% dos válidos, contra 58.206.354 votos, ou 49,10%, de Bolsonaro.
Nos dias seguintes à eleição, milhares de apoiadores de Bolsonaro passaram a ocupar áreas diante de quartéis do Exército em diferentes cidades, pedindo abertamente uma intervenção das Forças Armadas para impedir a posse de Lula. Paralelamente, dentro do governo, avançaram discussões sobre medidas de exceção.
Nos anos seguintes, investigações da Polícia Federal, denúncia da Procuradoria-Geral da República e finalmente um julgamento do Supremo Tribunal Federal concluíram que a tentativa de impedir a transferência de poder não foi resultado apenas de iniciativas espontâneas de apoiadores inconformados com a eleição, mas parte de uma articulação mais ampla envolvendo integrantes do governo, militares e assessores do então presidente.
O próprio STF ressaltou posteriormente que o processo de deslegitimação das instituições havia começado antes da derrota eleitoral, com ataques sistemáticos às urnas e ao sistema eleitoral, intensificando-se depois da vitória de Lula.
A investigação encontrou diferentes versões da chamada “minuta do golpe”, documento que previa mecanismos jurídicos excepcionais capazes de interromper a sucessão presidencial. Segundo a denúncia posteriormente acolhida pelo STF, Bolsonaro teve conhecimento, discutiu e alterou versões desse documento e buscou apoio da cúpula militar para executá-lo.
A participação dos comandantes das Forças Armadas tornou-se um dos pontos decisivos para compreender por que a ruptura institucional não prosperou. Depoimentos e provas incorporados ao processo mostraram que o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, e o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, rejeitaram as propostas de exceção.
A PGR registrou que, após uma reunião em dezembro de 2022 na qual uma nova versão do decreto foi apresentada aos chefes militares, ambos mantiveram posição contrária à ruptura e posteriormente passaram a sofrer ataques de grupos ligados ao movimento golpista. Já o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, foi considerado pelo STF alinhado à execução do plano e acabou condenado juntamente com Bolsonaro.
O esquema investigado não se limitava à elaboração de um decreto. Em processos separados, integrantes de outros núcleos foram condenados por atividades destinadas a criar as condições necessárias à ruptura institucional.
Entre elas estavam a disseminação organizada de informações falsas contra as urnas eletrônicas, pressão sobre militares resistentes ao golpe, operações da Polícia Rodoviária Federal que procuraram dificultar o deslocamento de eleitores no Nordeste durante o segundo turno e a elaboração do chamado Plano Punhal Verde Amarelo, que previa o monitoramento e assassinato de autoridades, entre elas Lula, o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
O STF condenou integrantes responsáveis por essas ações em julgamentos realizados em 2025.
Bolsonaro permaneceu praticamente afastado da exposição pública durante boa parte das semanas posteriores à eleição e não realizou a tradicional passagem da faixa presidencial ao sucessor. Em 30 de dezembro de 2022, dois dias antes da posse de Lula, deixou o Brasil num avião oficial e seguiu para a Flórida, nos Estados Unidos. Sua ausência, entretanto, não encerrou a mobilização de seus apoiadores. Os acampamentos diante de instalações militares permaneceram ativos depois da posse do novo governo.
Em 8 de janeiro de 2023, uma semana depois de Lula assumir a Presidência, milhares de manifestantes invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal em Brasília.
Para o STF, os ataques não foram um acontecimento isolado, mas a culminação de uma sequência de ações destinadas a criar uma ruptura da ordem constitucional e impedir a normal alternância de poder. Isso não significa que o Tribunal tenha concluído que Bolsonaro pessoalmente comandou a multidão em Brasília naquele dia — ele estava nos Estados Unidos —, mas que sua atuação e a do chamado “núcleo crucial” integraram, segundo a decisão judicial, o processo que buscou criar as condições políticas e institucionais para o golpe.
A investigação produziu consequências inéditas na história brasileira. Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República denunciou Bolsonaro e outros integrantes da antiga cúpula do governo. A Primeira Turma do STF aceitou a acusação e abriu a Ação Penal 2668.
Após meses de instrução, depoimentos, interrogatórios e alegações das defesas, o julgamento terminou em 11 de setembro de 2025 com a condenação dos oito integrantes do chamado Núcleo 1 ou Núcleo Crucial. Bolsonaro foi considerado pela maioria da Primeira Turma o líder da organização criminosa e condenado a 27 anos e três meses de prisão, a maior pena aplicada entre os integrantes do grupo.
O ex-presidente foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A decisão não foi unânime: o ministro Luiz Fux votou pela absolvição de Bolsonaro e de outros cinco acusados, entendendo que as provas não eram suficientes para sustentar as acusações nos termos apresentados pela PGR. Os demais integrantes da Primeira Turma formaram a maioria condenatória.
A defesa de Bolsonaro negou ao longo de todo o processo que ele tivesse tentado realizar um golpe. Seus advogados argumentaram que discussões sobre instrumentos previstos na Constituição não representavam atos executórios, que nenhum decreto de estado de defesa ou de sítio chegou a ser assinado e que o próprio governo autorizou formalmente o processo de transição para a equipe de Lula. Bolsonaro também negou ter ordenado os ataques de 8 de janeiro. Esses argumentos, contudo, não convenceram a maioria do Tribunal.
Em 25 de novembro de 2025, o STF declarou o trânsito em julgado da condenação, encerrando os recursos ordinários e determinando o início do cumprimento da pena. Em maio de 2026, a defesa apresentou uma revisão criminal, instrumento extraordinário destinado a tentar anular a condenação ou reduzir a pena. O pedido foi distribuído ao ministro Nunes Marques e depende de julgamento pelo Plenário do Supremo.
O episódio mudou profundamente a avaliação histórica do final do governo Bolsonaro e também a relação entre política e Forças Armadas no Brasil. Generais, almirantes e oficiais superiores que haviam ocupado posições centrais no governo acabaram transformados em réus — e vários deles em condenados — por crimes contra a ordem democrática. Ao fim dos processos julgados em 2025, o STF havia analisado 31 acusados nos quatro principais núcleos da trama, com 29 condenações e duas absolvições.
Mais importante, as investigações mostraram que a tentativa de ruptura não surgiu exclusivamente depois da derrota de Bolsonaro. Segundo a conclusão majoritária do STF, a estratégia foi construída progressivamente, com ataques à credibilidade das eleições antes mesmo da votação, e entrou em sua fase decisiva quando ficou claro que Bolsonaro deixaria o poder.
A resistência dos comandantes do Exército e da Aeronáutica, o funcionamento das instituições civis e a inexistência de apoio militar suficiente impediram que o plano avançasse para a tomada formal do Estado. O 8 de Janeiro representou seu desfecho mais visível e violento — e levou, pela primeira vez desde a redemocratização, um ex-presidente da República e antigos integrantes da cúpula militar brasileira a serem condenados definitivamente por uma tentativa de golpe de Estado.
O legado de um dos períodos mais polarizados da Nova República
O governo Jair Bolsonaro terminou em 31 de dezembro de 2022 deixando um Brasil bastante diferente daquele de quatro anos antes.
A economia sobrevivera a uma recessão extraordinária e voltara a crescer. O desemprego caíra para um dígito na média anual, mas a inflação e os juros estavam elevados. A dívida pública, depois de explodir durante a pandemia, havia recuado em relação ao PIB. Reformas importantes — Previdência, Banco Central e saneamento — haviam alterado estruturas econômicas de longo prazo.
Ao mesmo tempo, a Covid-19 havia deixado quase 694 mil mortos registrados até o fim de 2022, além de profundas consequências econômicas, sociais e políticas.
O presidente que chegara ao poder prometendo governar contra a velha política acabou dependendo progressivamente de alianças com o chamado Centrão para construir maioria parlamentar. A agenda liberal original foi parcialmente substituída, sobretudo depois da pandemia, por uma combinação de reformas econômicas, forte intervenção emergencial do Estado e expansão das transferências de renda.
Na Defesa, seu legado material é visível: F-39 Gripen em Anápolis, KC-390 transportando tropas e cargas, o Riachuelo incorporado à Esquadra e a primeira fragata Classe Tamandaré começando a tomar forma no estaleiro.
Mas o legado político relacionado às Forças Armadas foi muito mais complexo. A intensa presença de militares no governo reduziu a distância que havia sido construída entre a instituição castrense e a política partidária desde a redemocratização, abrindo um debate que continuaria depois de Bolsonaro deixar o cargo.
Assim, como ocorrera com seus antecessores, a avaliação histórica exige separar realizações, circunstâncias externas e consequências de longo prazo.
Bolsonaro chegou ao poder impulsionado pela crise do sistema político que emergiu da recessão, da Lava Jato e do colapso de confiança nos partidos tradicionais. Governou sob uma pandemia que alterou completamente seu projeto econômico. Entregou o país com indicadores de atividade e emprego em recuperação, mas depois de uma profunda crise sanitária e social. E, nas Forças Armadas, presidiu uma das fases mais importantes de entrada em operação dos programas de modernização concebidos ao longo das duas décadas anteriores.
Foi, em síntese, um governo marcado menos por uma trajetória linear do que por rupturas: a ruptura eleitoral de 2018, a ruptura econômica provocada pela pandemia e, no campo militar, a passagem de vários dos grandes projetos estratégicos brasileiros do papel e dos protótipos para o serviço operacional.■
FONTES: IBGE, Banco Central do Brasil, Ipea, BNDES, Ministério da Defesa, Marinha do Brasil, Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira, Presidência da República e Tribunal Superior Eleitoral.
LEIA TAMBÉM:
Brasil nos anos 1990: a década em que o país saiu da hiperinflação e entrou na era digital
Das Jornadas de Junho ao impeachment: as grandes manifestações durante o governo Dilma
Lava Jato: da maior operação anticorrupção do Brasil à crise de legitimidade












” aí pelo título é propaganda” e agora , vai continuar o mesmo “raciocínio” dos analfabetos políticos,?
Entregaram indicadores melhores de divida e outros, mas pela mentalidade tosca, populismo e a tentativa de golpe ressucitaram o que a politica br tem de pior: a esquerda que estava morta.
Condenaram o país a mais 8 anos de péssima gestão de esquerda.
Lembro também que eles negavam que iriam governar com o Centrão…
Foram engolidos pelo centrão
Como se governa sem o centrão?
Com voto distrital?
Não temos voto distrital. Estou falando do mundo real não de universos paralelos.
Não mudaria nada, o centrão só tem peso pois tem a maioria das duas casas,tem isso pelo alcance das legendas/partidos que são muitos, mesmo com voto distrital ou misto, se as pessoas tem 10 partidos para votas e só 2 são de esquerda, 2 de direita a probabilidade dos dois 6 partidos serem maioris e muito grande!
Esse sujeito deixou contas a pagar de 255 bilhões para o Governo seguinte, sendo mais de 240 bilhões em precatórios.
Um desastre total.
As dívidas vieram desde a venda de títulos da dívida por Lula. Veio a conta.
Lula pagou a dívida externa com a interna.
Trocou juros de menos de 7% com o FMI, pro quase 23 em títulos.
A conta veio.
É mesmo sem maracutaia e com a pandemia, o governo Bolsonaro fez muito.
Salvou.
Sabe quanto foi herdado por Temer e Bolsonaro, dos anos Lula Dilma?
Não sei, não.
Diz aí pra gente.
Só não pode pesquisar no zapp dos patriotas.
Só lembrando que nossa Presidenta não deixou dívida pra ninguém, pois seu Governo foi interrompido por aquela súcia no Congresso capitaneado por Cunha e Bolsonaro.
Os dois devidamente condenados e inelegíveis.
Na verdade essa operação foi uma absorvição das dúvidas internas pelo governo federal, não fosse isso, os bancos estrangeiros teriam executado as dúvidas e muito do patrimônio público e receitas de estados e municípios cairia nas mãos dos bancos estrangeiros!
Vc esqueceu que houve a Pandemia de novo. Se não houvesse um plano emergencial teríamos uma convulsão social com saques a supermercados e coisa pior!
E……?
Se não deixou as contas em ordem, não fique propagando isso.
Ele deixou muita coisa pra pagar.
No desespero para se reeleger, fez aquela jogada dos impostos dos combustíveis.
Aí, perdeu a eleição e o Governo novo que honrou as dúvidas.
Jogada de ‘jênio’ dele.
Fiquei esperando ele corrigir a tabela do imposto de renda que prometeu corrigir.
Poderia ter se reelegido se soubesse se comunicar. Não sabe se comunicar.
Eu me lembro desse período, o Bolsonaro só aprovou o auxílio quase que na marra por força do congresso e opinião pública, como diz na matéria , ele só queira liberar 200, foi o congresso e aumentou para 600!
Lula fez a divida crescer em nivel de trilhão 3,6 TRILHOES!\
Mais de 12 vezes o que o bozolino deixou de precatorioa.
Essa mentira ai não cola mais.
Bom mesmo é o PT. Confia!
Faltou informar que no ano da eleição aumentou o número de assistidos por bolsas de 14 para 19 milhões (maior aumento de todos os tempos) e mesmo assim perdeu a eleição.
O governo Bolsonaro foi a expressão brasileira dessa política de ressentimento e restauração imaginária. Em vez de oferecer um projeto consistente de desenvolvimento nacional, crescimento sustentado, redução das desigualdades e fortalecimento das instituições, vendeu à população a ideia de que o país poderia recuperar uma suposta grandeza perdida por meio do confronto permanente. Transformou adversários políticos, universidades, imprensa, movimentos sociais, instituições e até parceiros internacionais em inimigos convenientes, alimentando uma atmosfera de conflito que servia para mobilizar sua base, mas pouco contribuía para resolver os problemas concretos do país.
Sua retórica de “ordem”, patriotismo e soberania também conviveu com profundas contradições. O nacionalismo era frequentemente mais simbólico do que estratégico: bandeiras e discursos patrióticos coexistiam com uma política externa de forte alinhamento pessoal ao governo Trump e com uma visão econômica que privilegiava a liberalização, as privatizações e a redução do papel do Estado. Enquanto se prometia devolver orgulho ao brasileiro comum, a agenda econômica pouco alterava as estruturas históricas de desigualdade e dependência. O cidadão frustrado era convidado a identificar sua perda de status não nas fragilidades econômicas e sociais do país, mas em inimigos culturais e políticos cuidadosamente escolhidos.
Talvez esse seja o aspecto mais perverso daquele período: transformar frustrações legítimas de uma parcela da sociedade em combustível para uma guerra cultural permanente. Bolsonaro ofereceu identidade onde deveria oferecer política pública, ressentimento onde deveria oferecer projeto nacional e confronto onde deveria haver capacidade de governo. A promessa era restaurar um Brasil idealizado que provavelmente nunca existiu; o resultado foi uma sociedade mais polarizada, instituições submetidas a tensão constante e enormes energias nacionais desperdiçadas em conflitos simbólicos, enquanto muitos dos problemas estruturais que alimentaram aquela insatisfação permaneceram essencialmente intocados. Ele é a síntese de uma das escolhas mais bizarras e toscas que uma sociedade mobilizada pelo ódio a determinados segmentos da população foi capaz de produzir. Ao fim, pouco se sabia sobre o que efetivamente se pretendia construir ou qual era o projeto para o país: a identidade política parecia resumir-se, sobretudo, a ser contra.
Projeto? Que Projeto? Ninguém nunca teve Projeto. Ninguém sabe o que é Projeto. É só falar o que as pessoas querem ouvir no momento. No final querem é dinheiro.
Bolsonaro ele é o produto da eleição de 2014, cria do PT e da senhora Dilma. O “nós contra eles” tanto dito por ela, a militância e o propagado pelo partido dos trabalhadores e claro somado ao fracasso do PSDB ser um partido de oposição.
Eu agradeço a Deus pelos americanos terem desistido do negócio com a Embraer, porquê se não fossem eles os nossos patriotas teriam entregue ela com sorriso nos dentes!
O artigo favoreceu o governo Bobonaro.
Reformas Estruturais? Quais?
Queda do deemprego? Boboro teve o maior indice de desemprego da historia no ano de 2020, 14,9%.
“as Forças Armadas, o período marcou a entrada em serviço do KC-390 e do Gripen F-39, a incorporação do submarino Riachuelo, o início da construção das fragatas Classe Tamandaré e a continuidade de SISFRON, Guarani e ASTRO”
Todos projetos de governos anteriores.
Faltou ainda 50 bilhões em emendas parlamentares (corrupção legalizada) e tentativa de abolição violenta do estado democratico de direito.
vc “esqueceu”da pandemia. Se emenda parlamentar é corrupção legalizada, pq o governo atual não acabou com isso? O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou um volume recorde no pagamento de emendas parlamentares, superando R$ 33,8 bilhões repassados até o início de julho de 2026. Nos anos anteriores completos da atual gestão, os valores totais pagos foram de aproximadamente R$ 34,42 bilhões em 2023, R$ 40,02 bilhões em 2024 e R$ 44,97 bilhões em 2025…”esqueceu” isso tb?
Tenta ensinar cachorro a parar de matar ovelha depois que experimenta a carne.
se essa eh sua desculpa, pq o governo passado tem culpa entao? ..As emendas parlamentares no Brasil existem desde a redemocratização e a promulgação da Constituição Federal de 1988..mas a culpa eh do governo passado, certo?
De forma alguma, é algo que vinha de longe e inclusive ganhou corpo em governos do PT, mas sempre emedas solicitadas ao Executivo e não ao contrário.
Foi no governo anterior a entrega do controle do Orçamento ao Congresso, bem como a criação do Orçamento secreto, com emendas bilionárias sem um cpf responsável e sem rastreabilidade, impostas ao Executivo. O resultado nós vemos hoje com bilhões desviados e um congresso cada vez mais sedento de emendas, chantageando cada vez mais o Executivo e o Judiciário.
Mas já que você defendeu o governo passado, foi o mandatário em discurso gravado que afirmou que não iria permitir que PF f……. a família ou um amigo dele, que iria intervir trocando tudo e todos, inclusive o ministro. Isso se materializou com trocas de Ministro, Delegados, sindicâncias e punições aos investigadores.
Aí fica bem complicado defender.
Concordo que é ruim, mas o contrário tb não é o ideal. Com o executivo sabendo do destino das emendas, só liberava o dinheiro para quem apoiasse o governo. como resolver isso, não sei. STF não deixou ele trocar nem o chefe da PF.
Esse camarada veio do baixo clero.
Enriqueceu com esquema de machadinha e trocando nota da cota de combustível em postos de gasolina (Ciro diz que tem provas disso).
Usava dinheiro do auxílio moradia para ‘comer gente’, conforme ele mesmo afirmou em 2018.
Fazem falcatruas com emendas parlamentares e orçamento secreto é a praia favorita dele.
Esse camarada veio do baixo clero.
Enriqueceu com esquema de rachadinha e trocando nota da cota de combustível em postos de gasolina (Ciro diz que tem provas disso).
Usava dinheiro do auxílio moradia para ‘comer gente’, conforme ele mesmo afirmou em 2018.
Fazem falcatruas com emendas parlamentares e orçamento secreto é a praia favorita dele.
É, reclamava do congresso, mas em 27 anos não apresentou nenhum projeto. Estava lá para defender o seu sindicato (militares), quando o Lula entrou encheu do pessoal de seu sindicato no poder, quando o bolssonaro entrou fez o mesmo, encheu de gente do seu sindicato.
As emendas são a expressão máxima do que a direita do “centrão” passou a fazer com os governos. Os eleitores votam com interesses locais por emprego e favorecimento pessoal, com ausência total de consciência de classe, e isso tem consequências. O parlamento é constituído por quase 90% de empresários, grandes fazendeiros e a famosa bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia). As verbas foram ampliadas no governo de Bolsonaro, um governo fraco e despreparado em que se terceirizou a administração ao parlamento, chegando-se a afirmar que o país estava caminhando para uma espécie de ‘presidência parlamentarista’.
Os governos progressistas nunca governaram com maioria. Sempre tiveram que compor com a direita, que é eleita por essa ausência de consciência de classe dos trabalhadores. São eles que elegem os seus ‘representantes’, que não representam os seus interesses.
As emendas são um grande desafio para a sociedade. E temo que o parlamento não abra mão, por livre iniciativa, do que já dispõe. Primeiro, porque a sociedade não dá mostras de que entende quais efetivamente são os seus interesses para mudar o tipo de escolhas que faz. E como o ignorante que não sabe que é..
Centrão não é de direita. Parte dele nem sabe a diferença entre esquerda ou direita.
Se realmente fosse de direita não teriam aprovado o Estatuto do Desarmamento ou ele já teria sido revogado, por exemplo.
Não teria sido aprovado o Mais Médicos.
Não teríamos tantas estatais também.
Centrão é fisiológico. Quer saber de ficar no poder e ganhando dinheiro e por isso apoiam o governo da ocasião, sem qualquer fidelidade ideológica.
Não.
Ninguém esqueceu da pandemia
Principalmente dos milhares de mortos que ele causou ao negar vacinas, oxigênio e estrutura para atendimento dos doentes.
A cena dele imitando uma pessoa com falta de ar ninguém vai esquecer também.
Contando a velha mentirada militante?
Aprendeu com seus ídolos da pandemia daqui e de fora,principalmente o pop star e hiper idolo da militância o dr.morte Fauchi?
Prezado.
As emendas são parlamentares e o Governo só pode limitar ou impedir se romper os limites fiscais.
Isso se tornou o paraíso para políticos ligados ao ex-presidente não só pelo fato de se locupletarem, mas também para criar dificuldades para o atual Governo.
Aí, o Governo ameaça ir ao STF para bloquear essa libertinagem e a oposição diz que é a ditadura do Judiciário.
Entendeu como funciona?
Quem tem que acabar com isso são os eleitores. Emenda parlamentar tem que ser paga, é lei. Executivo tem que pagar.
Não necessariamente. Até as emendas impositivas devem respeitar a receita. Paga se tiver dinheiro.
Já as emendas chamadas PIX não possuem rastreabilidade nem autoria, e também podem ter seu pagamento negado do ponto de vista técnico, pois ferem o Princípio da Publicidade da adm pública, vulgo orçamento secreto, e a história dos desvios todos nós conhecemos diariamente.
Desde o governo Bolsonaro, o congresso tomou conta do orçamento, e fez isso de um jeito que não existe em lugar nenhum do mundo, nem nos EUA o congresso tem tanto poder sobre o orçamento!
O que ocorreu em 2020?
Uma pandemia que o Governo brasileiro de então tratou de forma criminosa.
Negou vacina, estimulou que a população desrespeitasse o lockdown, estimulou o uso de cloroquina e ivermectina, não criou a infraestrutura necessária para tratar os doentes, inclusive com insumos básicos como oxigênio.
E ainda debochou de quem estava com falta de ar.
Inesquecível foi o Ministro, ‘especialista em logística’ dele mandar vacinas com atraso de meses para Macapá, que, para ele, é a Capital do Amazonas.
Com tudo isso, o desastre na economia de um governo tão despreparado seria lógico
sem contar a desastrosa gestão econômica no período. O real foi a segunda moeda que mais se desvalorizou no mundo (BC deveria ser mais hawkish, mas foi totalmente dovish, parece que foi proposital a desvalorização do real durante a pandemia) e inflação bateu recordes (insistência em selic muito mais baixa do que deveria).
Como não lembrar da entrevista que ele deu dizendo que depois de muitos estudos só podia dar 6 reais de salário mínimo.
E o auxílio emergencial na pandemia?
De início não queria dar nada.
Depois propôs 200 reais por três meses.
Aí, o Congresso Nacional ficou em 600 reais.
Na cabeça desse sujeito, pobre tem que se ferrar.
Sempre foi assim e ele nunca escondeu isso.
Não é bem assim, no final do governo aumentou o número de bolsas de 14 para 19 milhões.
Bom está agora,a riqueza prospera para os brasileiros.
Vocês são uns piadistas sem graça.
Próspera recuperação judicial
Novamente o sr. com mentiras.
Quanto ao fato de ele estar imitando uma pessoa doente, vá ver o vídeo completo.
Ele estava mostrando justamente o contrário, que uma pessoa não precisava chegar naquele estado para ir ao médico, como preconizava o então ministro da saúde.
Quanto aos demais pontos, lembre-se, o inferno é o lugar dos mentirosos.
Não vá junto com eles.
Queda do deemprego? Boboro teve o maior indice de desemprego da historia no ano de 2020, 14,9%. Caraca, esqueceu o que houve no mundo em 2020?
Todo mundo passou pela pandemia e todos se recuperaram, exceto o Brasil
Daí o motivo dele ser apeado do poder.
Pelo seu governo desastroso.
Que mundo é esse todo mundo?
Perde tempo não,o ídolo dessa gente é Lularapio,Fidel,Mao,Stalin,Fauchi e cia.
Na época ele não tinha um Porchmann da vida para inventar números mágicos de crescimento econômico,desemprego e baixa desigualdade social.
Assim como as mentiras do megadr.Fauchi estão vindo à tona,aguardaremos muito em breve as do Brasil.
Já disse,a fatura será paga.
Faltou dizer também que tinha o apoio do congresso. Isso faz toda a diferença.
O que era para ser a esperança da Defesa do país, virou em nada. Em suma, nenhum projeto relevante de Defesa, restruturação, planejamento a médio prazo, nada a não ser encher a Explanada de militares em funções estranhas à atividade fim, popular cabideiro e assumidamente alinhar o Brasil á Washington, num absurdo LOVE YOU e continência à bandeira americana.
Ainda a matéria esqueceu do principal no campo econômico: entregou a chave do Orçamento ao centrão, inaugurando o Orçamento Secreto ao comando do insuspeito Arthur Lira e sua trupe.
Governos do PT atuaram parcamente na Defesa, o grande problema é que o pouco que fizeram foi mais que todos os governos juntos desde a redemocratização, o que mostra o tamanho do problema.
Aí fica difícil.
Óbvio que o PT foi o que mais fez, foi o que teve mais tempo no comando do país. E fora que de longe teve o melhor período da economia desde o período de redemocratização, coisa que outros não tiveram.
Se tem um extremo culpado do pt ter voltado a ser governo foi o Jair Bolsonaro.Meus parabéns pela werda que fez.
A esquerda voltoiu, porque um certo tribunal liberou por erro de cep…
Um certo tribunal, pendeu de forma exagerada para favorecer a mesma…
É isso aí que falei.Não tem de passar o pano não.Jair arrumou a cama para a esquerda voltar.Governou o Brasil naquele período como um elefante em uma loja de porcelana.
Esse sujeito foi tão ruim, mas tão ruim que conseguiu a proeza de não ser reeleito.
Sugiro que vc leia o livro do ex-Comandante da Aeronáutica sobre as peripécias desse sujeito na tentativa desesperada de continuar no poder e prosseguir no seu ‘trabalho’.
Bastava ver a vida pregressa desse sujeito para saber que seria isso.
Um exemplo básico e inicial.
Como um sujeito com salário de militar e depois de deputado, cheio de filhos, consegue comprar uma mansão na orla da praia da Barra da Tijuca?
Trabalhando é que não foi.
Culpe o Biden,a Nurland,a extrema imprensa e o sistema podre e aparelhado .
Perdeu no dia que não indicou o Moro para o supremo. Com Moro no STF não iria ser declarado parcial e o Lula continuaria preso.
Isso é uma verdade, esse infeliz conseguiu trazer outro infeliz ao poder de volta.
Bolsonaro conquistou o brasileiro com o discurso de bravata, heroísmo e patriotismo que tanto comove os ignorantes e os mal-intencionados.
Poderia dar início a algumas reformas estruturais (fez uma previdenciária meia-sola) mas a imprensa, a academia e a burocracia não foram devidamente convencidas para apoiá-lo.
Nõa construiu consensos e preferiu falar apenas para o seu grupo de apoiadores e adeptos.
A imprensa tratou de criar adjetivos para rotular cada manifestação, e daí Bolsonaro tornou-se o único assunto em noticiários e manchetes.
(Lembro que um dia eu mesmo dei um F3 no site de um grande jornal e contei 16 menções “Bolsonaro”, parecia uma lista de compras. Acredito que a redação desse jornal não se ocupasse com outro assunto…)
Bolsonaro passou o governo brigando com a própria sombra, caçando inimigos imaginários, plantando discórdia entre aliados e no fim perdeu para ele mesmo.
E ainda tentou escalar um golpe com um bando de militares descompensados e metidos a patriotas de rancho.
Com Dilma voltamos 6 casas, com Bolsonaro voltamos mais 4.
Deve ser vocação, vai saber…
Quem conhece esse sujeito sabia que não sairia nada dali.
Nunca fez nada de útil na vida de militar e parlamentar.
Sua plataforma era lutar pelos ganhos e aposentadorias dos militares.
Minha mãe, pensionista de Marinha, votava nele por causa disso.
Parou de votar quando ele disse que os pobres deveriam ser esterelizados.
Seu governo foi retrato de sua vida.
Ele foi um gestor inepto, um néscio, a quem parte da classe média e dos trabalhadores chamou de “mito”. Alguém que conseguiu vender o engodo de se apresentar como outsider, embora já estivesse em seu sexto mandato parlamentar. Nunca produziu nada de relevante em prol do povo e construiu sua base política na baixa classe média de Copacabana, notadamente entre militares da reserva.
“E ainda tentou escalar um golpe com um bando de militares descompensados e metidos a patriotas de rancho.”
E o mais moço deles tinha uns 82 anos de idade…
E agora militante,com o desgoverno subimos dez casas e somos a Suíça do Sudão do sul.
Tira os antolhos e sai para a realidade,olha o que teu presidente está fazendo com o Brasil.
Vai ter matéria do Lula também?
O cara conseguiu eleger a Dilma.
Como eu disse, acho que não tem como analisar o Governo do Bolsonaro sem contextualizar o momento mundial. E se não tivesse havido a pandemia?
Com a pandemia comendo no centro você entrsva com 100 reais no mercado e comprava muita coisa,hoje é pouca coisa.Mas para a militância alucinada o desgoverno acabou com a fome,a miséria e a pobreza e vivemos em plena pujança econômica e social,só se for no mundo bizarro.
Propaganda pura, simples assim
O melhor presidente que o lamaçal corrupto Brasileiro teve.
O que ele fez de bom?
Um grande covarde.
Covarde no Congresso contra mulheres: Dilma e Maria do Rosário, por exemplo.
Covarde durante seu julgamento propondo uma vice-presidência a quem anos antes havia arrotado valentia dizendo “acabou porr@” e que não mais o obedeceria.
Se fazia de imbroxável, mas agora fica chorando.
Aquele que dizia “Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?“, durante a pandemia.
E tem gente que o idolatra.
A indústria que mais cresceu e ganhou dinheiro no período do capitão soluço foi a indústria funerária.
Nunca se vendeu tanto caixão na história desse país.
Jogada de mestre do capitão cloroquina e do seu ministro paulo jegues: aproveitaram a pandemia para reabilitar um grande setor da economia.
Isso é pragmatismo.
Então ele foi o presidente do mundo?
Por isso que, passam os anos, eu continuo lendo os sites da Trilogia – parabéns por toda a série!
O Brasil é o melhor exemplo que conheço de uma caquistocracia. Ou seja, só o pior que existe na sociedade pode chegar aos mais altos niveis do poder.