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Presidente dos EUA revelou número incomumente preciso para o arsenal de Pyongyang enquanto reduz exercícios militares com a Coreia do Sul; Seul estima que estoque norte-coreano possa chegar a 120 ogivas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Coreia do Norte possui 57 armas nucleares “muito poderosas”, fazendo uma revelação incomum sobre o tamanho estimado do arsenal atômico de Pyongyang em um momento no qual Washington tenta reabrir o diálogo direto com o líder norte-coreano Kim Jong Un.

“Ele tem 57 armas nucleares muito poderosas”, declarou Trump na quarta-feira, 19 de agosto, ao comentar sua relação com Kim. O presidente acrescentou que essa capacidade “nunca deveria ter sido permitida” e afirmou que pretende encontrar novamente o dirigente norte-coreano ainda em 2026.

A referência a 57 armas chamou atenção porque o governo americano tradicionalmente evita divulgar publicamente uma estimativa exata do arsenal nuclear da Coreia do Norte. Relatórios públicos dos Estados Unidos geralmente recorrem a avaliações produzidas por centros de pesquisa e especialistas independentes, justamente porque o programa norte-coreano está entre os mais fechados do mundo.

Estimativas independentes apontam cerca de 60 ogivas

O número mencionado por Trump está próximo das estimativas mais recentes de algumas das principais instituições que acompanham arsenais nucleares.

A Federation of American Scientists (FAS) estima em seu levantamento de 2026 que a Coreia do Norte possua aproximadamente 60 ogivas montadas, embora possa ter produzido material físsil suficiente para fabricar pelo menos 90. A organização ressalta que o número exato é desconhecido e provavelmente continua aumentando.

O Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) também calculou, em seu anuário de 2026, um estoque de aproximadamente 60 armas nucleares para Pyongyang. As estimativas são construídas principalmente a partir da quantidade provável de plutônio e urânio altamente enriquecido produzido pelo país, além das informações disponíveis sobre seus programas de mísseis e testes nucleares.

A declaração de Trump, entretanto, ganhou uma nova dimensão nesta quinta-feira, quando o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Ahn Gyu-back, apresentou uma estimativa significativamente maior.

Segundo Ahn, estudos disponíveis em Seul apontam que a Coreia do Norte poderia possuir atualmente entre 80 e 120 ogivas nucleares. O ministro ressalvou, porém, que os números foram obtidos a partir de organizações privadas de pesquisa e não constituem uma estimativa oficialmente confirmada pelas Forças Armadas sul-coreanas.

Ahn afirmou que é extremamente difícil estabelecer um número preciso e observou que os 57 artefatos mencionados por Trump são diferentes da faixa normalmente considerada em Seul. A Coreia do Sul continua oficialmente sem reconhecer Pyongyang como Estado nuclear e mantém como política a desnuclearização da península.

Trump reduz exercício militar com a Coreia do Sul

A declaração sobre as armas nucleares ocorre em meio a uma mudança significativa na política americana em relação a Pyongyang.

Dias antes, Trump determinou ao Pentágono que reduzisse substancialmente a participação dos Estados Unidos nos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, argumentando que as manobras eram caras e transmitiam um sinal “totalmente inapropriado e hostil” à Coreia do Norte, país que descreveu como tendo apresentado comportamento “não ameaçador e respeitoso”.

A ordem teve efeito imediato sobre o exercício anual Ulchi Freedom Shield (UFS).

Originalmente previsto para ocorrer entre 17 e 27 de agosto, durante 11 dias, o treinamento será encerrado nesta sexta-feira, 21 de agosto, reduzindo sua duração para apenas cinco dias. Algumas atividades de campo foram canceladas ou convertidas em simulações.

O Pentágono afirmou que, mesmo com a redução, os principais objetivos de treinamento e prontidão serão preservados. O exercício foi concebido para testar operações militares combinadas, defesa da Coreia do Sul e resposta a ameaças contemporâneas, incluindo drones, ataques cibernéticos e interferência de sistemas GPS.

Trump já havia adotado postura semelhante durante seu primeiro mandato. Depois do encontro histórico com Kim Jong Un em Singapura, em 2018, o presidente americano criticou grandes exercícios conjuntos com Seul por considerá-los caros e provocativos.

Pyongyang rejeita gesto americano

A resposta norte-coreana à redução dos exercícios, entretanto, foi fria.

Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong Un e uma das figuras mais influentes do regime, afirmou que a diminuição da duração e da escala das manobras não muda sua natureza, que Pyongyang continua considerando “provocativa” e “agressiva”. Ela também declarou desconhecer qualquer comunicação recente entre Trump e seu irmão, embora tenha descrito a relação pessoal entre os dois líderes como “excelente”.

A resposta tornou-se ainda mais contundente nesta quinta-feira.

A Coreia do Norte lançou mais de dez mísseis balísticos de curto alcance a partir da região de Pyongyang em direção ao Mar do Leste, segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano. Os projéteis percorreram aproximadamente 300 quilômetros antes de cair no mar.

O governo sul-coreano convocou uma reunião emergencial de segurança e classificou os lançamentos como violação das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O ministro Ahn afirmou que os projéteis provavelmente pertenciam ao sistema norte-coreano de lançadores múltiplos de foguetes de 600 mm, conhecido externamente como KN-25. A própria Coreia do Norte afirma que esse armamento pode transportar ogivas nucleares táticas.

Trump quer novo encontro com Kim

Apesar dos lançamentos, Trump mantém a intenção de retomar pessoalmente a diplomacia com Kim Jong Un.

Questionado se esperava encontrar o líder norte-coreano ainda neste ano, respondeu afirmativamente. Segundo a Reuters, Trump também vem pressionando seus assessores para que organizem uma reunião presencial possivelmente já no segundo semestre.

Os dois líderes protagonizaram uma sequência diplomática sem precedentes durante o primeiro mandato de Trump.

Em junho de 2018, reuniram-se em Singapura no primeiro encontro entre um presidente americano em exercício e um líder da Coreia do Norte.

Em fevereiro de 2019, voltaram a encontrar-se em Hanói, no Vietnã. A cúpula terminou abruptamente sem acordo, principalmente devido às divergências sobre quanto do programa nuclear norte-coreano deveria ser desmontado em troca da suspensão das sanções econômicas.

Em junho daquele ano, Trump encontrou novamente Kim na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias e tornou-se o primeiro presidente americano em exercício a pisar em território norte-coreano.

Apesar da intensa diplomacia, Pyongyang não abandonou seu arsenal.

Uma Coreia do Norte muito mais armada

O cenário enfrentado por Trump em 2026 é consideravelmente diferente daquele de 2018.

Nos últimos anos, a Coreia do Norte ampliou seu estoque de material físsil, testou diferentes famílias de mísseis balísticos, desenvolveu armas de alcance intercontinental e investiu em sistemas destinados ao emprego de armas nucleares táticas.

A FAS estima que o país possua hoje cerca de 60 ogivas e material para produzir pelo menos outras 30.

Ao mesmo tempo, Pyongyang aprofundou suas relações estratégicas com Rússia e China, reduzindo parte do isolamento que existia quando Trump e Kim realizaram suas primeiras cúpulas.

A questão central de um eventual novo encontro será justamente saber qual seria o objetivo das negociações. A política oficial americana continua sendo a desnuclearização da Coreia do Norte, enquanto Pyongyang trata seu arsenal atômico como elemento permanente e indispensável de sua segurança nacional.

Trump, por sua vez, tem chamado repetidamente a Coreia do Norte de “potência nuclear”, embora Washington formalmente não reconheça o país como um Estado possuidor de armas nucleares nos termos do regime internacional de não proliferação.

A menção pública a “57 armas nucleares”, portanto, pode ter significado além do próprio número. Pela primeira vez em muito tempo, o presidente americano apresentou uma quantidade específica para o arsenal de Kim Jong Un no mesmo momento em que reduz exercícios militares considerados hostis por Pyongyang e prepara uma possível nova cúpula.

Mas a sequência dos acontecimentos mostra os limites dessa aproximação: menos de 24 horas depois da declaração de Trump, a Coreia do Norte respondeu ao ambiente diplomático com uma salva de mais de dez mísseis balísticos.■



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Vitor
Vitor
22 dias atrás

Essa firula não passa de ser mais um blefe financeira e político … pois o laranjão é um manipulador de mercado financeiro… a manchete está estampada… acredita que quiser.

comenteiro
comenteiro
22 dias atrás

O Trump gosta mesmo de ditaduras, hein?

Wagner
Wagner
22 dias atrás

O laranjão cada dia se desmoralizando.

Nativo
Nativo
22 dias atrás

Pensei que iria um ataque devastador,para levar os norte coreanos de volta a idade da pedra….. Fanfarronices só para os idiotas que não se armam.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Nativo
22 dias atrás

Se ele fizer isso, o Gordinho irá tocar o terror na península coreana e afundar o Japão e torrar a Coréia do Sul…

Isso sem esquecer que só de pirraça ele ainda soltaria uns jorrões em Guam.

Paulo
Paulo
22 dias atrás

Kim jong Un, sua irmã e toda gangue que sapateia sobre o povo norte coreano, são seguramente os governantes mais abjetos, psicopatas e desprezíveis que vivem sobre a face da Terra. Trump, único líder ocidental que lhes presta deferência, mostra de forma cristalina quem é, e quais são os seus valores, ou mais exatamente, a falta deles. O desprezo que Kim Jong Un sente pelo povo que diz representar, não hesita em fornecer norte coreanos como bucha de canhão, afim de alimentar o moedor de carne da guerra ucraniana. Soldados que são empurrados involuntariamente para o campo de batalha, sem saber porque estão lá, a não ser alimentar a vaidade e a conveniência de 2 psicopatas desprezíveis : o que pede e o que fornece estes desgraçados para morrerem em um lugar onde jamais deveriam estar, lutando numa guerra que não lhes pertence, nem lhes interessa.

Matheus
22 dias atrás

Não conseguiu derrubar o regime Aiatolá e agora abaixa a cabeça pra Dinastia Kim.

Alem do mais, noticias nos EUA dizendo que Hengseth escondeu que os Iranianos destruiram a principal base logistica dos EUA no OM.

EUA está virando uma republica das bananas a-la Idiocracia.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Matheus
22 dias atrás

Com um palhaço ex-Fox News como secretário de Guerra, o Pentágono está em boas mãos

Juca
Juca
Responder para  Matheus
19 dias atrás

Uma solução para esse caso seria uma possível queda da China, isso deixaria a Coreia do Norte vulnerável e isolada, a solução porém é incompleta pois com China ou sem China o gordinho teoricamente ainda teria controle de suas bombas e poderia dar um all-in em caso de guerra contra os EUA e Coreia do sul, tornando Seul e Tokyo num cinzeiro atômico. E, se os EUA deixarem a Coreia do norte morrer por sangramento, já sem apoio de China e Russia, a Coreia do norte seria forçada a iniciar uma guerra de qualquer forma, seu fim estaria garantido e sabendo disso o resultado final seria o mesmo, Seul e Tokyo transformados num cinzeiro atômico.

Outra solução seria um plano à la Venezuela para a Coreia do norte, mas se até hoje não aconteceu é porque é realmente complexo entrar naquele país e comprar/chantagear seus lideres.

Esqueci da terceira solução, talvez a mais viável: Deixe a Coreia do norte como está.

naval762
naval762
22 dias atrás

É sempre bom ter um inimigo na reserva, caso o primeiro não dure o suficiente pra gerar a especulação financeira necessária pra dar lucro ao complexo militar americano encastelado no governo.

NEMOrevoltado
NEMOrevoltado
22 dias atrás

Fica a lição, quem faz as coisas de forma discreta e em silencio não precisa ter medo de ficar em alguma prisão de nova york.

Jave
Jave
22 dias atrás

Viram? Ninguém se mete com quem tem nuke. Uma lição para o Brasil grandão patetão que abdicou de seu direito de tê-las no período FHC

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Jave
20 dias atrás

A culpa é do Fernandinho do pó, que teve um arroubo de estadista e quis mostrar ao mundo que o Brasil era outro país democrático e respeitador dos organismos internacionais e suas leis estúpidas,e jogou cal no buraco na serra do cachimbo como gesto simbólico de que o Brasil não tinha pretensões nucleares.

Última edição 20 dias atrás por Adriano Madureira
Adriano Madureira
Adriano Madureira
22 dias atrás

“Trump afirma que Coreia do Norte possui 57 armas nucleares e prepara novo encontro com Kim Jong Un”
encontro com Kim Jong Un para quê?!
Ele acha que irá dissuadir o gordinho de continuar se armando e com seu charme Nova-Iorquino e seus olhos azuis, fará o Ding Dong Un se emocionar e se desarmar em nome da paz?!

Esse senhor realmente se dá muito valor, se o narcisista egomaníaco da casa branca acha que pode sensibilizar o Sociopata Norte Coreano, só se for no Fantástico Mundo de Trump.



Claudio Moreno
Claudio Moreno
22 dias atrás

Olá senhores camaradas do Forte e Trilogia!

Este sim o mundo precisa ter receio…a dinastia de Pyongyang, é perfeitamente capaz de ir às armas nucleares se entenderem que seu território ou sua dinastia corre risco de existência.
Trump sabe que Kim Jong Un e sua irmã (provável sucessora do “trono”, KIm Yo Jung), não hesitariam!
Tentar uma aproximação é o melhor para todo o mundo, literalmente.

Sgtº Moreno

Esteves
Esteves
Responder para  Claudio Moreno
21 dias atrás

Mídia. Trump quer conteúdo para o TruthSocial.

Somente isso.

Esteves
Esteves
21 dias atrás

A história não cessa. O mundo capota.

Oriente X Ocidente. Roma.

Desde os anos 400 vivemos esse cisma. Em 1200/1300 Cruzados cruzaram rumo ao Oriente empalando os divergentes.

O Oriente ortodoxo inspirado pelas revoluções europeias incluindo Lutero em 1400/1500 e suas 95 teses contestatórias rachou de vez o Ocidente negando e oferecendo o paraíso.

Roma oferecia a cruz e a espada. E, claro, a fogueira. Coube ao Oriente distante revolucionar as formas de poder e dominância. Veio Lenin. Vieram guerras.

O Sincronismo Leniano alcançou a China faminta. Para manter a Grande Muralha (Indonésia, Coreia N, Taiwan, Filipinas, Vietnã e parte da Índia) a China aposta forte na primeira cadeia de ilhas.

Mais Forte a cada dia, a CN está deixando de ser um satélite problematico para virar solução contra o Ocidente.

Cadê aquela situação meio termo?

Abymael
Abymael
Responder para  Esteves
21 dias atrás

Me lembro que lá pelos anos 90 e início dos anos 2000, a propaganda alardeava que a CN inteira estava passando fome., dizimada pela escassez, diziam inclusive que a altura média do norte coreano era muito inferior ao sul coreano por conta da falta de nutrientes e etc etc.
Como eles saíram dessa situação para a atual é um mistério para mim.

Esteves
Esteves
Responder para  Abymael
21 dias atrás

Bem…qualquer regime totalitário se desfaz das politicas e das ações em favor da população para manter a estadia prolongada.

Evidentemente que qualquer população carente produz governo semelhante. O verdadeiro estado de bem estar social…aonde existe um governo que corresponda?