Ucrânia diz que Rússia recebeu novo míssil norte-coreano KN-30 com ogiva muito mais pesada
Hwasong-11C seria uma versão ampliada da família KN-23 e, segundo Pyongyang, poderia transportar uma carga de até 2,5 toneladas; inteligência ucraniana também aponta chegada de novos mísseis, lançadores e militares norte-coreanos à Rússia
A Coreia do Norte teria fornecido à Rússia, pela primeira vez, o míssil balístico Hwasong-11C, conhecido também como KN-30, uma versão maior da família de armas de curto alcance que Moscou já vem utilizando contra a Ucrânia desde o final de 2023. A informação foi divulgada pela inteligência militar ucraniana e, caso confirmada, representa uma nova expansão da cooperação militar entre Moscou e Pyongyang.
Segundo dados da Direção Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia (GUR), a Rússia possuía em julho cerca de 50 mísseis balísticos norte-coreanos dos tipos KN-23, KN-24 e KN-30. O Institute for the Study of War (ISW) registrou a informação nesta quinta-feira, 20 de agosto, observando que ainda não há evidências públicas de que a Rússia tenha empregado o KN-30 em combate contra a Ucrânia.
A principal diferença estaria no potencial destrutivo da nova versão. A Coreia do Norte afirma que o Hwasong-11C pode transportar uma ogiva de até 2,5 toneladas, várias vezes superior à carga normalmente atribuída às primeiras versões do KN-23 e também muito acima dos aproximadamente 480 a 700 kg associados ao míssil russo Iskander-M.
Ogiva de 2,5 toneladas ainda gera dúvidas
O número divulgado por Pyongyang deve ser tratado com cautela.
Quando a Coreia do Norte testou o sistema em março de 2021, afirmou simultaneamente que o novo míssil havia transportado uma ogiva de 2.500 kg a 600 km de distância. Entretanto, radares da Coreia do Sul e do Japão observaram trajetórias de aproximadamente 420 a 450 km.
Análise publicada pelo centro especializado 38 North considerou difícil conciliar uma carga de 2,5 toneladas com um alcance de 600 km para um míssil daquela dimensão e avaliou que as especificações norte-coreanas provavelmente foram exageradas. O estudo considerou mais plausível que uma eventual ogiva tão pesada provocasse uma redução significativa do alcance.
Isso significa que informações segundo as quais o KN-30 combinaria 2,5 toneladas de carga com alcances de 600 a 900 km ainda não possuem confirmação independente em fontes abertas.
Mesmo assim, uma versão ampliada do KN-23 com uma ogiva convencional substancialmente maior teria importância militar evidente. Uma carga desse porte poderia produzir efeitos muito superiores contra grandes instalações industriais, centros logísticos, edifícios fortificados ou infraestrutura crítica.
Novo lote de 40 mísseis já teria chegado
A revelação sobre o KN-30 ocorre poucas semanas depois de a inteligência ucraniana informar que a Coreia do Norte havia enviado à Rússia um novo lote de 40 mísseis KN-23 e KN-24, acompanhado por militares norte-coreanos.
Andrii Cherniak, representante da GUR, disse à Reuters no início de agosto que Moscou pretende instalar na região de Voronezh uma unidade norte-coreana com aproximadamente 90 militares, integrada à 112ª Brigada de Mísseis russa.
Segundo a inteligência ucraniana, o planejamento prevê eventualmente seis lançadores e até 120 mísseis balísticos norte-coreanos. A configuração definitiva ainda dependeria de negociações de alto nível entre Moscou e Pyongyang.
A presença de militares da Coreia do Norte é particularmente importante porque proporcionaria a Pyongyang algo impossível de obter em exercícios domésticos: experiência operacional real contra sistemas ocidentais de defesa aérea, guerra eletrônica e inteligência.
O 38 North avalia que militares e engenheiros norte-coreanos provavelmente estão aprendendo não apenas sobre o comportamento dos próprios mísseis em combate, mas também sobre dispersão de lançadores móveis, sobrevivência diante de contra-ataques, preparação das missões e emprego contra defesas antimísseis modernas.
KN-23 ficou muito mais preciso durante a guerra
A Ucrânia já observou uma mudança importante no desempenho dos mísseis norte-coreanos.
Quando começaram a ser utilizados pela Rússia, os KN-23 apresentavam problemas de confiabilidade e grandes erros de precisão. O chefe da inteligência militar ucraniana, Kyrylo Budanov, afirmou em 2025 que os primeiros exemplares apresentavam desvios de aproximadamente 500 a 1.500 metros. Outras fontes ucranianas chegaram a estimar erros entre um e três quilômetros.
A situação mudou no final de 2024 e início de 2025.
Duas fontes ucranianas disseram à Reuters que mais de 20 mísseis norte-coreanos analisados naquele período passaram a cair a aproximadamente 50 a 100 metros dos alvos presumidos. A melhoria teria ocorrido depois de cooperação técnica com especialistas russos.
Isso, porém, não significa que os KN-23 tenham necessariamente alcançado a precisão do Iskander russo. Especialistas ucranianos citados pelo ISW atribuem ao Iskander-M erros da ordem de 5 a 20 metros, enquanto avaliações abertas continuam colocando o KN-23 aprimorado em uma faixa maior.
O próprio 38 North ressalta que a causa exata da melhoria permanece incerta. Uma possibilidade é que os primeiros KN-23 estivessem perdendo atualizações de navegação por satélite devido à guerra eletrônica ucraniana e que a assistência russa tenha melhorado sua resistência a interferências, restaurando uma precisão que o projeto já poderia possuir em condições ideais.
Ucrânia enfrenta grave escassez de interceptadores Patriot
A chegada de novos mísseis ocorre no pior momento para a defesa aérea ucraniana.
O sistema Patriot está entre as poucas armas disponíveis à Ucrânia capazes de interceptar de maneira consistente mísseis balísticos como Iskander e KN-23. Entretanto, Kiev enfrenta atualmente uma escassez crítica de interceptadores.
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou neste mês que a Ucrânia recebeu em 2026 apenas um terço da quantidade de mísseis de defesa aérea fornecida pelos aliados em 2025. Em ataques recentes, a defesa ucraniana não conseguiu derrubar nenhum dos mísseis balísticos empregados pela Rússia.
Em julho, durante uma grande ofensiva russa, a Força Aérea da Ucrânia não interceptou nenhum dos 23 mísseis balísticos lançados em uma única noite, evidenciando o impacto da falta de munições Patriot.
O aumento do estoque russo com armas norte-coreanas permite a Moscou intensificar justamente esse tipo de ataque sem consumir apenas seus próprios Iskander.
Coreia do Norte transforma Ucrânia em campo de provas
Para Pyongyang, a cooperação proporciona benefícios que ultrapassam a venda de armamentos.
A Coreia do Norte havia desenvolvido e testado numerosas famílias de mísseis, mas nunca tivera a oportunidade de utilizá-las em quantidade significativa contra um adversário protegido por sistemas modernos de defesa aérea e guerra eletrônica.
A guerra da Ucrânia mudou essa situação.
No início de 2025, a inteligência ucraniana calculava que a Coreia do Norte já havia fornecido aproximadamente 148 KN-23 e KN-24 à Rússia. Em agosto de 2026, Kiev informou que Pyongyang havia enviado um novo lote e preparava uma unidade própria para atuar em território russo.
O resultado é um ciclo de aprendizado: mísseis produzidos na Coreia do Norte são usados em combate pela Rússia, os resultados podem ser analisados por especialistas dos dois países e as correções retornam à cadeia industrial norte-coreana.
Esse processo preocupa especialmente Coreia do Sul e Japão, porque qualquer melhoria obtida contra as defesas ucranianas poderá ser incorporada aos arsenais destinados à península coreana.
Uso do KN-30 ainda não foi confirmado no campo de batalha
Apesar da gravidade das informações, existe uma distinção importante.
A presença de KN-23 e KN-24 em ataques russos está amplamente documentada. Em 2024, a Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos confirmou, por meio da análise de destroços encontrados na Ucrânia, que a Rússia havia utilizado mísseis balísticos fabricados na Coreia do Norte.
O mesmo ainda não pode ser afirmado sobre o KN-30.
Até 20 de agosto, o ISW informou não ter observado evidências de seu emprego em território ucraniano. A informação disponível é de que o modelo passou a fazer parte do estoque norte-coreano existente na Rússia.
A possibilidade de sua utilização, entretanto, ganha importância diante da combinação de três fatores: a chegada de novas armas norte-coreanas, a presença de pessoal de Pyongyang junto às unidades russas e a atual escassez de sistemas antimísseis da Ucrânia.
Além disso, o conflito já passou a funcionar como um laboratório de aperfeiçoamento de armamentos norte-coreanos. O salto observado na precisão do KN-23 mostra que um sistema inicialmente considerado pouco confiável pode evoluir rapidamente quando é utilizado repetidamente em uma guerra real e recebe assistência técnica de uma potência com décadas de experiência no desenvolvimento de mísseis balísticos.
Se o Hwasong-11C realmente combinar maior alcance com uma carga significativamente superior à dos atuais KN-23, sua chegada poderá oferecer à Rússia uma nova opção para ataques pesados contra alvos situados profundamente no território ucraniano — justamente quando Kiev enfrenta uma de suas mais graves carências de interceptadores desde o início da guerra.■


“No início de 2025, a inteligência ucraniana calculava que a Coreia do Norte já havia fornecido aproximadamente 148 KN-23 e KN-24 à Rússia.”
Produção impressionante dos norte coreanos. São misseis balisticos complexos, nao foguetes burros do sistema ASTROS. Essa linha de produção não deve ser pequena.
A fabrica de misseis em Hamhung tem uma capacidade (especulativa) de produzir ate 100 misseis simultaneamente (fotos das visitas do Kim mostram sempre mostram algo perto disso em vários estágios de montagem), claro é tudo muito especulativo, podem ser os mesmo misseis levando meses para serem finalizados, a velocidade de produção pode ser lenta, pode ser apenas propaganda e não passar de carcaças, como também podem existir outras centrais e fabricas com capacidade de produção…
Uma ogiva tão pesado só tem serventia militar se for com capacidade de penetração em bunker subterrâneos e para isso, idealmente se exige precisão métrica (menos de 10 m de CEP).
Se for para destruição de estrutura aéreas (não subterrâneas) é uma enorme capacidade de “sobredestruição” ainda que só tenha função se o alvo for cidades de modo a vitimar civis e isso não seria muito inteligente da parte do norte-coreanos, porque cobra em alcance do míssil sem ter uma clara vantagem prática.
Ou seja, é pesada demais para a imensa maioria das situações imagináveis tendo em vista a concentração de energia no ponto de detonação.
O efeito de uma ogiva de HE de 1000 kg não é muito diferente do efeito de uma ogiva de 2500 se a intenção for destruição de área.
Supondo que uma ogiva de 1000 kg tenha uma área de destruição severa em 100 metros uma de 2500 kg não terá uma área de 250 metros mas de 120 metros.
*Tais simulações podem ser feitas no site “Nukemap”.
Se for uma ogiva de penetração de 2,5 t , com 80% da massa sendo a carapaça de metal denso, aí sim tem uma imensa utilidade militar prática , mas a precisão é essencial.
O ideal seria o mesmo míssil ter 2 opções de ogiva, uma de penetração de 2,5 t com um alcance de 400 a 500 km e uma ogiva HE com capacidade antiestrutura de 1 t para alcances de 900 km.
É interessante vermos a diferença de abordagem em relação aos mísseis ofensivos de grande alcance dos EUA que privilegia uma força expedicionária com os “inimigos” à grande distância e de países que privilegiam uma estratégia de posição por terem vizinhos como inimigos.
Os EUA não podem se dar ao luxo de ter mísseis balísticos com ogivas massivas que são extremamente pesados e difíceis de transportar via aérea e todo o programa deles de mísseis de longo alcance e alta velocidade é baseado no conceito de alta precisão e de ogiva miniaturizadas (ou até mesmo sem ogivas) voltadas para alvos relocáveis ou móveis , de tempo crítico e de pele fina (TEL de mísseis sup-sup e sup-ar, radares, centros móveis de comando e controle, pátios de bases aéreas, etc).
Toda a capacidade anti-estrutura e anti bunker dos EUA é baseado em mísseis de cruzeiro ou em sua aviação.
Já países que têm inimigos morando ao lado não se furtam em desenvolver mísseis balísticos e semibalísticos com ogivas antiestrutura e antibunker massivas.
Chega-se ao exagero da Coreia do Sul ter um míssil balístico com uma ogiva de penetração antibunker de 8,5 toneladas, o Hyunmoo-5, com alcance de 800 km.
Isso o coloca provavelmente como a arma mais capaz de penetrar bunker, acima até da bomba americana de 14 t (MOP).
Um monstro desse atingindo uma base, uma ponte, por exemplo, coloca tudo abaixo.
Impressionante o desenvolvimento militar da Coreia do Norte.
Agora, Zelensky!
Deixa de reclamar.
Vc recebe armas do Ocidente todo e os russos não reclamam.
Isso deve criar na Ukrânia (e na OTAN como bloco interessado….) uma estratégia de tentativas de neutralizar ou destruir os lançadores, parecida com o que se viu pela parte russa na hora que os ABRAMS e os lançadores HIMARS apareceram no TO Ukraniano. Serve para os dois lados.
As armas de longo alcance cedidas aos ucranianos têm restrição de emprego limitadas apenas dentro da própria Ucrânia ocupada.
Diferente dos iranianos e nortecoreanos que não impõem a mesma restrição aos russos.
Na prática não existe essa restrição, pois os Ucranianos ataca território Russo com os ATACMS e Storm..
Não ataca não! Todos os alvos atingidos pelos mísseis de longo alcance operados pela Ucrânia foram na própria Ucrânia temporariamente ocupada.
Tem um monte de registro de míssil ocidental atacando alvo dentro da Rússia.
Eu posso ter exagerado com o “nunca” mas creio que você exagerou com o “monte”. rsss
Bosco sempre praticando desinformação, acha que os outros burros.
Mas os Ucranianos tem a gama de mísseis de cruzeiro de longo alcance FP. A Ucrânia deixou de lutar de mãos atadas faz um tempo.
Meu comentário foi em relação às armas estrangeiras.
Só de curiosidade, os mísseis ucranianos capazes de atingir território russo são:
Cruzeiro subsônico:
Neptune: 300 km, ogiva de 160 kg
Long Neptune: 1000 km, ogiva de 250 kg
Flamingo: 3000 km, ogiva de 1150 kg
=
Balísticos/semibalístico supersônico:
FP-7: 330 km, ogiva de 150 kg
=
Balístico/semibaliístico hipersônico:
FP-9: 850 km, ogiva de 360 kg/800 lb (algumas fontes citam 800 kg)
–
Mais uns 5 ou 6 drones de longo alcance (até 2500 km) com ogivas até 80 kg.
Mestre Bosco
A Ucrânia ataca o território russo a um bom tempo com mísseis estrangeiros. Storme shadow e drones estrangeiros mesmo território russo não ocupado. Essa semana mesmo usou drone britânico para atacar Moscou. Essa limitação já tem um tempo que acabou. Atacou esses tempos uma fábrica de componentes eletrônicos usados na indústria russa de defesa com mísseis storme shadow.
Realmente, Leo.
Valeu!
Seja como for a quantidade de ataques com elementos estrangeiros ao território russo é irrisória frente à ação criminosa russa em território ucraniano empregando armas norte-coreanas e iranianas.
Mestre Bosco
Sabe como funciona os drones russos que estão chegando a Kiev os geran 4 e 5 com reconhecimento por imagem? Eles funcionam a centenas de quilômetros sem usar stalink , usando rede mash tela com repetidor. Já pesquisou sobre?
Ainda não pesquisei sobre.
Mas se operam com reconhecimento de imagem só pode ser:
Com controle humano:
-data link via rádio direto
-data link via fibra ótica
-data link via rádio com repetidores
-data link empregando um sistema de satélites de baixa latência (ex: Starlink)
-data link empregando o sistema de telefonia local
-rastreio automático do alvo após seleção prévia pelo operador (ombinado com um sistema de data link)
–
Sem controle humano:
-reconhecimento automático de alvos fixos baseados em banco de imagem específico , como ocorre por exemplo nos mísseis Tomahawk e JASSM
-Inteligência artificial contra alvos móveis, capaz de selecionar um alvo dentro de um conjunto de possibilidades
Sim, nunca ouvi Putin a reclamar das armas enviadas e a impor as muitas linhas vermelhas se fossem enviadas…
escambo da KN para renovar sua força aerea.
“Ucrânia diz que Rússia recebeu novo míssil norte-coreano KN-30 com ogiva muito mais pesada”.
Estão chorando?! Cada um tem seu “amiguinho pessoal” para fornecer armas,a Rússia tem a Coréia do Norte e vocês tem a NATO…
E a Coreia do Sul se tremendo em vez de enviar armas para a Ucrania.
Enviar para quê?! Para virar alvo do Gorducho?!
Enviar armas que possivelmente eles poderão precisar?!
A Ucrânia já tem patronos demais, e olhe que esses patronos devido a sua bondade, estão ficando sem armamento em estoque…
Melhor ficarem de fora dessa história…