Governo estrutura Nuvem Brasileira para reduzir dependência de gigantes estrangeiras

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Nuvem Brasileira

O Governo Federal iniciou a estruturação da Nuvem Brasileira, projeto destinado a criar uma infraestrutura nacional de computação em nuvem com maior controle sobre armazenamento, processamento de dados e sistemas considerados estratégicos. A iniciativa pretende reduzir a dependência do país de grandes provedores estrangeiros e ampliar a soberania digital brasileira.

O projeto foi formalizado em 20 de agosto, em Macaíba, no Rio Grande do Norte, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica envolvendo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Tecnologia nacional e padrões abertos

A proposta prevê desenvolver no Brasil componentes considerados críticos para serviços de computação em nuvem. Segundo o governo, a arquitetura deverá utilizar padrões abertos e interoperáveis, além de tecnologia nacional em áreas estratégicas, evitando que o país simplesmente substitua a dependência de um fornecedor estrangeiro por outra empresa ou plataforma proprietária.

O objetivo é aumentar o controle brasileiro sobre infraestrutura digital, dados, chaves criptográficas, atualizações de sistemas e continuidade operacional. Entre os critérios técnicos estudados estão ainda a exposição a jurisdições estrangeiras, independência de licenciamento e diversificação da cadeia de fornecedores.

Apesar da proposta de ampliar ao máximo o conteúdo nacional, o governo ainda não definiu qual percentual da futura infraestrutura será efetivamente desenvolvido no Brasil. Essa decisão dependerá do levantamento da capacidade tecnológica existente na indústria e da modelagem técnica e econômica do programa.

Governo utilizará poder de compra do Estado

Um dos pilares do projeto é utilizar a demanda do próprio Governo Federal para criar escala para empresas brasileiras. A expectativa é que contratos públicos funcionem como instrumento de incentivo ao desenvolvimento de fornecedores nacionais capazes de competir posteriormente também no mercado privado.

A primeira fase envolve estudos e diagnóstico da indústria. Em 3 de setembro, a ABDI realizará uma audiência pública virtual para ouvir empresas e mapear tecnologias, serviços e capacidades disponíveis no país. Depois virão a definição do modelo técnico, jurídico e comercial e, posteriormente, a implementação da infraestrutura.

Diferença para a atual Nuvem de Governo

O Brasil já opera desde 2023 a chamada Nuvem de Governo, administrada por Serpro e Dataprev. O sistema mantém dados governamentais em centros de processamento localizados no território brasileiro e sob gestão nacional, inclusive informações protegidas por sigilo.

Entretanto, parte das tecnologias utilizadas nessa estrutura é fornecida por grandes empresas internacionais. A nova Nuvem Brasileira pretende avançar justamente nessa camada tecnológica, estimulando o desenvolvimento doméstico de software, infraestrutura e componentes considerados críticos.

O governo afirma que não pretende promover isolamento tecnológico. A estratégia é preservar a capacidade de incorporar tecnologias de diferentes fornecedores, mas garantindo autonomia para operar, auditar, recuperar e modificar sistemas essenciais sem depender exclusivamente de decisões tomadas fora do país.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de soberania digital anunciada pelo governo, que inclui a aquisição de um supercomputador de inteligência artificial por mais de R$ 1 bilhão, desenvolvimento de modelos de IA em português e participação brasileira em projetos de processadores baseados na arquitetura aberta RISC-V. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, atualmente cerca de 60% do processamento relacionado à inteligência brasileira ocorre fora do país.

A definição do desenho final da Nuvem Brasileira deverá ocorrer somente depois da consulta à indústria, quando governo e empresas terão uma avaliação mais precisa de quais tecnologias já podem ser fornecidas nacionalmente e quais ainda exigirão desenvolvimento e investimentos.■



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NBS
NBS
18 dias atrás

Seria um passo importante para a autonomia e a segurança das informações e deveria ser acompanhado pela criação de alternativas públicas nacionais de mensageria e redes sociais, juntamente com uma inteligência artificial brasileira, hospedada em servidores localizados no país. Essas tecnologias também podem ser utilizadas para mapear e extrair dados sensíveis de pesquisas e informações restritas.
As redes sociais são hoje o calcanhar de Aquiles de qualquer democracia. Tornaram-se a ponta de lança para plantar pautas e interferir nas prioridades nacionais. Um grande experimento documentado desse tipo de intervenção foi o Brexit, e deu no que deu. Atualmente, grupos econômicos nacionais e internacionais podem pagar para impulsionar falsas prioridades e fabricar percepções, assim como, no passado, as mídias televisiva e jornalística criavam suas próprias “narrativas”.
Não se pode imaginar uma imprensa inteiramente livre da influência de seus proprietários e de seus interesses econômicos. Nada do que se vê ou se ouve está ali de forma aleatória ou desprovida de objetivos. Em uma sociedade na qual o povo e os trabalhadores ainda elegem um Congresso em que 80% dos parlamentares atuam contra os interesses da maioria da população, o letramento digital torna-se ainda mais necessário. Permitir que essas armas permaneçam à disposição de interesses estrangeiros e de grandes grupos econômicos é a certeza de uma tragédia anunciada.

BVR
BVR
Responder para  NBS
18 dias atrás

Salve NBR !

É bem por aí…bem por aí mesmo !

FERNANDO
FERNANDO
18 dias atrás

Não entendo nada.
O que é uma nuvem?

ln(0)
ln(0)
Responder para  FERNANDO
16 dias atrás

Nuvem, ou cloud (nome original em inglês) é um sistema de armazenamento de dados (documentos, fotos, etc) em servidores que você acessa pela internet. É a mesma coisa que um Google Drive, OneDrive, Dropbox, etc.
Pelo que entendi do texto, a ideia não é criar um servidor nacional (pois eles já existem), mas que os componentes desses servidores sejam de origem nacional.

José Joaquim da Silva Santos
José Joaquim da Silva Santos
18 dias atrás

Passando aqui só pra perguntar no que deu aquele grupo de estudos pra fazer um GPS nacional…hehe

FERNANDO
FERNANDO
Responder para  José Joaquim da Silva Santos
18 dias atrás

Muito caro!
Deixa para 2250.

Sergio Machado
Sergio Machado
18 dias atrás

Trump effect. Tanks.
Tomara que a sociedade entenda as fragilidades e demande que saiamos do berço esplendido.
GPS local, misseis, defesa aerea, drones…
A lista é grande.

Nilo
Nilo
Responder para  Sergio Machado
18 dias atrás

São de decisões políticas, o congresso comandado pelo centrão, o que vc espera do centrão? O que vc espera de lideranças que apoiam a taxação ao Brasil? São decisões, do governo que estão aquém das nossas necessidades, Angra 3 é um exemplo, a eterna obra inacabada.

Sergio Machado
Sergio Machado
Responder para  Nilo
18 dias atrás

Mas a demanda da sociedade é um antídoto contra as críticas de investimento em Defesa.
O primeiro a criticar é a Faria Lima. O segundo é a oposição de momento, visto que desgastar o governo de plantão é bom politicamente. Lembro aquele imbecil do Mourão dizendo que o governo era antiamericano. Agora, com a estratégia americana escancarada está escondido com o rabo no meio das pernas.
Sem uma demanda, qualquer governo fica nu a fim de justificar bilhões em Defesa.
Posto isso, tanks Trump e muitíssimo obrigado Marco Rubio.
Continuem com as ameaças que teremos o debate e a demanda necessária para por agua no moinho.

Leandro Costa
Leandro Costa
Responder para  Sergio Machado
18 dias atrás

Uma pena que nosso governo atual matou o nosso programa de lançadores de satélite. Vai levar bem mais do que uma década e investimentos regulares na casa dos bilhões para atingirmos o patamar no qual estávamos.

E obs.: Se escreve “Thanks.” Com ‘h’ mesmo. Caso contrário é outra palavra.

Sergio Machado
Sergio Machado
Responder para  Leandro Costa
18 dias atrás

Sério mesmo? E eu usando tanks coloquial, como figura de linguagem para ironia ou sarcasmo frente a uma bobagem
Até pq na norma culta thanks sequer existe.

Leandro Costa
Leandro Costa
Responder para  Sergio Machado
18 dias atrás

Pois é. Não funciona. Usar tanks ao invés de thanks é no-no. Passa a impressão de que quem está falando não sabe o que fala/escreve. Motivo? Confuso. Em nenhum lugar no assunto é possível fazer trocadilho com blindados de combate ou recipientes.

Fosse uma matéria sobre aquisição de tanques pelo EB/CFN da vida motivado pelas declarações do Rubio ou Trump, aí o trocadilho caberia como uma luva. Não é o caso.

Sergio Machado
Sergio Machado
Responder para  Leandro Costa
18 dias atrás

Mas vá carpi um lote

Última edição 18 dias atrás por Sergio Machado
Leandro
Leandro
Responder para  Sergio Machado
17 dias atrás

É aquela coisa. Estou sendo educado e te passando informação de boa e ainda com certa didática e paciência.

E você vem de grosseria. Não é a primeira vez.

João
João
18 dias atrás

Interessante que o EB já faz isso há um tempo.
O gov fed só agora q decidiu….

Underground
Underground
18 dias atrás

Vão criar a e-nuvê-braiz S/A. Talvez uma empresa de economia mista junto com aquele pessoal da carne. Governo entra com a grana e o pessoal da carne entra com o expertise. Expertise é o que não falta.

ln(0)
ln(0)
Responder para  Underground
16 dias atrás

Pelo que entendi a nuvem já existe, e são administradas pela Serpro e Dataprev, que são sua e-nuvê-braiz S/A. Acho que elss querem que os componentes dos servidores sejam de origem nacional.

Dr. Mundico
Dr. Mundico
18 dias atrás

Antes tarde do que nunca.
O Globalismo faliu e agora que cada qual cuide de si.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
18 dias atrás

“Governo estrutura Nuvem Brasileira para reduzir dependência de gigantes estrangeiras”

O Governo Federal iniciou a estruturação da Nuvem Brasileira, projeto destinado a criar uma infraestrutura nacional de computação em nuvem com maior controle sobre armazenamento, processamento de dados e sistemas considerados estratégicos.
A iniciativa pretende reduzir a dependência do país de grandes provedores estrangeiros e ampliar a soberania digital brasileira.

Parabéns ao governo Pela iniciativa!

Se tal projeto vingar, será benéfico ao país, que deixará de ser cliente e dependente de atores externos.

O Brasil tem que tomar atitudes concretas para proteger nossos dados, o momento atual é perigoso, Trump está mostrando ao Brasil e ao mundo que não existem parceiros confiáveis, e mesmo que Trump e sua Trupe republicana desapareçam do mapa político e geopolítico dos EUA e do cenário internacional, ficará a lição como aprendizado.

O Brasil deveria seguir o caminho do Canadá que recentemente anunciou planos de autonomia digital.
O governo de Ontario está preparando novas regras para data centers e quer manter dados canadenses no país.

O governo federal canadense lançou chamadas públicas para subsidiar a construção de data centers soberanos de grande escala (superando 100 megawatts).
Uma das principais iniciativas inclui um fundo de US$ 925,6 milhões voltado exclusivamente para criar uma infraestrutura pública de IA que não responda a corporações estrangeiras.

Cerca de 60% do mercado de nuvem canadense roda em hiperscaladores dos EUA (como AWS e Microsoft). Mesmo quando essas empresas constroem data centers físicos em solo canadense (residência), elas continuam sujeitas ao U.S. CLOUD Act. Isso significa que a inteligência americana pode exigir o acesso aos dados sem notificar o Canadá.

Novos editais federais e provinciais (como em Alberta) exigem requisitos estritos de controle e propriedade 100% canadense, proibindo provedores que respondam a leis estrangeiras de interceptação.

Para reduzir o peso geopolítico de Washington, o Canadá está formando uma “aliança de nações de poder médio” focada em governança tecnológica e acelerando acordos para fechar parcerias comerciais com outros blocos, visando concluir tratados inclusive com o Mercosul até o fim de 2026.

BVR
BVR
Responder para  Adriano Madureira
18 dias atrás

Salve Adriano Madureira !
Obrigado por compartilhar.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  BVR
17 dias atrás

Eu acompanho as notícias do Canadá, e dá gosto ver um país cujos governantes não ficam tremendo e chorando devido as sanções do malvado Trump…

Ao invés de chorar, foi para cima da união européia, ASEAN e está em conversas com o Mercosul e oferecer seus produtos ao mundo.

 Juntos,Canadá e esses esses blocos econômicos representam aproximadamente entre 40% e 45% de todo o comércio mundial de mercadorias.
A maior parte desse volume se deve à força massiva da União Europeia e da ASEAN.
Juntos, a União Europeia, a ASEAN e o MERCOSUL representam aproximadamente 24% a 25% de todas as importações mundiais de mercadorias.

Como aquele ditado popular diz:
“Enquanto alguns choram, outros vendem lenços.”

Mark Carney e seu Staff não se deixaram-se chantagear com as ameaças de Donald Dumb.

CARLOS ANDRE
CARLOS ANDRE
Responder para  Adriano Madureira
18 dias atrás

Maravilhosa explicação. Parabéns.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  CARLOS ANDRE
17 dias atrás

Como o grande Winston Churchill disse:
“Um pessimista vê a dificuldade em cada oportunidade; um otimista vê a oportunidade em cada dificuldade.”

O pessoal em Ottawa não ficou parado.

Rodrigo Silveira
Rodrigo Silveira
18 dias atrás

E dá-lhe pixuleco…

Macgarem
Macgarem
18 dias atrás

A intenção e necessidade sãor reais, mas conhecendo governo br vão criar uma NuvemBras que será gerida por um politico do centrão em troca de apoio e será um grande um cabide e torrador de dinheiro do trabalhador.

José de Souza
José de Souza
Responder para  Macgarem
17 dias atrás

PIX e Gov.Br estão aí pra te desmentir…

Elint
Elint
18 dias atrás

A “Matrix Tupiniquim” está sendo criada.
Essa nova nuvem brasileira poderia muito bem se chamar “Nuvem VDC”:
Vigilância, Domínio e Controle.
Basta ligar alguns pontos: de um lado, uma infraestrutura nacional de nuvem sob forte influência e controle do governo; de outro, o Drex, uma moeda essencialmente digital também concebida pelo Estado.
A pergunta que fica é: estamos caminhando para uma espécie de “Nova Coreia do Norte — só que no Sul”?
Em nome de uma suposta soberania tecnológica e financeira, podemos acabar fechando portas para empresas e soluções estrangeiras e, ao mesmo tempo, ampliando enormemente a capacidade de vigilância, controle e intervenção do próprio Estado sobre nossos cidadãos e nossas empresas.
Menos liberdade.
Mais controle.
Mais vigilância.
Mais cobranças.
Mais taxas.
Mais impostos.
Pode parecer exagero hoje. Mas, quando todas as peças começam a se encaixar, talvez seja prudente prestar atenção.
O golpe está aí. Cai quem quer.

CARLOS ANDRE
CARLOS ANDRE
Responder para  Elint
18 dias atrás

Prezado, você não entendeu ou não entende o que leu? Em que situação se pode admitir que informações sensíveis do Estado fiquem expostas a qualquer outro, num tempo em que pra ser bombardeado basta existir? E por acaso abre postagem aborda algum tipo de vigilância, controle ou censura? Por acaso os EUA tem datacenters estatais no Brasil, na Ásia ou Europa? Pago pra ver.

José de Souza
José de Souza
Responder para  CARLOS ANDRE
17 dias atrás

Imagina, tá cego de lavagem cerebral do zapzap da família… Se Jesus voltar vai chamar ele de ban dido e vaga bundo!

Última edição 17 dias atrás por José de Souza
Danieljr
Danieljr
17 dias atrás

Outras promessas vazias, ficarão na fila dos estudos estratégicos, como sempre.

Vai ganhar algum dinheiro para projetar o sistema (como sempre), se tudo der certo vão operar alguma coisa que talvez funcione, talvez não, talvez fique somente nos planos mesmo.

Eu não me iludo mais com essas coisas.

O mesmo governo que matou o VLS e tantos outros projetos agora vem querer fazer “soberania”, somente porque estão brigando com o governo que está na casa branca atualmente.

Se não fosse isso, ninguém em Brasília se importaria se os dados estivessem na nuvembrás ou num HD da microsoft.

EduardoSP
EduardoSP
Responder para  Danieljr
17 dias atrás

O problema vai muito além do “mesmo governo que matou o VLS”.

Se você limitar a análise a um viés político/partidário, vai dar com os burros n’água.
Você é capaz de imaginar um governo do PL (Nikolas Ferreira, Zé Trovão e Bia Kicis) tomando essa iniciativa? Ou do Republicanos (IURD)? Ou do PP (Ciro Nogueira e Arthur Lira)?

Danieljr
Danieljr
Responder para  EduardoSP
16 dias atrás

Não estou fazendo uma análise político partidária. É uma análise do governo brasileiro desde sempre.

Apenas fiz esse recorte porque é evidente que essas promessas não serão cumpridas, como sempre.

Carlos Campos
Carlos Campos
17 dias atrás

Muito bom isso, mas quero ver sair do papel, ao meu ver, seria necessário atrair uma fundição de Chips para o Brasil, Samsung, huawei ou outra, e fazer parceria em chips RISC-V avançados, temos que correr com a computação quantica, no futuro terão os países com computação quantica e os explorados que não tem, será uma disparaidade enorme, imagina se os Chineses usando IA e computação Quantica desenvolve uma soja capaz de produzir mais naquele solo deles ao nível do Brasil? nosso país estaria quebrado no ano seguinte, imagina uma boi com engenharia biologica fosse muito mais cpaz de tranforma comida em carne? o tempo tá passando e nós estamos dormindo

Danieljr
Danieljr
Responder para  Carlos Campos
16 dias atrás

Os chineses utilizarão os solos africanos. Os países de lá são ainda mais corruptos e com menos infraestrutura.

Mesmo que façam contratos com governos corretos, só de propor levar lavouras, dar empregos, construir uma estrada e um porto já vai estar valendo.

Comte. Nogueira
Comte. Nogueira
17 dias atrás

O governo federal estrutura a nuvem brasileira, mas permite que a mineradora brasileira de terras raras seja vendida para o Pentágono?

MMerlin
MMerlin
17 dias atrás

A iniciativa sem dúvida é ótima.
É estimado que mais da metade de toda informação gerada em solo nacional é armazenada em solo estrangeiro.

Mas, antes de apontar algumas questões, é importante entender quais as características principais (o Core básico) do armazenamento em nuvem.

São elas:

* Os arquivos ficam armazenados remotamente, em um ambiente onde podem ser acessados de qualquer dispositivo (computador, celular, tablet), a qualquer hora e lugar.

* Possuem alta escalabilidade, permitindo aumentar ou diminuir o espaço de armazenamento, memória e processamento conforme a necessidade.

* Alto nível de redundância, armazenando e replicando os dados em múltiplos servidores, reduzindo o risco de perda por falhas de hardware.

Importante o último item. 
Se não existir a replicação de diversas instâncias, não estamos falando de nuvem. Neste caso, seria apenas armazenamento remoto.

O primeiro serviço preparado para larga escala global, de uso comercial, foi o AWS S3, lançado em 2006. Fazemos uso constante do serviço aqui na empresa desde essa época.
O SERPRO possui um modelo de armazenamento em nuvem (desde 2023), mas com espelho de dados em apenas duas localizações (São Paulo e Brasília). Uma redundância simples, mas funcional.

O Governo agora aponta o serviço de Cloud Storage, um programa (verdadeiramente) de Estado, voltado ao setor privado e ao público em geral. 
Sem dúvida isto é um pequeno mais indispensável passo rumo a independência tecnológica.

Apenas alguns apontamentos referente ao projeto:

* Ele faz parte do programa PBIA. Então vai compartilhar do mesmo orçamento (bastante limitado R$ 23 bilhões divididos em 4 anos);

* Engloba toda a cadeira de construção, montagem, configuração e suporte (hardware e software) o que é um ponto bastante positivo;

* Planeja aquisições com ToT de equipamentos, o que compromete ainda mais o escasso orçamento apontado;

* Já tem definição onde ficará o primeiro local da infra que vai ser em Rio Grande do Norte. A decisão é acertada. O local possui abundante oferta de energia limpa gerada. A infra para IA demanda muito destes recurso.

* Outros dois locais também já foram definidos: Rio de Janeiro e São Paulo;

* Três ambiente é, tecnicamente, o mínimo de ambiente para que um serviço comercial seja considerado Cloud. Então, quando chegar neste ponto, o serviço alcançou seu objetivo;

* O programa tem passado por mudanças e ficou definido que projeto será um programa público-privado. Em teoria, sempre foi, mas agora o setor privado participará desde sua concepção. Decisão mais do que acertada.

* O PBIA trata a questão de infra, tanto para IA quanto para armazenamento, como algo único. Provavelmente foi unificado para encorpar o projeto, mas considero isso um erro. Um serviço de Cloud Storage foca em armazenamento. Um serviço de IA foca em processamento e memória.

Aparentemente o programa PBIA tem se mostrado não estático, aceitando mudanças conceituais e melhorias no modelo de sua implementação.
Infelizmente o orçamento compartilhado com todos os demais projetos do programa PBIA é insuficiente.

Focando apenas na infra e no serviço de armazenamento, o Estado precisa de soberania em dois pontos:

* Garantia da escalabilidade;

* Segurança dos dados.

Dito isto, o país precisa dar início a nacionalização de hardwares críticos.
E este programa deve ser o gatilho. Independente de orçamento, conhecimento e vontade política.
O Governo acertou.
O orçamento apontado pode ser o inicial. Um programa deste, que é de Estado, não existe orçamento fixo. Uma vez iniciado, precisará de recursos constantes.

Voltando para questão da soberania, é preciso ter pé no chão.
Estamos iniciando praticamente do zero.
Resumindo bastante o assunto, pensando apenas no serviço de Cloud Storage, como sugestão o Estado precisa:

1. Investir pesado na CEITEC. Pesado no quesito bilhões para expansão da estatal. Tanto para desenvolvimento de projeto quanto para produção de Circuitos Integrados. Ela precisa conseguir alcançar litografia mínima de 40nm. É essencial e o próximo ponto explica o porque;

2. Uma vez alcançado o nível mínimo de 40nm, a estatal fica responsável por projetar e produzir os controladores principais (do ponto de vista pessoal e seguindo os dois pontos da soberania): SSD, Interfaces de Rede e o BMC.

Observação aqui: Não precisamos (inicialmente) produzir o equipamento integralmente aqui. Precisamos apenas projetar e construir a controlador. Isto garante que o equipamento vai funcionar da forma que precisamos e com garantira de não existir backdoors. É essencial o foco inicial nesta produção.

3. Foco no hardware relacionado à segurança e criptografia. De longe o principal é saber projetar conseguir produzir o HSM. Conseguindo alcançar 40nm teremos essa capacidade. Para outros componentes (DPU, BMC e IPsec), substituir os chips importados nos equipamentos nacionais por chips produzidos pela CEITEC.

4. O Estado fomentaria a CEITEC aplicando instrumento de exigência direta e regulações para uso de seus novos produtos para áreas estratégicas.

5. O Estado criaria novos incentivos fiscais e regimes de fomento (quase obrigatório) para consumo dos produtos da CEITEC pelo setor privado. Talvez até reformulando o PADIS.

A CEITEC deve ser o ponto de referência e absorvedor de toda tecnologia adquirida via ToT.
Mesmo o programa sendo público-privado, a empresa não deve de forma alguma ser privatizada. Como o setor nacional ainda é inexistente, não existe mercado para absorver engenheiros especializados.
Mas o segmento é mais do estratégico e, se a tecnologia não se cria ou mantém via setor privado, o Estado precisa assumir.

Tentei resumir o que deu. Dá pra escrever todo o projeto devido amplitude do programa.
Mas, em se tratando e infra, do ponto de vista pessoal, o foco na nacionalização e soberania tecnológica, deveria ser os itens que apontei.