Brasil gasta 1,1% do PIB com Defesa e permanece muito abaixo da média mundial em meio ao rearmamento global
A distância entre o esforço brasileiro em Defesa e a média mundial aumentou de forma significativa nas últimas três décadas. Enquanto o gasto militar global voltou a atingir 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, o Brasil destinou aproximadamente 1,1% do PIB ao setor, segundo dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) reunidos no gráfico comparativo de 1991 a 2025.
Isso significa que o esforço brasileiro corresponde atualmente a cerca de 44% da média mundial, deixando uma diferença de 1,4 ponto percentual. A tendência é particularmente relevante porque ocorre justamente quando Europa, Ásia e outras regiões aceleram programas de reequipamento em resposta à deterioração do ambiente de segurança internacional.
O SIPRI calcula que os gastos militares globais atingiram US$ 2,887 trilhões em 2025, alta real de 2,9% sobre o ano anterior e o 11º crescimento anual consecutivo. O volume é o maior já registrado pelo instituto. A chamada “carga militar”, percentual do PIB mundial destinado às Forças Armadas, chegou a 2,5%.
Fim da Guerra Fria derrubou gastos mundiais
O gráfico mostra uma trajetória clara de redução internacional após o fim da Guerra Fria. A proporção destinada às despesas militares caiu de aproximadamente 3% do PIB no início dos anos 1990 para pouco mais de 2% no começo do século XXI.
A retração refletiu o chamado “dividendo da paz”: redução de efetivos, fechamento de bases e adiamento ou cancelamento de grandes programas militares após o desaparecimento da União Soviética.
A série apresentada no gráfico coloca o índice mundial em 2,36% em 1995 e 2,19% em 2000. O início da Guerra ao Terror, as operações no Afeganistão e no Iraque e posteriormente a crise financeira internacional interromperam parcialmente essa queda, levando o indicador a aproximadamente 2,6% em 2009.
Há, contudo, uma ressalva metodológica para o início da série. O próprio SIPRI informa atualmente que não é possível calcular um total mundial de despesas militares para 1991 devido à ausência de dados completos da União Soviética naquele ano. A comparação histórica apresentada no gráfico combina séries do SIPRI e Banco Mundial e deve, portanto, ser entendida como indicativa da tendência geral.
Brasil seguiu trajetória diferente
No Brasil, a evolução foi marcada por fortes oscilações nos anos 1990. O indicador aparece em 1,96% do PIB em 1991, recua para 1,52% em 1992 e chega a 2,02% em 1994, período de estabilização econômica que culminou no Plano Real.
Dados históricos reproduzidos pela base das Nações Unidas a partir dos indicadores do Banco Mundial confirmam valores de 1,963% em 1991, 1,522% em 1992 e 2,016% em 1994. Em 2001, o percentual voltou a alcançar 1,95%, antes de cair para 1,50% em 2003.
A partir daí, consolidou-se uma tendência de redução da participação da Defesa no PIB, apesar do lançamento de alguns dos maiores projetos de modernização militar desde o fim do regime militar.
Em 2008, o governo lançou a Estratégia Nacional de Defesa. Nos anos seguintes avançaram programas como o PROSUB, para construção de submarinos; o SISFRON, para monitoramento das fronteiras terrestres; o cargueiro KC-390 e o projeto F-X2, posteriormente materializado na compra dos caças F-39 Gripen. O Ministério da Defesa mantém esses programas entre seus principais empreendimentos estratégicos.
Apesar disso, a proporção do PIB destinada ao gasto militar não acompanhou proporcionalmente a modernização.
De 1,54% em 2009 para menos de 1% em 2024
Em 2009, ano em que foi publicada a primeira Estratégia Nacional de Defesa revisada e importantes programas começavam a ganhar estrutura orçamentária, o Brasil destinava aproximadamente 1,54% do PIB aos gastos militares.
Depois disso, o indicador entrou em tendência predominantemente descendente. Passou por 1,47% em 2018, 1,33% em 2020 segundo a série mais recente do Banco Mundial e caiu sucessivamente até 0,97% em 2024, o menor patamar mostrado no gráfico desde 1991.
O período coincide com fortes restrições fiscais. A Emenda Constitucional 95, aprovada em 2016, estabeleceu um teto para as despesas primárias federais corrigido pela inflação. Embora esse regime tenha sido posteriormente substituído pelo novo arcabouço fiscal, a disputa por recursos entre despesas obrigatórias e investimentos continuou afetando a capacidade de planejamento de longo prazo. Documentos oficiais reconhecem que a antiga regra contribuiu para comprimir investimentos públicos ao longo de sua vigência.
Para a Defesa, o problema é especialmente sensível porque programas militares possuem ciclos de desenvolvimento e aquisição que frequentemente ultrapassam dez ou 20 anos.
Gasto brasileiro cresce 13% em 2025
O quadro mudou parcialmente em 2025.
Segundo o SIPRI, o Brasil elevou os gastos militares em 13% em termos reais, alcançando US$ 23,9 bilhões. Com isso, permaneceu como o maior orçamento militar da América do Sul e ocupou a 21ª posição mundial em valores absolutos. A carga militar subiu para aproximadamente 1,1% do PIB.
O instituto atribui a expansão principalmente ao aumento dos investimentos em desenvolvimento tecnológico naval e às despesas com pessoal militar. Mesmo com esse crescimento, o esforço relativo continua muito abaixo do padrão internacional.
O contraste tornou-se mais evidente porque o restante do mundo voltou a se armar. Em 2025, a Europa elevou suas despesas militares em 14%, para US$ 864 bilhões, enquanto Ásia e Oceania cresceram 8,1%, chegando a US$ 681 bilhões. Dos 32 integrantes da OTAN, 23 já destinavam pelo menos 2% do PIB à Defesa segundo a metodologia do SIPRI.
Modernização disputa espaço com despesas de pessoal
A dimensão do orçamento brasileiro, entretanto, não revela sozinha quanto dinheiro efetivamente chega ao reequipamento.
Um dos problemas históricos da estrutura de gastos das Forças Armadas é o peso das despesas de pessoal. O SIPRI observou que, entre 2019 e 2022, a participação das despesas com pessoal passou de 72% para 77% do gasto militar brasileiro, reduzindo proporcionalmente os recursos disponíveis para equipamentos e investimentos.
Ao mesmo tempo, o país precisa financiar simultaneamente programas de elevado valor, como o Gripen, o KC-390, o PROSUB, o submarino de propulsão nuclear, as fragatas classe Tamandaré, o SISFRON, novos blindados e sistemas de mísseis e defesa cibernética.
O Novo PAC destinou recursos específicos para vários desses projetos, enquanto a política Nova Indústria Brasil também passou a tratar Defesa como setor estratégico para desenvolvimento tecnológico e industrial.
O gráfico evidencia, portanto, uma mudança estrutural: nos anos 1990, tanto o Brasil quanto o mundo reduziam proporcionalmente seus gastos militares. A partir da segunda metade da década de 2010, as trajetórias se separaram. O ambiente internacional entrou em um novo ciclo de rearmamento, enquanto o esforço brasileiro continuou recuando até 2024 e apresentou apenas uma recuperação parcial em 2025.
Se essa diferença persistir, o principal desafio brasileiro não será apenas adquirir novos equipamentos, mas assegurar recursos previsíveis para manter, operar e substituir os meios já incorporados — condição essencial para evitar que programas tecnologicamente avançados convivam com uma estrutura militar progressivamente pressionada pela insuficiência de investimentos continuados.■



Seria interessante ver como esta dividido os gastos dentro da despesa pessoal, o que compõe este custo.
90% com pessoal, mas não é por culpa das FAs, e sim do baixo orçamento, pois os gastos com pessoal são despesas obrigatórias, então quanto mais o governo diminiu o orçamento de defesa mais o percentual com pessoal aumenta. Se dobrasse hoje o orçamento, o percentual com pessoal cairia para 50%.
Exatamente, essa é a pegadinha do gasto com pessoal que poucos sacam.
Nossa eu desisto, é bem o QI 84 mesmo, não adianta perder tempo explicando pra eles…
Mas um incauto repetindo essa besteira de QI 84, Jesus!
https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/qi-medio-85-brasil/
A qualidade dos estudos varia, como os resultados. O brasileiro tem, segundo esses estudos, um QI entre 83 e 87 pontos, o que é bem baixo
“90% com pessoal, mas não é por culpa das FAs, e sim do baixo orçamento”
isso é alguma PIADA?
Gastando mais de 20 BILHÕES de dólares só nesse ano, ainda tá pouco?? Ou os 90% para pessoal , leia-se oficiais, luxo e pensões é que está ridiculamente excessivo?
Com esses 20 BILHÕES de dólares, o Paquistão que é uma potência militar de fato, isso gastando metade desse orçamento, já tinha chegado a Marte .
Isto que seria interessante ver.
Deste valor do “pessoal”.
Quanto é para soldados?
Quanto para generais?
Quanto para pensões?
Quanto para jantares luxosos?
Conta “pessoal” pode englobar MUITA coisa.
Soldados, sargentos, oficiais e generais recebem de acordo com seus soldos.
As pensões idem.
Jantar não é custo com pessoal, nem tão pouco luxuosos haahahahahah
Isto que queria ver bem descrito.
Vejo muita gente reclamando que os salários dos generais , pensões e etc são um valor muito alto.
São mesmo? Quantos % do gasto pessoal?
Quanto se gasta nestes eventos cheio de firulas?
Comida entra em Custeio e não em gastos com pessoal.
Parabéns Paul@ Fr&r&
E ser idiota demais com esse Papinho de Paulo Freire.
1) Porque os custos com a ativa lá são muito altos.
2) Porque perder grande efetivo com 20 anos é muito prejudicial.
Aqui não tem guerra, mas tem as atividades de baixa intensidade, que põe o militar em operação da mesma forma.
A integralidade e paridade não são somente nesses países.
E onde não é há outros compensadores.
Nos EUA, por exemplo, aos 40% de 20 anos de serviço, soma-se um excelente plano de saúde do departamento de veteranos, a autorização de compras sem imposto nos supermercados credenciados, e ter recebido benefícios na ativa, q aqui não existem, aumentando o salário.
Você sabe se o orçamento paquistanês inclui gastos com aposentados e pensionistas?
Como assim não é culpa dos militares, amigo? Em um país que falta de tudo e metade da população não tem saneamento básico, você acha que os militares gastarem 1% do PIB com pessoal não é um problema sério de administração??????
Acho que vc não sabe como funciona o Estado brasileiro, os militares não gastam 1% do PIB com pessoal, o orçamento quem define é o governo, os servidores públicos (militares) não podem ter salários reduzidos ou contingênciados, e nem demitidos então quanto menor for o orçamento da pasta, maior vai ser o percentual com pessoal. Os militares só podem cortar custeio e aquisições, Isso é assim tão difícil de vcs entenderem?!?
??!? ninguém está discutindo isso que vc acabou de trazer a baila.
Kings, esse negócio de pensão vitalícia para filhas não existe mais a quase trinta anos. Hoje em dia o filho(a) do militar recebe pensão até os 21 ou anos ou 24 anos caso esteja cursando faculdade.
E esposa(o) segue basicamente a mesma regra de qualquer outra estatal.
Cra, eu não quis falar que esse sujeito é o kings, mas tu falou. Então, acho que estamos certos. Essa criatura não desaparece… Barbaridade…
É ele. Eu era cético com outras aparições porque nunca era o mesmo estilo de escrita.
Esse é exatamente igual e ele se comporta exatamente dessa mesma maneira. É o Kings.
E os administradores, cadê?? Esse sujeito foi expulso da Trilogia. É o maior troll que já tivemos o desprazer de ver por aqui. Espero que mandem ele para o quinto dos infernos…
Veio numa versão muito pior,o Kings dava para rir de muita m!#%@ que ele escrevia,já essa é a do militante raivoso e desesperado com a desgovernança.
Cai por terra mais uma mentira dos adePTos,o desgoverno está cortando os gastos com a defesa,mas eles insistem na conversinha decque o nosso orçamento é gigante,rs.
Exato.
Parabéns Paul@ Fr&ir&
Mais um incauto repetindo o que não sabe, Jesus! O PF desenvolveu uma técnica de alfabetização para adultos, usada mundialmente. Só isso. Alfabetizar adultos.
Quem é o chefe supremo das forças armadas?
Quem manda no MD?
O MD manda nas forças ou não?
Quem manda nas políticas de defesa do país?
Quem deu a ordem e assinou poe volta de 2009 para a MB passar de 59 mil para mais de 80 mil militares?
Não foi um almirante, foi o L.
Eles sabem da culpa dos militares, mas devem ter um na família e por isso, a passagem de pano é grande.
“Se dobrasse hoje o orçamento, o percentual com pessoal cairia para 50%.”
Só se os gastos com pessoal não fossem alterados e a questão é justamente essa.
Se amanhã aumentamos o gasto em defesa para 2% do PIB, quem garante que no dia seguinte a ideia de ter um exército de 500 mil homens na ativa não vai começar a brilhar na cabeça dos generais? E sabe o pior? argumento para isso teria aos montes.
Acho que o caminho mais racional seria buscar um projeto onde os investimentos fossem separados do custeio. Algo como:
Custeio: 1% do PIB
Investimento: um valor fixo de alguns bilhões (em dólar) blindado de contigenciamento e com reajuste anual pela inflação.
Se tivéssemos uns 5 ou 6 bilhões de dólares limpos pra investir por ano, com a garantia de que estarão disponíveis ano após ano e com o poder de compra preservado ao longo do tempo, já daria pra fazer bastante coisa.
Muito simples, Paulo.
O aumento de efetivo pertence ao Governo Federal, que autoriza ou não, de acordo com o Min Orçamento e Gestão.
É muito provável que não aconteceria, pois há décadas que o efetivo autorizado é pelo menos 20 a 30% maior do que o existente.
Se não me falha a a memória, o efetivo autorizado atual do EB é de próximo de 285 mil homens.
Tem 210 mil, diminuindo.
Salário, despesa de saúde, movimentação, indenização para cursos. Não me recordo se gastos com Próprios Nacionais Residenciais.
Dos 133 bi
104 bi para pessoal
19 bi para custeio
11 bi para investimento (aquisições)
De forma aproximada acho que é isso.
Teve vários contingenciamentos ao longo do ano, tenho minhas dúvidas se eles incluíram isso…
Até aqueles 30 bi aprovados pelo congresso, 5 bi por ano durante 6 anos, o governo Federal não liberou 1 real para as forças.
É só promessas para ganhar a eleição.
Aposto que ja tem alguem aqui falando que gasta 80% com pessoal, a real é que gastamos mais com pessoal em relação a outros paises porque só investimos 1,1% do PIB em defesa ,e depois comparam a gente com outros paises sendo que muitos desses paises comparados tem media de investimento do PIB de 2%.
Amigo, 80-90% do orçamento gasto com pessoal não é sustentável em nenhum lugar do mundo. Não importa qual métrica que você use para se enganar. Se não dá para pagar todo mundo, diminui o efetivo. Simples assim. É o básico em administração.
Paulo, a diminuição do efetivo tem de ser autorizada pelo GF….
Inclusive ele sempre autoriza bem mais do q o existente, como possível elasticidade em “produção de empregos”.
Como? Demissões em massa de funcionários federais concursados?
Sim. Básico da administração..
Administração de uma empresa pode ser.
Determinar um efetivo para defesa de um país não é essa matemática fácil aí camarada..
Transforma em um exécito de 50 mil e não consegue defender nada..
E a métrica que o amigo usou é bem simples de entender, e muito mais lógica do que simplesmete usar uma medida simplória de diminuir efetivo, enquanto o mundo todo está aumentando seus efetivos..
Não precisa ser 210 mil de efetivos, podem ser seus 50mil concursados e o resto de temporário. Isso daria margem para diminuir o efetivo em caso de aperto fiscal e não impactaria tanto na previdência. Acho que no Brasil teríamos que abandonar essa ideia de ter uma força armada em que todos sejam concursados.
Um dos países com os gastos mais ineficientes é a Espanha, que gasta gasta 2% do PIB em defesa, tendo 50% do gasto em pessoal, tendo 1/3 do efetivo do Brasil
O EB não é uma empresa… É uma instituição do Estado pra defesa do território, não dá pra cortar pessoal como se fosse uma empresa tentando recuperar as finanças… Fora que o pessoal justifica isso geralmente mostrando o tamanho do pessoal de países da Europa, sendo que o Brasil é maior que o continente inteiro deles.
O percentual do PIB com pessoal do Brasil é até menos q muitos.
Para o orçamento é q é maior, pois o orçamento é pequeno.
Exato.
O EB reduziu de mais de 222 mil para menos de 210 mil.
A MB reduziu de mais de 80 mil para menos de 74 mil.
A FAB reduziu de mais de 80 mil para menos de 68 mil.
Além disso aumentaram a proporção de temporários e teve a reforma da previdência militar de 2019, que aumentou tempo de contribuição de 30 para 35 anos e aumentou o percentual de contribuição de 7,5% para 10,5% e passou a cobrar dos Pensionistas que não contribuíam.
Todas essas medidas geraram economias, mas o gasto com pessoal continuou em quase 80% do orçamento porque o orçamento encolheu bastante.
Nos anos 2000 a média foi de 1,6% do PIB
Nos anos 2010 a média foi de 1,4% do PIB
Agora estamos com 1% do PIB.
Se tivéssemos mantido, pelo menos 1,4% do PIB, os gastos com pessal já teriam caído de 77% para 56% do orçamento.
Os militares são CLT?
Qual a diferença?
Sei que as forças acumulam algumas funções além da defesa propriamente dita, mas os números ainda parecem altos quando se leva em consideração a quantidade de meios, especialmente na FAB e MB.
Isso ocorre porque o orçamento militar sempre foi baixo e nos últimos 10 anos despencou. Então não sobra dinheiro para aquisições.
O correto seria a força aérea ter 200 ou 300 caças modernos. A Marinha ter 30 ou 40 navios de combate e uns 20 submarinos.
Ai o efetivo estaria correto em relação à quantidade de meios.
Outra opção é criar uma guarda costeira.
Neste caso a MB poderia sair de 74 mil para cerca de 50 mil de efetivo.
Lembrando que 16 mil são fuzileiros navais, então nós teríamos 34 mil na armada e aviação naval.
Os 24 mil que deixariam a MB integrariam a Guarda Costeira.
Ou a Guarda Costeira poderia ter uns 20 mil e a economia seria de 4 mil a menos.
O gasto com pessoal ativo nas 3 forças gira em torno de R$ 30 bi a R$ 33 bi.
Depois tem mais uns R$ 14 bi com encargos sociais, civis, etc. Mas parte desse dinheiro se refere a benefícios para os inativos tb.
Mas diria que uns R$ 10 bi seriam contabilizados para os ativos.
Então o custo dos mais de 350 mil militares gira em torno de R$ 40 a R$ 43 bi
Reduzir 4 mil na MB geraria uma economia de cerca de R$ 450 milhões por ano.
Mas se esses militares forem enviados para a reserva remunerada (aposentados) os gastos só vão mudar de ativos para Inativos e a economia será nenhuma.
Mesmo que seja possível demitir 4 mil de um ano para o outro, esses 450 mi não farão tanta diferença em um orçamento de 133 Bilhões.
E no ano seguinte o governo corta esses 450 mi do orçamento.
As 3 forças concordaram em reduzir o efetivo em 2019 naquela reforma militar. E estão cumprindo o corte de 10%.
Também estao aumentando o percentual de militares temporários e reduzindo os de carreira, o que gerará economia futura na “pasta” dos inativos.
A MB tinha mais de 80 mil e já reduziu para 74 mil
A FAB tinha mais de 80 mil e já reduziu para 68 mil
O EB tinha mais de 222 mil e já reduziu para 210 mil.
Até 2029 está previsto a redução de 10%.
FAB já passou disso. MB falta pouco. EB está na metade do caminho.
Acho que poderia reduzir um pouco mais, mas não muito.
Essa questão do gasto com o salário e pensões de militares, precisa ser abordado com dados e seriedade.
Sabem quanto ganha um primeiro tenente dos exércitos dos EUA, da França, do Brasil, da Russia, e da Argentina, com dois anos de serviço, respectivamente? 4500 dólares, 3500 dólares, 2200 dólares, 1500 dólares, e 800 dólares.
Só que há uma característica muito importante quando os militares dos países desenvolvidos(ou potências militares e econômicas) vão para a reserva,…em quase nenhum deles, vão com salário integral e um posto acima. Quase todos perdem 40% do salário, o que alivia previdência.
Então, os salários no Brasil não são o problema, e sim a moralidade da lei previdenciária no Brasil, para todos os servidores públicos, não só os militares. Aqui vale a lei do corporativismo, ninguém quer ficar para “trás” e atua como pode em defesa de sua categoria, se importando nada com o peso do orçamento ao erário público, ou melhor dizendo, nossos impostos.
Agora,…qual governo vai ter peito pra mexer nisso? Se tivessem coragem, não iria sobrar dinheiro só para equipamentos de defesa, sobraria para saúde, educação, e infraestrutura.
A previdência é de acordo com o quanto o militar recebe na ativa.
Não é mágica.
Lá fora, se recebe “mais” na ativa. Além disso, se paga menos pela pensão.
Inglaterra, por exemplo. O militar recebe 50% na inatividade. Porém, não paga durante a carreira pra isso….
Muitos pagam um valor menor do que aqui, para complementar os 50%.
Falando em moralidade, é correto o militar trabalhar, em média (chegando ao dobro) mais do que 65 horas/semana ( principalmente a noite e fins de semana), sem receber absolutamente nada por isso?? É permitido em lei isso?
“Mais o militar quis”
O civil então não pode querer?? Porque, se aceitar isso, é considerado trabalho abusivo, escravo.
O pagamento por isso vem na integralidade e paridade.
Todos os países tem algo para compensar o q o militar não recebe na ativa. Simples assim.
E o baixo orçamento em Defesa pesa nisso.
Se o orçamento fosse 2%, nunca se estaria falando de 40% pra pessoal.
Ué, a tchurma que está no poder atualmente teve toooodo o tempo do Mundo para acabar com essa pseudo-influência política que os militares em teoria tem.
Digo teoria, porque se realmente tivessem, não teriam problemas para pagamentos nos programas Gripen, KC-390, já teríamos mais Tamandarés garantidas (ou teríamos navios mais pesados), o SISFRON já estaria praticamente acabado, etc.
“…em quase nenhum deles, vão com salário integral e um posto acima.”
Ir para a reserva com um posto acima não acontece mais no Brasil há tempos.
Quando você mencionou que sobraria pra infraestrutura lembrei de um vídeo que gravaram no Maranhão mostrando uma calçadinha de uns 10m que o prefeito “gastou” 1 milhão de reais pra fazer kkkkkk
O Brasil não fundamenta orçamento de defesa, com base em porcentagem de PIB.
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O orçamento é fundamentado no valor das despezas obrigatórias com uma pequena parcela adicional para custeio e quando dá, um punhado de migalhas na forma de investimento.
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A manutenção desta situação, orçamento após orçamento, cria um valor constante ao longo dos anos. Nós estamos a duas décadas gastando praticamente “a mesma coisa” com a pasta da defesa.
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Se gastamos sempre a “mesma coisa” com defesa e o PIB tem tendência de crescimento, a fatia do orçamento para defesa diminui em relação ao PIB. Isso é o que representa o gráfico que fizeram…
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“Um dos problemas históricos da estrutura de gastos das Forças Armadas é o peso das despesas de pessoal. O SIPRI observou que, entre 2019 e 2022, a participação das despesas com pessoal passou de 72% para 77% do gasto militar brasileiro, reduzindo proporcionalmente os recursos disponíveis para equipamentos e investimentos.”
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Outro ponto que sempre é intepretado de forma errada.
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O efetivo das forças aumentou significativamente entre 2019 e 2022?
Não. Também é a “mesma coisa” de sempre.
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Se você montar um orçamento contabilizando despeza obrigatória e passar a cortar do custeio até as migalhas que iriam para investimento, você estará automaticamente aumentando o gasto com pessoal, mesmo que não tenha feito um centavo a mais de gasto com pessoal.
Aqui um gráfico que fiz um tempo atrás, para entender quanto dinheiro foi perdido, por não existir um piso de 1,5% de PIB atrelado a defesa:
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Na linha laranja são os orçamentos com valores corrigidos para 2023.
Na linha azul é 1,5% de PIB com valores corrigidos para 2023.
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Se a linha laranja está acima da azul, o orçamento foi maior que 1,5% de PIB. Se não, faltou para chegar nos 1,5% de PIB, em valores corrigidos para 2023.
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A moral da história aqui é a seguinte: 1,5% de PIB é factível. É possível, nós já fizemos. É o que deveria ser o foco para gerar previsibilidade e atuar como um alicerce, para reestruturar e modernizar as forças.
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Mais de R$ 150 bilhões de reais foram perdidos pelo caminho, enquanto os comandantes e inúteis ministros da defesa, ficaram lustrando demagogia barata de soberânia e impraticáveis propostas de 2,0% de PIB para defesa.
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2,0% de PIB teria somado tanto dinheiro neste período, que chega a ser imoral pensar em como defender tal medida em um país que tem tantos problemas estruturais para resolver e tão pouco para investir… isto para não me extender sobre toda a ineficiência e desperdício que o acesso fácil a tal dinheiro poderia ter sustentado na defesa. Se sem dinheiro tem muita ideia ruim e plano estratégico tosco e sem sentido indo para frente, imagine com dinheiro.
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Enfim: o distanciamento das curvas no gráfico destacam ainda os reflexos de duas catástrofes econômicas que o Brasil enfrentou no período: Dilma e COVID.
Exatamente.
Para acrescentar, o efetivo diminuiu e os custos com salário, inativos e pensão também.
Só para deixar mais visível: nós sempre gastamos “a mesma coisa” com defesa. Não muda porcaria nenhuma ao longo de uma década. Então, qualquer aumento ou queda no PIB, causa reflexo direto na continha de porcentagem do orçamento dedicado a defesa.

Com os campeões nacionais agora em industria bélica a campanha por investimento em defesa só aumentará.
Se estes números tem por base apenas o orçamento, sem considerar os cortes e contingenciamentos, podemos considerar que o Brasil gasta até menos de 1,1% do PIB em defesa..
Mas o grande problema mesmo é que o orçamento é fictício, ele simplesmente não alcança a realidade, sempre há contingenciamentos e cortes, a maioria deles causados por motivações essencialmente políticas/eleitorais.
A defesa tem de ter uma obrigatoriedade do contrário, sempre será alvo de contingência, por exemplo os gastos de 2002, apesar de constar como valores investidos, só foram pagos no ano seguinte, não tinha nem dinheiro para se almoçar em quartel. Passou por 1,47% em 2018, 1,33% em 2020. Há de se anotar os investimentos via PAC, como investimento não integralizado, assim os números sobem em 2024, pois o Congresso Nacional cortou as verbas. Por fim, visando a tentativa de golpe o governo anterior subiu o pagamento do soldo militar para 77% dos gastos, mas parou de investir em armamentos. Por fim o Brasil merece um 2,5 do PIB, independente de uma aplicação emergencial de pelo menos R$ 500 bi em 4 anos. Do contrário seremos atacados.
Eu estudei muito o assunto, assim como o contencioso tributário. Recomendo o pessoal estudar a fundo os dois temas.
Vamos ao assunto.
Hoje, o Brasil tem aproximadamente 360 mil militares. Cerca de 50% são militares temporários, que consomem aproximadamente 15% do orçamento. Outros 15% são consumidos pela pensão para filhas de militares, que foi extinta em 2001/2002. Hoje, qualquer reforma levaria cerca de 60 anos para surtir efeito por conta dos direitos adquiridos.
Outro problema são os adicionais ao soldo, que podem chegar a até 150% sobre o valor do soldo. Os valores são surreais. Além disso, não existe distinção salarial entre militares da ativa e da reserva.
Tem outro ponto que o pessoal não leva em consideração: gastamos quase R$ 20 bilhões apenas com gastos recorrentes. Prótese peniana, leite condensado, rosas para a FAB. E o mais importante: a quantidade de quartéis e tiros de guerra espalhados pelo Brasil. São números irreais. Já passou da hora de fazer quartéis regionais e enxugar a máquina militar. Não dá para toda cidade ter um quartel.
Claro, a maioria desses problemas não daria para resolver de maneira rápida sem uma nova Constituição. E eu não acredito que apenas aumentar os gastos militares resolva os problemas crônicos do Exército. Do contrário, os mesmos problemas contaminariam todo o aumento do orçamento, seja de 1,1% ou de 2,5% do PIB.
É preciso fazer reformas antes de qualquer coisa.
É que pra combater o inimigo interno (e manter a tutela discreta), 1% do PIB tá de bom tamanho. Agora, pra combater o inimigo externo, aí precisa de muito mais e é até perigoso ter armas pra isso – Deus os livre ter de lutar por um Estado e povo que desprezam…
Na Europa, cujo objetivo é retomar o projeto colonial hitleriano (dominar a Rússia, dividi-la em várias nações e comandar a distância seus povos e recursos naturais), é evidente que o Estado de bem estar social será penalizado com cortes pra sustentar o keynesianismo militar. Assim é em qualquer quadrante do mundo, causando protestos em democracias e massacres em ditaduras/autocracias. Será assim aqui também? Talvez não – a oligarquia local não teme conflito interestatal pois ela tem sua força na vastidão do território a explorar e na articulação do sistema financeiro extrator de rendas. Esse arranjo não precisa de Estado (e suas corporações), pode negociar direto com poderes externos mantendo um confortável status de administrador.
Sabiam que o GDP ianque (3 a 4% do qual é gasto em ‘defesa’) inclui ganhos financeiros eminentemente não produtivos? Os EUA já são uma ditadura civico-militar (e, o resto fora dos círculos oligarquicos, um third world shithole) faz tempo, só não havia consciência pública disso. Trump fez o favor de levantar o véu…
Preparei um texto sobre o assunto:
A Ilusão dos Rankings: Por que o Orçamento Militar do Brasil é um “Mito Contábil”
Mundialmente, os rankings que medem os gastos de defesa das nações tentam unificar os dados sob uma mesma régua. No papel, o Brasil historicamente figura entre os países que mais gastam com as Forças Armadas. Na prática, o poder de combate real do país é mínimo quando comparado a potências globais de orçamento nominal semelhante, como a Turquia.
Essa enorme diferença ocorre devido a dois fatores estruturais: a pesada folha previdenciária que o Brasil carrega e a forma como o país centraliza serviços civis dentro das pastas militares, enquanto outras nações descentralizam seus custos operacionais.
Como as Grandes Potências Pagam suas Previdências Militares
A grande armadilha do orçamento de defesa brasileiro é que cerca de 50% de tudo o que é destinado à pasta vai para pagar militares inativos (aposentados) e pensionistas. Quando somados os salários das tropas que estão na ativa, as despesas com pessoal engolem entre 75% e 80% dos recursos totais. O que sobra para investir em tecnologia, novos caças, mísseis e munição é uma quantia residual.
Pelo mundo, o Top 15 das potências militares lida com as aposentadorias de maneiras muito mais eficientes:
1. Sistema Totalmente Separado (Blindagem Operacional)
Nesses países, o Ministério da Defesa foca quase 100% nas forças ativas, compras de armas e tecnologia. A folha de inativos corre por fora, em pastas civis.
2. Sistema Parcialmente Separado ou Híbrido
3. Sistema Totalmente Integrado (O modelo com gargalo)
O Caso Turquia vs. Brasil: A Engenharia Contábil Exposta
A melhor forma de entender o “orçamento mascarado” do Brasil é compará-lo diretamente com a Turquia. Nos relatórios básicos de institutos internacionais, o Ministério da Defesa do Brasil (com cerca de US$ 26,2 bilhões) aparece colado ao da Turquia (com cerca de US$ 27,3 bilhões). No entanto, o poder militar real da Turquia é infinitamente superior.
Para fazer uma comparação justa, é necessário olhar para a estrutura completa de cada país:
O Resultado Prático
Quando somamos o orçamento militar básico turco, suas forças militarizadas de segurança e os repasses industriais contínuos do fundo paralelo, a máquina de guerra real da Turquia movimenta anualmente entre US$ 60 bilhões e US$ 65 bilhões, completamente livres do peso de aposentadorias. No Brasil, subtraindo os inativos e pensionistas, o orçamento operacional real cai para US$ 13,7 bilhões, valor que ainda precisa cobrir hospitais militares, controle de tráfego aéreo civil e a burocracia do funcionalismo da ativa.
É por isso que a Turquia consegue manter uma frota gigantesca de mais de 240 caças F-16 modernos, construir seus próprios porta-helicópteros, liderar o mercado mundial de drones de ataque (como os Bayraktar) e desenvolver um caça próprio de 5ª geração. Enquanto isso, o Brasil sofre para receber em conta-gotas um contrato de apenas 36 caças suecos Gripen.
Os números mostram que o ranking nominal de gastos militares distorce a realidade geopolítica. O Brasil possui um orçamento que funciona primordialmente como uma grande estrutura de previdência e serviços administrativos estatais que traz consigo forças operacionais anexas. Já países focados em projeção de poder, como a Turquia, desenham suas contas para garantir que cada centavo arrecadado seja convertido diretamente em metal, tecnologia e poder de fogo real.