Chutando a escada: como as grandes potências construíram seu desenvolvimento
Em Chutando a escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica, o economista sul-coreano Ha-Joon Chang parte de uma pergunta simples e politicamente incômoda: os países hoje desenvolvidos enriqueceram aplicando as mesmas políticas liberais que recomendam às nações mais pobres? Sua resposta, sustentada por uma extensa revisão da história econômica, é negativa.
Publicado originalmente em inglês em 2002, o livro recupera uma metáfora do economista alemão Friedrich List. Depois de alcançar o topo por meio de proteção industrial, subsídios e intervenção estatal, uma potência passaria a defender o livre-comércio e tentaria retirar dos concorrentes a “escada” utilizada em sua própria ascensão. Chang emprega essa imagem para questionar a narrativa segundo a qual prosperidade, industrialização e superioridade tecnológica seriam consequências naturais do laissez-faire.
A história contra o mito
A principal qualidade do livro está no método. Em vez de discutir política econômica somente por meio de modelos abstratos, Chang examina o que Grã-Bretanha, Estados Unidos, Alemanha, França, Suécia, Japão, Coreia do Sul e outras economias efetivamente fizeram durante seus períodos de industrialização. A diferença entre o discurso posterior e a prática histórica fornece o eixo da obra.
A Grã-Bretanha, frequentemente apresentada como berço do livre-comércio, protegeu sua manufatura de lã, restringiu exportações de matérias-primas, atraiu trabalhadores estrangeiros qualificados e utilizou seu poder naval para conquistar mercados. Apenas quando já possuía ampla superioridade industrial e tecnológica começou a desmontar suas barreiras comerciais, processo consolidado no século XIX.
O caso dos Estados Unidos é ainda mais contundente. Chang descreve o país como um dos maiores defensores históricos da proteção à indústria nascente. Alexander Hamilton formulou um programa de tarifas, incentivos e investimentos públicos décadas, enquanto a industrialização americana avançou sob barreiras elevadas, expansão da educação pública, apoio à infraestrutura e pesquisa financiada pelo Estado.
O autor chama atenção especial para a contribuição das encomendas de defesa e do investimento público em pesquisa e desenvolvimento no período posterior à Segunda Guerra Mundial. Computadores, indústria aeroespacial e internet são apresentados como setores cuja liderança americana dificilmente teria surgido sem financiamento federal e demanda militar. Para o leitor interessado em Defesa, esse é um dos pontos mais atuais de todo o livro.
Mais do que tarifas
Chutando a escada pode ser confundido, numa leitura apressada, com uma defesa genérica do protecionismo. O argumento de Chang é mais elaborado. Tarifas são apenas um dos instrumentos empregados pelos países que buscaram reduzir sua distância em relação às potências da época.
A lista inclui subsídios à exportação, crédito direcionado, compras governamentais, investimento em infraestrutura, formação técnica, apoio à pesquisa, planejamento de recursos humanos, aquisição de tecnologia estrangeira e parcerias entre Estado e empresas. Em certos casos, governos criaram fábricas-modelo e depois transferiram essas estruturas ao setor privado.
O Japão da Era Meiji ocupa lugar importante nessa demonstração. Impedido por tratados desiguais de aplicar tarifas elevadas, o país criou empresas estatais em áreas como construção naval, mineração, siderurgia e produção militar. Também investiu em ferrovias, telégrafos, educação e absorção de conhecimento estrangeiro. Quando recuperou autonomia tarifária, passou a combinar proteção seletiva com coordenação industrial.
Chang não propõe uma receita universal. Os Estados Unidos empregaram tarifas com maior intensidade; a Alemanha utilizou investimento público, orientação estatal e proteção concentrada em setores estratégicos; a Suécia combinou educação técnica, pesquisa e parcerias público-privadas. A conclusão é que diferentes países selecionaram instrumentos compatíveis com seus recursos, instituições e posição no sistema internacional.
Instituições não nascem prontas
A segunda metade do livro desloca o foco das políticas econômicas para a chamada “boa governança”. Chang investiga a formação histórica da democracia, da burocracia profissional, do Judiciário, dos bancos centrais, das leis de falência, dos direitos de propriedade, da legislação trabalhista e das instituições de proteção social.
Sua conclusão é que as estruturas hoje apresentadas como pré-condições do desenvolvimento demoraram décadas, e algumas vezes séculos, para amadurecer nas nações ricas. Em estágios equivalentes de renda, esses países possuíam instituições muito menos desenvolvidas do que as atualmente encontradas em boa parte do mundo emergente.
O autor não sustenta que democracia, direitos trabalhistas ou instituições financeiras devam ser abandonados. Ao contrário, reconhece que países retardatários podem aprender com experiências anteriores e avançar mais rapidamente. O alvo da crítica é a tentativa de impor um único modelo institucional, geralmente anglo-americano, sem considerar custos, capacidade administrativa, prioridades nacionais ou tempo de adaptação.
Uma leitura para a Base Industrial de Defesa
Embora não seja um livro sobre estratégia militar, Chutando a escada oferece uma chave valiosa para compreender a relação entre indústria, tecnologia e soberania. Nenhuma grande potência deixou a formação de suas capacidades críticas exclusivamente aos sinais imediatos do mercado. Defesa, infraestrutura, energia, comunicações e produção avançada sempre estiveram associadas a decisões políticas de longo prazo.
Essa perspectiva é particularmente relevante para o Brasil. Produzir veículos blindados, sistemas de artilharia, radares, mísseis, drones, munições e comunicações seguras exige investimentos contínuos, escala, qualificação de fornecedores e um cliente estatal disposto a sustentar ciclos tecnológicos que ultrapassam governos e exercícios orçamentários.
A obra também ajuda a entender por que uma aquisição militar não é apenas uma compra. Dependendo de seu desenho, ela pode gerar conhecimento, engenharia, empregos especializados, propriedade intelectual e capacidade de manutenção; ou pode limitar-se à importação de um sistema pronto, criando dependência logística e tecnológica. A diferença está nas exigências contratuais, na regularidade das encomendas, na fiscalização e na capacidade de absorção nacional.
Ao mesmo tempo, a lição de Chang não deve servir como justificativa automática para proteger qualquer empresa ou projeto. Reserva de mercado sem metas, cobrança de desempenho e perspectiva de exportação pode perpetuar custos elevados e baixa produtividade. O próprio autor reconhece que políticas industriais podem ser capturadas por interesses privados e que o sucesso depende da competência do Estado para escolher, acompanhar, corrigir e, quando necessário, encerrar iniciativas.
Força e limites da argumentação
O livro impressiona pela amplitude histórica e pela quantidade de exemplos. Sua maior contribuição é obrigar o leitor a testar recomendações econômicas contra a trajetória real das nações que as formulam. A exposição é organizada e acessível, mas algumas passagens acumulam dados, países e notas bibliográficas, exigindo atenção de quem não está habituado à história econômica.
Há também limites importantes. Associação histórica não prova, por si só, que determinada tarifa ou intervenção tenha causado o crescimento observado. Geografia, recursos naturais, guerras, expansão territorial, instituições políticas e acesso a mercados também influenciaram cada experiência. Ao condensar séculos de desenvolvimento em estudos nacionais relativamente breves, Chang inevitavelmente reduz parte dessa complexidade.
Outro limite decorre da data de publicação. Os dados e debates centrais chegam ao fim do século XX, antes da ascensão industrial completa da China, da crise financeira de 2008, da disputa pelos semicondutores e do retorno explícito da política industrial às economias ocidentais. Paradoxalmente, esses acontecimentos posteriores reforçaram a atualidade da pergunta do autor: mesmo os governos que defendem mercados abertos recorrem a subsídios, restrições tecnológicas e compras públicas quando identificam setores estratégicos.
Um livro necessário para pensar poder nacional
Chutando a escada não oferece um manual pronto para o desenvolvimento brasileiro nem resolve o difícil problema de separar proteção produtiva de privilégio improdutivo. Seu mérito está em desmontar falsas inevitabilidades e devolver à política econômica uma dimensão histórica frequentemente ignorada.
Para militares, formuladores de políticas públicas, empresários da área de Defesa e leitores interessados em geopolítica, o livro mostra que autonomia estratégica depende de capacidades acumuladas ao longo do tempo. Tecnologia não aparece espontaneamente, fornecedores não sobrevivem apenas com encomendas ocasionais e competências industriais perdidas podem levar décadas para ser reconstruídas.
Num período em que cadeias de suprimentos, munições, semicondutores, inteligência artificial e sistemas não tripulados voltaram ao centro da competição entre Estados, a obra de Ha-Joon Chang oferece uma advertência pertinente: países que renunciam antecipadamente aos instrumentos de desenvolvimento podem descobrir, numa crise, que também abriram mão de parte de sua liberdade de ação.
Ficha bibliográfica
Título: Chutando a escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica
Autor: Ha-Joon Chang
Título original: Kicking Away the Ladder: Development Strategy in Historical Perspective
Editora: Editora Unesp
Edição brasileira: 2004
Tradução: Luiz Antônio Oliveira de Araújo
ISBN: 85-7139-524-1
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Excelente artigo Srs editores.
A leitura me leva a crer que no caso do Brasil, e outros países da A.Latina a escada foi deixada para ser chutada por líderes que enxergar o próprio país como incapaz de dar certo ou de ter relevância internacional, porquê não trabalham para isso, agem com seu país, como fazem a quem eles elegem como país superior, beijam bandeira, exploram, subjugam, é muita sabujice.
Desculpe, mas discordo.
Até 1985, tivemos imperadores, ditador e presidentes q buscaram o crescimento do Brasil.
Podem falar q agiram certo ou errado, mas pensavam nisso.
Depois, o pensamento foi o Poder. Com recheio de enriquecimento ilícito. Combina exceção, q tá preso.
Verdade seja dita que o Geisel também foi um grande responsável pelo desenvolvimento do Brasil. Eu acrescentaria ele a essa lista.
Já o Jango não chegou a fazer nada. Foi apeado do poder antes de qualquer coisa.
Isso foi o que aconteceu com o Brasil a partir de 1970.
Começamos a seguir o consenso de Washington.
Começamos a privatizar tudo para americanos e europeus.
Destruímos nossa industria de defesa e começamos a comprar sucata militar desativada, aviões todo torto F-5 e blindados do deserto americano e navios desativados americanos,francês e britânicos com 40 anos de uso vendidos a preço de ouro para MB.
O desastre da indústria nacional começou em 1990, com o seu Fernando Collor de Mello.
Ele abriu o mercado da noite para o dia sem dar tempo para a indústria nacional se adaptar.
O último prego no caixão foi o Plano Real. A paridade artificial de 1 para 1 do Real com o Dólar tirou toda e qualquer chance de a indústria nacional competir com produtos fabricados no exterior.
Nós compramos os F-5 novos de fábrica. Já tínhamos blindados. Compramos e construímos fragatas Inglesas para substituir meios Americanos. Construímos uma indústria militar pujante. Avibrás, Engesa, Embraer, IMBEL, todas essas exportando MUITO. Programa Xavante foifechado justamente em 1970, e trouxe expertise para a Embraer, que seguiu depois com o programa AMX na década de 80. Isso com os Italianos. Nós, inclusive, fomos embargados em fins da década de 1970 pelos mesmos Americanos (Carter) por causa de violações de direitos humanos.
Geisel rompeu com os Americanos pela recusa em ajudarem o Brasil no Programa Nuclear. Adotou uma política externa pragmática. Fez acordo nuclear com os Alemães Ocidentais. Os mesmos com quem fechamos um contrato de produção de submarinos (os nossos Classe Tupi), em início para meados da década de 80, antes da volta da democracia. Vai lá no Porto do Rio de Janeiro. Dá uma olhada em um guindaste antigo preservado na área turística. Vai ler a plaquinha ‘Fabricado na Alemanha Oriental.’ Sim, Oriental.
Nossa indústria era fechada até o Collor. Meu computador na época era um clone de Apple II. Isso era feito para tentar dar à indústria Brasileira um pontapé industrial e protegê-la enquanto se desenvolve. Não deu certo, mas havia esse pensamento. E ele foi fechado em… 1974 se não me engano. E foram nos anos 90 que se iniciaram as privatizações, a maioria das quais eu concordo totalmente que precisavam ser feitas.
E você vem me dizer que os problemas do Brasil começaram no Consenso de Washington em 1970 na qual saímos privatizando tudo????
Antes de falar uma estapafúrdia dessas, vai estudar um pouco sobre a História do seu próprio país. Não concordo com a ditadura, não quero a substituição do sistema democrático por nada. Mas a História não é branco e preto. Não se pode condenar tudo que o governo militar fez. Eles realmente tentaram desenvolver o país e cada presidente, mesmo militar, teve um ‘sabor’ diferente.
O que é triste é que outros 15 ignorantes completos deram ‘jóinha’ num absurdo desses. O que vocês andam estudando na escola ultimamente???
Nos anos 70 foi o ápice do nacional desenvolvimentismo, foi lá que criamos a base para o desastre econômico que chamaram de década perdida.
Estado não tem capacidade financeira nenhuma. Ele tira o teu dinheiro, reparte entre os seus e, se sobrar, “investe”. Normskmente se endivida, deixando os pagamentos para o contribuidor de impostos.
🎯
Se está tão errado assim, é fácil de refutar com teoria econômica básica.
Então refuta. Quero ver.
Matéria bem legal.
Estava hoje fazendo um exercício imaginativo do que eu faria pra desenvolver o Brasil se voltasse no tempo pra 1935
Uma vez fiquei conversando com o Gemini, se eu tivesse passado dicas para D Pedro I, no final o Brasil continuou ligado a Portugal, Angola e Moçambique que era conectadas por terra, tínhamos tomado o cone sul do continetente, abrindo acesso ao pacífico, o Imperio ainda teria macau, teria Singapura e Terras perto do estreito de Ormuz, foi uma brisa muito louca, so teve uma guerra mundial.
Já fiz um exercício parecido com o ChatGPT kkk, mas no meu cenário eu começava como um “conselheiro” viajante do tempo de Vargas, um dia faço com Dom Pedro II pra brincar kkk
Manda mensagem para os deputados e senadores propondo soluções para os problemas atuais.
Já sabemos como resolver os problemas atuais, o problema é que a sociedade e os políticos não querem pagar o preço.
Irã.. aí depende de religião. Reza braba, provavelmente hehehehe
1935 estava em uma época bem complicada. Mas admito que é um exercício imaginativo interessante. O problema é que sabemos o que se desenrola depois, o que torna o exercício manchado.
Pois é, por isso que acho que um exercício se passando durante o Segundo Reinado seria interessante também
Isso me chamou atenção a aulas de história da antiga sétima série do ensino fundamental em 1993.
quando li sobre o ATO DE NAVEGAÇÃO., medida tomada pelos ingleses no século XVII
Logo vi que livre comércio é uma conversa fiada.
Daí concluo duas coisas: pelo visto a nível mundial,. Foi um dos poucos a dar atenção a história geral básica e a outra,j a devia ter feito meu doutorado em ciências políticas.kkkklk
Fiz minha sétima série em 2016, lembro de ouvir pela primeira vez sobre o Almirante Perry “liberalizando” a economia do Japão na base do canhão kk
O problema é que hoje a tecnologia chegou num grau de singularidade tão alta que mesmo que países como Brasil tenham sinergia entre o capital privado e o Estado em nível perfeito, continua quase impossível chegarmos no nível de investimento financeiro e de capital humano da China, União Europeia e EUA, ou que ao menos consiga competir de fato com eles em tecnologia de fronteira do conhecimento. E isso que o Brasil não é um país qualquer. Portanto, acho que o futuro das nações médias e pequenas (não de território, mas de relevância) estará na criação de blocos regionais, exatamente como os europeus fizeram, já se precavendo da decadência que cada país isoladamente estava sofrendo.
Por exemplo, se conseguíssemos fazer uma sinergia e integração regional real entre Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile e quiçá Bolívia, daria pra competir nesse mundo de hoje, mas dai seria necessário que todos esses países fossem geridos com um grau mínimo de competência e comprometimento com o desenvolvimento comum, como são os europeus, coisa que sabemos que ninguém por essas bandas é, com TALVEZ a exceção sendo o Chile na parte de competência política, isso por enquanto, pelo menos.
Pais de terceiro mundo onde as pessoas jogam lixo nas ruas. Senso de coletividade baixíssimo. Precisa começar do básico.
UE não é um país.
Mas eu não citei a UE como país, inclusive mencionei eles como exemplo de união que países em decadência fizeram para se manterem relevantes num mundo de China e EUA.
Eu não subestimaria os europeus de forma alguma, é um bloco riquíssimo com 500 milhões de habitantes e um PIB per capita e bruto maior que o da China, e eles dominam tecnologias EUV que os EUA e a China não, por exemplo. Acho muito, muito, cedo dizer que eles estão fora, mesmo que eles estejam atrás da China e EUA, eles ainda tem toda a capacidade latente, seja humana, industrial, econômica etc pra correr atrás dos anos de atraso, nós é que não, e mesmo que eles nunca cheguem exatamente ao nível dos dois, eles ainda se manteriam no pódio, em terceiro, levando a UE como bloco, claro.
Em Nárnia, o rapaz…
Paridade de compra hahaahahahahahahahah
Vou te apresentar um exemplo bem simples e didático.
Imagine que EUA e Brasil produziram, durante um ano inteiro, apenas um quilo de arroz.
Então, os PIBs dos dois são iguais.
Correto?
Só que nos EUA, o quilo de arroz custa 5 dólares e no Brasil 5 reais.
Aí, vc converte o ‘PIB’ do Brasil em dólares e descobre que ele é de 1 dólar.
O PIB dos EUA é cinco vezes maior ou é igual ao do Brasil?
A grosso modo é isso.
Além disso, é difícil conceber que um País como a China com 1,4 bilhão de habitantes e que consome de tudo mais que qualquer outro Pais, além de ser o maior produtor de quase todas as mercadorias, não tenha a maior economia do Mundo.
Há uma opinião recorrente entre estudiosos do desenvolvimento econômico que ilustra bem essa constatação: nenhum país que adotou integralmente as recomendações do Consenso de Washington, formuladas em 1989 por John Williamson, conseguiu ascender à condição de país rico. Os países que alcançaram esse patamar foram justamente aqueles que não acataram integralmente o receituário ou aos quais foi permitido seguir outro caminho, como a Coreia do Sul, os chamados Tigres Asiáticos e, mais recentemente, a China, que não seguiu essas recomendações. O Consenso de Washington foi uma receita destinada sobretudo aos países em desenvolvimento, que restringia justamente os instrumentos de política industrial e de intervenção estatal utilizados pelas nações hoje desenvolvidas para construir sua própria riqueza.
Outro momento crucial ocorreu quando se cogitava que o Japão ultrapassaria a economia norte-americana. Os Estados Unidos articularam, então, o que ficou conhecido como Acordo de Plaza. A subserviência japonesa e europeia contribuiu para a permanência dos Estados Unidos como a maior economia do mundo.
Criminoso o que os americanos fizeram com o Japão. A Revolução Meiji ocorreu por menos.
tem problemas nessas recomendações, mas tem problemas aí, ser liberal demais é um problema, ter economia fechada demais também, tem que se achar um ponto de equlibrio, quanto ao Japão, não sei que tipo de ameaça foi feita, pq nada Justifica o que ocorreu no acordo de Plaza e na maneira que o BOJ atual na economia depois disso
Necessário debruçar sobre o antagonismo. As elites não desejam desenvolver o Brasil?
Nações latinas emperraram porque, vítimas da exploração e da servidão, receberam e ainda recebem elites europeias que praticam a coerção, dispostas somente a comprar o extrativismo.
Cuidado com a China. Concentrar venda/distribuição não é bom.
Riachuelo, Gripen e Tamandaré, talvez, signifiquem certa mudança na vontade de transferir conhecimento ainda que não, transferir propriedade. O momento mundial favorece.
Ciclos
O Ciclo do Açúcar terminou sem o controle da distribuição, comercialização, crédito e logísticas. A colônia (Brasil) construía os engenhos, bancava as despesas operacionais e via o lucro de longe. Após o fim da escravidão 70% dos engenhos desapareceram concentrando a produção em usinas…e usineiros de terras doadas pela Coroa Portuguesa.
Os 100 anos do Ciclo do Ouro (1700 a 1800) permitiram a Portugal receber o quinto (20% da produção). Uma pesquisa publicada no Journal of Economic History estima que mais de 80% da produção brasileira do ouro retornava a Portugal, rapidamente utilizado no comércio exterior chegando aos credores ingleses. Mais de 1000 toneladas de ouro levadas do Brasil corresponderiam hoje a mais de 1 trilhao de reais.
É exagero afirmar que o ouro raptado do Brasil financiou a Revolução Industrial. Mas, o capital acumulado pelos ingleses via Portugal, criou a liquidez necessária.
No fim do período colonial, o Brasil tinha como consequência dos Ciclos do Açúcar e do Ouro, agricultura e pecuária crescentes e grande concentração de renda, mas não uma base industrial própria, um mercado interno nem autonomia financeira e comercial.
Em 1822, o Brasil era politicamente independente, mas economicamente dependente da estrutura construída durante o período colonial baseada no extrativismo e na exploração.
7 de Setembro
Após a independência vivemos os Ciclos do Café, Borracha, Cacau, Algodão. Somente em 1930 apareceu a industrialização, concentrada no Estado de SP. Why?
Porque em SP havia capital, ferrovias, bancos, consumo decorrente da riqueza do café, mão de obra de imigrantes e energia que ajudaram a criar o eixo São Paulo/Rio de Janeiro.
Lembro da antiga Via Dutra e do Posto Presidente no Parque Novo Mundo, o segundo maior do mundo (?) na venda de combustíveis, diziam. As filas para abastecer eram enormes e ocupavam boa parte do acostamento da rodovia.
Nos anos 1950/60/70 construímos uma forte indústria de encaroçados e tanqueiros de Guarulhos em SP até Duque de Caxias no Rio de Janeiro. Os chassis não eram próprios, um pecado.
As crises do petróleo, juros, dívida externa, hiperinflação e investimentos à partir de 1973 derrotaram uma economia que decidiu por rodovias.
A tentativa de industrialização no período militar com a Reserva de Mercado foi feita com proteção muito elevada, vide a Informática de 1984 a 1991. A abertura dos portos por Collor em 1990 expôs empresas pouco competitivas e obsoletas com custos e preços elevados.
O que fizemos nos anos 2000?
Adotamos políticas que favoreceram o consumo interno, a produção de commodities (outro ciclo extrativo), o crédito e o aumento do gasto público.
Desde o Ciclo do Açúcar, o Brasil tem uma economia primaria e exportadora e não consegue manter uma política industrial consistente, contínua e capaz de elevar produção industrial, natividade, domínio e uma certa dose de inovação.
A solução
Derrubar a taxa de juros. Diminuir o rentismo. Eleger a Defesa como modelo de desenvolvimento. Desburocratizar e reduzir os custos para operar infraestruturas como aeroportos e portos. Isso pode significar retornar aos Opalas ou produzir veículos elétricos e híbridos que os chineses aprenderam a fazer em 20 anos.
Essas tolices que dizem sobre o biodiesel: Rudolf Diesel inventou o motor que leva seu nome para funcionar/consumir óleo vegetal. Qualquer óleo armazenado pode gerar depósitos se houver oxidação, contaminação, água, calor ou armazenamento prolongado.
Esteves. Desde os anos 1900.
A produção industrial de pregos no Brasil começou em 1901. Bem depois começaram as fábricas de parafusos.
Ele tem esse também que parece ser interessante – Reclaiming Development: An Alternative Economic Policy Manual (Global Issues)
Acredito que o Brasil tenha caído na armadilha do protecionismo sem metas, como prega o autor.
Protegemos mas não exigimos qualidade e produtividade capazes de manter o negócio funcionando por si. Alguma hora o Estado terá que socorrer com garantias ou regras de exceção.
Aqui, a proteção a indústria nacional sempre travou no favorecimento a oligarquias setoriais e grupos de pressão ávidos por financiamentos, isenções e reservas de mercado.
Entre o martelo e o prego, criamos uma barreira invisível de incapacidade.
Adicione a essa equação a aversão ao risco, o patrimonialismo cartorial e a subserviência cultural perante “teorias humanísticas” de bem-estar, igualdade e felicidade eterna para todos…e teremos a paralisia.
Olha…veja.
Essa história de produtividade escuto eu desde os séculos passados. Primeiro devemos construir as produções. Primeiro é importante fazer volumes. Com volumes obtém-se escala e custos reduzidos.
Produtividade no momento que urgente é expandir a economia pode voltar-se contra nós criando desemprego.
A China tem quase 1 bilhão de trabalhadores. Eficiência e custos baixos + volume = preços menores sem necrose para expandir a massa salarial.
Se buscamos a produtividade sem dominar e controlar os volumes totais, ficaremos dependentes de tecnologia que ainda não está ao alcance.
A China não interfere em negócios pequenos até 1.500 empregados, mas cria condições conhecidas como financiamento, crédito rápido e transferência de boas práticas.
Negócios grandes com milhares de empregados…o governo chinês chama no Canto para uma conversinha. Até 1.500 empregados não tem cartório, não tem burocracia. Com 10 mil empregados tem o governo como sócio e muita riqueza.
Riqueza. Empresário que assume risco tem que ficar rico com o negócio. Não pode ficar rico no rentismo. A China utiliza parte das rendas para financiar industrialização, infraestrutura, tecnologia e capacidade produtiva para fazer grandes volumes.
Mas…1 bilhão de trabalhadores!
É um dos lados da questão, 1 bilhão de trabalhadores que também são 1 bilhão de consumidores, mesmo que de forma indireta.
O mundo ocidental focou em colocar o seu dinheiro nas etapas do produto que oferecem as melhores margens. Passou o osso que é a indústria para a China. Indústria exige muito capital, tem problema ambiental e tem baixa margem. A China que precisava gerar muito emprego aceitou os investimentos industriais estrangeiros de braços abertos, mas exigindo participação no negócio.
Estado como motor? Aqui o Estado é uma âncora.
Agora eu faço uma sugestão, Por que as nações fracassam.
No século passado dos anos 30 até os 90 fizemos muito do que se fala, ainda hoje somos um país bastante fechado ao comercio exterior. Nosso problema é ser grande d+, isso significa que nossa indústria sempre achou que seria suficiente o mercado interno para que ela se mantivesse viva, e cada dia mais a realidade mostra o contrario, hoje você precisa vender algo como 200 mil carros da mesma plataforma para sua montadora ser lucrativa, mas o nosso mercado é de 2,5 milhões de carros, isso significa que só poderíamos ter algo como 12 plataformas de carros e não comprar importados.
Países que deram certo e nos passaram nos anos 80, Coreia do Sul, por exemplo tinha uma forte iniciativa do Estado na economia, tal como nós, mas eles metas para suas empresa, muitas ligadas a exportação. A própria China não começou procurando satisfazer seu mercado interno, mas competir globalmente, só recentemente, algo uma década, que eles se voltaram para dentro. Isso fez com que essas empresas aprendessem a competir globalmente, com que elas compreendessem a importância de de P&D, quando é um caso como o nosso o desincentivo a inovação é grande, pq limitamos a concorrência, junta isso com nossa promiscuidade entre o público e o privado, com os lobbys, os jabutis… esse não é nosso modelo de desenvolvimento. funcionou de 30 a 70, mas não foi capaz de sobreviver, de ganhar mercado, ficou dependente do Estado da economia fechada a importação.
Para piorar quiseram fazer a indústria, mas esqueceram de educar o povo, o investimento em educação foi praticamente estável durante todo esse tempo, isso com o país com forte crescimento populacional. Só no final do governo FHC se universalizou o ensino básico no Brasil, algo que os EUA tinham feito 100 anos antes. A qualidade do ensino ainda é sofrível. E o mundo mudou, hoje não é a manufatura que traz grandes empregos e renda
Esse livro teve muita influência sobre o pessoal da Ministério da Fazenda da época do FHC.