Boeing e Anduril avançam na disputa por novo interceptor do Exército dos EUA

Projeto entra na segunda fase da competição e busca ampliar a proteção de bases militares contra mísseis de cruzeiro e drones hostis

O Exército dos Estados Unidos selecionou a Boeing para avançar à segunda fase da competição destinada ao desenvolvimento de um novo interceptor de médio alcance. A arma fará parte do programa Integrated Fires Protection Capability Increment 2 Second Interceptor, conhecido pela sigla IFPC Inc. 2, e será desenvolvida com participação da Anduril Rocket Motor Systems.

Segundo anúncio divulgado pela Boeing em 9 de setembro, o sistema deverá proteger instalações fixas e bases de operações avançadas contra mísseis de cruzeiro, sistemas aéreos não tripulados militarizados e outras ameaças que voam em baixa altitude.

A decisão representa uma pré-seleção dentro da concorrência, e não a escolha definitiva do futuro interceptor. Informações como valor do contrato, alcance, velocidade, número de protótipos e cronograma para entrada em serviço não foram divulgadas.

Desenvolvimento e demonstração

A segunda fase compreenderá o detalhamento do projeto, o desenvolvimento dos subsistemas, a integração do interceptor e a realização de demonstrações. O processo culminará em uma avaliação competitiva destinada a verificar o desempenho das propostas diante dos requisitos estabelecidos pelo Exército americano.

A Boeing afirma que sua solução combinará tecnologia de guiagem e busca, dimensões compactas, arquitetura eletrônica aberta e um motor-foguete de combustível sólido fornecido pela Anduril. O formato compacto deverá permitir que cada unidade de lançamento transporte mais interceptores, aumentando a quantidade de engajamentos possíveis antes do recarregamento.

Esse conceito, frequentemente chamado de “profundidade de paiol”, tornou-se uma prioridade para as forças armadas diante do emprego simultâneo de grandes números de drones e mísseis de cruzeiro. Ataques de saturação podem esgotar rapidamente as munições defensivas, sobretudo quando cada alvo exige o lançamento de um interceptor caro e disponível em número limitado.

Arquitetura aberta para futuras modernizações

Outro elemento destacado é a adoção da Modular Open Systems Architecture, ou MOSA. Essa abordagem permitirá substituir ou modernizar componentes como buscadores, aviônicos e módulos de software sem que todo o interceptor precise ser redesenhado.

Em teoria, a arquitetura aberta poderá reduzir custos e prazos de modernização, além de facilitar a introdução de novas tecnologias para enfrentar ameaças que ainda estão em desenvolvimento. A eficácia dessa solução, porém, precisará ser comprovada durante as demonstrações previstas para a atual fase da competição.

A parceria entre Boeing e Anduril foi anunciada em dezembro de 2025, depois que a Boeing recebeu, em 5 de dezembro, um acordo do tipo Other Transaction Authority para desenvolver sua proposta. A Anduril ficou responsável pela propulsão, enquanto a Boeing lidera o projeto do interceptor e sua integração.

Uma nova camada de defesa

O objetivo do Second Interceptor é ocupar o espaço existente entre os sistemas antiaéreos de curto alcance e as soluções mais pesadas de defesa aérea e antimíssil. O Exército procura uma arma capaz de atingir ameaças intermediárias com desempenho elevado, custo controlado e capacidade de produção em grande escala.

A expansão ocorre paralelamente ao aumento da infraestrutura do IFPC. Em abril de 2026, a Leidos recebeu um contrato de US$ 617 milhões para fornecer lançadores adicionais. A empresa informou ter mais de 100 unidades comprometidas para entrega, enquanto o valor acumulado de suas encomendas relacionadas ao sistema se aproximava de US$ 1,2 bilhão, segundo a Reuters.

A proposta Boeing-Anduril ainda terá de demonstrar alcance efetivo, confiabilidade, capacidade de integração e uma relação custo-benefício compatível com operações contra ataques de saturação. O resultado dessa fase determinará se o projeto seguirá para uma eventual produção e se poderá tornar-se uma das principais camadas de proteção das bases americanas.■



Redes Sociais

A Trilogia Forças de Defesa também está presente nas redes sociais. Para comentar e discutir as matérias com os editores e outros leitores, entre no nosso grupo no WhatsApp e no Facebook. Para correções, críticas e sugestões de pauta, contate os editores: redacao@fordefesa.com.br.
Inscrever-se
Notificar de
guest

3 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Bosco
Bosco
1 mês atrás

O texto deixa a desejar em relação a elucidar os fatos.
Vou tentar resumir.
O USA (exército dos EUA) há cerca de 2 anos colocou em operação um sistema de mísseis sup-ar denominado de “Enduring Shield” que emprega cada bateria 4 lançadores com 18 mísseis AIM-9X Block 2 cada, totalizando 72 mísseis com alcance na faixa de 20km, combinado com um radar Sentinel A4.
O sistema entrou no lugar das baterias do Iron Dome que o USA havia adquirido há uns 6 anos mas que não foi pra frente por diversos motivos, tendo sido adquirido apenas 2 baterias.
A função do Enduring Shield é proteger as instalações e as tropas do USA principalmente de mísseis de cruzeiro subsônicos e supersônicos, aeronaves tripuladas e drones do grupo 3, 4 e 5, liberando o sistema Patriot para a defesa contra ameaças mais complexas de alta velocidade.
O problema é que o excelente míssil AIM-9X Block II custa cerca de 500 mil dólares cada e o USA abriu uma concorrência para um segundo míssil que fosse compatível com o sistema Enduring Shield .
Esse míssil deve ser muito menor e mais leve mas teria que ter o desempenho de um AIM-120C lançado do solo (15 km vertical e 40 km de alcance horizontal) e deve custar no máximo a metade.
O USA emprega o sistema NASAMS que opera o AIM-120C , na defesa de Washington, mas ele não foi o escolhido porque os americanos querem um míssil que caiba no lançador do Enduring Shield, com 18 células, enquanto o NASAMS só comporta 6 mísseis.
Resumindo, o sistema Enduring Shield poderá comportar os dois mísseis , o AIM-9X Block 2 com 20 a 25 km de alcance e esse novo míssil com 40 km de alcance.

Última edição 1 mês atrás por Bosco Jr
Bosco
Bosco
1 mês atrás

Em tempo: https://tecnomilitar.wordpress.com/2025/08/19/enduring-shield-defesa-antiaerea-e-c-ram-da-us-army/
Vale salientar que esse é um dos melhores sites sobre sistemas bélicos que existe, mas eu não consigo comentar nele.

Última edição 1 mês atrás por Bosco Jr
Bosco
Bosco
1 mês atrás

A defesa AA do USA fica mais ou menos assim:
–
Nível alto:
THAAD – míssil THAAD
Patriot – PAC-2 GEM T, PAC-3 CRI, PAC-3 MSE
–
Nível médio:
Enduring Shield (IFPC) : AIM-9X e AIM-9X Block 2
NASAMS (exclusivamente em Washington): AIM-120 A/B/C/D e AIM-9X e AIM-9X Block 2
–
Nível baixo:
M-SHORAD: Canhão de 30 mm, metralhadora 7,62 , Stinger, Longbow
M-LIDS: Canhão de 30 mm, metralhadora 7,62 mm, Stinger, Coyote, APKWS.
Centurion: Canhão Vulcan de 20 mm
Avenger: metralhadoras ponto 50, Stingers
Stinger MANPADS
LOCUST – arma laser
LEONIDAS- arma de pulso