Anthropic projeta três cenários para o impacto da IA nos empregos e salários dos EUA até 2030
No cenário mais extremo, a economia norte-americana cresceria 32,4% acima da trajetória sem inteligência artificial, mas o desemprego entre trabalhadores do conhecimento poderia chegar a 17,9%
O Anthropic Institute apresentou um modelo econômico interativo que procura estimar como o avanço da inteligência artificial poderá transformar os empregos, os salários e a distribuição de renda nos Estados Unidos até 2030. O estudo organiza as possibilidades em três cenários — modesto, substancial e extremo — com resultados que variam de ganhos comparáveis aos proporcionados pela internet a uma ruptura econômica sem precedentes históricos.
Intitulado “Economic Scenarios for Transformative AI”, o trabalho foi elaborado pelos economistas Anton Korinek, Charles I. Jones, Szymon Sacher, Tess Cotter e Peter McCrory. Os autores ressaltam que os cenários não constituem previsões e não receberam probabilidades de ocorrência. O objetivo é mostrar quais resultados seriam produzidos por diferentes hipóteses sobre capacidade, adoção e produtividade da IA.
Empregos analisados como conjuntos de tarefas
O modelo trata cada profissão como um conjunto de tarefas. Um enfermeiro, por exemplo, examina pacientes, registra informações clínicas, solicita materiais e organiza cuidados. Algumas dessas atividades podem permanecer exclusivamente humanas, outras podem ser realizadas mais rapidamente com auxílio de IA e uma terceira parcela pode ser completamente automatizada.
A base de ocupações e tarefas utiliza a taxonomia O*NET, do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. A ferramenta considera ainda a possibilidade de a tecnologia criar novas atividades, como a supervisão de decisões tomadas por sistemas automatizados.
Os resultados dependem de cinco fatores principais: quais tarefas a IA conseguirá executar, quanto a tecnologia será utilizada pelas empresas, quantas atividades serão automatizadas ou apenas auxiliadas, qual será o ganho de produtividade e quanto tempo um trabalhador dispensado levará para encontrar emprego em outra ocupação.
Cenário modesto: impacto semelhante ao da internet
No primeiro cenário, a inteligência artificial afetaria aproximadamente 4% das tarefas realizadas na economia norte-americana até 2030. Seu efeito seria comparável ao da expansão da internet: importante, mas distribuído gradualmente e sem provocar uma ruptura visível no mercado de trabalho.
O Produto Interno Bruto ficaria 1,6% acima da trajetória de uma economia sem IA. A taxa anual de crescimento chegaria a 2,4%, ante 2% no cenário de referência, enquanto o salário médio seria 0,7% maior.
O desemprego total passaria de 3,8% para 3,9%. Entre os trabalhadores do conhecimento, o nível de emprego diminuiria apenas 0,5% em relação a meados de 2026. A participação do trabalho na renda nacional recuaria levemente, de 60% para 59,4%.
Cenário substancial: revolução no trabalho intelectual
No cenário intermediário, a IA seria capaz de realizar cerca de metade do trabalho intelectual existente em 2030, embora não fosse empregada em todas as tarefas tecnicamente ao seu alcance. Aproximadamente 12% das atividades de toda a economia seriam afetadas, principalmente por automação.
Nesse caso, o PIB ficaria 8,3% acima da trajetória sem IA e a taxa de crescimento atingiria 5,4% ao ano. O salário médio subiria 2,1%, mas os ganhos seriam distribuídos de forma desigual.
Os salários dos trabalhadores do conhecimento ficariam praticamente estagnados, 0,3% abaixo da trajetória sem inteligência artificial. Em contraste, as remunerações nas demais ocupações aumentariam 5,9%, impulsionadas pela maior demanda por atividades físicas e presenciais menos expostas à automação.
O emprego nas profissões cognitivas cairia 3,9%, enquanto o desemprego total subiria para 4,6%. A participação dos salários na renda diminuiria para 56,1%, transferindo aproximadamente quatro pontos percentuais para os rendimentos do capital.
Cenário extremo combina crescimento e desemprego
A transformação mais profunda ocorreria caso sistemas de IA recursivamente aperfeiçoáveis se tornassem mais produtivos do que seres humanos na maioria das tarefas intelectuais. Nesse cenário, 30% de todas as tarefas da economia — equivalentes a quase metade das atividades cognitivas — seriam afetadas até 2030.
Cerca de 90% das utilizações da IA substituiriam trabalhadores, em vez de apenas aumentar sua produtividade. O modelo também pressupõe que praticamente nenhuma nova tarefa intelectual seria criada para compensar as funções eliminadas.
O PIB norte-americano ficaria 32,4% acima da trajetória sem IA, alcançando aproximadamente US$ 44,4 trilhões a preços de 2025. A taxa anual de crescimento chegaria a 15,4% no final do período. Se mantido, esse ritmo permitiria que a economia dobrasse de tamanho em cerca de 4,5 anos, conforme a ferramenta interativa da Anthropic.
A expansão, entretanto, viria acompanhada de forte deslocamento profissional. O emprego nas ocupações cognitivas cairia 21,5%, enquanto o desemprego entre pessoas que começaram o período nessas profissões alcançaria 17,9%. Considerando toda a força de trabalho, a taxa de desemprego subiria para 11,9%.
Os salários dos trabalhadores do conhecimento ficariam 11,5% abaixo da trajetória sem IA. Nas demais profissões, porém, avançariam 33,6%, refletindo a escassez relativa de trabalhadores em setores menos automatizados.
Crescimento não significa renda maior para todos
O principal alerta do estudo está na distribuição dos ganhos econômicos. No cenário extremo, a participação do trabalho na renda nacional cairia de 60% para 45,2%, enquanto a parcela destinada ao capital subiria para 54,8%.
Embora o PIB fosse quase um terço maior, a renda total do trabalho permaneceria praticamente igual àquela registrada em uma economia sem IA. Todo o crescimento adicional seria absorvido pelo capital, cuja renda ficaria 81,4% acima da trajetória de referência.
Segundo os pesquisadores, seria necessária uma transferência equivalente a aproximadamente 9% do PIB para manter a renda dos trabalhadores cognitivos no nível que alcançaria sem a automação. Uma redistribuição dessa magnitude, comparável ao tamanho combinado de grandes programas sociais norte-americanos, não encontra precedente nas anteriores transformações tecnológicas.
População espera cenário intermediário
Para comparar as projeções com as expectativas da sociedade, a Anthropic encomendou à Morning Consult uma pesquisa representativa com 10.980 adultos norte-americanos, realizada entre 11 e 23 de agosto de 2026.
As respostas medianas ficaram próximas do cenário substancial. Quando inseridas no modelo, elas produziram um PIB aproximadamente 10% maior em 2030 e desemprego geral próximo de 5%. Apenas cerca de 10% dos entrevistados apresentaram expectativas compatíveis com o cenário extremo.
O modelo não inclui recessões, crises financeiras, queda do consumo provocada pelo desemprego, resistência política à construção de centros de dados nem avanços acelerados da robótica sobre atividades físicas. Também divide os trabalhadores em apenas dois grandes grupos, simplificação que limita a avaliação de diferenças regionais, demográficas e profissionais.
A velocidade de evolução dos modelos, sua adoção pelas empresas e os ganhos reais de produtividade deverão oferecer, nos próximos dois anos, os primeiros sinais sobre qual trajetória está emergindo. Caso os cenários mais transformadores comecem a prevalecer, políticas de requalificação, seguro de renda, tributação do capital e distribuição dos ganhos da automação poderão tornar-se questões centrais da agenda econômica norte-americana.■

Quem diria que aquele antigo “copia/cola” evoluiria para “autocompletar” e daria nessa confusão toda…
ainda dá tempo de eu oferecer a minha consciencia para a skynet e virar um exterminador do futuro?
Mas provável é você acabar virando um Mentat ou Servitor
A SkyNet não “recebe” nada. Ela vai pegar o que achar necessário.
“Carne e sangue são fracos, máquinas ascendem!”
“Os humanos abandonaram seus corpos físicos, integraram-se a metais ativos, cultuam um culto tecnológico e reverenciam a ascensão mecânica.”
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Fim do Homo Sapiens e ruptura da evolução natural que conduziu a humanidade até o estágio atual.
Se eu puder escolher, estou fora desta…
Acho que só os EUA e China possuem capacidade de realmente revolucionar suas socieda6de com IA, União Europeia é muito burocrática e descentralizada para fazer isso.
Tava lendo matérias sobre o crescimento das dark factories usando IA na China. Tem pessoas ali? Óbvio, mas poucas. Como isso vai estar daqui alguns anos? Sem renda quem irá comprar e consumir os produtos? Acho que uma renda basica universal vai ser inevitável.
Mas obviamente governos usaram isso para controlar a população, independente da ideologia. Admirável Mundo Novo realmente era uma previsão ne?
Alemanha e Japão também são muito capazes.
O futuro da humanidade não é nada animador. Felizmente já passei dos 40 anos e optei em não deixar descendentes para me preocupar.
Trabalho com tecnologia profissionalmente há mais ou menos 40 anos.
Vi, de dentro, diveras inovações evoluirem e surgirem.
Revolução na produção dos processadores, armazenamento, surgimento de novas arquiteturas, expansão brutal na transmissão IO e redes.
Criação das interfaces gráficas (GUI), desenvolviemento e expansão da arquitetura web, construção do conceito de nuvens, lançamento do primeiro smartphone.
Todas estas tecnologias permitiram o desenvolvimento social e econômico.
Elas permitiram expandir as habilidades humanas.
Nunca sua substituição, mediante adaptações.
O modelo de IA buscado frenéticamente pelas empresa de referencia no mercado difere de qualquer outra tecnologia já lançada.
Todas elas buscam para sua ferramenta: copiar o conhecimento humando, interpretá-lo, entendê-lo, para reprodução ou aperfeiçoamento.
Outro de seus objetivos, que já está bastante avançado, é conseguir independência para sua auto-construção e evolução.
Diferente do que pregam os CEOs das empresas criadoras, em poucas décadas, a IA somado com a robótica avançada, os serviços profissionais deixarão de precisar da mão de obra humana. Infelizmente, é a realidade que alguns ainda tem dificuldade em aceitar.
Quais serão as últimas profissões afetadas?
As que priorizam algo importantíssimo, que a juventudo de hoje tem deixado de lado: empatia.
Mas, por fim, também serão absorvidas.
O trabalho não é apenas um meio de subsistência, mas o pilar principal de sua identidade, dignidade e conexão com o mundo.
O mundo entrará num ostracismo coletivo e precisará mais uma vez se adaptar.
Mas desta vez, a adaptação será bruta e psicológica.
E, como disse em outro comentário: Nunca antes a humanidade criou uma tecnologia onde os malefícios superam, de longe, os benefícios.
“O principal alerta do estudo está na distribuição dos ganhos econômicos. No cenário extremo, a participação do trabalho na renda nacional cairia de 60% para 45,2%, enquanto a parcela destinada ao capital subiria para 54,8%.” Ou seja, mais uma ferramenta que o capitalismo criou para, ao fim de tudo, concentrar renda. Marx de novo se mostrando certo.