Apex Indigo

O Comando de Operações Especiais Norte dos Estados Unidos (SOCNORTH) anunciou que todas as suas atividades na Groenlândia passarão a ser reunidas sob a denominação Operação Apex Indigo. Segundo o comando, as ações serão conduzidas em estreita coordenação com o Reino da Dinamarca.

A iniciativa tem três objetivos declarados: aperfeiçoar a sobrevivência em condições de frio extremo, melhorar o deslocamento para áreas remotas e ampliar a interoperabilidade com países aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que atuam no Ártico.

O anúncio estabelece uma designação comum para as atividades do SOCNORTH na ilha, mas não informa novos quantitativos de militares, orçamento ou duração. Registros oficiais mostram que o nome Apex Indigo já identificava treinamentos realizados em agosto, antes da divulgação dessa orientação geral.

Treinamento sobre o gelo

Fotografias publicadas em 14 de setembro na plataforma militar DVIDS documentam a participação de Boinas Verdes do 10º Grupo de Forças Especiais Aerotransportado do Exército americano e de militares dinamarqueses vinculados à Sirius. As equipes realizaram atividades em Camp Raven, sobre a calota de gelo groenlandesa.

Entre as ações registradas estão deslocamentos com esquis e o desembarque de pessoal e material de uma aeronave LC-130, em 18 de agosto. Segundo as descrições oficiais, o treinamento avaliou sobrevivência, busca e salvamento, mobilidade no frio e operação de infraestrutura de comunicações.

Em 21 de agosto, americanos e dinamarqueses também executaram uma evacuação médica simulada em Camp Raven. O exercício colocou as duas forças trabalhando juntas no atendimento e na remoção de uma baixa, incorporando ao treinamento uma situação de emergência em ambiente polar.

Mobilidade e apoio aéreo

O apoio aéreo envolveu aeronaves LC-130 associadas à 109ª Ala de Transporte Aéreo, da Guarda Aérea Nacional de Nova York. Conhecidas como “Skibirds”, essas versões do Hercules possuem esquis que permitem pousos sobre neve e gelo, capacidade especialmente relevante para alcançar locais sem pistas convencionais.

Uma das imagens identifica um piloto instrutor da unidade preparando a decolagem em Kangerlussuaq. Outra mostra as equipes de operações especiais descarregando o avião em Camp Raven, oferecendo um exemplo concreto da ligação entre transporte aéreo e presença de tropas no interior da ilha.

A combinação de transporte especializado, deslocamento terrestre e evacuação médica indica um treinamento voltado à sustentação das equipes em áreas isoladas. Nesse contexto, chegar ao destino é apenas uma etapa: os militares precisam manter comunicações e capacidade de retirada durante a permanência no terreno.

Cooperação com aliados árticos

A Sirius acrescenta experiência local ao intercâmbio. A unidade prepara patrulheiros para deslocamentos com trenós puxados por cães, embarcações, aeronaves e a pé no nordeste da Groenlândia. Segundo a Defesa dinamarquesa, a formação inclui manutenção de instalações, depósitos e equipamentos, seguida de 26 meses de serviço na ilha. Fiscalizar expedições e proteger o parque nacional também estão entre suas atribuições. As patrulhas normalmente são realizadas em duplas.

O material de divulgação do SOCNORTH cita Dinamarca, Canadá, Noruega e Reino Unido como parceiros na cooperação ártica. A referência descreve o relacionamento com aliados; os registros específicos de Camp Raven identificam diretamente tropas americanas e dinamarquesas nas atividades fotografadas.

Com sede em Colorado Springs, o SOCNORTH apresenta como missão planejar e executar operações especiais com parceiros, dissuadir ameaças convencionais e irregulares e preparar respostas a contingências. O treinamento polar integra esse esforço de prontidão e cooperação para a defesa dos Estados Unidos e de seus interesses.

Outras operações na região

A Apex Indigo ocorre em um cenário de outras atividades militares aliadas na Groenlândia. Em setembro, a Operação Arctic Vanguard reuniu caças F-16 americanos, F-35 dinamarqueses e F-18 canadenses em Kangerlussuaq, conforme registros oficiais divulgados pela Força Aérea dos Estados Unidos.

Essa operação aérea demonstra o conceito Nordic Bridge, voltado à cooperação entre os comandos Norte e Europeu dos EUA, o Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD) e a OTAN. Seus objetivos incluem ampliar a consciência situacional, fortalecer a dissuasão e melhorar a atuação conjunta.

Outro registro mostra a 115ª Ala de Caça, da Guarda Aérea Nacional de Wisconsin, operando em Pituffik em 10 de setembro. Essas ações conservam suas próprias denominações, evidenciando que Apex Indigo não passou a designar toda a presença militar americana na Groenlândia.

Negociações sobre presença militar

No plano diplomático, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia anunciaram, na sexta-feira (18), um entendimento para ampliar a presença militar americana na ilha. Neste sábado (19), autoridades dinamarquesas e groenlandesas afirmaram que o acordo preservará a soberania do reino, segundo a Reuters.

A assinatura é esperada durante a Assembleia Geral da ONU, na próxima semana. Permanecem sem divulgação detalhes sobre a dimensão da presença militar americana e sobre possíveis implicações do entendimento para recursos naturais e política externa.■



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1 Comentário
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João
João
21 dias atrás

De forma atabalhoada, Trump conseguiu o que queria.
Agora, a Europa está sentindo forte as intenções russas.
O flanco norte realmente estava “entregue”.

Agora, receberá mais atenção.