Da espada às urnas: a Presidência do Brasil em mais de 136 anos de República
De Deodoro da Fonseca ao terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a Presidência foi ocupada por militares, oligarcas, trabalhistas, liberais, conservadores e governos de coalizão. A sucessão presidencial revela uma história marcada por eleições, golpes, renúncias, mortes, impedimentos e redemocratizações
A história dos presidentes do Brasil começa em 15 de novembro de 1889, quando a derrubada da Monarquia colocou o marechal Deodoro da Fonseca à frente de um governo provisório. Antes disso, o chefe de Estado era o imperador. A República nasceu, portanto, não de uma eleição popular, mas de uma intervenção militar que alterou o regime e abriu uma longa disputa sobre quem deveria controlar o Estado brasileiro.
A tabela que acompanha este texto organiza 41 períodos de exercício da Presidência, contando separadamente mandatos não consecutivos, governos interinos e as juntas de 1930 e 1969. A cronologia segue os registros da Presidência da República e os livros de posse preservados pelo Senado Federal.
Uma República inaugurada pelos militares

Os dois primeiros presidentes, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, eram marechais do Exército. O período conhecido como República da Espada consolidou as novas instituições, mas também estabeleceu um precedente recorrente: a presença das Forças Armadas como ator político e árbitro das crises nacionais.
Com Prudente de Morais, em 1894, a Presidência passou pela primeira vez a um civil. Começava a fase oligárquica da Primeira República, sustentada principalmente pelas elites estaduais, pelo poder dos grandes proprietários rurais e por mecanismos de controle eleitoral. São Paulo e Minas Gerais exerceram influência dominante, embora a chamada “política do café com leite” nunca tenha funcionado como uma alternância inteiramente automática.
Classificar esses presidentes simplesmente como “direita” ou “centro-direita” exige cautela. Os partidos republicanos daquele período eram organizações estaduais, pouco comparáveis às legendas nacionais atuais. O liberalismo defendido pelas elites estava associado à autonomia estadual, à propriedade privada e à economia agroexportadora, mas convivia com participação eleitoral restrita, fraudes e forte exclusão social.

Vargas reorganiza o Estado e muda o eixo político
A ruptura de 1930 encerrou a ordem oligárquica. Uma junta militar afastou Washington Luís e transferiu o poder a Getúlio Vargas, que permaneceria no comando até 1945. Durante esses 15 anos, o Brasil passou por um governo provisório, uma fase constitucional e, a partir de 1937, pela ditadura do Estado Novo.
Vargas centralizou as decisões no governo federal — cuja sede ainda ficava no Rio de Janeiro —, reduziu a autonomia das oligarquias estaduais e ampliou a capacidade de intervenção da União. O período também consolidou a legislação trabalhista, a organização sindical sob tutela estatal e instrumentos de planejamento econômico. O Atlas Histórico da FGV descreve o Estado Novo como uma ditadura iniciada pelo golpe de 10 de novembro de 1937, marcada pelo fortalecimento do Executivo e pelo fechamento dos partidos.
É justamente Vargas quem melhor demonstra os limites dos rótulos políticos. Seu primeiro ciclo combinou nacionalismo, industrialização, legislação social, corporativismo e repressão autoritária. No segundo governo, iniciado pelo voto em 1951, aproximou-se mais claramente do trabalhismo e do nacional-desenvolvimentismo, formando uma herança reivindicada durante décadas por setores de centro-esquerda.

Democracia de 1946 amplia a competição partidária
A queda do Estado Novo abriu caminho para uma nova ordem constitucional. A Constituição de 1946 restabeleceu instituições representativas e criou o ambiente em que PSD, PTB e UDN se tornaram as principais forças políticas nacionais. Eurico Gaspar Dutra representou uma orientação conservadora e anticomunista; Vargas retornou pelo voto; e Juscelino Kubitschek associou seu governo ao desenvolvimentismo e à construção de Brasília.
O período também revelou a fragilidade do sistema. O suicídio de Vargas, em 1954, levou Café Filho à Presidência. Em novembro de 1955, Carlos Luz governou por apenas três dias e foi substituído por Nereu Ramos durante a crise que antecedeu a posse de Juscelino. Em 1961, a renúncia de Jânio Quadros abriu outro impasse e colocou Ranieri Mazzilli interinamente no cargo até a posse de João Goulart.

Jango assumiu inicialmente sob um regime parlamentarista, solução negociada para vencer a resistência militar à sua posse. Depois da restauração do presidencialismo, suas propostas de reformas de base, a mobilização sindical, a inflação e a radicalização da Guerra Fria aprofundaram a polarização. O golpe de 1964 interrompeu a experiência democrática e abriu um regime que duraria 21 anos.
Ditadura militar combina autoritarismo e Estado desenvolvimentista

Os governos de Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo situaram-se politicamente à direita e foram sustentados pelas Forças Armadas. Os presidentes eram escolhidos indiretamente, a oposição sofreu cassações e a estrutura partidária foi reduzida à ARENA, governista, e ao MDB, de oposição consentida.
O regime, entretanto, não adotou uma agenda econômica uniforme. Castelo Branco promoveu reformas de orientação liberal e reorganizou as finanças públicas; Médici e Geisel comandaram fases de forte intervenção estatal, grandes obras de infraestrutura e expansão das empresas públicas. A classificação “direita autoritária” descreve o regime político, mas não significa que todos os seus governos tenham seguido o mesmo modelo econômico.
A incapacidade de Costa e Silva em 1969 produziu uma situação excepcional. Em vez de permitir a posse do vice-presidente Pedro Aleixo, os comandantes militares formaram uma junta composta pelos ministros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. O episódio mostra por que uma relação completa dos ocupantes do Executivo precisa incluir governos coletivos e interinos, mesmo quando eles não correspondem à figura tradicional de um presidente.
Nova República restaura o voto e amplia direitos

A transição iniciada durante os governos Geisel e Figueiredo culminou na eleição indireta de Tancredo Neves, em 1985. Internado na véspera da posse, Tancredo não chegou a assumir. José Sarney tomou posse como vice e conduziu a fase inicial da Nova República, que desembocou na Assembleia Constituinte.
Promulgada em 5 de outubro de 1988, a atual Constituição definiu o Brasil como Estado Democrático de Direito e estabeleceu entre seus fundamentos a cidadania, o pluralismo político e a dignidade da pessoa humana. Seu preâmbulo registra o objetivo de assegurar direitos sociais e individuais, liberdade, segurança, igualdade e justiça, conforme o texto constitucional.
Em 1989, os brasileiros voltaram a escolher diretamente o presidente depois de quase três décadas. Fernando Collor venceu a eleição, mas sofreu impeachment em 1992, levando Itamar Franco ao cargo. A estabilidade monetária alcançada com o Plano Real favoreceu a eleição de Fernando Henrique Cardoso, que combinou origem social-democrata com privatizações, abertura econômica e reformas orientadas pelo mercado.

Da centro-esquerda à direita radical
A chegada de Lula ao poder, em 2003, marcou a primeira eleição de um líder operário e fundador de um partido de esquerda para a Presidência. Seus dois primeiros mandatos combinaram programas sociais, valorização do salário mínimo, disciplina macroeconômica e alianças com partidos de centro. Dilma Rousseff manteve a orientação de centro-esquerda, mas foi afastada em 2016 após uma grave crise econômica e política.
Michel Temer deslocou o governo para o centro-direita, com reformas econômicas de orientação liberal. Jair Bolsonaro, eleito em 2018, levou ao Planalto uma direita radical de discurso conservador, nacionalista e fortemente associada às Forças Armadas. Em 2023, Lula voltou para um terceiro mandato sustentado por uma coalizão mais ampla do que a formada em seus governos anteriores.
O percurso mostra que o espectro político brasileiro não pode ser lido como uma linha imóvel. Vargas associou direitos trabalhistas à ditadura; governos militares de direita ampliaram a presença estatal na economia; um partido social-democrata executou reformas liberais; e administrações de esquerda dependeram de amplas alianças com o centro e a centro-direita.
Mais do que distribuir presidentes entre esquerda, centro e direita, a sequência histórica revela quem participou do poder, quais instituições limitaram o Executivo e como ocorreram as transferências de governo. A consolidação democrática dependerá menos do rótulo atribuído a cada presidente do que da capacidade de forças adversárias aceitarem eleições, sucessões constitucionais e os limites impostos ao cargo que continua sendo o centro mais cobiçado da política brasileira.■


Eu diria que o fato do exército ter dado um golpe de estado no Imperador sem o conhecimento ou anuencia do povo, e depois disso, termos tido 8 golpes de Estado onde o povo nunca é chamado, eu diria que tanto a Republica quanto a Democracia brasileira não existe. O que existe é apenas interesses da elite militar, política e economia.
O povo brasileiro é apenas gado que paga imposto.
Abaixo estão os principais golpes consumados durante o período republicano:
A Revolução de 1930, que pôs fim a República dos Oligarcas, foi necessária.
Na base do poder político deste período estavam os “coronéis” (grandes proprietários de terras locais). Como a Constituição de 1891 instituiu o voto aberto (não secreto), os coronéis controlavam o voto da população local através da coerção, fraude eleitoral ou troca de favores (voto de cabresto). A corrupção era galopante e normalizada…
Olá Hamom.
A Revolução de 30 de fato é considerada a Revolução burguesa brasileira. Concordo com vocẽ que foi ela quem retirou do poder a velha elite latifundiária que dominava o país desde a vinda da familia real e instituiu a base de uma sociedade burguesa e industrial.
Claro que ela nada não instituiu uma democracia. Pelo contrário foi responsável pela instauração de um regime proto-fascista… são 3 eventos correlacionados… revol. 30, revo. 32 e golpe do estado novo
8 de Janeiro de 2023, “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição” (Constituição de 1988), ou seja, povo não dá golpe de Estado, pois “o poder já lhe pertence”, no Brasil são as instituições políticas, de Estado e seus membros que dão golpe de Estado, exemplo:
1840 Partido Liberal – Golpe de Maioridade;
1889 Partido Republicano, oficiais e comandante do Exército; Golpe da Proclamação da República;
1930 Getúlio Vargas (oligarquia gaúcha), general Góis Monteiro (Exército), Antônio Carlos de Andrada (oligarquia mineira) e João Pessoa da oligarquia paraibana…
1964 Marechal Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Olimpio Mourão Filho (generais do Exército), Carlos Lacerda (governador do Rio), Magalhães Pinto (governador de minas) e Adhemar de Barros ( gov. São Paulo).
Meus amigos, resumo da ópera bufa: Tentar dar golpe de Estado no Brazil sem um instituição forte por traz, é caixão e vela preta!
Detalhe amigo, você listou somente os golpes que deram certo, existiriam inúmeras outras tentativas que não vingaram.
Sim.
Mas achei que se posta-se os que faltaram, teria que postar de um certo alguém e acabar tendo o texto deletado por política.
A revolução de 30 é considerada da revolução burguesa (tardia) que retirou o Brasil da oligarquia latifundiária e marca o processo de urbanização e industrialiação. Ela teve no Brasil o mesmo papel da Revolução Francesa na Europa e da Guerra da Secessão nos EUA.
volta monarquia
Torcendo muito!
Tolice.
O tipo de regime (monarquia, presidencialismo ou parlamentarismo) tem pouco influência no que é mais importarte que é uma instituioção democrática sólida
Existem monarquias que sao ditaduras assim como outras que são democracias.
É mais fácil fácil a família real inglesa ser deposta do que a monarquia ser restaurada no Brasil. O Brasil mudou muito de 1889 para cá, tornando uma família real algo alienígena para o povo.
Curiosamente, a única digressão na história republicana veio através de Vargas, que trouxe os tenentistas ao poder de maneira efetiva e radical. De certa forma, também foi o responsável pelo retorno deles em 1964, na oportunidade do golpe militar.
A explicação é simples: a desastrosa renúncia de Jânio levou Goulart ao poder, juntamente com todo o modelo trabalhista e ideário de “justiça social”, um eufemismo para populismo sindical e supremacia do Estado.
Podemos dizer que Vargas saiu morto do Catete, mas seu fantasma retornou ao Planalto pelas mãos de Goulart e parece que de lá nunca mais saiu.
Costa e Silva foi o “sargentão” incompetente que jogou o país na escuridão enquanto Geisel talvez tenha sido o único positivista que deu certo.
Na minha humilde e irrelevante opinião, seria o ditador perfeito por mais uns 10 anos.
E de 1988 em diante, as trevas lançaram seu manto sobre a terra.
“Tudo farei para o povo, nada, porém, pelo povo”. Dom Pedro I 1831…
“Por subir Pedrinho ao trono
Não fique o povo contente
Não deve ser boa coisa
andando com a mesma gente” 1840
“Façamos a revolução antes que o povo a faça” Revolução de 1930
Bom meus amigos, agora vem aquela famosa música do grupo baiano É o Tchan:
“Pau que nasce torto, nunca se endireita”
Lula e Dilma: CENTRO esquerda
Bolsonaro: Direita RADICAL
O histórico do blog não surpreende com a publicação de tal texto, após uma leitura tosca da história, finaliza com adjetivações torpes eivadas de viés político partidário.
O PT não se declara e não age como centro
O mesmo se diz de Bolsonaro “eu sou centrão”, maior promotor de leis feministas e cujo governo combateu a “ala ideológica” que o elegeu (esta sim de direita).
Janela de Overton é brinquedo na ponta da pena de agentes políticos.
O que são centro esquerda e direita para você meu caro.
O desconhecimento básico de política , já deu sua resposta
João….
goste ou odeie o PT, é preciso reconhecer que é o maior e mais bem estruturado partido político brasileiro, tendo disputado todas as eleições presidenciais desde a redemocratização, ficando em segundo lugar ou ganhando a eleição
Está longe de ser uma verdade.
Um partido que possui há décadas uma única liderança que, de tão ludibriada pela sua própria imagem, não permite outro correligionário ganhar espaço com medo de seu “brilho” ser ofuscado.
Um partido que vive às sombras de sua “grande estrela”, uma vez que esta “estrela” precisa sempre estar envolvida (direta ou indiretamente) na busca de votos de seus candidatos.
Um partido que segue e idolatra uma única pessoa, que é sua “estrela guia” (como chamam alguns fiéis do político), diferente de outras organizações onde os candidatos seguem o partido.
Um partido que tem como guia de suas diretrizes e posicionamentos um político reconhecidamente demagogo (basta ver a diferença entre seus discursos – principalmente soberania – e a realidade) e moralmente corrupto.
Um partido bastante segmentado internamente por possuir uma ideologia enraizada de militância que gera uma “democracia” organizacional ruidosa e desalinhada com suas figuras centrais, que são mais pragmáticas em relação à administração pública.
O Partido (como instituição) apenas demonstra união devido ao “amor” ao seu “Padrinho Político” (assim que a grande maior parte de seus políticos eleitos se referem à ele) ou veneração à sua “imagem” ou respeito à sua pessoa.
O Partido, como vemos hoje, deixará de existir assim que essa pessoa deixar de ter condições de atuar politicamente.
E isto já ocorreu, com o PSDB, mesmo este partido não dependendo tanto da influência de Fernando Henrique Cardoso quanto o PT depende atualmente do atual Presidente.
Mais do que isso, eleição é o que chancela o sistema mas é apenas uma parte do que seria uma democracia, cada vez menos legítima com a estrutura partidária imposta oligarquicamente por canetadas de Brasilia.
O PT domina a burocracia do Estado, aí é onde o poder opera, e aí o PT é hegemônico, a ocupação de espaços está em todos os níveis de todas as carreiras e para alguém de fora do partidão governar é impossível, criminaliza-se qualquer oposição ao partido, mesmo a de civis comuns – e a oposição controlada, como válvula de escape do sistema, está cada vez mais sufocada.
Estado e partidão estão se fundindo, o projeto do PT é bem claro, mira se tornar um PCCh, PCC (de cuba), goste ou odeie, é preciso reconhecer isso.
Você mistura as coisas.
primeiro so chamar o PT de partidão. este apelido era dado ao antigo Partido Comunista, muito antes do PT surgir.
O PT é antes de tudo um partido trabalhista, algo que do foi possível após a intensa industrialização iniciada por Vargas.
O PT nasceu, veja voce, com o apoio de Golbery que tinha como objetivo enfraquecer Brizola, que era considerado um inimigo do regime militar.
Sobre um estado democrático, sabemos que nenhuma democracia é perfeita e acabada. Apenas ditaduras são perfeitas. e unânimes. Democracias são regimes instáveis por natureza porque são baseadas na disputas de múltiplas forcas políticas que formam e desmanchando alianças pontuais.
O PT já ocupou a presidência da República por 3 vezes… em nenhum momento houve algum movimento de destruição da democracia.
Goste ou odeie o PT, tanto faz, mas é preciso ser correto na avaliação. Se o funcionalismo público prefere o PT isso tem mais a ver com as posições do partido em relação a carreira e proteção aos direitos trabalhistas.
Chamar de partidão é recurso linguístico adequado, você confirmou o ponto.
Partido Trabalhista? Não se apegue tanto a nomes, na Alemanha houve um nacional-socialista que você insiste em chamar de direita. Vargas? Foi longe hein.. Sindicalismo talvez pudêssemos conversar, mas nem isso hoje em dia cabe, se identifica como o partido dos bilionários com consciência social, da beautiful people rouanet, dos donos de banco (da pedra preta ao do clube do whisky)… criticavam o clientelismo e coronelismo e é nele que se sustenta eleitoralmente; Raymundo Faoro, muito próximo ao nascente PT, descreve bem as estruturas de poder que antes criticavam e de que hoje se valem.
“Apenas ditaduras são unânimes”, os partidos que citei anteriormente são unânimes (mas petistas se recusam a nominá-los como ditaduras, como você sugere). Quem em 2026 enxerga instituições democráticas de direito em pleno funcionamento no Brasil do partidão? “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. O Pilili não pode se quer ser alvo de dúvidas, aos descrentes a excomunhão cívica. “Múltiplas forças” mas só dentro do partidão ou aderentes do consórcio.
Na primeira vez que o PT estava na presidência, a primeira grande crise de destruição de democracia sob seu governo ocorreu quando o congresso era comprovadamente comprado com saques em espécie no caixa do banco, mas isso virou aceitável graças a pessoas que passam pano em nome de “causas maiores”; o então presidente do partido admitiu que o PT deveria ser refundado mas ele foi escanteado e optaram por reafirmar atos, negar provas, confiar em manobras jurídicas e reescrever o passado.
“Democracia” se torna apenas uma palavra bonita mas vazia que valida qualquer ação.
Quem dera a adesão do funcionalismo fosse por benefícios diretos a suas carreiras e direitos, isso seria mais simples de abordar pois assim a eventual isonomia trocada por trocados seria um problema objetivo, não é isso, a questão é mais profunda.
Viva a República Parlamentarista.
Acho que precisamos estabelecer urgentemente o voto distrital e o parlamentarismo.
Se o Senado brasileiro funcionasse exatamente como o modelo alemão (Bundesrat), o sistema político do Brasil sofreria uma transformação radical.
A principal diferença é que a Alemanha adota o federalismo cooperativo. Lá, os estados não elegem senadores pelo voto popular; em vez disso, a câmara alta é um conselho formado diretamente por membros dos próprios governos estaduais. Além disso, o número de votos de cada estado depende do tamanho da sua população.
Regra do “Voto em Bloco” (O fim do voto individual)
Essa é a maior mudança prática. Na Alemanha, um estado não pode dividir seus votos. Se a bancada de São Paulo tem 6 votos, os 6 representantes paulistas precisam votar exatamente iguais. Se eles divergirem, o voto total do estado é anulado.
Tenho estudado um pouco sobre como funciona a politica na Alemanha e acho que tem propostas que poderiamos colocar em prática aqui.
Lá não tem vereadores como nós temos aqui.
O voto é distrital, então vc sabe que aquele candidato é daquele distrito.
Deputado Estadual e Federal votados no distrito, fica muito mais facil de acompanhar o andarmento do político.
Sim, tem prós e contras.
Mas, é melhor que está merda toda ai que temos hoje.
O voto distrital será um desastre no Brasil.
Já é um desastre nos EUA.
O sistema brasileiro atual de voto proporcional fortalece os partidos e evita a manipulação da votação. O problema brasileiro é o fundo partidário que dá sobrevida financeira para partidos sem representatividade popular.
Os partidos devem sobreviver com o que seus filiados e apoiadores estejam dispostos a doar.
Desastre real é a sub-representarão política de UFs populosos no Congresso, “democracia” com a falácia de um voto uma pessoa em desproporcionalidade eletiva.
Ou ainda sistema com DONOS de partidos mesmo sem voto e mandato que tem muito mais poder que os eleitos por seu partido. Também a proibição a candidaturas independentes.
Voto distrital ou majoritário é discussão menor ante questões eleitorais maiores.
Os EUA tem um problema similar. Estados populosos são subrepresentados e alguns estados minusculos tem uma bancada desproporcional.
Os estados “baleia” como SP, MG, RJ e BA possuem bancadas enormes. SP tem 70 (numero máximo) enquanto 10 dos 27 estados possuem apenas 8 deputados. Cada Estado tem uma historia. Seria uma tolice propor a divisão de SP em dois estados para buscar uma balanço de representatividade e esquecer dos vinculos cultuarais e históricos da população paulista.
Contido, sou favoráveil a redução no número de senadores para apenas 2 por estado.
A discussão do voto distrital x proporcioanl (e não majoritário como você escreveu) é importante porque a ideia do voto distrital para o Braisl é uma aberração e um retrocesso
SP tem 21,5% do eleitorado, mas 13,6% dos deputados federais. Porém em termos absolutos 70 te parecem bastante.
Isso num Congresso bi-cameral
Vai contra qualquer lógica ou senso de justiça. É muito mais que bizarro, é criminoso.
Aberração e retrocesso é continuar assim e chamar o regime de democrático, representativo…