Escassez de mísseis nos EUA pode atrasar entregas a aliados por até cinco anos
Patriot
Consumo acelerado na guerra contra o Irã pressiona estoques de Patriot, Tomahawk, PrSM e THAAD; Alemanha e países do flanco leste da Europa estão entre os afetados, segundo a Bloomberg
Os Estados Unidos advertiram países aliados de que a entrega de mísseis e sistemas de defesa aérea poderá sofrer atrasos de até cinco anos, enquanto Washington tenta recompor arsenais reduzidos pelo elevado consumo de munições em operações militares. A informação foi publicada pela Bloomberg na sexta-feira (18).
Segundo autoridades ouvidas pela agência, diversos compradores europeus deverão receber armamentos depois dos prazos previstos. A escassez atinge tanto interceptadores de defesa antimíssil quanto armas de ataque de longo alcance, expondo a distância entre a demanda criada pelos conflitos atuais e a capacidade de produção da indústria norte-americana.
Guerra contra o Irã acelera consumo dos estoques
As estimativas citadas na reportagem indicam que, em sete meses de guerra contra o Irã, as forças norte-americanas utilizaram mais da metade de seus interceptadores Patriot de geração mais recente. No mesmo período, teriam sido empregados cerca de um terço do estoque de mísseis de cruzeiro Tomahawk e quase metade dos mísseis de ataque de precisão PrSM e dos interceptadores THAAD.
Os números não foram detalhados publicamente pelo Pentágono e devem ser tratados como estimativas atribuídas às fontes da Bloomberg. Ainda assim, contratos anunciados pelo governo norte-americano confirmam a pressão sobre a cadeia industrial: em agosto, Washington firmou um acordo superior a US$ 3 bilhões para ampliar a fabricação de componentes destinados aos sistemas Patriot e THAAD.
O plano prevê triplicar a produção de interceptadores Patriot e quadruplicar a de THAAD. Estimativas citadas pela Reuters apontavam que os EUA dispunham de menos de mil interceptadores Patriot e de menos de 250 unidades do THAAD, ambos amplamente empregados no Oriente Médio.
Alemanha enfrenta espera por Tomahawk e Typhon
A Alemanha pediu a Washington que acelerasse o fornecimento de mísseis Tomahawk e de lançadores terrestres Typhon. O sistema Typhon pode disparar o Tomahawk, arma de cruzeiro destinada a ataques de longo alcance, e integra os planos de Berlim para ampliar sua capacidade de atingir alvos em profundidade.
De acordo com a Bloomberg, porém, a Raytheon, divisão da RTX responsável pelo Tomahawk, dificilmente conseguirá atender à encomenda alemã dentro dos próximos cinco anos. O governo alemão e os EUA assinaram em 15 de setembro uma carta de intenções para aprofundar a cooperação entre suas indústrias de defesa, mas os detalhes da compra ainda precisam ser negociados, informou a Reuters.
O caso evidencia um problema que vai além da autorização política para exportar armamentos. Mesmo quando Washington aprova uma venda, a entrega depende de linhas de montagem com fornecedores especializados, motores-foguete, sistemas de guiagem e componentes eletrônicos cuja produção não pode ser ampliada de forma imediata.
Indústria tenta elevar produção em ritmo emergencial
O Pentágono vem pressionando fabricantes a expandir capacidade e diversificar fornecedores. No caso do Tomahawk, o acordo em discussão com a RTX pretende elevar a fabricação destinada às forças norte-americanas de cerca de 60 para até mil unidades por ano, embora alcançar essa meta exija novos investimentos, pessoal qualificado e reorganização da cadeia de suprimentos.
A Lockheed Martin também anunciou a ampliação da produção do PrSM, míssil balístico de curto alcance lançado por plataformas como HIMARS e M270. Esses programas, no entanto, não resolvem a necessidade imediata: aumentar fábricas e homologar novos fornecedores leva anos, enquanto os estoques continuam sendo consumidos e Washington precisa preservar reservas para seus próprios planos de contingência.
Atrasos atingem o flanco leste europeu e a Ucrânia
Países do norte e do leste da Europa também enfrentam postergações, segundo a Bloomberg, justamente quando governos da região reforçam a defesa aérea diante da guerra na Ucrânia e do risco representado por mísseis e drones russos. A Ucrânia, que depende do Patriot para interceptar mísseis balísticos, busca munições adicionais antes do inverno, mas concorre com a reposição dos arsenais norte-americanos e com pedidos de membros da Otan.
A crise tende a intensificar a pressão europeia por licenças de produção local, compras conjuntas e alternativas fabricadas no continente. Ao mesmo tempo, o tamanho da dependência de componentes e tecnologias dos EUA limita uma substituição rápida e obriga aliados a conciliar a busca por maior autonomia com a manutenção dos vínculos industriais transatlânticos.
Se os prazos projetados se confirmarem, o problema deixará de ser apenas logístico: países que já contrataram sistemas norte-americanos poderão enfrentar lacunas operacionais em um período de elevada tensão. A disputa por cada lote produzido deverá influenciar prioridades militares, negociações diplomáticas e decisões de investimento em defesa dos dois lados do Atlântico nos próximos anos.■


Fica o alerta sobre a dependência de terceiros para prover a própria defesa.
Interessante que países como a Rússia e o Irã não têm problema de falta de mísseis.
Os estoques estão repletos e as fábricas estão cuspindo mísseis como se fosse pão francês.
Europa/EUA focados na Ucrânia, para onde enviaram muito material bélico…E pra completar os gastos os EUA atacaram o Iran…
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Aliás, a Ucrânia acabou de em 24 h enviar um ataque de quase 2.000 drones e mísseis contra a Rússia, não parece estar com falta de material.