EUA aprovam possível venda de US$ 2,68 bilhões para reforçar defesa aérea da Ucrânia
Pacote reúne novos mísseis compatíveis com sistemas S-300, munições GAM-67, foguetes guiados a laser, lançadores modificados e radares contra drones; financiamento deverá combinar recursos europeus e verbas norte-americanas já aprovadas
O Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou uma possível venda militar à Ucrânia, estimada em US$ 2,68 bilhões, destinada à modernização e ampliação da capacidade de defesa aérea do país. A operação foi encaminhada ao Congresso norte-americano em 18 de setembro, por meio da notificação nº 26-90.
A autorização foi processada pelo programa Foreign Military Sales (FMS). A notificação representa o valor máximo estimado e abre caminho para negociações, mas ainda não corresponde a um contrato assinado nem garante que todos os equipamentos relacionados serão adquiridos.
Segundo o documento oficial, o objetivo é proporcionar às forças ucranianas uma estrutura de defesa aérea mais robusta para enfrentar ameaças atuais e futuras, incluindo aeronaves, mísseis de cruzeiro e sistemas aéreos não tripulados.
Mísseis compatíveis com o S-300
Entre os principais componentes aparecem munições descritas pelo governo norte-americano como “S-300 Clone missiles”. A documentação não informa fabricante, alcance, quantidade ou características técnicas desses armamentos.
A designação sugere mísseis desenvolvidos ou adaptados para reproduzir funções de interceptadores empregados pelos sistemas soviéticos S-300 ainda operados pela Ucrânia. Entretanto, a notificação norte-americana não confirma se as novas munições serão compatíveis diretamente com os lançadores e radares originais.
A Ucrânia herdou diferentes versões do S-300 após o fim da União Soviética. Desde o início da guerra em grande escala, em 2022, a disponibilidade de mísseis para esses sistemas tornou-se um problema, pois a Rússia e poucos outros países controlam a maior parte da cadeia original de produção.
O desenvolvimento de interceptadores substitutos permitiria manter em operação baterias, radares e estruturas de comando existentes, reduzindo a necessidade de abandonar equipamentos para os quais Kiev ainda possui pessoal treinado e infraestrutura logística.
GAM-67 e foguetes guiados a laser
O pacote inclui também mísseis identificados como GAM-67. Assim como no caso das munições “S-300 Clone”, o governo dos Estados Unidos não divulgou a quantidade, o fabricante ou os parâmetros de desempenho do sistema.
Também estão relacionados sistemas de foguetes guiados a laser de alcance estendido para defesa aérea. Esse tipo de munição pode oferecer uma alternativa de menor custo para enfrentar drones, helicópteros e outros alvos que não justificariam o emprego de interceptadores antiaéreos mais caros.
A lista apresentada ao Congresso utiliza a classificação de equipamentos de defesa não principais, ou non-major defense equipment. Trata-se de uma categoria administrativa do processo FMS e não significa que os sistemas tenham pouca relevância militar.
Lançadores improvisados e integração de sistemas
A aquisição prevê o chamado Improvised Transporter Erector Launcher 1.5, além de kits para modificação de sistemas móveis de lançamento. A presença desses componentes indica a continuidade dos esforços para integrar diferentes mísseis, radares e plataformas disponíveis no inventário ucraniano.
Desde 2022, Estados Unidos e Ucrânia trabalham em soluções híbridas conhecidas informalmente como FrankenSAM. Esses projetos combinam lançadores, radares ou estruturas de comando de origem soviética com interceptadores ocidentais, permitindo aproveitar equipamentos já disponíveis no país.
A nova venda não identifica quais sistemas serão modificados nem esclarece como os lançadores improvisados se relacionam com os mísseis GAM-67 e os interceptadores destinados ao S-300. Essas definições poderão ocorrer durante o processo de contratação e integração.
O pacote contempla ainda radares RPS 202 para combate a sistemas aéreos não tripulados, reboques com mastros eleváveis, grandes modificações estruturais e apoio de manutenção.
Software, peças e apoio logístico
Além dos armamentos, a possível venda cobre peças sobressalentes, consumíveis, acessórios, serviços de reparo e devolução, publicações técnicas, software e apoio ao transporte.
Também estão incluídos serviços de engenharia, assistência técnica e suporte logístico prestados pelo governo norte-americano e pelas empresas contratadas. Segundo Washington, a implementação não exigirá o envio de representantes adicionais do governo dos Estados Unidos ou das contratadas para a Ucrânia.
O Departamento de Estado declarou que as forças ucranianas não terão dificuldades para incorporar os sistemas. A avaliação norte-americana sustenta ainda que a venda não alterará o equilíbrio militar básico da região.
Financiamento combinará recursos europeus e dos EUA
Caso a operação seja concluída, a Ucrânia deverá financiá-la por meio de uma combinação de contribuições europeias e recursos do programa norte-americano Foreign Military Financing aprovados durante a administração anterior.
De acordo com a notificação, os recursos do FMF serão contabilizados como contribuição de capital dos Estados Unidos para o Fundo de Investimento para a Reconstrução da Ucrânia, mediante um mecanismo de reembolso na proporção de um para um.
O documento não informa quanto será fornecido pelos países europeus, qual parcela virá do financiamento militar norte-americano nem o calendário previsto para os pagamentos.
Esse arranjo permite que Washington utilize verbas já autorizadas e, simultaneamente, registre sua participação financeira no fundo bilateral criado para investimentos na reconstrução e no desenvolvimento econômico ucraniano.
Contratadas serão escolhidas por concorrência
Não foi definida uma empresa principal para executar o programa. As contratadas serão selecionadas pelo governo dos Estados Unidos mediante processos competitivos conduzidos de acordo com o Regulamento Federal de Aquisições.
Washington informou que, até o momento, não tem conhecimento de qualquer acordo de compensação industrial relacionado à possível venda. Eventuais offsets dependerão de negociações futuras entre a Ucrânia e as empresas selecionadas.
Após o período de análise pelo Congresso, o governo norte-americano poderá avançar para as fases de definição técnica, concorrência, negociação e assinatura dos contratos. O valor final poderá ser inferior aos US$ 2,68 bilhões, dependendo das quantidades escolhidas, dos requisitos ucranianos e dos resultados das licitações.
A composição do pacote mostra que a prioridade não é apenas entregar novas baterias completas, mas ampliar a capacidade de aproveitar lançadores, radares e estruturas já disponíveis. O cronograma efetivo dependerá agora da conclusão dos acordos financeiros, da seleção dos fornecedores e da capacidade industrial de produzir os interceptadores e equipamentos solicitados.

Eh…lembro no início da Guerra quando a Rússia chegaria em Portugal em algumas semanas…#sqn
Por qual motivo a Ucrânia prefere receber misseis “S-300 clone” do que para os Patriot que eles possuem?
Suponho que tenham vários sistemas S-300 parados, e poucos sistemas ‘ocidentais’…
O que não fala na matéria é o prazo de entrega, considerando matéria recente sobre a longa fila de espera por estes misseis SAM, não adianta nada encomendar pra entregar daqui uns anos…
GAM-67 remete a um míssil anti radar, cujo projeto foi cancelado no fim dos anos 50.