Trump exalta poder militar dos EUA na ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu discurso na 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), para defender uma política externa baseada na soberania nacional, no poder militar e na rejeição a mecanismos multilaterais que, segundo ele, limitam a liberdade de ação dos países.

Em uma intervenção de aproximadamente 30 minutos, Trump evocou os 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos para sustentar que liberdade e soberania somente podem ser preservadas quando acompanhadas de força. O discurso combinou referências históricas com ameaças ao Irã, defesa da operação que retirou Nicolás Maduro do poder na Venezuela e exaltação do acordo petrolífero firmado com o governo interino de Delcy Rodríguez.

Soberania contra o “globalismo”

Trump iniciou e encerrou sua participação com referências à independência norte-americana do domínio britânico. Recordou que George Washington ordenou a leitura da Declaração de Independência para suas tropas em Nova York, em 1776, quando uma frota britânica se aproximava da costa.

Segundo o presidente, os fundadores dos Estados Unidos compreenderam que não bastava acreditar em grandes princípios: era necessário ter “vontade, coragem e força” para defendê-los. Trump apresentou essa ideia como um desafio válido para todas as nações representadas na Assembleia Geral.

O norte-americano afirmou que seu governo continuará defendendo a independência dos Estados nacionais contra o que classificou como “globalismo”. Nesse contexto, rejeitou propostas de tributação internacional, controles multilaterais sobre a inteligência artificial e a atuação de instituições como o Tribunal Penal Internacional.

A posição contrasta diretamente com a defendida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que, em seu último discurso perante a Assembleia Geral, pediu a criação de salvaguardas internacionais para a inteligência artificial e uma estrutura multilateral de gestão dos riscos associados à tecnologia.

Trump também exaltou os resultados de sua administração e afirmou que os Estados Unidos, que segundo ele estavam “mortos” dois anos antes, tornaram-se novamente o país mais dinâmico do mundo. A declaração foi usada para convidar outros governos a seguirem uma política de ações firmes contra ameaças externas e internas.

Venezuela como demonstração de força

Um dos trechos mais controversos do pronunciamento foi dedicado à Venezuela. Trump apresentou a operação militar norte-americana que capturou Nicolás Maduro, em janeiro, como prova de que Washington não permitirá a instalação de ameaças no Hemisfério Ocidental.

“Se necessário, usaremos nosso incomparável poder militar para proteger nossos interesses”, declarou. Maduro foi levado aos Estados Unidos para responder a acusações relacionadas ao narcotráfico, enquanto Delcy Rodríguez assumiu interinamente o governo venezuelano com o respaldo de Washington.

Trump destacou ainda o acordo que concede aos Estados Unidos participação majoritária na exploração de campos petrolíferos venezuelanos. Apresentado pelo presidente como possivelmente “o maior acordo já realizado”, o entendimento abrange 17 campos com reservas estimadas em 65 bilhões de barris de petróleo.

“Ao vencedor pertencem os espólios”, afirmou Trump, recorrendo a uma expressão historicamente associada à apropriação de recursos após conflitos militares. A frase reforçou a percepção de que o governo norte-americano considera o acesso ao petróleo uma compensação pela intervenção na Venezuela.

Delcy Rodríguez acompanhou a Assembleia Geral em Nova York e tinha um encontro informal previsto com Trump. Sua delegação iniciou conversações com autoridades e instituições financeiras sobre petróleo, mineração, reestruturação da dívida venezuelana e recuperação de ativos mantidos no exterior.

O acordo petrolífero, aprovado pela Assembleia Nacional venezuelana, concede aos Estados Unidos a exploração de aproximadamente um quinto das reservas do país. O governo interino estima que a Venezuela poderá receber US$ 209 bilhões ao longo de 25 anos, embora especialistas levantem dúvidas sobre sua segurança jurídica e sobre os investimentos necessários para recuperar a deteriorada infraestrutura petrolífera venezuelana.

Trump ameaça “aniquilar” o Irã

O presidente norte-americano reservou suas declarações mais duras para o Irã, classificado por ele como o antigo “valentão do Oriente Médio”. Trump afirmou que ofereceu diversas oportunidades para Teerã abandonar seu programa nuclear e interromper o apoio a organizações armadas na região, mas que o governo iraniano recusou as propostas.

Ao justificar a guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro, Trump mencionou os atentados de 11 de setembro de 2001 e o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Segundo ele, seria inadmissível permitir que um governo associado a grupos armados pudesse agir protegido por um arsenal nuclear.

O presidente disse enfrentar duas possibilidades: permitir que o Irã se recupere por meio de um acordo ou “aniquilar” a República Islâmica. Trump afirmou acreditar que Teerã aceitará negociar depois das eleições legislativas norte-americanas de 3 de novembro, acusando o governo iraniano de aguardar o desempenho do Partido Republicano antes de tomar uma decisão.

O Irã nega buscar armas nucleares. Apesar da retórica de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que Washington permanece aberto a conversar com representantes iranianos durante a Assembleia Geral, embora nenhum encontro tenha sido formalmente agendado.

A guerra alterou o mercado mundial de energia e interrompeu parcialmente o transporte pelo Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente antes do início do conflito. Teerã indicou que poderia reabrir a passagem caso os Estados Unidos suspendam o bloqueio aos portos iranianos e reduzam a pressão militar.

Força como princípio de política externa

Ao concluir, Trump afirmou que a liberdade norte-americana não foi conquistada facilmente e “jamais será entregue”. Para o presidente, cada governo deve demonstrar disposição para enfrentar os inimigos da humanidade e recusar qualquer limitação externa ao cumprimento de suas responsabilidades nacionais.

A mensagem apresentada na ONU consolida uma doutrina na qual soberania, poder econômico e capacidade militar são tratados como elementos inseparáveis. Em vez de recorrer às instituições multilaterais como moderadoras das disputas, Trump deixou claro que considera a força — inclusive a apropriação de vantagens econômicas após intervenções — um instrumento legítimo para garantir os interesses dos Estados Unidos.

Essa visão coloca Washington em confronto direto com a própria lógica fundadora das Nações Unidas. Em um cenário marcado pelas guerras no Irã e na Ucrânia, pela intervenção na Venezuela e pela competição em torno da inteligência artificial, o discurso de Trump aprofundou o debate sobre quanto espaço ainda resta para regras internacionais quando a principal potência militar do mundo reivindica plena liberdade para agir.■



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Ricardo Rosa
Ricardo Rosa
14 dias atrás

Ser ignóbil. Criatura muito perigosa para a estabilidade no mundo

Luciano
Luciano
14 dias atrás

Cara, essa criatura não tem limites. Mentiu, mentiu e mentiu. Mas sobre a Venezuela, falou a verdade. Ele disse na cara da delegação venezuelana que o petróleo é dele, e acabou.

A delegação cubana foi mais soberana, quando ele ameaçou, saíram do recinto.

Felipe
Felipe
Responder para  Luciano
14 dias atrás

Na verdade o povo gosta dos EUA fraco e cedendo espaços pra China . O mesmo esquerdista que ataca trump adora um bota russa ou chinesa .

Luciano
Luciano
Responder para  Felipe
14 dias atrás

Quando tu jogas xadrez, e perdes 1 ou duas partidas, tu ameaças o adversário com uma arma?

Os EUA perderam espaço dentro das regras do jogo que eles inventaram. Abandonaram nossa região, e a China ocupou o espaço porque oferecia o que eles nunca ofereceram. Agora querem usar a força, a chantagem, e ameaça, para virar o jogo.

Isso se chama mal perdedor. Mas, quando se trata da vida de bilhões de pessoas, não é mais um jogo, uma brincadeira, e é muito perigoso.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Luciano
14 dias atrás

“Os EUA perderam espaço dentro das regras do jogo que eles inventaram. Abandonaram nossa região, e a China ocupou o espaço porque oferecia o que eles nunca ofereceram”.

Nunca fizeram uma obra de infraestrutura relevante para esse país, seja portos, aeroportos ou ferrovias, e agora vem querer dizer para o Brasil com quem podemos ou não fazer acordos comerciais.

Mesma coisa que empurraram para o Canadá recentemente.

O governo dos Estados Unidos propôs aliviar ou retirar as tarifas bilionárias impostas ao Canadá sob a condição de obter controle, prioridade e restrições sobre os recursos estratégicos canadenses, visando diretamente neutralizar a influência e o comércio da China

Em setembro de 2026, os EUA pressionaram o governo brasileiro e exigiram conhecimento prévio da venda de ativos de mineração (como o níquel e terras raras) para empresas chinesas em troca de “aliviar” o tarifaço americano de 50% cobrado contra o Brasil.

Nilo
Nilo
Responder para  Felipe
14 dias atrás
Paulo Emater
Paulo Emater
14 dias atrás

Guerra Hibrida , vigia atento.

De volta as apostilas, tempo bom

1000011414
Nilo
Nilo
Responder para  Paulo Emater
14 dias atrás

Boa 🤣😂

Victor Hugo
Victor Hugo
14 dias atrás

O EUA e seus respectivos lideres não estão errados, errado estão aqueles que sempre negaram e negam até hoje a realidade, toda nação deveria se armar até para enfrentar o EUA, o problema do Brasil é tratar tudo como teoria da conspiração achando que nunca vai dar em nada e fica a e deitado eternamente em berço esplendido.

Alexandre Costa
Alexandre Costa
Responder para  Victor Hugo
14 dias atrás

O fato de o mundo funcionar na base da força, não torna isso correto. Acho que você se confundiu um pouco nas palavras aí.

J R
J R
Responder para  Alexandre Costa
14 dias atrás

mas déspotas nunca respeitam o correto, eles sempre estão mais preparados e pisam em quem pense diferente. É um absurdo a maneira que nosso país trata a defesa.

Alexandre Costa
Alexandre Costa
Responder para  J R
14 dias atrás

Que é um absurdo a maneira que o Brasil trata a desfesa eu concordo. É um absurdo como o Brasil trata um monte de coisas, mas não vamos fazer chover no molhado aqui.

O meu questionamento ao colega é em relação a afirmar que o discurso do Trump está certo porque o mundo se resolve na base da força. Oras, nessa lógica até Hitler estava certo, me parece uma preguiça mental seguir essa linha de raciocínio.

Todos aqui gostam de defesa, mas achar que a geopolítica resolvida na base da força está certa já beira a insanidade.

Última edição 14 dias atrás por Alexandre Costa
Nilo
Nilo
Responder para  Alexandre Costa
14 dias atrás

Acha que é com diplomacia que Iran está resolvendo e se saindo bem contra as investidas do EUA?

Última edição 14 dias atrás por Nilo
Alexandre Costa
Alexandre Costa
Responder para  Nilo
14 dias atrás

Não, não acho. Eu acho que todo país deve investir em defesa

Mas sendo o líder da nação mais poderosa do mundo ele deveria ser mais comedido nas asneiras que fala.

Talvez essa bravata toda dele seja sinal de desespero.

Nilo
Nilo
Responder para  Alexandre Costa
14 dias atrás

Só quem para o Trump é o povo Americano de resto não tem ninguém, e se tiver e destruição do que vc conhece do mundo de hoje

Nilo
Nilo
Responder para  Nilo
14 dias atrás

A diplomacia deve ser praticada, mas perdeu sua relevância no mundo atual, o porrete fala mais alto, seja econômico, técnico e militar.
Lula se ganhar vai ficar isolado na América.

J R
J R
Responder para  Victor Hugo
14 dias atrás

O problema do Brasil é que a república já nasceu subalterna aos EUA e colocaram isso como uma cultura subliminar no povo.

Nilo
Nilo
Responder para  J R
14 dias atrás

Quais fizeram? Rsrs

deadeye
deadeye
Responder para  Victor Hugo
14 dias atrás

Quem nega a realidade, são os comandantes das forças armadas brasileiras, um disse que a Marinha dos EUA é a nossa “amiga”.

André E.
André E.
Responder para  deadeye
14 dias atrás

Amiga deles no comando, de fato.

Heli
Heli
Responder para  Victor Hugo
14 dias atrás

Autodeterminação dos povos é um conceito universal. Nem todos países tem condições materiais de enfrentar a maior potencia militar do mundo, 99% deles não tem. E sim, o uso da força não é novidade, mas é imoral.

Última edição 14 dias atrás por Heli
Robson
Robson
14 dias atrás

Piada pronta…
Enfiaram guela a baixo o globalismo e todos os “ismos” possíveis para o planeta todo, agora não é conveniente.
Puro suco da hipocrisia

FERNANDO
FERNANDO
14 dias atrás

blablabla
Cara chato.

Cassini
Cassini
14 dias atrás

Se o Trump é o melhor ou pior presidente dos EUA, não sei. Pelo menos sei que ele é o mais narcisista e sincero.

Afirmou que a política externa estadunidense é agressiva mesmo porque eles podem, querem e precisam, não por abstrações idealistas como liberdade e democracia.

joao
14 dias atrás

Essa mensagem foi direcionada diretamente ao Brasil. Agora, os EUA procuram um professor de português. Eles estão se preparando para dar um golpe no Brasil. É tão triste o cenário brasileiro. O sentimento de não poder fazer nada é terrível. E o pior é que os militares são totalmente culpados disso.
O Irã tem metade do orçamento militar. Eles não gastam 80% do orçamento com salários. Será que o Brasil continuará com o mesmo tamanho daqui a alguns meses?

André E.
André E.
Responder para  joao
14 dias atrás

E quem disse que não podemos fazer algo? Não precisa ter unanimidade para existirem movimentos de resistência.

joao
Responder para  André E.
14 dias atrás

O Irã resistiu com o tempo, com dinheiro, investindo nos setores certos. O Exército Brasileiro gasta 80% do orçamento militar com salário e o pouco que tem gasta porcamente. Hoje, equipamentos militares pedem tempo para ser fabricados, não é igual na Segunda Guerra. Estamos muito mal preparados, e o próprio Exército possui uma mentalidade entreguista; basta ver o que o ministro da Defesa comentou recentemente.

Augusto Cesar
Augusto Cesar
Responder para  André E.
13 dias atrás

“Não precisa ter unanimidade para existirem movimentos de resistência.”

A Ucrânia resiste perdendo mais de 30 mil homens por mês. Sua infraestrutura e bombardeada quase todos os dias. Será que queremos isso para o Brasil?

O tempo de se armar infelizmente já passou.

Augusto Cesar
Augusto Cesar
13 dias atrás

“compreenderam que não bastava acreditar em grandes princípios: era necessário ter “vontade, coragem e força” para defendê-los”

Apesar de ser um lixo como ser humano e normalmente só falar bravatas, ele está certo nessa sua afirmação. Soberania não se constrói com discursos bonitinhos, se constrói com força e poder.