Leaders_on_the_Shield_of_the_Americas_summit_2026

O presidente Donald J. Trump posa para uma foto oficial com líderes mundiais na cúpula "Shield of the Americas", no Trump National Doral, no sábado, 7 de março de 2026, em Miami, Flórida. (Foto oficial da Casa Branca por Daniel Torok)

Declaração assinada em Nova York prevê bloqueio de bens, restrições de vistos e punição de apoiadores, mas não produz automaticamente a classificação jurídica das facções como terroristas em todos os países participantes

NOVA YORK — Governos de 14 países da América Latina e do Caribe aderiram a uma iniciativa liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que inclui o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) entre 24 organizações consideradas ameaças “narcoterroristas” à segurança do continente.

A decisão foi anunciada após uma reunião do Escudo das Américas, realizada em 22 de setembro, paralelamente à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O encontro reuniu chefes de Estado e ministros das Relações Exteriores sob a liderança de Trump e do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Além dos Estados Unidos, assinaram a declaração Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Brasil e México, as duas maiores economias latino-americanas, não integram a coalizão.

Declaração não equivale automaticamente a uma designação nacional

Embora algumas manchetes indiquem que os 14 países “classificaram” o PCC e o CV como organizações terroristas, o alcance jurídico da declaração é mais restrito. O texto anuncia a intenção de adotar medidas contra os grupos, condicionadas às obrigações internacionais e às leis internas de cada signatário.

Isso significa que cada governo ainda terá de utilizar seus próprios mecanismos legais para formalizar sanções, bloquear ativos ou reconhecer as facções como organizações terroristas. A declaração política, isoladamente, não altera automaticamente a legislação penal dos países participantes.

O documento trata as 24 organizações como grupos “narcoterroristas transnacionais” e “ameaças comuns” à estabilidade hemisférica. PCC e Comando Vermelho aparecem, respectivamente, nas posições 16 e 17 da lista.

Sanções financeiras e restrições de viagem

Os signatários declararam a intenção de congelar ativos, impor restrições migratórias e de vistos a integrantes, associados e apoiadores das organizações listadas. O texto também prevê responsabilização criminal de pessoas que forneçam conscientemente apoio material, inclusive serviços logísticos.

Na prática, as medidas poderão dificultar a circulação internacional de integrantes das facções e ampliar o rastreamento de empresas, operadores financeiros, transportadores e intermediários suspeitos de facilitar atividades criminosas.

A aplicação efetiva dependerá, contudo, de atos administrativos, decisões judiciais ou mudanças legislativas em cada país. A declaração não informa quando as sanções entrarão em vigor nem apresenta critérios comuns para definir quem será considerado membro, associado ou apoiador.

Além do PCC e do CV, a lista inclui o Cartel de Sinaloa, o Cartel de Jalisco Nova Geração, o Tren de Aragua, a Mara Salvatrucha, o Clan del Golfo, o Exército de Libertação Nacional da Colômbia, dissidências das Farc e o Sendero Luminoso peruano.

Trump exige adoção do modelo norte-americano

Durante a reunião, Trump pediu que os países classificassem formalmente as organizações como ameaças comuns e aplicassem sanções contra os 24 grupos já designados pelos Estados Unidos. Em seu discurso na Assembleia Geral, o presidente comparou os cartéis ao Estado Islâmico e afirmou que Washington poderá empregar seu poder militar contra ameaças no Hemisfério Ocidental.

Os Estados Unidos já haviam dado um passo unilateral em maio. Em decisão publicada no Federal Register em 5 de junho, o Departamento de Estado designou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras, ou FTOs, com base na legislação norte-americana.

Essa classificação permite ao governo dos EUA bloquear bens sob jurisdição norte-americana, impedir a entrada de integrantes no país e processar pessoas acusadas de fornecer apoio material às facções. A designação não constitui, por si só, autorização automática para operações militares dentro de outro país.

Coalizão recorrerá ao Tratado do Rio

O Escudo das Américas também pretende levar o tema à Organização dos Estados Americanos. Os signatários deverão solicitar ao Conselho Permanente da OEA uma reunião de consulta para discutir a criação de um órgão baseado nos artigos 6º e 13 do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, conhecido como Tratado do Rio.

Em uma etapa posterior, os governos pretendem discutir uma resolução que facilite ações coletivas contra organizações qualificadas como narcoterroristas. Países da coalizão que não fazem parte do tratado declararam apoio à iniciativa dentro dos limites permitidos por suas legislações.

O recurso ao Tratado do Rio amplia o peso político da decisão, pois desloca o debate de uma coalizão liderada por Washington para um mecanismo regional de segurança. Ainda assim, qualquer ação concreta dependerá de negociação entre os Estados e não implica autorização imediata para emprego de força militar.

Pressão diplomática sobre o Brasil

O governo brasileiro não participou da reunião. Segundo reportagem do UOL, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não haviam sido previamente informados de que PCC e CV seriam incluídos na lista conjunta dos 15 governos.

A movimentação aumenta a pressão diplomática sobre Brasília porque vários países signatários mantêm fronteiras, rotas comerciais ou acordos policiais com o Brasil. O eventual bloqueio de bens e a criminalização de apoio material poderão afetar investigações, extradições, operações financeiras e intercâmbio de informações sobre as facções.

No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na ONU que o combate ao crime transnacional seja realizado por meio de cooperação, e não de intervenção estrangeira. O presidente também voltou a rejeitar a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas e afirmou que o Brasil não aceita ser tratado como “quintal” de outras potências.

Pela legislação brasileira, PCC e Comando Vermelho continuam enquadrados como organizações criminosas, e não como grupos terroristas. A Lei Antiterrorismo brasileira vincula o crime de terrorismo a motivações específicas, como xenofobia e discriminação racial, étnica ou religiosa, acompanhadas da finalidade de provocar terror social ou generalizado.

O Brasil reforçou em 2026 sua legislação contra organizações criminosas ultraviolentas, criando novos instrumentos penais sem incorporar automaticamente essas facções ao regime jurídico do terrorismo.

O próximo movimento ocorrerá na OEA e nas estruturas jurídicas dos 14 países. A intensidade da pressão sobre Brasília dependerá de quantos governos converterão a declaração política em sanções efetivas e de como essas medidas serão aplicadas às redes financeiras e logísticas vinculadas às duas facções brasileiras.■



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Rodrigo
Rodrigo
18 dias atrás

Façam uma simples pergunta: Em qual candidatos as facções vão votar????ACORDA BRASIL

Talisson
Talisson
Responder para  Rodrigo
18 dias atrás

Desculpe se entendi errado a tua frase.

Esse ano, tal como em 2018 (em 2022 larguei de mão) percebi vários individuos conhecidamente envolvidos com crime declarando voto num candidato da direita pra governador no RS.
Em conversa com duas profissionais ligadas facção “os abertos”, ambas declararam voto num candidato de direita para senador. Mesmo tendo ja tendo visto algo parecido em outras ocasiões, me surpreendi com o segundo caso.

Aquele traficante que suja as mãos, esta pouco se lixando pra politica. Já o “chefe”, seja o lider da facção, o empresário que lava, ou o advogado dele, pode tanto votar num lado quanto no outro.

Saldanha da Gama
Saldanha da Gama
Responder para  Talisson
18 dias atrás

Poderia citar qual candidato a governador e senador, receberiam apoio do crime?
A festança nos presídios e nas gangs após a vitoria de um candidato diz tudo

Talisson
Talisson
Responder para  Saldanha da Gama
18 dias atrás

Não falei apoio, falei que pessoas particulares declararam o voto em uma conversa particular.

Última edição 18 dias atrás por Talisson
Nilo
Nilo
Responder para  Saldanha da Gama
18 dias atrás

Poderia dizer o que se passa entre Milton, o governador e prefeito de SP? Descreveria as relações? republicanas rsrsrs
Como descreveria as relações de Castro com crime organizado do Rio? Rsrs

comenteiro
comenteiro
Responder para  Saldanha da Gama
18 dias atrás

Teve um deputado fluminense que queria legalizar uma facção que atua no estado.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Talisson
18 dias atrás

Em um país onde existem “traficantes do Senhor”, “Traficantes da Fé” ou “Soldados de Jesus”, fenômeno criminoso e social atuante no Rio de Janeiro conhecido como narcopentecostalismo.
Estabelecidos em algumas favelas, abraçados e perdoados por instituições religiosas que fazem um bom serviço nas comunidades e prisões do Brasil,Fica difícil Bandido não entrar na política.

Não é por acaso que a área de atuação deles tem um nome bem sugestivo: Complexo de Israel.


Sergio Machado
Sergio Machado
Responder para  Rodrigo
18 dias atrás

Apenas para deixar claro, milícia é facção?

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Sergio Machado
18 dias atrás

milícia é um nome Moderado e menos feio que facção…

Nilo
Nilo
Responder para  Rodrigo
18 dias atrás

Quem vota nas lideranças majoritariamente envolvidas em processos na justiça com lavagem de dinheiro? Esse é o voto da patriotada rsrs

Última edição 18 dias atrás por Nilo
Felipe
Felipe
Responder para  Rodrigo
18 dias atrás

É só ver quem tem ligação (varias com PCC)…Tarcínico e Flavinho lideram (será que EUA vão prender esses ou não)?

bruno
bruno
Responder para  Rodrigo
2 dias atrás

Flavio Bolsonaro é claro. Só ver quem apoia as milicias.

João
João
18 dias atrás

Uma situação que deveria ser analisada para uma decisão de Estado.
Estado.

Independente das relações políticas, ou outros (uns dizem, reais) interesses, é uma oportunidade ÍMPAR, para diminuir o poder e influência das Organizações Criminosas.

Estamos ficando pra trás nisso… justamente com um aumento enorme do poder e influência dessas organizações.

Repito a pergunta do colega:

Em quem os faccionados irão votar?

Paulo
Paulo
Responder para  João
18 dias atrás

Em quem chamou o ” irmão ” Vorcaro de ” irmãozão”. Editado, colabore para o site não ser interditado.

Última edição 18 dias atrás por Alexandre Galante
Dr. Mundico
Dr. Mundico
Responder para  João
18 dias atrás

O crime organizado não tem preferência política nem eleitoral, o que manda é o acesso ao poder, seja lá de qual matiz ele for.
Notadamente no interior do país temos prefeitos, vereadores e secretários municipais envolvidos com facções através de contratos, licitações, compras de material, obras públicas, fornecimento de mercadoria, serviços sociais, etc.
E para dizer a verdade, basta constatar que a maioria dos envolvidos são filiados a partidos da chamada “direita”, ou coisa parecida.
Mas, repito, não é questão de preferência ideológica, mas simples “oportunidade” de quem ocupa o poder.
Falta sistema produtivo, falta controle, falta fiscalização e falta punição.
No Brasil, a diferença entre esquerda e direita é apenas a mão que rouba.

deadeye
deadeye
Responder para  Dr. Mundico
18 dias atrás

Quanto a isso, se você pesquisar vai achar noticias de políticos de todas as verterdes políticas sendo presos com envolvimento com o crime organizado…

Talisson
Talisson
Responder para  João
18 dias atrás

A questão é, os EUA não estão e nem querem combater as facções. Tal como na America Latina, os cartéis/facções estão entranhadas entre as mais altas autoridades. Não haverá combate, apenas retórica.
Isso é demonstração de força para que os paisecos da região se submetam.
Isso tem muito mais a ver com terras raras, ouro, bases militares, afastar a influência chinesa…
O dinheiro é lavado em paraísos fiscais subservientes aos EUA, as armas vem dos EUA, a maconha gourmet vem dos EUA, as “balinhas” vem da Europa.

deadeye
deadeye
Responder para  Talisson
18 dias atrás

O “narcoterrorismo” são as WMDs do nosso tempo.

João do Caminhão
João do Caminhão
18 dias atrás

Mas esses grupos são patrimônio cultural do Brasa
Precisamos reforçar a defesa para que o Líder Supremo não passeie de helicóptero pra NY. Yankees go home, sem porta-aviões no Atlântico Sul, sem bases estadunidenses nos vizinhos que ameacem as vítimas de nossa sociedade.
– China, Russia, Open Society, nos salvem, não queremos ser quintal de ninguém (só de vocês)

As instituições estão funcionando, democracia, soberania, ciência, Pilili.

Nilo
Nilo
Responder para  João do Caminhão
18 dias atrás

Besteirol. Ser quintal é sua pretensão ou de um ou de outro não é do Brasil. Viralatismo desavergonhado.

Última edição 18 dias atrás por Nilo
Luciano
Luciano
18 dias atrás

Pouco nos importa o que os EUA, e seus suditos pensam. Temos uma fronteira, tudo que acontece da nossa fronteira para fora, não é da nossa conta, mas o que acontecer 1 centímetro para dentro, é.

O Brasil vai tratar do assunto conforme a nossa lei, nossa Constituição, e pelas forças policias que correspondem. Não é fácil, não dá para sair por aí matando, mas com paciência vamos conseguir.

sub urbano
sub urbano
18 dias atrás

Não tem nada a ver com facções ou cartéis.

O Objetivo é ter um “casus belli” contra adversários políticos dos EUA.

É igual o cartel venezuelano “los soles”. Nunca existiu na pratica, foi um factoide para pegar Maduro.

naval762
naval762
18 dias atrás

Pessoal fica incomodado quando se trata de eliminar as facções criminosas, por que será?

Alexandre Costa
Alexandre Costa
Responder para  naval762
18 dias atrás

A questão é que não se trata de eliminar as facções criminosas.

Nilo
Nilo
Responder para  naval762
18 dias atrás

Pau nos traficantes. Patriotada vai levar pau nas eleições.

Última edição 18 dias atrás por Nilo
Kornet
Kornet
Responder para  naval762
18 dias atrás

São os novos operários,descobriram que os operários são conservadores.
Ano que vem nós assinamos esse tratado e nos juntamos a eles.

Jefferson Ferreira
Jefferson Ferreira
18 dias atrás

Estamos com várias opções de candidatos, mas o brasileiro é binário e só consegue olhar pra 2 opções ambas péssimas para o Brasil….

Macgarem
Macgarem
18 dias atrás

Painho nao gosta que mexe com: “Os meus mininos!” por isso anda meio nervoso ultimamente kkk

BrunoFN
BrunoFN
18 dias atrás

O Brasil nao estar ali e mais uma vergonha desse governo , foi convidado e nao foi, e agora ignorado , mas do que nunca o Brasil passa a imagem de um Pais que protege o crime organizado .. narrativamente isso e péssimo para a imagem do Pais e perigoso , e sim PCC e CV ja a muito passaram de serem apenas crime localizados ..mesmo com divergencias politicas o Brasil deveria estar la .. ao menos tentar entender a Ideia ou propor limites .. mas nao , Lula fica gritando ”Soberania” (sem foças armadas) como uma galinha ,..ignorando tudo e levantando essa bandeira para campanha politica… tempos sombrios ,

Bachini
Bachini
18 dias atrás

Espero que esse ano não tenhamos festa nos presídios após a eleição do novo presidente, tal qual ocorreu em 2022.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Bachini
18 dias atrás

Você estava lá?

comenteiro
comenteiro
18 dias atrás

Será que eles vão atrás do presidente dos Estados Unidos que deu uma perdão para o senhor Juan Orlando Hernández, condenado e preso nos Estados Unidos por tráfico de drogas?

Carvalho2008
Carvalho2008
18 dias atrás

Já falei e repito.

A III guerramundial avança a passos largos e sequer percebemos que estamos em meio a ela.

Aos EUA, resta trancafiar-se nas Américas pois Asia e Europa ja se foram….Para tanto, os EUA precisam de países fortemente aliados nas Américas e perceberam que um dos calcanhares de Aquiles destes governos é a ampla imiscuidade de agentes públicos de todos os poderes com o dinheiro e financiamento do tráfico.

Eles Americanos precisam aplicar esta designação de grupos terroristas, inclusive porque realmente sao mesmo, para legitimar investigações e ações nao necessariamente contra os próprios narco terroristas, mas para juntar material e chantagear agentes públicos destes países…é uma forma de dominar estes governos executivos legislativo e judiciários aos seus interesses…

Não ficarei surpreso se depois descobrirem que Vorcaro seria testa de ferro do PCC…vejam que a 15 anos atrás ele trabalhava com turismo para a Disney…e hoje…vemos o que vemos…donde veio?

Heli
Heli
18 dias atrás

Nada de novo na América Latina nesses últimos 130 anos.
O criminoso convicto da Casa Branca manda soltar um presidente que traficou 400 toneladas de coca pra lá, dias antes de capturarem o Maduro, e quer fazer parecer que a preocupação da CB é o terrorismo na AL. Tem quem acredite nessa lenda.
Engraçado que culpam o Canadá e principalmente o México pelo fentanyl, porém nesses dois países não há epidemia, endêmica já, de fentanyl.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
18 dias atrás

Tirando alguns países, o restante desse Clubinho”Shield of the Americas” é risível, só vassalo de pequena monta.

Argentina,Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras e Trinidad e Tobago.

Países sem voz, sem Hard Power, sem peso e importância Geopolítica, só faltou Porto Rico para completar a trupe mas esse é colônia americana…



Maurício.
Maurício.
17 dias atrás

Só paísecos capachos dos EUA.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Maurício.
17 dias atrás

Só nação Bananeira!