Escassez de combustível chega à Europa: 15% dos postos na França já registram falta de produtos

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Escassez de combustível chega à Europa

Problemas estão concentrados na rede TotalEnergies, que atrai consumidores com preços limitados, enquanto a guerra no Oriente Médio reduz a oferta mundial de derivados

A crise internacional dos combustíveis começou a produzir efeitos mais visíveis na Europa. Na França, 15% dos postos enfrentavam dificuldades de abastecimento em 20 de setembro, ante 11% apenas dois dias antes, segundo dados do Ministério da Economia francês.

Isso significa que aproximadamente um em cada sete postos estava sem gasolina, diesel ou algum dos produtos normalmente comercializados. O percentual varia ao longo do dia, à medida que novas entregas são realizadas e os estoques das estações voltam a se esgotar.

Dados não indicam que todos os postos estejam completamente sem combustível

O índice de 15% não significa que todos os estabelecimentos afetados estejam totalmente sem combustível. Na metodologia do governo francês, um posto é considerado em dificuldade com gasolina somente quando todas as opções que comercializa — SP95-E10, SP95 e SP98 — estão indisponíveis.

Se pelo menos uma dessas variedades continuar disponível, o posto ainda pode atender veículos a gasolina e não é classificado oficialmente como desabastecido nessa categoria. Estabelecimentos fechados por razões não relacionadas ao fornecimento também são excluídos do cálculo.

Mesmo com essa ressalva, a velocidade do avanço chamou a atenção. A taxa nacional passou de 11% em 18 de setembro para 13% no dia 19 e chegou a 15% no dia 20. Levantamentos feitos em horários diferentes chegaram a apontar percentuais ainda maiores.

O Grand Est aparecia entre as regiões mais afetadas, com cerca de 20% dos postos em dificuldade. Na Alsácia, mais de uma em cada quatro estações enfrentava falta de gasolina ou diesel. Pays de la Loire, Centre-Val de Loire, Occitânia e Normandia também registravam índices elevados.

Corrida aos postos da TotalEnergies

O governo francês afirma que o país ainda não enfrenta uma escassez generalizada. Segundo a ministra responsável pela área de Energia, Maud Bregeon, aproximadamente nove em cada dez postos com problemas pertenciam à rede TotalEnergies.

A concentração é explicada principalmente pela política de preços da companhia. Desde 22 de julho, a TotalEnergies limita o valor da gasolina a € 1,99 por litro e o do diesel a € 2,25 nos postos localizados na França metropolitana.

Como os preços médios cobrados por outras distribuidoras superam esses valores, os consumidores passaram a procurar preferencialmente os postos da TotalEnergies. O resultado foi uma forte concentração da demanda, formação de filas e esgotamento mais rápido dos estoques disponíveis.

Os números indicam, portanto, uma combinação entre dificuldades logísticas e corrida aos postos mais baratos. A TotalEnergies representa menos de um quarto das estações monitoradas na França, mas responde pela grande maioria dos casos recentes de desabastecimento.

Governo descarta falta generalizada no curto prazo

O ministro da Economia, Roland Lescure, afirmou que a França dispõe de combustível suficiente para os próximos dois meses. O governo também informou que, até o momento, não foi necessário recorrer aos estoques estratégicos do país.

Paris reconhece, entretanto, que o mercado internacional está cada vez mais apertado. Desde o início da guerra no Oriente Médio, os estoques mundiais de petróleo e derivados vêm diminuindo, enquanto aumentam os custos de transporte marítimo, seguro e processamento nas refinarias.

O governo francês anunciou mais € 450 milhões em medidas de apoio às famílias e aos setores mais atingidos pela alta da energia. Com isso, o custo total do pacote emergencial chegou a € 1,4 bilhão.

A quantidade de trabalhadores de baixa renda que poderão receber auxílio para deslocamentos deverá aumentar de três milhões para 5,5 milhões. Pescadores, agricultores, profissionais de atendimento domiciliar, enfermeiros autônomos e empresas da construção civil também serão beneficiados.

Mercado europeu está sob pressão

As dificuldades francesas surgem em um momento de forte restrição no mercado mundial de derivados. A Europa continua particularmente vulnerável porque depende da importação de grandes volumes de diesel, querosene de aviação e outros produtos refinados.

A guerra no Oriente Médio afetou refinarias, terminais e rotas marítimas, enquanto o conflito entre Rússia e Ucrânia também reduziu a oferta de combustíveis. Refinarias nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia já operam próximas de seus limites, deixando pouca capacidade disponível para compensar novas interrupções.

A França passou a pressionar a União Europeia por mudanças temporárias nas regras de produção de combustíveis. Entre as propostas está a flexibilização de exigências técnicas e ambientais para permitir que as refinarias europeias aumentem em até 20% a produção de diesel e combustível de aviação.

Embora o país ainda não enfrente um colapso nacional do abastecimento, a situação mostra como uma elevação repentina da demanda pode pressionar rapidamente a rede de distribuição. Se as interrupções no Oriente Médio continuarem, os problemas hoje concentrados em determinados postos poderão se transformar em uma disputa mais ampla pelos estoques disponíveis no mercado europeu.■



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Alexandre Costa
Alexandre Costa
18 dias atrás

Quem sabe a França não coloca pressão no orangotango laranja pra resolver logo essa bagunça? Sendo um player de peso e um aliado histórico isso poderia ser de grande ajuda a todos.

karlbonfim
karlbonfim
Responder para  Alexandre Costa
18 dias atrás

Aí seria a mesma coisa do poste mijar no cachorro!

Alexandre Costa
Alexandre Costa
Responder para  karlbonfim
18 dias atrás

A França está longe de ser irrelevante como você diz.

Hcosta
Hcosta
Responder para  Alexandre Costa
18 dias atrás

Macron tem trunfos mas não são os trunfos do poder político frânces ou pela história.
Fazer campanha para o nobel, torre Trump em Paris, etc. isso talvez tenha melhores resultados. Como já fez em outras ocasiões como nas visitas de Trump à França onde é tratado como um rei.

karlbonfim
karlbonfim
18 dias atrás

Aqui também o trem tá feio, tenho uma pick-up velha a diesel, que já está a R$7,49, tô juntando as moedas para comprar um carro elétrico…

Wagner
Wagner
18 dias atrás

Querendo ou não, Europa vai ter que se rastejar para Rússia.
A energia russa carregava a Europa nas costas, hoje o tempo mostrou que Putin e mais importante que o laranjão para a UE.

João
João
Responder para  Wagner
18 dias atrás

Não é por menos, q Trump mandou a real ontem na ONU.
EUA mais VNZ possuem 60% do petróleo.

É realmente isso? Não… mas fica a dica em relação a interdependência.

EUA foi crítico a desnuclearizacao da Europa. Democratas, obviamente, apoiaram.

Agora, a Europa tem a Rússia dizendo abertamente da possibilidade de seu ataque, e estão dependentes.

O Brasil, por sua vez, com a situação de segurança internacional se degradando, violência interna aumentando exponencialmente, inúmeras fontes de problemas econômicos aumentando, e a preocupação é: manutenção do poder, manutenção das estruturas aparelhadas de poder, festas regadas a bebida cara e charutos, povo dependente de “auxilio social.”

Há uma grande possibilidade de uma guerra total no mundo. Que já está em andamento de forma híbrida e estamos pior do que parados. Estamos de marcha ré.

Hcosta
Hcosta
Responder para  Wagner
18 dias atrás

A Rússia exporta crude e importa gasolina e diesel.

Cassini
Cassini
Responder para  Hcosta
17 dias atrás

Você quis dizer o Brasil, né?