Nova imagem mostra laser AMP-HEL do Exército dos EUA em avaliação no Texas
Sistema de energia dirigida instalado sobre um veículo leve ISV está sendo testado para missões antidrones depois de ter sido empregado contra aeronaves não tripuladas ligadas a cartéis na fronteira com o México
Uma nova fotografia divulgada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos mostra soldados da 1ª Divisão Blindada preparando um sistema de armas a laser AMP-HEL instalado sobre um Infantry Squad Vehicle (ISV) durante um exercício em Fort Bliss, no Texas.
A imagem foi registrada em 16 de setembro e publicada oficialmente seis dias depois. De acordo com a legenda militar, o exercício permitiu avaliar as capacidades do sistema e sua integração com outros equipamentos empregados pela Força-Tarefa Conjunta da Fronteira Sul, ou JTF-SB, durante a Operação Ardent Vanguard.
Laser de 20 quilowatts sobre veículo leve
AMP-HEL é a sigla em inglês para Army Multi-Purpose High Energy Laser, ou Laser de Alta Energia Multiuso do Exército. O sistema fotografado em Fort Bliss utiliza o laser LOCUST, desenvolvido originalmente pela BlueHalo e atualmente pertencente à AeroVironment.
Os primeiros protótipos possuem potência na classe de 20 quilowatts e foram integrados ao ISV fabricado pela GM Defense. O veículo é baseado na arquitetura da picape Chevrolet Colorado ZR2 e foi projetado para oferecer elevada mobilidade tática, incluindo a possibilidade de transporte por helicópteros.
A configuração reúne sensores eletro-ópticos, mecanismos de rastreamento e um diretor de feixe instalado na parte traseira do veículo. Depois que o alvo é detectado e acompanhado, o laser concentra energia sobre um ponto específico do drone até danificar componentes estruturais, sensores, superfícies de controle ou o sistema de propulsão.
Os dois primeiros AMP-HEL sobre ISV foram entregues ao Escritório de Capacidades Rápidas e Tecnologias Críticas do Exército em setembro de 2025. Antes da entrega, os protótipos passaram por testes de desempenho, mobilidade, segurança e letalidade no Yuma Proving Ground, no Arizona, seguidos por treinamento de militares em Fort Sill, Oklahoma.
Sistema já foi empregado na fronteira
Embora a fotografia mais recente tenha sido registrada durante uma avaliação, o AMP-HEL já foi usado em operações reais na fronteira entre os Estados Unidos e o México. O Comando Norte dos EUA informou que o sistema foi incorporado à missão de proteção da fronteira em 24 de agosto de 2026.
Entre 25 e 26 de agosto, a JTF-SB empregou o laser contra três drones classificados como hostis. Segundo os militares norte-americanos, as aeronaves estavam sendo utilizadas em apoio a atividades que representavam uma ameaça física aos soldados e aos agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos.
Em atualização publicada em 4 de setembro, o Comando Norte afirmou que o AMP-HEL havia neutralizado 11 drones vinculados a cartéis. O número é uma avaliação oficial norte-americana e não foi confirmado de maneira independente. No mesmo comunicado, a força-tarefa informou ter neutralizado mais de 300 drones em 2026 por meios cinéticos e não cinéticos.
Organizações criminosas transnacionais utilizam drones para acompanhar patrulhas, identificar rotas com menor vigilância e apoiar operações de contrabando de drogas e tráfico de pessoas. Essa atividade levou os Estados Unidos a implantarem uma defesa em camadas, combinando sensores, bloqueadores eletrônicos, armas convencionais e sistemas de energia dirigida.
Diferentes plataformas em avaliação
Além dos protótipos instalados no ISV, o Exército recebeu versões do AMP-HEL montadas sobre o Joint Light Tactical Vehicle (JLTV). Imagens divulgadas anteriormente mostraram uma dessas configurações sendo operada perto de Rio Grande City, também no Texas, em resposta ao aumento da atividade de drones na região.
A instalação em veículos diferentes permite ao Exército comparar mobilidade, capacidade de geração de energia, refrigeração, transporte e integração com sensores externos. O ISV oferece menor peso e maior mobilidade expedicionária, enquanto o JLTV proporciona proteção blindada e maior capacidade para transportar equipamentos.
Os lasers apresentam vantagens importantes contra drones comerciais de baixo custo. Como não dependem de mísseis ou munições convencionais, podem realizar sucessivos engajamentos enquanto houver energia elétrica e capacidade de refrigeração. O feixe também viaja à velocidade da luz e reduz o risco de fragmentos ou projéteis atingirem áreas próximas.
A tecnologia, contudo, não elimina a necessidade de outros sistemas de defesa. Nevoeiro, chuva, poeira, fumaça e turbulência atmosférica podem dispersar ou absorver parte da energia. O alcance e o tempo necessário para provocar danos também variam conforme a distância, as condições ambientais e os materiais utilizados no alvo.
Exército prepara produção em maior escala
A avaliação ocorre poucas semanas depois de a AeroVironment receber um contrato de US$ 464,8 milhões para o programa Enduring High Energy Laser, ou E-HEL. Segundo a empresa, trata-se do primeiro contrato norte-americano para a produção em escala de sistemas de armas a laser de alta energia.
O acordo prevê a entrega de dezenas de unidades LOCUST X3 ao longo dos próximos anos. Essa versão terá potência de 30 quilowatts e poderá ser instalada em veículos JLTV ou utilizada em configurações sobre paletes. A possibilidade de integração futura ao ISV também está sendo estudada.
Os testes em Fort Bliss devem ajudar a determinar como as lições obtidas com os protótipos AMP-HEL serão incorporadas à nova geração de sistemas. A capacidade de manter o laser disponível em condições reais, conectado a radares e redes de comando, será decisiva para que a arma deixe de ser um recurso experimental e passe a integrar regularmente as unidades de defesa antiaérea do Exército dos Estados Unidos.■
